História A Reserva - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Otabek Altin, Phichit Chulanont, Victor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Visualizações 72
Palavras 1.798
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Exposição


Minha cabeça latejava, não queria sair da cama nem por um decreto. Sentia-me péssimo depois de uma noite de bebedeira com o Christopher na qual me joguei na bebida de cabeça, tudo porque queria esquecer aquela reportagem, não queria lembrar daquela foto "feliz", não queria assimilar que eu não era a razão de tamanha felicidade estampada no rosto dele. O que eu esperava? O que eu queria era que o Yuuri estivesse bem, não é mesmo? Então, por que estou assim?

Meu celular começou a tocar no criado mudo e no visor apareceu o nome do Yurio. Ele deveria estar estressado ao extremo, afinal eu estava muito atrasado e no dia seguinte começa a competição pra valer. Atendi e ele já começou a gritar.

- Fala...

- Você enlouqueceu de vez ou é só a idade mesmo?

- Estou de ressaca, então dá para não gritar? - Bocejei no final da pergunta.

- Levanta porra e vamos para o ringue AGORA! Se não chegar em 10 minutos, vou SUBIR...entendeu???

Ele não esperou minha resposta, simplesmente encerrou a ligação com uma porção de xingamentos em russo e gritando ordens... Realmente a fada russa amadureceu muito.

Fui arrastado para o local das competições, continuava me sentindo muito mal, mas mesmo assim cumpri  o meu papel de técnico até o fim com a melhor aparência possível embora meu estado num geral fosse lastimável. No final do treino encontrei com o Chris que estava bem pior que eu. Sorri satisfeito.

- Victor, precisamos conversar?

- Se é sobre a revista está tudo bem. Não precisa se explicar, sei que o Yuuri está bem e feliz. E é o que importa pra mim.

- Sei!!! - Falou massageando as têmporas. - O fotógrafo, o tal do Brian, me respondeu...

- O que??!! Como assim me respondeu??? - Gritei chamando a atenção de algumas pessoas perto de nós.

- Então, como está falando... e para de gritar minha cabeça dói. Voltando... ontem depois que vi a reportagem, procurei o tal do rapaz das fotos, disse que queria saber mais da sua história e sobre o lugar da matéria. Disse que fiquei impressionado com o seu relato e que se possível queria mais informações sobre o dono da reserva. - Parou de falar e pegou o celular para conferir as mensagens.

- E ? - Já estava impaciente com aquela conversa toda. - Chris?

- Ele me convidou para uma exposição dele que está em uma galeria aqui em New York. Hoje ele estará lá e marquei um encontro. - Chris terminou a frase sorrindo como se fosse ganhar uma estrelinha dourada ao mostrar a mensagem na tela do seu celular.

- Sinceramente o que você espera com isso? - Perguntei me arrependendo de ter saído da cama.

- Você não queria saber do Yuuri? É a sua chance!!! Talvez esse cara possa responder algumas questões, preencher algumas lacunas. Poxa Victor...

- Que horas você marcou? - Yurio chegou por trás, já estava trocado e tinha uma expressão indefinida.

- As 19 horas.

- Ok, nós vamos. Todos juntos! O velho, você, eu e Otabek. - Pontuou sério e saiu em direção à saída.

Fiquei boquiaberto com tudo o que escutei, queria dizer que todos estavam loucos, mas não estava em condições de discutir e por isso apenas concordei com a cabeça e segui os passos do meu pupilo que aparentemente estava mais decidido que eu com essa história toda.

 

Passei a tarde no meu quarto em um conflito interno, não sei se deveria ir nesse encontro. Do que eu tinha medo? Por que me sentia apreensivo? Decidi tomar um banho e me arrumar. Vou acabar logo com isso.

Fomos andando até a galeria que não ficava tão longe assim do hotel. O caminho foi silencioso, ninguém parecia afim de nada e todos pareciam ansiosos com o que estava por vir.

A galeria era uma obra de arte, um prédio que despontava na rua de longe onde se sobressai imponente, sua  fachada era coberta de vidros negros e parecia refletir todas as luzes da rua.

Entramos e como eu temia a exposição era sobre a tal reserva do Yuuri. Havia dezenas de fotos do lugar que eu tinha que reconhecer era bonito.  Otabek longo puxou Yurio pela mão e pude perceber que seus olhos brilharam com o que via. O russo por sua vez não parecia compartilhar do mesmo entusiasmo que o parceiro, mas o acompanhou.

Olhei para o Chris que estava parado do meu lado. Seus olhos percorriam o local e com certeza estava procurando o homem que nos trouxe aqui.

- Boa noite. - Alguém nos cumprimenta por trás e viramos ao mesmo tempo para ver um sorridente O'Neal.

- Boa noite, eu sou Christopher Giacometti e esse é o meu amigo Victor Nikiforov. Você, eu acredito, deve ser o Sr. O'Neal? Estou certo?

O fotógrafo olhava intensamente para o Victor e isso começou a ficar estranho.

- Ele tinha medo que por causa das minhas fotos você o achasse. Sabia? - Disse estendendo a mão - Sou Brian O'Neal sem o senhor e sei muito bem quem você é, ou melhor, quem são.

Então, ele estava se escondendo de mim, mas porquê? E como esse cara sabia disso? Era óbvio que o próprio Yuuri deveria ter comentado. Apertei a sua mão.

- Se sabe quem eu sou, sabe porque estou aqui. O que você pode me contar?

- Acho que nada, mas... vamos ver as fotos e te conto a história daquela foto. O que acha?

- Ok.- Bom essa proposta era melhor que nada.

Andamos por várias salas e como prometido O'Neal sempre tinha algo a falar sobre os retratos, encontramos o Yurio olhando para uma foto de um homem de costas musculosa, mas magro, estava em um tipo de academia de luta, parecia bater em um saco grande que tinha alguém segurando por detrás.

- É ele? - Perguntou sem se virar.

- Sim. Ele faz muay thai. Treina todos os dias. Dizem que ele é muito bom nesse tipo de luta afinal tem muita força nas pernas, acho que por causa dos anos dedicados a patinação.

- Isso é uma tatuagem? - Perguntou Chris passando a mão pela linha da coluna.

- Sim. Ele tem três tatuagens, essa das costas é a maior. E antes que me pergunte não sei o que significa. Ele não fala disso, certos assuntos são delicados e esse é um. Ele não fala das suas tatuagens.

- Por que? - Quis saber o Otabek.

Brian pareceu em duvida e olhou para o lado onde tinha outra foto, nela dois pulsos tatuados apareciam. Todos acompanharam seus olhos, mas foi Otabek que mais uma vez falou.

- Essa foto também é dele?

- Sim.- Brian não sorria mais, parecia arrependido de algo e continuou...

- As pessoas tendem a julgar aquilo que não compreendem, por isso em toda cerimônia de recepção Yuuri mostra os pulsos tatuados. É como se ele dissesse que ali não teria julgamentos ou questionamentos sobre os atos cometidos. "Estamos juntos nisso", ele sempre usa essa frase. - Brian apontou outra foto na sala, deveria ser a tal recepção.

O clima ficou tenso, ninguém falava nada... foi então que Yurio se virou com raiva nos olhos, estava preste a explodir em lágrimas e sua voz soou amargura.

- Você está tentando dizer que essas tatuagens são para cobrir uma marca? Pense bem no que vai falar, entendeu cara???

O fotógrafo não moveu um músculo do rosto, apenas assentiu com a cabeça. Virou-se e saiu da sala, o jovem russo não conseguia segurar as lágrimas e foi atrás dele gritando.

- É só isso seu merda? Você está falando de um amigo meu e sei que ele não teria coragem pra isso. Ele não faria isso. Escutou? - Yuri estava agarrado na camisa do Brian que depois que o susto passou segurou seus pulsos e olhou nos olhos da fada.

- Olhe em volta, por favor. Isso tudo é seu amigo. Enxergue por cima da dor, por cima de tudo que foi dito e feito. Ele se reinventou!!!

A custo Yurio soltou o homem e começou a olhar as fotos nas paredes, eram todas de Yuuri em vários momentos. Haviam imagens dele sentado em uma mesa provavelmente trabalhando, com os filhos, com várias crianças, abraçando alguém, sentado contemplando o céu estrelado, mas havia uma que chamava a atenção, nessa ele olhava direto para a máquina parecia querer ver para além dela, tinha um sorriso pequeno nos lábios, o cabelo estava solto e tinha um olhar sereno de quem tinha encontrado a paz interior. Embaixo da foto uma frase escrita: "queria que todos os anjos do céu tivessem seu rosto, assim ficaria fácil de acreditar neles. MonteCristo". O jovem russo leu aquelas palavras em voz alta e depois enxugou com força seu rosto.

- Isso tudo é Yuuri!!! O fotógrafo olhou direto para o Victor. Não sei o que levou a cortar os dois pulsos e desejar morrer mais do que viver, mas olhe para as fotos... ele transformou a vida de muitas pessoas.

- Ele sempre faz isso... obrigado por me contar o que podia. - Sentia a minha mente martelar... Yuuri não queria viver e isso provavelmente era por minha causa. Meus olhos estavam ardendo e não senti que estava apertando minhas mãos em punhos bem fechados. Estava pronto pra sair da galeria correndo, quando senti a mão de Brian no meu ombro.

- Ele não fala muito sobre o passado de vocês, mas uma vez comentou da vida a dois, acho que deveria ser um dia especial. - Brian apontou a foto das estrelas. - Yuuri me contou uma história breve de uma vida compartilhado com você, não havia espaço para mágoas, só saudade. Sei que você marcou a vida dele, não sei o tamanho dessa marca, mas posso afirmar que tudo isso que você está vendo aqui é pra você, é por você...como só você fosse entender as escolhas que ele fez, o caminho que tomou. Agora que o conheci, vejo muito de você refletido nele Victor. -  Brian abriu os braços e fez um gesto amplo como se quiser dar mais ênfase ao que tinha acabo de dizer.

Eu não sabia o que dizer, apenas deixei uma lágrima descer e chamei meus amigos indo em direção à porta...foi um erro vir aqui. A galeria estava deserta e nossos passos ecoavam no chão já que o silêncio reinava entre nos mais uma vez e dessa vez era pesado. Estávamos perto da porta da rua quando escutamos a voz do fotógrafo de novo.

- Não deveria contar isso, mas... - olhou para o grupo indeciso... - ele está chegando a New York amanhã. Ele vem pra festa de inauguração oficial da exposição. 



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