História A Mulher que ela Ama Odiar - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Swanqueen
Exibições 347
Palavras 3.544
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Cheguei com mais um cap.
Aproveitem!!

Capítulo 8 - Visita


Fanfic / Fanfiction A Mulher que ela Ama Odiar - Capítulo 8 - Visita

Emma não sabia o que dera nela para sair correndo de casa, deixando Regina dormindo em sua cama.

Ela disse a si mesma que Regina provavelmente não espera­ria que ela ficasse, já que era meio da semana e ela precisava trabalhar. E quase conseguiu se convencer de que a tinha deixado dormindo para que Regina se recuperasse das noites que passou sem dormir.

Tentou ignorar o medo profundo que sentiu ao acordar na­quela manhã. A sensação terrível de que ao levar Regina para a cama novamente acabara cometendo o maior erro de sua vida.

Tudo o que sempre quis, do prazer mais intenso até a profunda satisfação depois... Regina lhe dera tudo. Puro erotismo contido em um corpo belo e desejável. Elas haviam feito tudo e mais alguma coisa e, ao tentar tirá-la de sua cabeça, ao tentar saciar seu apetite por Regina, ela se enrolara muito mais.

Não conseguia parar de pensar nela. Queria muito mais de Regina.

Emma ouviu a batida, mas a porta do escritório foi aberta por Elsa, antes que ela pudesse dizer alguma coisa. Ela carre­gava uma pasta com mais papéis para acrescentar aos que já estavam sob a mesa dele.

— Preciso falar com você sobre a reforma no Shore Hotel — disse Elsa abruptamente.

— Estou escutando.

— Não vou conseguir mantê-la dentro do orçamento.

— Por que não?

— O bombeiro disse que os canos na ala mais antiga estão em péssimo estado e precisam ser trocados.

— Você não contou com isso no orçamento original?

— Não.

Emma fechou os olhos.

— Me passou despercebido, está bem? — disse Elsa, tensa.

— Está bem. — Emma abriu os olhos e olhou com severidade para a irmã. — Quanto isso vai custar?

— Eu cortei o máximo de custos possível em outras áreas. Alguns móveis mais caros podem esperar.

— Quanto Elsa?

— Mais 3,2 milhões de dólares.

Não era pouca coisa. Emma olhou para a pasta na mão de Elsa, com um olhar resignado.

— Esse é o novo orçamento?

— Sim.

— Deixe aqui. Darei uma olhada e passarei para a Ruby. Você pode pegá-los com ela, depois.

— Emma, sinto muito. Sei que não precisamos de despesas extras neste momento. Eu deveria ter levado mais em consi­deração a idade do prédio e previsto potenciais custos extras.

— E está fazendo isso agora. — Emma controlou a vontade de fazer um comentário mais ácido. — Mais alguma coisa?

— Sim. O que você fez com Granny?

— Com Granny? — Ela não fizera nada. Nada a não ser pedir a ela que não acordasse a mulher em sua cama. Não mencionara nomes. O que provavelmente fora um erro. — Por quê?

— Ela ligou mais cedo para dizer que tinha ido embora para casa antes da hora, que queria se aposentar de vez, e que você precisava encontrar uma nova diarista. Parecia aborrecida.

— É mesmo? — resmungou Emma irritada.

— Ei, não tenho culpa de nada — disse Elsa. — Sou apenas a mensageira.

— Mensagem recebida.

— O que vai fazer? — quis saber Elsa.

— Para conseguir mais três milhões de dólares para sua re­forma? Ainda não sei. — Ela tinha o propósito de cortar custos na empresa. Havia muito a ser feito. — Vai ter que deixar isso por minha conta.

— Estou falando a respeito de Granny — disse a irmã. — Quer que eu fale com ela e tente descobrir o que aconteceu?

— Não. O problema é meu e eu o resolverei.

Quando Emma voltou para casa, à noite, viu que Granny havia deixado um pedido de demissão escrito à mão em uma folha de papel sobre o balcão da cozinha.

Estava sem diarista. Sem Regina. E profundamente mal-humorada.

Emma passou o dia pensando em todas as objeções possíveis para não dar continuidade a um relacionamento com Regina Mills. E conseguiu descartar cada uma delas.

A família da loira não a aprovava — sem dúvida, Emma saíra ao pai no que se referia a egoísmo emocional, porque naquele momento ela não estava dando a mínima importância para o fato de a irmã e a mãe aprovarem ou não seu relacionamento com Regina Mills.

A harmonia da empresa exigia toda a atenção dela. Isso era o que parecia no momento, mas os planos em longo prazo de Emma incluíam uma divisão saudável entre trabalho e lazer.

Havia bastante espaço na vida dela para uma mulher. Ela só precisava ser a mulher certa.

Regina era esquiva — apesar de toda a generosidade dela em compartilhar o próprio corpo, como acontecera na noite ante­rior, sua mente e seu coração permaneciam inacessíveis. Ela não confiava facilmente. Não confiava nela. E sem dúvida não ajudou muito deixá-la sozinha pela manhã, tendo que li­dar com uma diarista hostil ao acordar. Isso sem mencionar o modo como ela, Emma, rotulou a noite como nada mais do que uma tentativa de tirá-la dá cabeça.

Parabéns Emma... Ao que parecia, estava na hora de lidar com aquela tendência a se sabotar.

E Regina não estava retornando os telefonemas dela.

Emma pegou uma cerveja, ligou a televisão para quebrar o silêncio e foi até o quarto. Ela se despiu, bebeu metade da cerveja e se encaminhou para o banheiro. Ao abrir a porta do Box, antes de entrar no chuveiro, teve uma surpresa. Alguém usara os azulejos para escrever um bilhete com uma caneta permanente. Os lábios de Emma se curvaram em um sorriso an­tes mesmo de ela terminar de ler a mensagem.

Lista de pendências de Emma.

Comprar canetas e um bloco (de acordo com sua diarista, você não tem nenhum).

Esconder as canetas e o bloco (da diarista, mas em um lu­gar onde as convidadas que passem a noite possam encontrar).

Definir para mim a expressão “tirar da cabeça ”. Não pa­rece ter o significado que eu achava que tinha.

Havia dois números de telefone no final. Um número do trabalho e outro, de um telefone celular, para onde ela, passou o dia ligando.

Emma voltou ao quarto, pegou o telefone ao lado da cama e voltou a digitar o número de celular. Dessa vez, Regina atendeu.

— Recebi seu bilhete — murmurou Emma. — Onde você está?

— Em Boston. No meu apartamento. Acabei de entrar.

Ela estava a sete horas de distância. Isso não agradava Emma.

— Sinto muito, mas tive que vir. Preciso trabalhar amanhã — acrescentou Regina, diante do silêncio dela.

— Entendo.

— Sua diarista não gosta de mim.

— Minha diarista se demitiu. Acho que o grafite nos ladri­lhos provocou isso.

Regina ficou em silêncio por algum tempo.

— Sinto muito — murmurou ela, por fim, constrangida. — Eu não deveria tê-la provocado. E só passar um pouco de óleo que os azulejos ficarão limpos. Mas temo não poder fazer nada em relação a meu sobrenome ou ao horror que sua diarista sentiu quando me viu. Eu a avisei Emma.

— Em primeiro lugar, eu a escutei. E em segundo lugar, pare de me alertar, Morena. Não preciso disso. Na próxima vez em que você vier aqui, terei uma diarista que conheça o próprio lugar.

Ela ficou mais algum tempo em silêncio, e Emma desejou poder ver seu rosto e ler sua mente.

— A sobrinha de Jasmine está procurando um trabalho de meio expediente — falou Regina, por fim. — Ela nos ajuda no bar, quando está muito cheio. É trabalhadeira.

— Quantos anos?

— Oh... 20, talvez.

— Os fofoqueiros de plantão vão dizer que estou levando a garota para a cama.

— Você se importa?

— Ela vai se importar?

— Você pode conversar com a moça e descobrir.

Emma deu um gole na cerveja e, ainda nua, voltou ao banheiro para ler novamente a lista de Regina.

— Para que você queria a caneta e o papel?

— Eu estava tentando ser educada. Queria lhe avisar que es­tava voltando para Boston.

— Você vai fugir do que está acontecendo entre nós, Regina?

— Foi você quem fez isso — respondeu ela com a voz tran­quila. — Não sei o que quer de mim, Emma. Uma relação casual? Secreta? Ainda está tentando me tirar da cabeça?

— Não sei — respondeu Emma, tentando ler a expressão do próprio rosto no espelho. Pelo que sei você poderia estar tentando se vingar em mim dos pecados do meu pai. Isso de­monstra bem o quanto de confiança há entre nós. Nenhuma. E não sei se... — O rosto no espelho não tinha respostas para ela. —... Não sei se conseguiríamos superar isso. Tudo o que sei é que quero vê-la novamente. Essa é a única certeza que eu tenho.

— Você gostaria de me visitar em Boston, um dia des­ses? — Foi um convite hesitante, mas Emma se agarrou a ele, pois sabia o enorme passo que representava.

— Quando?

— Isso foi um sim?

— Sim. Quando?

— Neste fim de semana?

— Sim. Estou soando desesperada?

— Só um pouquinho — murmurou ela, com um sorriso na voz. — Mas gosto quando você soa desesperada, confusa e an­siosa para ter mais de mim. Alguma coisa precisa equilibrar essa falta de confiança gritante entre nós.

— Fico feliz por você aprovar. — Pela primeira vez naquele dia, Emma se sentiu relaxar. — Preciso de você aqui, Morena. Por que não está aqui?

— Continue falando — sussurrou ela. — Estou falando sério. Sinta-se à vontade para descrever as mínimas coisas que você faria comigo se eu estivesse aí.

— Da próxima vez. — Emma abaixou os olhos para os mamilos que rapidamente ficaram rígidos. — Você conseguiu dormir um pouco, esta manhã?

— Consegui, obrigada.

— Onde você mora? Posso estar aí na sexta-feira à noite.

— Você tem um papel e uma caneta?

— Não, tenho azulejos brancos e uma caneta permanente.

Regina lhe deu o endereço.

— Você virá de carro ou de avião?

— De avião.

— Eu não tenho carro, por isso não me ofereço para pegá-la no aeroporto — disse Regina, com uma ponta de preocupação na voz que fez com que Emma franzisse o cenho. — Meu estilo de vida é muito simples, Emma. Não espere nada grandioso. O lu­gar é modesto.

— Estarei aí por volta das 21h — falou ela. — E só para sua informação, não estou indo pelo cenário, Regina. Estou indo por sua causa.

— Vou me esforçar para não desapontá-la. — E com isso, Regina desligou.

— Esse é o problema, Morena — murmurou ela, enquanto colo­cava o fone novamente sobre a base. — Você não me desaponta.

Emma suspirou e entrou no chuveiro. Ela relanceou o olhar para o bilhete na parede e abriu a água o mais fria possível.

 

A noite de sexta-feira chegou e Emma estava na casa de Regina por volta das 21h. Ela usava um terninho que, por sinal, lhe caía muito bem. Mas a roupa era o símbolo de uma vida profissio­nal da qual ela sabia muito pouco e de responsabilidades que iam além das que costumava ter uma mulher comum.

Regina, por sua vez, gostava de aproveitar as pequenas coisas da vida. A calma e o silêncio. Sonhar e respirar fundo. No mundo dela havia muita contemplação. Ela precisava disso para recarregar a própria criatividade. Emma provavelmente não consideraria isso como trabalho.

Foi ela quem disse, no alto da montanha, antes de saber quem ela era. “Ao que parece, ela se considera uma artista.”

— Entre — disse Regina, nervosa, abrindo a porta para a mulher que poderia lhe magoar muito. — Entre e veja a minha vida e o modo como escolhi viver. Aquele não era um convite que ela costumava fazer com freqüência.

O apartamento era alugado, mas era uma conquista e tudo o que havia dentro dele pertencia a Regina. Eram uma bela parte do mundo dela, se a pessoa soubesse para onde olhar, e como olhar.

Regina já abrira uma garrafa de vinho e a tinha deixado sobre a mesa. O jantar seria uma paella de frutos do mar, uma das receitas de Jasmine.

Ela tinha trocado de roupa três vezes antes de se decidir por jeans desbotados e uma camiseta preta de decote alto e mangas longas. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo com um lenço de seda nas cores do arco-íris. Não era alta-costura, mas também não era o balcão de liquidação.

O que Emma veria?

— Entre — disse ela novamente, já que Emma permanecia parada onde estava encarando-a. Por fim, ela entrou, e deixou a bolsa e a pasta no chão. E ainda não dissera uma palavra.

— Não sei muito bem como funciona essa coisa de passar o fim de semana com uma mulher — murmurou Emma, por fim. — Nunca fiz isso antes. Diga-me se eu estiver fazendo alguma coisa errada.

Quando Regina deu por si, já estava nos braços dela, captura­da pelo beijo voraz de Emma, que a fazia sentir-se a pessoa mais importante do mundo.

Foi preciso muito esforço para não se deixar levar e continuar exatamente do ponto em que haviam parado.

— Temos vinho — disse Regina ofegante, quando, por fim, Emma a soltou. — Foi Cora quem o escolheu e ela entende de vinhos. E bom, mesmo não sendo dos mais caros.

— E tem você — sussurrou Emma. — Não dá para competir.

Mas a loira se sentou à mesa, enquanto Regina tirava a paella do fogo e servia o vinho. O corpo dela relaxou um pouco, mesmo que seus olhos não se afastassem do rosto da morena.

— É uma de suas criações? — perguntou Emma, apontando para um desenho preso na porta da geladeira.

— Sim. — Era um dos primeiros, e continuava sendo um dos melhores que ela já fizera.

— É bom.

— Esse desenho tem um lugar especial no meu coração. Foi por causa dele que consegui meu emprego. A propósito, não foi seu pai que o conseguiu para mim.

— Regina, não podemos simplesmente...

— Deixar isso para lá? Sim. Lamento o que disse. E nem sei por que falei isso, já que queria tanto ter você aqui, vendo as minhas coisas. — Ela respirou fundo. — Vamos tentar de novo. Sim, a personagem é chamada de Junkyard Angel e é uma das minhas favoritas. Gosta dela?

— Gosto. — Emma examinou o desenho com uma atenção que a deixou feliz. — Há alguma coisa nela... Fragilidade e sofisti­cação. Cautela e força. Ela me lembra de você.

— Acho que há uma parte de mim nela. Do coração direto para o papel. Esses são sempre os melhores trabalhos. — Regina deu um gole rápido no vinho. Agora era sua vez de relaxar e se abrir um pouco mais. — No momento, meu chefe está me fazendo desenhar deusas nórdicas prontas para a batalha. Não são o meu forte e estou tentando consertar isso.

— Como?

— Você acreditaria se eu dissesse que é passando um bom tempo jogando games de guerra na internet? — Como Emma não riu e não fez nenhum comentário sobre aquilo não ser trabalho de verdade, ela continuou. — Os games servem como inspira­ção, mas o verdadeiro pulo do gato é colocar alguma coisa de si mesmo no papel, o que torna o desenho vivo.

— Que características os deusas nórdicas precisam ter obri­gatoriamente?

— Chifres. Muito cabelo. Pele à mostra. Armas. A mitolo­gia as coloca como sendo de fogo e gelo. A avalanche me fez ter um novo respeito pelo gelo. Estou boa no que se refere a terrores provocados pelo gelo. — Regina estremeceu. — O que ain­da não consegui encontrar direito foi o fogo neles. E um ros­to. Estou com uma enorme, dificuldade para encontrar o rosto certo. — Ela olhou para Emma, inclinou a cabeça, e a provocou.

— Talvez eu use o seu rosto.

— Talvez eu deixe você usar. — Ela sorria e parecia bem mais relaxada que antes.

— O que acha da minha casa? — perguntou Regina, tentando parecer despreocupada, como se a opinião dela não se importa. — Eu lhe disse que não era nada grandioso, mas sou eu mesma que pago. O aluguel está na média do mercado. Seu pai não é o dono deste apartamento. Eu mesma fiz questão de checar isso.

— Eu também chequei — murmurou Emma. — Me desculpe pelas acusações que lhe fiz na montanha, sobre as coisas que meu pai supostamente havia feito por você. Eu estava errada. Posso ver que você vem abrindo seu próprio caminho na vida, Regina. E admiro isso. Exige coragem, determinação, fé. Mas a verdade é que já vi todas essas qualidades em você na montanha. Estou começando a vê-la com mais clareza, Regina. E começo a confiar no que vejo. Você precisa parar de se preocupar com isso.

As coisas progrediram mais facilmente depois disso.

A receita de paella de Jasmine não desapontou, o vi­nho era bom e, quanto à companhia... Bem, essa foi soberba.

Emma a ajudou a tirar a mesa depois que elas terminaram e a surpresa deve ter ficado clara no rosto de Regina, porque Emma riu e implicou com Regina por causa disso.

         — Você tem uma imagem muito estranha de como é a minha vida — disse a loira. —Sim, eu tenho, ou tinha uma diarista. Mas isso não significa que eu nunca lave um prato.

— Muito bem, mas você já foi lavadora de pratos?

— Quando eu tinha 13 anos. Queria que meu pai me desse um emprego e ele fez o que eu pedi. Fui lavadora de pratos em um de nossos hotéis. Aprendi tudo sobre a Swan Holdings começando de baixo, Regina. Venho aprendendo há 16 anos e sempre fui muito cobrada.

— Acredito em você — disse ela. — Não quis dizer que não sabia trabalhar, Emma. É só que... Você é uma mulher que tem tudo. Ain­da não consegui descobrir exatamente o quê está fazendo aqui. Olho para você nesse seu terninho elegante, penso nas responsabi­lidades que pesam sobre seus ombros e me pergunto se está no lugar certo.

— E apenas um terno — comentou Emma, com a voz tranqui­la. — Você também precisa olhar mais de perto, Regina, se quiser ver quem eu sou realmente. — Emma a prendeu entre a pia e seu abraço. — Pode fazer isso por mim?

— Sim — sussurrou ela. — Sim.

Emma fechou os olhos, apoiou a testa na dela e, por um ins­tante, se sentiu em paz. Foi isso o que o pai sentiu quando tinha Cora Mills nos braços? Essa sensação de estar em casa? Não era de espantar que ele nunca houvesse conseguido desistir dela.

— Faça amor comigo, Regina. Por favor — pediu ela com a voz rouca. Regina suspirou e a beijou delicadamente nos lábios antes de se afastar. Ela a pegou pela mão e a levou para um quarto pequeno, dominado por uma cama grande e antiga, de quatro colunas.

Havia mais desenhos decorando as paredes do quarto. Um preso sobre o outro, todos competindo por atenção, alguns em preto e branco, outros coloridos, todos maravilhosos. Aquele era o lugar de Regina. Aquela era a sua arte.

Ela percebeu que Emma examinava os desenhos. Como não perceberia?

— É isso o que eu faço — falou Regina, a expressão de vul­nerabilidade novamente em seus olhos. — Estes são todos os personagens em que trabalhei até agora, este ano. Este é meu trabalho e minha paixão. O desenho preso na geladeira foi só uma prévia.

— São maravilhosos. — Emma olhou mais de perto. — Sinto muito por algum dia já ter denegrido seu compromisso com sua arte, Regina. Você é incrivelmente talentosa.

— Trabalho duro para isso.

— Estou vendo.

— Você está muito vestida — foi o comentário seguinte de Regina.

— Posso corrigir isso. — Emma tirou o terninho, e então a camisa. Regina chegou mais perto, enfiou as mãos nos cabelos da loira e puxou a cabeça de Emma para baixo, para beijá-la. Então traçou o arco de seus lábios com a língua, fazendo com que ela estremecesse.

— Quero desenhá-la nu — disse ela. — Depois de fazer amor com você, quero desenhá-la.

— Posso ter asas?

— Talvez — murmurou ela. Então afastou qualquer pensa­mento em asas com um beijo de tirar o fôlego. — Talvez eu lhe dê asas e até algum outro adereço que queira.

Emma despiu a blusa dela, deitou-a na cama e se dedicou a conseguir todos os adereços a que tivesse direito.

Regina desenhou Emma na manhã seguinte enquanto ela dormia na cama. A curva da espinha e as colinas e vales dos ombros. A linha oblíqua do travesseiro e o punhado de cabelos. Tudo na loira era lindo. Não eram necessárias asas para que a imagem remetesse a mais pura fantasia. Só que não era pura fantasia.

“Quando a fantasia encontra a realidade”, poderia ser o nome do desenho. Havia uma primeira vez para tudo.

Regina jamais conseguiria entender o que levou a mãe a se tornar a amante de um homem casado. Sempre se contentando com as migalhas do tempo de Gold Swan. Todo o sofrimento que a situação causou... E para quê? Por que a mãe não se satisfez com o toque de algum outro amante? Essas eram perguntas que Regina sempre se fizera.

Finalmente tinha a resposta.

Finalmente, sabia exatamente como o desejo podia capturar uma pessoa e embaçar a realidade, deixando apenas o momen­to. Um momento perfeito de unidade, de pertencimento. E que fosse para o inferno o resto do mundo e toda a dor que aquele momento poderia causar aos outros.

Então Emma rolou na cama, ficou de costas e disse: — Venha cá.

E Regina foi até ela, se acomodou em cima de Emma, disposta a roubar apenas mais um momento de absoluta certeza. Ela usava um vestido solto e uma calcinha pequena. Era como se estivessem em outra realidade, em outro lu­gar, onde Emma permanecia deitada de costas, encarando-a com os intensos olhos verdes e a respiração ofegante.

— Beije-me — sussurrou Emma, levando as mãos à cabeça dela e puxando-a para um beijo tão perfeito que Regina teve vontade de chorar.

— Toque-me — continuou. Então ela afastou a calcinha para um lado, se posicionou em cima dela e deslizou a língua para dentro de Emma, completando-a.

— Olhe para mim. — Regina pensou ter ouvido ela sussurrar, enquanto movia a língua pela intimidade dela, fazendo-a decolar.


Notas Finais


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