História A Queda - Capítulo 12


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Categorias Originais
Tags Apocalipse, Apocalipse Zumbi, Drama, Suspense, Terror, Zumbi
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Palavras 2.204
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Canibalismo, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Resgate


– Ok, se prepara. – Eu disse a Matheus, observando o carro vir à toda até nós.

            – Se preparar pra morrer não é tão fácil quanto parece. – Ele rebateu.

            A buzina fina e característica do Fiesta ecoou pela rua, atraindo sua atenção.

            – Esse é...

            – Tem que ser! – Respondi, subindo numa pedra do supermercado destruído, próxima.

            Acenei freneticamente com os braços, em total desespero, sinalizando ao veículo. Uma piscadela de farol indicou que fomos vistos. Desci dos escombros, me juntando a Matheus, e preparei-me para entrar no Fiesta.

            Este parou ao nosso lado derrapando e a porta traseira foi aberta. Para minha felicidade (e total confusão), William está no volante, acompanhado por Angelo sentado no banco do carona, bastante arranhado.

            Pulei no banco de trás, puxando Matheus e ele fechou a porta. William arrancou o carro, descrevendo um “u” na rua e indo para longe do supermercado e do engavetamento, na direção de onde viera, desviando majestosamente das criaturas que querem nossas peles.

            – Seus filhos da puta! – Berrei apertando os ombros dos dois. – Achei que tinham morrido!

            – Você nos abandonaram, vocês são os filhos da puta! – Angelo rebateu.

            – Nós quase morremos, aquele Marcos é completamente louco! – Matheus disse na defensiva.

            – Eu só quero saber por que uma porra de um avião caiu na cidade. – William disse, distante.

            – Seus malditos, eu amo vocês tanto! – Eu disse, feliz.

            – Deixa pra ser gay depois, temos problemas agora. – Angelo respondeu, virando-se para frente.

– Onde vamos, China? – Matheus perguntou.

– Pra casa.

– Mas o estádio...

– Caiu. – Angelo me cortou. – Chegamos lá no exato momento em que as portas da lanchonete cederam. Pegamos o carro por pouco.

– E inclusive ele não vai durar muito. – William disse. – Não tenho quase nada de gasolina, precisamos abastecer.

– Acho difícil encontrar um posto aberto agora. – Matheus zombou.

– Antes de mais nada quero chegar em casa. – William falou decidido.

O silêncio no carro foi o indicativo de que todos estão de acordo. Eles estão vivos. Eles estão bem. Sorri novamente, mais aliviado.

            Atravessando a cidade, dá para ver que ainda há algumas pessoas tentando fugir dos infectados. Vários prédios estão em chamas, sem ninguém para apagá-las. Muitas ruas estão bloqueadas por acidentes, ou por veículos servindo como barreiras. Passamos por uma escola onde em sua fachada, enfiado no muro, está um ônibus bastante amassado. O interior está cheio de infectados que nos observam enquanto dirigimos rapidamente por eles.

            Mais à frente, uma maré de monstros toma a rua. William freou vários metros atrás, mas as criaturas ouviram a derrapagem dos pneus. Eles começam a correr até nós, todos de uma vez. A visão mais assustadora que já tive na vida.

            William engatou a ré, retrocedendo alguns metros. Ele freou o carro, derrapando para o lado e ficando embicado para uma saída à direita (na contramão, mas imagino que isso não importa muito). Ele acelerou e novamente os pneus do judiado Fiesta ganiram, girando contra o asfalto. Um infectado conseguiu pular, segurando-se na porta. Matheus abriu o vidro (gritando em puro terror) e golpeou a coisa várias vezes na cabeça com sua faca. O monstro perdeu a força quando sua meia-vida foi encerrada e rolou morro abaixo, sendo pisoteado pelos outros infectados.

            – De onde vem tanta gente? – Angelo perguntou.

            – É, não tem como todo mundo ser de Bragança! – Matheus concordou.

            – A USF era um hospital de campanha. Deve ter trazido uma caralhada de pessoas pra cá. – William lembrou.

            – Porra tá ficando cada vez mais complicado. – Eu disse.

            –Segura! – William gritou, dando um cavalo de pau.

            O Fiesta ficou atravessado na rua (e atingiu um infectado que voou longe, deixando o vidro traseiro trincado e a porta amassada). William pisou fundo e o carro morreu, deixando-nos num estranho silêncio por uns instantes.

            – Eita! – Ele exclamou, girando a chave.

            O homem atingido veio correndo, mancando com uma fratura exposta bem feia no quadril, e golpeou o vidro do carro, trincando-o ainda mais. Após um altíssimo grito de susto, abri o vidro e enfiei o cutelo em sua cabeça e ele caiu, deixando um braço para trás.

            – Ah! – Exclamei, atirando o membro decepado pela janela.

            O carro arrancou, colando-nos aos bancos. Após descermos a rua, William virou à direita, saindo atrás de todos aqueles monstros que por pouco não nos pegaram, e ainda assim começaram a nos seguir.

            – Essa foi a pior hora possível pro carro morrer. – Angelo comentou.

            – Cala a boca, cê tá vivo. – O motorista rebateu.

Rodamos em silêncio por um bom tempo. Há por aqui uma grande quantidade de veículos abandonados, parados no meio fio, sobre as calçadas e até dentro de praças e prédios. Vi dois ou três infectados apenas. Imagino que os outros estejam todos se dirigindo até o acidente aéreo. Olhei para trás e no horizonte, pude ver a grossa coluna de fumaça negra manchando o céu. Se a humanidade sobreviver a isso, com certeza ficará marcada para sempre.

Não mais de cinco minutos se passaram, e chegamos à casa de William. Numa rua apertada, também vazia, a residência parece em bom estado. O portão está fechado e o carro não está na garagem. Eles conseguiram. William parou o Fiesta e nós quatro ficamos dentro do veículo por uns instantes, esperando algum sinal dos infectados. O silêncio se manteve, porém.

William então saltou do veículo. Ele abriu o portão (que apesar de fechado, está destrancado) e foi direto à porta. Girou a maçaneta mas ela não se mexeu.

– Pega a chave no carro pra mim. – Pediu à Angelo que após alguns segundos de procura, me entregou o molho metálico e eu o entreguei à William.

Ele destrancou a porta mas hesitou ao abri-la. Pude notar um leve tremelique em sua mão. Talvez o medo de encontrar o que quer que esteja lá dentro.

– Com cuidado. – Eu disse, apoiando uma mão sobre seu ombro.

China respirou fundo e abriu a porta, ainda meio relutante. Ela deslizou rangendo, revelando a sala. Um pouco bagunçada, mas sem sinal de luta, e não há sangue no chão como vimos na casa de Matheus, o que é um ótimo sinal. Ele entrou, pisando cautelosamente. Checou o quarto dos pais e depois o seu.

– E aí? – Matheus sussurrou atrás de mim.

– Não tem ninguém. – Respondi, entrando mais fundo na casa.

William tirou debaixo de sua cama uma longa caixa de papelão, abriu-a, revelando uma espingarda de pressão. Ele tirou a “arma”, avaliando-a por alguns segundos, depois estendeu-a à mim.

– É... – Murmurei.

– Eu sei que você é melhor de tiro que o Zola. – Ele disse, insistindo.

– China isso é...

– Brinquedo, eu tô ligado. Mas ninguém precisa saber. – Ele respondeu, piscando um olho.

Peguei a arma, já familiarizado com seu peso abri o cano.

– Não tem munição. – Comentei e William riu baixo.

Ele pegou uma caixa de chumbinhos e me entregou, como se aquilo fosse fazer muita diferença. Então saiu do quarto, como alguém que lembra de algo importante. Eu o segui, passando pela cozinha e descendo até a edícula nos fundos. William estacou no pé da estreita escada, parecendo encarar alguma coisa. Então voltou a caminhar, devagar, abrindo o pequeno portão. Novamente o segui.

Meu coração pulou uma batida ao ver a quantidade de sangue. Nada bom. Andei vagarosamente até onde está ele está, ajoelhado perto da poça de sangue. O pequeno corpo não é humano, e sim de uma criaturinha bege e muito simpática. Mel, sua vira-latas está inteira despedaçada.

            – Ela não teve chance. – Ele disse quando cheguei a seu lado. – Ah, isso é tão errado. – Disse, levantando-se.

            Ele observou o pequeno animal, fungando discretamente. Abalado, foi até uma área de lavanderia. Ao lado de uma das máquinas, há um punhado de feno enrolado, parcialmente coberto por um saco preto de lixo. Grudadas nele, estão várias flechas.

            – Ah! – Exclamei.

            William tirou do canto um arco composto, que eu simplesmente esqueci de sua existência.

            – Então é por isso que você me deu a arma. – Eu disse e ele sorriu tristemente.

            – Isso é melhor do que nada. – Comentou, enquanto tirava as flechas presas ao feno.

            – A gente precisa dar um jeito nessas pontas. – Eu disse, analisando a uma das flechas.

Obviamente as “munições” tem uma ponta arredondada e quase inofensiva. A não ser que a ideia seja atirar em infectados de feno, precisamos mudar isso.

– Uma coisa de cada vez. – Ele respondeu, colocando algumas delas numa aljava presa ao arco. As outras ele entregou a mim.

– Cadê vocês? – Matheus disse lá de cima.

Ele desceu a escada a passos largos e parou bruscamente ao ver o sangue no chão.

– Ah, mano... – Murmurou ao ver o pequeno animal. – Ela era demais.

– Poderia ser pior. – William disse asperamente.

Desviou o olhar e subiu de cabeça baixa. Fui atrás junto com Matheus.

– Onde ele arranjou aquele arco?

– Ele comprou um tempo atrás. Dá pra dar um susto.

– E essa arma aí?

– A ideia é a mesma, mas na real, um tiro bem dado de chumbinho pode ser fatal. Eu acho.

– É melhor que nada.

Nós passamos pela porta da cozinha e William a trancou com duas voltas de chave. Imagino que não queira descer lá outra vez. Nos reunimos em seu quarto após termos trancado a casa toda. Matheus e eu tiramos as mochilas das costas, colocando os itens que pegamos no supermercado no chão. O dono da casa também trouxe da cozinha mais alimentos, assim como garrafas de água, fósforos, uma lanterna e algumas pilhas e uma faca de combate.

– Eu tenho uma ideia. – William disse, ao ver que todos nós estávamos esperando ele se pronunciar. – Ontem tinha um avião indo na direção do aeroclube né?

– Acho que sim. – Angelo disse.

– Não dá pra saber direito, mas pelo jeito que ele tava voando...

– Exato. – William cortou o raciocínio de Matheus. – Gu, me ajuda aqui, você que entende mais dessas coisas. Viu qual avião era?

– Acho que era um Hércules.

– E o que é um Hércules?

– É um cargueiro. É bem grande e tem uma baía de carga que consegue levar até carro. – Pisquei, perguntando-me de como eu lembrava daquilo tudo – Por quê?

– Tô achando que tem uma base lá.

– Outra zona segura? Não tinha nada disso na TV. – Zola rebateu.

– Eu disse base. Se as zonas seguras não funcionassem, os militares precisariam ter um plano reserva né?

– É provável. – Matheus disse pensativo.

– Precisariam de um jeito eficiente de manter a posição deles aqui, uma base avançada e tô achando que é lá. Se tem algum lugar nessa cidade que tire as pessoas daqui, vai ser aquele aeroclube. Acho que devíamos ir pra lá. – William concluiu.

– Isso implica atravessar a cidade de novo.... Com pouco combustível. – Angelo lembrou.

– Sim, mas, teremos mais chances de sobreviver se formos pra lá. Sozinhos não temos condição alguma.

– Eu concordo, mas atravessar a cidade.... Sei não, amigo. – Matheus disse.

– Olha, na melhor das hipóteses, o que temos de comida e água vai durar umas duas semanas. Isso se nenhum desses filhos da puta descobrirem que estamos aqui antes. Não é nada seguro e eu duvido que as coisas melhorem em só algumas semanas. Precisamos agir.

– Andar pela cidade também não é tão seguro. – Angelo rebateu.

– Mas a chance é maior. – Eu disse. – O China já provou que consegue dirigir no meio dessa merda. Se não precisarmos sair do carro, não vai ter problema, eu acho.

– Tá. Faz sentido. Mas e quanto ao combustível? – Matheus lembrou, esfregando a testa.

– Tem o Bremen aqui perto. Talvez a gente consiga abastecer nele.

– Se as bombas tiverem energia. – Falei pensativo.

William levantou-se de um pulo e caminhou até o interruptor atrás do armário, apertando-o. A luz se acendeu sem nenhum problema.

– Isso pode ser temporário. – Ele disse, apagando-a.

– Quer ir agora? – Matheus perguntou com uma sobrancelha arqueada.

– Antes que dê alguma merda e fiquemos sem energia e sem gasolina pra valer daí.

– Na verdade pode ser uma boa. – Angelo disse, levantando-se. – Com a queda daquele avião, é provável que a explosão atraia todos os infectados pra lá. Se formos rápidos, não encontramos nenhum deles por aqui.

– Isso! – William apontou à Angelo, animado. – Mas não devemos ir todos.

– Hãn? – Murmurei.

– Nós quatro chamamos muita atenção. Agora uma dupla é bem mais discreta. Além do mais, eu queria que alguém ficasse caso meus pais voltem pra casa.

– Tá, mas quem vai?

– Eu, obviamente. – William disse, balançando as chaves do carro.

– Eu vou. – Me voluntariei, erguendo a espingarda. – Você mesmo disse que eu sou melhor de tiro que o Zola.

– Ei! – Angelo protestou.

Nós quatro o fitamos, com expressões sérias.

– É, tá certo. – Ele disse, aborrecido.

William pegou o arco, pendurando-o num ombro. Depois, arrancou uma réplica de uma Katana, antes exposta em sua parede.

– Dá pra derrubar alguém, mas não corta.

– Ser nerd parece que tá valendo a pena. – Comentei, carregando a espingarda com um chumbinho.

Nós dois saímos do quarto seguidos pelos outros, atravessando a sala e parando na garagem, ambos tomando coragem para sair dali.

– Isso é loucura. – Angelo disse parado na porta.

– Eu sei. – Respondi num sorriso tenso.

– Fiquem quietos aí. – William mandou.

– E vocês também. – Matheus resmungou, parecendo preocupado.

William tirou o arco do ombro, preparando nele uma das flechas sem ponta. Foi até o portão, abrindo-o e olhou para os dois lados da rua. Com um aceno, guardou a flecha e destrancou o carro, entrando nele. Respirei fundo, preparando-me para matar. Outra vez.



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