História A Probabilidade Estatística Do Amor A Primeira Vista ¬MEANIE - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Seventeen
Personagens Jeon Wonwoo, Kim Mingyu
Tags Gay, Homossexual, Kpop, Meanie, Seventeen
Exibições 56
Palavras 2.769
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Fluffy, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, oiiii!
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Vamos ler?

Capítulo 2 - C A P Í T U L O 1



18h56 Hora da Costa Leste - 23h56 Hora de Greenwich.

Aeroportos são verdadeiras câmaras de tortura quando se tem claustrofobia.

Não apenas por causa do iminente perigo — ficamos presos como sardinhas e somos catapultados pelo ar dentro de um tubo de metal —, mas também por causa dos terminais, da quantidade de pessoas, da confusão que turva a vista, do zumbido que atordoa, de todo o movimento e do barulho, do frenesi e do vozerio, tudo isso selado por janelas de vidro, como se fosse uma monstruosa fazenda de formigas.

Isso é apenas uma das várias coisas que Mingyu está tentando ignorar enquanto espera no balcão de embarque. Está ficando escuro e o avião já deve estar sobrevoando o Atlântico. Ele pode sentir alguma coisa em seu interior se desfazendo, como o ar que sai lentamente de um balão. Parte da sensação se relaciona ao voo muito próximo e parte ao aeroporto em si, mas o maior problema — o maior de todos — é saber que vai se atrasar para um casamento ao qual nem queria ir. Essa ironia do destino o faz querer chorar.

Os atendentes da companhia aérea se reuniram atrás do balcão e olham para ele com impaciência. A tela atrás deles já anuncia o próximo voo do JFK para Heathrow, um voo que só sairia em três horas. Fica cada vez mais claro que é Mingyu quem está impedindo que o expediente da equipe acabe.

— Lamento, senhor — diz uma das atendentes, disfarçando um suspiro. — Não há nada que possamos fazer, a não ser colocá-lo em um voo mais tarde.

Mingyu concorda. Ele passou as últimas semanas desejando secretamente que alguma coisa desse tipo acontecesse, embora as cenas que imaginou fossem mais dramáticas: greve nacional dos aeroviários, uma chuva de granizo épica, um caso raro de gripe ou de sarampo que o impedisse de viajar. Seriam razões perfeitamente aceitáveis para que não visse o pai caminhando pelo corredor da igreja para se casar com uma mulher que ele nunca havia encontrado.

No entanto, atrasar-se quatro minutos para o voo soava um pouco conveniente demais, até suspeito, e Mingyu não sabe ao certo se seus pais — tanto o pai quanto a mãe - entenderiam que não foi culpa sua. Na verdade, isso provavelmente faria parte da pequena lista de tópicos sobre a qual os dois concordavam.

Foi ideia dele faltar ao ensaio para o jantar e chegar em Londres na manhã do casamento. Mingyu não via o pai havia mais de um ano e não achava que seria capaz de sentar em um salão com todas as pessoas mais importantes para ele — amigos e colegas de trabalho, o mundinho que construiu no outro lado do oceano - enquanto brindavam a sua saúde, felicidade e vida nova. Se pudesse decidir, nem iria ao casamento, porém, essa decisão não foi negociada.

— Ele ainda é seu pai — dizia a mãe como se ele tivesse esquecido. — Se você não for, vai se arrepender depois. Sei que é difícil imaginar isso quando se tem 17 anos, mas acredite em mim. Um dia você ainda vai se arrepender.

Mingyu achava que não.

A atendente digita no teclado do computador com certa ferocidade, batendo nas teclas e fazendo barulho ao mascar o chiclete.

— Você está com sorte — diz, balançando as mãos no ar. —Posso colocá-lo no voo de 22h24. Assento 18A. Janela.

Mingyu fica até com medo de perguntar, mas arrisca mesmo assim.

— Chega que horas?

— Chega 9h54 — diz a atendente. — Amanhã de manhã.

Imagina a caligrafia delicada no grosso convite marfim de casamento, que estava há meses em cima da cômoda. A cerimônia começa no dia seguinte ao meio-dia, o que significa que, se tudo sair conforme planejado — o voo e a alfândega, os táxis e o trânsito, se tudo for perfeitamente coreografado —, ainda há uma chance de conseguir chegar a tempo. Uma pequena chance.
— O embarque começa neste portão às 21h45 — comunica a atendente, entregando-lhe vários papéis organizados num pequeno envelope. — Tenha um excelente voo.

Vai até as janelas e examina as fileiras de cadeiras cinza. A maioria está ocupada e as que restam estão com o estofado amarelo à mostra, como ursinhos de pelúcia descosturados. Ele coloca a mochila sobre a mala de mão, pega o celular e procura o número do pai na lista de contatos. Está registrado como “O professor”, apelido que ganhou do filho há um ano e meio, quando anunciou que não voltaria a Connecticut; depois disso, a palavra pai acabou virando um incômodo sempre que ele abria o celular.

Seu coração dispara com o toque do telefone; ele liga regularmente, mas Mingyu quase nunca liga de volta. É quase meia-noite na Inglaterra, e, quando finalmente atende, a voz do pai está rouca e lenta de sono ou de álcool — talvez de ambos.

— Mingyu?

— Perdi meu voo — diz com o tom seco que naturalmente aparece quando fala com o pai. É efeito do desgosto que sente por ele.

— O quê?

Suspira e repete a informação.

— Perdi o voo.

Ao fundo, Mingyu escuta Charlotte murmurando, e alguma coisa queima dentro dele, um pequeno surto de raiva. Apesar dos e-mails carinhosos que a mulher mandou desde o noivado — eram cheios de planos para o casamento, fotos da viagem a Paris e pedidos para que não ficasse distante, todos assinados com um entusiasmado “:-)))” (como se apenas uma carinha feliz não bastasse) —, há exatamente um ano e 96 dias, ela decidiu que ia odiar aquela mulher, e um convite para ser padrinho não era o suficiente para mudar isso.

— Bem — diz seu pai —, conseguiu outro voo?

— Sim, mas só chega às dez.

— Amanhã?

— Não, hoje — responde. — Vou viajar de cometa.
O pai ignora o comentário.

— É muito tarde. Muito perto da cerimônia. Não vou conseguir buscar você — informa e cobre o telefone para falar com Charlotte. — Podemos pedir para a tia Marilyn ir te pegar.

— Quem é tia Marylin?

— É a tia da Charlotte.

— Tenho 17 anos — lembra Mingyu —, com certeza consigo pegar um táxi sozinho até a igreja.

— Não sei — diz o pai —, é a sua primeira vez em Londres... — Ele afasta o telefone e tosse, limpando a garganta. — Você acha que sua mãe concordaria com isso?

— Mamãe não está aqui — responde Mingyu. — Acho que só participou do primeiro casamento.
Silêncio no outro lado da linha.

— Vai dar tudo certo, pai. Encontro você na igreja amanhã. Não devo me atrasar tanto assim.

— Está bem — responde o pai com carinho. — Estou com saudade.

— Eu sei — responde, sem conseguir dizer o mesmo. — Até amanhã.

Só se lembra de que devia ter perguntado sobre o jantar de ensaio depois que desliga. Na verdade, não está tão curioso assim.

Por um longo tempo, ele fica parado com o telefone na mão, tentando não se apavorar com o que o espera no outro lado do oceano. O cheiro de manteiga que vem de uma barraca de pretzel está deixando Mingyu enjoado. Queria se sentar, mas aquela área está lotada de passageiros. É o fim de semana do feriado de Quatro de Julho. As telas de previsão do tempo mostram mapas com tempestades se aproximando do Centro-Oeste. As pessoas já começam a se acomodar em vários cantos do terminal como se fossem morar lá para sempre. Há várias malas ocupando assentos, famílias acampadas, caixas gordurosas de lanches do McDonald’s. Ele passa por um homem que está dormindo em cima da mochila. Sente o chão e as paredes muito próximas e a pressão da multidão. E tem que se lembrar de respirar fundo.

Vê um assento vazio e corre para lá, movendo a mala de rodinhas por entre um mar de sapatos. Nem quer pensar em como o paletó de linho preto vai estar amarrotado quando chegar em Londres. No plano original, ele teria algumas horas antes da cerimônia, mas agora precisaria se apressar para chegar à igreja na hora. Embora esta não seja sua maior preocupação no momento, é engraçado imaginar as amigas de Charlotte horrorizadas; entrar na igreja sem o cabelo feito, com certeza, é uma catástrofe para elas.

A palavra arrependimento não descreve o que sente em relação a ter aceitado ser padrinho de casamento, porém, ele não aguentava mais os e-mails incessantes de Charlotte e os pedidos infinitos do pai, sem mencionar que sua mãe surpreendentemente apoiou a ideia.

— Sei que ele não é a pessoa que você mais ama no mundo neste momento — disse ela —, e, com certeza, também não é a que mais amo, mas você quer mesmo ver o álbum de fotos depois, talvez com seus filhos, e se arrepender por não estar lá?

Não fazia muita diferença para Mingyu, mas ele entendia o argumento. E era mais fácil deixar todo mundo feliz, mesmo que, para isso, precisasse encher o cabelo de gel, usar um sapato social desconfortável e posar para fotos após a cerimônia. Quando os outros convidados do casamento — as amigas de Charlotte com trinta e poucos anos — ficaram sabendo que um adolescente coreano tinha sido incluído no grupo de e-mail pelo qual se comunicavam, Mingyu foi prontamente recebido com uma enxurrada de exclamações. E mesmo que não conhecesse Charlotte e tivesse passado o último ano e meio fazendo de tudo para que isso não mudasse, já sabia suas preferências em relação a vários tópicos acerca do casamento — questões importantes como a escolha entre sandálias e sapato fechado, que tipo de flor colocar no buquê e, o pior e mais assustador de tudo, as preferências de lingerie para o chá de panela, ou, como chamam na Inglaterra, o chá de cozinha. A quantidade de e-mails que um casamento conseguia gerar era incrível. Mingyu sabia que a maioria das mulheres era do trabalho de Charlotte, na galeria de arte da universidade de Oxford, mas mal dava para acreditar que tivessem um emprego. Combinaram de conhecê-lo na manhã do casamento, no hotel, mas teriam que fechar seus vestidos, pintar os olhos e enrolar os cabelos sem ele.

Lá fora, o céu está rosado e as pequenas luzes que delineiam o contorno dos aviões começam a ganhar vida. Mingyu vê seu reflexo no vidro: cabelos castanhos e olhos puxados, a expressão ansiosa e fatigada, como se a viagem já tivesse acontecido. Ajeita-se na cadeira entre um homem mais velho que vira as páginas de um jornal com tanta força que as folhas quase saem voando e uma mulher de meia-idade, com uma blusa de gola rulê com um gato bordado, que está tricotando alguma peça ainda sem formato.

Mais três horas, pensa e abraça a mochila. Chega à conclusão de que não vale a pena ficar contando os minutos para um evento temido; seria melhor dizer que faltam dois dias. Em dois dias, estaria voltando para casa. Em dois dias, poderia fingir que isso jamais aconteceu. Em dois dias, teria sobrevivido ao fim de semana que temeu por uma eternidade.

Arruma novamente a mochila no colo e percebe, um pouco tarde demais, que não fechou o zíper até o fim. Alguns objetos caem no chão. Mingyu pega o fone primeiro, depois, os mangás de ficção, mas quando vai pegar o pesado livro preto que o pai lhe deu, o garoto que está na cadeira oposta se levanta e o pega primeiro.
Dá uma olhada na capa antes de devolver o livro, e Mingyu percebe que ele reconheceu o título. Demora alguns segundos para se dar conta de que o garoto deve ter achado que ele é uma dessas pessoas que lê Dickens no aeroporto. Mingyu quase explica para ele que não; na verdade, tem o livro há anos e nunca nem o abriu. Em vez de dizer isso, sorri e olha para a janela a fim de evitar qualquer tentativa de conversa.

Ele não está com vontade de bater papo, nem mesmo com alguém tão bonito quanto o garoto. Não queria nem estar ali. O dia que o espera é como um ser vivo e pulsante, uma coisa indo em sua direção em alta velocidade; em breve, a coisa vai nocauteá-lo. O medo de entrar no avião — e de estar em Londres — é físico e faz com que fique inquieto, balance as pernas e fique mexendo nos dedos.

O homem a seu lado assoa o nariz e, depois, volta a erguer o jornal. Mingyu torce para que não seja também o passageiro a seu lado no avião. Sete horas é muito tempo, uma parte muito grande do dia, para ser deixada nas mãos da sorte. Viajar com alguém desconhecido é uma ideia estranha, porém quantas vezes tinha voado para Seul, para Chicago ou Denver na companhia de uma pessoa totalmente desconhecida, lado a lado, ombro com ombro, pelo país afora? Viagens de avião são assim: você pode passar horas conversando com uma pessoa sem nem saber seu nome, pode contar seus maiores segredos e, depois, nunca mais vê-la. O homem se inclina para ler o jornal e seu braço toca o de Mingyu. Ele se levanta abruptamente e joga a mochila sobre o ombro. A área de embarque ainda está lotada. Olha para a janela e sente vontade de estar lá fora. Não sabe como vai conseguir ficar sentado ali por mais três horas, mas a ideia de carregar a mala no meio daquela multidão é estressante. Coloca a mala perto da cadeira para que ninguém se sente e fala para a mulher de gola rulê:

— A senhora poderia dar uma olhada na minha mala? — pergunta. A mulher fica segurando as agulhas de crochê e franze a testa.

— Você não devia fazer isso — diz enfaticamente.

— É só por um ou dois minutinhos — explica Mingyu.

A mulher balança a cabeça como se não quisesse fazer parte das consequências do ato de Mingyu.

— Eu posso tomar conta — diz o garoto.

Mingyu olha para ele — olha de verdade — pela primeira vez. Seu cabelo é escuro e meio curto, e há migalhas na frente da camisa, mas ele tem alguma coisa interessante. Talvez seja o sotaque, que, com certeza, é coreano, ou a boca tensa, evitando um sorriso. O coração dele bate mais forte. Ele olha para Mingyu e para a mulher, cujos lábios estão apertados em uma linha tensa, indicando um julgamento negativo.

— Isso é contra a lei — diz a mulher e olha para dois seguranças em pé ao lado da praça de alimentação.
Mingyu olha novamente para o garoto, que sorri.

— Tudo bem — diz Kim —, eu levo a mala. Obrigado mesmo assim.

E começa a pegar as coisas. Coloca o livro embaixo do braço e a mochila sobre o ombro. A mulher nem recolhe os pés para que ele movimente a mala. No final da área de espera, o carpete sem cor termina e dá início ao chão de linóleo. A mala trava na junção de borracha que une os dois pisos e, depois, balança de uma roda para outra. Quando Mingyu tenta estabilizá-la, o livro cai de novo. Ele se abaixa para pegá-lo, mas deixa o casaco de moletom cair.

Só pode ser piada, pensa, soprando uma mecha de cabelo que está em seus olhos. Arruma tudo e estica a mão para pegar a mala, mas não acha a alça. Mingyu se vira e fica surpresa ao ver o garoto a seu lado. Ele está segurando a mala.

— O que você está fazendo? — pergunta, olhando para ele.

— Achei que precisava de ajuda.
Mingyu continua olhando.

— E se eu andar com você, vou ajudar sem estar fazendo nada ilegal —observa com um sorriso.

Mingyu ergue as sobrancelhas e o garoto estica as costas, demonstrando certa insegurança. Kim pensa na possibilidade de ele estar querendo roubar a mala, mas, se o caso for este, o plano não é muito bom, pois só tem um par de sapatos e um paletó lá dentro, e ele até ficaria feliz em se ver livre deles.

Mingyu fica lá parado, perguntando-se o que fez para merecer um guarda-costas. No entanto, a multidão está cada vez maior, a mochila está pesada e os olhos do garoto têm um quê de solidão, como se não quisesse ser abandonado naquele momento. Mingyu conhece esse sentimento. Depois de alguns segundos, ele concorda. O garoto inclina a mala sobre as rodinhas e começam a caminhar.
 


Notas Finais


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