História A orfã - Capítulo 64


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Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Slash, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 64 - I'm going numb


  Acordei varias vezes aquela noite com a Mariana se mexendo ao meu lado. Eu tenho o sono muito leve então, cada vez que ela se virava na cama, eu abria meus olhos. Pra piorar ela acabou se aproximando de mim no meio da noite e toda vez que mexia as pernas acabava me chutando.

  Eu ia me levantar pra deitar no sofá, mas então ela passou o braço por cima e mim e eu não quis acordá-la no momento. Decidi esperar que ela se mexesse de novo para sair dali, mas por incrível que pareça ela não se mexeu mais.

  O dia amanheceu e eu achei melhor levantar. Tirei o braço dela de cima de mim com cuidado e fui ao banheiro. Quando eu sai de lá, sem querer deixei a porta escapar da minha mão e ela bateu com força.

  Mariana se assustou e sentou na cama, olhando pros lados. Ela olhou pra mim e esfregou os olhos pra espantar o sono. Eu disse:

 - Acordou, princesa?

 - Não me chama de princesa. – ela resmungou.

 - Desculpa, vou corrigir. Acordou, vagabunda?

  Ela pegou o travesseiro e jogou em mim, mas meus reflexos são muito rápidos e eu o agarrei no ar e em menos de um segundo o objeto já estava voando pra ela de novo. Mariana soltou um gritinho quando o travesseiro acertou seu rosto em cheio.

 - Louca!

 - Foi você que começou! – me defendi – Eu tenho todo o direito de jogar um travesseiro na sua cara depois da surra que você me deu essa noite.

 - Que surra que eu te dei?

 - Você me bateu a noite toda, devo estar toda roxa.

 - Ai, desculpa – ela tapou o rosto com as mãos – Me desculpa mesmo, eu não queria... Eu faço isso dormindo mesmo. Desculpa, eu sou uma idiota.

 - Nisso nós concordamos – dei uma risadinha – Relaxa, não machucou.

 - Sério?

 - Sério, fica em paz. Vai ficar sentada ai a manhã toda?

  Virei as costas pra ela e fui em direção à porta. Me virei de novo em tempo de segurar o travesseiro que ela tinha jogado e arremessei de volta pra cara dela. Sai do quarto e desci pra cozinha.

  Todos já estavam acordados e tomando café. Me sentei na mesa com eles e retribui o sorriso que Igor me deu.

 - Dormiu bem, mozão? – Ste perguntou.

 - Levei vários chutes e tapas, mas dormi bem na medida do possível.

 - Chutes e tapas? – Ingrid riu – O que vocês estavam fazendo lá dentro.

 - A baixinha é perigosa dormindo. – comecei a comer – Acho que ela faz muay thai e eu não sabia.

  Eles riram e eu ouvi a voz da Mariana atrás de mim:

 - E da próxima vez eu vou bater mais forte. – ela se sentou na minha frente, do outro lado da mesa – Eu avisei que ia te bater se você não se comportasse.

 - Desculpa, vou me comportar da próxima vez.

  Ela sorriu pra mim enquanto passava manteiga no pão e eu retribui o sorriso. Vivian largou o copo de suco na mesa tão bruscamente que todos levamos um susto. Ela ergueu as mãos para o teto e disse olhando pra cima:

 - Obrigada, Deus. Milagres acontecem, elas não estão brigando.

 - O que 50 reais não fazem? – perguntei.

 - Exatamente. – Mariana falou – Quando a gente ganhar o nosso dinheiro vamos voltar ao normal, não se iluda.

   Dei outro sorriso pra ela e voltei a atenção pro meu pão. Demorei pra perceber que os outros estavam falando do ocorrido no quarto com a Mariana e eu.

 - Eu disse que ela só poderia deitar se não me agarrasse de noite. – Mariana estava falando.

 - Eu que devia ter dito isso. – falei – Você me agarrou.

  Ela ficou toda vermelha em questão de um segundo e gaguejou:

 - E-eu n-não...

 - Você sim. – dei um sorriso de lado – Depois de me espancar a noite toda, você foi lá e me abraçou.

  Não tinha sido bem um abraço, mas eu queria provocar. Mordi o pão sem tirar meus olhos dela.

 - Você está mentindo! – ela falou – Você que deve ter me agarrado de noite sem ver e achou que fui eu!

 - Eu não me mexo de noite. Quem agarrou foi você.

 - Como assim você não se mexe de noite? Todo mundo se mexe!

 - A Rafa não. – Carol falou – Eu já dormi com ela uma vez. A menina parece uma estátua, não move um centímetro.

 - Pera ai, você dormiu com a minha mulher? – Ste entrou na conversa.

 - Foi antes de eu te conhecer, mozão. – falei – Faz tempo.

 - Não interessa! Em casa a gente conversa.

 

  Passamos a manhã e a tarde na praia. Minhas amigas e eu decidimos tirar uma foto todas juntas e pedimos pra Mariana tirar, só que ninguém conseguia atingir um consenso sobre a posição da foto.

 - Eu vou ficar do lado da Rafa. – Stephanie falou – Ela é minha mulher.

 - Eu sou a primeira do grupo. – Carol falou – Eu vou do outro lado dela.

 - Ei, isso não é justo! – Ingrid falou – Vocês duas sempre se acham melhor que o resto!

 - Vocês não vão brigar por causa disso, né? – eu perguntei.

 - Eu tive uma ideia. – Mariana falou – Fiquem em ordem de tamanho, assim a Rafaela não vai ter que escolher do lado de quem ela vai ficar.

 - Até porque a escolha seria óbvia, né? – Ste piscou pra mim – Nós somos um casal.

 - Tá, vamos logo com isso. – Falei – To perdendo a paciência.

  A Talita seria a primeira da fila, pois é a mais baixa de nós (1,60), mas como ela não estava quem começou foi a Carol (1,63). Stephanie e eu começamos a discutir pra ver quem era a mais alta.

 - Claro que sou eu! – ela falou – Eu tenho que olhar pra baixo pra olhar nos seus olhos.

 - Seu cú! Eu sou a mais alta!

 - Fiquem de costas uma pra outra. – Sara mandou e a gente fez – Vocês são do mesmo tamanho. Fodeu.

  Mariana pediu:

 - Se afastem um passo.

  Nós nos afastamos e ela disse:

 - A Stephanie parece ser mais alta assim.

 - Chupa! – ela falou pra mim – Eu sou mais alta!

 - Nós somos da mesma altura, você só parecer ser mais alta porque... – olhei pra Mariana – Por que?

 - Acho que é porque ela é mais esquia.

 - Orra. – Stephanie riu – Ela te chamou de gorda!

 - Não, gênio. – Sara falou – Ela disse que a Rafaela é tem mais curvas que você.

 - Em outras palavras... – falei – Eu sou mais gostosa.

 - Não foi isso que eu quis dizer. – Mariana falou – Tá... A Rafaela tem mais curvas, mas... – ela se calou porque não achou uma resposta melhor.

  Fiquei do lado da Carol me sentindo bem feliz e Stephanie veio pro meu lado com uma cara meio brava. Larissa veio pro lado dela, depois a Ingrid, Sara e Vivian.

 - Não adiantou nada! – Ingrid falou – As duas ainda estão do lado da Rafaela!

 - É o destino, querida. – Ste falou.

   Finalmente estávamos em ordem e Mariana tirou a foto.

  Passamos o resto do dia zoando na praia e fazendo algumas brincadeirinhas infantis das quais o Igor não participava. Ele observava tudo de longe sem falar nada.

  A noite chegou e com ela vieram os vizinhos e mais um monte de gente. Eles trouxeram luz de balada e rapidamente nós instalamos no teto da sala e da varanda da casa. Em minutos a geladeira já estava lotada de bebida alcoólica.

  Aproveitei quando todas estavam ocupadas organizando a festa e puxei um dos vizinhos pelo braço.

 - Não tem como você arrumar... Umas coisinhas pra gente, não?

 - Coisinhas... Maconha?

 - Tudo que você conseguir.

 - Tudo bem, tem um monte disso na minha casa. Vou buscar e já volto.

  Ele saiu da casa e a Sara gritou:

 - Rafaela, vem ajudar!

  Em pouco tempo já tinha umas cinquenta pessoas na casa e as luzes de balada eram as únicas ligadas. O som estava muito alto e já tinha gente bebendo pra caralho. Fui puxada pelo braço e o vizinho colocou um pino de cocaína na minha mão.

 - Tem mais de onde veio essa. – ele falou – Já coloquei em cima da mesa da cozinha tudo que eu trouxe.

 - Só trouxe cocaína?

 - Não, tem mais coisa.

 - Depois eu vou lá ver, obrigada.

  Ela sumiu no meio das outras pessoas e eu fui para a escada. Sentei em um degrau e abri o pino. Coloquei metade do conteúdo em um degrau e ajeitei em uma fileira. Me curvei pra frente e cheirei de uma vez.

  Esfreguei bem o nariz pra absorver melhor e ouvi a voz de Igor:

 - Não sabia que você curtia isso.

 - Tem muita coisa sobre mim que você não sabe. – ofereci o pino pra ele – Quer?

 - Não, obrigado. Eu não uso isso.

  Me levantei no degrau, ficando quase da altura dele e olhei pra baixo, pros meus próprios seios. Eu estava com a parte de cima do bikini e um short como todas as outras porque estava muito calor. Vi que Igor também estava olhando naquela direção.

  Abri o pino e joguei a cocaína no meio dos meus seios.

 - E agora?

  Ele nem pensou duas vezes. Me puxou para si com um braço em volta da minha cintura e enfiou o nariz nos meus peitos. Não consegui evitar dar uma risada quando ele cheirou o pó. Igor ergueu o rosto e tentou me beijar, mas eu me esquivei e apenas mordi o lábio dele.

 - Calma, flor. – provoquei – Ta apressado? Vai se divertir, depois a gente conversa.

  Ele me soltou e se afastou. Percebi que ele já estava meio bêbado naquela hora.

 - Eu vi, hein. – Carol apareceu no pé da escada – A Larissa não vai gostar nada.

 - E quem precisa da aprovação dela? – desci os degraus e fiquei cara a cara com a Carol – Eu não preciso e ele também não.

  O dedo de Carol tocou a parte de cima dos meus seios.

 - Ele nem conseguiu cheirar tudo. – ela ergueu os olhos pra mim – Posso?

 - Você tá bêbada?

 - Provavelmente. Posso ou não?

 - Pode.

  Eu achei que ela fosse cheirar, mas ela lambeu meus seios e tirou o resto de cocaína. Detesto admitir, mas aquilo chegou a me arrepiar.

 - Bem melhor agora. – ela disse.

 - Com certeza. – me afastei dela – Vou sair daqui porque você tá muito doida.

  Fui direto para a cozinha e vi que já tinha gente pegando maconha e outras coisas na mesa. Peguei um quadradinho de LSD e coloquei na língua. Fui até a geladeira pegar um pouco de catuaba e vodka e misturei os dois em um copo.

  Dei alguns goles e sai da cozinha levando o copo. Antes de atingir a metade da sala eu já vi o piso se mexer em baixo de mim e as luzes de balada começaram a girar. As pessoas ao meu redor não se pareciam com nada nem ninguém que eu conhecesse e eu comecei a rir.

  Me encostei na parede quando a sensação foi piorando. Nada em volta de mim fazia sentido, juro que comecei a ver umas coisas naquela sala que definitivamente não estavam lá. A música pareceu mais alta assim como a minha euforia e alegria inexplicável.

  Algum menino passou na minha frente e eu o puxei pra mim e o beijei de uma vez. O cara também devia estar muito louco porque no mesmo instante me prendeu na parede e aprofundou o nosso beijo. Ele parecia ter dez mãos, porque elas estavam em toda a parte do meu corpo.

  Parei o beijo para rir e ele começou a beijar o meu pescoço. Ouvi uma voz masculina falar alguma coisa atrás dele e o afastei pro lado. Puxei o outro pela camisa e o beijei. Assim como o anterior, ele não reclamou e apenas se deixou levar.

  Senti as mãos do outro na minha cintura por trás e ele beijou meu pescoço de novo. Parei o beijo com o numero dois e voltei a beijar o primeiro, enquanto o outro agora dava chupões no meu pescoço e ombro. Não lembro direito como, mas quando eu fui ver nós já estávamos em um beijo triplo.

  Era estranho e não me agradou nem um pouco, então eu os afastei e voltei a beijá-los separadamente. Foi ficando cada vez mais intenso e enquanto eu beijava um, o outro grudava na minha bunda e levava as mãos para os meus seios.

  Uma hora eu parei o beijo para rir novamente e os dois se grudaram em mim dando beijos e chupões por toda a parte. Ouvi alguém falar alguma coisa bem do meu lado e eu o puxei e beijei também, depois o empurrei pro lado e fui cambaleando até a cozinha para pegar um baseado.

  Não sei como consegui chegar até a mesa, tive que ir me segurando na parede (que estava se mexendo) para chegar até lá e pegar a maconha. Alguém acendeu o baseado pra mim e logo depois eu já estava beijando outro menino. Já nem sabia mais onde estava meu copo de catuaba que eu tinha levado da cozinha quando peguei o LSD. Agora eu estava com um copo de whisky na mão, também sem saber de onde tinha vindo.

  De repente uma mão me puxou pra trás e o cara que eu tava beijando levou um soco. Me encostei na mesa para apreciar a cena dos dois brigando e continuei fumando meu baseado. Foi difícil saber o que era real naquela briga ou não, a alucinação ainda estava muito forte.

  Um grupo levou os dois brigões para fora da casa e a Vivian me pegou pelo braço. Ela falou alguma coisa que eu não entendi e nem precisei. Alguém virou meu rosto pro lado e me beijou. Pelo beijo e pelo toque eu reconheci que era um dos que eu estava beijando antes de voltar pra cozinha.

  Ele me colocou em cima da mesa e continuou o beijo. Eu retribui na mesma intensidade e deixei o copo de whisky cair. Ouvi alguém chamar meu nome insistentemente e parei o beijo para procurar quem era. Não consegui ver, apenas ouvi Mariana falando:

 - Eu vou subir, já ta tarde e o pessoal tá indo embora. Quando você...

  Eu não consegui entender mais nada e minha mente meio que deu um blackout naquela hora. Quando eu fui voltar à consciência estava deitada no chão embaixo da mesa, agarrada com uma garrafa de catuaba.

  Me arrastei de lá debaixo e olhei em volta. Só a luz da noite que entrava pela janela iluminava a cozinha. Vi mais umas pessoas jogadas no chão e sai passando por cima delas sem soltar a garrafa.

  O efeito do LSD já estava quase no fim então eu não tive muita dificuldade pra subir a escada. Abri a porta e entrei no meu quarto, mas eu tropecei na cômoda enquanto estava indo pro banheiro e derrubei tudo que estava lá em cima. Comecei a rir igual uma louca como eu tinha feito horas antes e ouvi Mariana perguntar:

 - Rafaela, você está bem?

  Ela estava com voz de sono.

 - Melhor impossível. – dei uma risadinha – Acho que eu derrubei alguma coisa.

  Ela veio até mim e tirou a garrafa de catuaba da minha mão.

 - Já chega disso por hoje.

 - Me deixa beber!

 - Não, Rafaela! Olha o seu estado!

  Ela me guiou para a cama e eu sentei.

 - Você não tá só bêbada, né? Seus olhos estão desfocados...

 - Eu to muito doida. – falei rindo – Preciso ir ao banheiro.

  Tentei me levantar e voltei a cair sentada na cama.

 - Não levanta, fica ai. – Mariana pediu e ergueu meu rosto para ela – Você tá muito suada, tem certeza que está bem?

  Fiz que não com a cabeça. Eu estava sentindo calafrios e muita tontura. Mariana se sentou do meu lado e colocou a mão na minha testa.

 - Você tá gelada... Como isso é possível? Você é sempre tão quente. – ela parou um pouco quando ouviu a minha risadinha – Tá, isso soou muito estranho... Você entendeu o que eu quis dizer.

 - Entendi, sim.

 - Deita, vai ajudar a passar.

  Deitei minha cabeça no colo dela. Eu sei que não era isso que ela tinha em mente quando me mandou deitar, mas eu não conseguia mexer minhas pernas e meu corpo foi automaticamente para o lado.

  Ela colocou a mão no meu rosto para checar a temperatura de novo e perguntou:

 - Por que você não gosta que mexam no seu cabelo?

 - Não interessa...

 - Tá bom, tá bom, já entendi... Mas... Eu posso mexer?

  Fiz que sim com a cabeça.

 - Só não puxa.

 - Não vou puxar.

  Ela colocou a mão no meu cabelo levemente e começou a mexer de maneira suave e delicada. Em poucos minutos eu já estava dormindo. 



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