História A orfã - Capítulo 49


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Personagens Personagens Originais
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Slash, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 49 - I'll follow you until you love me


Minha mãe ainda demorou um pouco para fazer a mulher acordar. Ela ficava o tempo todo me perguntando se eu tinha feito alguma coisa e eu apenas respondia:

 - Eu já disse que não, porra! Ela tava olhando pra mim e caiu do nada!

  Quando a mulher finalmente abriu os olhos eu fiquei aliviada. Acho que eu não iria escapar da cadeia mais uma vez se aquela maldita tivesse morrido. Meu alivio passou na hora que a mulher afastou minha mãe e se levantou, vindo de novo na minha direção com lágrimas nos olhos.

 - Eu sinto muito. Eu sinto muito.

  Recuei alguns passos para que ela não voltasse a tocar em mim de novo, mas mesmo assim ela conseguiu colocar a mão no meu rosto. Ela ficou repetindo que sentia muito e eu vi uma lágrima escorrer por sua bochecha.

 - Mãe? – eu falei – Da pra gente sair daqui, tipo, agora?

  A mulher saiu do transe quando eu disse isso e falou pra minha mãe:

 - Realmente, é melhor tirá-la daqui. Ela não esta aguentando mais.

  Eu não estava aguentando mesmo. Mais um minuto naquela casa e eu iria sair correndo e gritando. Aproveitei o atordoamento da minha mãe e a puxei pela mão até sairmos de lá.

  Praticamente empurrei a minha mãe pra dentro do carro e entrei depois. Não trocamos nenhuma palavra até chegar em casa. Quando minha mãe parou o carro na garagem, eu olhei instintivamente pelo retrovisor e vi o meu stalker no outro lado da rua. Foi de relance porque ele estava se virando.

  Rapidamente eu me virei para poder olhar direito, mas não o vi. Minha mãe segurou no meu braço e perguntou:

 - Tá tudo bem?

  Eu puxei meu braço, me livrando dela. Sai carro e entrei correndo em casa.

 

  No próximo dia de aula, chamei todas as minhas amigas no banheiro antes das aulas começarem. Eu não tinha nenhuma explicação para o que tinha acontecido naquela casa então achei que elas pudessem saber de alguma coisa desse tipo.

  Ficamos enrolando no banheiro até que todas as outras meninas saíram.

 - Então... – Larissa disse – O que você quer contar?

  Eu abri a boca pra falar, mas a porta de um box abriu e uma garota saiu de lá. A menina olhou em nossa direção com aquele olhar de “Quase ouvi o segredinho de vocês” e foi em direção à pia lavar as mãos. Nós oito olhamos para ela de braços cruzados, esperando.

  Quando ela finalmente acabou de lavar as mãos, começou a procurar algo em sua mochila e tirou um estojo da maquiagem.

 - Só pode ser zuera... – Carol resmungou.

  Talita era a que estava mais perto da menina, então ela respirou fundo, fui até a vagabunda, cutucou seu ombro e disse:

 - Com licença, nós precisamos tratar de uns assuntos. Sera que você poderia...

 - Eu só vou retocar minha maquiagem e já vou sair. – a menina interrompeu.

 - Você não pode retocar em outro lugar?

 - Não vai demorar. – a menina falou.

  Eu achava fofo o jeito como a Talita sempre tentava ser gentil com os outros, mas eu sinceramente não tenho paciência pra quem tá começando. Com dois passos eu cruzei a distancia que me separava da menina, agarrei-a pelo cabelo com uma mão e sai puxando pra porta.

 - Você vai sair agora!

  Eu a joguei pra fora do banheiro e logo depois a Vivian atirou a mochila da menina e seu estojo de maquiagem para fora. Eu bati a porta com força e passei o trinco. Stephanie estava metendo o chute nas portas de todos os boxs pra ver se tinha mais alguém.

 - Tudo bem. – ela falou – Pode falar agora.

  Sinceramente eu não sabia muito bem por onde começar, então comecei falando que quando eu era criança eu via coisas que meus pais e eu achávamos ser apenas amigos imaginários. Eu falei que no começo eles eram legais, mas depois começaram a me pedir pra fazer coisas e eu sempre os ouvia, como se estivessem no meu ouvido, quando eu fazia alguma coisa errada.

  Ela não abriram a boca enquanto eu contava isso. Eu disse que tinha parado durante uns anos, mas depois voltou tudo de novo e mil vezes pior. Falei que as vezes eu tinha visões assustadoras e que entrava em crise quando isso acontecia. Nessa hora eu tive uma troca de olhares com Carol, ela tinha estado presente em uma crise minha no ano anterior. Ela não falou nada e eu continuei.

  Ingrid me interrompeu:

 - Foi por isso que seus pais chamaram aquele padre para te exorcizar?

 - Foi. – eu disse – Eu não quis falar nada disso antes porque eu não queria que vocês achassem que eu sou louca.

 - A gente já acha que você é louca, Rafa. – Ste disse sorrindo – Isso não vai mudar nada.

 - Certo. Depois disso ai do padre, minha mãe chamou uma freira pra ir na minha casa. Ela me convidou para passar uma semana no convento que ela morava para ser purificada.

 - Purificada de que? – Carol perguntou.

 - Eu também não sei. Obviamente eu recusei o convite, não tem como eu saber... Ontem minha mãe me levou na casa de uma amiga dela que é médium e a mulher começou a passar a mão no meu rosto e a falar umas coisas estranhas.

 - Estranhas como? – Vivian perguntou.

 - Digamos que ela sabia de coisas sem que eu tivesse falado, como se estivesse lendo meus pensamentos. Mas isso não foi o pior... Uma hora ela começou a olhar bem no fundo dos meus olhos e dizer que “estava vendo” alguma coisa. Ai do nada ela caiu no chão, desmaiada!

 - Por que você não falou antes que essas coisas aconteciam com você, Rafaela? – Sara perguntou – A gente poderia ajudar.

 - Como? Não tem o que fazer nesses casos. Se um padre não conseguiu, você acha que iria conseguir? – eu falei um pouco irritada – Mas a questão aqui é: eu não faço ideia do motivo daquela mulher ter desmaiado daquele jeito. Alguma de vocês sabe?

  Acho que cada uma deu uma teoria diferente que eu não vou me lembrar agora, mas nenhuma parecia plausível o suficiente para justificar o desmaio da mulher. Tocou o segundo sinal e eu disse:

 - Acabou a primeira aula, vamos voltar pra sala.

  Todas entenderam que eu estava pondo um ponto final na conversa. Eu destranquei a porta e nós saímos.

  Naquele mesmo dia quando estávamos indo embora, Ste me puxou pelo braço e falou:

 - Olha ali! Rafa, é ele!

  Me virei para olhar, mas não tinha nada no canto da rua onde ela estava apontando.

 - Começou a ver coisas também, Piovezan? – eu brinquei.

 - Não, é sério. – ela disse – Aquele cara que estava seguindo a gente na favela. Sabe, aquele que saiu puto da vida quando você beijou o gajo?

  Olhei de novo para onde ela tinha apontando.

 - Você tem certeza?

 - Tenho, ele estava bem ali!

  Minhas outras amigas olhavam para todo canto da rua, procurando pelo cara. Recomeçamos a andar, eu passei um braço pelos ombros de Ste para trazê-la para mais perto e falei no seu ouvido:

 - Disfarça. Você tem certeza que viu o cara?

 - Tenho. – ela sussurrou de volta – Eu tenho memória fotográfica, era ele.

 - Vou te falar uma coisa, mas não conte pras outras. Não quero que elas fiquem ainda mais preocupadas comigo, entendeu?

 - Entendi.

 - Já há alguns dias eu tenho a impressão de que estou sendo seguida por ele na favela e ontem, quando eu cheguei em casa com a minha mãe, eu acho que o vi do outro lado da rua. Foi muito rápido, não deu pra ter certeza.

 - Esse cara tá te seguindo, Rafaela, eu tenho certeza! – ela disse – Como ele descobriu onde você morava?

 - Não sei. – eu disse – Todo mundo da favela me conhece, ele deve ter perguntado pra alguns dos caras com quem eu trabalho.

 - Com quem você o que?

  Eita porra!

 - Nada, esquece isso.

 - Rafaela, mano, o que você tá fazendo?

 - Não interessa pra você, palhaço. Esquece isso, eu já falei.

 - Você quer ser presa de novo?

 - Relaxa, Stephanie! Eu não vou ser presa, confia. – coloquei um ponto final no assunto – Voltando, acho que ele deve ter perguntado pra algum deles onde eu moro e ele pode muito bem ter me seguido até a escola. Quem sabe à quanto tempo ele fica na frente da minha casa?

 - Acho que você deveria tentar dar um jeito nisso, Ferrari. – ela falou – Esse cara não parece normal, não.

 - Ei, casal! – Vivian gritou de trás – Da pra parar de namorar ai?

 - Desculpa, esqueci que a gente estava em local publico. – eu disse soltando a Stephanie.

 

  À noite eu fui para a favela. Eu precisava conversar com Felipe sobre aquele cara. Fui encontrá-lo no bar, como sempre.

 - Preciso falar com você.

  Na hora ele se levantou, pediu licença para os outros e veio comigo. Esperei até estarmos afastados de todos e disse:

 - Tem um cara daqui me seguindo.

 - Quem? – ele perguntou.

 - Eu não sei o nome dele.

 - Me aponta quem é e eu mando o cara pro IML.

  Olhei em volta. Com certeza meu stalker estaria em algum ponto me olhando. Ele não ficava muito perto então foi meio difícil achá-lo, mas eu o vi. Lá estava ele há uns bons metros de distancia, sentado na calçada e mexendo no celular. Nem parecia que estava me seguindo, mas eu vi seus olhos se moverem na minha direção.

 - Aquele ali sentado na calçada de blusa preta.

  Felipe procurou e logo o viu.

 - Você tem certeza?

 - Absoluta.

 - Quando isso começou?

  Era impressão minha ou o Felipe estava assustado?

 - Há umas semanas atrás quando minha amiga me desafiou a beijar esse cara em um jogo de Verdade ou Desafio. Por que?

 - Rafaela, esse cara é doente.

 - Jura? – eu perguntei ironicamente – Obrigada pela informação, eu ainda não tinha percebido.

 - Ele é doente de verdade, mano! – Felipe falou – Eu não sei direito o que ele tem, mas a única pessoa que ele obedece é a mãe. Quando ele da umas crises no meio da rua e quem atacar todo mundo, a mãe dele tem que vir levá-lo pra casa.

 - Onde ele mora? Eu preciso urgentemente falar com a mãe desse casa. Ele está me seguindo até na escola.

 - Vem.

  Felipe me conduziu por uma escada estreita e por varias vielas até parar na frente de uma casa.

 - É aqui. – ele disse – Vou ficar te esperando ali.

  Ele tinha apontado para o final da escada que tínhamos acabado de subir. Eu sabia o que ele queria fazer. Felipe estava com medo do cara ter nos seguido até ali.

  Bati no portão de metal e esperei quando ouvi uma voz dizer:

 - Já vai!

  Uma senhora de uns 50/60 anos saiu da casa e veio abrir o portão. Ela sorria de um jeito bondoso.

 - Boa noite, minha filha.

 - Boa noite. – eu respondi.

 - Você é a Rafaela, não é? Posso ajudar?

 - Sou, sim. – eu disse – Na verdade acho que pode. É sobre o seu filho... – na hora eu vi o sorriso desaparecer – Ele anda me seguindo há umas semanas e eu sinceramente não aguento mais. Será que a senhora poderia pedir pra ele parar?

  A senhora suspirou e negou com a cabeça, tristemente.

 - Eu já pedi, minha filha. Ele me disse que ia parar com isso.

 - Bom, ele não deve ser muito obediente então. – falei – Hoje ele estava na frente da minha escola...

 - Eu realmente sinto muito pelas atitudes dele, mas eu já pedi para que ele parasse quando isso começou.

 - O que começou exatamente?

 - Eu acordava à noite com ele correndo para fora de casa e chamando seu nome. Quando eu perguntava o que tinha acontecido ele dizia “Ela estava aqui me chamando, mãe”.

 - É mentira. – eu disse – Eu nem sequer sabia onde a senhora morava até agora...

 - Eu sei que é mentira, mas pra ele é verdade. Meu filho realmente te via e ouvia aqui, fora da nossa casa. Ele diz que você fala que o ama e quer ficar com ele, mas seu namorado não deixa.

 - Eu nem tenho namorado e eu nunca nem sequer troquei uma palavra com ele!

  Omiti o fato de eu ter provocado o filho dela na festa. Eu só rebolei e falei "I don't fuck with you", nada de mais.

 - Eu não duvido de você.

 - Por que ele fica falando que eu faço essas coisas?

 - Pra ele você faz. – ela disse – Ele tem esquizofrenia.

  Fiquei sem reação por alguns segundos.

 - Esquizofrenia? – eu estava incrédula – Ah, que maravilha. Tudo que eu pedi à Deus: ser seguida por um esquizofrênico.

 - Eu vou conversar com ele outra vez, Rafaela. – ela prometeu – Vou pedir pra ele parar.

 - Obrigada. – eu falei – Desculpa atrapalhar.

 - Não atrapalhou, boa noite.

 - Boa noite.

  Voltei para junto de Felipe e falei:

 - Meu stalker tem esquizofrenia.

 - Quer que eu...?

 - Não, não precisa. A mãe dele disse que vai conversar com ele outra vez e pedir pra ele parar. – acrescentei em um tom mais baixo – Se ele não parar, você faz.

  Nós descemos as escadas e refizemos nosso caminho de volta. Quando passávamos por uma viela, cruzamos com o esquizofrênico. Ele estancou quando me viu e Felipe me puxou pelo braço para passarmos mais rápido por ele. Quando olhei pra trás, ele estava parado no mesmo lugar.

  Assim que chegamos no bar outra vez, Felipe me disse:

 - Tenho um trabalho pra você. Eu ia pedir pra um dos outros caras fazerem, mas acho melhor te tirar daqui enquanto a mãe do louco fala com ele.

 - Ótima ideia. O que é?

 - Preciso que você busque um cara e traga pra cá, só isso.

 - Onde?

 - É perto daqui. – ele falou – Não dá nem cinco minutos.

  Ele falou aonde era e eu concordei.

 - Foto?

  Ele abriu o whatsapp e mostrou a foto do homem.

 - Pra que eu tenho que trazê-lo aqui?

 - Não é nada de ruim. – ele falou – Só preciso conversar com ele e é urgente.

 - Posso ir com a sua moto?

  Ele me deu a chave e me acompanhou até a frente de sua casa, onde a moto estava estacionada. Peguei o capacete que estava em cima do guidão e me sentei no banco.

 - Antes de você ir...

 - O que?

  Ele se aproximou e me deu um selinho.

 - Pode ir agora.

  Eu soltei um risinho.

 - Eu te beijo uma vez e você já acha que virou festa?

 - Foi só um selinho!

 - To brincando, viado.

  Enrolei meu cabelo e coloquei-o por dentro do capacete. Vesti a blusa de couro de Felipe e me senti meio idiota porque tinha ficado enorme em mim. Liguei a moto, tirei o apoio do chão e desci pela ladeira da favela.

  Eu sabia pilotar uma moto razoavelmente bem. Não tanto quanto carro, mas bem. Eu só precisa treinar mais e por isso quis ir de moto. Em uns três minutos eu cheguei aonde tinha que chegar. Parei a moto na calçada, na frente da pizzaria e esperei, com um pé apoiado na calçada.

  A espera foi maior do que o tempo para chegar ali. Demorou uns quinze minutos pro cara sair de lá de dentro com uma mochila. Dei um impulso com o meu pé e coloquei a moto em movimento de novo.

  O cara era esperto, percebeu que estava sendo seguido. Ele devia estar devendo muita coisa para gente perigosa ou tinha alguma coisa muito valiosa naquela mochila por que ele tentou correr. Eu acelerei a moto e agarrei pela alça da mochila com uma mão.

 - Calma, flor. – eu falei – O Felipe quer te ver.

  Ele se virou e respirou muito aliviado, com a mão no peito.

 - Que susto da porra!

 - Foi mal, sobe ai.

 - Espera, você é uma mulher?

 - Sobe.

  Ele obedeceu e subiu na moto atrás de mim. Rapidamente colocou as mãos na minha cintura e eu o levei de volta pra favela. Parei a moto na frente do bar e o cara desceu.

 - Felipe, sua amiga me deu um susto da porra! – ele reclamou – Achei que eu estava sendo seguido.

  Eu desci da moto, tirei o capacete e sacudi meu cabelo para que ele se soltasse.

 - A culpa não é minha se você é medroso. – eu falei – Ele começou a correr igual um frango.

  O homem agora me olhava de um modo diferente.

 - Se você fosse me buscar sem capacete eu não teria corrido.

  Revirei os olhos e ignorei o comentário. Tirei a blusa de couro e devolvi pra Felipe.

 - Posso ir?

 - Pode.

  Quando eu me virei para sair do bar vi meu stalker esquizofrênico do outro lado da rua. Ele parecia muito incomodado. Puxei um dos amigos de Felipe pelo braço e falei:

 - Você vai descer comigo até a saída e não vai deixar aquele cara vir atrás de mim.

  Ele olhou para a direção que eu indiquei e disse:

 - Sim, senhora.



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