História A orfã - Capítulo 62


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Slash, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 62 - Fade to Black


Consegui arrumar uma van sem problema nenhum com o pessoal da favela, o único detalhe era que o veiculo não tinha documentação (obviamente). Coloquei minha enorme mochila no bando do carona do carro e apertei a mão do rapaz que tinha me emprestado a van.

 - Muito obrigada, vou devolver sem nenhum arranhão.

 - Sem problema. – ele respondeu com um sorriso – Boa viagem e divirta-se.

  Dei um leve sorriso pra ele e entrei na van. Era impressionante como os traficantes conseguiam ter mais educação que minha própria família. Rodei a chave e coloquei o carro em movimento enquanto repassava na minha mente a última discussão que tive com meus pais.

  Eu tinha avisado na noite anterior que iria viajar com minhas amigas e meu pai quase infartou em cima da mesa.

 - E você avisa assim, em cima da hora? Nem pensar, você não vai!

 - Eu não estou pedindo... – respondi calmante – Estou avisando.

 - Você não pode ir por conta própria! Eu não vou dar nenhum um real pra você sair sozinha com um bando de adolescentes.

 - Eu não preciso do seu dinheiro.

  Ele trocou olhares com a minha mãe que estava terrivelmente quieta. Não conseguia me lembrar de qual tinha sido a ultima vez em que ela brigou comigo, agora ela aceitava tudo que eu dizia sem discutir. Meu pai desistiu de tentar buscar apoio com ela e gritou de novo:

 - Você não vai!

  Me levantei da mesa e falei:

 - Você não é homem o suficiente pra me impedir.

  Realmente, ele não foi homem suficiente. Agora eu estava descendo a ladeira com uma van roubada, indo encontrar as outras e logo estaríamos na casa de praia. Dei uma risadinha imaginando o quanto meus pais deveriam estar lamentando por não ter escutado a mulher do orfanato e me deixado lá. Bem, eles tinham escolhido me adotar e agora iam me aguentar.

  Olhei as horas no painel da van. 08:20, eu estava atrasada como sempre. Virei a esquina na rua da casa da Vivian e avistei um amontoado de garotas em frente à sua casa. Notei que só tinha o Igor do sexo masculino ali, pelo visto Pedro tinha desistido. Não lamentei, menos um pra competir comigo pela posse do irmão da Larissa.

  Estacionei a van e pulei pra fora. Me senti mal ao fazer isso, eu simplesmente odeio me sentir baixa. Ouvi a voz da Mariana antes mesmo de vê-la.

 - Até nisso ela se atrasa.

  Dei a volta pela frente do carro.

 - Mariana.

 - Oi?

 - Me chupa. – passei por ela enquanto a mesma revirava os olhos e fui abraçar minhas amigas – Cadê a Talita?

 - A mãe dela não deixou. – Carol falou – Achei melhor não insistir.

 - Fica pra próxima então. – fui até o Igor e exibi as chaves pra ele – Você assume daqui.

 - Então você dirige? Nada mal, você estacionou muito bem.

 - Obrigada, anos de prática.

  Soltei as chaves na mão dele que foi abrir o grande porta-malas. Fiquei conversando com as minhas amigas sobre coisas aleatórias até o Igor me chamar.

 - Rafaela, vem aqui.

  Fui até onde ele estava.

 - E o documento do carro? – ele perguntou bem baixinho.

 - Esqueci desse detalhe...

 - Seus pais te emprestam o carro e ainda te deixam vir sem o documento?

 - Meus pais são legais, né? – dei um sorriso de lado.

 - Ou isso ou esse carro não é deles.

  Cruzei os braços e o encarei. Aos poucos ele entendeu que eu não ia responder e se afastou para pegar as malas das meninas e colocar lá dentro. Respirei fundo, pelo menos ele não tinha feito perguntas embaraçosas.

 - Sabe, as vezes eu me pergunto... – Mariana se aproximou, cruzou os braços como os meus estavam e se encostou na outra porta traseira da van – Que dificuldade você tem de chegar na hora marcada?

 - A mesma que você tem de manter a boca fechada.

 - Então é bem sério.

 - Você não faz ideia.

 - Já começaram? – Vivian jogou uma mochila pra dentro – Vamos passar cinco dias na minha casa e eu não quero ver vocês duas discutindo!

 - Não vamos discutir. – Mariana falou.

 - É. – eu confirmei – Talvez a gente saia na mão e se mate, mas discutir jamais.

 - Aposto que vocês não conseguem ficar sem brigar. – Ingrid apareceu e falou.

 - O que você quer apostar?

 - 50 reais pra cada uma se vocês passarem os cinco dias sem brigar.

  Olhei pra Mariana.

 - Fechou?

 - Claro. – ela respondeu.

 - Fechou – falei pra Ingrid – Se considere 100 reais mais pobre a partir de agora.

 - Não vai ser tão fácil. – ela falou com um sorriso – Senão vai ser só vocês duas se evitarem e tudo vai ficar certo.

  Droga, era exatamente isso que eu estava pensando em fazer!

 - O que você propõe então? – Mariana perguntou.

 - A aposta vale a partir do momento que a gente sair da van lá na praia. – ela virou pra Vivian – Tem quarto suficiente pra todas nós?

 - Nem fodendo, vai ter que ser no mínimo duas em cada quarto.

 - Tá ai a sua resposta, baixinha. – O sorriso de Ingrid aumentou – Vão ser até colegas de quarto. Colegas de quarto inseparáveis.

 - Tá brincando, né? – Mariana não pareceu nada feliz – Fala que ta brincando, por favor!

 - Relaxa. – pisquei pra ela – Não vou fazer nada que você não queira.

 - Rafaela.

 - Oi?

 - Me chupa.

  Agarrei a baixinha por baixo dos braços e joguei pra dentro do porta-malas. Bati as portas com força e a fechei lá dentro. Me virei e falei pras outras duas:

 - Que foi? A aposta ainda nem ta valendo.

 - RAFAELA, ME TIRA DAQUI!

 

  Nós entramos na van e eu fui direto pro ultimo banco com a Stephanie. Nós duas começamos a rir quando vimos a Mariana tentando escalar o ultimo banco pra sair do bagageiro.

 - Qual o problema, leprechaun? – Ste perguntou – Alto demais pra você, é?

 - Dá pra vocês me ajudarem aqui? – ela estava muito irritada.

  A van começou a andar e eu fingi que a curva da esquina me fez cair no banco.

 - Não da, quebrei a perna.

  Stephanie se jogou no banco e começou a rir ainda mais. Todas as outras estavam olhando pra trás e dando risadas.

 - Rafaela, se você não me tirar daqui... Eu juro que vou te matar quando você estiver dormindo!

 - Boa sorte tentando escalar a cama.

  A mão dela veio de algum lugar por cima do banco e me deu um tapa na cabeça.

 - AI, SUA LOUCA!

  Percebi que ela estava tentando passar a perna por cima do banco.

 - VAI ME AJUDAR OU NÃO?

  Suspirei e estiquei minha mão. Ela usou minha mão para se firmar e conseguiu passar as duas pernas por cima do banco, caindo entre a Stephanie e eu.

 - Quem mandou tem um metro e meio de altura?

 - Um e cinquenta e sete, Rafaela. Cinquenta e sete!

 - Tá, agora se nos der licença... – Ste falou – Eu quero dar uns pegas na minha mulher e você está no meio.

 - Opa, desculpa. – ela se levantou.

 - OPA, OPA, OPA! – Vivian gritou – Pode sentar de novo, leprechaun. Vai ter que ir a viagem toda do lado da Rafaela agora.

 - QUE? MAS POR QUE?

 - Eu vi que você deu um tapa nela.

  Mariana olhou com raiva pra mim, que ainda estava meio deitada no banco e eu dei um sorrisinho irônico.

 - O mundo da voltas, né?

 - Cala a boca. – ela se sentou de novo – Isso é culpa sua.

 - Você me bateu!

 - Você me trancou lá atrás!

 - Eu vou sair daqui. – Stephanie falou – Não vou aguentar isso por duas horas e meia.

  Ela se levantou e foi pro banco da frente se sentar com Ingrid e Sara. Me levantei pra espiar pro banco dela.

 - Ei, mozão.

 - Que foi, mozão?

 - Nossa lua de mel não vai rolar. – falei – Vou ter que ficar no mesmo quarto que a Ana.

 - Vou logo avisando que se eu ouvir um barulho sequer vindo do quarto de vocês, eu entro lá com um facão e mato as duas!

 - Não se preocupe. – Mariana falou – Ela é toda sua.

 - Acho bom!

  Volto a me sentar e tiro o Ipod do bolso. Coloco meus fones de ouvido e olho pela janela. Só consegui ficar vinte minutos em paz, aos poucos percebi um zumbido irritante e tirei um dos fones.

 - Falou comigo?

 - Eu to falando com você há cinco minutos.

 - Desculpa, não ouvi. – abaixei um pouco o volume da música – O que era?

 - Você já foi pra lá alguma vez?

  Eu ia responder que não, mas ela voltou a falar.

 - Bem, eu já fui. Ubatuba é lindo de verdade. A água é diferente dos outros lugares, sabia?

  Abri a boca pra falar, mas ela foi mais rápida:

 - Aposto que a casa dela é em um condomínio na beira da praia, não é? – abri a boca de novo, mas fui interrompida – A maioria das casas lá são assim, pelo menos na parte nobre. Suponho que seja na parte nobre, né?

 - Bem, eu...

 - Quando eu fui lá eu nem queria mais vir embora. – ela deu uma risadinha – É tão legal, bem melhor do que São Paulo. Aqui só se escuta o barulho de carro... ou tiro algumas vezes. O som do mar é bem melhor, não acha?

  Estava distraída trocando de música no Ipod.

 - Não acha? – ela repetiu – Rafaela!

 - Han? Oi, o que é?

 - Você é sempre calada assim?

  Não era possível! A menina não calava a boca nem me deixava falar e agora pergunta se eu sou calada? Não consegui evitar sorrir.

 - Sou, sim.

  Ela ficou um pouco mais séria e continuou me olhando.

 - O que foi?

 - Que sorriso bonito.

  Automaticamente eu tirei o sorriso dos lábios.

 - Nunca tinha me visto sorrir?

 - Desse jeito não. Só aquele seu sorriso irônico, sabe?

 - Não, qual?

 - Esse ai! – ela apontou pra minha boca – Esse mesmo!

 - Não sei qual é... Me mostra.

 - Ele é meio de ladinho... Não vou conseguir imitar.

 - Tenta.

 - Não, é melhor não. – ela riu – Não quero te seduzir.

 - EU TO OUVINDO! – Stephanie gritou do outro banco.

 

  Tive mais meia hora de paz até Mariana puxar o fone do meu ouvido.

 - Você não ouviu uma palavra do que eu falei, né?

 - Não. Há quanto tempo você esta falando?

 - Muito. – ela suspirou – O que você está ouvindo?

 - AC/DC.

  Ela levou um dos fones ao ouvido.

 - Highway To Hell... Bem a sua cara mesmo.

 - Você acha?

 - E ai está seu sorriso irônico de novo. Acho, sim. – ela tirou o fone – Não gosto muito de AC/DC.

 - Sai de perto de mim! – me afastei dela – Você tem alguma doença, não é possível!

 - Você tem Arctic Monkeys ai? – ela apontou pro meu Ipod.

 - Me respeita, menina! Tenho cara de quem escuta indie?

 - Deixa eu ver suas músicas?

  Suspirei e dei o Ipod na mão dela.

 - Nossa, só tem heavy metal aqui. – ela resmungou – Cadê Metallica?

 - Na letra M, gênio. – me curvei pra perto dela pra procurar – Sabe o alfabeto? O M fica depois do L e antes do...

 - Eu sei o alfabeto, Rafaela.

 - Quando se trata de loiras nunca se sabe.

  Ela olhou de lado pra mim, com uma expressão bem séria e eu sorri de novo.

 - Eu não vou aguentar ficar cinco dias perto de você. – ela disse.

 - Eu sei, é meu dever tornar esses dias um inferno pra você.

 - Tá conseguindo. – ela deu play em Fade To Black – Eu amo essa musica.

 - Eu também.

 - Sério? É meio... lenta.

 - E dai? Metallica é foda!

 - Enfim alguma coisa que a gente concorda. – ela sorriu.

  Ficamos vários minutos em silencio ouvindo Metallica. Novamente o leprechaun tagarela quebrou a vibe:

 - Você tem essa cara de má... Por que?

 - Talvez porque eu seja má. – respondi friamente.

 - Quando você sorri, ela desaparece.

 - Ainda bem, né? – dei uma risadinha – Como eu ia sorrir com a cara fechada?

 - Eu quis dizer que some dos seus olhos. Seu olhar é bem frio, mas quando você deu aquele sorriso ele se suavizou.

 - Bem observadora você.

 - Eu disse que presto atenção em detalhes, não disse? O que me lembra... Cadê sua aliança?

 - Perdi a conta de quantas perguntas você já fez desde que entramos nessa van...

 - Terminou com o coreano? – ela perguntou de novo, ignorando meu comentário.

 - É óbvio.

 - Por que? – ela parecia realmente interessada.

 - Não interessa pra você, palhaço.

 - É sério. Por que?

 - Não interessa pra você, palha...

 - Tá bom, tá bom... Parei de perguntar as coisas.

 - Promete? Não brinca com os meus sentimentos, por favor.

  Ela riu.

 - Eu sou tão curiosa assim?

 - E tagerela.

 - Desculpa. – ela corou levemente – Eu tenho esse problema de falar demais quando estou nervosa.

 - Você está nervosa? Por que?

 - Por causa dessa sua cara de má. Da impressão de que eu estou te irritando.

  Olhei bem nos olhos dela.

 - Mas você me irrita mesmo, Mariana.

 - O que mais te irrita?

 - Tudo. – dei uma risada – De verdade, é mais fácil perguntar o que não me irrita.

 - Qual a coisa que mais te irrita?

 - No momento eu acho que... Você.

 - Nossa, obrigada. Obrigada mesmo.

  Dei uma piscadinha pra aliviar o que eu tinha acabado de dizer e nós voltamos nossa atenção pra música.

  Finalmente Igor parou a van na frente de uma enorme casa branca... Não, casa não... Aquilo era quase uma mansão só que um pouco menor. Saímos da van e vimos o mar à apenas alguns metros da entrada da casa. Dos lados haviam casas igualmente bonitas.

 - Eu sabia. – Mariana falou – Não falei?

 - Você falou tanta coisa que eu nem lembro de tudo. – brinquei,

 - Sério?

 - É, sorte que você fala baixo ou minha cabeça teria explodido.

 - Devo te lembrar que aposta já esta valendo Rafaela? – Vivian perguntou.

  Me sobressaltei com a voz dela e sussurrei:

 - Meu Deus, parece uma assombração... Aparece do nada.

  Ouvi Mariana rir enquanto fui pra parte traseira da van. Abri o porta- malas, peguei minha mochila e coloquei nas costas. A baixinha apareceu do meu lado e pegou suas duas mochilas grandes.

 - Pra que tudo isso? – perguntei.

 - Sou uma menina prevenida.

 - Me da isso aqui. – tomei as mochilas da mão dela – Deixa que eu levo.

 - Que gentil. – ela sorriu ironicamente.

 - Essas malas são maiores que você, to com medo de que você se desequilibre e caia.

  Fui em direção à casa antes que ela pudesse responder. Ouvi apenas alguns resmungos enquanto ela me seguia e seus pés batendo com força no chão. Vivian pediu para subirmos as escadas pra deixar nossas coisas em nossos quartos. Do lado de dentro da casa eu falei:

 - Você faz barulho demais andando pra alguém do seu tamanho. – comecei a subir as escadas – Cuidado, eu sei que pra você cada degrau desses deve ser um precipício.

 - Falou a alta, né? – ela subiu as escadas atrás de mim – Você se acha a gigante, a modelo! Quanto de altura você tem mesmo?

 - 1,65. – parei na porta do quarto e me virei pra ela – Se eu não me engano é mais que 1,57... Você sabe a ordem dos algarismos, não sabe?

  Ela me empurrou pro lado e entrou no quarto com raiva. Dei uma risadinha e entrei atrás dela.

 - Eu carrego suas malas e é assim que você retribui?

  Deixei nossas coisas em cima do pequeno sofá que tinha no quarto.

 - Ótimo, tem um sofá. – Mariana falou – Continue com suas gracinhas e você vai dormir nele.

  Stephanie entrou no quarto e fingiu farejar o ar.

 - Sinto cheiro de briga?

 - Imagina, mozão. A Ana e eu só estávamos conversando pacificamente.

 - Uhum... – Mariana confirmou – Bem pacificamente.

 - Okay, mas saibam que eu vou ficar de olho. Não quero ouvir nenhum barulho suspeito vindo desse quarto.

  Me sentei na beira da cama e comecei a tirar meus sapatos.

 - Se você ouvir algum barulho suspeito pode quebrar a porta e invadir, porque eu vou estar sufocando-a com o travesseiro... Ou vice e versa.

 - Exatamente. – Mariana se sentou do meu lado – Invade mesmo, por favor.

 - Com certeza. – Ste sorriu e saiu do quarto.

  Olhei fixamente para os pés da Mariana.

 - O que foi? – ela perguntou.

 - To tentando entender como seus pés conseguem tocar o chão a essa altura.

  Pulei pra longe e sai do quarto correndo antes que ela conseguisse me bater de novo. No corredor do lado de fora eu encontrei o irmão da Larissa.

 - Parece meio perdido... Já sabe onde vai dormir?

 - Com a Larissa mesmo. – ele respondeu – Realmente eu me sinto perdido no meio de todas essas meninas. É meio assustador.

 - Não se preocupe, baby. – pisquei pra ele – Eu te protejo.

  Desci as escadas antes que ele tivesse tempo de processar o que eu tinha dito.



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