História A orfã - Capítulo 65


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Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Slash, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 65 - I'll be the first to say that I was wrong


Acordei com a sensação de que quinze elefantes tinham passado por cima de mim. Me sentei na cama sem nem conseguir enxergar direito e esfreguei os olhos. Eu quase nem tinha percebido que estava acordada e a Mariana já estava falando.

 - Finalmente você acordou! – ela disse – Sabe, você dormindo fica muito bonitinha. Nem parece ser o diabo que você é quando está acordada.

 - Obrigada. – falei ironicamente e coloquei uma mão na coluna – To em duvida se essa dor é da noite de ontem ou se foi você que me bateu dormindo.

 - Posso afirmar que não fui eu. – ela se sentou na beira da cama – Eu quase não dormi. Eram umas 3 da manhã quando você entrou no quarto e toda vez que eu fechava os olhos você começava a tremer... Achei melhor ficar acordada pra saber se você estava bem.

  Não soube nem o que responder pra ela. Eu era sempre tão grossa e ela tinha se mostrado muito gentil comigo ultimamente. Só então eu percebi que estava deitada na cama na posição correta. Pelo que eu me lembrava eu tinha dormido sentada na beira cama e com a cabeça no colo da Mariana... Parece que ela tinha conseguido me deitar direito ou eu mesma tinha me arrumado e não lembrava.

 - Você tá bem? – ela perguntou tirando uma mecha do meu cabelo da frente do meu rosto.

 - Não. Sai da frente!

  A empurrei pro lado e corri pro banheiro. Só deu tempo de levantar a tampa da privada antes que eu vomitasse todos os meus órgãos. Foi uma das vezes que eu mais vomitei pelo que eu me lembro.

  Depois disso eu fui obrigada a tomar um banho gelado porque estava suando muito e escovei meus dentes umas dez vezes pra ter certeza de que tinha tirado todo o vomito. Sai do banheiro enrolada na toalha e Mariana ainda estava sentada na beira da cama me olhando.

 - Que foi?

 - Só quis me certificar de que você não ia cair no banheiro.

 - Tá achando que eu sou idiota?

 - To. – ela se levantou – Se precisar de mim eu estou lá embaixo... Fazendo o seu café, porque eu também sou idiota.

  Ela saiu do quarto e eu me vesti. Desci as escadas segurando bem no corrimão pra ter certeza de que não ia cair e fui direto pra cozinha. Mariana estava lá sozinha mexendo nas coisas.

 - Cadê todo mundo? – me sentei em uma cadeira da mesa.

 - Foram dar uma volta.

 - Por que você não foi?

 - Acha que eu ia te deixar sozinha na situação que você estava ontem a noite?

 - Não exagera...

 - Não to exagerando. – ela falou – Você estava gelada e literalmente tremendo. É estranho, seu corpo é bem quente.

 - Deve ter sido efeito das drogas.

 - No plural? – ela se virou pra me dar um olhar reprovador.

 - Não sei, não lembro direito.

  Ela colocou um copo na minha frente.

 - Que porra é essa?

 - Água.

 - Eu preciso de cafeína.

 - Toma a água primeiro.

  Achei melhor não discutir e tomei tudo de uma vez.

 - Café agora, por favor.

  Ela bateu a garrafa de café na mesa à minha frente do lado do pão na chapa com manteiga.

 - Calma, flor... Que raiva é essa?

  Ela se sentou na minha frente.

- Você ainda pergunta? Acha que eu gostei de ter que ficar a noite toda acordada cuidando de você, sua maconheira?

 - Eu não pedi pra você ficar acordada, nerd. Era só ter ido pra outro quarto.

 - Você é ingrata mesmo, né? Eu ainda fiquei aqui, fiz café pra você e...

 - Tá bom, desculpa.

  Ficamos um pouco quietas enquanto eu tomava uma xícara de café atrás da outra. Percebi que ela estava me olhando demais.

 - Que foi?

 - Percebeu que é a primeira vez que a gente fica completamente sozinhas, sem ninguém por perto?

 - É mesmo... Tá com medo?

 - To. – ela brincou – Com medo de você começar a passar mal e eu ter que cuidar de você de novo.

 - Seria trágico.

  Ficamos em silencio de novo e eu tentava comer o meu pão sem vomitar quando ouvi uma porta se abrir com estrondo em algum lugar da casa.

 - AI, PORRA! – ouvi a voz da Stephanie gritar.

 - Parece que não estamos sozinhas a final. Mozão!?

  Um tempo depois Stephanie apareceu na porta da cozinha ainda com a parte de cima do bikini e o short que usava na noite anterior. Seus cabelos loiros estavam parcialmente jogados sobre seu rosto e pelo que eu podia ver seus olhos azuis estavam avermelhados.

  Ela cambaleou até a mesa e se jogou na cadeira do meu lado.

 - Eu preciso de cafeína.

  Coloquei um pouco de café em uma xícara e passei pra ela.

 - O que aconteceu? – ela perguntou.

 - E eu vou saber? Fala você o que aconteceu.

 - Não sei... – ela pensou um pouco e franziu o cenho – Eu acordei no chão do banheiro.

  Passei a mão no cabelo dela pra tirá-los da cara e falei pra Mariana.

 - Tá vendo? Eu podia estar igual ela, ia ser bem pior pra você.

 - Nem brinque com isso. – Mariana falou.

 - Cadê todo mundo?

 - Sairam, eu fiquei aqui pra cuidar da Rafaela. Achei que só tinha a gente na casa.

 - Ninguém notou a minha ausência?

 - Você é insignificante, mozão.

  Ela deu um soco forte no meu ombro.

 - Ai, filha da puta!

  Dei um soco mais forte ainda no ombro dela.

 - Vai vir pra cima, Ferrari? – ela me empurrou e eu cai da cadeira – Vem pra cima então.

  Levantei do chão com um pulo e comecei a dar socos rápidos em toda parte do corpo dela que eu conseguia alcançar. Claro que eu tava batendo fraco pra não machucar. Ela me deu uns socos também enquanto recuava e ia pra sala.

 - Meu Deus, vocês vão se matar!

  Ignoramos Mariana e continuamos dando socos e chutes uma na outra. Eu estava levando a melhor e Ste recuava cada vez mais até que ela subiu no sofá e começou a dor socos e chutes de cima. Grudei nas pernas dela e a joguei no chão com força.

 - Ai, sua maldita! – ela gritou – Doeu!

  Fiquei por cima dela e comecei a dar cotoveladas nela. Senti uma almofada voar e acertar a minha cabeça. Parei no meio de outra cotovela e olhei pra Mariana.

 - Só assim pra vocês pararem? - ela perguntou.

   A menina jogou outra que pegou bem na minha cara. Me levantei lentamente.

 - Agora eu vou te matar.

  Mariana saiu correndo e quando eu ia correr atrás dela a Stephanie segurou minha perna e me puxou pro chão de novo. Dessa vez ela estava por cima me dando um monte de soco. A porta de entrada se abriu e eu ouvi a voz da Sara:

 - QUE PORRA É ESSA?

  Empurrei Stephanie de cima de mim e fiquei de pé. Ste demorou um pouco mais pra se levantar e ajeitou o bikini que estava todo torto.

 - Não é o que vocês estão pensando. – ela disse.

 - A gente sai por cinco minutos e vocês duas quebram a sala da casa da Vivian?

  Olhei em volta e percebi que a gente tinha derrubado a mesinha de centro e todos os enfeites que estavam em cima tinham se quebrado.

 - Quem mandou deixar essas duas sozinhas? – Sara se virou pras outras – Cadê a Mariana? Mariana!

  Mariana espiou através da porta da cozinha e Sara falou:

 - Como você deixou essas duas quebrarem a sala?

 - Eu não deixei... – ela se defendeu – Eu tentei parar, mas a Rafaela ia me bater.

 - Opa! – Ingrid falou – Temos uma quebra de aposta aqui?

 - Nem vem! – falei – Ela tá mentindo!

 - Não to!

 - Prova! – olhei pra Ste – Eu ameacei bater nela, mozão?

 - Não, mozão.

 - Não é justo, elas se defendem!

 - Isso não interessa mais! – Vivian falou – Vou pegar uma vassoura pra limpar tudo isso.

 

  Os vizinhos apareceram a tarde e pediram para repetirmos a festa nessa noite também. Rapidamente a Vivian aceitou e a noite as luzes de balada estavam acesas de novo e a geladeira cheia de bebida alcoólica.

  Achei melhor maneirar e bebi pouco. Mariana ficou perto de mim o tempo todo, acho que estava monitorando minha lucidez. Me surpreendi ao vê-la beber um copo de catuaba.

 - Vai devagar, baixinha. Você tem cara de quem embebeda rápido.

 - Olha só quem fala.

 - Querida se você bebesse o tanto que eu bebi ontem, estaria em coma agora.

  Ela deu uma risadinha e disse que ia ao banheiro. Aproveitei a oportunidade pra ir na cozinha pegar um baseado. Enquanto eu atravessava a sala, um braço forte me puxou pro sofá e eu cai no colo do Igor.

 - Oi. – ele falou.

 - Oi. – dei uma risadinha – Você tá bêbado?

 - Acho que sim. Olha o que eu peguei pra você. – ele tirou um pino de cocaína do bolso – Quer dizer... pra mim.

 - Então você gostou, hein? – tirei o pino da mão dele e abri – Viciou na primeira vez?

 - Como não viciar? – ele acompanhou meus movimentos quando eu joguei a droga entre os seios como tinha feito na noite anterior – Posso?

  Afirmei com a cabeça e ele cheirou o pó. Dessa vez foi mais esperto e lambeu o que restou. Quando ele ergueu o rosto já foi logo me puxando e eu não consegui escapar do beijo. Tá, eu nem queria escapar mesmo kkkk.

  Nem deu tempo de beijar direito. Quando eu estava começando a aplicar a minha pegada uma mão se meteu entre nós. Eu olhei pro lado e vi a Larissa aparentemente vermelha de raiva. Não dava pra ter certeza por causa das luzes.

 - Que porra é essa?

  Sai do colo do Igor na mesma hora.

 - Não é nada disso que você está pensando, eu posso explicar.

 - Explicar? – ela deu um tapa no meu braço – Você não tem nada pra explicar! – outro tapa – Tava se agarrando com o meu irmão!

  Segurei o pulso dela com força e apertei.

 - Chega.

  Eu falei essa palavra de maneira baixa e calma, mas Larissa claramente entendeu a ameaça. Ela ficou imóvel, sem tirar os olhos dos meus. Dei uma ultima olhada pro Igor e a soltei, virei as costas e subi as escadas.

  Três dias naquela casa e eu ainda não tinha ido na sacada. Subi mais um pequeno lance de escadas e cheguei na parte de cima da casa. Tinha quatro pessoas lá conversando. Fui até a beira do telhado e fiquei observando o mar. Meu sossego foi interrompido por um rapaz que parou ao meu lado com um copo de whisky e deu um sorriso.

 - Lembra de mim?

 - Não, mas adoraria lembrar. – o olhei de cima à baixo – Quem é você?

 - Você me beijou ontem. – ele deu um sorrisinho de lado – Eu e outro cara... Ao mesmo tempo, sabe?

 - Ah, claro. Desculpa, eu tava sob efeitos do LSD.

 - Eu adorei.

  Nessa hora ele falou o nome dele, mas eu não vou lembrar agora.

 - O meu é Rafaela.

 - Eu sei.

 - Ah... óbvio que sabe.

 - Eu perguntei pra uma das suas amigas. – ele me ofereceu o copo – Quer?

  Peguei o copo da mão dele e dei um longo gole. Vi que as outras 3 pessoas tinham ido embora.

 - Você bebe muito mesmo, hein?

 - É um dom. – dei outro grande gole – Um dica: não coloca gelo, fica muito aguado.

 - Gosta do sabor puro? – ele arregalou levemente os olhos.

 - Claro, é o melhor.

  Eu senti o meu temido calafrio e me arrepiei inteira. Droga, de novo não. Fechei os olhos com força e tentei me concentrar, mas ouvi a voz:

 - Não acha que ele ficaria melhor voando?

  Apertei o copo com força e continuei com os olhos fechados.

 - Rafaela, você tá bem?

 - Não encosta em mim! – me afastei um passo – Fica longe de mim!

  Ele se aproximou de novo.

 - O que tá acontecendo? Tá passando mal, quer que eu chame alguém?

 - Não... Você não entende... Sai de perto de mim, por favor.

 - Ia ser divertido se ele voasse dessa sacada.

  O rapaz se aproximou de novo e me puxou pra perto.

 - Vem aqui... Vai ficar tudo bem.

  Ele se aproximou pra me beijar, mas eu o empurrei com força e ele caiu da sacada. Ouvi o baque poucos metros abaixo e me aproximei lentamente da borda. Ouvi as exclamações das pessoas lá embaixo.

  Olhei e vi o rapaz tentando se levantar e várias pessoas em volta dele. Uma delas falavam:

 - Se machucou? O que aconteceu? Vem, vou te levar no médico.

  Ele deu uma olhadinha pra cima, pra mim e se apoiou no amigo que o levou dali.

 - Ora, ele está bem. Saiu até andando... Da próxima vez empurre de cabeça.

  Ninguém mais tinha percebido que o rapaz havia olhado pra cima, só uma pessoa. Mariana estava lá embaixo, olhando diretamente pra mim, boquiaberta.

  Ergui o copo de whisky pra ela e dei um gole.

 

  Estava descendo as escadas pra sala quando Mariana me abordou no meio dela.

 - Me diz que não foi você.

 - Não fui eu.

  Tentei passar por ela, mas a garota me segurou.

 - Eu to falando sério.

 - É melhor você tirar a mão de mim, senão a próxima vai ser você. – olhei bem pra ela – Eu to falando sério.

  Ela me soltou e eu terminei de descer a escada. Fui direto pra cozinha e coloquei metade de um copo de vodka. Comecei a dar goles longos. Era difícil, mas eu queria embebedar rápido. Fiz quatro rodadas de shot de tequila com as pessoas que estavam na cozinha e rapidamente eu já estava alterada.

  Um deles também estava alterado e percebi que não tirava os olhos de mim. Era um garoto bem bonito então eu também não tirei meus olhos dele. Do nada ele cruzou o espaço que nos separava e me beijou sem dizer uma palavra.

  Foi um beijo muito bom, diferente de todos os outros. O puxei pra mais perto e aprofundei nosso beijo. Como era de se esperar, começaram as mãos bobas. Uma apertadinha aqui, outra lá e eu pensei “Vou apertar logo onde interessa”. Meti a mão no meio das pernas do menino e apertei...

  Só que minha mão não pegou em nada. Isso mesmo, em nada. Ainda dei mais uma apalpada, afinal eu não estava acreditando. Quando finalmente a minha ficha caiu eu empurrei o “menino” e meti um soco com toda a força e vontade na cara dele/dela.

  Sai correndo do banheiro mais próximo e joguei água na boca. Minha vontade era de vomitar, mas o vomito não veio. Minha segunda vontade foi de matar aquele menino... menina... Sei lá como chamar.

  Fechei a torneira com força e abri a porta do banheiro. Sai empurrando todo mundo que entrava na frente. Ingrid me segurou pelo braço.

 - Rafaela, calma... O que foi?

 - Eu vou matar aquela desgraçada. – eu mal conseguia falar de tanta raiva – EU VOU MATAR!

 - Quem?

 - Uma menina... Eu achei que fosse homem...

 - Pera, você beijou uma mulher?

 - EU PENSEI QUE FOSSE HOMEM, FOI ELA QUE ME BEIJOU! – tentei passar por ela – SAI DA FRENTE!

 - Não, eu não vou deixar você matar ninguém!

  Ele/ela que tinha me beijado apareceu na sala e eu fui tomada por um ódio incontrolável. Joguei Ingrid pro lado e parti pra cima da menina. Já cheguei dando outro soco e perdi as contas de quantos eu consegui dar antes que me segurassem.

  Olhei em volta e vi que tinha dois rapazes me segurando. Tentei me soltar e quase consegui de tanta raiva que eu estava.

 - Me solta! – olhei pra menina que estava sentada no chão – Eu vou matar você!

 - Rafaela o que aconteceu? – Sara entrou na frente e segurou meu rosto com as duas mãos – Calma, olha pra mim... O que aconteceu?

 - Ela... Ela me beijou. Eu achei que fosse um homem! – tentei me soltar de novo – Me solta, filho da puta!

 - Soltem ela. – Sara pediu – Eu controlo daqui pra frente.

  Eles me soltaram e eu tentei passar pela Sara. Estavam levando a menina pra fora da casa, eu não podia deixá-la sair só com aquilo de machucado dali. Sara entrou na frente de novo.

 - Você já bateu demais, Rafaela! Francamente, não era pra tanto!

 - Você ainda não viu nada! Deixa eu colocar as mãos nela de novo...

  Tentei passar e novamente a Sara entrou na minha frente.

 - Você vai fazer o que? – vi que ela estava com muita raiva – Vai matar a menina? Vai passar por cima dela com um carro, é?

  Eu sabia que ela nunca tinha esquecido o que eu fiz com a Amanda.

 - E se eu fizer isso? Não é da sua conta!

 - É DA MINHA CONTA, SIM! SE VOCÊ FOR BATER NELA, VAI TER QUE BATER EM MIM!

 - SAI DA FRENTE, MEU ASSUNTO É COM ELA! – tentei afastá-la, mas novamente ela entrou na frente e eu não queria bater na Sara – SAI DA FRENTE, SARA!

 - VOCÊ SÓ BATE NELA SE BATER EM MIM TAMBÉM! EU SOU BISSEXUAL!

  Eu congelei. Na verdade não só eu como todas as minhas amigas que assistiam a cena. Ouvi Stephanie perguntar:

 - Você sabia?

  E Ingrid responder:

 - Não, eu não fazia ideia.

  Sara e eu ficamos nos encarando por alguns segundos. A raiva tinha sumido e dado lugar à descrença.

 - Eu fiquei pelada na sua frente...

 - Me desculpa.

 - Eu fiquei pelada... Na sua frente!

  Ela tentou tocar meu ombro.

 - NÃO ME TOCA! SAI DAQUI!

  Sara respirou fundo e se afastou de mim. Olhei enquanto ela saia da casa. Estavam todos parados, olhando pra mim e pra porta por onde Sara tinha saído. Alguém tinha tirado a música.

 

 - Vai falar com ela! – Vivian mandou – Agora!

  Todos os convidados tinham ido embora depois da minha briga. Só estavam na casa minhas amigas, Mariana, Igor e eu. Sara ainda estava do lado de fora e Ingrid tinha ido tentar falar com ela.

 - Por que? – perguntei.

 - Você foi muito rude com ela, Rafaela. – Larissa falou – Vai pedir desculpas. Você vai parar de falar com a Sara por causa dessa besteira?

  Não, eu não ia. Pra falar a verdade, acho que a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi a Sara se admitir como bissexual. Houve o momento de raiva, sim, mas depois que a raiva do choque inicial passou eu finalmente entendi...

  A sexualidade não definia o caráter de ninguém. Eu não podia julgar as pessoas por isso, mesmo que tivesse sido assediada na prisão. As outras não eram como as presas e eu não devia generalizar bandidas com todas as lésbicas/bissexuais que eu encontrava.

  Respirei fundo e escondi meu rosto com as mãos. Finalmente eu percebi o quanto eu havia sido idiota esse tempo todo. Ingrid entrou na casa.

 - Não adianta, ela não quis falar comigo.

  Respirei fundo de novo e levantei do sofá.

 - Eu vou falar com ela.

  Sai da casa e corri os olhos pela areia. Vi a Sara sentada em um ponto da praia, olhando pro mar. Fui até ela e perguntei calmamente:

 - Posso falar com você?

  Como era de se esperar ela se assustou, pois não me ouviu me aproximar.

 - O que você quer? Se vai gritar comigo de novo pode poupar seu fôlego... Eu já entendi.

  Ela virou pro mar de novo. Me agachei ao seu lado e comecei:

 - Eu quero pedir desculpas... Eu não devia ter agido daquela forma com você... Eu não devia ter agido daquela forma com ninguém. Eu entendo agora, por favor me perdoa. Você sabe que eu te adoro, por favor me perdoa, Sara... Eu juro que aprendi a lição, eu nunca mais vou ser preconceituosa com essas coisas.

  Ela passou as costas da mão nos olhos pra secar as lágrimas.

 - Eu queria “sair do armário” de um jeito diferente... Mas você fez eu cair de cara pra fora dele.

 - Me perdoa, Sara. Por favor, eu não quis...

 - Eu te perdoo, Rafa. – ela sorriu pra mim – Eu também te adoro. Muito. Por favor, não volte a cometer o mesmo erro.

 - Não vou, eu juro. – falei – Agora minha ficha caiu. Eu estava errada esse tempo todo, nunca mais eu vou fazer nada parecido com isso, eu juro.

- Eu acredito em você.

 - Me da um beijo?

  Ela deu um beijo na minha bochecha e me abraçou bem forte. Fiz o mesmo e dei outro beijinho na bochecha dela. Quando nos separamos eu falei:

 - Vamos entrar?

 - Vamos.

  Me levantei e estendi a mão pra ela. Ela sorriu quando pegou minha mão e nós voltamos pra casa de mãos dadas.



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