História A Outra Hawkins - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Stranger Things
Personagens Dustin, Eleven (Onze), Jonathan Byers, Joyce Byers, Lucas, Mike Wheeler, Will Byers
Tags Demogorgon, Mundo Invertido, Stranger Things, Will Byers
Exibições 7
Palavras 4.146
Terminada Não
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Bem vindos de volta, pessoal! Demorei um pouco mais que o esperado pra atualizar dessa vez, mas aqui estou com um capítulo novinho pra vocês... Respirem fundo e boa leitura!

Capítulo 7 - A Biblioteca


Fanfic / Fanfiction A Outra Hawkins - Capítulo 7 - A Biblioteca

À medida que o Demogorgon caminhava lentamente em sua direção, abrindo a enorme boca da já conhecida forma ameaçadora e mortal, encurralando sua pequena presa, o garoto, agora petrificado, sentia-se cada vez mais sufocado e nauseado enquanto o pânico crescia em seu interior. Não tinha ideia do que faria em seguida para salvar-se então, como das outras vezes, só lhe restava uma opção: Improvisar.

Enquanto os pensamentos iam e vinham de forma confusa e desconexa na mente agitada de Will, sem dar nenhum aviso prévio, a criatura saltou em sua direção, esticando as enormes garras para capturá-lo.

Por muito pouco a mesma não obteve sucesso dessa vez, já que somente no último instante o corpo do garoto resolveu reagir, fazendo-o se jogar para a esquerda, escapando do abraço mortífero. Logo em seguida, sem pensar muito no que estava fazendo, ele segurou as barras laterais da última prateleira do corredor que estava bem do seu lado e, com um pouco de esforço, derrubou-a para frente, onde a mesma caiu em cima da criatura que já se preparava para levantar e provavelmente tentar uma nova investida.

Will, porém, não esperou para ver o Demogorgon recompondo-se do tombo, dando a volta na prateleira caída e disparando a toda velocidade pelo corredor logo ao lado, em direção a saída.

Passou pelos caixas de pagamento e, quando já estava alcançando as portas de vidro, ele ouviu o estrondo atrás de si e, virando-se para olhar, pode perceber que a prateleira que ele havia derrubado agora voava pelos ares, caindo na área mais aos fundos do estabelecimento. A criatura estava preparando-se para ir ao seu encalço, ele pensou, enquanto atravessava a entrada do mercado o mais rápido que podia e ganhava as ruas mais uma vez.

Ele então passou pela frente dos carros abandonados e cobertos pelos enormes tentáculos e, dentro de pouco tempo, já tinha ganhado a rua, partindo de volta para algum de seus esconderijos. Ossos e músculos nesse momento davam o máximo de si para que ele corresse o mais rápido possível do alcance do Demogorgon, que agora já podia ser ouvido com seus passos pesados e rápidos há certa distância.

Para sorte de Will, todos os biscoitos que ele havia comido pareciam ter lhe dado alguma energia extra, já que agora, felizmente, ele conseguia manter o ritmo da corrida sem sentir-se debilitado logo de cara. Isso definitivamente seria de fundamental importância para ele, já que havia um longo caminho de volta até o esconderijo mais próximo.

Nos minutos seguintes então, o garoto correu incessantemente pela estrada que levada à Floresta das Trevas. Seus músculos agora estavam em brasas e seus pulmões doíam a cada lufada de ar devido ao esforço contínuo, mas ele não ousava parar até sair do alcance da criatura.

Depois de uma longa corrida que pareceu durar uma eternidade, lá estava ele novamente, do lado da floresta que dava nos arredores da casa dos Byers. Sua mente tentava organizar seus passos seguintes quando, de repente, ele tropeçou numa enorme pedra que havia no chão em baixo de um dos tentáculos negros e caiu, por muito pouco não batendo a cabeça na superfície dura e áspera do terreno.

Will logo se apoiou nas palmas das mãos, virou-se e permaneceu sentado por alguns segundos, observando a estrada que há poucos instantes estava atrás dele, com olhos arregalados de pavor e a respiração descontroladamente ofegante enquanto sentia seu coração batendo furioso em diversas partes do seu corpo.

Ele imaginava a princípio que a criatura agora estaria cada vez mais próxima, mas por incrível que pareça, os sons das passadas pela estrada haviam cessado, ou pelo menos ficado extremamente distante, de modo que ele já não mais conseguia ouvi-las.

Sua concentração estava toda voltada para o caminho pelo qual ele tinha chegado até ali que seu coração quase saltou pela boca devido ao susto que ele levou quando ouviu um barulho atrás de si. O garoto então se virou a toda pressa e constatou chocado que, num trecho mais à frente no caminho, despontando de dentro da floresta da beira da estrada, vinha a criatura novamente na sua cola.

Sem pensar duas vezes, Will logo se levantou e correu em direção à floresta do lado oposto ao que o Demogorgon estava e sumiu ali dentro. Agora com a besta novamente à espreita, o garoto perguntava-se, mergulhado num desespero absoluto e agonizante, se teria chance de esconder-se em algum lugar nas redondezas sem que a mesma percebesse.

Já corria por longos e angustiantes minutos quando finalmente avistou a fenda ao pé da árvore na qual ele costumava esconder-se nos seus primeiros dias naquele lugar. Imediatamente ele correu até ela, afastou as folhas e gosma e espremeu-se lá dentro, cobrindo-se com o manto asqueroso que antes recobria a entrada.

Agora lhe restava apenas esperar para ver como as coisas se desenrolariam e ele torcia com todas as forças para que a criatura houvesse permanecido sem conhecimento daquele seu pequeno refúgio.

Poucos instantes depois, as passadas já começaram a soar cada vez mais próximas, pondo o coração e nervos de Will mais uma vez à prova. Elas então foram soando cada vez mais perto até que as enormes patas inferiores do Demogorgon surgiram no campo de visão do garoto por entre as frestas do manto gosmento que o cobria.

A criatura, contudo, para sua sorte, não se demorou ali, seguindo seu caminho enquanto emitia seu som grotesco e ameaçador. Ele havia conseguido despistá-lo mais uma vez.

Agora finalmente sozinho, o garoto permitiu-se respirar fundo para recompor-se. Em sua mente, era de extrema importância que ele não perdesse o controle agora devido ao nervoso. Tinha que permanecer calmo na medida do possível, para que pudesse pensar direito no que fazer em seguida, afinal de contas, ainda não estava numa situação realmente segura.

Já um pouco mais tranquilo e pensando claramente, Will começou a refletir sobre como diabos o Demogorgon conseguiu correr tão rápido a ponto de ultrapassá-lo e porque não o capturou no meio do processo. A criatura andava a passos acelerados no seu encalço, mas até então nunca aparentou ser um verdadeiro ás da velocidade. No fim das contas, as soluções que ele pensou serem mais prováveis seriam a existência de alguma espécie de atalho pela floresta ou então o Demogorgon seria capaz de se teletransportar mesmo. Essa última alternativa fez um calafrio percorrer sua espinha ao imaginar como as coisas poderiam ser mais perigosas e imprevisíveis do que ele imaginava.

Seus pensamentos foram subitamente interrompidos quando as passadas voltaram a ecoar nos arredores e Will viu-se, mais uma vez, completamente tenso e encolhido na fenda, prendendo a respiração. Ele então pode ver as patas do Demogorgon percorrendo exatamente o caminho que o mesmo havia percorrido há poucos instantes, logo sumindo mais adiante como da primeira vez.

O garoto então respirou aliviado novamente, mas não completamente, já que havia ficado extremamente intrigado pelo fato da criatura, aparentemente, estar dando voltas ao redor da área onde ele estava. Teria o monstro sentido que ele estava por perto e resolvido cercar-lhe aos poucos? Ele não tinha como saber... Tudo o que sabia é que as coisas pareciam estar ficando cada vez mais estranhas e perigosas.

O que mais lhe preocupava era o fato de que, se o Demogorgon estivesse cercando aquela área, ele então estaria preso naquela fenda por tempo indeterminado, além do risco óbvio de, mais cedo ou mais tarde, finalmente ser descoberto. No fim das contas, ele não podia fazer nada sobre tudo isso, a não ser contar com a sorte.

O garoto então permaneceu encolhido na fenda, apenas torcendo de todo o seu coração para que o Demogorgon desistisse do seu plano, seja lá qual fosse, e desse o fora dali.

As horas então foram se passando e, para surpresa de Will, as passadas da criatura pareciam ter sumido de vez e o ambiente voltara ao silêncio costumeiro. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, ele olhou seu relógio de pulso e constatou que o mesmo marcava 5:12 da tarde.

O garoto sabia que o momento de sair daquela fenda chegaria mais cedo ou mais tarde, e agora com a área aparentemente vazia e já sentindo as dores costumeiras da posição em que estava tomando conta dos seus músculos, ele resolveu que era a hora de sair e aventurar-se de volta ao Castle Byers.

Com membros trêmulos como vara verde e uma terrível sensação de mãos geladas apertando seu coração e estômago, Will deu início a sua caminhada, atento mais do que nunca a qualquer manifestação da criatura nas redondezas. Seu olhar apavorado investigava cada canto ao alcance da visão à medida que ele ia prosseguindo seu caminho entre as árvores medonhas.

Depois de longos minutos de caminhada, as árvores foram tornando-se um pouco mais escassas e logo ele estava de volta à estrada da Floresta das Trevas. Mais alguns passos e Will pôde avistar os arredores da casa dos Byers. Já ia dando a volta na mesma quando, surgido de algum canto da floresta aos fundos da casa, vinha o Demogorgon à toda velocidade, exibindo sua enorme boca de planta carnívora.

– De novo não! – Will exclamou quase choroso para si mesmo, enquanto tomava o caminho à direita da casa em sua corrida desenfreada.

Depois de alguns minutos, ele viu-se chegando à região da pedreira e, tomado por uma ideia repentina, correu até o lago, entrou na água gélida e escondeu-se atrás de uma das enormes pilhas de pedras que havia na margem. O líquido que agora ensopava a sua calça, entrando em contato com sua pele, fez todos os pelos do seu corpo arrepiarem-se de frio enquanto ele encolhia-se e torcia para que isso fosse o suficiente para despistar o Demogorgon.

Pouco depois o garoto já conseguia ouvir as passadas chegando à região. Subitamente então elas pararam e Will imaginou que a criatura estaria tentando desvendar seu novo esconderijo, mas logo em seguida os passos reiniciaram e para o desespero dele, estavam se tornando cada vez mais próximos.

Sem ponderar muito sobre o que estava fazendo, ele rapidamente mergulhou nas águas do lago, submergindo completamente enquanto sentia todo o seu corpo tremer, em parte por causa da água gelada e em parte por conta do medo quase incapacitante de ser descoberto. Assim então ele permaneceu, prendendo a respiração enquanto escutava os ecos do que estava acontecendo na superfície.

O Demogorgon agora estava incrivelmente próximo e, pelo som dos passos, Will imaginava que o mesmo estivesse na margem do lago ou muito próximo da pilha de pedras à sua frente. O caminhar cessou mais uma vez e pouco depois o silêncio que havia se formado foi quebrado pelo som característico da criatura. Nesse meio tempo o garoto via-se cada vez mais sufocado, tanto pela água quanto pelo medo que revirava-lhe as entranhas.

A falta de ar já estava ficando insuportável quando os passos recomeçaram e foram tornando-se cada vez mais distantes. Quando o silêncio finalmente caiu sobre o lugar mais uma vez, o garoto emergiu, puxando enormes lufadas de ar para seus pulmões com o mesmo desespero e urgência de quem tem a vida por um fio. Imediatamente então ele retornou para perto da pilha de pedras, recostando-se nela enquanto retomava o fôlego e esperava para ver se o ambiente estava completamente seguro.

Algum tempo depois, vendo que o Demogorgon aparentemente havia ido embora de vez e já não aguentando mais o frio que sentia por permanecer com as pernas submersas na água gelada, ele resolveu que era a hora de sair dali. Caminhou então de volta à margem, alcançando a terra firme, sacudiu-se um pouco para tirar o excesso de água da roupa e partiu.

Dentro de pouco tempo ele já estava caminhando por entre as árvores de volta ao Castle Byers. No meio do caminho, alcançou novamente a região da casa dos Byers e nesse momento seu coração gelou diante da expectativa de uma nova investida da criatura, mas a mesma não deu as caras e, mesmo receoso, ele pode seguir seu trajeto em paz.

Os minutos seguintes foram da já costumeira jornada solitária pelo meio da floresta, desta vez apenas um pouco mais gelada do que o normal, já que o garoto ainda estava completamente ensopado. Depois de algum tempo de caminhada ele avistou o pequeno forte ao longe e logo correu de encontro ao mesmo.

Empurrou a cortina com mãos trêmulas, adentrou com toda pressa e jogou-se em cima do edredom azul. Sentia que as horas seguintes seriam “daquelas”, já que ele as passaria completamente molhado e morrendo de frio, mas alegrava-lhe um pouco os ânimos poder contar com um lugar confortável no qual pudesse deitar-se já que as horas anteriores foram, em resumo, um verdadeiro  inferno.

À medida que o stress foi diminuindo, o cansaço foi cada vez mais tomando conta do corpo do garoto que, no fim das contas, sentia-se exausto e, mesmo morrendo de frio, acabou adormecendo sem perceber no seu pequeno forte.

– Will...

Uma voz ecoou ao longe, puxando-o lentamente das águas da inconsciência de volta para a realidade. No começo sua mente entorpecida não deu muita importância, porém logo ele recobrou a consciência da realidade quando sentiu uma mão tocar na sua. Mãos pequenas e delicadas.

Lentamente então ele abriu um pouco os olhos e pode contemplar por um instante, levemente surpreso, que a garota fantasma estava bem ali na frente dele, segurando sua mão direita nas dela enquanto trajava apenas o vestido rosa que ele tinha notado da última vez que a viu.

– Sua mãe... Ela está vindo buscar você.

Era a primeira vez que ele escutava a voz dela e isso fez seu coração sentir-se um pouco mais leve e aquecido já que ela era a primeira figura humana que falava com ele nos últimos dias. Só então se deu conta de que, inexplicavelmente, imaginava que a garota não fosse sequer capaz de tal feito, que ela seria uma figura tão delicada e frágil que sumiria como névoa na menor tentativa de articular uma palavra, mas lá estava ela, tomando a iniciativa do contato e, para surpresa de Will, trazendo novidades sobre a sua amada mãe. “Quem é essa garota?” pensou ele intrigado durante uma fração de segundos enquanto tentava elaborar uma resposta nos seus lábios trêmulos devido ao frio.

– D.. De... Depressa. – Foi tudo o que ele conseguiu dizer.

– Apenas... Apenas aguente um pouco mais, Will... Will... – De repente então ela começou novamente a tornar-se névoa bem na sua frente e no momento seguinte ele já não mais sentia o toque das mãos dela nas suas. Logo a névoa da garota fantasma dispersou-se no ambiente e ele estava mais uma vez sozinho.

A estranheza daquele momento surpreendente fez com que o sono o abandonasse de uma vez só e lá estava ele pensando no que tinha acabado de acontecer, em quem ou o que seria aquela intrigante figura que passeava por ali vez por outra e, principalmente, nas palavras dela.

Segundo a garota, sua mãe estava a caminho e nada nesse momento poderia ter deixado Will mais esperançoso do que uma possibilidade de reencontrar sua família e, quem sabe, sair daquele inferno onde ele tinha ido parar.

O garoto, agora tremendo de frio, passou então os momentos seguintes refletindo sobre isso tudo, revivendo na sua mente o momento do encontro com a garota fantasma enquanto pensava no que ela tinha dito e imaginava como seriam as coisas dali em diante, ficando cada vez mais ansioso.

No fim das contas, porém, ele percebeu que de nada adiantaria perder seu sono e energias pensando em algo sobre o qual ele não tinha o menor controle e, portanto, resolveu que era a hora de tentar dormir mais um pouco. Logo ele lembrou-se da melodia de Should I Stay or Should I Go e em como ela outrora havia lhe ajudado a dormir e então, em meio a espasmos musculares causados pelo frio intenso, ele começou a cantar baixinho:

Darling, you've got to let me know

Should I stay or should I go?

If you say that you are mine

I'll be here 'til the end of time

So you got to let me know

Should I stay or should I go?

Os minutos seguintes então se passaram com ele entretido nas letras e melodias da sua amada música, tentando distrair-se um pouco dos seus pensamentos e do frio que fazia os seus músculos se contraírem em espasmos involuntários. Já começava a sentir-se um pouco mais tranquilo quando, de repente, a criatura emitiu um som grotesco em algum lugar ao longe, fazendo o coração do garoto doer devido ao enorme susto.

Will já podia sentir a descarga de adrenalina agindo no seu corpo ao passo que ele imediatamente levantava-se da posição em que estava, apoiando-se nos cotovelos enquanto fitava com o olhar vidrado a entrada do pequeno forte. Passadas lentas e pesadas agora podiam ser ouvidas ao redor do Castle Byers e logo ele pode ver através das frestas dos galhos das paredes o enorme vulto negro movimentado-se do lado de fora, o qual ele acompanhou com olhos apavorados.

Subitamente então, o som grotesco ecoou mais uma vez no ambiente e tudo ficou silencioso novamente, deixando o garoto aflito e trêmulo enquanto sua respiração ofegava e seu coração pulsava acelerado devido à incerteza desesperadora do que poderia acontecer em seguida. Logo ele descobriria que a sorte dessa vez havia lhe abandonado quando, inesperadamente, a criatura colocou o Castle Byers abaixo de uma só vez, encurralando Will, que agora gritava em desespero.

O Demogorgon imediatamente avançou em cima dele, tapando sua boca com uma das enormes garras enquanto o garoto fitava com olhos arregalados a enorme boca horrenda e fétida que se arreganhava acima dele. Fios de baba escorriam agora para sua face e cabelos e Will teria vomitado de nojo se não estivesse petrificado de medo frente a uma morte que na sua mente era certa.

Já se preparava para dar adeus àquele mundo quando, de repente, ele sentiu o monstro agarrar uma de suas pernas com a garra que estava livre, saindo de cima dele logo em seguida e começando a arrastá-lo dali. Will então teria se debatido em desespero se, não muito depois disso, o Demogorgon não tivesse lhe puxado com enorme violência, fazendo sua nuca ir de encontro a um dos galhos do Castle Byers que agora estava completamente destruído no chão, causando um desmaio imediato.

Sua vida tinha tudo para ter acabado ali mesmo, mas por incrível que pareça, Will viu-se, sabe-se lá quanto tempo depois, despertando num lugar completamente diferente. Assim que recobrou um pouco da consciência, a primeira coisa que notou foi a forte dor de cabeça que ele sentia, mas logo essa percepção foi ofuscada completamente quando ele tomou consciência do ambiente ao seu redor.

Iluminadas pela fraca luz que adentrava por janelas cobertas por cortinas laminadas, o garoto pode contemplar estantes e mais estantes de livros dentre as quais era possível ver, aqui e ali, mesas e cadeiras para estudo. Tudo recoberto pela gosma ressecada que ia desde o chão com padrão em xadrez abaixo dos seus pés, até o pequeno lustre no teto. Ele estava na biblioteca pública de Hawkins, ou pelo menos numa versão bizarra dela.

Já ia levantando-se para reconhecer melhor o lugar e, quem sabe, dar o fora dali quando a criatura apareceu pela porta do grande salão, fazendo Will imediatamente fingir que ainda estava desmaiado. O Demogorgon, para sua sorte, não parecia estar muito interessado nele neste momento.

Por dentre pálpebras semicerradas, o garoto observava apavorado a grande besta, que agora rumava em direção a um canto qualquer da sala e, de dentro de uma grande concentração de gosma, tirava os restos de um cadáver que outrora deveria ter sido um ser humano, deixando Will completamente horrorizado ao contemplá-la arrancando e comendo pedaços da carne sangrenta com a sua boca enorme.

O garoto agora tentava fingir-se inconsciente quando na verdade estava tentando com todas as forças não vomitar ou sair gritando dali. Seus músculos ameaçavam começar a tremer quando um som gutural veio de fora da biblioteca, fazendo com que o mesmo ficasse imediatamente paralisado devido ao susto. Com olhos agora arregalados, ele observava a cena que estava para se desenrolar na sua frente.

Passos arrastados agora ecoavam cada vez mais próximos, chamando a atenção até da própria criatura que há poucos instantes estava fartando-se no seu banquete pavoroso. De repente, ouviu-se um baque e instantes depois Will contemplava, completamente estupefato, uma segunda criatura adentrando a sala rastejando-se pelo chão.

Nem nos seus mais horrorosos pesadelos ele havia cogitado a ideia de estar cercado não apenas por uma, mas sim duas das criaturas. Logo ele percebeu que isso explicava como o Demogorgon havia aparentemente conseguido mover-se tão rápido na estrada ou porque ele teria supostamente percorrido duas vezes o mesmo caminho ao redor da árvore da fenda na qual ele outrora se escondeu: Na verdade eram seres distintos em lugares e momentos diferentes! Essa constatação, no entanto, em nada animou o espírito do garoto, que se via mais chocado e apavorado a cada minuto enquanto a cena inusitada desenrolava-se diante dos seus olhos.

Ele então assistiu a primeira criatura ir imediatamente ao encontro da segunda, agachando-se ao lado dela enquanto a mesma tombava de vez no chão do salão. Um forte cheiro de sangue e carne queimada invadiu as narinas de Will, fazendo seu estômago contrair-se em repulsa, e ele logo constatou que a segunda criatura aparentemente havia sido queimada viva e agora estava no seu leito de morte.

Will teria se alegrado pelo fato de agora haver uma criatura a menos se o que aconteceu a seguir não tivesse feito seu coração gelar de medo. Quando a segunda criatura já se encontrava completamente inerte no chão, a primeira tomou-a em suas enormes garras, emitindo logo em seguida um berro ensurdecedor que o garoto teria reconhecido como o som mais mortífero da face da terra se ele não tivesse notado uma outra coisa em todo aquele barulho: Dor e lamento.

A primeira criatura então agarrou a segunda por uma das patas inferiores e começou a arrastá-la para fora da biblioteca, deixando Will mais uma vez sozinho. O garoto permaneceu alguns instantes deitado, tentando processar todos os acontecimentos e informações que haviam sido revelados bem na sua frente, mas logo percebeu que toda aquela situação poderia ser sua única chance de escapar daquele lugar e então tratou de pôr-se em movimento.

De imediato, levantou-se e foi caminhando lentamente em direção à entrada do salão. Seu coração agora batia cada vez mais rápido e sua respiração já começava a falhar devido ao risco que aquela empreitada oferecia. Se a criatura que sobrou resolvesse dar as caras enquanto ele ainda estava dentro da biblioteca, seu destino certamente não seria dos melhores.

Depois de uma rápida olhada para ver se o cômodo seguinte estava seguro, ele prosseguiu tentando fazer o mínimo de barulho possível enquanto caminhava em meio a todos aqueles tentáculos de gosma e estantes de livros. Cômodo após cômodo então, ele foi avançando, cada vez mais próximo da entrada da biblioteca e, assim que alcançou o grande portal, deu uma espiada nos lados esquerdo e direito da rua para checar se a mesma estava vazia e, percebendo que tudo estava silencioso como num túmulo, ele viu que era o momento do “tudo ou nada”.

Saiu correndo desabalado pela entrada da biblioteca, descendo as escadas à toda pressa e prosseguindo pela área calçada logo à frente. Já estava alcançando os postes de iluminação que ficavam na frente da enorme construção e estranhamente funcionavam, prestes a ganhar as ruas quando, para sua surpresa, a criatura surgiu de um dos lados do prédio, correndo à toda velocidade e, dentro de poucos segundos, alcançou-o, derrubando-o no chão.

Will agora observava, petrificado devido ao pânico, a enorme criatura raivosa rugindo em cima dele. Estava certo de que ela acabaria com ele a qualquer momento e sem o menor esforço, quando, subitamente, a mesma apoiou a enorme garra esquerda contra seu pescoço, bloqueando a entrada de ar na sua garganta. Estava asfixiando-o.

O garoto então começou a debater-se devido à agonia crescente da falta de ar, que só intensificava-se devido ao desespero que ele sentia enquanto o Demogorgon rugia e babava em cima dele. Dentro de pouco tempo, a agonia foi dando espaço a um torpor cada vez maior, que ele sabia que em pouco tempo evoluiria para a total perda dos sentidos.

Sua visão começava a ficar turva quando ele aleatoriamente notou algo no braço esquerdo da criatura, pouco acima da enorme garra que o sufocava. Num último esforço, apertou um pouco as pálpebras para poder enxergar melhor aquela mancha curiosa e teve somente o tempo de constatar que a mesma era uma espécie de símbolo ou número no braço da besta antes de ser arrastado de vez para as águas plácidas e poderosas da inconsciência...


Notas Finais


Último capítulo sai em breve! Espero que tenham curtido a leitura e até a próxima!


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