História A primeira chance - Lutteo - Capítulo 39


Escrita por: ~

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Categorias Sou Luna
Personagens Delfina, Gaston, Luna Valente, Matteo, Nina, Pedro, Simón
Visualizações 385
Palavras 2.192
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oii amorecos como estão?? Então bora ler...😉😊

Capítulo 39 - Capítulo 4


Pov Matteo 

“Está é a 57 mensagem. Cinquenta e sete dias. Estou aqui sentado olhando fixamente para o golfo, como costumava fazer com você. Nada é a mesma coisa sem você aqui. Não consigo nem chegar perto do bar na cozinha. Lembrar o que fizemos lá é difícil demais. Tudo me lembra você. Se eu pudesse ouvir sua voz esta noite, Luna, se eu pudesse ao menos ouvir você me dizer que está bem... eu ficaria melhor. Eu seria capaz de respirar fundo. Então eu imploraria. Imploraria que você me amasse. Imploraria que você me perdoasse. Eu não posso...”

Piiii.

Fiquei parado na varanda olhando para o mar enquanto a caixa postal me cortava e depois desliguei. Olhar para as ondas arrebentando na praia costumava me reconfortar. Agora elas me lembravam do medo que tinha dado início a tudo isso. O medo que me fez dizer a Luna coisas que ela não merecia ouvir.

Perder Pedro havia me marcado mais profundamente do que eu imaginava. Vivemos sem jamais pensar que quando nos afastamos de um amigo, de alguém que amamos, podemos nunca mais vê-lo novamente. Morte por afogamento no golfo era a última forma como eu esperava perder um amigo próximo. Foi inesperado e trágico e mudou tudo para mim.

Eu queria me proteger desse tipo de dor no futuro. Prosseguir e viver normalmente depois daquilo era impossível. Delfi, a namorada de Pedro, era a prova disso. Ela parecia um fantasma agora. Nunca sorria e quase não falava. O brilho alegre havia desaparecido dos olhos dela. Eu detestava ficar perto dela. Detestava ser lembrado do que poderia acontecer a todos nós. Ela não estava vivendo sem Pedro – ela estava apenas sobrevivendo.

Deixei a mão que segurava o telefone cair ao lado do corpo, então a enfiei no bolso do jeans e me virei para entrar. Afastei-me da água que havia mudado tudo em minha vida, que havia mudado a vida de todos os amigos próximo de Pedro. Nenhum de nós jamais voltaria a ser o mesmo. Mas sabia que não podia proteger a mim mesmo desse tipo de dor. Porque, assim como Delfi, agora eu estava apenas sobrevivendo. Sem Luna por perto, eu não tinha motivo para sorrir. A dor era grande demais. Tentar não amá-la era impossível, isso me destruía, me derrubava.

Meu telefone começou a tocar e eu o tirei rapidamente do bolso. Toda vez que tocava, meu coração começava a bater com a esperança de que fosse Luna. O nome de Gastón apareceu na tela. Por mais que quisesse tacar meu telefone na parede de frustração, ele ainda era meu único elo com Luna.

- Sim – atendi, fechando a porta e indo até meu quarto.

- Preciso da sua ajuda. Me encontre no clube o mais rápido possível. Estou a caminho agora.

Eu não iria ao clube. Estava na hora de começar a me ajeitar para dormir, e eu não queria ver ninguém.

- Por quê? Estou exausto.

Gastón resmungou um palavrão.

- Levante a bunda daí e vá para o clube. Ramiro apareceu, e pelo visto Delfi estava no bar bebendo e agora está berrando com ele e dizendo um monte de maluquices. Nina queria ir, mas Nate não está muito bem e quer ficar com a mãe. Eu disse a ela que você e eu iríamos ver o que estava acontecendo e traríamos Delfi aqui para casa.

Delfi e Ramiro? Isso nem sequer fazia sentido. Por que Delfi estaria gritando com Ramiro? Pedro adorava o primo. Sempre adorou. Eu não conseguia imaginar um motivo pelo qual Delfi poderia estar com raiva dele.

- Está bem. Certo, vejo você daqui a pouco.

- É bom mesmo – respondeu Gastón, encerrando a ligação.

Ninguém havia visto Delfi fazer muito mais do que mover-se silenciosamente pela vida desde a morte de Pedro. Mas agora ela estava bebendo no clube. Isso também não fazia sentido. Ela trabalhava lá. Por que estava bêbeda? A tia dela ia despedi-la sem piscar se descobrisse. Não que a demissão fosse adiante. Nina ficaria chateada e pediria a Gastón, que era um dos diretores, que fizesse alguma coisa a respeito. Jim também não ficaria feliz e, considerando que seu namorado, Nico, era dono do lugar – e fazia tudo o que pudesse para deixá-la feliz – ele também tomaria uma atitude a respeito. Ainda assim. O que ela estava pensando?

Peguei as chaves da caminhonete e segui em direção à porta para falar com Delfi.

 

(***)

 

Ouvi Delfi berrando no instante em que desci da caminhonete, mas não consegui descobri de onde vinha o som. Estava alto demais para estar vindo de dentro, o que significava que alguém devia ter levado Delfi até o estacionamento. Fechei a porta da caminhonete e segui o som. Perto da entrada dos funcionários, vi Gastón segurando os braços de Delfi para baixo e falando com ela. Ramiro estava ali parado, passando as mãos pelos cabelos sem saber o que fazer. Nico falava baixinho com ele e Ramiro apenas balançava em resposta.

- Volte para casa comigo. Nina quer que você vá para lá. Você precisa dela agora. Também precisa ficar sóbria. Ramiro não fez nada com você, Delfi. Você ainda está de luto, e ele foi a pessoa mais próxima que você encontrou para descontar isso. – A voz de Gastón era gentil, mas firme.

- Você não sabe merda nenhuma, Gastón! Mer-da-ne-nhu-ma! – Delfi falou com a voz arrastada, empurrando o peito de Gastón. – Ninguém sabe! Mas ele sabe! – gritou ela, apontando Ramiro. – Ele acabou comigo! Ele me destruiu. Eu não era boa o bastante. Nunca fui boa o bastante! É tudo culpa dele. Ele voltou. Por que você voltou, hein? Estava tentando me magoar? Pois conseguiu! Você é o motivo da minha vida ser o inferno sobre a terra!

Ela estava tremendo.

- Onde está Jim? – perguntei, chamando a atenção de todos para mim. – Delfi precisa de uma amiga. Nós só vamos deixá-la mais chateada assim.

Nico não parecia querer Jim por perto. Ele precisava parar de protegê-la como se fosse de cristal. Ela era forte e saudável. Ele não sabia o que era frágil. Ele não fazia ideia.

- Ela está dormindo. Acordou às cinco da manhã – disse Nico em uma voz dura que significava que ele não iria ligar para ela.

- Preciso ir embora. Ela fica perturbada ao me ver. Achei que pudesse conversar com ela, mas ela não está pronta. Ainda não. – disse Ramiro.

O sofrimento na voz dele era tão evidente que doía. Ele possivelmente estava sofrendo tanto quanto Delfi pela morte de Pedro. Por que ela não aceitava a ajuda dele?

- Perturbada? Você acha que eu estou perturbada? Perturbava eu estava há cinco anos! Agora eu estou... perdida.

Ela disse a última palavra quase num sussurro. Então se encolheu no chão, passou os braços ao redor das pernas e começou a soluçar tão forte que todo o seu corpo sacudia violentamente.

- Precisamos fazer alguma coisa. Nina vai saber o que dizer. Nina deveria ter vindo. Eu só piorei tudo – disse Gastón, olhando para mim. Então voltou a atenção para Ramiro e o encarou por um instante. – Você sabe por que ela odeia você, não sabe? – perguntou, em seu tom simples, direto ao ponto.

Ramiro não respondeu.

- Sim! Ele sabe! – disse ela, aos prantos. – Ele sabe. Mas Pedro nunca soube.

Os gritos embriagados de Delfi não faziam sentido para mim.

Detestei assistir àquela cena. Detestei saber que, meses depois da morte de Pedro, Delfi ainda era uma alma incompleta, vazia. Passei por trás de Gastón e me abaixei ao nível dos olhos de Delfi.

- Vou pegar você no colo e levá-la até o carro de Gastón. Ele vai levá-la até Nina e você vai deixar que ela cuide de você. Ela vai estar lá para escutar. Você pode confiar nela. Ela ama você. Agora, ponha seus braços ao redor dos meus ombros.

Ela me encarou com os olhos tristes e vermelhos por alguns segundos antes de passar o braço em meu pescoço. Firmei um dos braços nas costas dela, deslizei o outro sob suas pernas e me levantei segurando-a.

- Onde você estacionou? – perguntei a Gastón.

- Logo ali, do lado do carro de Nico – respondeu ele.

Olhei uma última vez para Ramiro, que estava encarando Delfi com um olhar desesperançado que eu compreendia bem demais. O que não fazia sentido era por que Ramiro estava olhando para Delfi como se ele fosse capaz de qualquer coisa para acabar com a dor dela. Os dois realmente se conheciam?

(***)

Pov Luna 

- Está tudo bem, linda? – perguntou Thomas ao sentar ao meu lado sobre o fardo de feno de onde eu observava Simón trabalhar.

Olhei para Thomas e sorri, embora não estivesse realmente com vontade de sorrir.

- Sim, e você? – respondi, porque era a coisa educada a se fazer.

Eu não estava a fim de conversar com ele nem com ninguém. Não hoje. Eu tinha ido à minha consulta médica semanal. Ver todas as grávidas e seus maridos carinhosos na sala de espera foi difícil e fiz o possível para não desmoronar. Eu sentia falta de Matteo.

- Você não parece muito bem. Na verdade, parece que alguém matou seu bichinho de estimação - disse ele num tom provocador.

Eu tinha certeza de que Mônica e Simón não haviam contado nada a Thomas. Eu confiava em Thomas porque ele amava a família, e eu era uma extensão dela, mas eu detestava a ideia de que outras pessoas soubessem antes de Matteo. Até que eu mesma contasse a Matteo sobre nosso filho, não queria mais ninguém sabendo.

- Só estou tendo um daqueles dias – respondi, esperando que isso o calasse.

- Ahn - disse ele, então olhou para Simón, que estava montando em um dos cavalos. – Pelo que eu soube, você estava em uma história séria com Matteo Balsano, o ex-irmão postiço de Gastón Perida. Mas estou aqui há duas semanas e não vi o cara que derrubou três repórteres para levar você até o Range Rover de Gastón e afastá-la do olhar do público. Sabe, aquele vídeo já teve um milhão de visualizações. O sujeito parecia furioso e pronto para enfrentar um exército inteiro por você. Estou curioso para saber por onde ele anda agora.

Eu também tinha visto esse vídeo. Várias vezes. Estava no YouTube, e eu assistia a ele com frequência. Não porque foi o momento em que eu deixei Matteo, mas porque Thomas estava certo. Matteo parecia determinado e furioso. Ele gritou com os repórteres e simplesmente abriu caminho através deles para me levar da porta da frente da casa dele até o carro de Gastón. Mas a parte que eu não conseguia esquecer era a expressão no rosto dele, captada tão bem pelas câmeras, na hora em que fui embora. Ele se arrependeu das últimas palavras que havia me falado. A dor nos olhos dele era evidente, e eu ficava com o coração partido e ao mesmo tempo restaurado toda vez que via aquelas imagens. Ele não havia falado sinceramente. Estava assustado.

- Ele não sabe onde estou – admiti antes de conseguir me conter.

- Sério? Como assim? Você está se escondendo dele também?

Thomas estava sendo inconveniente, e talvez eu devesse ter dito para ele cuidar da própria vida, mas não disse. Eu queria falar sobre Matteo com alguém. Tinha que falar.

- A gente precisava de espaço. Ele ficou com medo da minha doença cardíaca. Ele não quer me perder – expliquei vagamente.

Thomas não disse nada. Em vez disso, pegou um pedaço de feno e colocou na boca. Com o chapéu de caubói de Simón enfiado na cabeça e os jeans desbotados, Thomas parecia pertencer ao México. Não parecia um viajante do mundo. Eu sabia que ele falava três línguas fluentemente.

- Ele não está tentando encontrar você? Ou ligar para você?

Toda semana, eu precisava apagar mensagens de voz para elas não encherem minha caixa postal. Eu não conseguia ouvir a voz dele, mas também não queria que ele não conseguisse me deixar mensagens.

- Não, ele liga todas as noites. Ele vem tentando me encontrar.

Thomas tirou o pedaço de feno da boca e franziu a testa.

- Então por que você está aqui sentada parecendo tão triste?

Porque eu sentia falta de Matteo. Eu queria atender as ligações. Só estava muito assustada.

- Tenho meus motivos – respondi.

- Você tem seus motivos, é? Tudo bem, então. Só espero que esses motivos valham a pena – replicou. – Não conheço nenhuma garota que me faria deixar mensagens diariamente para ela sem resposta por dois meses. Eu acabaria desistindo e seguindo em frente.

Se Matteo desistisse, o que eu faria? Eu não queria que ele desistisse. Mas eu não estava sendo justa com ele. Eu odiava isso. Odiava ter que magoá-lo. Mas, se ele soubesse de tudo, apenas ficaria ainda mais magoado.

- Pare de dar em cima da minha irmã e mexa esse traseiro até aqui – gritou Simón da cerca.

Thomas deu risada.

- Ele é um pouco superprotetor, não é? – comentou.

- Você não faz ideia.

Thomas sorriu, então se levantou e caminhou com passos largos até Simón como se não tivesse uma única preocupação no mundo.


Notas Finais


Então o que acharam?? Cometem e até semana que vem...😊😘


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