História A Mestiça - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Blásio Zabini, Draco Malfoy, Gregory Goyle, Harry Potter, Hermione Granger, Lucius Malfoy, Luna Lovegood, Minerva Mcgonagall, Narcissa Black Malfoy, Neville Longbottom, Pansy Parkinson, Personagens Originais, Ronald Weasley, Simas Finnigan, Vincent Crabbe
Tags Draco Malfoy, Harry Potter, Hogwarts, Personagens Originais
Exibições 204
Palavras 6.786
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, gente, vocês querem me matar? Por favor, respondam que não :')
Vou explicar tudo nas notas finais, prometo.
Esses da capa são Blena, como vocês bem perceberam. Tomei vergonha na cara e resolvi escolher alguém para representar a Lena, e ninguém melhor do que a maravilhosa Troian Bellisario :")

Aviso: Caso você seja diabético, cuidado ao ler este capítulo, ou então sua taxa de glicose aumentará significativamente :)

Boa leitura ❤

Capítulo 12 - Inocente


Fanfic / Fanfiction A Mestiça - Capítulo 12 - Inocente

Melanie Watson

- Sabe, acho que já aprendi o suficiente de Transfiguração por esta noite. - falou Draco, do outro lado da Sala Precisa - Talvez esteja na hora de fazermos outra coisa.

- Estou aberta a sugestões. - Viro a página do caderno de anotações de McGonagall, completamente entediada.

Não havia percebido que Draco tinha se locomovido do seu antigo lugar, para meu lado, até eu sentir o sofá abaixando com seu peso.

- Ah, tenho várias ideias.

Tirei meus óculos de descanso, e encarei o loiro com uma sobrancelha arqueada.

- Tipo o que?

- Tipo isso...

Ele agarrou minha nuca e estava aproximando nossos rostos, até eu consegui afastá-lo no último segundo. Draco me encarou com seus olhos cheios de curiosidade.

- Não vou beijar você. - Revelei, com o semblante sério.

- Por que? - Malfoy sentou-se corretamente no sofá, e me avaliava com os olhos. - Pensei que estivesse tudo bem entre a gente.

- Bom, talvez seja porque não se passaram nem 72 horas desde que os lábios de Greengrass tocaram nos seus, e os germes dela devem estar fazendo uma festa na sua boca!

- Ei! Eu escovo os dentes, sabia?! - Draco parecia indignado, e eu quase ri.

- Não quero saber! Enquanto não se passarem três dias, e eu tiver certeza de que não existe mais nenhum vestígio dela em você, não o beijarei.

- Você é bem infantil, sabia? - Malfoy cruzou os braços acima do peito. - Ficar sem me beijar por causa disso, onde já se viu?

- Não é infantilidade, é precaução.

- Chame como quiser, para mim é infantilidade sim!

Bufei, não iria discutir por causa disso. Além do mais, eu estava certa em querer evitar os germes bucais de Astoria Greengrass. Era bem nojento pensar em beijar a mesma boca que ela beijou, mesmo que a boca citada seja a de Draco Malfoy.

- Vai ficar mesmo assim?

Dei de ombros da maneira mais infantil que consegui.

- Vou!

- Beleza então! Quando você quiser, irei me recusar!

- Duvido.

- Duvida, é? Então tenta pra ver.

Eu sabia que era uma provocação; sabia que ele estava jogando sujo; sabia que era uma armação, mas mesmo assim eu caí. Agarrei Draco pela nuca e puxei sua boca para a minha. Naquele momento, eu esqueci que poderia estar adotando os germes de Astoria Greengrass, esqueci dos dias que ficamos sem nos falar, esqueci que não deveríamos estar nos beijando, mas sim estudando. Esqueci de tudo, só conseguia pensar em nossos lábios juntos, e em nossas línguas travando uma batalha pelo controle.

Draco puxou-me pela cintura, colando nossos corpos ainda mais, o loiro me beijava selvagemente, com desejo em cada movimento de sua boca. E eu não fazia diferente, mas, apesar da luxuria, era possível também sentir carinho naquele beijo.

Suas mãos passeavam pelas minhas costas fazendo uma trilha pela minha coluna, causando-me arrepios. Mordi seu lábio inferior lenta e provocativamente, e senti-o sorrir contra minha boca. Draco estava com gosto do Sapo de Chocolate que comemos antes de começarmos a estudar, e aposto que eu também estava.

Meus pulmões estavam clamando por ar, mas eu não queria quebrar o beijo, e, pelo visto, nem Draco. Fomos diminuindo a intensidade, até que estávamos apenas trocando selinhos.

Sorri que nem uma boba quando nossos lábios se afastaram, eu estava arfando, o loiro também. Draco colou nossas testas, a ponta de nossos narizes se tocando, e tocou minha nuca, fazendo círculos em minha bochecha com o polegar.

- Reclamou tanto, mas acabou que foi você quem me beijou. - Draco falou, triunfante.

Revirei os olhos, ainda sorrindo.

- "Quando você quiser, irei me recusar!" - Tentei imitá-lo, mas minha voz saiu muito aguda e irritante.

Draco riu, balançando a cabeça. Já falei que sua risada é maravilhosa? Se não disse: a risada de Malfoy é maravilhosa. É um pouco rouca, e seu sorriso com seus dentes perfeitos deixa tudo ainda mais lindo.

- Isso, joga na cara.

- Só trabalho com fatos..

Ele soltou uma risadinha anasalada, e ficamos em silêncio, apenas nos encarando, estudando um ao outro. Percebi que seus olhos cinzentos estavam em um tom próximo ao azul, e que ele tinha sardas no nariz. Ainda não havia reparado nesses detalhes, mas só serviu para que eu ficasse ainda mais boba por ele. Draco tinha um pequeno sorriso no rosto enquando me olhava.

- O que foi? - perguntei, também sorrindo.

- Você é linda, sabia?

Minhas bochechas ficaram imediatamente quente, e eu desviei o olhar, encarando minhas mãos que pousavam em meu colo.

- E, você fica uma graça quando está com vergonha. - As mãos pálidas, com dedos longos do garoto cobriram as minhas, também pálidas. Olhei de soslaio, e corei ainda mais, encarando nossas mãos unidas.

- Para de me constranger!

- Só estou falando a verdade. Você é linda, Melanie. Se não sabia disso, agora fique sabendo.

Já haviam dito que eu era bonita antes, entretanto, de alguma forma, ouvir isso de Draco era... diferente. Senti, pela primeira vez, como se isso fosse verdade. Como se eu realmente fosse bonita. Sempre tive problemas de auto-estima, achava meus dentes meio desproporcionais, minha risada era estranha, minha pele era clara demais... Porém, naquele momento, comecei a pensar que talvez eu não fosse tão feia assim, talvez eu até fosse bonitinha.

- Seus olhos, - Ele continuou - seu sorriso, seu rosto, você. - Draco suspirou, sorrindo, e me encarando. - Você é tão linda... - Tocou meu rosto.

Meu coração parecia querer sair de dentro do meu peito de tão feliz e eufórica que fiquei. Ele falava de um jeito que fazia eu acreditar em cada palavra que saia de sua boca. Eu só conseguia ficar mais e mais constrangida.

- Olha pra mim. - Ele pediu, e assim eu fiz.

Draco Malfoy

Eu a beijei novamente, os lábios de Melanie eram viciantes, não dava para explicar. Quanto mais a beijava, mais eu queria. No entanto, antes que pudéssemos aprofundar o beijo, fomos interrompidos:

"Vocês vieram para estudar, ou ficar de saliência?" Quem será que nos atrapalhou? Se você disse Selena Parkinson, acertou.

Nos separamos, e lancei um olhar mortal para Selena e Blásio que se jogaram no outro sofá, nos olhando maliciosamente.

- Será que McGonagall sabe disso, Lena?

- Acho que não, Blás. Que tal contarmos para ela?

- Boa ideia. Ela adoraria saber que, ao invés de estarem estudando, os dois estão se pegando loucamente.

Melanie riu de um jeito suave e doce, que eu adoro. Ela estava claramente constrangida, suas bochechas rubras denunciavam isso. Ela era tão adorável. Mal percebi quando soltei um suspiro.

Estava encarando Melanie descaradamente, e alguém ia acabar vendo, mas não me importei. Meus pensamentos foram confirmados quando uma almofada acertou em cheio minha cara, e logo olhei para Blásio, já que obviamente foi ele quem jogou.

"Limpa, tá babando." Fiz leitura labial, e ele apontou para o canto da sua boca, e eu logo entendi o que ele quis dizer. Revirei os olhos, constrangido. Previa um interrogatório mais tarde.

- Será que ela acrescentaria pontos para a Sonserina, se contássemos? - Selena Parkinson perguntou, olhando para Blásio, fingindo pensar.

- Talvez sim, mas ela tiraria outros por causa deles. - Ponderou Blásio.

Revirei os olhos.

- Por que, ao invés de ficarem enchendo nosso saco, vocês não aproveitam esse sofá para fazer algo produtivo?

Blásio imediatamente arregalou os olhos; Selena, por um momento, olhou-me sem entender, mas, quando a compreensão chegou, ela colocou as mãos na boca, suas bochechas coradas; Melanie me encarava, pasma.

- O que foi? - perguntei para os três, dando de ombros - Está mais do que óbvio que esses dois querem se pegar, pra quê tanto cú doce?

Levei um tapa no braço, e olhei para o lado, os olhos de Melanie ainda estavam arregalados de espanto, mas ela parecia se segurar para não rir. Ela era tão adorável.

- Draco! Não chame palavrão!

Murmurei um "desculpe" quase inaudivelmente.

Depois disso, o silêncio reinou. Era perfeitamente claro ver o quão constrangida Selena Parkinson estava, ao mexer com uma mecha de seus cabelos castanhos, mantendo seus olhos longe de qualquer um; Blásio pareceu estranhamente interessado em um livro de Astrologia que estava por ali; Melanie mantinha sua cabeça pousada em meu ombro, e cutucava meu braço distraidamente; e eu... bom, eu tentava manter minha respiração o mais normal possível, mas estava complicado. Era incrível como um simples toque dela pode fazer com que meu coração acelerasse desse jeito. E ela parecia não perceber o efeito que causava em mim.

Depois de alguns minutos, Blásio e Selena já haviam voltado ao normal. Falavam tanto que pareciam nem tomar ar. Os dois pareciam ter esquecido que haviam mais duas pessoas ali naquele local, se bem que estávamos calados, então, não era de se estranhar.

- Quanto você aposta que de hoje não passa? - A voz rouca e doce de Melanie invadiu meus ouvidos, e imaginei o quão fofa ela estava com os cabelos bagunçados, e a bochecha amassada em meu ombro. Respirei fundo para tentar me controlar, estava cada vez mais caidinho por ela.

- Como assim?

- Você sabe, Blásio e Selena. Não duvido que hoje seja o grande dia dos dois.

Pelo tom de sua voz, percebi que ela sorria. Queria poder ver esse sorriso... Resolvi me concentrar no que ela falava. Parkinson e Zabini. Eles realmente pareciam estar mais próximos do que nunca. Era perceptível que se gostavam, não precisava nem perguntar. Eles sorriam que nem bobos um para o outro, revirei os olhos para isso, mas estava feliz por eles.

- Desta semana não passa.

- Pra mim, é hoje.

Sorri.

Melanie se mexeu um pouco, chegando mais perto, e eu travei. Ela pegou um dos meus braços, passando sobre seus ombros, e encostou a cabeça no meu peito, encolhendo as pernas no sofá. O cheiro de baunilha que desprendeu de seus cabelos escuros adentrou meu nariz, me embriagando.

Meio sem jeito, acariciei suas mechas negras, e sorri quando um arrepio subiu pela sua coluna. Ora, ora, ora, parece que não sou o único com pontos fracos por aqui. Beijei o topo de sua cabeça.

- Queria que estivéssemos sozinhos - murmurei para que apenas ela ouvisse.

- Acho que eles definitivamente não se importariam se saíssemos agora. - Sorri maliciosamente com isso.

- Então vamos?

Ela logo ajeitou-se, levantando, e me puxando junto. Fomos andando pé ante pé até a porta. Selena e Blásio ou não notaram; ou resolveram ignorar. Já nos encontrávamos no corredor quando Melanie me pôs contra a parede e me beijou intensamente. Fiquei agradavelmente surpreso por ela tomar a iniciativa. Troquei nossas posições, e agora, quem estava contra a parede não era mais eu.

As mãos da morena passeavam pelas minhas costas, e um arrepio subiu pela minha coluna. Segurei sua nuca, e pedi passagem com a língua, que logo foi cedido.

Melanie arfou quando enrosquei meus dedos em suas mechas escuras. Suguei sua língua, e escutei-a gemer contra minha boca.

Escutamos passos, e imediatamente nos separamos, ofegantes. Astoria Greengrass apareceu no final do corredor mal iluminado, e pareceu supresa ao nos ver ali, rente a parede, completamente descabelados. Mas, logo a surpresa deu lugar à raiva, e ela passou por nós, com a cabeça erguida, seus sapatos fazendo eco no corredor.

Melanie bufou ao meu lado, virei-me a tempo de vê-la revirando os olhos. Tomei seu rosto com as mãos, e beijei-a delicadamente.

Não sabia o problema de Watson com Greengrass, não tinha nada contra esta última, além do fato de ela ser irritante, e quase ter estragado minha reconciliação com Melanie. Astoria e eu tínhamos algo como uma "amizade colorida". Uma amizade sem compromisso, mas com direitos a beijos sempre que quiséssemos. E talvez tenha sido por causa disso que ela se sentiu no direito de beijar-me na noite em que Melanie nos viu.

Watson separou nossos lábios, e suspirou, com um sorriso de canto, e acariciou minha bochecha com a ponta de seu polegar, olhando distraidamente para minha boca.

- O que foi? - questionei, também sorrindo, estranhando a atitude dela.

Melanie balançou a cabeça, fazendo seus cachos negros balançarem graciosamente.

- Nada não. - Sorriu, seus olhos verdes virando duas pequenas fendas. Ela ficou na ponta dos pés, e tocou meus lábios levemente.

Ela ficava tão linda mesmo com a pouca iluminação do local. A luz escassa lançava algumas sombras em seu rosto, fazendo-a parecer um tanto misteriosa. Eu simplesmente não tinha palavras para descrever sua beleza, ou como eu me sentia em relação à ela, era como se eu pudesse ir ao céu e voltar só encarando suas esferas verdes, que a luz parca tornou quase cinzento.

Passei os braços ao redor da garota, e ela fez o mesmo, descansando o rosto em meu peito. Beijei seus cabelos, e apoiei meu queixo em sua cabeça, e respirei fundo.

- Seu coração está acelerado. - Comentou, sua voz saiu abafada devido à sua bochecha estar pressionada contra meu tórax.

- É? - Corei levemente, isso havia sido bem vergonhoso.

- Sim - ela riu - É como se estivesse nervoso com minha presença. - Brincou, mas eu engoli em seco, e forcei uma risada. Como ela podia brincar com a verdade dessa forma?

- Acho que você não escutou direito - comentei, nervoso.

- Claro que escutei, meu ouvido está exatamente em cima do seu coração.

Preferi não responder, e manter-me calado, para evitar mais constrangimento. Permanecemos em silêncio por um tempo, eu fazia círculos em suas costas, enquanto ela apenas mantinha-me bem perto.

- Você está dormindo? - perguntei, depois do que me pareceram horas.

- Não.

- Que bom, pensei que estivesse dormindo em pé, e que eu seria obrigado a carregá-la até o Salão Comunal.

Ela riu fracamente.

- Não será necessário. Vamos?

- Vamos.

Ao nos separarmos, senti como se estivesse exposto. Sem o calor do corpo de Melanie, eu senti frio.

Fomos andando lado a lado nos corredores escuros de Hogwarts, conversando sobre banalidades. A maioria dos alunos já estavam em seus devidos Salões Comunais, graças ao toque de recolher que logo, logo chegaria.

Duas garotas do quinto ano passaram por nós, e acenaram para Melanie, que devolveu o aceno com um sorriso. Estudei o rosto de Melanie pelo o que me pareceu a décima vez só aquela noite. Uma onda de coragem tomou meu corpo, e eu agarrei sua mão, entrelaçando meus dedos aos dela. Watson pareceu ligeiramente surpresa com meu gesto, e me encarou, confusa. Apenas dei de ombros, e seguimos andando. De mãos dadas.

Merlin! Eu estava completamente caidinho por ela!

•••

Blásio Zabini

Draco e Selena com certeza pensaram que sua saída nada sutil, havia passado despercebida por Selena e eu.

Pensaram errado.

Havíamos notado perfeitamente, bom, eu pelo menos notei, Selena falava sem parar e nem percebeu. Não que eu esteja reclamando por as vezes ela não calar a boca. Não, claro que não. Eu simplesmente achava adorável a forma com que seus olhos castanhos brilhavam quando tocávamos em algum assunto de seu interesse; ou o jeito que ela gesticulava incansavelmente com as mãos, quando empolgada; ou até mesmo quando bufava toda vez que eu a interrompia. E eu a interrompia bastante. Talvez eu fizesse de propósito? Talvez. Talvez eu quisesse vê-la fazendo biquinho? Talvez. Talvez eu achasse fofa a forma com que ela me olhava com raiva? Talvez.

Mas, saindo do meu momento "Sou Trouxa Por Selena Parkinson", estávamos conversando sobre alguma coisa banal, quando ela me fez uma pergunta inesperada:

- Você e minha prima Pansy,  já tiveram alguma coisa? - Ela encarava-me seriamente.

- Não - respondi, confuso. - Por que?

- Não é importante. - Tentou lançar-me um sorriso, porém, dizer que saiu forçado seria um eufemismo. - E então, quando começa a temporada de Quadribol?

Obviamente, ela estava fugindo do assunto, mas, mesmo com o pouco tempo que nos conhecemos, percebi que, quando Selena não quer contar alguma coisa, não adianta nem perguntar. Uma vez, tentei a sorte, mas levei algumas - várias - patadas, que logo fizeram-me desistir. Entenda, Lena é um amor em 89% do tempo, mas, não queira falar com ela quando a garota estiver em seus momentos cavala.

- Hum... semana que vem.

- Você joga em que posição, que eu esqueci?

Ela já estava voltando ao seu normal, e era perceptível que ainda queria fazer com que eu esquecesse de sua pergunta anterior. Eu estava curioso? Estava. Mas, se ela não queria falar, não iria pressionar.

- Sou artilheiro.

- Eu sempre quis jogar no time de Quadribol - Ela revelou, sorrindo, e colocou uma mecha de seus cabelos castanhos atrás da orelha. - Mas nunca fiz nenhum dos testes, quando abria alguma vaga.

- E por que não? - Perguntei, ligeiramente interessado.

- Ah, você sabe - ela riu - Eu não tenho coordenação motora pra andar em uma vassoura nem se ela estiver voando na velocidade de uma tartaruga, imagina rapidamente. E você sabe como os acidentes me perseguem.

Nós rimos. Ela realmente parecia ter um imã para atrair acidentes. Há alguns dias atrás, no Grande Salão, Selena havia acabado de levantar da mesa da Sonserina, carregando uma pequena tigela contendo uma sopa de cebola extremamente quente. A ideia original, era ir até a ponta da mesa, para sentar perto de Charlotte Tekken uma amiga sua do quarto ano, com ascendência japonesa, que viera para Hogwarts esse ano. Entretanto, ao levantar-se, um garoto da Grifinória passou atrás dela no momento em a garota virou-se, e a sopa quente caiu em cima dele.

Resultado: o garoto na enfermaria com queimaduras de 2º grau, e a Sonserina com 30 pontos perdidos.

Era compreensível Selena evitar andar em vassouras.

Ficamos um tempo calados, imersos em pensamentos. Selena estava ocupada cutucando uma cutícula de suas unhas; e eu estava ocupado observando-a. Seus cabelos castanhos brilhantes ganhavam um tom mais escuro por conta da luz dos candelabros, e seus olhos também castanhos, ganharam uma cor de avelã.

Do nada, Selena começou a rir. Olhei-a sem entender nada, e ela continuou rindo, como se nem percebesse minha confusão.

- O que foi? - perguntei - Eu quero rir também.

Parkinson enxugou uma lágrima que havia se formado no canto de seus olhos, e me encarou, ainda rindo um pouco.

- É que agora eu entendi o motivo de Draco e Melanie terem saído sem nos avisar.

- Pois diga.

- Na verdade, eu tenho duas teorias. - Ela sentou-se de lado no sofá, e virou-se de frente para mim.

- Estou ansioso para escuta-las - Fiquei na mesma posição que ela, olhando-a com curiosidade.

- Bom, ou eles estavam loucos para continuar o que nós interrompemos; ou...

- Ou...? - Incentivei.

- Ou eles queriam nos dar "privacidade" - Ela deu um sorriso um pouco constrangido, e todo e qualquer resquício de humor haviam sumido de sua expressão. Selena olhou para baixo.

Eu havia entendido o que ela quis dizer com "privacidade", claro que sim. E não duvidava nadinha que Draco e Melanie estavam em algum lugar do castelo, esperando para que algo acontecesse entre Selena e eu. E, preciso confessar: eu também esperava. Só precisava aguardar o momento certo para tomar alguma iniciativa. E, talvez esse "momento certo" tenha chegado.

- Acho que a gente não deve desperdiçar um momento desses. - Sugeri, com um sorriso malicioso.

A baixinha fitou-me com seus olhos castanhos arregalados, e de boca aberta.

- O que você...

- Você entendeu o que eu quis dizer, Selena.

Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas eu interrompi, selando nossos lábios.

Selena pareceu ligeiramente surpresa com meu gesto, mas logo suas mãos tomaram lugar em minha nuca, e eu segurei sua cintura fortemente. A garota pediu passagem com a língua, e eu cedi. Suspirei quando nossas línguas se conectaram, e começaram uma guerra pelo controle.

Em um movimento rápido, fiz com que Selena deitasse de costas no sofá, e eu fiquei por cima. Suas mãos passeavam por minhas costas, enquanto eu segurava sua nuca com uma mão, e sua cintura com a outra, em um gesto possessivo.

Nunca imaginei que beijar Selena fosse ser algo tão maravilhoso. É claro que eu já havia idealizado esse momento, que nem aquelas garotinhas apaixonadas - é bem vergonhoso admitir -, mas, a realidade está se mostrando ainda melhor do que em meus melhores sonhos.

Sabe aquelas borboletas no estômago que as pessoas dizem sentir em momentos assim? Sei que vai parecer clichê, mas, é exatamente o que estou sentindo. Parecia que um aglomerado desses bichinhos haviam se formado no meu estômago e estavam fazendo uma festa daquelas. Meu coração parecia que ia explodir dentro de meu peito, de tão feliz que estava por finalmente poder beijar a garota que eu gosto.

Quando o ar nos faltou, nos separamos penosamente. O ar ao nosso redor, antes frio, de repente parecia quente como o inferno. Ambos estávamos ofegantes.

Nossos olhares se encontraram entre respirações entrecortadas, e sorrimos levemente um para o outro. Sai de cima da garota, voltei a me sentar no sofá, e Selena também. Ela estava tentando desamarrotar suas roupas, e eu as minhas.

- Parece que um hipogrifo dançou balé em cima de você. - Comentei, divertido.

Ela riu, e me olhou.

- Você não está muito melhor. Parece que você foi atropelado por uma manada de centauros.

Eu ri, e ela me acompanhou.

- Certo, você ganhou - Sorri, levantando os braços.

- Claro que ganhei.

- Convencida.

- Idiota.

- Boba.

- Imbecil.

E quando eu dei por mim, já estávamos nos beijando novamente, ainda mais intensamente do que antes. Dessa vez, foi Selena quem me jogou no sofá, e era ela quem estava comandando o beijo.

Apertei a carne de sua cintura quando ela mordeu meu lábio inferior fortemente, e ela gemeu baixinho. Quando o ar já estava raro em nossos pulmões, Selena abandonou minha boca, e foi para meu pescoço, sugando e mordendo a pele de lá. Provavelmente ficaria a marca maravilhosa de um chupão, mas nada que minha pele morena não esconda.

Selena Parkinson era, definitivamente, a garota mais quente com quem eu já havia tido o prazer de ficar. Ela tinha atitude, e isso me atraia muito em uma garota.

Resolvi que já estava na hora de voltar para o controle. Em um movimento rápido, eu a coloquei por baixo, e comecei a distribuir beijos ao longo de sua mandíbula. Senti Selena suspirar, quando suguei seu ponto de pulso. Com certeza isso ficaria roxo, e certamente ficaria bem evidente, já que sua pele é um pouco clara. Esperava que ela visse isso apenas quando eu estivesse bem longe.

Levei minha boca novamente em direção à sua. Ela era embriagante, não dava para ficar muito tempo sem beijá-la. Só voltamos a nos separar quando o ar resolveu sumir novamente. Sentei no sofá, sendo seguido por ela.

- Acho que Melanie e Draco ficariam orgulhosos da gente. - Ela brincou, mas era possível ver o tom avermelhado de suas bochechas. Não sei se era causado pela vergonha, ou por conta do beijo.

- Com certeza sim. - Sorri que nem um bobo. Se eu soubesse que seria tão bom, pensei, teria feito antes. - E, agora, pelo menos, você não vai achar que eu sou gay.

Eu ri quando vi incredulidade em sua expressão. Selena abriu a boca uma, duas, três, quatro vezes, e, mesmo assim nada saiu. Seus olhos castanhos estavam arregalados de surpresa, e, eu não sabia se ria ainda mais, ou se perguntava se ela estava bem.

- C..Como você... - Finalmente ela conseguiu emitir algum som, mesmo que não fosse uma sentença completa, e fiquei aliviado por ela não ter perdido a capacidade de falar.

- Como eu sei? - Perguntei, divertido, e a vi balançar a cabeça freneticamente. - Talvez Melanie tenha me contado... mas é só um talvez.

Ela abriu a boca e seu olhar se tornou assassino. Será que pioraria as coisas se eu risse?

- Eu. Vou. Matar. Watson!

Prendi o riso, e ela me encarou. Perdi a vontade de rir.

- Blás, eu... desculpa por ter suspeitado da sua sexualidade. - Ela lançou-me um sorriso amarelo - É que eu estava frustrada, sabe?

- Relaxa, agora você sabe muito bem que não sou gay. - Dei um sorriso de lado, e olhei-a maliciosamente, Selena corou, e olhou para baixo - Mas, se estava tão frustrada assim, por que você não tomou alguma atitude?

Vi o sangue colorir suas bochechas, e peguei em suas mãos, tentando lhe passar alguma coragem. Seus olhos encontraram os meus, e ela parecia surpresa com meu gesto.

- B..Bom - ela começou, com a voz um tanto quanto frágil -, eu não queria que você achasse que eu era atirada e essas coisas. Além do mais, não tinha certeza se você ia ou não retribuir, por isso esperei por uma atitude sua.

Eu ri, e ela abaixou a cabeça.

- Lena... - Segurei seu queixo com uma mão, e a fiz olhar para mim - Eu nunca acharia você atirada, até porque você não é. Você não tem culpa se eu sou irresistível. - Ela revirou os olhos, sorrindo. Ponto pra mim - E eu passei pela mesma situação que você. Vai que eu tomo uma atitude, e você me dá um maravilhoso fora.

Ela soltou uma gargalhada.

- Acho que eu faria isso só para ver esse seu ego sendo desinflado.

- Sabe o que é pior?

- Hum?

- Eu não me surpreenderia nadinha se você fizesse isso.

- Ah, eu não sou tão previsível assim - Ela sorriu de canto, tentando transmitir uma aura de mistério, o que só a deixou mais sexy. Eu provavelmente estava com uma cara de bobo, por isso, desviei o olhar, coçando a nuca.

- Tá bom, Srta. Misteriosa - Brinquei - Acho melhor nós irmos para o dormitório.

- Também acho - Ela levantou-se em um pulo, e roubou-me um beijo rápido, já que estava quase da minha altura.

Fui logo atrás dela. Quando saímos da Sala Precisa, estranhei o fato de o corredor do sétimo andar estar completamente vazio, e frio.

- Droga! - Selena praguejou - Acho que já passa do toque de recolher. - Vi-a morder seu lábio inferior nervosamente.

- Vem, se Filch nos ver, vamos estar completamente ferrados. - Peguei-a pela mão, e puxei a garota para que ela andasse.

Seguimos a passos lentos e silenciosos, atentos à qualquer barulho que pudesse denunciar que Filch ou sua gata, Madame No-r-ra, estivessem por perto. Os quadros pelos quais passávamos estavam todos dormindo, e isso era um alívio, pois, caso eles nos vissem, poderiam fazer um alarde, e o zelador da escola nos encontraria facilmente.

Já estávamos no quinto andar, e nenhum sinal de perigo à vista. Selena e eu ainda mantínhamos nossos dedos entrelaçados. Era incrível como nossas mãos se encaixavam com tanta perfeição, era como se elas tivessem sido feitas uma para a outra...

Foi quando estávamos descendo as escadas para o átrio, que escutamos um barulho. Selena - que já estava assustada com a possibilidade de ser pega - entrou em pânico, e quase rolou escada a baixo, só não caiu, porque eu a segurei bem a tempo. Ela murmurou um "obrigada", e fomos descendo de dois em dois degraus.

Quando já nos encontrávamos no átrio, pudemos ouvir um miado. Olhamo-nos com os olhos arregalados, e, sem pensar muito, começamos a correr. Viramos em corredores, descemos escadas, escutamos reclamações de alguns quadros, e, finalmente, vimos a bendita porta de pedra que estava entre nós, e a segurança de nosso Salão Comunal.

Paramos de correr, estávamos suados e ofegantes. Selena começou a rir, e eu também. Não havia nenhum humor, acho que essa foi a forma que arrumamos para tentar nos livrar do nervosismo. Selena pronunciou a senha, e a parede de pedra, que poderia ter sido facilmente confundida com o restante da parede, deslizou para o lado, admitindo nossa passagem.

Essa, com certeza, havia sido uma das melhores noites da minha vida.

•••

Selena Parkinson

Sonhava que perambulava por um campo extremamente verde e lindo. As flores dos canteiros eram as mais belas e brilhantes que eu já havia visto. As árvores eram grandiosas e rústicas. Podia escutar o som dos pássaros cantando ao meu redor. Eu poderia ficar ali para sempre.

Olhava curiosa para um pardal preto. Ele não cantava que nem os, ao invés disso, ele falava, e, seu rosto não era como o dos outros, não possuía bico, parecia ser o rosto de uma... pessoa. Ele estava em um galho muito alto para que eu pudesse ver com clareza, mas, pelo o que eu consegui distinguir, ele tinha olhos verdes.

O passarinho continuava falando algo ininteligível para mim, por conta da cantoria dos demais pássaros. Aproximei-me mais do pardal, e pude entender o que ele dizia:

- Acorda, Selena, você vai se atrasar! Acorda, Selena, você vai se atrasar! - Era isso o que o pássaro repetia sem parar. Sua voz era estranhamente familiar...

Foi então que eu acordei, com alguém sacudindo-me insistentemente. Abri os olhos lentamente, tentando acostuma-los com a luz matinal que invadia o quarto pelas janelas abertas. Os dormitórios ficavam em um nível mais alto do que o Salão Comunal, então, aqui possuía luz natural, enquanto que lá embaixo, as janelas davam uma vista privilegiada para o Lago Negro, e as criaturas que lá habitavam.

Depois de abrir completamente meus olhos castanhos, olhei para a pessoa que me acordou. Melanie, que surpresa! Ah, então era ela o tal pardal preto dos olhos verdes? Ok, as vezes meu subconsciente conseguia ser bem criativo.

- O que foi? - Resmunguei, pegando um travesseiro, e colocando na minha cara, mas logo ele foi arrancado com violência de minhas mãos. - Mas que droga, Watson! O que você quer?

Verdade, eu sou um amorzinho logo que acordo.

"Será que vocês podem calar a droga da boca?" Pansy Parkinson perguntou do outro lado do dormitório, cobrindo sua cabeça com o edredom. Astoria Greengrass remexeu-se em sua cama, mas não falou nada. Melanie e eu reviramos os olhos ao mesmo tempo.

- Vai tomar banho, vai, que eu quero saber de tudo sobre ontem! - Melanie estava eufórica, era notável, já que dava pequenos pulinhos, e batia palmas, com um sorriso um tanto quanto psicótico no rosto.

Já estava abrindo a boca para perguntar sobre o que ela estava falando, quando flashs da noite anterior pularam em minha cabeça, sobrepondo-se uns aos outros. Não pude evitar sorrir quando lembrei que beijei Blásio Zabini. A memória do beijo ainda estava tão fresca, que era como se tivéssemos nos beijando minutos atrás.

- Você está com um sorriso bobo no rosto, então finalmente aconteceu! - Melanie acusou, seu sorriso estava tão grande que cheguei a me preocupar com a possibilidade de suas bochechas rasgarem. Não precisei dizer mais nada, e ela se jogou em cima de mim, abraçando-me - Ai, amiga, estou tão feliz por vocêêêêê!

"Eu acho que já mandei vocês calarem a boca!" A outra Parkinson voltou a reclamar, colocando a cabeça para fora do edredom, e fuzilando-nos com o olhar. Revirei os olhos novamente, e voltei minha atenção para minha melhor amiga.

- Sim, amiga, rolou! - Fiz questão de falar mais alto que o necessário, só para irritar Pansy, e funcionou, pois escutei-a bufar que nem um touro raivoso, e se esconder novamente nas cobertas.

Melanie soltou um gritinho estridente.

"Gente, é sério, vou lançar um Abaffiato nessa merda!" Astoria Greengrass ameaçou. Melanie revirou os olhos tanto que por um momento não cheguei a ver as suas íris verdes.

- Faça isso, fofa - falei, sorrindo falsamente, e a vi me lançar o dedo do meio, e se virar de costas para nós. Eu sorri. - Meli, vou tomar banho, depois conto tudo.

Ela assentiu freneticamente, e só então percebi que ela já estava arrumada e vestida com as vestes da escola. A morena gosta de demorar no banho, por isso sempre acorda primeiro, para tomar banho antes de todas.

Fui praticamente me arrastando até o banheiro, meu corpo queria voltar para minha cama, e ficar lá até a hora do almoço. Me despi preguiçosamente, e entrei embaixo do chuveiro. A água gelada tocou minha pele nua, e eu imediatamente me arrepiei. Pela manhã, eu preferia banhos frios, para ver se conseguia despertar minha mente.

Enquanto me lavava, lembrei de Blásio, e me perguntei como seria quando nos víssemos novamente. Será que seria normal? Ou ele iria me ignorar, da mesma forma que Draco fez com Melanie da última vez que eles ficaram? Talvez ele me tratasse de uma forma diferente, só falta eu descobri se essa diferença seria boa ou ruim.

Eu realmente gostava dele; gostava do seu jeito palhaço, que sempre me fazia eu rir; gostava de suas provocações, de suas alfinetadas, de seus apelidos; gostava também do jeito que ele me olhava, de como me tocava carinhosamente, de seu cheiro. Enfim: gostava dele. Pensei que nunca teria paciência para aturar alguém como Blásio, que não levava nada a sério, mas pelo visto, me enganei. E fico feliz por ter me enganado.

Escutei batidas insistentes na porta. Bufei. Se fosse Melanie, ela iria levar uns tapas.

- Espera! - gritei.

Peguei uma toalha e comecei a enxugar-me. Coloquei minhas vestes rapidamente, e saí do banheiro. Infelizmente, quem batia na porta era  Greengrass. Digo infelizmente porque, se fosse Melanie, poderia bater nela sem me encrencar. Passei direto pela morena sem sal, e sentei em uma cadeira, em frente à penteadeira. Minha amiga logo chegou, e ajudou-me a secar meus longos cabelos castanhos. Não trocamos nenhuma palavra, já que Pansy ainda estava ali, mexendo em suas coisas.

Quando meu cabelo já estava seco e maravilhoso, e Pansy Parkinson e Astoria Greengrass estavam se arrumando, pegamos nossos materiais, e saímos do dormitório.

Melanie foi paciente, esperou adentrarmos o Salão Comunal, e depois passar pela parede de pedras cinzentas, para começar o interrogatório.

- E então? Como foi? Quem tomou a iniciativa? E depois? O que vocês falaram? Ele te respeitou? Hein? Droga, Selena, fala!

Eu ri, e a morena me fuzilou com o olhar.

- Eu estava esperando você calar a boca. - Melanie revirou os olhos. Respirei fundo, e desatei a falar animadamente sobre cada coisa que acontecera naquele sofá da Sala Precisa, e depois sobre termos ultrapassado o toque de recolher, e também sobre nossa corrida desembestada pelos corredores da escola.

A outra garota escutou atentamente cada palavra que eu disse, e não me interrompeu nenhuma vez. E era por isso que eu gostava tanto dessa menina.

- Ah, Lena! - Abraçou-me de lado - Estou tão feliz por você! Finalmente, depois de muito tempo, conseguiu ficar com o cara que gosta.

Eu ri, devolvendo o abraço meio desajeitadamente, já que minha mochila estava pendurada em meus ombros.

- Obrigada, amiga.

- Só espero que ele não seja um babaca como você, do mesmo jeito que Draco foi comigo da última vez. - Ela falou a última parte baixinho, e percebi quando ela mordeu o lábio inferior, parecendo preocupada. Melanie só fazia isso quando temia que algo acontecesse. E eu já até tinha certa desconfiança quanto ao que era.

- E como foi com o nariz empinado? - A morena sorriu, e todo e qualquer resquício de preocupação se esvaiu de seu rosto.

Ela me contou sobre Draco ter enchido-a de elogios, sobre eles terem tentado sair despercebido da Sala Precisa, sobre o corredor, e terem visto Greengrass, sobre como ele havia sido gentil e carinhoso com ela, e sobre os dois terem andado de mãos dadas pela escola. Até um cego poderia ver o quão trouxa ela estava por Draco Malfoy, só precisava reparar no jeito que ela falava dele, e em como seus olhos brilhavam toda vez que o nome "Draco" era pronunciado. Ela já estava envolvida demais, e eu tinha receio de que ela acabasse se machucando.

- Será que ele irá reagir bem dessa vez? - Perguntei cautelosamente, observando como o sorriso de Melanie dava lugar para uma careta de preocupação.

- Não sei... - ela sussurrou - Espero que bem. Draco é meio imprevisível, mas, dá pra perceber que ele não reage bem quando alguém está próximo demais, do jeito que suponho que eu esteja.

Entrelacei nossos dedos quando vi que ela havia ficado triste de repente, realmente deveria ser horrível se envolver com alguém tão bipolar quanto Draco. Mas, eu já jurei a mim mesma, que, se ele machucá-la novamente, eu não mais deixarei passar. Da última vez eu perdoei, apenas porque Melanie parecia feliz, mas agora não teria a mesma compaixão de antes.

Melanie lançou-me um pequeno sorriso, e eu retribui.

Alguém passou do meu lado, esbarrando em meu ombro. Duas garotas passaram direito por nós, sem nem olhar para trás, mas eu sabia de quem se tratava: Parkinson e Greengrass. E, é claro que foi Pansy quem esbarrou em mim. Propositalmente, óbvio.

Fechei a mão, que não segurava a de Melanie, em punho, e minha amiga me olhou, preocupada.

- Qual o problema da Pansy com você? O que ela queria aquele dia em que estávamos no Salão Comunal com Blás?

Bufei, ao lembrar daquele dia.

- Bom, eu não entendi direito, mas ela  perguntou o que eu tinha com Zabini. Com uma voz bem autoritária, sabe? - A mais alta assentiu - Então eu recusei-me a falar qualquer coisa, pois odeio quando falam comigo nesse tom. Ela perguntou de novo, mais educadamente, dessa vez, e eu respondi que não tínhamos nada, mas ela não acreditou, falou que Blásio era dela, e que não aceitaria que nem uma vagabunda entrasse em seu caminho.

"Nesse momento, juro para você, Melanie, fiquei com vontade lançar um cruccio naquela garota, mas aí lembrei que você não aprovaria isso, então contentei-me em gritar com ela, e falei que a única vagabunda que estava vendo por ali, se encontrava bem na minha frente. Ela ficou possessa, e disse que: ou eu me afastava dele; ou ela tornava da minha vida um inferno. Respondi que já era o inferno ter que acordar todo dia e olhar para ela. E então ela foi embora, praguejando para Merlin e o mundo sobre o quão idiota eu era."

Quando terminei de contar, vi que Melanie prendia o riso, e revirei os olhos.

- Você pode rir se quiser, sabe, depois que passou foi até engraçado.

Watson revirou os olhos, rindo.

- Francamente, Selena, dizer que o inferno era olhar para ela logo que acorda foi demais!

- É, eu sei.

- Mas, por que não me contou isso antes? - Indagou.

- Bom, depois que eu me acalmei e fui falar com você e Blásio, vocês estavam agarrados, e eu perdi a vontade de falar. - Revirei os olhos sem perceber.

Melanie parou de andar, e me encarou, sorrindo.

- Você não ficou com ciúmes, ficou?

- Não, imagina, nem liguei ao ver minha melhor amiga e o garoto que eu gosto abraçados, em um momento muito íntimo! - Se eu fui ácida? Talvez. Mas eu não tinha gostado de ver os dois abraçados daquela forma, senti-me traída.

- Lena, Lena olha para mim!  - A morena chamou, e eu a olhei, contragosto - Vê se você entende uma coisa, e deixa pra lá esse ciúmes bobo: você gosta do Blásio, Blásio gosta de você, eu gosto de Draco, sou sua melhor amiga, e nunca, nunca tentaria roubar o garoto que você gosta. Ok?

Assenti, sorrindo. Eu definitivamente fui uma boba por sentir ciúmes. Melanie com certeza não gostava de Zabini desse jeito. Ela era trouxa por Malfoy. E, além do mais, éramos melhores amigas de infância. Foi bem infantil e ridículo eu ter duvidado dela dessa forma. Suspirei, e puxei a mais alta para um abraço.

- Desculpa, amiga - pedi, minha voz saindo abafada por meu rosto estar enterrado em seu ombro.

- Tudo bem, eu te entendo. Eu ficaria assim se visse você e Malfoy se abraçando.

Soltei uma risada nasal.

- Eu não abraçaria ele. - Alfinetei, e imaginei Melanie revirando seus olhos verdes.

- Melhor assim. - A morena provocou, sorrindo. - Vamos, preciso ver como Draco irá reagir depois de ontem.

Separei-me dela, e puxei sua mão, para voltarmos a andar. Depois de um tempo em silêncio, quando estávamos quase chegando no Grande Salão, perguntei:

- Será que Pansy fará alguma coisa?

- Não sei, Lena, acho que não. Pansy não seria capaz de te prejudicar.

Dei uma risadinha seca.

- Você é tão inocente, Mel!


Notas Finais


Bem amorzinho, né nom? :")
Vamos às explicações: entooon, semana passada foi realmente complicado, e mal tive tempo para escrever, minha vida estava mais complicada do que um cubo mágico kdskk. Maaassss, aqui estou eu, com um capítulo gigante, capítulo, aliás, dedicado à @Cars_Malfoy.
Espero realmente que me perdoem, e não queiram me matar, porque eu amo vocês ❤

Coala xx


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