História A Pura - Capítulo 5


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Categorias Emma Watson, Jennifer Lawrence, Rupert Grint
Personagens Emma Watson, Jennifer Lawrence, Personagens Originais, Rupert Grint
Tags Brasil, Brasileiro, Classe, Comunidade, Conflito, Emma, Ficção, Futurista, Governo, Grint, Jennifer, Lawrence, Luta, Original, Político, Prostituição, Romance, Rupert, Social, Sociedade, Violencia, Watson
Exibições 49
Palavras 2.304
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


*

Helou, pessoinhas!

Eu e Dadva estamos muito contentes pelos 37 favoritos, 300 visualizações e 69 comentários da fic até o momento. Agradecemos de verdade *w*

Gente, já avisando que esse capítulo tem conteúdo que remete a estupro. Então, se alguém se sentir incomodado, ou não gosta de ler coisas desse tipo, parem de ler assim que chegarem á sentença "os gritos de Maria", e retomem a leitura na próxima passagem ("Não sei quanto tempo se passou")

Confesso que eu mesma me senti desconfortável de descrever a cena, e espero que não me julguem pelo conteúdo... nunca escrevi algo assim, e pode ter saído diferente do que eu esperava :-:

Bem, sem mais delongas, boa leitura :)

*

Capítulo 5 - Inferno


Fanfic / Fanfiction A Pura - Capítulo 5 - Inferno

 

"As tiranias fomentam a estupidez."

Jorge Luis Borges

 

Ocultos pela escuridão da noite, não havia nenhum observador que pudesse testemunhar o carro que nos levava em direção ao desconhecido.

Como uma Tenebri, que havia nascido e crescido na miséria, eu não tinha nenhum conhecimento específico de geografia ou matemática. Mas sabia - pela posição do céu, e pelo tempo que havia se decorrido - que estava, provavelmente, a quilômetros da margem de Umbral.

Milhas longe de casa.

Sentada no banco de trás do veículo, em silêncio, encarei a janela, acompanhando as sombras agourentas de prédios destruídos e terrenos inférteis passando por meus olhos.

Senti algo circundar minha mão, apertando-a gentilmente.

Olhei para o lado, vendo Maria segurando meus dedos. Podia ver a vontade de me consolar em sua expressão.

Mas não havia nada que pudesse me consolar agora.

Senti um arrepio quando o carro desacelerou, estacionando no meio-fio de uma calçada próxima. Senti a mão de Maria pressionar a minha, de modo ansioso.

- M-Maria… - gaguejei baixo, sentindo minha garganta se fechar – estou com medo.

Imaginei que ela mentiria, apenas para me fazer sentir melhor. Uma palavra amiga, de que tudo ficaria bem. De que eu não tinha o que temer. Que eu poderia passar por aquilo sem sofrer, se simplesmente tentasse.

Mas o que vi nos olhos dela…

Era o olhar de quem via uma pessoa ardendo nas chamas de uma pira funerária.

Viva.

Ela sabia pelo que eu viria a passar.

E estava angustiada - e envergonhada - de não poder me ajudar.

- Eu… eu sinto muito…. Eu… eu daria qualquer coisa... para ficar em seu lugar – soluçou., os olhos brilhando.

Espalmei a mão contra o peito, num misto de gratidão e horror, fitando Maria.

Aquela garota, que nem sequer me conhecia, estava realmente dizendo que, se pudesse, se disporia a sofrer ainda mais do que já sofrera, simplesmente para me ajudar.

Pela primeira vez naquele dia tenebroso, senti meu peito esquentar, de um modo agradável, e minha amizade - já crescente - por aquela menina aumentar.

Aquele toque familiar de preocupação e altruísmo espantou um pouco do terror em minha mente, acalmando minha alma atormentada.

- Obrigada – murmurei, a voz levemente embargada.

- Pelo quê? - suspirou, desolada.

- Por ser minha amiga.

Maria arfou baixinho, parecendo surpresa. Abriu a boca, como se fosse dizer algo, mas foi impedida pelo som da porta traseira se abrindo violentamente.

- Muito bem, meninas – agarrou meu pulso, puxando-me para fora – chegamos à nova casa de vocês.

Ergui os olhos, encolhendo-me, sentindo Maria ser empurrada contra minhas costas..

Ao contrário das costumeiras fachadas cinzentas e degradadas dos imóveis de Umbral, aquela construção tinha uma entrada luxuosa, de um tom de vermelho berrante, que eu jamais tivera oportunidade de identificar na vida.

Um tipo de cortina rubra recobria as únicas duas janelas da fachada, cuja entrada, também recoberta por um tecido negro brilhante, se encontrava logo baixo de um letreiro discreto e luminoso. Obviamente, como não sabia ler, jamais teria distinguido o nome do lugar.

Apesar de pomposo, o local me fez recuar, intimidada.

- Bem-vindas ao Palácio Rubi – pigarreou um dos homens de Gilberto – o maior e mais elegante bordel de Umbral.

Maria bufou alto, parecendo irritada de ser recepcionada de modo tão falso e irônico em nosso novo cárcere.

Ele segurou nossos ombros, nos arrebanhando contra a entrada.

Sem outra opção, entramos no pequeno prédio, relutantes, segurando a mão uma da outra.

O Palácio Rubi fazia jus ao seu nome: quase tudo em seu interior, desde as paredes revestidas por tecido felpudo, até os móveis de padrões coloridos, oscilava entre tons de vermelho e rosa, ocasionalmente intercalados com a cor preta.

Segurei um guincho, ao perceber a presença de várias garotas – e mulheres – na ampla sala em que entramos.

Todas pararam o que estavam fazendo, e a conversa morreu durante nossa passagem por ali.

As mais novas, trajando vestidos curtos e maquiagem, nos olharam de modo escandalizado. As mais velhas, com cabelos de cores chamativas, e roupas de tecidos estranhos, pareciam cheias de pena, vendo nós duas subirmos escadaria acima, sem esboçar palavra alguma.

Em outra ocasião, talvez eu teria me maravilhado com tamanho luxo e cor.

Porém, assustada e angustiada, tudo aquilo era amedrontador e perturbador demais para eu poder apreciar.

- Andem – Gilberto tomou a dianteira, nos acossando para o andar de cima.

Eu nunca teria tido tempo de perceber o quanto de coisas novas estava conhecendo em menos de dois dias.

Saltos. Andares. Cores. Carros. Ruas.

Aquilo tudo poderia ter sido uma experiência inesquecível, ainda mais para uma criança que jamais vira o mundo fora de sua casa.

Mas não numa situação daquelas.

Não para uma criança Tenebri.

E, com certeza, não para mim.

Senti meu corpo começar a tremer contra minha vontade, quando Gilberto se pôs entre nós e o corredor que havíamos acabado de transitar, esticando o braço para duas portas de madeira, do lado direito da parede.

- Esses vão ser os quartos de vocês – disse, dando mais outra tragada no cigarro que trazia na boca – vão atender os clientes durante a noite, e de vez em quando, durante o dia também. Podem arrumá-lo como quiserem, desde que os mantenham sempre limpos para quando forem trabalhar – resmungou, erguendo uma sobrancelha grossa para Maria – as regras são simples: satisfaçam os clientes. Comportem-se. E, principalmente – ele me encarou – não tentem fugir. À não ser que queiram enfeitar a amurada com o cadáver de vocês.

Eu tentei, de todo modo, achar alguma nesga de sarcasmo no olhar asqueroso de Gilberto.

Mas não havia. E a ameaça pairou no ar.

Não precisava ser coagida. Estava disposta a fazer qualquer coisa para reduzir meu sofrimento. Por mais que estivesse aflita, não desejava a morte como a saída para os meus problemas.

Mas, inocente como era, não fazia ideia do quanto aquilo custaria.

- Outra coisa – pousou a mão enorme e áspera contra a parede enquanto falava – a partir de hoje, vão se referir a mim como Gil – olhou para o fim do corredor, onde uma jovem, um pouco mais velha do que nós, espreitava da porta do último quarto – Graça vai ensinar tudo que deverão dizer ou fazer por aqui - empurrou Maria na direção do quarto da direita – você já conhece o serviço. Então pode se instalar no seu quarto – acenou para que a moça de cabelos negros entrasse com Maria – ela vai lhe passar o que precisa saber.

Maria olhou para a menina chamada Graça, contraindo as mãos sofregamente.

- V-Vamos, querida – ofegou Graça, segurando-a gentilmente pelos ombros – eu vou te ajudar...

Antes que eu pudesse acompanhá-las, porém, a mão de Gil se fechou como uma garra em meu braço.

- Ah, não, doçura – Gil sorriu de modo perverso, puxando-me grosseiramente para próximo de seu rosto, e tive que prender a respiração, em reação ao odor fétido de nicotina – você é carne nova. Vai ter uma iniciação especial... depois poderá conversar com sua colega...

Graça quase se desequilibrou quando Maria a empurrou, retirando-se da fresta da porta, e se jogando em cima dos braços de Gilberto, desesperada.

- Não, por favor! Ela não sabe... ela não conhece nada! – Maria soluçou alto, e vi, pasma, lágrimas escorrerem de seu rosto – deixe-a em paz! Faça o que quiser comigo, mas não a machuque!

Gilberto apenas riu, contrafeito, acenando com a cabeça para Graça.

A moça segurou Maria, que se debatia, e a virou de volta ao quarto, impelindo-a porta adentro, e fechando-a em seguida, a trancando com uma chave que trazia presa em seu pulso.

Ouvi os berros de Maria de dentro do quarto, sentindo vontade de chorar.

- NÃO! NÃO! LUA!

Vi Graça estremecer, como se reprimisse um soluço.

- Mantenha-a aí dentro até eu terminar – ordenou, ainda com a mão fechada em meu pulso – não deixe ninguém me importunar.

Percebi uma nesga de fervorosa relutância no olhar assustado de Graça. Por um momento, achei que ela contestaria, recusando-se a fazer aquilo.

Mas – descobriria em breve – ela nunca teve alguma alternativa.

Assentiu, aparentando se esforçar em ignorar os socos de Maria na porta.

- Maria! - exclamei, desolada.

Alienado à minha súplica, Gilberto me puxou rudemente para dentro do quarto. Tropecei quando impulsionou o braço contra minhas costas, jogando-me dentro do cômodo.

Os gritos de Maria morreram quando ele fechou a porta, trancando-a atrás de si.

Abracei meu próprio corpo, sem coragem de olhar ao redor. Amedrontada, não conseguia tirar os olhos da expressão cínica de Gilberto.

- Bem, docinho… eu poderia muito bem deixar um dos meus amigos te inaugurar… - soltou uma risada baixa – mas você não parece ser uma carne qualquer. Então eu mesmo cuidarei de você – jogou fora o cigarro, numa lixeira que havia ao canto do quarto – podemos fazer isso do jeito fácil, ou do jeito difícil – Gil sorriu, um sorriso odioso, sem qualquer nesga de simpatia – não me importo com o que escolher… vou me divertir de qualquer maneira.

Choraminguei, começando a sentir o pavor me dominar outra vez.

- Por favor… - implorei, trêmula – me deixa em paz. Por favor…

Gilberto provavelmente não estava acostumado a tolerar qualquer frescura das novatas, como eu viria a concluir, algum tempo depois.

O sorriso dele desapareceu.

Ofeguei de dor, quando Gilberto prendeu meus pulsos com uma das mãos, começando a retirar a cinta da calça com a outra.

- Então quer do jeito difícil – arquejou, desafivelando o cinto, e enrolando-o ao redor dos meus braços – muito bem. Vai ser bem mais divertido.

- Não! Me solta! - solucei, me contorcendo contra seu aperto de ferro, Mesmo usando toda a força que tinha, Gil conseguiu terminar de me amarrar com o cinto – por favor!

Gilberto finalmente perdeu a paciência, erguendo uma das palmas e estapeando meu rosto.

Tropeguei para trás, tonta de dor e desorientada. Foi a deixa para que ele me içasse para cima da cama recostada à parede, acabando de me prender na cabeceira.

O couro machucou meus pulsos quando me contraí, debatendo o corpo em cima do colchão.

Indefesa, sentindo minha pele arder pela agressão, não consegui impedi-lo de tirar o vestido sem alças que usava. Nem as roupas que haviam por baixo.

Não consegui impedi-lo de nada.

Chorando, me encolhi o quanto pude, ainda fazendo uma tentativa débil de lutar.

Mesmo com a visão embaçada pelas lágrimas, vi Gilberto retirando a calça e o restante de suas vestimentas. Retraí as pernas quando tentou me tocar, sentindo seus dedos vulgares em minha pele nua.

- Já chega… - Gil rosnou, afastando meus tornozelos com força, ficando entre meus joelhos – está na hora de você virar uma vadiazinha de verdade.

Ele jogou o peso do corpo em cima do meu, tapando minha boca e investindo-se contra mim.

Sufocando, meu grito foi abafado por sua mão. As lágrimas aumentaram, em reação à dor excruciante que senti no baixo-ventre, sentindo aquele homem pérfido dentro de meu corpo.

Dor. Vergonha. Nojo.

Foi apenas isso que senti, enquanto Gilberto satisfazia suas vontades, continuando a me machucar de todas as formas possíveis.

Perdi quase tudo que me motivava a viver naquela noite.

Assim que terminou, Gilberto desamarrou meus braços, voltou a se vestir, e saiu porta afora, sem dizer uma única palavra.

E eu, desnuda e humilhada, permaneci na cama, com o olhar perdido no vazio.

Fisicamente, ainda convulsionando de dor.

Emocionalmente, não sentia nada.

Desejei que tudo acabasse.

Desejei morrer.

Mas aquilo foi só o começo.


 


 

Não sei quando tempo se passou, durante minha permanência apática e soluçante no quarto. Estava esgotada de chorar, tendo ensopado quase todo o travesseiro no processo.

Quando a porta se abriu, meu corpo reagiu instintivamente, retraindo-se sobre as cobertas, receando uma nova tortura.

Mas ele relaxou, assim que encarei os olhos azuis que me espreitavam na fresta da porta.

Maria adentrou no quarto, recostando a porta e vindo até minha cama. O colchão afundou um pouco quando se sentou na beirada, colocando uma mão hesitante em minhas costas.

Sua voz estava banhada pela angústia.

- Lua?

Ela afagou minhas costas, penalizada, parecendo corroída pelo remorso.

Por mais que eu quisesse acusar alguém, sabia que Maria jamais poderia ter feito alguma coisa. Ela estar ali, se preocupando comigo, era mais do que eu podia esperar naquele inferno.

- Maria… - senti meus olhos umedecerem-se outra vez – está doendo. Está doendo muito – me sinto… tão suja… - engasguei com um soluço – eu quero morrer, Maria…

Maria soltou uma arquejo, debruçando os braços ao meu redor. Surpresa, senti ela me levantar do colchão, sentando-me ao seu lado.

- Não diga isso, Lua – seu rosto se anuviou de pena – eu sei que é terrível. Eu… eu tenho ideia do quanto está sofrendo. Mas não… - hesitou um pouco, prosseguindo alguns segundos depois – não pense nesse tipo de coisa.

- Eu não tenho mais nada, Maria… perdi tudo…

Meu espanto foi enorme quando Maria circulou meu corpo, me puxando para um abraço.

- Temos uma a outra, Lua – ela sussurrou, apertando-me forte – você vai ser minha melhor amiga… e eu nunca vou deixar você. Vamos ser uma família agora. Tá bom?

Solucei alto, abraçando-a de volta.

Uma família.

Eu não sabia o que acontecera com minha família. Talvez nunca viria a descobrir.

Mas se eu viveria naquele estilo de vida infernal, ter uma amiga poderia tornar tudo menos sombrio. Foi fácil escolher entre enfrentar o sofrimento sozinha e encará-lo com alguém que se importava comigo.

- Tá bom – repousei o queixo sobre seu ombro – amigas. Pra sempre.

- Sim – pude sentir um sorriso fraco de Maria em meu rosto – pra sempre, Lua.

Eu ainda não sabia. Mas a amizade de Maria se tornaria o meu único porto seguro, nas ondas tempestuosas e cruéis dos anos que estavam por vir.

Meu destino foi cruel por um bom tempo.

E muito se passou, até que as coisas começassem a mudar.


 


 

 


Notas Finais


*

Ai... cara. To chorando. Tadinha da Lua :-:
Comentários? Sapatadas na cara? :P
No próximo, já iniciamos o segundo de quatro arcos :D
Beijinhos e até o próximo capítulo!

*


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