História A Quimera de sua Superfície - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alice In Innocenceland, Drama, Espelho, Spin-off
Exibições 6
Palavras 994
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Hum
É uma spin-off da minha história com o Kaninchen, sobre a Duquesa. Fiz para o aniversário dele que foi dia 13/10, parabéns de novo <3
Fiquei encucada com os gêneros novamente, meh
Não é necessário ler a história para entender a fanfic, talvez seja, mas seria interessante ler ao menos o primeiro capítulo para ter uma base e tirar sua teoria, vou deixar nas finais.

Capítulo 1 - Liar


Sentada em um canto escuro do salão, estava a mais prestigiada dama da cidade, bebendo em pequenos goles um vinho caro. O seu rosto claro e fino, parcialmente coberto por uma máscara, não demonstrava nenhuma expressão a não ser tédio. Suspirava de tempos em tempos e o rapaz ao seu lado não parava de tagarelar, totalmente imerso em suas próprias histórias mentirosas, apenas para impressionar a loira. Seu rosto corado não era efeito de álcool, era fraco demais para isso, e a Duquesa havia percebido. Estava apaixonado por si. 

Pela primeira vez, analisou aquele que tão animadamente expressava suas experiências. Palavras simples para uma pessoa simples. Tinha pele alva como a sua, cabelo castanho partido ao meio, algumas mechas lisas tomavam a frente dando a impressão de uma franja discreta, os olhinhos negros gordinhos brilhavam nada discretos quando eles cruzavam com o seu olhar e a boca fina não parava de trabalhar nem por um segundo. Não era magro nem gordo, alto ou baixo, forte ou fraco. Alguém completamente normal. E entediante. 

"Não deveria ter vindo" pensou, solitária. Estava cercada por fãs e aquele homem não era o primeiro a reconhecê-la. Pudera, aquela forma de se vestir e de se comportar eram característicos das personagens que ela interpreta, não esquecendo de incluir o tapa-olho, agora adaptado para máscara de festa, que era o item essencial de sua personalidade. 

Era o baile da festa de quinze anos da filha de uma das mulheres mais ricas do reino. Para todos os lados havia pares de adolescentes ou grupos de meninas solteironas que fofocavam ou sobre maquiagem ou sobre a própria aniversariante. Exalavam falsidade. Sentia pena da garota, para ser sincera. Ela não era visualmente atraente; todavia era uma boa menina, inteligente e esforçada para ficar cada dia mais interessante. 

"Adolescentes..." Pensou novamente com seus botões, ainda fingindo estar entendendo o que o rapaz ao seu lado dizia, lembrando de dar um sorriso ou consentimento em suas pausas "Amizades não vêm com garantia" Raciocinou, ainda prestando atenção nos convidados. 

Restava a família, alguns artistas renomados como si, amigos e outras pessoas que não conseguia reconhecer no momento. Avistou duas ou três mulheres gordinhas juntas, e lembrou-se de que eram as tias. Elas sempre iam para as peças que apresentava e de tempos em tempos levavam presentes. Agradáveis, porém falantes e moralmente neutras. 

Daphne Matsys entediou-se novamente. Não havia mais ninguém para julgar ou observar que considerasse intrigante. 

Pediu licença para a sua "companhia" e dirigiu-se para o sanitário feminino. Retirou as luvas de renda preta absorta nos pensamentos de amanhã e as depositou na pia, ao lado de sua bolsa clutch, onde estava mais seco. Retirou a máscara por um minuto ou dois e encarou a si mesma no espelho impecavelmente limpo. Que tipo de reflexo ela enxergava? 

Fechou os olhos e imaginou. Um teatro. Como estava este teatro? A plateia estava sorridente, todos os bancos devidamente preenchidos e a ansiedade pairava no ar como quem borrifa um perfume forte. E então, as cortinas de abriram. Como elas eram? Não eram vermelhas, tampouco roxas ou de qualquer tom escuro. Eram douradas, grossas e pareciam pesadas. Depois que elas abriram caminho, pôde-se ver duas garotinhas e um menino, provavelmente de idades próximas. Qual era a relação deles? Bem... 

"Daphne?" Fez-se presente uma voz feminina no local. 

De supetão, a loira virou-se bruscamente para a parede e recolocou a máscara. Recuperando os sentidos, direcionou o olhar para a entrada do toalete: não havia ninguém. 

Levemente confusa, buscou as luvas e sua carteira e se afastou. Ignorando os olhares alheios sobre si e a atmosfera pesada que sentia, procurou com dificuldade alguma porta ou janela que desse acesso a algum tipo de sacada para respirar ar fresco e abandonar aquela sensação estranha que de súbito apossou-se de seu consciente. 

Encontrando o que queria, Duquesa arrastou levemente a porta de vidro e a fechou atrás de si, inspirando e expulsando o ar com calma. Daquela altura, conseguia ter a visão quase completa do reino de Copas. As calçadas em xadrez, os postes de luz antigos encaracolados iluminando fracamente; mas ainda visivelmente tudo o que estava a seu alcance. As rosas gigantes ainda exalando seu aroma suave trazia um ar de cidade romântica, que, como era de se esperar, atraía casais de namorados para os parques, mais especificamente os balancês. 

Tudo aquilo trazia alívio para o coração da Duquesa de Copas.  

Recostou-se na bancada e admirou por um minuto ou dois a paisagem, absorvida pela tranquilidade que aquele lugar passava. 

Que tipo de reflexo ela enxergava? 

A pergunta que anteriormente tomou conta de seu raciocínio, tocou seu íntimo mais uma vez. Francamente, ela não sabia responder. Não sabia por qual motivo deveria respondê-la, entretanto. Suspirou pela trigésima vez naquele dia, olhando para o céu iluminado pela Lua Cheia, vasculhando nos pensamentos alguma forma de se explicar. Fechou os olhos. 

Viu-se em um lugar escuro, sem vozes nem sinal de movimentos próximos. Abrindo as pálpebras, percebeu que estava em frente a um espelho. Apertou a vista um pouco, dando um passo para trás e ouvindo o barulho do atrito de seu salto com o chão ecoar. De repente, sentiu medo. 

Seu reflexo não representava o que normalmente via. 

Não existia rosto

Sentiu vontade de gritar, mas sua voz ficou presa no fundo da garganta. Permanecendo parada por um minuto ou dois, desviou o olhar lenta e dificilmente para o chão negro e, próximo de si, havia uma arma. Uma marreta. 

Perguntou-se por que aquele item estaria ali, mas deixou a questão para depois e agarrou a marreta, quase indo de encontro ao chão por ter pego rapidamente e sem pensar no peso que normalmente essas ferramentas têm. Respirou com descompasso, suas mãos estavam trêmulas e vacilantes; porém pressionou o cabo de madeira com força e, usando toda a energia que não existia até segundos atrás, levantou-o e bateu de encontro com o espelho mentiroso. 

Os cacos caíram e, de repente, viu-se livre. 


Notas Finais




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