História A Profecia - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Poderes, Profecia, Vilarejo
Exibições 8
Palavras 2.175
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Ainda não sei como tenho tempo de criar novas fanfics quando tenho milhares para atualizar.
Mas vamos nessa.
Boa leitura pessoas <3

Capítulo 1 - Prólogo


A luz da lua iluminava as ruas de terra do vilarejo chamado Nesemberg. As pessoas, naquele horário, já deviam estar dormindo, porém um homem, de barba branca e trajando roupas estranhas, vagava por umas das ruas. Junto dele, um cachorro com seus pelos pretos sujos e pulguentos.

- Ande, vamos logo Bazarack. – o velho dizia para o cão, logo começou a aumentar o passo, mas suas pernas pareciam tão frágeis e machucadas que ele aparentava cair a qualquer momento. Ele chegava a tropeçar em algumas pedras traiçoeiras pelo caminho, mas o velho não caía graças ao pedaço de madeira que o mesmo usava como muleta. Era como se ele pudesse ouvir um relógio em sua mente. Tic tac. O tempo estava passando. E tanto ele quanto Bazarack precisavam estar presentes para assistir o nascimento daquela criança que foi profetizada, pelo próprio velho, a mudar o futuro.

Na pequena cabana, a mãe da criança gritava de dor. Duas parteiras estavam auxiliando a mãe solteira que por ser uma mulher sozinha não tinha ninguém para acompanhá-la naquele momento. Ninguém, além de sua irmã mais nova de vinte e dois anos. A caçula aguentava sem reclamações a irmã mais velha apertar com toda força sua mão direita. A única luz dentro da cabana era a de uma lamparina que continha um fogo que parecia queimar mais forte a cada movimento das parteiras. Na janela da cabana um movimento denunciava a presença do velho acompanhado do cão, porém a concentração era tanta no parto da criança que nenhuma das mulheres percebeu. A dor dominava o corpo da mãe, mas ela pensava que era algo tolerável a suportar se pudesse ver o rosto de sua filha. De alguma forma ela sabia que não sobreviveria para ver seu bebezinho crescer e se tornar uma mulher. Seu único desejo era conseguir aguentar até os olhos da criança se abrirem.

- É agora. – o velho sussurrou para o cachorro que tentava poder enxergar o nascimento. A mãe usou toda a sua força no ultimo empurrão, sua irmã não pode deixar de fazer uma careta quando sua mão foi esmagada.

- Isso. – uma das parteiras gritou animada. E então o tempo pareceu parar por alguns segundos. O velho abriu seus braços alevantando-os para o céu cheio de estrelas. O fogo estremeceu dentro da lamparina, a mãe soltou um grito e finalmente o choro de um bebê tomou conta do ambiente.

 - Muito bem, Antonia. É uma menina. – a parteira diz pra mãe, a mesma já tinha a intuição de que seria uma menina, e põe a menininha em seus braços.

Antonia, a mãe, chora ao ver que sua filha é uma menina saudável, mesmo depois de tanta fome que Antonia passou. Sua irmã e ela observam, admiradas, a criança que por sua vez para de chorar ao encontrar os olhos de sua mãe.

- Você é tão linda, minha Helena. – Antonia diz para a criança. Helena boceja e pisca seus pequeninos olhos castanhos.

- Será Helena então, irmã? – a caçula pergunta para Antonia.

- Sim. Será Helena. – Antonia vira para sua irmã. – Você precisa cuidar dela, Elizabeth. Prometa-me que cuidará de Helena. –

 - Eu prometo. – Elizabeth diz.

Antonia volta a observar a menina que com um olhar curioso observa a mãe também. Elizabeth percebe a movimentação das parteiras que tentam estancar o sangue, sem sucesso.

- O que está havendo? – Elizabeth pergunta apavorada. E fica mais ainda quando as parteiras não a respondem.

Lá fora, o cachorro olha para o velho, suplicante.

- Não posso salvá-la. O destino dela já está traçado. – o velho responde a pergunta de Bazarack. Os dois voltam a assistir o desenrolar da cena.

- Você precisa ser forte meu anjo. Eu te amo tanto. Tanto. Lute minha pequena... – a mãe sussurra para criança. – Helena. –

Seu coração para de bater e ela morre olhando para sua filha. Elizabeth grita ao ver a vida deixar o corpo de sua irmã mais velha.

“O que será de nós agora?” Elizabeth pensa.

- A menina Helena está destinada á algo muito maior do que todos nós podemos imaginar. – o velho diz para Bazarack no caminho de volta. – Só precisamos dar tempo ao tempo. – então seu assobio reverberou pela noite.

•••

Dezessete anos depois

Mesmo os anos tendo passado, o vilarejo Nesemberg continuava muito parecido de como era antigamente. Suas ruas de terra enlameavam os sapatos dos moradores quando chovia, porém a chuva era algo raro de acontecer naquele vilarejo. Sem muitos postes de luz a cidade a noite não tinha a melhor iluminação. As pessoas trabalhavam apressadas pra conseguir no mínimo três moedas de ouro, o que seria o suficiente para se sustentar durante uma semana, duas se você vivesse sozinho. Em uma tarde de quarta feira o sol queimava a pele dos trabalhadores que não possuíam tendas para vender seus produtos. Uma menina, apesar de nova, se destacava entre a multidão de pessoas.

Helena nunca teve dinheiro o suficiente ou qualquer talento que pudesse levá-la para Escitrus, o lugar onde se localizava o palácio do rei, lá a comida era melhor, tinha água em abundância, pessoas melhores vestidas e é claro menos horas de trabalho. Não que ela já tenha ido pra lá, tudo que sabe sobre Escitrus era o que ouvia de seus clientes, alguns deles gostavam de fofocar a respeito de como estavam felizes lá. Nesemberg sempre foi um vilarejo explorado pelos mais poderosos, incluindo o rei, e então homens de alguma fortuna iam para Nesemberg buscando tirar as riquezas do solo e em troca davam moedas de ouro e prata utilizando qualquer serviço do vilarejo. Não era algo justo a se fazer, Helena sabia, mas graças a os ensinamentos de sua tia, Elizabeth, Helena pôde aprender como engraxar sapatos da mais alta qualidade o que de fato atraia muito dos visitantes. O solo sujo de Nesemberg fazia seu trabalho ajudando Helena a ter mais clientes que precisavam dar uma nova aparência a seus sapatos. O sorriso estampa o rosto de Helena quando ela enxerga homens fazendo fila para serem atendidos por ela, não é muito que recebe, somente duas moedas de prata pra cada engraxada, porém eram essas duas moedas de prata que ajudavam a por pão na mesa ou a pagar uma pequena parte dos impostos absurdos cobrados pelos monarcas. Um homem gordo com um bigode enrolado usando uma cartola na cabeça sentou-se no banquinho na frente de Helena que logo começou a trabalhar.

- Olá minha jovem, qual seu nome? – o Sr. Bigode pergunta.

- Helena Wright, senhor. – Helena responde passando um pano úmido pelos sapatos.

- Muito prazer Madalena, eu sou James Jacksonville. – James diz. Helena alevanta sua cabeça e procura algum indicio proposital no rosto de James por ter errado seu nome, porém o homem continua a falar:

- Eu nunca vi um lugar tão seco como o vilarejo de Nesemberg, como vocês conseguem aguentar? –

- Com muito esforço. – ela responde irônica ajeitando uma mecha de cabelo louro-escuro que cai de seu coque. Mas é claro que Sr. Bigode não percebe o tom de ironia na voz dela.

- É claro. Lá em Escitrus chove muito, você já esteve lá alguma vez Madalena? –

- Não senhor. Ainda não tive a oportunidade de visitar o local, mas ouço muitos comentários sobre as riquezas de Escitrus. – apesar de Helena estar ficando irritada pelo constante erro de seu nome ela trata James com simpatia, pois sente que talvez consiga boas gorjetas.

- Sim, o lugar onde é o palácio do rei deve ter uma boa fama nos vilarejos menores. – James põe a mão gorducha em sua barriga protuberante quando dá risada. – Vou te contar um segredo. – ele fala baixo.

- Se quiser ir pra Escitrus a chave é conhecer as fontes certas e, não deixar de bajulá-las. É tiro e queda. – Helena sorri para ele, mas quando abaixa sua cabeça, voltando ao trabalho, revira os olhos. Para ela é preferível viver sua vida um tanto miserável em Nesemberg do que viver bajulando pessoas que não tem merecimento de estarem no poder.

Após alguns minutos de risadas forçadas, por parte de Helena, e tosses que aparentam necessitar de um médico o quanto antes, por parte de James, Helena termina o trabalho, deixando os sapatos, que uma vez já foram embarrados, novinhos em folha.

- Está pronto, senhor Jacksonville. – Helena passa as costas de sua mão pela testa limpando o suor ali acumulado.

- Ótimo, foi bem rápido. – Senhor Bigode pega um saquinho contendo moedas de seu bolso interno do terno. – Quanto lhe devo Madalena? –

- Duas moedas de prata. – por dentro ela está gritando: “É HELENAA, HELENAA. E SEU BIGODE É ESTRANHO”.

- Aqui está. – Ele entrega apenas as duas moedas de prata e Helena sente que perdeu seu tempo tentando ser simpática com ele e no fim não recebeu nenhuma gorjeta.

- Obrigada pelos seus serviços Madalena. – ele se afasta, mas antes Helena diz:

- É Helena. – James se vira e pergunta:

- Perdão? –

- Meu nome é Helena. –

- Ah, bom. Foi um prazer Madalena. – então o Sr. Bigode vai embora. Dando seu lugar para outro homem bem vestido sentar e tudo começa novamente.

 

•••

Anoitece e Helena arruma seus utensílios de trabalho, partindo para a pequena casa a uns dois quilômetros dali. Quando chega em casa sente um cheiro de tempero, e sabe que sua tia está cozinhando coelho com batatas, algo que é bem raro de acontecer. Helena entra e tira seus sapatos, cumprimentando sua tia.

- Boa noite tia Liz, vamos ter coelho para o jantar? –

- Oi Helena, sim. Pensei em fazer um prato melhor para nós já que você tem trabalhado muito. – a tia responde mexendo em uma panela de ferro.

- Lena, olha só quantos vagalumes eu peguei. – seu primo, Micah, vem correndo com um pote na mão cheio de vagalumes dentro. Helena tinha dez anos quando Micah nasceu já o pai de Micah morreu em uma das minas em que trabalhava e não pode conhecer seu filho. Logo o dever de trabalhar ficou nos ombros de Helena que com apenas dez anos já voltava sozinha enfrentando os perigos da noite. Desde pequeno Micah aprendeu com Helena a caçar vagalumes, observá-los e depois soltá-los para que pudessem voltar à escuridão. Helena estava ensinando Micah, quando o mesmo perguntou:

- Lena, por que nós temos que soltar eles? Por que eles não podem ficar com nós? –

- Primeiro que se nós deixarmos eles presos no pote com o tempo eles morrerão e sua luz vai se apagar, e temos que pensar: “e se um desses vagalumes tem que cuidar de outros?” você gostaria que fizessem a mesma coisa com você? Ou comigo? Ou com sua mãe? – Helena explicou. Micah e Helena olharam para os vagalumes voando na noite, e então ele respondeu:

- Eu acho que não seria justo. Se nós podemos andar livremente por que eles não podem? –

 - Exatamente Micah. – Depois disso os dois passaram o resto da noite observando os vagalumes brilharem iluminando a estradinha de barro.

 

Durante o jantar Elizabeth anuncia:

- Daqui dois dias o Rei e a Rainha virão visitar Nesemberg para cobrarem os impostos. –

Isso lembra Helena de entregar as moedas recebidas para sua tia.

- Aqui estão tia Liz, as moedas que recebi hoje. –

- Não será necessário, Helena. - a tia responde.

- É claro que será, por favor, aceite. – Helena entrega o pequeno saco para sua tia que pega hesitante.

- Tem mais uma coisa que quero dizer. – Elizabeth continua: - Aparentemente alguns vilarejos andam insatisfeitos com a forma que nosso Rei tem governado por isso o Rei tem recebido inúmeras tentativas de ataques. Peço que você se cuide quando eles chegarem Helena pode ser perigoso ficar perto de guardas. –

- Mas é no dia do pagamento de impostos que eu mais recebo, eles vem aos montes interessados em engraxarem os sapatos. – Helena protesta.

- Eu sei, só peço que fique atenta a qualquer coisa estranha. Aqueles de Escitrus que tem poderes estranhos estão acompanhando o rei desta vez. – Helena sabia o que sua tia queria dizer, muitos boatos surgiram dizendo que alguns indivíduos de vilarejos mais ricos podiam controlar a neve, as plantas, o tempo, a própria força, outros o sol e há o boato de que um consegue controlar a escuridão. Mesmo que Helena não acredite nisso, afinal só vendo pra crer, ela sempre acha interessante o quão grande se estende a criatividade das pessoas para inventarem histórias tão peculiares assim.

- Não se preocupe tia, irei me cuidar. -

Helena prepara seu acolchoado no chão e percebe que Micah já está dormindo abraçado em sua mãe que também dorme.

Ela deita olhando para os buraquinhos no teto da casa de um cômodo só e imaginando como seria bom poder proporcionar uma vida melhor para sua tia e Micah. Porém Helena sabe que isso vai depender dela e dá sua vontade de trabalhar. E então naquela noite Helena prometeu a si mesma que daria o seu máximo para conseguir quantas moedas fossem possíveis quando o Rei e seus guardas chegassem.

 

 

 


Notas Finais


Postei e saí correndo.
Beijos


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