História A Perfeita Imperfeição de Existir - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hidan, Itachi Uchiha, Kabuto, Kankuro, Konan, Naruto Uzumaki, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Pain, Pein, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Shizune, Temari, Tsunade Senju
Tags Akatsuki, Drama, Naruto, Revelaçoes, Romance, Sakura, Sakuraharuno, Sasori, Sasoriakasuna, Sasosaku, Sasuke, Uchiha
Exibições 55
Palavras 3.433
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Super Power
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá pessoal! Quero agradecer a todos e todas que vêm acompanhando esta jornada para lá de maluca😁 Obrigada mesmo, gente! Vocês não sabem o quanto me fazem feliz!!

Quanto a este capítulo, está fixado no ponto de vista de Sasori. Acho que está na hora de sabermos um pouco do que se passa na cabeça do nosso amado ruivinho, não é? Sem mais enrolação, vamos lá!!!

Capítulo 14 - Décimo Quarto Ato


Sasori assistiu Sakura ir embora, a porta clicando suavemente atrás dela. Era uma sensação estranha; ele estava sozinho no apartamento, mas sabia que a equipe de guardas da ANBU estava vigiando do lado de fora, pronta para incapacitá-lo se ele tentasse algo fora da regularidade. Sasori suspirou cansado, deixando seus olhos se fecharem. Era tudo tão ridículo, realmente. Ali estava ele, preso como um animal sem saída, aguardando uma execução em data ainda não determinada. E, ao mesmo tempo, estava sendo coagido a compartilhar suas habilidades de jutsu e marionetes com a aldeia que havia abandonado há tantos anos. Ele esfregou um dos braceletes de prata supressores chakra, olhando pensativo.

 

 

Não era que Sasori estivesse tão chateado com seu novo papel como mestre. Na verdade, ele teria sido ofendido se Kankuro não tivesse se aproximado dele com essa proposição. Mas isso não significava que tinha que obedecer. Foi o que Kankuro disse que o fez repensar sua posição.

 

Flashback:

 

Sasori sentou-se na cela fria e suja, parecendo apático e cansado do mundo. Era o terceiro dia. Ele morreria pela segunda vez, mas dessa vez não haveria volta. Ele sorriu amargamente ao pensar. Era igualmente bom, também, se ele pudesse escapar de sua humanidade miserável para o bem. Aquela menina de cabelos cor-de-rosa era uma médica talentosa, sem dúvida, mas mesmo ela não consegueria levantar os mortos. Depois da execução, tudo acabaria.

 

— Sasori — uma voz masculina puxou-o de seus pensamentos.

 

O ruivo ergueu os olhos para ver a silhueta de Kankuro pairando sobre ele brevemente antes de sentar-se diante dele.

 

— Vem dizer adeus? — Sasori disse sem humor.

 

— Francamente, eu estou chocado por você estar desistindo tão facilmente. Você é um titiriterista de classe mundial, não algum inútil que deixa os outros decidirem seu destino sem mesmo dar-lhes uma luta.  Onde está o mestre shinobi que chegou a negociar seu corpo humano por uma chance de imortalidade? 

 

— Mudança de planos.

 

— Besteira.

 

Os dois titiriteros se entreolharam.

 

— Ainda há muito que você pode fazer — disse Kankuro, quebrando o concurso. — Você tem uma segunda chance aqui.

 

— Preciso lembrar que dentro de algumas horas eu vou deixar de existir? Permanentemente, desta vez.

 

— E se eu dissesse que esse não é o caso?

 

— Então eu chamaria você de mentiroso, porque Suna não me deixará viver enquanto eu for cativo.

 

— Posso ver por que Sakura está arrancando os cabelos fora. — Kankuro riu. — Você não é a pessoa mais fácil de conversar.

 

— Não tenho vontade de conversar ociosamente, Kankuro. Se você não tem nada de útil a dizer, vá embora.

 

— Tenho uma proposta para você.

 

Quando Sasori não reconheceu suas palavras, Kankuro decidiu continuar.

 

— Lembra-se que eu lhe falei sobre a brigada de marionetes? Bem, os altos têm falado há muito tempo sobre como recuperá-la, ela costumava ser uma divisão de elite das Forças Especiais de Suna no seu tempo, Sasori. Seria imperdoável deixar a técnica das marionetes desaparecer quando foi desenvolvida aqui mesmo nesta aldeia, há mais de um século.

 

— Eu sei a história, criança.

 

Kankuro tomou o leve insulto em passo, aparentemente imperturbável.

 

— Eu sei como você é impaciente, então eu vou cortar a enrolação. — Ele encontrou os olhos de mel de Sasori através da escuridão da cela. —Eu quero que você nos treine, a brigada de bonecos. Não há um mestre da técnica de marionetes vivo em Suna, e eu sou um substituto pobre ao seu lado, Sasori. Você tem a experiência que precisamos para o progresso. Em troca, você será levado para fora deste lixo e posto em condições de vida normais, isso sem falar que serão encerrados os interrogatórios, é claro.

 

Sasori manteve o rosto neutro. Se ele fosse completamente honesto consigo mesmo, teria visto isso acontecer. Kankuro havia mencionado a brigada de marionetes na última vez que o vira, e Sasori sabia melhor do que ninguém que sem Chiyo e ele não havia mestre para suceder a técnica. Ainda assim, ele ficou surpreso com o fato de que o Kazekage iria tolerar isso.

 

— Então o Kazekage está desesperado o suficiente para contratar os serviços de um traidor... Estou lisonjeado.

 

— Sua execução será adiada indefinidamente.

 

Sasori olhou para o ninja mais jovem em silêncio. Indefinidamente, hein? Ele não gostou do som disso.

 

— Por que eu deveria prolongar o inevitável? É um desperdício de tempo e energia. E eu quase não vejo o benefício para mim.

 

— É uma oportunidade para acabar com essa tortura e interrogatórios. Gaara entende que você não vai ceder, não importa o que os interrogadores façam.

 

— Então esta é apenas outra maneira de obter informações de mim.

 

Kankuro suspirou.

 

— Se você quiser pensar nisso dessa maneira, tudo bem; no entanto, prefiro ver a coisa toda pelo que realmente é: uma oportunidade para você fazer algo grande.

 

— Não tenho vontade de fazer nada por esta aldeia.

 

— Nós dois sabemos que você é a única pessoa capaz de passar a técnica de marionetes do jeito certo, Sasori; pense nisso, esse será o seu legado para o mundo.

 

— Meu legado? — zombou. — Isso morreu quando Chiyo-baa e aquela menina terminaram minha meia-vida em forma de marionete.

 

— Você está errado, eu sei que você acha que falhou, eu entendo. Entendo também esse desejo de criar algo intemporal, para ser lembrado. Mas você não falhou. Ainda tem uma chance...

 

— Chega — disse Sasori em voz baixa. — Você não sabe nada sobre isso.

 

— Eu tenho estudado suas criações desde que eu era criança. Tem sido minha vida como um shinobi. Tudo o que você fez, todas essas criações, ainda estão aqui. Continuam, mesmo depois que você deixou a aldeia e abandonou sua vida humana — disse, exasperado.

 

Sasori apenas observou o shinobi mais jovem, quase com curiosidade.

 

— Nós todos morremos. O objetivo não é viver para sempre, é criar algo que seja eterno, você não entende? Essas criações em que você colocou seu coração e sua alma são o seu legado... Elas inspiraram outros, a próxima geração, para continuar a tradição.

 

As palavras de Kankuro tomaram um tom sério, enquanto ele suplicava ao shinobi mais velho para entender. Sasori desviou o olhar, mas não conseguiu encontrar as palavras para interromper o discurso de Kankuro.

 

— Esta é a sua chance de se tornar eterno, Sasori. Se você treinar a brigada, a técnica será passada para a próxima geração junto com suas criações. Isso irá imortalizá-lo de uma forma que transformar-se em um boneco nunca poderia. Viverá para sempre nas memórias e performances das gerações vindouras.

 

Um pesado silêncio desceu entre os dois shinobi, enquanto as palavras de Kankuro ficavam penduradas no ar, com o peso batendo em Sasori. Por um segundo desprotegido, um flash de emoção crua passou por seus olhos. Ele foi realmente tocado pelas palavras de Kankuro, e não tinha o que dizer em troca. Sabia que tinha falhado em sua ambição de se tornar uma verdadeira arte e quase se resignou a esse fracasso e suas conseqüências. Mas talvez ainda houvesse uma maneira de dar um fim digno à sua saga. Talvez…

 

Sasori riu baixinho, muito para a surpresa de Kankuro.

 

— A próxima geração... — ele disse suavemente para si mesmo.

 

— Basta dar uma chance, o que você tem a perder?

 

— Kankuro, você cresceu.

 

Kankuro piscou para o ruivo, inseguro se se tratava de um elogio ou apenas de uma simples declaração de fato. Sasori deixou sua cabeça inclinar-se para trás até que encontrou a parede de pedra atrás dele, olhou fixamente para o teto.

 

— Tudo bem, aceito sua proposta.

 

Sasori estava acreditando nas palavras de Kankuro, e este sentiu a pressão da responsabilidade como um peso bem-vindo em seus ombros. Era bom saber que Sasori o respeitava o suficiente para lhe dar uma chance.

 

— Mas eu espero que me seja dado o passe livre para decidir até onde o treinamento vai.

 

— Você o tem, eu prometo que não será uma perda de tempo.

 

Ele estendeu a mão para Sasori, que a espiou por um momento antes chegar para aceitá-la. Eles apertaram as mãos, selando o negócio.

 

— Não. Vou me certificar disso — disse ele suavemente.

 

Fim do Flashback.

 

 

Sasori tocou um antebraço de madeira, lembrando-se do negócio que fizera com Kankuro meio mês antes. Até esse momento, parecia que seus esforços não tinham sido em vão. Na verdade, era refrescante voltar a treinar, mesmo que fosse principalmente técnica e teórica, em vez de treino de sua parte. Os alunos eram sombrios, na melhor das hipóteses, mas Kankuro não mentiu quando disse que eram aprendizes entusiasmados. Agradou Sasori um pouco saber que respeitavam a técnica de marionetes o bastante para trabalhar duramente nela. E era óbvio que eles estavam aprendendo a reverenciá-lo por sua perícia. Bem, isso era de se esperar, no entanto.

 

— Uma herança intemporal para a próxima geração. Talvez seja uma espécie de imortalidade — sussurrou para si mesmo.

 

As palavras de Kankuro tinham realmente ressoado com ele, e se não fosse por isso, provavelmente teria exigido a execução. Mas acima de tudo, Sasori ainda reconhecia aquele vislumbre de emoção que passou a sentir após as palavras de Kankuro. Ele queria acreditar nelas, então decidiu dar uma chance. E mesmo que admitisse só de má vontade e nunca em voz alta, parecia que Kankuro poderia estar certo. Talvez essa fosse uma maneira de alcançar a imortalidade

 

Uma batida na porta chamou sua atenção e franziu o cenho ligeiramente. A médica voltou tão cedo? Ele se moveu rapidamente para atender a porta, mas sentiu uma incompreensível sensação de deflação ante a visão diante dele. Não era a adolescente de cabelos cor-de-rosa, mas um homem muito velho. Seus olhos se estreitaram em reconhecimento.

 

— Ebizo-ji.

 

Os olhos afundados do velho olhavam para Sasori, refletindo sua aparência alterada. Aqueles olhos sempre haviam sido desagradáveis, como dois buracos negros.

 

— Então é verdade, meu precioso sobrinho-neto voltou.

 

Sasori apertou os lábios.

 

— Não por escolha.

 

— Gostaria de saber se eu poderia incomodá-lo para me convidar para entrar. Fazia um tempo tão longo.

 

Sasori nunca foi muito próximo de Ebizo, ao contrário de sua avó. O irmão mais novo de Chiyo sempre fora cordial com Sasori quando era criança. Seus instintos lhe disseram para afastar o velho, mas ele estava ligeiramente intrigado pela visita de Ebizo. Uma pequena parte dele se perguntava o que o ancião poderia desejar. Bem, Sasori nunca foi um tipo de recusar visitas, mesmo do pior tipo. Ele se afastou, percebendo como os olhos de Ebizo se arregalaram ligeiramente ao convite não dito. Talvez o velho pensasse que Sasori não o permitiria passagem.

 

— Obrigado — ele murmurou.

 

Sasori olhou ao redor. Notou um guarda ANBU assistindo tudo, um aviso silencioso. Ele fechou a porta sem pensar outra vez. De volta para dentro, se virou para ver Ebizo olhando para a mesa empilhada com partes de bonecos e ferramentas.

 

— Vejo que você ainda gosta de manter suas mãos ocupadas.

 

— O que você quer?

 

Ebizo se virou para olhar para Sasori, realmente admirando sua aparência.

 

— Você é humano de novo, eu ouvi do Kazekage. Eu teria vindo mais cedo, mas eu estava... desanimado.

 

Sasori observou o velho e decidiu sentar-se à mesa. Ebizo seguiu seu exemplo, sentado diante de seu sobrinho-neto.

 

— Se você está aqui para recordar, eu não estou interessado.

 

— Você sempre foi muito impaciente.  Chiyo sempre reclamou disso quando você era apenas um garoto.

 

Sasori cerrou o punho com a menção de sua avó morta.

 

— Então, é disso que se trata. Você está sozinho depois que eu matei Chiyo-baa, então veio aqui para procurar o único parente que lhe resta.

 

Ebizo suspirou cansado, mas não fez nenhuma indicação de que estava ofendido. Sasori inclinou a cabeça, imaginando o que o velho estava pensando.

 

— Eu nunca aprovei que ela o enganasse. Você era apenas um menino, mas eu não achava que tal atitude estava certa.

 

Sasori ficou muito quieto. Ele não esperava isso. A lembrança de como Chiyo tentou encobrir a verdade sobre as mortes de seus pais para proteger a mente de seu filho impressionável o deixou zangado, mas na superfície ele manteve aquela face fria e distante que havia passado tantos anos aperfeiçoando.

 

— Mas ela não me ouviu, disse que estava protegendo você. No entanto, nunca me conformei com a ideia. Eu realmente lamento que eu não pude convencê-la a contar-lhe a verdade.

 

O que o velho estava tocando? Se ele estava tentando obter algo da afeição de Sasori, estava falhando miseravelmente.

 

— Eu não deveria estar aqui, mas quando ouvi que a médica de Konoha conseguiu revivê-lo, e que você está aqui e treinando a brigada de marionetes, eu tinha que ver por mim mesmo.

 

Ebizo estendeu a mão para dentro das dobras de sua túnica de mangas compridas, procurando por algo. Curioso, Sasori observou seus movimentos intensamente. Depois de alguns momentos, Ebizo puxou um quadro, suas mãos fracas tremendo. Lentamente, colocou-a sobre a mesa e empurrou-a para seu neto. Sasori olhou para a foto e sua garganta se aninhou em uma inusitada onda de emoção.

 

Era uma foto dele como um menino, cercado por sua família. Seus pais seguravam suas mãos; Chiyo e Ebizo também estavam presentes. Todos pareciam bastante calmos, e Sasori tinha um sorriso brilhante no rosto. Lembrou-se do dia em que a foto fora tirada, há tantos anos, pouco antes de seus pais partirem em uma missão que seria a última para eles. Ele era um menino de cerca de oito anos. Seus olhos cor de mel focaram-se nos afundados de Ebizo, rangendo os dentes.

 

— Eu acho que você deve ficar com ela— Ebizo disse.

 

— Eu não preciso disso, e acho que é hora de você ir.

 

— Sasori, o que você fez é imperdoável, e eu sei que será executado por seus crimes; porém, você ainda é meu sobrinho-neto, minha família.

 

Sasori se levantou e caminhou até a porta, abrindo-a num sinal claro de que não queria mais que seu avô estivesse ali. Ebizo suspirou cansado, mas levantou-se e caminhou para a porta aberta. Antes de sair, porém, ele se virou para seu neto e lhe deu um sorriso triste.

 

— Eu sei o quão solitário você sempre esteve. Um dos meus maiores arrependimentos foi fazer tão pouco para aliviar essa dor quando tive a chance.

 

— Você não sabe nada de dor, velho. Saia!

 

— Sasori, você nunca esteve realmente sozinho, e não está agora.

 

— Saia, ou eu vou jogá-lo para fora daqui!

 

Ebizo assentiu tristemente, saindo pela porta. Sasori odiava sua compaixão. Estúpido velho, como ele poderia entender? Ele permaneceu nessa aldeia abandonada, cercado por pessoas que tomavam conta dele, o respeitavam. Nunca sentira a dor esmagadora da solidão. Assim que Ebizo saiu, Sasori bateu a porta atrás dele. Ficou ali, disposto a se acalmar por vários minutos. As emoções humanas eram verdadeiramente um fardo, e agora que ele era humano novamente sentia o peso delas em seus ombros como uma tonelada de tijolos. Se fosse honesto consigo mesmo, ele sabia que nunca tinha sido realmente capaz de se separar das emoções humanas, mesmo quando se tornou em um boneco. Era irônico, realmente, mas, como humano, isso era muito pior.

 

Ele se virou, percebendo que seus ombros caíam com exaustão. A tensão em seu corpo era quase insuportável. Estava constantemente desgastado, e intuitivamente sentiu que algo estava muito errado com seu coração restaurado. Todavia, guardou para si mesmo. Seria melhor que seu corpo falhasse antes que Suna tivesse uma chance de executá-lo. Algo na mesa chamou sua atenção, e ele percebeu que Ebizo tinha deixado o porta-retratos . Sasori aproximou-se lentamente da mesa e cuidadosamente pegou a foto, estudando os rostos de sua família. Sua versão em forma de criança parecia tão feliz, como se não tivesse preocupações no mundo. Um sorriso amargo sacudiu seus lábios.

 

Ebizo não entendia essa dor. As profundezas aféticas de sua solidão o levaram a medidas extremas, todas na esperança de encontrar algum tipo de fuga. Mas ele falhou no final. Ver suas marionetes "mãe" e "pai" depois de tantos anos o afetou de uma maneira que ele nunca pensou ser possível, e percebeu que mesmo como um boneco supostamente insensível, tudo o que ele realmente queria era sentir um amoroso abraço de seus progenitores, apenas uma vez mais. 

Não era tão ruim morrer assim, pensou ele, mesmo que seu próprio momento de fraqueza o desgostasse. Verdadeiramente, nunca poderia escapar da dor roendo devido ao isolamento, não importava o quão poderoso ele se tornasse, não importava quantos bonecos ele adicionasse à sua coleção. 

 

Ele tocou distraidamente o dedo no vidro frio do quadro: frio e morto, assim como Chiyo e seus pais. No fim, todos os seus maiores desejos não transpassaram as barreiras dos sonhos. Sua realidade sempre foi amaldiçoada. Entretanto, nada mais tinha relevância. Tinha chegado ao fundo do poço: passaria seus últimos dias amarrado, treinando a brigada de marionetes e agarrando-se pateticamente a uma vida que não era sua, até que os superiores decidissem que não era mais útil. Deidara teria zombado de sua situação.

 

Sasori franziu a testa com a lembrança de seu velho parceiro, sabendo que o loiro o teria repreendido por sua conformidade, preferindo "resolver tudo com um estouro", assim como as explosivas esculturas de barro que ele insistia que representavam a verdadeira arte. A memória de suas muitas discussões encheu-o com uma nostalgia estranha. Mas isso também foi outro momento, outra vida. Não era nem aqui nem lá. Os rostos sorridentes da velha foto pareciam zombar dele, mas não podia desviar o olhar. Era desprezível, como ainda desejava tê-los. Mas isso, ele supunha, era a humanidade da qual nunca poderia escapar, não importa o quanto tentasse. A solidão perpétua não lhe daria descanso nem prorroga.

 

Uma imagem de Kankuro e Sakura passou pelo olho de sua mente, espontaneamente, as duas pessoas com quem ele estava interagindo mais. Realmente, eles eram os culpados por Sasori estar em semelhante situação. Ele poderia ter aceitado uma rápida execução para tirá-lo de sua miséria de uma vez por todas, mas não. E a pior parte era que ele deixara Kankuro convencê-lo de que essa era uma opção melhor. Mas Sasori sempre soube sofrer de delírios de grandeza (uma das consequências de ser agraciado com o espírito artístico). E uma parte pequena e traiçoeira dele ainda queria comprar essas ilusões. Provavelmente morreria, sim, mas não iria sem imortalizar sua existência primeiro. Faria o que Kankuro lhe pedira para fazer, mesmo que fosse por suas próprias razões egoístas. Não queria ser esquecido, porque apenas provaria que ele estava verdadeira e completamente sozinho. Não, se as pessoas pudessem se lembrar dele, e se ele pudesse transmitir suas criações para a próxima geração, talvez isso fosse suficiente para lhe dar um propósito eterno que tanto desejava.

 

E Sakura, bem, ele sabia que estava apenas usando ela, também. A garota proporcionava-lhe um pequeno refúgio de sua solidão, e por causa disso não se importava com a presença dela. Admitia que ela era bonita, também, apesar de sua mortalidade, e Sasori sempre tinha um gosto apurado para perceber a beleza. Concedido, ela era quase quixotesca em seu idealismo, ainda assim o procurou, falou com ele. Às vezes, se Sasori se esforçasse o suficiente, poderia até ignorar o fato de que ela estava fazendo tudo isso por causa de sua missão, não porque realmente queria. Não que isso importasse, de qualquer maneira. Ele aproveitaria o máximo que pudesse, como sempre fizera. Sabia que Sakura era compassiva, quase tolamente, e isso serviria para seus propósitos. Sasori nunca gostou de ficar sozinho, e a presença da konoichi cumpria uma necessidade tácita de sua parte. Isso era suficiente. Tinha que ser o suficiente.

 

Ele traçou as linhas dos rostos sorridentes no quadro novamente, deixando seus pensamentos sobre o passado. Não tinha mais aquela vida, e tinha que ser suficiente repassar seu legado para a próxima geração. Mas em algum lugar lá no fundo, desejava algo mais satisfatório (um tipo mais íntimo de existência). Deveria ser seu corpo humano e seus desejos naturais. Um corpo humano procura conexões com outros, física e emocionalmente, e achava muito taxativo para reprimir tal impulso natural. Deixou um mau gosto em sua boca. Pensou novamente em Kankuro e Sakura. Em algum lugar nos cantos mais escuros de sua mente, ele deixou seus pensamentos traidores florescerem. Poderiam distraí-lo de sua solidão, se apenas um pouco? Poderiam ser mais? Ele poderia ser mais?

 

Esfregou a têmpora com força, empurrando aqueles pensamentos de volta para seu canto escuro e frio. Mesmo que pudessem ser mais, isso nunca aconteceria. Nunca poderia acontecer. Delírios de grandiosidade faziam cócegas nos cantos de sua consciência, tentando cruelmente ele. Agarrou o quadro até que suas mãos doessem para dissipar-los. Não, mesmo que quisesse que eles fossem mais do que eram, isso nunca poderia acontecer.

 

E por alguma razão, aquela dura realidade o fazia sentir-se pesado de inexplicável desespero.



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