História A Queda - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Drama, Mistério, Revelaçoes
Visualizações 2
Palavras 1.177
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Aeroporto


Fanfic / Fanfiction A Queda - Capítulo 2 - Aeroporto

Kim Taehyung  Online

Sempre gostei de aeroportos. Podem me chamar de romântico, mas eu ficava inebriado ao ver famílias e amantes se reunindo, aquela fração de segundo em que os cansados e queimados de sol emergem pelas portas de vidro e o reconhecimento ilumina seus olhos. Assim, quando Jimin pediu que eu fosse pega-lo no aeroporto de Osaka, fiquei mais do que feliz.

Sai com uma boa hora de folga. Queria chegar cedo, tomar café e observar as pessoas durante um tempo. Agora é estranho pensar nisso, mas naquela tarde eu estava com um humor maravilhoso. Tinha recebido um convite para o papel de mordomo na terceira temporada de Cavendihs Haal e eu tinha conseguido achar uma vaga de estacionamento que não exigia caminhar muito até a entrada. Como estava de bom humor, pedi um Espresso com leite e creme extra e fui me juntar a multidão que esperava a saída dos passageiros da área de bagagem. Perto da loja do Cup, um grupo de jovens estagiários discutindo sem parar fazia um serviço execrável desmontando uma decoração cafona de Natal que já deveria ter sido retirada muito antes.

Eu não tinha pensado em verificar o horário do avião no painel de vôos, por isso fui apanhado desprevenido quando uma voz nasalada estrondeou no alto falante:   

-Por favor, todos os que esperam a chegada do vôo 277! Osaka vindo de Tóquio dirijam-se ao balcão de informações, obrigado.

“Esse não è o vôo de Jimin?”, pensei, verificando os detalhes no meu café. Não fiquei muito preocupado: presumi que fosse um atraso. Não me ocorreu pensar por que o Jimin não havia ligado dizendo que iria se atrasar.

A gente nunca pensa que isso vai acontecer com a gente, não é?

A principio éramos apenas um grupo pequeno, outros, como eu, que tinham chegado cedo. Uma garota bonita com cabelo tingido de ruivo segurando um balão em forma de coração preso numa vareta, um cara com corpo de lutador e um casal de meia – idade com pele de fumante, vestindo roupas de moletom idênticas, cor de cereja. Não era o tipo de pessoas de quem eu geralmente optaria por me aproximar. É estranho como as primeiras impressões podem ser tão erradas...agora eles estão entre os meus melhores amigos mais íntimos. Bom, esse tipo de coisa une a gente, não é?

Eu deveria saber, pela expressão chocada do adolescente que estava no balcão e pela mulher da segurança ao lado dele, que algo horrível se passava, mas nesse estagio só estava irritado.

-O que está acontecendo? – falei rispidamente no meu melhor sotaque de Seul.

O adolescente conseguiu gaguejar que deveríamos acompanhá-lo até “onde mais informações seriam dadas”.

Todos obedecemos. O adolescente praticamente correu na frente, talvez para que nenhum de nos tivesse chance de interrogá-lo, e nos fez passar por uma porta inócua ao lado do escritório da alfândega. Fomos levados por um longo corredor que, a julgar pela tinta descascada e o piso gasto, não ficava numa parte publica normalmente vista pelo publico. Lembro-me de sentir um cheiro de fumaça de cigarro vindo de algum lugar, num flagrante desrespeito a proibição do fumo.

Fomos parar numa sala de espera sem janelas, mobiliada com gastas poltronas cor de vinho, típicas de sala de espera. Meu olhar foi atraído por um daqueles cinzeiros tubulares dos anos 1970, meio escondido atrás de uma planta de plástico. É engraçado o que a gente recorda, não é?

Um cara com terno de poliéster segurando uma prancheta veio na nossa direção, o pomo de adão subindo e descendo como alguém que sofre de renite. Apesar de pálido feito cadáver, suas bochechas estavam vividas com um corte feito ao se barbear. Seu olhar ia de um lado para outro, encontrou o meu brevemente, depois fitou algum ponto ao longe.

Naquele momento, acho, é que fui atingido pela compreensão nauseante de que ia ouvir algo que mudaria minha vida para sempre. O sujeito de terno engoliu em seco, num espasmo convulsivo.

-Lamento muito dizer isso a vocês, mas o vôo 277 desapareceu do radar há cerca de uma hora.

O mundo oscilou e eu tive os primeiros sintomas de um ataque de pânico. Meus dedos estavam pinicando e o peito começava a se apertar. Então fiz a pergunta que todo o resto estava querendo saber:

-Ele caiu?

-Por enquanto não temos certeza, mas, por favor, saibam que daremos a informação a vocês assim que ela chegar. Psicólogos estarão disponíveis para quaisquer de vocês que...

-E há sobreviventes?

-Como eu disse- o sujeito de terno ficou ruborizado- temos psicólogos a disposição de vocês...

A garota que segurava o balão começou a soluçar de maneira meio teatral e largou o balão. O vi quicar triste no piso, acabando por se alojar perto do cinzeiro retro. Todo mundo parecia gritar ou chorar, mas eu sentia um curioso distanciamento com relação ao que acontecia. É uma coisa medonha de admitir, mas pensei: “Lembre-se do que você esta sentindo, Tae, pode usar isso em algum drama”. Não sinto orgulho disso; só estou sendo honesto.

Fiquei olhando o balão, e de repente pude ouvir a voz de Jimin, nítida como um sino. Avia me ligado no almoço para conversar comigo no dia anterior a viajem, e não avia parado de pegar no meu pé falando de cerejeiras, presumindo, por algum motivo, que o Japão ainda estava na era feudal.

Era a primeira vez que Jimin vinha sozinho e ele estava mais empolgado com isso do que com suas férias. Eu me pequei tentando lembrar a ultima coisa que Jimin me dissera, algo do tipo “vejo você quando estiver mais velho, Taetae”. Nós não nós víamos a 2 anos, mas como pude não ter sentido que algo medonho acontecera? Tirei o telefone do bolso, lembrando que Jimin tinha me mandado um torpedo na véspera: “Vim dizer oi. Medo de usar o banheiro. Chegarei ai 15h30. Não se atrase :3”. Repassei  as mensagens, tentando encontrar algo que o tivesse salvado.

Sem me dar conta, estava de volta ao saguão de desembarque. Não lembro como fui parar lá nem se alguém tentou me segurar. Eu vagava, sentindo que as pessoas me olhavam, mas nesse momento elas eram figurantes sem importância. Havia algo no ar, como se uma tempestade fosse desabar. Pensei: dane-se, preciso de uma bebida, o que não era do meu feitio, pois eu não bebia a anos. Fui como um sonâmbulo em direção ao bar irlandês na extremidade do saguão. Um grupo de rapazes de terno rodeava o balcão, vendo TV. Um deles, um moleque, falava alto demais, asneiras sobre 11 de setembro. Parou no meio da frase quando me aproximei e os outros abriram espaço para mim, recuando como se eu fosse contagioso. Claro, desde então aprendi que o sofrimento é contagioso.

O som da televisão estava no Maximo e um apresentadora falava sem parar. Atrás dela havia a imagem do que parecia um espécie de pântano com um helicóptero puxando alguém. Li a legenda: “Acidente com o avião de Osaka, um sobrevivente.”

Mas quando vi aquele rosto finalmente entendi: Jimin ainda estava vivo.

 

                              

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...