História A Residente. - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Girls' Generation
Personagens Jessica, Taeyeon, Tiffany, Yuri
Tags Girls' Generation, Snsd, Taeny, Yulsic
Exibições 159
Palavras 4.976
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Nada de importante a decretar, apenas boa leitura baby's ;*

Capítulo 5 - Capítulo 4


[P.O.V Tiffany]

Antes que eu pudesse cair e me esborrachar completamente no chão, senti as mãos de Peter segurando firmes em minha cintura e me puxando para si com uma certa urgência. “Mas que diabos Hwang, isso é jeito de entrar na sala? Tenha modos.” Escutei o esbravejo vindo da minha chefa e não ousei olhar diretamente para o seu rosto. Somente quando juntei coragem e equilíbrio nas pernas – me corroendo de decepção por dentro. – foi que encarei novamente as duas. A Dra Jung já havia retomado a sua postura ficando de pé ao lado da mesa e me lançava um sorriso parecendo ter se divertido com a minha entrada abrupta, enquanto a Dra Kim já estava prontamente sentada em sua cadeira.

- Tudo bem querida, eu deixei a porta encostada. – Falou a Dra Jung, virando-se novamente para a minha chefa. – Te espero mais tarde e vê se não atrasa dessa vez.

Eu e Peter permanecíamos próximos à entrada quando a Dra Jung passou pela gente e nos cumprimentou com um leve aceno de cabeça, até nos presentear – um ótimo presente, por sinal -  com a sua ausência.

- Entrem e fechem a porta. – Ordenou a Dra, abrindo o seu laptop.

Peter tomou a frente e fechou a porta enquanto fui me aproximando de sua mesa tentando me manter de pé em virtude do nervosismo da quase queda, e do pior, da visão que eu tive alguns segundos atrás, que me tirou de órbita – o contato afetivo que a Dra Jung fazia no rosto dela. -  

- Sente-se Hwang. – Foi direta.

Obedeci institivamente a sua ordem e sentei-me em uma das cadeiras. Analisei cautelosamente o seu rosto enigmático e não pude deixar de notar que, novamente, os dois primeiros botões do seu terninho creme estavam desabotoados, revelando ligeiramente parte do seu sutiã preto meia taça, emoldurando um par de seios esculturais que não faziam jus ao seu porte pequeno e esbelto.

- Tenho uma notícia para dar a vocês. – Ela me encarava com naturalidade. – Anda aérea hoje Hwang? Espero que tenha feito o seu devido trabalho, porque eu irei conferir todos os prontuários. – A minha olhada furtiva para a sua blusa, pareceu ter sido pega no flagra.

- Está tu-tudo bem Dra. Pode conferir tudo o que fizemos. – Encolhi meus ombros e encostei minhas costas totalmente no assento, aliviada por Peter ter sentado na cadeira ao lado desviando a atenção dela de mim.

- Muito bem. – Puxou a cadeira mais para frente e afastou um pouco o laptop para o lado, apoiando os cotovelos sobre a superfície lisa da mesa de vidro - Não quero que pensem que, mesmo eu estando fora durante o dia, vocês irão relaxar com as obrigações. Entendidos? – Fez uma pausa até que eu e Peter concordássemos. – Ótimo. Então, semana que vem receberei quatro estagiários de uma faculdade e precisarei que vocês fiquem de olho neles, isso inclui também fazer perguntas durante as visitas. – Fez outra pausa, recostando seu corpo novamente em sua cadeira. – Ficarão dois pela manhã e dois pela tarde, então cada um ficará com um nos dois turnos. Alguma dúvida?

Mais uma vez concordamos com o que ela falava e logo sua expressão de tédio mortal, fez-se presente em seu semblante. – O que vocês têm hoje? Estão muito calados. Especialmente você Hwang, o que aconteceu com a garota do elevador? - Seu olhar profundo me desarmou completamente, ainda mais acompanhado de um sorriso lascivo e me pegando de surpresa com aquele comentário resoluto.

- Ah, não é nada; é só que estou um pouco cansada e com fome também. – Menti. – Não tivemos horário de almoço hoje e ainda temos que fazer as visitas. – Procurava manter a minha respiração de maneira controlada, encarando-a temerosa.

- Pois bem, sobre isso. Preciso que me desculpem pela ausência, mas não achei que a reunião na faculdade fosse demorar tanto assim. – Enfiou os dedos em seus cabelos lisos e alguns fios voltaram para frente cobrindo parcialmente seu rosto delicado, demonstrando um certo cansaço em seu tom de voz. – São quinze para às seis. Desçam, comam alguma coisa e depois faremos uma rápida visita, para posteriormente eu conferir os prontuários com cada um. Iremos sair um pouco mais tarde hoje.

- Licença Dra Kim. – Peter pigarreou meio sem jeito. – Eu fiz um lanche rápido então senão se importa, poderia adiantar a minha visita e depois poderíamos conferir os meus prontuários? É que eu pego dois metrôs para voltar para casa. Mas claro, se não for problema para Tiffany. – Me olhou com um certo receio.

- Imagina Peter, não tem problema. Você pode fazer as suas coisas primeiro. – Toquei levemente em seu ombro e sorri em sincronia com os olhos. – E pode deixar que eu faço as visitas também.

A Dra me lançou um olhar, parecendo estar surpresa com a minha atitude e limpou a garganta. – Pois bem Hwang, é melhor você adiantar então. – Falou com impassibilidade e puxou o laptop para si novamente.

Eu apenas assenti brevemente e saí rindo internamente. Sabia que a minha pró-atividade havia sido do teu gosto, mas a mulher era tão orgulhosa que nem parecia respirar aliviada um minuto sequer, ainda mais apertada naquele decote tão generoso. E que decote. Precisava mesmo vir trabalhar usando algo tão devasso? Deveria ser proibido chefas gostosas usarem dos seus atributos físicos para trabalhar, ainda mais em um hospital.

Assim que saí da sala, retirei rapidamente o celular do bolso e enviei uma mensagem para Yu mandando ela adiantar o processo pois eu sairia tarde e pegaria um táxi de volta. Era algo que eu precisava me acostumar rapidamente. Dividíamos um carro e eu sabia que não teria Yu sempre para voltarmos juntas e pegar táxi todos os dias de volta para casa sempre que eu não estivesse com ela, no mínimo custaria praticamente o salário da minha bolsa da residência. Até que eu poderia me aventurar nos metrôs Angelinos, mas eu não me sentia segura o bastante na cidade ainda, muito menos para perambular sozinha pela noite.

Quase 2 horas fazendo as visitas e já sentia minha energia mental se esvaindo do meu cérebro, porque a física se foi totalmente no momento da quase queda na sala da minha chefa e eu ainda estava sem entender a cena que havia visto ali. Será que ela tinha algo com a Dra Jung? O toque dela, deslizando carinhosamente em sua face, transpareceu algo óbvio, porém o meu consciente se negava a entender que elas podiam ter alguma coisa, numa tentativa ridícula de me poupar de uma possível decepção.

Encostei a cabeça na parede do elevador e fechei os olhos tentando dispersar aquela cena catastrófica da minha cabeça, mas era tudo o que eu conseguia enxergar. Saber que elas tinham algum tipo de relação, acabaria com as minhas expectativas de tentar me aproximar dela. Assim que voltei para sua sala, e dessa vez dando três batidas fortes antes de entrar – lição número 1 aprendida com sucesso, diga-se de passagem - Peter já não estava mais por lá. Ela mantinha-se sentada em sua cadeira com a coluna incansavelmente ereta.

- Trouxe um café. – Me aproximei de sua mesa e tomei uma das cadeiras para mim, passando o copo quente para ela.

- Obrigada, já ia mesmo pegar um. – Me respondeu segundos após estar com os olhos vidrados na tela do seu laptop. – Você comeu algo? - Retirou a tampinha do copo e relaxou as costas no encosto da cadeira, assoprando levemente a bebida e me encarando por cima dos seus óculos.

- Não, eu quis adiantar as visitas para não sair muito tarde daqui. – Beberiquei levemente o líquido, encarando-a em resposta.

- Hwang. – Respirou impaciente e repousou o copo em cima da mesa, levantando-se e indo em seu armário que ficava ao canto da sala. – Tenho uma barra de proteína em algum canto aqui. – Falava enquanto futucava dentro da sua bolsa, e ao retirar uma embalagem vermelha com azul, sorriu. – Eu sabia.

- Sempre anda com uma em sua bolsa? - Indaguei sorridente ao pegar a barra. – Obrigada.

- Sempre que tenho uma residente teimosa que nem você. – Voltou a se sentar e me direcionou uma piscadela divertida. - Vamos ao trabalho.

Iniciamos o trabalho na mesa, mas acabamos terminando no bendito sofá de couro da sua sala que só me fazia fantasiar certas loucuras ali em cima. A sensação de ser pega em local parcialmente público, era algo que sempre me apeteceu, ainda mais com uma pessoa que detinha um certo poder. Ela estava sentada ao meu lado conferindo os prontuários enquanto eu mexia em seu laptop, fazendo uma planilha de escala para os estagiários que chegariam. Nossos corpos estavam repousados sobre o encosto do sofá, assim como as nossas cabeças, e eu podia me sentir bastante à vontade, como se fôssemos conhecidas de longas datas.

- Pronto, acho que isso encerra o nosso dia. - Senti sua respiração quente batendo em meu pescoço quando ela virou a cabeça para mim. – Você está de carro? - Sua voz era mansa e suave, algo desconhecido para mim até então.

No momento em que senti uma fina corrente aquecer o meu corpo com aquela respiração, fechei o seu laptop e ousei fazer o mesmo, fitando profundamente os seus olhos – Não, mandei Yuri adiantar já que não sabia que horas sairia daqui.

- A sua namorada do bar? - Arqueou a sobrancelha para mim, mas logo praguejou um xingamento baixo, ao escutar seu celular tocando em cima da mesa.

Respirei fundo e desci meus pés para o chão do sofá, enfiando os mesmos em meus sapatos.

- Diga Jéssica. – Atendeu o telefone sem o mínimo de paciência. – Não vou poder ir vamos remarcar, acabei de terminar com os meus residentes aqui e está tarde ...

Peguei seu laptop e fui colocando em cima da sua mesa. Ela estava parada com uma mão repousada no encosto da sua cadeira, quase vociferando para a mulher do outro lado da linha – Jéssica eu estou cansada, não irei dirigir até aí ... - Revirou os olhos, ficando ainda mais impaciente.

Ela me fitava atentamente, quando me aproximei. – Eu já vou, até amanhã Dra. – Falei baixo, quase sussurrando, para não atrapalhar a sua ligação.

- Não, não Hwang, eu já disse que irei te levar em casa. – Falou firme enquanto mantinha a mão no telefone, abafando para a pessoa na outra linha não escutar. – Apenas vá pegar suas coisas e volte.

20 minutos depois e eu já estava enfiada no banco de couro da sua Ferrari conversível vermelha. Sempre achei um carro masculino, mas precisava admitir, ela conseguiu ficar ainda mais sexy em um carro totalmente contrário ao seu trejeito feminino. Ela emanava poder e decisão, era bem o tipo de mulher que sabia o que queria, como queria, e do jeito que queria, não poderia guiar um carro abaixo desse conceito. Após passar o endereço onde estava residindo, relaxei minha cabeça no encosto do banco e olhei para o céu que nos presenteava com um imenso tapete brilhante. No som, podia-se escutar a doce voz da Diana Krall cantando “I’ve got you under my skin”. Então ela gostava de jazz. Até que já esperava algum tipo de música clássica que combinasse perfeitamente com o seu toque refinado e altivo.

- A Dra Jung é minha mulher. – Abaixou um pouco o som. – Estamos nos separando.

Pendi a cabeça para o lado e a encarei como quem não havia entendido o que ela acabou de falar. O vento que se fazia, balançava alguns fios dos seus cabelos para trás e revelava o perfil do seu rosto fodidamente lindo, denotando uma certa serenidade e até um certo cansaço. E aposto que se eu me apaixonasse por aquela mulher, eu estaria fodidamente perdida.

- O que vocês viram mais cedo na sala hoje .... – Continuou a fala e apoiou o cotovelo na janela, dirigindo apenas com a outra mão. Charmosa.

- Ahh sim, me desculpe por ter entrado daquele jeito. A porta estava entre aberta e não imaginei que estivesse com alguma companhia. – Engoli em seco.

- Não, está tudo bem. – Balançou a cabeça negativamente e mudou a marcha. – Isso não irá mais acontecer. – Seu semblante se fechou, mas não como fazia quando estava irritada ou sem paciência, tinha algo a mais ali o qual eu não pude desvendar.

Eu apenas assenti brevemente com a cabeça e fiquei a fita-la por mais um instante. Elas eram casadas e de alguma maneira saber daquilo me incomodou absurdamente. Vi nela a chance de ter um relacionamento maduro, mas agora havia um empecilho ali ... um empecilho lindo, ruivo e majestoso que ela estava se divorciando. Afundei no banco submersa em pensamentos e virei o rosto para o outro lado. Pensei o caminho todo se a convidaria para a reunião de sexta, mas e se ela levasse a sua mulher? Ela disse que estava se separando, mas a cena que flagrei hoje não era de uma pessoa que estava se separando de outra.

- Tiffany, chegamos. – Senti sua mão acariciar levemente a minha perna, despertando-me do meu devaneio. Abaixei o olhar para o seu toque e respirei fundo, voltando a encará-la.

- Obrigada pela carona. – Virei de lado no banco de couro e fiquei de frente para ela.

Ficamos nos encarando e nos estudando. Cada vez mais ficava inevitável não ansiar por uma aproximação mais do que essa, meu corpo pedia por um toque seu, uma atenção, uma atitude que me libertasse desse estado entorpecido que sempre ficava em sua presença. Ousei colocar a minha mão em sua coxa e arranhei levemente minhas unhas no tecido do seu jeans. A vi fechar os olhos e respirar fundo com a minha aproximação, o que me fez sorrir levemente. Ela sentiu algo e finalmente demonstrou.

Retirei minha mão da sua coxa e a coloquei em seu rosto, prendendo uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e admirando cada traço do seu rosto. Seus lábios perfeitamente desenhados e avermelhados, pareciam ser um convite perfeito para a perdição. Não tinha mais para onde correr, eu a desejava profundamente e não fazer nada em relação a isso, me corroía por dentro. Aproximei meus lábios dos dela e pude sentir seu hálito quente. Eu me sentia um predador que havia encurralado sua presa em uma viela. A hora do bote foi até chegada, mas não foi certeira. Ela virou seu rosto no último segundo em que desejei aqueles lábios voluptuosos sobre os meus. Recuei meu rosto alguns centímetros do dela e sorri fraco.

- Boa noite Dra e mais uma vez, obrigada pela carona – Depositei um beijo leve em sua face e enfiei a bolsa em meu ombro, saindo do carro sem olhá-la.

Antes que eu pudesse alcançar o portão do prédio, com seu Johnny segurando a porta para mim, escutei a voz dela me chamando do carro.

- Tiffany ... - Diminuí os passos e virei-me para encará-la. Ela estava com o braço repousado na janela. – Você trabalhou duro hoje, pode tirar a manhã de folga, mas esteja no período da tarde.

- Não é necessário Dra, mas obrigada. – Respondi sucinta, desejando que uma cratera se abrisse em baixo dos pés e me sugasse juntamente com a minha vergonha. – Nos vemos pela manhã. – Me virei em um movimento brusco e subi as escadarias apressada.

Assim que adentrei o apartamento, pareceu que um peso havia sido tirado das minhas costas. Joguei minha bolsa no sofá e fui retirando minhas vestes deixando-as no meio do caminho, até chegar em meu quarto. O apartamento estava escuro, e como já passava das 10, imaginei que Yu já estaria dormindo e tudo o que eu queria era conversar com ela e falar tudo sobre o meu dia nos mínimos detalhes. Inclusive a parte em que quase beijei a minha chefa, mas que fui recusada com sucesso.

Tomei um banho rápido e coloquei o meu pijama, não ligando para o meu estômago que roncava parecendo um porco prestes a ser abatido. Somente quando me joguei na cama, foi que eu senti todo o cansaço que havia se acumulado no dia e consegui adormecer, com os pensamentos voltados para um par de olhos fumegantes e uns lábios sedentos.

****

- Ainda assim, eu acho que você deveria ter convidado ela para vir hoje. Você nunca ia saber se ela iria aceitar ou não. – Falou Yu, entre garfadas na sua salada.

- Ela quem? - Peter indagou curioso, bebericando o seu suco de laranja.

Vacilei meus olhos para o lado e na outra ponta do refeitório, vi a minha chefa, o chefe da Yu, a Dra Jung e mais uma médica que eu não sabia quem era, almoçando em uma das mesas reservadas. Na hora do almoço sempre rolava os grupinhos, uma perfeita hierarquia onde cada um almoçava com os seus ideais. E depois do quase beijo, eu senti que ela ficou diferente comigo, não de um jeito frio como sempre fazia. Mas algo havia mudado, só não sabia o que era. Ela parecia ter virado uma grande interrogação ambulante, o que já era difícil de desvendar, ficou ainda pior.

- Ninguém. – Respondi sem emoção e dei uma última garfada em minha refeição.

- A chefinha de vocês. – Olhei incrédula para Yu por causa da sua resposta, e ela deu de ombros.

- Hmmmm a chefinha. Ela é da nossa tribo também? - Indagou Peter serelepe, mas não surpreso com a situação.

- Tribo? Quem fala assim hoje em dia? - Yu respondeu com uma revirada de olhos e um certo desdém em seu tom de voz, levando um tapa de Peter.

- Quem marcou presença Yu? - Ri da interação rápida que os dois adquiriram em apenas 1 dia e mudei de assunto bruscamente.

- Hmmm, confirmados tem 3 colegas meus da enfermagem e a recepcionista de lá, a Sarah, o meu chefe e nós aqui, acho.  

- Por favor, diz que vai ter homem. – Peter praticamente suplicou.

- Está ótimo. – Contive uma gargalhada, abafando-a com a mão. – O chefe da Yu me parece um partidão Peter Parker.

Ele chegou a cadeira um pouco para o lado e encarou a mesa na outra ponta. – Hmmm, tem cara de passiva louca, mas podemos ver.

Não contemos uma gargalhada e olhamos disfarçadamente para a mesa da ponta, onde todos pareciam nos olhar agora. Encarei brevemente o olhar da minha chefa, que me retribuía com uma feição enigmática quando os outros da sua mesa voltaram à refeição. Por um momento até cogitei a ideia em chama-la de última hora, mas do jeito que ela era, achei que seria deselegante demais.

Após o nosso almoço, a tarde passou tão rápida que quase não vi a hora passar. Mantive-me mergulhada nos afazeres e como já havia pego rapidamente a rotina do hospital, já ia fazendo praticamente tudo no automático. Ansiava pela nossa reunião, mas por poder relaxar e esvair um pouco a mente que andou em um turbilhão nessa semana. Aproveitar que era a minha folga no outro dia e não me preocupar com a quantidade de álcool que iria ingerir, na intenção de matar algumas células dos meus neurônios. Eu e Yu havíamos acordado 1 hora mais cedo hoje para poder ajeitar as coisas. Colocamos as bebidas para gelar e adiantamos uns petiscos práticos que compramos no mercado, antes de pedirmos o jantar onde todos os envolvidos votaram com unanimidade em um japonês. Fazia tempo que não comia um bom japonês e a ideia me animou ainda mais.

Voltamos de carro comigo no volante e Peter animado no banco de trás, juntamente com mais 2 colegas da Yu. O resto do pessoal nos encontrariam em casa, somente o chefe dela que disse que ia atrasar um pouco, porque precisava terminar o seu plantão até às 20. Como Peter iria trabalhar no outro dia, sugeri que ele dormisse lá em casa pois assim poderia sair cedo e pegar uma carona com a Yu.

Não demorou e chegamos no apartamento. Estava perfeitamente organizado e limpo, pronto para receber as pessoas. O ipod já estava acoplado nas duas caixinhas de som e estava em cima da mesinha de centro. As pessoas foram entrando e ficando à vontade, no modo em que Yu ia na cozinha pegar algumas bebidas. Eu e Peter caminhamos para o meu quarto e o deixei se ajeitar por ali, enquanto fui me deleitar em um bom banho quente.

Me permiti demorar um pouco em baixo da água submersa em minha própria decepção por não ter feito o convite, mas poderia eu me culpar por isso? O teria feito se soubesse que ela iria aceitar e não rejeitar um simples beijo em que, um momento de loucura, juntei coragem para demonstrar quais eram as minhas reais intenções. E essa frustração havia me tomado o pensamento e me tirado do sossego, desde então. Quase 30 minutos tentando exorcizar os demônios dos meus pensamentos, saí do banho e vesti a roupa que havia separado. Um vestidinho branco levemente rodado, um pouco acima das coxas e uma sandália simples de dedo. Penteei rapidamente os cabelos e os deixei soltos ao redor dos ombros, ajeitando a franja toda para um lado. Fiz uma maquiagem de leve, apenas marcando meus olhos com delineador e um pouco de blush para avermelhar as maçãs pálidas do meu rosto. Estava simples, porém apresentável para ficar em casa.

- Uauuu, se não é a residente mais gata do UCLA. – Sorri um tanto debochada para Peter, enquanto me aproximava.

As pessoas estavam espalhadas pela sala. A Sarah, que era a recepcionista, conversava animada com duas residentes de enfermagem no sofá. Peter estava ao canto, logo em pé parado na porta da cozinha com o outro residente gay. Todos estavam com uma garrafa de cerveja em mãos e o som não estava alto, mas perfeitamente audível para as pessoas se embalarem com David Guetta e beliscarem os petiscos que foram arrumados em cima da mesa de centro, ao lado do som.

- Precisam de alguma coisa? - Me aproximei e recebi um beijo apertado de Peter, em minha testa.

- Não gata, está tudo ótimo. – Ele já se encontrava sem camisa, juntamente com o outro residente. – Esse é Charlie, residente de enfermagem.

Me virei para o homem, com o abdômen mais traçado do que um tanque e sorri, me apresentando. – Tiffany Hwang.

Ele tomou minha mão e beijou a costa da mesma. – É um prazer Tiffany, você é linda. - Extremamente elegante, ele tinha a altura de um modelo de passarela e os olhos mais verdes do que já tinha visto na vida. 

Sorri sem graça para o mesmo e me desvencilhei do seu toque. – Obrigada Charlie. Eu vou pegar uma bebida e vocês podem ficar à vontade. Com licença.

Deixei os dois ali e caminhei para a cozinha, onde encontrei Yu mexendo em alguma coisa na geladeira.

- Heeey, o que está fazendo? - Me aproximei e dei um tapa em sua bunda, passando a minha mão em sua frente e tirando uma garrafa de vinho.

- Procurando o queijo gorgonzola, não havíamos comprado? - Fechou a geladeira, me olhando frustrada.

Repousei a garrafa sobre o balcão e caminhei para o armário, pegando uma taça. – Não Yu, falamos em comprar, mas ninguém pegou. – Sorvi um grande gole da bebida e aproveitei para preencher mais um pouco a minha taça.

- Ahh, okidoki. Faz sala para as pessoas enquanto eu vou tomar meu banho agora.

- Deixa comigo. – Fechei a garrada com a rolha e guardei na geladeira, voltando para a sala com a bebida em mãos.

Aproveitei para conhecer as meninas que estavam no sofá e me juntei a elas, em uma conversa animada. Conversamos sobre coisas aleatórias e todos ali eram gays, exceto Sarah, a recepcionista. Ela era graciosa, cabelos longos e pretos, bochechas rosadas e pele alva, tinha uma filha de 3 anos e era mãe solteira. As outras duas estavam se conhecendo, Lindsay e Paige. Uma delas já estava no segundo ano de residência, enquanto a outra acabou de entrar junto com a Yu. Todos estávamos animados e fofocando sobre a enfermaria.

Abrimos uma grande roda pelo tapete e nos acomodamos ali quando a campainha começou a tocar mais alto do que a música.

- Pode deixar comigo. – Yu passou pela gente que nem uma bala.

O resto de nós mantínhamos uma conversa com risos soltos e aproveitei para levantar e me servir com mais um pouco da bebida. Já estava na quarta taça de vinho e podia sentir meu corpo esquentando por não ter feito uma refeição mais consistente, para retardar a chegada do álcool na minha corrente sanguínea. Não me sentia bêbada, mas levemente tonta e sabia que a noite estava apenas começando.

- Onde tem mais cerveja gata? - Peter adentrou a cozinha, sem cerimônia.

- Na geladeira baby, pode pegar. – Apontei para o local e sorvir um gole do vinho. – Quem chegou?

- Eu não vi, mas provavelmente o chefe da Yuri. – Abriu a garrafa com o dente.

- Aii Peter. – Fiz uma careta de dor e o vi se aproximar, passando seu braço musculoso por de baixo do meu e me guiando para fora da cozinha.

- Isso não dói gata, depois eu te ensino.

Assim que voltamos gargalhando para a sala, meu semblante se fechou ao ver minha chefa ao lado do chefe da Yu. Ela estava perfeitamente gostosa em uma saia lápis azul marinho que destacava seu quadril e acentuava suas curvas graciosas, uma blusa social transparente revelando seu sutiã na mesma cor da saia. Seu rosto alvo estava levemente marcado com uma maquiagem fraca, destacando apenas seus lábios vermelhos. Engoli em seco.

- Não vai me servir uma bebida Hwang? - Me encarava com indiferença, vacilando os olhos para o braço de Peter enfiado em baixo do meu e posteriormente seu abdômen desnudo. – Vejo que já se sente em casa Parker. Que bom que estão íntimos. – Falou em um tom irônico.

Por sorte ninguém prestava atenção na cena. Yu voltava da cozinha com uma bebida para o seu chefe e se juntaram com as outras residentes no sofá.

- Boa noite chefinha. – Peter brincou, roubando-lhe a mão e beijando à mesma. – Você está mais deslumbrante hoje.

Os olhos dela não paravam de me encarar. Havia um misto de fúria e de algo mais que eu não conseguia decifrar. Senti um calafrio percorrer minha espinha com aquela tensão, ainda por ver que ela ignorou Peter totalmente e o mesmo saí dali sem dar muita importância. Meus neurônios ainda estavam se recuperando do dano que ela me causou, quando recusou o meu beijo. Ela caminhou em minha direção firmando seu salto no chão e me tomou pelo cotovelo de forma sutil, mas com uma leve insistência, guiando-me para dentro da cozinha.   

- Fiquei extremamente ofendida por não ter sido convidada por você, Hwang. – Sua voz denotava uma certa impaciência.

- E teria feito alguma diferença? Você não viria mesmo. – Soltei meu cotovelo da sua mão e me afastei, ampliando o espaço entre a gente. – Cerveja ou vinho? - Virei para encará-la.

Ela me observou estreitando os olhos e respirou fundo. – Uma taça de vinho, não posso demorar muito.

Sorri irônica, no modo em que repousava minha taça quase vazia em cima do balcão e dava a volta no mesmo, seguindo para o armário. – Claro que você não pode ficar. – Bufei com desdém. Queria descontar toda raiva que sentia e toda a frustração por ter sido rejeitada de maneira tão ludibria.

Repousei a taça vazia em cima do balcão próximo a ela e segui para a geladeira, pegar a garrafa de vinho. Eu podia sentir seu olhar queimando sobre o meu corpo, de forma impetuosa.

- O que você quer de mim Hwang? - Seu tom de voz foi firme, mas com um pouco de suavidade. – E por que esse vestido tão curto?

Peguei a garrafa e fechei a geladeira atrás de mim, voltando para o balcão tentando demonstrar desinteresse. – O vestido não é curto. – Despejei o líquido em sua taça e a entreguei, encarando melhor o seu rosto.

- Responda a minha pergunta. – Seu tom autoritário, conseguiu despertar todo o meu corpo o deixando em estado de excitação. Ela deixou a taça em cima do balcão e se pôs toda possessiva em minha frente, aprisionando-me entre a pia e o seu corpo. - O que você quer de mim, Tiffany? - Ao proferir meu nome, sua voz foi mais suave. Seus lábios estavam tão ao alcance dos meus que senti uma vontade louca de beijar-lhe, mas não ousaria. O orgulho me corroía e se quisesse, ela que me beijasse.

Antes que eu pudesse responder, senti seus lábios roçando levemente em minha orelha, fazendo-me fechar os olhos em sinal de rendição. Aquele perfume inebriante do bar, do elevador, agora eu podia sentir há 5cm de distância e estava atordoando todos os meus sentidos. – Você me quer, é isso? - Sua mão direita deslizava lentamente pela minha coxa e subia a bainha do meu vestido, alcançando a minha virilha. Soltei um gemidinho mudo e mordisquei meu lábio inferior, enquanto ela detinha poder físico e psicológico sobre mim. – A pressa que eu tenho em fodê-la é incessante Hwang, acredite. Mas será do meu jeito. - Decretou.

- Eu faço o que você quiser. – Respondi mansa e ofegante, a vendo afastar os olhos de mim e me encarar com uma certa cautela.

- Pois bem. - Respirou pesadamente. - Para isso, preciso que você conheça um lugar. Amanhã te pego às 20?.

- Sim, às 20. - Retruquei tentando me recompor.

Depositou um beijo terno no canto dos meus lábios. – Eu preciso ir mesmo, desculpe. Mas quem sabe da próxima vez eu não seja convidada, huh? - Me lançou uma olhada exasperada.

Apenas assenti com a cabeça e permaneci ali, ofegante e molhada, enquanto a via sair da cozinha equilibrada perfeitamente em um louboutin creme, como se nada tivesse acontecido. 


Notas Finais


Hmmm e essa Tiffany toda abusada querendo beijar a chefinha? E para onde será que a Dra sádica a levará? UAHSHASUHAUH cenas do próximo cap.
Até breve baby's e obrigada pelo constante apoio nos comentários. É bastante importante para saber se vocês estão gostando.


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