História A orfã - Capítulo 51


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Slash, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 51 - Catuaba Batizada


Já estávamos no começo de Novembro, o que significava que as provas bimestrais estavam próximas. Meu bonde tinha se reunido na casa da Stephanie já que a mãe dela era a única que me deixava passar pela porta (acho que pelo fato da filha também ter sido presa). Ste era a mais desesperada com a aproximação das provas finais.

 - Eu não vou conseguir! – ela dizia – Eu já troquei de escola porque sabia que não ia conseguir passar de ano e agora to vendo que não vou passar nessa também!

 - Mano, não se desespera. – Talita falou – Eu vou ajudar vocês.

 - Você tenta me ajudar antes de todas as provas e nunca consegue, Talita! Você sempre tem que mandar foto da sua prova pra gente! Como você acha que vai enfiar a matéria do bimestre todo na minha cabeça em uma semana?

 - Se desesperar não vai adiantar nada. – Carol falou – A Rafa e eu estamos super calmas.

 - É – eu disse – Se aceitar dói menos.

 - Você não tá nem ai se vai reprovar, né? – Sara perguntou.

 - Claro que não, já me conformei.

 - Mas eu não! – Ste disse – Eu não posso reprovar, minha mãe vai me matar.

 - Mozão, você foi presa! Se sua mãe não te matou por isso, não te mata mais.

 - Por que você foi presa mesmo, Stephanie? – Larissa perguntou.

  Antes que ela respondesse eu falei:

 - Roubou uma bala e pegou um ano de prisão.

 - Uma bala não, me respeita! – ela disse – Eu invadia casas, queridinha e pra sua informação foram várias.

  A Vivian falou:

 - Mas foi sacanagem a Stephanie ficar um ano presa por causa disso e a Rafaela só ter ficado três meses. - ela me olhou logo depois que terminou a frase, acho que com medo de ter falado merda - É que... o que você fez foi... bem pior, né?

 - É porque o juiz aceitou que foi legitima defesa, né? – Carol me perguntou.

 - Não, é porque ela é louca mesmo! - Ste falou.

 - Mozão, a gente vai ter que terminar se continuar assim. – eu disse – Você está insuportável.

 - Tá bom, meninas. – Talita falou – Deixem a prisão pra lá. Precisamos focar nos estudos.

 - Que estudos?

 - Tá brincando, né? A gente veio aqui pra estudar, Ingrid!

 - Verdade. – ela falou – Quer começar por onde?

 - Pode ser matemática? – eu pedi – Ou qualquer coisa que tenha números. As outras matérias eu até consigo me livrar, mas as que envolvem números me fodem de verdade.

 - Matemática então. - Talita falou - Ste, me empresta seu livro?

- Que livro?

 - O de matemática. Deve estar na sua mochila.

 - Não está, não. – Ste respondeu – Eu não levo os livros pra escola.

  Talita respirou fundo e passou a mão no cabelo.

 - Pra que exatamente você vai pra escola?

 - Pra ver o meu mozão.

 - Awn... – eu falei – Você também é o motivo de eu aparecer naquela bosta todo dia.

 - Vocês querem que a gente saia do quarto? – Carol perguntou irritada – Vamos logo com isso que eu preciso ir pra casa.

 - Vai, ué. – eu falei – Ninguém tá te prendendo aqui.

  Stephanie sufocou um riso e isso fez todas as outras rirem. Talita estava procurando pelo quarto todo e voltou com o livro.

 - Você achou! Onde estava?

 - Debaixo da sua cama. – Talita abriu o livro – No que você tem dificuldade, Rafa?

 - Em tudo.

 - Em tudo desse bimestre? – Sara perguntou.

 - Não, em tudo mesmo. Nem conta de mais eu sei fazer...

  Talita se sentou mais perto de mim na cama e colocou o livro entre nós junto com o seu caderno.

 - Vou te explicar só o desse bimestre, tá bom?

 - Tá ótimo.

  Talita começou a me explicar com toda a paciência do mundo, como ela sempre fazia antes das provas. Eu tentei prestar atenção, mas cada coisa que acontecia em volta me fazia desviar minha concentração. As outras meninas não paravam de falar.

 - Calem a boca! – eu gritei – Eu to tentando aprender!

 - Ui, agora ela quer aprender.

 - Não sei porque você tá zuando, Ingrid. – Sara falou – Você também vai se foder nessa prova.

 - Pelo menos cinco eu consigo tirar.

 - Continua Talita.

  Ela voltou a me explicar e agora as outras estavam prestando atenção no que ela tava falando. Não tirei meus olhos do livro e das mãos dela nem um segundo, mas eu não estava prestando atenção no que ela dizia. Depois de um bom tempo falando, Talita perguntou:

 - Entendeu?

 - Não.

 - Puta merda, Rafaela!

 - Desculpa, não entra na minha cabeça!

 - É porque você é burra, amor. – Ste falou.

 - Então vem aqui fazer essas contas do satanás, sua puta!

 - Rafaela! – Talita chamou minha atenção – Ela tava brincando.

 - Vai defender ela? – eu disse – Então vai se foder você também! Eu não preciso desse lixo!

  Bati a mão no livro que foi parar no chão. Carol colocou a mão no meu braço.

 - Rafaela, calma.

  Puxei meu braço com força e levantei da cama. Na hora meu celular vibrou e minha atenção foi desviada da raiva pro WhatsApp. Era o Carlos. Comecei a rir da mensagem que ele tinha enviado.

  Minhas amigas se entreolharam e a Larissa perguntou:

- Ela é bipolar?

  Voltei pra cama e me sentei com elas.

 - Gente, olha isso.

  Elas se juntaram para ver a mensagem que Carlos tinha mandado.

 Já estou imaginando as minhas mãos no seu corpo

 - Que porra é essa, Rafaela? – Carol perguntou.

 - Espera, deixa eu explicar. Quando as meninas falaram o que ele fez com a Mariana eu decidi dar o troco. Ai eu comecei a meio que dar umas aberturas pra ele falar putaria pra mim. – subi a conversa para que elas vissem desde o começo – Ele começou a falar e eu fui correspondendo pra ele achar que eu também to querendo.

 - Mas porque você tá fazendo isso?

 - Eu to printando tudo. – eu falei – Quando tiver com bastante print, nós vamos imprimir e colar nas paredes das escolas, no mural, jogar por baixo das portas das salas... Enfim, a gente vai espalhar essas coisas pela escola inteira, pra todo mundo ver.

 - Pera, “nós”? – Sara perguntou.

 - Claro, o bonde sempre unido.

 - Não vão ver o que você escrever também?

 - Não... – quem respondeu foi a Carol que estava lendo a conversa desde o inicio – A Rafa apagou as mensagens que ela enviou. – ela olhou pra mim – Você é um gênio.

 - Eu sei. – pisquei pra ela – Mas isso não é tudo. – Desci um pouco a conversa – Escuta esses áudios.

  Os áudios eram o Carlos falando putaria pra mim e em alguns parecia que ele estava gemendo. Não aguentei segurar a risada ao ouvir aquilo outra vez. Quando nós conseguimos parar de rir eu falei:

 - Alguma de vocês sabe como juntar todos esses áudios no PC?

 - Eu sei. – Talita falou.

  Óbvio que ela sabia, é um gênio.

 - Quando eu tiver mais prints e áudios ou mandar pra você então. Você coloca no computador, junta todos os áudios e coloca em um pen drive.

 - Pra que?

 - A gente vai tocar isso em uma das salas de vídeo da escola.

  Stephanie pulou em cima de mim, me abraçando e disse:

 - Você é tão maligna... por isso eu te amo.

 - Pede pra ele mandar nudes, Rafa. – Ingrid sugeriu – Ai a gente imprime também!

 - A gente? – Sara perguntou outra vez.

 - Claro, ué. A gente tem que ajudar nessa zuera monstra.

 - Boa ideia, eu vou pedir. – peguei o celular – Ou melhor, você pede. – dei o celular pra ela – Faça as honras, pede ai.

  Ingrid pegou meu celular e apenas digitou:

 Manda nudes

 

  No dia seguinte na escola, eu estava na sala com a Carol e a Talita. Por algum motivo a Stephanie tinha ficado pra trás no fim do intervalo e não voltou pra sala com a gente. A professora já tinha entrado e estava escrevendo na lousa. Talita estava com o meu celular, mandando mensagem pro Carlos. A gente tinha decidido que todas iam participar. Confesso que eu ficava com medo de deixar a Talita falar putaria com o menino, eu achava que ela não ia conseguir ser convincente o suficiente.

 - Quando você planeja por em pratica? – Carol perguntou.

 - Quando eu sentir que já tenho o suficiente. – respondi – Vou ver se ele manda mais nudes.

  Sim, ele tinha mandado o nudes quando a Ingrid pediu. Inclusive, meu plano de fundo do whats era a rola dele.

  A porta abriu e Stephanie entrou, vestida com a blusa de frio que até a ultima vez que eu a tinha visto estava em sua cintura. Ela entrou quietinha, na esperança da professora não ver. Quando ela deu alguns passos a professora virou.

 - Onde você estava, Stephanie?

 - Estava falando com a diretora.

 - Tudo bem, pode sentar.

  Pelo sorriso que ela deu era óbvio que estava em todos os lugares, menos na sala da diretora. Ela se sentou na minha frente, com um sorriso enorme e deu uma piscadinha. Eu não fazia ideia do que ela tinha feito, mas não era nada bom.

  Quando bateu o sinal que indicava o fim daquela aula, Ste se levantou e disse:

 - Vamos no banheiro.

  Aquilo era praticamente uma ordem. Sem entender nada, as outras e eu nos levantamos e saímos da sala bem rápido para que o próximo professor não nos pegasse.

  Stephanie ia alguns passos à frente, literalmente saltitando. Ela espiava pra dentro de todas as salas até que finalmente abriu uma porta e fez uma mensura para que nós entrássemos. Assim que entramos, Ste fechou a porta e acendeu a luz.

 - Vocês vou querer beijar a minha bunda depois que virem o que eu consegui. – ela disse.

 - O que você conseguiu?

  Stephanie abriu o zíper da blusa e tirou um papel da lateral. Ela exibiu o papel de frente pra nós, com o sorriso ainda maior e eu li escrito “Avaliação Bimestral de Matemática”.

 - Meu Deus... – foi só o que eu consegui falar.

  Talita arrancou o papel da mão dela e examinou as duas folhas da prova.

 - Você invadiu a casa da professora?

 - Claro que não, me respeita! – ela fez uma pausa – Eu invadi a sala dos professores.

 - Você está louca? Vão descobrir!

 - Não vão, eu sou profissional. Eles deviam colocar armários pros professores guardarem suas coisas. Acreditam que é só uma estante, sem nenhuma proteção?

 - Mano, como você conseguiu fazer isso? – Carol perguntou.

 - Eu não posso revelar meus segredos.

 - Okay – eu disse – Nós temos  prova, mas e dai?

 - E dai que nossa miniatura de nerd aqui... – ela passou um braço pelos ombros da Talita –... vai responder a prova inteira e vai mandar fotos pra gente. Assim nós vamos saber as respostas e vamos gabaritar essa prova e nossa querida Talita não vai nem precisar estudar!

 - Só vou precisar fazer tudo isso sozinha, né? 

 - Mas pensa pelo lado bom: pelo menos você sabe o que vai cair. Não vai ter que passar a semana toda estudando.

 - Você é um gênio. - eu falei.

 

  Na noite seguinte eu fui pra favela conversar com o Felipe sobre meu relacionamento ilusório com o Japa coreano. Fui direto no bar, mas ele não estava lá. Atravessei a rua e bati na porta da casa dele. Rapidamente Felipe veio atender.

 - Oi, amor. – ele disse.

 - Oi, a gente precisa conversar sobre o moleque lá. – eu fui logo ao assunto – Cara, não sei se eu vou aceitar namorar com ele, não. O combinado era iludir, seduzir e essas coisa... Agora você quer que eu comece um relacionamento com um menino que eu não consigo nem pronunciar o nome?

 - Eu te avisei que podia levar tempo.

 - Levar tempo e começar um namoro são duas coisas bem diferentes.

 - Mas você disse que iria até o final.

 - Eu não imaginei que seria tanto!

 - Vai desistir?

 - Não. – decidi por um fim no nosso ping-pong de frases – Tudo bem, eu vou aceitar namorar com ele se ele me pedir.

 - Ele vai pedir.

  - Rafaela?

  Me virei e dei de cara com o meu stalker. Notei que Felipe ficou mais alerta.

 - O que você quer? – perguntei com grosseria.

 - Só queria te pedir desculpas pelo que eu fiz. – ele disse – Eu não devia ter te seguido daquele jeito.

  Seus olhos estavam tão fixos nos meus que eu me senti desconfortável. Eu nunca tinha me sentido desconfortável ao encarar ninguém! Muito pelo contrário, eram os outros que se sentiam desconfortáveis ao me encarar.

 - Tudo bem... – eu disse – Tá desculpado, mas alguma coisa?

 - Da minha parte não, mas minha mãe quer falar com você.

  Olhei em volta.

 - Sua mãe ta invisível?

 - Não, ela esta em casa. – ele disse – Torceu o pé ontem quando estava subindo aquela escadaria à noite e não pode andar.

 - E eu com isso?

 - Ela quer te ver.

  Respirei fundo.

 - Tá bom, vamos lá.

  Felipe apertou meu braço.

 - Você ficou louca? Não pode ir sozinha com ele!

 - Calma, florzinha. Me solta! – puxei meu braço – Se eu não voltar em meia hora, você vai atrás.

 - É mais fácil eu ir atrás agora.

 - Meia hora. – eu disse – Eu sei me cuidar.

  Segui o louco em direção à sua casa. Foi burrice, eu sei, mas eu fazia muay thai desde os oito anos de idade. Aquele cara nunca conseguiria sair na mão comigo, eu era rápida e estaria atenta à qualquer movimento. Se ele fizesse alguma menção de me tocar, eu já dava uma joelhada que o faria cair chorando no chão.

  Rapidamente chegamos à casa dele e entramos. Lá dentro, o louco começou a chamar:

 - Mãe, ela está aqui!

  Ninguém respondeu.

 - Mãe? – ele começou a procurar pelos cômodos e eu permaneci na sala. Ele voltou e disse – Não acredito que ela saiu!

 - Com o pé torcido?

 - Exatamente, eu disse pra ela ficar aqui!

  Conversando assim, ele nem parecia louco. Confesso que ele era um ótimo ator.

 - Bom, se ela não está... Acho que eu já vou.

 - Quer tomar alguma coisa? – ele perguntou – Fiquei sabendo que você gosta de catuaba.

 - Okay, pode ser.

  O lado bom de ser perseguida era que meu stalker sabia minha bebida favorita. Ele foi pra cozinha e eu me sentei no sofá para esperar. Ele voltou com dois copos cheios de catuaba e a garrafa embaixo do braço.

  Colocou a garrafa no chão ao lado do sofá e se sentou do meu lado, me oferecendo um copo. Peguei o copo na mesma hora e dei um longo gole.

 - Queria pedir desculpas de novo por ter te seguido.

 - De boa, vamos esquecer isso. – dei mais um gole – É só não fazer outra vez.

 - Não vou precisar.

  Nós continuamos conversando e bebendo por mais uns dez minutos até que eu comecei a sentir as pontas dos meus dedos dormentes e minhas mãos suadas. O copo estava escorregando pela minha mão e eu não conseguia aperta-lo.

  Olhei para o homem que estava comigo e notei que minha visão estava turva. Vi em câmera lenta quando ele esticou a mão para tocar a minha e tirou o copo dela, colocando no chão. Senti que minha pressão estava abaixando e então eu desmaiei. 



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