História A Pura - Capítulo 6


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Categorias Emma Watson, Jennifer Lawrence, Rupert Grint
Personagens Emma Watson, Jennifer Lawrence, Personagens Originais, Rupert Grint
Tags Brasil, Brasileiro, Classe, Comunidade, Conflito, Emma, Ficção, Futurista, Governo, Grint, Jennifer, Lawrence, Luta, Original, Político, Prostituição, Romance, Rupert, Social, Sociedade, Violencia, Watson
Exibições 39
Palavras 2.187
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


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Hey, estou de volta, pipous.
39 favoritos. Cara. Eu e Dadva estamos muito felizes. Agradecemos muito <3
Nesse capítulo, já se inicia o segundo arco, que se passa já no "presente". Vai narrar um pouco mais sobre o Palácio Rubi - que a a galera já apendeu a odiar... rsrsrs
Boa leitura!

*

Capítulo 6 - Palácio Rubi


Fanfic / Fanfiction A Pura - Capítulo 6 - Palácio Rubi

 

“O futuro pertence áqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”

Eleanor Roosevelt

 

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SETE ANOS DEPOIS

 

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Sete anos se passaram.

E, em todo este tempo, não houve um segundo sequer em que eu não tivesse desejado – ou mesmo sonhado – com uma liberdade inalcançável.

Desde que havíamos nos estabelecido no Palácio Rubi, houve uma rotina a ser seguida.

E ela foi. Rigidamente.

Eles vinham. Me usavam. Iam embora.

Todas as vezes. Todos os dias.

Ainda não sei explicar como suportei aquilo por tanto tempo.

Talvez fosse por que Maria, de alguma forma, se tornou como uma irmã para mim. Talvez fosse pro que nós nos apoiávamos mutuamente, tentando sobreviver cotidianamente àquele inferno na Terra.

Durante todos aqueles anos, tivemos tempo o bastante para nós nos conhecemos melhor.

Oriunda de Eco, outra cidade Tenebri, Maria tinha sido vendida pelo próprio pai, como era costumeiro nas áreas mais miseráveis da margem. Já tivera um “dono”, um Tenebri socialmente mais abastado, que a havia maltratado das piores formas possíveis.

No entanto, algum tempo depois, tinha conseguido despistá-lo numa feira. E então fugira, com doze anos, para Umbral.

Ela nunca me disse o nome dele. Era óbvio que lutava para esquecer aquela parte de sua vida.

Naturalmente, sua fuga não rendera bons resultados, já que o Açougueiro a interceptara na baía da cidade. Foi assim que ela foi parar no furgão, onde eu a conheci.

A vantagem de se passar tanto tempo com alguém é que, obrigatoriamente, por uma questão de necessidade, você se apega a esta pessoa.

E, sem nunca saber o que havia acontecido com minha família, Maria acabou adotando o seu papel. Ela era minha melhor amiga. Minha confidente. A única pessoa que parecia realmente entender o que se passava dentro de mim.

Porém, ainda havia mais uma pessoa com quem eu me importava ali.

Aline já era residente do Palácio Rubi há mais de dez anos. Quando criança, vivia na rua. Órfã de pais, foi sequestrada com quatorze anos. Tinha dezessete quando nos conheceu, sendo uma das mais velhas do grupo de garotas do local.

Ao contrário do que se esperaria, sendo que muitas das mulheres ali já estavam conformadas com suas situações, Aline nunca refreou-se de demonstrar seu desgosto por aquele estilo de vida. Meio que nos acolheu, como uma figura orientadora, e era uma conselheira muito carinhosa e altruísta.

Aquilo nos serviu bem para nos adaptarmos a angustiante realidade daquele lugar.

Para qualquer mulher Tenebri, ser prostituta do bordel mais famoso de Umbral era um luxo. Para aquelas que se dispunham a vender seu corpo, em nome de Gilberto e seus sócios, era uma oportunidade única de mudar de vida. Caso se submetessem, seriam bem tratadas. Teriam comida e abrigo, sem falta, durante toda as suas vidas. Talvez até alguns agrados dos clientes mais dispostos. Aquelas que ainda tinham famílias podiam lhes enviar ocasionalmente uma boa quantia de bases, talvez até evitando que uma criança fosse a próxima vítima dos caçadores de carne.

Algumas delas ainda não entendiam por que vivíamos tão apáticas, insistindo que tínhamos muita sorte, e que qualquer outra Tenebri desejaria estar em nosso lugar.

Imagino, talvez, que estas mulheres não passaram pelas nossas angustiantes “iniciações”. Então não podia julga-las.

Cada prostituta do Palácio Rubi podia estabelecer sua própria rotina, desde que ela não interferisse no atendimento aos clientes, e contanto que nunca deixasse o estabelecimento.

Isso nos dava certas oportunidades de exercer outras atividades, que nos distraíssem da tortura cotidiana de ser um objeto sexual.

Aline, há dois anos, conhecera um cliente que, surpreendentemente, lhe ensinara a ler e escrever, dando-lhe aulas dentro do quarto, após terminar o “serviço”. Com isso, ela também nos repassou o que havia aprendido, às escondidas.

Àquela altura, eu já conseguia escrever meu próprio nome, e Maria já elaborava frases curtas. Com isso, Maria pegou gosto pela escrita, e começara a criar pequenos poemas – quase sempre de tema melancólico e dramático, mas escritos com todo o cuidado.

Aline, em seu tempo livre, gostava de cantar – e havia quem dizia que não havia voz mais bela no Palácio do que a dela.

E eu….

Não tinha exatamente um hobby.

Não havia nada que conseguisse me aliviar a consciência de que estava vivendo – sobrevivendo – uma vida vazia.

As meninas tentavam me animar todo dia, tentando me tirar do meu torpor existencial. Às vezes, conseguiam, me arrancando uma ou outra risada, me fazendo sorrir.

Aline, em especial, vivia de tentar fazer gracinhas, e não era raro, no meio da tarde, ouvir a sala do Palácio se sacudir com gargalhadas, devido a mais uma piada contada por nossa amiga. Seus gracejos preferidos quase sempre envolviam ironias sarcásticas sobre os atributos dos seus clientes.

Num desses dias, na pausa que sempre acontecia perto das cinco horas da tarde, todas estavam dispostas ao longo dos pufes rubros da sala de repouso. Aline, debruçada sobre a mesa, comentava sobre o último cliente que atendera, um homem Luxe relativamente rico.

- Então… pra variar, ele disse aquelas mesmas coisas de sempre… que ia ser diferente, que eu ia me satisfazer… as mesmas baboseiras que todos falam – resmungou, revirando os olhos – aí olhei pra baixo e fiquei me coçando pra comentar… “colega, se o prazer que eu vou te dar for do tamanho do teu amiguinho, eu tenho péssimas notícias pra você”.

As mulheres caíram na risada. Maria deu uma risadinha fraca, distraída, ainda deslizando o lápis tosco pelo papel onde escrevia. E eu, por mais que não gostasse tanto do teor dos comentários de Aline, ensaiei um muxoxo.

- Essa Aline mata a gente de rir! - comentou Graça, alisando a barriga, visivelmente proeminente.

Aquilo fora um acontecimento alvoroçante entre todas as prostitutas. Há cinco meses, Graça havia engravidado, deixando Gil completamente atônito - e muito aborrecido.

O processo de aborto – ao qual ele sempre encaminhava as garotas que concebiam acidentalmente – só não aconteceu por que, para surpresa geral, a criança era justamente do cafetão do Palácio.

Ninguém sabia o que estava se passando na cabeça dela com tudo isso.

Graça parecia feliz – não tanto por saber que Gilberto era o pai do seu bebê, claro.

Mas aparentava realmente estar contente por aquela criança.

Tendo o mesmo sangue do dono do bordel, seu filho ia nascer fora do risco de ser vendido e prostituído. Era mais do que qualquer mãe Tenebri poderia desejar.

A única coisa que a preocuparia, talvez, é o que Gilberto ensinaria para ela.

Maria pigarreou, chamando minha atenção. Virei a cabeça, observando minha amiga.

Nós havíamos mudado muito fisicamente ao decorrer de todo aquele tempo. Maria havia se tornado uma jovem e bela mulher, ainda com alguns traços infantis no rosto vivaz. Tinha o corpo bem mais curvilíneo do que o meu, e os cabelos – antes escorridos e sem vida – haviam se tornado mais ondulados e coloridos.

- Terminei – falou num fio de voz, olhando ao redor, como se temesse que um dos sócios de Gilberto adentrasse no cômodo e a apanhasse escrevendo.

Rapidamente, apanhei o pedaço de papel que me inclinou. Movimentando os lábios devagar, me esforcei para ler.

Não era um poema, como de costume.

Era uma frase.

 

Ouvi Gil conversando. Luxes virão no sábado. Estavam falando de você.

 

Senti meu estômago despencar.

Maria me encarou, afoitamente, segurando minha mão.

Visita de clientes Luxes. Qualquer outra prostituta teria surtado, já pensando em decorar seu quarto da melhor forma possível, ao nível de tamanha honra. Eram eles que pagavam melhor pela companhia das garotas – e os que deixavam Gilberto mais feliz.

Um cafetão satisfeito significava mais agrados para as prostitutas.

Quase sempre, eram rapazes ainda virgens, que vinham até a margem, para um tipo de ritual de iniciação da vida adulta. Gil, tentando deixar os clientes mais à vontade, normalmente designava as prostitutas mais jovens para esse serviço especial.

E agora, chegara a minha vez.

Os dois Luxes que já haviam passado por meu quarto haviam me deixado amedrontada o suficiente para que a notícia me abalasse.

Ambos brutamontes cruéis, que vieram ao Palácio para se divertir com as meninas mais frágeis, como num processo de auto-realização.

O que eu poderia esperar de um completo inexperiente?

Aline deslizou o corpo pela mesa, se aproximando de nós. Recolheu o papel nas mãos de unhas pintadas, e seus olhos se arregalaram.

- Não – ocultou-o dentro do espartilho – não, Maria. Ele não faria isso!

Maria deu um guincho de desdém.

- E tem algo do qual Gilberto não seja capaz?

- Não – respondi por Aline, ao que ambas me olharam, penalizadas – acredito que não.

Percebi que Aline fechou a cara para Maria.

- Tem certeza disso?

Minha amiga corou de leve.

- Tenho. Dessa vez eu tenho.

Saltamos de susto quando a porta da sala se abriu. Gilberto adentrou no local, batendo palmas, e ostentando um sorriso cheio de satisfação, que retraia seu bigode negro.

- Boa tarde, queridas! - quase todas o cumprimentaram, exceto nós e Graça, que mantinha uma posição de puro desafio. Gil estreitou os olhos na direção dela – tenho uma ótima notícia para vocês!

- O que? - Graça titubeou, o ombro apoiado na mesa e a mão abarcando o rosto – tu conseguiu evitar engravidar outra piranha de novo?

Gilberto a ignorou – embora eu tivesse certeza de ter visto seus punhos se contraírem – e assobiou para o lado de fora, chamando um de seus asseclas para dentro da sala.

- Não tem medo dele te castigar? - indaguei, tensa.

- Eu teria – sussurrou, encarando-o – mas ele não tem coragem de me bater agora. Não quando tô com o filho dele dentro da barriga – suspirou – talvez depois, imagino.

- Trouxe um presentinho para vocês, meninas – Gil abriu espaço para que o homem entrasse, trazendo consigo algo de forma quadrada, aparentemente pesada, e colocando o objeto sobre a mesa.

- Ai meu Deus – ganiu uma das meninas, que havia chegado na semana anterior – isso é uma televisão???

Houve uma maré de exclamações ao nosso redor, e mesmo eu tive de esconder minha surpresa. Uma televisão, mesmo num lugar tão luxuoso como o Palácio Rubi, era algo realmente inimaginável. Apenas os Luxes tinham o direito de ter tal comodidade.

- Sim – Gil sorriu de novo – podem assistir durante o tempo livre, mas desliguem e subam antes que os clientes cheguem. Vocês me deixaram muito contente, meninas. E vocês sabem que Gil recompensa as meninas que trabalham bem – seu sorriso desapareceu um pouco quando virou-se em minha direção, sacudindo o cigarro no dedo – bem… quase todas.

Aline e Maria me ladearam de modo protetor, enrijecendo-se diante do olhar de Gilberto. Ele veio até nós, envergando a cabeça para mim, enquanto as demais mulheres se revezavam para experimentar a televisão.

- Lua. Lua, Lua, Lua – entoou, rindo – você vai ganhar uma recompensa a parte, doçura.

Por mais que minhas amigas tentassem me proteger, sabia que não havia nada que pudessem fazer. Elas se afastaram um pouco, ainda fitando Gilberto com repulsa.

Fiquei em silêncio, como normalmente fazia quando ele se dirigia a mim.

- Sua ideia de recompensa é asquerosa, Gil – Graça se ergueu, cruzando só braços.

Gilberto agarrou-lhe o pulso, lançando-lhe um olhar de puro ódio.

- Espere só esta criança nascer, Graça… apenas espere… - rosnou, soltando-a em seguida, e voltando-se para mim – como eu dizia, Lua… teremos uma visita importante no fim de semana… e decidi que você será a adorável recepção de boas vindas dele. Não espero nada além do seu melhor para satisfazê-lo – ergueu o queixo, fechando o rosto numa expressão dura – ou eu lhe garanto que vai se ver comigo depois – acenou com a cabeça para Maria e Aline, que ainda se mantinham próximas a mim – e vocês, suas vadias? O que estão olhando? - resmungou – quer saber? Já podem subir para seus quartos.

Maria nem hesitou. Segurou-me pelos ombros, puxando-me para longe de Gilberto.

- Vamos, Lua.

Subimos na mesma hora, sem nem olhar para trás.

Meu corpo começou a tremer, numa fusão de raiva e medo.

Sentia aquilo todo dia.

Mas agora… minha vontade era de se jogar no chão e me encolher, como um dia fizera no quintal de minha antiga casa.

Esconder-me. Desaparecer daquele mundo.

Maria afagou minhas costas, enquanto Aline me dava um tapinha condolente no ombro.

- Ah, Lua… - Aline fungou – o que eu não daria para te ajudar…

As duas se emudeceram, sabendo que nada que disserem faria com que eu me sentisse melhor. Simplesmente abriram meu quarto, me sentaram gentilmente na cama, se despediram de mim com um abraço, e saíram lentamente, ainda trocando olhares desesperados.

O vazio ameaçava se estabelecer dentro de mim outra vez.

Deitei-me na cama, e fechei os olhos, mesmo sabendo que vararia a noite em claro, tendo os mesmos pesadelos com homens me torturando e usando de todos os modos horrendos possíveis.

Mesmo sabendo que os pesadelos nunca terminavam com o raiar do dia.

Só me restava aguardar aquele dia agourento, desejando que tudo terminasse o mais breve possível.

Porém, aquela visita dos Luxes ao Palácio Rubi, ao contrário do que imaginei, iria ser bem mais impactante em minha vida do que eu havia pensado.

Foi a partir dali que tudo mudou.

 

 


Notas Finais


*

Ai, Deus.
Teorias? Comentários?
Gostou da tua personagem, @AlineWhero ? :P rsrs
Beijinhos e até o próximo capítulo!

*


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