História A orfã - Capítulo 50


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 215
Palavras 3.398
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Slash, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 50 - Teoria da Branca de Neve


Eu estava mais relaxada e achava que meu stalker iria parar de me seguir agora, mas mesmo assim eu não deixava de pensar no assunto. Tanto cara pra Carol me mandar beijar e ela escolheu logo um com esquizofrenia? Realmente a minha sorte é uma coisa absurda.

  Era aula de educação física de novo e minhas amigas e eu estávamos acabando de trocar de roupa no vestiário. Nós sempre ficávamos por ultimo de propósito para as lésbicas não verem a gente de calcinha e sutiã. Mais uma vez eu não pude deixar de notar novas marcas na Larissa.

  A menina sempre estava com alguns machucados pelo corpo e eu sempre podia vê-los melhor no vestiário quando ela tirava a roupa. Desde o dia em que eu a havia abordado no corredor, e ela deu aquela explicação bosta de que tinha caído, eu não tinha voltado a insistir. Só que dessa vez eu notei que todas as minhas amigas estavam olhando, porque eram muitos e por algum motivo nenhuma delas falava nada. Porra, nossa amiga estava toda marcada e ninguém ia falar nada?

 - Larissa.

 - Hun?

 - Você caiu de novo? – eu perguntei – Está com mais machucados que das outras vezes.

 - Ah, é. – ela respondeu – Você sabe como eu sou desastrada, acabei caindo da escada dessa vez.

 - Sei.

  Nós terminamos de nos trocar e saímos do vestiário. Enquanto andávamos para a quadra eu ouvi Larissa dizer:

 - Não sei se o Lucas vai deixar.

 - Mas é meu aniversário, Larissa! – Vivian disse – Ele não pode implicar com isso!

  Lucas era o namorado da Larissa. Eu nunca o tinha visto, pois sempre que saiamos eram só nós oito e ninguém  mais. As vezes os meninos da minha sala iam junto, mas o namorado dela nunca tinha ido. Pelo que eu pude entender até então, ele era o tipo ciumento que mal a deixava sair com a gente.

  Chegamos na quadra e a Stephanie correu na direção do professor que já estava fazendo a chamada.

 - COMO ASSIM O SENHOR JÁ TÁ FAZENDO A CHAMADA? – ela gritou – EU TO PRESENTE! STEPHANIE PIOVEZAN E RAFAELA FERRARI ESTÃO PRESENTES, PROFESSOR!

 - A gente não existe? – Ingrid perguntou se aproximando.

 - Vocês são insignificantes. – eu disse enquanto passava um braço em volta da cintura da Ingrid – Brincadeira.

  Olhei instintivamente para a entrada da quadra e vi Pedro e Mariana entrando. Eu nem tinha percebido que eles estavam atrasados. Eles vinham correndo na direção do professor também. Eu até desviei o olhar quando a Mariana se aproximou porque ela sempre falava só com a Vivian, a Sara e a Larissa... Ultimamente ela estava falando com a Talita também, mas o resto de nós éramos ignoradas. Acho que por sermos as piores do grupo, mas enfim: não importa.

  Depois da falar com todas de costume, Mariana veio pro meu lado e falou:

 - Oi, Rafa.

  Isso mesmo, Rafa! Um dia antes e ela nem me cumprimentava, agora chega usando meu apelido. Eu nem precisei responder, Ste fez isso por mim.

 - Rafa? – ela se enfiou entra Mariana e eu e disse – Tá achando que é quem pra chamar a minha mulher assim?

  Mariana riu e falou:

 - Sua mulher tá agarrada com outra.

  Rapidamente eu tirei meu braço da cintura da Ingrid, mas ela tinha visto.

 - Que é isso, mozão? – ela me empurrou de leve.

 - Não é nada disso que você está pensando. – Ingrid falou – Eu sou Stela até o final, relaxa.

 - Acho bom. – ela disse – E você, Rafaela, vai dormir no sofá hoje.

  Eu puxei Stephanie pela cintura e a gente se abraçou. Quando a gente se soltou, vi que Mariana estava olhando pra nós e sorrindo.

 - A amizade de vocês é bonita. – ela disse – Não é saudável, mas é bonita. Onde vocês se conheceram?

  Ste e eu trocamos olhares e demos um sorriso que só nós entendíamos o significado. Então eu falei:

 - Na igreja.

 - Sério?

 - É! – Ste falou – Eu tava sentada no banco da frente e...

 - Deixa a explicação pra outro dia, Ste. – eu cortei.

  Stephanie riu e me largou pra checar se o professor tinha dado presença pra nós. Achei que a Mariana já tivesse se afastado, mas ela ainda estava do meu lado.

 - Não foi na igreja, né?

 - Claro que foi. – eu falei – Onde você acha que foi?

 - Sei lá, mas vocês não parecem ser do tipo que vai à igreja.

 - As aparências enganam. – eu falei.

  Ela estava pensando em uma boa resposta quando um menino se enfiou entre nós, virado de frente pra mim e de costas pra ela. Ele chegou de um jeito tão brusco que acabou empurrando-a para o lado.

 - Oi, Rafaela. – ele disse.

  Eu ia perguntar se ele não tinha educação, mas ai eu olhei aquele rosto maravilhoso. Sim, era maravilhoso. Pensa num menino bonito, sério. Eu não acreditei que nunca tivesse notado aquele menino na escola de tão bonito que ele era!

 - Meu nome é Carlos. – ele continuou.

  Meus olhos foram do seu peito, para os seus bíceps e depois rapidamente pras suas coxas expostas pela bermuda da escola. Eu dei essas olhadas em menos de um segundo, já estava acostumada a dar uma olhada geral e bem rápida. Voltei meus olhos pro rosto dele e respondi:

 - Oi. Eu me apresentaria agora, mas... Parece que você já sabe quem eu sou.

  Ele soltou uma risadinha e disse:

 - Eu poderia ficar enrolando, mas você não é idiota e já deve saber porque eu estou aqui. Passa seu whats?

 - Lógico.

  Eu falei meu número e ele digitou em seu celular.

 - Pronto, salvei.

  Nessa hora ouvi a Carol gritar:

 - RAFAELA, VEM JOGAR!

  Passei por ele pra ir pra quadra, mas não pude evitar olhar pra trás e dar aquela conferida básica na bunda dele. Ele pelo visto teve a mesma ideia porque quando eu me virei, ele estava com o rosto virado e olhando pra minha bunda também. Nós sorrimos um para o outro e eu segui em frente.

  Stephanie cruzou seu braço no meu.

 - Damn, Rafaela!

  Virei pra trás de novo e dessa vez tive uma boa visão da bunda dele.

 - Damn mesmo. – eu concordei – Adoro bundas masculinas.

  Nós fomos pra perto da rede, hoje seria vôlei. O professor pediu para dividirmos os time e foi a maior guerra.

 - Deixa time de oito, professor! – Ste reclamou – Não da pra separar o bonde!

 - O vôlei tem seis em cada time, Stephanie! Como eu vou colocar oito? As amiguinhas vão ter que se separar ai.

  Stephanie virou e falou:

 - A Rafa é do meu time, quem dizer o contrário vai levar soco.

 - Desde quando ela é sua propriedade? – Carol perguntou.

  Pronto, todas começaram a discutir e eu apenas observava as outras sete quebrando o pau quanto o resto das garotas do primeiro e segundo ano apenas assistiam a cena e riam. Olhei para Mariana e ela estava rindo também.

 - Tá disputada, né?

 - Fazer o que? – eu disse – Só tem eu pra dar conta de sete.

 - Pensei que fosse só a Stephanie.

 - Não, são todas. – eu disse – Teoria da Branca de Neve, sabe?

 - Sei.

  Nessa hora eu vi Carlos passar correndo em volta da quadra, fazendo um aquecimento. O segui com os olhos por alguns segundos e então percebi que Mariana também estava olhando pra ele, mas ela rapidamente desviou o olhar e pareceu que estava ao mesmo tempo com raiva e magoada.

  O professor apitou e todas se calaram. Finalmente já tínhamos decidido quem era do meu time. Ficamos eu, Stephanie, Carol, Ingrid, Larissa e Talita. Minhas outras amigas formaram o time: Vivian, Sara, Mariana e mais três outras meninas que eu nem sei quem eram. Por termos ficado brigando por muitos minutos, o professor nos colocou como os primeiros times à jogar.

  Assim que eu encostei na rede eu falei:

 - A Ana nunca vai alcançar isso aqui.

 - Verdade. – Ingrid falou – Professor, precisa de mais um no time de lá.

  O professor contou as garotas.

 - Tem seis, tá certo.

 - A Mariana vale por meio.

  Todo mundo começou a rir, mas a Mariana quase não se importou.

 - Eu não sou tão pequena assim.

 - Um metro e meio é bem pequena.

 - Eu tenho um metro e cinquenta e sete, Rafaela!

  O professor deu a bola pra Vivian e o jogo começou. Não deu nem cinco minutos e eu já estava irritada. A Vivian era muito alta e estava na rede, então sempre que a bola ia passar pro lado de lá ela interceptava.

 - Professor, não vale! – eu disse – Coloca ela lá no fundo!

  Ele fingiu que não me ouviu e eu falei:

 - Ste, abaixa ai.

 - Pra que?

 - Eu vou subir nas suas costas. – eu respondi – Direitos iguais.

 - Rafaela, para de atrapalhar o jogo! – o professor gritou – Vou tirar ponto de você.

 - Coloca o pau de cutucar estrela lá pra trás!

 - Pau de cutucar estrela é o seu cú! – Vivian gritou.

  A bola veio pro meu lado logo nessa hora e eu a agarrei.

 - Acabou o jogo então.

 - Rafaela, para de graça e devolve a bola. – o professor falou.

 - Só se o godzilla for lá pra trás.

 - Godzilla é sua mãe! – Vivian passou por baixo da rede e correu atrás de mim – Dá essa bola, Rafaela!

  Eu sai correndo pela quadra com ela atrás e quando fui ver já estavam todas correndo. Sara estava tentando me parar, junto com a Vivian. Eu sempre conseguia desviar das duas, porque sou muito rápida, mas uma hora a Sara pulou nas minhas costas e me segurou.

  Eu só ouvi o grito de:

 - Larga a minha mulher!

  Então eu cai de cara no chão com Sara e Stephanie em cima de mim. Quando elas se estapeavam eu levantei e sai correndo pra Vivian não me pegar. O professor não parava de apitar e gritar que ia me dar suspensão, mas eu não tava nem ai. Só queria ver o circo pegar fogo mesmo.

  Num determinado momento a Mariana tentou tomar a bola de mim e eu a usei como uma bola de basquete e repeti o que tinha feito no meu primeiro dia de educação física. Rapidamente Mariana perdeu a linha e fez uma coisa que eu nunca a imaginaria fazendo: ela pulou em cima de mim.

  Sério, ela pulou mesmo e se agarrou em mim tentando pegar a bola que eu segurava com meu braço esticado. Eu quase não estava conseguindo me manter em pé e, quando eu finalmente tirei o hobbit de cima de mim, a Vivian veio feito um trator e me jogou no chão. Ela ficou por cima e tirou a bola das minhas mãos.

  Quando ela se levantou o professor já estava gritando com as outras e nos mandando sentar, falando que todas íamos ficar com ponto negativo depois dessa. A gente se sentou rindo do que tinha feito. Até a Mariana estava rindo, o que eu achei estranho.

  Passamos o resto da aula sentadas nas arquibancadas e quando finalmente o sinal tocou eu me agachei na frente da Mariana e falei:

 - Sobe ai.

 - Por que?

 - Você pulou em cima de mim aquela hora. – eu disse – Queria se sentir alta, né? Vou satisfazer sua vontade.

 - Você se acha a alta, né? – ela reclamou, mas já estava subindo nas minhas costas.

 - Mais alta que você eu sou. – eu me sentei – Sobe nos meus ombros, é melhor.

  Ela sentou nos meus ombros e eu me levantei.

 - Não me deixa cair!

  Coloquei as mãos nas coxas dela pra firmar.

 - Não vou deixar, não. – fui andando na direção do vestiário – Como está se sentindo ai em cima?

 - É bom ver as coisas por esse ângulo. – ela riu.

  Estávamos chegando na porta do vestiário e eu notei que a cabeça dela não passaria no batente da porta, pois era baixo. Como se eu não tivesse notado nada, eu fui pra porta normalmente e ouvi o baque suave da cabeça dela quando bateu de leve na porta.

 - Ai, filha da puta!

  Ela começou a tentar me bater de brincadeira e acabou pegando no meu cabelo. Eu congelei na hora e não sei quanto tempo eu passei assim até que a Vivian veio tirar a Mariana dos meus ombros e eu pude respirar de novo.

 - Ei, o que foi? – Mariana perguntou.

  Eu ignorei sua pergunta e entrei no vestiário.

  Eu sei que a culpa não foi dela, a menina não sabia do meu trauma, mas mesmo assim eu fiquei com raiva da Mariana. A evitei o resto do dia e na hora de ir embora eu arrastei minhas amigas para fora da escola o mais rápido possível para não encontrarmos a Mariana no pátio.

  Stephanie agora estava tagarelando sobre o boy magia que ela tinha visto conversando comigo.

 - O que ele queria?

 - Ele só pediu meu whats. – eu respondi – Não acredito que eu nunca notei aquele menino aqui na escola. Preciso começar a prestar mais atenção nas pessoas.

 - Precisa mesmo.

 - Como é esse menino? – a Larissa perguntou.

 - Bem alto, o cabelo castanho e uma bunda maravilhosa.

 - Só isso?

 - Só isso que eu notei. – eu ri – Por que?

 - Lembra o nome dele pelo menos? – Larissa insistiu.

 - Carlos.

  Na hora ela, as índias e Vivian pararam de andar e se viraram pra mim.

 - Esse menino não presta. – Sara falou – Sério, ele é a sua versão masculina. Só faltou o cabelo ser preto e o olho verde.

 - E ele precisa prestar para eu transar com ele?

 - Rafa, é sério. – Sara falou – Ele era meio que namorado da Mariana, mas eles terminaram e ele...

 - Era namorado dela? – eu perguntei – Isso explica porque ela olha pra ele daquele jeito.

 - Querida, você ainda não sabe de nada. – Ingrid falou – Eles saiam no começo do ano, mas terminaram e então ele saiu espalhando um monte de coisa sobre ela na escola.

 - Que coisas?

 - Bem... Eu não vou repetir, mas era tudo mentira. As meninas são amigas dela e sabem a historia de verdade. O Carlos insistia demais para transar e a Mariana não queria, então ela terminou com ele que não gostou nada e saiu falando mil mentiras sobre ela na escola. Sabe, ficou falando que ela tinha dado até o cú pra ele...

 - Chega, gente. – Talita falou – Eu não quero ouvir isso.

 - A questão é: ele não presta, Rafaela. – Vivian falou – Eu sei que você não liga pra isso, mas olha o que ele fez com a menina! Ele não merece transar com você.

  Eu pensei um pouco, mas não em transar com ele e sim sobre o que a Sara tinha falado.

 - A Sara disse que ele é minha versão masculina. – eu falei pausadamente – Mas eu nunca faria uma coisa dessas.

 - Não? – a Carol perguntou – Você estava mostrando a conversa com o português e os áudios dele chorando pra todo mundo!

 - Sim, mas eu não menti! – eu me defendi – Eu nunca sai por ai falando que tinha transado com ele e tudo o mais!

 - Ela tem razão. – Stephanie falou – Ele é bem pior.

  Nenhuma das outras discutiram, mas eu sabia que apenas a Stephanie acreditava nisso. Na cabeça das outras e na minha também estava pairando a palavra “ainda”. Eu nunca tinha exposto alguém sexualmente... Ainda.

 - Já sei o que eu vou fazer. – eu falei.

 - O que? – Ste perguntou.

 - Vou fazer esse moleque se arrepender.

 - Mano, o que você vai fazer?

 - Só aguardem. – eu disse – Ele vai se foder direitinho na minha mão. Aguardem.

 

  Naquela noite eu fui me encontrar com o Japa na esquina da casa dele. Notei alguma coisa estranha logo que ele se aproximou com sua mochila, pronto pra escola. Ele veio na minha direção e me beijou, como sempre fazia agora. Ele ainda não estava bom, mas estava melhor que da primeira vez (eu tava ensinando kkk).

 - O que foi? – eu perguntei.

 - Meu pais. – ele disse – Eu contei pra eles.

 - Você o que? O que a gente falou sobre isso? Nada de falar pros seus pais, esqueceu?

 - Eu sei, mas eu queria que eles soubessem. – ele disse.

 - Por que?

 - Porque eu gosto de você de verdade, Rafaela. Eu quero poder te apresentar pros meus pais um dia, eles tinham que saber.

  Nessa hora eu gelei. Eu quase me senti mal por estar iludindo o menino, mas depois de alguns segundos a sensação passou.

 - Me apresentar pros... seus pais?

 - É. – ele disse – Mas eles me mandaram terminar com você.

 - O que?

  Droga, isso não podia acontecer. O Felipe dependia de mim!

 - Mano, por que? – eu perguntei – O que eu fiz pros seus pais?

 - Não é você, Rafa. – ele disse – É o país.

 - Como assim?

 - Meus pais não querem que eu namore com brasileiras.

  Pensei um pouco.

 - Eles ainda não perceberam que vocês estão no Brasil?

 - Foi isso que eu falei! – ele disse – Mas eles são muito rígidos quanto à isso e tem planos de voltar pra Coreia do Sul. Eles querem que eu namore com uma garota que seja coreana. Tem algumas coreanas puras nesse bairro, acho que eles pensaram que eu me interessaria por alguma delas.

 - Seus pais não gostam de mim, sem nem me conhecer, porque eu sou brasileira?

 - É, eu sinto muito.

  Respirei fundo e disse:

 - Não posso pedir pra você ir contra os seus pais. – eu já estava irritada – Pensa um pouco e depois me avisa.

  Eu virei as costas e comecei a ir embora.

 - Rafaela, espera!

 - NÃO VEM ATRÁS DE MIM!

  Meu grito fez o menino recuar uns dez passos. Virei de novo e fui embora. Parei umas ruas na frente e mandei uma mensagem pro Felipe:

  Fodeu, os pais do coreano mandaram ele terminar comigo. O que eu faço?

  Menos de um minuto depois e Felipe já estava digitando:

  Não deixe ele fazer isso!

  Revirei os olhos e digitei com raiva:

   Como você espera que eu o impeça de obedecer os pais?

   Na hora veio a resposta:

   Iludindo, ué

  Respirei fundo e coloquei o celular de volta no bolso. Okay, parece que é só pra isso que eu sirvo mesmo. Voltei pra rua da casa dele, mas o Japa já devia ter ido pra escola. Eu sabia onde ele estudava porque quando seu pai o acompanhava até a escola eu tinha que esperá-lo lá para que seus pais não descobrissem.

  Corri na direção da escola e quando estava quase chegando eu o avistei.

 - Espera!

  Ele parou no meio da rua e se virou. Eu corri pra onde ele estava e pulei no seu colo. Puxei o rosto dele pra mim e o beijei de um jeito que eu nunca tinha beijado antes. Quando nos separamos eu disse:

 - Não faz isso, por favor. Não termina comigo, eu gosto muito de você. Eu... – a voz sumiu.

  Eu apenas olhei nos olhos dele e esperei que ele entendesse a minha mentira.

 - Você está dizendo que...?

  Fiz que sim com a cabeça.

 - É.

 - Eu também te amo. – ele sorriu e me deu vários selinhos – Eu te amo.

 - Não termina comigo.

 - Não vou, não se preocupe. – ele disse – Meus pais vão ter que aceitar.

  Voltei à beijá-lo e comecei a pensar que só faltava uma coisa pra ilusão estar completa. Mordi a orelha dele e perguntei:

 - Quer ir pra minha casa?

  Eu estava com a mão em seus braços e o senti se arrepiar na hora que eu disse aquilo.

 - Eu queria... – ele falou – Eu queria muito, mas eu não posso fazer isso.

 - Por que não? Você disse que me ama...

 - Eu amo, mas tem que ser do jeito certo.

 - Pera, que jeito certo?

  Ele me deu mais um selinho e falou:

 - Tenha paciência, você vai ver.

  Eu o acompanhei até a porta da escola, onde nos despedimos com outro beijo e mandei outra mensagem pro Felipe:

  Pronto, ele caiu. Tentei partir pra parte final, mas ele disse que tem que ser “do jeito” certo. Sugestões?

  Felipe respondeu:

  Esteja pronta pra dizer “sim” quando ele te pedir em namoro.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...