História A Queda da Rosa - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO, Kris Wu
Personagens Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Xiumin
Tags Krisoo, Kyungsoo, Obdr, Yifan
Exibições 137
Palavras 3.671
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


[ NOTAS FINAIS PRFVR GENTE. ]

Capítulo 1 - Jornada


Uma das primeiras coisas a serem aprendidas nos cinco anos que passaram a reconstruir todo um reino aos pés da grande montanha, foi que nem tudo curvar-se-ia à sua mudança.

 

Kyungsoo já sabia daquilo, mas precisou reaprender, quando em um dia como qualquer outro, em uma expedição de caça como tantas outras que havia participado.

 

–Já cansei de dizer para não andarem pelas terras dos tigres jade nessa época do ano, mas você não aprende... –Yifan resmungou, enquanto passava um algodão encharcado em uma mistura de ervas com aroma extremamente desagradável.

O príncipe de Aear, sabia que nada poderia falar naquela situação para defender-se. Havia entrado sozinho no território de árvores altas, por mais que fosse constantemente avisado.

–Ao menos levasse Eryin com você. –Yifan insistiu no assunto, ainda limpando os grandes cortes que cruzavam as costas de Kyungsoo. A pele arroxeada ao redor do ferimento era cortesia do veneno imobilizador do tigre jade.

 

Kyungsoo queria rir, sinceramente. O que seria uma péssima opção naquele momento, levando em conta o quão preocupado o Rei de Naur estava com seus ferimentos, e o tanto que o havia preocupado por ter desaparecido por toda uma noite. Porém, mesmo tentando segurar sua risada, acabou por soltar meio riso irônico.

 

–O que esse som significa? –O mais velho voltou a questionar, apertando com mais força as ervas entre os cortes, o que fez Kyungsoo chiar de dor.

–Eryin não seria de qualquer serventia naquela situação. –Kyungsoo retrucou, tentando afastar-se do outro. Fora segurado por um dos braços, antes que pudesse levantar da cama que dividiam.

–Eryin é um dragão, é claro que seria de serventia! –Yifan voltou a reclamar. Segurando o outro em seu lugar, para continuar a tratar de seus ferimentos. –Você é tão teimoso, depois de tanto tempo... Vou acabar com os cabelos brancos por culpa do nervosismo que você me faz passar! –Continuou a reclamar, terminando de limpar os ferimentos do outro.

 

 

Não era proposital. Ao menos era o que Kyungsoo acreditava e repetia. Após a destruição de Naur, os cinco anos até a reconstrução do reino aos pés da montanha, a curiosidade e senso de aventura de Kyungsoo haviam apenas aumentado.

 

–Você não quer admitir que está ficando com cabelos brancos por causa da idade. –Kyungsoo brincou, mas não ouviu nada em troca de Yifan. Colocava sua camisa, quando virou-se para o Rei, que ainda fixamente olhava para si.

 

–Realmente acha que estou ficando velho? –Perguntou, com a voz carregada de incertezas que faziam Kyungsoo rir por dentro e por fora. De frente para aquele com quem havia jurado passar o resto de sua vida, tocou seu rosto, apreciou o calor de sua pele e a cor viva de seus olhos. Deixou que os dedos passassem pelas madeixas que já a um tempo Yifan evitava cortar.

 

–Todos nós estamos ficando velhos. –Kyungsoo murmurou, abrindo um pequeno sorriso para o outro que ainda encarava-o de tão perto. –E vamos continuar envelhecendo, e ficando mais teimosos, e nos amando ainda mais. –Continuou, deixando que seu sorriso se abrisse ainda mais, e mais ainda ao ver que Yifan também sorria. –Não se preocupe com isso... –Sussurrou.

 

–Mas sério, você acha que eu estou ficando velho? –Yifan murmurou, ao ser abraçado por Kyungsoo que resmungou contra a teimosia incurável de Yifan.

 

 

 

Era fácil, esperar de um Rei, que se compusesse com tanta facilidade. Era inspirador, vê-lo ajudar seu reino a reconstruir. Era incrível, poder contar com aquela figura forte, para esperança dos que tudo perderam.

 

Porém, era apenas Kyungsoo, na intimidade de sua casa, que lidava com o que Yifan havia tornado-se após os grandes eventos na montanha. Apenas ele, viu enquanto o tão poderoso e seguro Rei, despejava suas inseguranças, revirava-se ao sono e murmurava palavras desesperadas.

Ninguém além de Kyungsoo, viu o que no peito de alguém que tão forte por fora, estava quebrado por dentro.

 

As memórias de sua morte voltavam à mente, o cheiro das rosas que um dia envolveram seu corpo, enquanto em estado transitório entre este mundo e outro, neste instante não traziam nada além de profundo asco e terror.

Eram lembranças de destruição, fogo e impotência. Eram lembranças de amigos perdidos, e do medo de perder Kyungsoo. Yifan sonhava o a dor em seu peito, e o rosto daquele que o traiu. Todas as noites, via seu rosto entre as chamas, sem sorrisos ou lágrimas, ele não queimava, mas fazia tudo ao redor queimar.

 

 

Kyungsoo havia tentado por tantas vezes, apagar aquelas visões que o assombravam. Beijos e juras de amor, não eram tão efetivas. Nem mesmo seus amigos das profundezas da floresta de Lasgalen, puderam ajudar. Luhan era simplesmente frágil demais, para aguentar e aliviar as memórias de Yifan. Yixing por outro lado, não curava feridas que além do corpo físico.

 

 

Cinco anos não eram suficientes para que Yifan superasse a dor sofrida, e Kyungsoo cada vez mais, sentia a necessidade de tirar-lhe o peso das costas, mesmo sem saber como.

 

 

 

 

 

–Você não vai desistir daquela ideia maluca? –Jongin questionou-o, dias depois. O jovem residente de Linde visitava-os na nova Naur constantemente, para desagrado de Yifan e alívio de Kyungsoo.

Por mais que lembranças antigas fossem constantemente reacesas, Kyungsoo sabia que Jongin não possuía más intenções. Ele era um alívio brilhante na pequena melancolia que constantemente tentava arrastá-lo para o fundo do abismo.

 

–Não é uma ideia maluca, para início de conversa... –Kyungsoo respondeu, enquanto retirava com a ajuda de uma adaga, o casco duro de uma das frutas silvestres entre a floresta densa.

 

–Ir atrás de um dos lendários dragões, atrás de conflito, não é uma ideia maluca? –Jongin continuou, pegando algumas frutas vermelhas em um arbusto, mas largando-as no chão assim que Kyungsoo avisou possuírem veneno.

 

–Não vou atrás de conflito. –Kyungsoo continuou, finalmente abrindo a fruta e retirando o conteúdo doce. –Vou atrás de respostas, quem sabe também algumas novas perguntas. Você sabe que muito ficou por ser respondido.–Respondeu, entregando metade do que havia retirado do casco, para Jongin.

 

 

 

Kyungsoo já havia anunciado sua viagem para Lossen meses atrás. Obviamente encontrou com sua decisão um muito contrariado Yifan, e todo um reino um tanto surpreso.

Era a primeira vez, que Kyungsoo partiria sem uma grande comitiva, e sem o Rei. Seria uma longa viagem, sem comunicação ou garantia de retorno, por mais que o homem afirmasse que voltaria para casa com todos os membros e alma completa.

 

 

Seria ao fim da primavera, o começo de sua nova jornada. Quando ainda estivesse a neve acumulada na floresta, mas o sol já começasse a brilhar com mais força pelas manhãs.

Até chegarem em Lossen, o verão teria os alcançado, e a neve espessa do deserto gelado não castigaria suas pobres almas com tanta força.

 

Yifan, em toda a sinceridade que não expressava, não queria ir naquela viagem, e com toda a razão. Kyungsoo também não queria sua presença naquela jornada. Apenas não estava certo, ao querer forçar seu amor a compartilhar sua decisão. Yifan sabia também, que independente de sua opinião, Kyungsoo não mudaria sua mente. A tal teimosia da idade, que ficava cada vez mais grave.

Menos ainda gostava da ideia, quando Kyungsoo anunciou que Jongin o acompanharia naquela jornada. Era uma garantia de proteção, se levada em conta a habilidade de Jongin de tirá-lo de perigo em segundos, mas em todos os outros quesitos, Yifan não gostava nem um pouco daquela ideia.

 

 

–Pense assim, ao menos quando estivermos a voltar, podemos trazer algumas daquelas ervas ao pé das montanhas dos dragões. –Kyungsoo tentava convencê-lo de que era uma boa ideia, com comentários como aquele.

Yifan queria dizer “Isso se vocês voltarem”, mas o próprio medo de que suas palavras fossem fortes demais, e se transformassem em uma verdade, faziam-no permanecer calado.

 

 

Por anos, não havia visto Kyungsoo tão animado com algo. As vezes pensava que de fato, em nenhum momento de sua vida, havia presenciado tamanha felicidade vinda dele.

 

–Podemos pegar ervas juntos, subimos em Mungkorn e vamos até lá, em um dia ou dois estamos de volta. –Yifan resmungou, dobrando sua roupa de forma organizada (tal como Kyungsoo exigia), já em seus pijamas, pronto para dormir.

 

–São algumas horas de voo até o vale, quatro dias de viagem a pé até Lossen, daí para a frente eu diria alguns dois dias até encontrarmos uma entrada, uma semana nas cavernas e o mesmo tempo para nosso retorno. –Kyungsoo explicou, pela milésima vez provavelmente. –Nem mesmo é tanto tempo...

 

–É tempo demais. –Yifan respondeu rapidamente, já sentado em sua cama, a espera de Kyungsoo que ainda arrumava as roupas do dia a dia. –Um dia sequer, é tempo demais longe de ti. E nem ao menos me deixas ir contigo, o que torna esta situação ainda mais irritante! –Continuou, cruzando os braços contra o peito.

 

Parecia uma criança que não queria desgarrar-se da mãe, mas afinal, Yifan era mesmo alguém com severa dificuldade de desapegar-se daqueles que amava.

 

 

Quando a Rainha resolveu partir para viver em Aear, após a oferta da mãe de Kyungsoo, que poderia sustentar seu estilo de vida mais tranquilo e cheio de pompa, Yifan não só ficou ultrajado, mas desesperado pela saudade da presença de sua mãe.

 

 

–A Rainha mandou notícias por carta. –Kyungsoo comentou quando já sentava-se ao lado do esposo em sua cama.

 

–Não tente mudar de assunto Wu Kyungsoo –Yifan murmurou entre os dentes, recebendo em troca uma risada leve do outro.

 

–Não estou tentando mudar de assunto. –Na verdade estava, mas não precisava admitir para o outro. –Ela disse que está se divertindo por Aear, que até mesmo encontrou sua irmã. Parece que ela e o marido agora tem a gestão de um negócio próprio, ela não entrou em detalhes sobre o que era.–Continuou, puxando as cobertas para cima de suas pernas e as do outro.

 

Yifan parecia realmente surpreso com o que Kyungsoo acabara de falar. Por anos, antes mesmo do que havia acontecido em Naur, havia perdido completo contato com sua irmã.

 

–Minha mãe, realmente, encontrou com ela? –O Rei sussurrou, praticamente, com expressão completamente confusa, ainda mais quando Kyungsoo confirmou sem pensar duas vezes. –Como ela está? –Continuou a questionar, até mesmo aproximando-se do outro, o qual tentava manter uma distância emburrada desde que haviam chegado em casa.

 

 

–Está casada e feliz. –Kyungsoo respondeu, quase rindo da aproximação curiosa de Yifan. Aproveitou a deixa para aninhar-se contra o corpo do outro. –Sua mãe menciona algo sobre não aguentar mais esperar por netos, mas que Bingbing não parece querer ter filhos, e isso me fez questionar se ela lembra que nós não podemos ter filhos. –Brincou, abraçando o corpo do esposo enquanto repousava o rosto em seu peito.

 

Yifan estava tão perdido em seus pensamentos, que nem mesmo parou para rir sobre aquela ideia. Tinha os braços segurando o corpo de Kyungsoo contra o seu, mas sua mente estava longe. Nem mesmo sabia se sua irmã estava ciente do que havia acontecido com seu país natal.

 

 

–Ela sabe, do que aconteceu com Naur. –Kyungsoo murmurou, a resposta da pergunta que não precisou fazer. As vezes ele fazia coisas do tipo, como se para ele Yifan fosse tão transparente quanto o orvalho que se acumulava pelas manhãs em todos os lugares. –Sua mãe disse que as duas devem visitar em breve. Espero já estar de volta quando isso acontecer. –Continuou, com a voz cada vez mais sonolenta.

 

 

Yifan ainda parecia tão longe. A ideia de rever sua irmã era algo que havia escapado de seus pensamentos por todos aqueles anos. Era ridículo pensar que ele simplesmente parecia a ter esquecido daquela forma. Tanta coisa havia acontecido, e deveria admitir no fundo de sua mente, que estava feliz por ela não estar por perto quando toda aquela catástrofe aconteceu.

Kyungsoo já havia pego no sono, ressonava suavemente em seu abraço, e era ali que Yifan queria sempre tê-lo ao fim dos dias. Era inevitável voltar a pensar na viagem que estava prestes a fazer, a quantidade de perigos que poderia correr durante aquele tempo. Cada dia longe dele seria um novo desafio que não sabia ainda como enfrentar.

 

 

 

 

–Espero que esteja tudo certo, partimos logo após o pôr do sol! –Kyungsoo comentou com Jongin que ainda parecia preparar suas bagagens.

 

–Tem certeza que não quer minha companhia? Sei que Yifan ia ficar muito mais tranquilo se eu fosse... –Qian perguntou, enquanto passava uma das mãos por Eryin, que ainda descansava e recarregava suas energias na sombra.

O dragão de hábitos noturnos voava muito melhor após o pôr do sol, o que fazia viagens noturnas muito mais viáveis. Kyungsoo preferia este jeito. Podia dormir enquanto deixava Eryin guiá-lo, apesar de não possuírem um laço formal, sabia que o dragão possuía uma ligação especial com ele.

 

–Não posso negar que seria divertido, mas você sabe como Yifan fica se estiver sozinho... –Kyungsoo comentou com a mulher que pareceu logo entender. Haviam existido pequenos casos, alguns em que já pensavam que ele poderia ficar sozinho por um ou dois dias, mas que logo via-se que não. Se não fosse pelo olhar frequente de seus amigos de Lasgalen, talvez coisas muito ruins pudessem acontecer quando a mente de Yifan se esvaziava das coisas boas.

 

–Mesmo assim... –Ela continuou, colocando sua mão sobre o ombro de Kyungsoo. –Você deveria levá-lo contigo ao menos...

 

–E deixar Naur nas tuas mãos? –Brincou, arqueando uma das sobrancelhas. –Seria o fim de todos nós! –Continuou, fazendo Qian rir também.

 

Era difícil lidar com o que acontecia. Yifan era um vaso de cristal apoiado em uma mesa de pernas fracas, todas as mãos estavam prontas para agarrá-lo quando fosse cair, mas Kyungsoo não podia ser sempre uma daquelas mãos.

 

Yifan entendia. Ao vê-lo preparar a cela em seu dragão com tanta destreza. Era engraçado, ver que aquele príncipe que anos atrás mal aguentava uma viagem em Mungkorn, agora era livre para viajar sozinho. Era engraçado e deixava-o orgulhoso, afinal, seu príncipe havia crescido. Era um rei, tanto quanto ele era. Acima de tudo, era alguém que confiava a vida.

 

–Gostei das calças de couro. –Yifan murmurou ao pé do ouvido de Kyungsoo, assustando-o e ganhando uma forte cotovelada em seu estômago em seguida.

Tentava sempre lembrar que Kyungsoo estava agora sempre preparado para o que o pudesse surpreender, mas isso era extremamente difícil. O que resultava em narizes inchados, pés machucados e estômagos doloridos. No fim das contas, aquela preparação acabava por deixar Yifan mais tranquilo, afinal o soco de Kyungsoo era realmente forte.

 

–Você precisa parar de me assustar desse jeito! –O menor reclamou, ajudando o outro a sentar-se em um dos baús que esperavam para serem carregados pelo dragão que os acompanharia.

 

Yifan sorriu, segurando as mãos de Kyungsoo, enquanto seu rosto ainda retorcia em desconforto. O olhar dele continuava tão preocupado, tão apaixonado quanto... Bem, não da primeira vez que se viram, com certeza não como da primeira vez, mas como na primeira vez que Kyungsoo descobriu que sentia algo além de repulsa por Yifan.

 

–Ainda não sei como chegamos aqui. –Yifan sussurrou, ainda com um pouco de falta de ar. –Depois de ter te maltratado, de machucado, magoado... Estamos aqui... –Ele continuou, sorrindo discretamente.

 

Kyungsoo também sorria, segurando as mãos de seu rei entre as suas. Agachado a frente dele, esticou o corpo para cima, dando um leve beijo em seus lábios.

–Também não sei como me apaixonei por um dragão bruto como você... –Brincou, ainda com o rosto próximo ao de Yifan. –Mas estou muito feliz que estamos juntos. –Sussurrou, deixando-se ser tomado nos braços do outro.

 

Por todos os momentos que passaram juntos, desde o ocorrido na montanha, e todos os outros sustos que tomaram na reconstrução de seu reino, Yifan ansiava por aquelas recompensas. Aonde Kyungsoo era o único que tocava seu coração com as mãos gentis mãos, e guardava-o para si, com tanto cuidado.

 

Nem mesmo havia separado-se dele, e já sentia imensamente falta de sua presença.

 

 

 

Yifan sentia imensa dificuldade em deixá-lo ir. Agarrava-se cada vez mais, cada segundo que passava, tentava fazê-lo convencer-se de que aquela viagem era desnecessária, mas Kyungsoo tinha a cabeça dura demais para deixá-lo vencer.

 

–Volto em duas semanas, no máximo. –Ele disse, apertando a aljava com flechas de ferro, forjadas com a ajuda de Yifan, em suas costas. Toda uma armadura de couro que era tão forte quanto a carcaça de um dragão e tão leve quanto sua pele. –Se não voltar... Bem, eu vou voltar, mas se eu não voltar... –Kyungsoo continuou, apesar do olhar aterrorizado de Yifan. Precisava manter tudo real. Kyungsoo não era imortal, não havia garantias de que ele poderia voltar de uma caçada nos arredores, quanto mais uma viagem tão longa.

 

–Se você não voltar, eu mesmo vou atrás de você. –Yifan disse, segurando com força os braços do outro, olhando diretamente em seus olhos.

 

–Eu vou voltar. –Kyungsoo sussurrou, colocando as mãos contra o peito do outro, acalmando-o com seu olhar até que estivesse solto de suas mãos. –Mas se eu não voltar em duas semanas, use isso. –Entregou na mão de Yifan um frasco, com uma única gota de um líquido azul. –Isto, ao ser derramado na água do lado, irá acordar Shi Yuan, ele poderá te ajudar. –Explicou, fazendo Yifan fechar os dedos ao redor do frasco.

 

 

Era um último recurso. Acordar Shi Yuan nunca era a situação mais agradável de todas, especialmente por ele sempre estar em um péssimo humor. E ele precisava descansar. Depois da grande batalha com Huolong, os deuses dragão afastaram-se e adormeceram em seus lugares de preferência. Shi Yuan precisava recuperar suas forças, tal como todos os outros.

 

–Como ele te dá essas coisas, e não para mim? –Yifan resmungou, fazendo Kyungsoo rir mais uma vez, enquanto passava uma das mãos pelos fios bagunçados de seu cabelo dourado. Não pensava ter que admitir para si mesmo, que nem havia se separado de Yifan, já sentia saudades. O medo de não voltar, era sempre presente. Este mesmo medo era bom, o faria ser mais cauteloso, e marcar o caminho de volta com pedras e não com pedaços de pão.

 

 

 

A noite chegava rapidamente, Eryin estava acordando lentamente sob a luz da lua. Era hora de partir.

 

 

 

 

–Você vai voltar, com todos os membros? –Yifan insistiu, ainda segurando Kyungsoo em terra, para que não subisse em seu dragão.

 

–Vou voltar inteiro, pode ficar calmo. –Kyungsoo brincou, mas seu coração também estava apertado. Deixar Yifan para trás não era uma tarefa tão fácil na prática, quanto era na teoria.

 

Yifan soltou-o, deixou que subisse em Eryin, ajudou a prender duas pernas no estrado. Eryin não era um grande dragão como Mungkorn, em suas costas apenas uma pessoa por vez poderia subir. Não que ela não aguentasse, mas era menos esforço para um dragão tão jovem.

 

–Kyungsoo... –Yifan murmurou, enquanto Qian distraía-se com Jongin, ajudando-o a subir no dragão que lhe fora designado. Um dragão jade, rápido e forte. Um bom protetor para Kyungsoo. –Você sabe que eu... –Tentou continuar, mas fora calado pelos lábios de Kyungsoo, que dobrando-se sobre o dragão esticou o corpo para beijá-lo.

 

Não era preciso muito mais. Kyungsoo em toda sua vida já havia ouvido todas as palavras que precisava de Yifan, podia entender seus sentimentos com muito mais clareza, e interpretar seu coração.

 

–Eu também... –Kyungsoo murmurou contra os lábios do outro, afastando-se lentamente dele até que estivessem separados.

 

Nem mais uma palavra foi dita. Eryin preparou-se para subir, com suas asas majestosas, e assim o fez. Logo estava lançada ao ar, e nem mais um adeus pôde ser dado ao olhar para trás.

 

 

–Obrigado, minha amiga. Acho que quase não seria capaz de me despedir... –Kyungsoo disse ao dragão que rosnou no fundo de sua garganta. O rapaz riu, e olhou para seu lado esquerdo, aonde Jongin agarrava-se com força nas costas de seu dragão.

 

 

Em algumas horas, chegaram ao fim do vale. Ali ficava a base da montanha dos dragões, aonde Eryin e Lumus, os dragões que os levavam, descansariam enquanto os dois humanos continuam sua jornada a pé.

 

–Vamos descansar até o nascer do sol, então, partimos. –Kyungsoo disse, retirando das costas de seu dragão uma bolsa que repousou no chão. Arrumou uma pequena cama, aconchegado contra a barriga quente de Eryin e Jongin pouco distante também se aninhava com o dragão que parecia gostar muito de seu companheiro de viagem, constantemente assoprando vento quente contra seus cabelos.

 

Era o começo de sua nova aventura, e já podia sentir que suas perguntas seriam em breve respondidas.

 

 

 

>><<

 

 

–Tens certeza de que é isso que você quer? –O homem de cabelos escuros, presos para longe do rosto, o que não evitava que alguns fios escapassem de seu lugar seguro, disse.

 

A mulher olhava pela janela da torre, aonde contra as rochas batiam as pequenas e insistentes ondas. Seu olhar carregava algo indecifrável, e o reflexo da lua. Cabelos longos e negros que emolduravam seu rosto e escorriam pelos ombros.

Seu sorriso era um enigma, sua mente estava longe daquele lugar. Era claro o que queria, era claro o que podia ver daquela janela. Tanto tempo passou distante, algo dizia no seu peito que era a hora perfeita para voltar, que tudo como que havia sonhado e se preparado, enfim poderia ser realizado.

 

Retirando os delicados dedos da cortina fina, em seu majestoso traje de dormir negro, até mesmo a Lua sentiria inveja de tal beleza. O sorriso dela era delicado, sua beleza, incontestável. Ele detestava estar à mercê daquele sorriso, e mesmo assim deixava-se tão facilmente entregar. Ninguém melhor do que ele, com seus olhos cansados e alma pesada, sabia o quão difícil era deixá-la ir.

 

Tocava o rosto de seu marido, suas longas unhas decoradas em profundo tom vermelho passavam pelo rosto do homem, sem arranhá-lo, mas tão facilmente poderia. Ela sorriu, e deitou-se, olhos ainda profundos, sugando toda a energia a seu redor e com os lábios ainda suavemente manchados de vermelho, sussurrou ao vento que vinha do mar, como um presságio que vinha de longe.

 

Nunca antes estive tão certa.


Notas Finais


ORA ORA ORA QUEM RESOLVEU VOLTAR DEPOIS DE TANTO TEMPO.

EUZINHA MESMO, FILHA DA PUTA MELLO.

Pois é gente, desculpa pelo auê, mas eu voltei. Prometi que ia ter o primeiro capítulo dessa bagaça aqui em 2016, e 2016 não acabou e tamos aí. Mudei de nome pq o outro estava me dando calafrios do pior tipo. Então aqui estamos de volta.

Pouca coisa mudou do capítulo postado antes, pra esse. Mas sempre recomendo dar uma refrescada na cachola. Além disso, para quem está chegando aqui agora e tá BOIANDO aqui está a "primeira temporada" dessa bagaça.

Obrigada gente, e desculpa por tudo (eu sou cagada da vida mesmo, desculpa)

O BEIJO DA ROSA (S01)
https://spiritfanfics.com/historia/o-beijo-da-rosa-1764342

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