História A primeira chance - Lutteo - Capítulo 38


Escrita por: ~

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Categorias Sou Luna
Personagens Delfina, Gaston, Luna Valente, Matteo, Nina, Pedro, Simón
Visualizações 292
Palavras 2.707
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Bom tô postando como um bônus extra...😉😉 Boa leitura...😊😊

Capítulo 38 - Capítulo 3


Pov Matteo 

“Mensagem de número 55. Todos os dias eu penso que será o último dia que a ligação vai cair na sua caixa postal. Que você vai acabar me atendendo. Eu só quero ouvir a sua voz e saber se você está bem e feliz. Quero você feliz. Estou infeliz. Não consigo dormir. Eu só penso em você. Sinto a sua falta, gata. Sinto muito a sua falta. Dói demais. Seria bom pelo menos saber que você está bem e com saúde. Gastón me garantiu que você está, mas preciso ouvir isso de você. Qualquer coisa... eu faço qualquer coisa. Só fale comigo.”

Piiii.

Eu odiava aquele som. Ele zombava da minha dor e encerrava os poucos segundos em que eu sentia que Luna estivesse me ouvindo. Mas, de qualquer maneira, ela provavelmente não estava nem escutando minhas mensagens. Eu tinha quase certeza de que ela já teria me ligado a essa altura se houvesse escutado pelo menos uma das minhas mensagens desesperadas. Ela não conseguiria me ignorar.

Gastón dissera que ela não estava na casa de Mônica, no México, mas eu estava quase decidido a visitar Simón e descobrir o que ele sabia. Não me importava com a segurança extra da qual havia sido alertado. Não me importava de ir para a cadeia se antes conseguisse algumas respostas. Eu daria qualquer coisa para saber onde Luna estava.

Meu telefone tocou e, por um instante, meu coração parou. Por uma fração de segundo, me permiti esperar que fosse Luna, muito embora, no fundo, soubesse que não podia ser ela. Olhei para o telefone e vi o nome de Gastón brilhando na tela. Ele não era Luna, mas era a única conexão que eu tinha com ela no momento.

- O que foi? – disse ao telefone, olhando fixamente para o teto.

- Não sei bem por que ainda ligo para você, seu chato ranzinza – respondeu Gastón.

Eu também não sabia. Mas, se ele ligava, eu logo atendia. Mesmo que Gastón não tivesse ideia de onde Luna estava, ele era o único com quem eu conseguia falar sobre isso. Sentia que só ele podia me compreender. Na verdade, talvez fosse a única pessoa capaz de entender quanto eu estava arrasado.

- Está tarde – falei.

- Não está tão tarde. Nina acabou de subir para fazer Nate dormir

Gastón tinha essa vidinha feliz agora. Uma mulher que ele idolatrava. Um filho que adorava. Eu ficava feliz que ele tivesse tudo o que sempre quis. Nenhum de nós havia conhecido uma família normal e saudável. Agora ele conhecia. Agora tinha isso. Mas eu... Talvez fosse possível quando Luna ainda estava aqui. Talvez.

- Sei que não está a fim de falar, mas só estou ligando para saber como você está. Nina me disse para ligar e checar como você estava antes de ela subir.

Pelo jeito, Nina realmente havia me perdoado. Queria poder dizer a Gastón que eu estava bem. Que eu conseguia respirar normalmente e que meu peito não doía o tempo todo. Que eu não me sentia perdido e desamparado. Mas eu não podia dizer isso a ele. A verdade era que eu precisava de Luna.

- Você ficou bem quando Nina deixou você? – perguntei a ele, já sabendo a resposta.

Eu estava lá. Eu o havia obrigado a sair de casa.

- Não – respondeu ele. – Você sabe que eu fiquei um lixo.

- É – foi minha única resposta.

Naquela época, eu não o entendia. Mas agora tudo fazia sentido. Ele ficara em pedaços, e todos esperavam que seguisse como se tudo estivesse normal, agarrado à esperança de que ela voltaria.

- Desculpe por fazer você sair de casa naquela época. Eu não entendia.

Gastón soltou uma risada baixa e triste.

- Acho que me ajudou um pouco. Não precisa se desculpar. Ficar lá parado pensando no assunto teria me deixado ainda pior. Eu não tinha um trabalho com que me distrair todos os dias como você.

- Você falou com ela? – perguntei, sem conseguir me conter.

Eu precisava de alguma coisa. Qualquer coisa.

- Ela está bem. Está em segurança. E perguntou como você estava. Eu disse que estava um trapo, que não estava muito bem.

Se estivesse escutado minhas mensagens na caixa postal, ela já saberia disso. Eu não escondia nada quando ligava para ela. Estava sendo totalmente sincero, expondo a minha alma.

- Algum dia ela vai me perdoar? – perguntei, fechando os olhos, com medo da resposta.

- Ela já perdoou. Só não está pronta para se abrir de novo ainda. Ela está lidando com muita coisa no momento. A mãe dela e Berni, depois isso... só dê um pouco mais de tempo para ela.

Se ela havia me perdoado, por que não estava ouvindo minhas mensagens? Por que não atendia quando eu ligava?

- Diga que eu só quero ouvir a voz dela. Ela não precisa conversar muito tempo comigo... só um minuto. Eu quero dizer que a amo. Quero dizer que sinto muito. Eu... só preciso dizer que preciso dela.

Gastón ficou em silêncio por um instante. Qualquer outro teria feito piada sobre quanto eu havia me tornado vulnerável. Não ele.

- Vou dizer isso a ela. Durma um pouco. Ligue para mim e dê notícias. Nina fica preocupada.

Senti um nó na garganta. Nós nos despedimos e eu larguei o telefone no peito e fechei os olhos, deixando imagens de Luna preencherem meus pensamentos. Eram tudo o que eu tinha agora.

(***)

Pov Luna 

- Seu telefone está tocando – avisou Simón ao sair na minha direção estendendo o telefone.

Eu estava sentada no balanço que ficava pendurado no quintal desde que éramos crianças, sozinha com meus pensamentos.

- Quem é? – perguntei, com medo de olhar.

Eu estava perdendo o autocontrole. Se fosse Matteo, não tinha certeza de que ainda conseguiria ignorá-lo.

- Nina – respondeu Simón, atirando o telefone no meu colo. – Estou indo para o celeiro. Tem ração chegando, e eu preciso mostrar ao Thomas as funções dele agora que ele está instalado. Você precisa falar com Nina. Depois, pense em ligar para Matteo.

Toquei no botão de atender e levei o aparelho ao ouvido.

- Alô?

- Ei. Faz dias que não tenho notícias suas. Queria saber como estão as coisas.

Nina ainda não sabia da gravidez. Eu confiava nela para tudo, menos para manter algo em segredo de Gastón. Ela contaria para ele, e eu sabia que Gastón contaria para Matteo. Ele não conseguiria ficar calado. Então vinha mantendo o bebê em segredo.

- Estou bem – respondi, sem acreditar na minha própria voz. – Como estão as coisas por aí? – perguntei, não conseguindo pronunciar o nome dele.

- Você quer dizer como está Matteo? Ele não está bem. Ainda do mesmo jeito. Muito trabalho e pouco sono. Não conversa com ninguém além de Gastón e agora implora diariamente que diga onde ele pode encontrar você. Ele está um trapo, Luna. Precisa ouvir sua voz.

Senti meu coração apertar e pisquei para afastar as lágrimas. Saber que ele estava sofrendo era difícil. Mas como eu poderia ligar e não desmoronar e dizer quanto eu sentia sua falta? Isso não ajudaria em nada. Ele apenas ficaria mais magoado quando eu me recusasse a dizer onde estava.

- Eu não estou pronta – disse a ela.

Nina soltou um suspiro, e eu ouvi a risada de Nate ao fundo. A risada de um bebê era tudo de que eu precisava para lembrar a mim mesma por que não podia deixar Matteo saber o que estava acontecendo.

- Nina, posso perguntar uma coisa para você? – A pergunta saiu da minha boca antes de que eu pudesse me segurar.

- É claro – respondeu ela.

A vozinha de Nate começou a cantarolar “Papa” sem parar.

- Só um minutinho. Gastón acabou de chegar, e Nate fica muito empolgado quando vê o pai. Deixe-me ir para outro lugar – disse Nina.

Eu queria o que Nina tinha. Mais do que qualquer outra coisa, eu queria aquilo. Queria ver Matteo com nosso bebê. O filho que concebemos. O filho que estava dentro de mim. Mas será que Matteo iria querer isso?

- Pronto, posso ouvir melhor agora. O que você quer me perguntar?

Fechando bem os olhos, torci para não estar cometendo um erro.

- Antes de Nate nascer, você teria dado sua vida pela dele? Você o amava a esse ponto?

Nina não respondeu. Ela ficou em silêncio por vários segundos, e eu comecei a pensar que havia falado demais. Que ela iria descobrir por que eu estava fazendo essa pergunta.

- Ele era uma parte de Gastón e de mim. Eu faria qualquer coisa por ele desde o instante em que soube que estava dentro de mim. Então, sim – respondeu ela.

Ela falou lentamente e um pouco contra a vontade, mas eu sabia que estava sendo sincera. Também sabia que compreenderia a minha escolha.

- Mas Gastón não teria pensado a mesma coisa – acrescentou.

A emoção trancando minha garganta dificultou a resposta.

- É. Achei que não. Eu, ahn, preciso ir. Falo com você depois.

Não esperei que ela respondesse antes de encerrar a ligação. Larguei o telefone no colo e cobri o rosto com as mãos, liberando a tristeza. Solucei pela vida que eu talvez não pudesse dar ao meu bebê, pela possibilidade de não estar presente se ele nascesse e pela família que eu queria tanto com Matteo, mas temia que jamais pudesse ter. Chorei até secarem todas as lágrimas. Até eu não conseguir mais chorar. Então cobri a barriga com as mãos e fiquei ali sentada enquanto a brisa secava meu rosto molhado de lágrimas. Estava na hora de encontrar a força de que precisava para levar isso adiante. Dizer que eu não tinha medo de morrer era mentira. Eu estava apavorada, mas iria encarar as consequências se com isso o bebê dentro de mim pudesse viver. Esta vida era parte de mim e do homem que eu amava. O único homem que eu poderia amar.

Antes de conhecer Matteo, eu não sabia o que era estar completamente apaixonada. Via casais e sonhava acordada com o dia em que um homem iria olhar para mim com devoção e adoração. Imaginava caminhar até o altar na direção de alguém que enxergasse e amasse apenas a mim. Um homem que me amasse apesar de toda a minha estranheza. Que amasse a mim e ao meu coração imperfeito. Por um momento, eu tive certeza de que o havia encontrado.

Meus pensamentos foram interrompidos pela caminhonete Dodge vermelha de Mônica. Ela vinha pela estrada de cascalho que levava da casa branca da fazenda até a casa de madeira de Simón. Fazia alguns dias que Mônica não passava por ali. Thomas estava sendo uma boa distração para ela. Eu sabia que minha próxima consulta se aproximava. Os médicos queriam me ver todas as semanas, já que a gravidez era considerada de alto risco. Mas eu não sabia ao certo para que dia ela havia marcado.

Em vez de ir almoçar na casa principal, eu havia passado os dois últimos dias ali. Sozinha. Eu me sentia segura sozinha. Também queria deixá-los à vontade para conversar sobre assuntos de família com Thomas. Sabia que ele não ficava confortável de falar sobre eles na minha frente. Eu não era da família dele. O único problema era que eu não tinha nada com que preencher meu tempo. Ficava entregue a meus pensamentos. Ler era algo que costumava me ajudar a fugir, mas eu não conseguia mais me concentrar na história.

Meus pensamentos eram sempre sobre Matteo e o futuro.

A caminhonete parou, a porta de Mônica se abriu e suas pernas vestindo jeans apareceram quando ela saltou da cabine. Ela era uma beleza natural. Toda vaqueira que já imaginei se parecia com Mônica. Alta e magra, sempre usando jeans justos, botas e uma camisa xadrez de botão amarrada na cintura. O chapéu de caubói na cabeça era o toque final. Não era nem um pouco feminino. Era sujo e usado.

Ela subiu os degraus da varanda e olhou para mim com a expressão preocupada de uma mãe. Uma mãe que eu nunca tive.

- Você está tentando me deixar preocupada, menina? – perguntou ela, me analisando atentamente.

Fiz que não com a cabeça.

- Não, me desculpe. Eu só não tenho sentindo fome. E preciso ficar sozinha.

Ela franziu ainda mais a testa.

- Você andou chorando, é o que me parece. Chorar não é bom para você, seu coração e esse bebê. Você precisa sair dessa. Se está chorando por causa daquele rapaz, ligue para ele. Fale com ele. Você precisa de toda a sua coragem e sua força de vontade se pretende fazer isso, menina. Não pode ficar deprimida, prestes a desistir.

Eu não havia pensado nisso. Mas falar com Matteo significava que eu não poderia mais protegê-lo.

- Ele vai ficar apavorado. Estou tentando mantê-lo longe disso. O maior medo da vida dele é perder alguém que ele ame.

Mônica pôs as mãos na cintura e revirou os olhos.

- Você deve estar brincando comigo. Esse garoto é tão fracote que não consegue lidar com a vida? Se ele for um homem de verdade, vai se apresentar e ser a fortaleza de que você precisa agora. Se ele não conseguir fazer isso, não vale o seu tempo.

Ela não sabia quanto Matteo havia ficado arrasado quando descobriu sobre meu coração. Ele era um homem maravilhoso, que havia confiado em mim. Eu havia escondido dele algo que o teria poupado de se ferir. Se tivesse simplesmente contado a ele sobre meu coração no dia em que ele apareceu no meu quarto com comida chinesa, ele jamais teria corrido este risco. Ele teria se protegido. Eu não teria conhecido o que era ser abraçada e tocada por ele, mas ele teria ficado bem. O coração dele teria ficado bem. Fui egoísta ao não permitir que ele escolhesse.

- Ele merece mais – eu disse a ela.

Era tudo o que eu podia dizer.

- Merece droga nenhuma. Se ele ganhou o seu amor, ele ganhou na loteria. Entendeu? É um homem de sorte. Nada mais importa. Você é uma mulher bonita, inteligente, carinhosa e pura que ilumina as pessoas ao seu redor.

Meus lábios se abriram em um sorriso.

- Obrigada.

Mônica me amava como uma mãe amaria. Quando eu era menina, ela foi uma excelente substituta, embora minha mente às vezes imaginasse como seria a vida em outras circunstâncias. Até bem pouco tempo, eu acreditava que minha mãe havia morrido em um acidente. Alguns meses atrás, descobri que ela estava viva em um hospital em Los Angeles, ainda que senil e incapaz de desempenhar as funções mais básicas. Quando a mídia descobriu o segredo, também me descobriu, e por isso meu rosto apareceu nas telas de TV de todos os Estados Unidos.

Ela se aproximou e sentou no balanço ao meu lado.

- Não me agradeça por ser sincera. Estou apenas dizendo o que acho.

Eu costumava me perguntar como alguém como Mônica pôde se envolver com meu pai. Ela era tão real. Tão cheia de vida e tão inteligente. Fazia sentido ela ter ficado com o homem com quem passou a maior parte da vida. Eles combinavam. Mas Mônica e Berni eram um casal difícil de imaginar.

- Você é durona, você é forte. Sempre foi. Mesmo quando bebê, você era muito determinada. Berni a adorava, mas agora você sabe que também idolatrava sua mãe. Ela era a luz dele. Ela encontrou dentro dele o homem que ninguém mais havia conhecido e o mostrou para o mundo. Vê-lo com ela me maravilhava. Eu não conseguia odiá-la. Na verdade, eu a admirava. Ela era uma alma muito doce, exatamente como você. Eu vejo muito dela em você. Seu pai também.

Ela parou e apertou meu joelho.

- Se quer este bebê, eu acredito que você pode tê-lo. Acredito que você é forte bastante. Eu vi esta força ao longo da sua vida, e acho que você consegue, mas precisa abraçar isso. Não deixe a dor e o medo a controlarem, ou você perderá.

Pensei um pouco no que ela disse e me dei conta de que tinha razão. Estava na hora de ser forte. Meu bebê precisava disso. E eu precisava ser forte por todos nós.


Notas Finais


Então o que acharam? Bom amorecos a partir de agora vou começar a postar um capítulo por semana tá bom😊😊 cometem o que acharam e até semana que vem...😘😘


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