História A orfã - Capítulo 63


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 106
Palavras 2.158
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Slash, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 63 - Boa noite, flor


Do lado de fora da casa, bem no limite entre a areia e o mar tinha uma passarela que passava alguns metros por cima da água. A madeira era bem rente ao mar, sorte que aquela praia era parada como uma lagoa e não tinha ondas. Peguei uma garrafinha de catuaba e fui até a beira da passarela.

  Ouvi passos na madeira atrás de mim e vi Mariana se aproximando. Ela veio até onde eu estava e parou do meu lado, mas um passo atrás. Percebi que ela estava olhando de modo estranho pra água.

 - Tá tudo bem? – perguntei.

 - Aqui já é fundo, né? Eu não gosto muito de água...

 - O que você está fazendo aqui na beira então? Volta pra areia.

  Me agachei e coloquei a mão na água.

 - Tá quente. Quer entrar?

 - Tá louca? – ela perguntou – Acabei de dizer que não gosto muito de água, ainda mais no fundo desse jeito.

 - Segura aqui. – dei a garrafinha pra ela e comecei a tirar minha blusa.

 - O que você tá fazendo, sua louca?

 - Não é óbvio. – tirei o short – Eu vou entrar.

 - Mas... Você tá de calcinha e sutiã!

 - E dai? É a mesma coisa que bikini.

  Dei uma risadinha da cara dela e pulei pro mar. A ouvi dar um gritinho quando a água espirrou.

 - Você não vem? – perguntei.

 - Seu pé tá no chão?

 - Não, eu sei nadar. – respondi – Não vai entrar?

 - Eu não sei nadar.

 - Eu te seguro, não confia em mim?

 - De verdade? Não, você é louca.

  Fiquei olhando pra ela, que segurava a garrafinha de catuaba.

 - Pode beber se quiser.

 - Não, eu não gosto muito.

  Uma ideia maligna foi surgindo na minha mente.

 - Ei, tem uma coisa no seu rosto. – falei.

  Ela passou a mão no rosto.

 - Saiu?

 - Não... Abaixa aqui, deixa eu tirar.

  Ela se agachou, tremendo de medo da proximidade com a água. Num movimento rápido eu tirei a garrafa da sua mão e a puxei pro mar. Dessa vez ela deu um grito mais alto e se agarrou em mim.

 - Calma, flor. – falei rindo – Assim eu vou afundar. Não quer que eu afunde, quer?

  Ela parou de se mexer. Eu podia sentir seu coração batendo forte contra mim, mas seus braços se afrouxaram em volta do meu pescoço e eu consegui voltar a respirar.

 - Assim ta melhor. – falei – Agora me solta.

 - Você é louca mesmo, né? Eu não vou te soltar!

 - Solta o meu pescoço, eu te seguro pelos braços.

 - Não!

 - Solta, porra!

  Ela soltou e eu segurei em seus braços.

 - Mexe as pernas devagar. – ela fez o que eu tava falando – Viu? Não é tão ruim.

 - Para de sorrir, eu to brava com você! – ela deu um tapinha no meu ombro.

 - Se eu fosse você eu não me bateria. Lembre-se que eu sou a única coisa que te impede de afundar.

  Ela olhou bem dentro dos meus olhos.

 - Vai se foder.

  Larguei-a só por um segundo pra assustar. Mariana gritou e se agarrou mais forte em mim quando eu voltei a segurá-la.

 - Ta vendo? É por isso que eu não confio em você!

 - Vai ter que confiar. – me afastei da passarela de madeira – Eu sou a única coisa que te mantem respirando agora.

 - O que você tá fazendo? – ela entrou em pânico quando viu que eu estava me afastando do seu porto seguro – Pelo amor de Deus, Rafaela, volta pra perto daquela coisa!

 - Não.

  Ela me apertou mais quando uma pequena onda nos atingiu.

 - Rafa, por favor...

  Voltei pra perto da passarela e a ajudei a subir. Ela espremeu um pouco a blusa encharcada e falou:

 - Até que não foi tão ruim. Obrigada por não me afogar.

 - Vontade não faltou.

  Nadei ao longo da passarela em direção à praia e toquei os pés no chão quando a profundidade já era pouca. Sai do mar andando e Mariana estava me esperando com a garrafinha de catuaba em uma mão e minhas roupas na outra.

 - Que gentil. – peguei as coisas da mão dela.

 - Não vamos fazer disso um hábito.

 - Não mesmo.

  Voltamos juntas pra casa. Vivian fez um escândalo quando nos viu entrar na casa daquele jeito.

 - O que aconteceu com vocês?

 - A Rafaela me jogou no mar.

 - É onde as oferendas devem estar. – respondi secando meu cabelo com minha blusa. Lembrei da aposta – Falei isso do modo mais gentil possível, claro.

  Só nessa hora eu percebi que tinha gente diferente na casa. Vi dois rapazes muito bonitos sentados no sofá.

 - Quem são esses?

 - Vizinhos. – Ingrid respondeu – Eles nos viram chegar e vieram dar um oi.

  Eles se levantaram e vieram me cumprimentar. Não pude deixar de notar que os dois correram os olhos pelo meu corpo antes de darem um beijo na minha bochecha.

 - Essa é a Rafaela. – Ingrid falou – E a baixinha que correu lá pra cima é a Mariana.

  Virei pra trás. Eu nem tinha percebido que ela tinha saído dali.

 - Duendes somem rápido, né?

  Eles riram do meu comentário e um deles falou:

 - Nós estávamos falando com as suas amigas que tem um pessoal na nossa casa. O que vocês acham de juntar todo mundo aqui amanhã a noite e fazer uma festa? Nós trazemos as bebidas.

 - Eu já topo. – falei me virando pra escada – Vou ver se a anta da Mariana não caiu em alguma fenda do chão.

 - Rafaela, a aposta!

 - Eu to brincando, Vivian!

  Entrei no quarto e vi Mariana se enrolando na toalha. Ela fechou a cara quando me viu.

 - Sobre aquilo no mar... Vai ter volta. – ela falou e entrou no banheiro.

  Me sentei na beira da cama e fiquei mexendo no celular enquanto esperava que a baixinha saísse do banheiro. Um tempo depois a porta se abriu e ela saiu de lá toda molhada e enrolada na toalha.

 - Eu não acredito que você sentou na cama desse jeito! – ela gritou – Molhou tudo!

 - Me chupa, vai.

  Ela abriu a boca pra responder, mas preferiu ficar quieta e só fechou a cara. Me levantei, peguei minha toalha e entrei no banheiro.

 

  Desci pra sala com o cabelo ainda meio molhado. Estavam todas comendo e conversando, então Mariana se virou e falou:

 - Por que você não secou o cabelo?

  Eu ia responder que não era da conta dela, mas não podia por causa da maldita aposta.

 - Não preciso de secador, meu cabelo fica bom naturalmente.

 - Genética é foda. – Carol falou – A Rafa e a Stephanie nem precisam pentear o cabelo.

 - Não mesmo. – Ste falou – Vamos pegar cerveja, mozão?

 - Vamos.

  Segui Stephanie para a cozinha. Quando ficamos a sós ela se virou e me agarrou.

 - To com ciúmes. Era pra você ficar no quarto comigo, mozão!

 - Eu sei, mas eu dou os 50 reais pra você se ganhar essa aposta.

 - Acho bom ganhar então. – Stephanie deu um beijo no meu pescoço e eu ri – Qual é a graça?

 - Nenhuma, pode continuar.

  Foi a vez dela rir e me puxar pela cintura pra mais perto. Sem pensar duas vezes eu a prendi contra o balcão da cozinha, afastei seu cabelo pro lado e comecei a dar beijos e chupões leves no seu pescoço.

  Apertei seu quadril com força quando ela arranhou levemente meus braços e abriu mais as pernas para eu poder me encaixar melhor. Então ouvimos um pigarro e a voz da Mariana:

 - To atrapalhando?

  Me virei pra ela, sem me descolar da Stephanie e falei:

 - Não, isso aqui é só coisa da sua imaginação. Volta pra sala.

 - É, volta pra sala sua empata foda. – Stephanie riu – Já vai ficar com a minha mulher no quarto, quer atrapalhar os nossos pegas também?

  Dei mais um beijinho no pescoço dela e Mariana falou zoando:

 - Nossa, Rafaela... e eu achando que tinha uma química rolando entre nós.

 - Desculpa, o que eu tive com você foi só uma noite.

  Nós três começamos a rir e eu me afastei da Ste. Ela abriu a geladeira, pegou duas cervejas e me deu uma.

 - Vou voltar pra sala.

  Eu ia segui-la, mas Mariana me agarrou pelo braços.

 - Vocês duas se pegam mesmo?

 - Sim.

 - Sério?

 - Não, to zoando. É só brincadeira, por que?

 - Porque realmente parece que vocês se pegam.

 - É essa a intenção, bugar a cabeça das pessoas. Mas se a gente se pegasse de verdade não ia ficar zoando assim na frente dos outros, não acha?

  Ela pensou um pouco.

 - É, faz sentido.

    A noite chegou e eu ainda estava sentada com as pernas cruzadas na beira da passarela. Era bom sentir o vento gelado no meu rosto e os respingos gelados da água do mar.

 - Rafaela!

  Revirei os olhos e fiz o gesto de uma arma com os dedos, depois dei um tiro imaginário na minha cabeça. Virei pra trás.

 - O que foi, Mariana?

 - Já vai dar onze horas!

 - Foda-se!

 - Você não vai dormir?

 - Depois!

  Me virei pra frente de novo e ouvi seus passos. Novamente revirei os olhos, e me dei um tiro. A loira se sentou com as pernas cruzadas ao meu lado.

 - O que eu preciso fazer pra você me deixar em paz? – perguntei.

 - Nossa, eu só vim perguntar se você não ia dormir agora. Todas as outras já foram.

 - E dai? Eu não to com sono, você ta?

 - Não, mas eu não quero ficar lá dentro sozinha.

 - Bom, isso é problema seu.

  Ela ficou em silencio por quase um minuto. Mano, isso era um recorde. Finalmente ela falou:

 - Por que você é tão grossa comigo, Rafaela?

 - Não é só com você, é com todo mundo.

 - Por que?

  Demorei pra responder. Nem eu sabia direito a resposta pra isso, então resolvi simplificar.

 - É o meu jeito.

 - Sei... Com a Stephanie você não é grossa.

  Dei um sorriso de lado.

 - Agora, mas na primeira vez que nos vimos nós saímos na mão. A briga foi feia, saiu sangue e tudo.

 - Pera, vocês não se conheceram na igreja?

  Droga.

 - Foi.

 - Então...

 - Nós somos doidas.

  Ela riu.

 - Isso eu já percebi... Mas o que fez vocês se tornarem amigas?

 - Não sei, eu gostei dela e ela gostou de mim.

 - Alguma chance de você gostar de mim?

  Olhei pra Mariana durante alguns segundos até ela desviar o olhar.

 - O que? – perguntei.

 - Você parece ser legal, apesar de ser grossa igual um ogro. Eu gostaria de ser sua amiga.

 - Ah... Nossa... Falando assim eu me sinto um monstro.

 - Talvez porque você seja um. – ela sorriu – Brincadeira, as vezes você é legal.

 - Tipo?

 - Tipo não me afogar. Foi um ato legal da sua parte... E falar comigo agora também.

  Pensei um pouco sobre o que ela estava falando.

 - É, acho que você tem razão.

 - Então, vamos dormir?

 - Tudo bem. – me levantei e estendi a mão para ajudá-la – Vamos.

  Ela usou minha mão para se erguer e nós voltamos pra casa. Tentei abrir a porta, mas estava trancada.

 - Ótimo! – gritei – Trancaram a porta!

 - É só chamar que alguém v... – ela viu que eu estava abrindo a janela e rapidamente saltei pra dentro – Ou você pode simplesmente pular a janela.

  Procurei a chave no porta-chaves perto da porta, mas ela não estava lá. A Vivian devia ter levado pro quarto. Voltei pra janela.

 - Você vai ficar ai fora?

  Mariana se aproximou da janela e tentou se erguer usando os braços, mas logo desistiu.

 - Essa janela é alta demais! – ela bateu o pé no chão igual uma criança birrenta.

  Me debrucei pra fora e entendi os braços pra ela.

 - Vem logo.

 - O que você vai fazer?

 - Te pedir em casamento, claro. O que você acha que eu vou fazer? Vem logo!

  Ela se aproximou e eu a ergui pelas axilas e puxei-a pra dentro.

 - Obrigada. – ela agradeceu quando seus pés tocaram o chão e se virou pra fechar a janela – Ainda bem que esqueceram a janela aberta.

  Nós subimos juntas a escada e entramos no quarto. Quando eu terminei de escovar os dentes Mariana já estava deitada. Parei perto da cama e perguntei:

 - Quer que eu durma no sofá?

 - Não precisa. – ela riu – Pode deitar aqui, só não me agarra.

  Me deitei na cama o mais distante possível dela.

 - Não prometo nada. – brinquei – As vezes eu sou tomada por surtos psicóticos, melhor ficar longe.

  Ela se afastou pra outra beira da cama.

 - Assim ta bom?

 - Tá ótimo. – me virei de costas pra ela e fechei os olhos – Boa noite, flor.

 - Boa noite, flor. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...