História A Rosa da Coroa - Capítulo 26


Escrita por: ~

Postado
Categorias Kuroshitsuji
Personagens Charles Phipps, Ciel Phantomhive, Claude Faustus, Earl Charles Grey, Elizabeth Midford, Finnian "Finny", Personagens Originais, Sebastian Michaelis, Snake, Undertaker
Tags Ciel, Demonios, Lady, Sebastian
Exibições 27
Palavras 4.482
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Mutilação, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa leitura

Capítulo 26 - A Partida


Fanfic / Fanfiction A Rosa da Coroa - Capítulo 26 - A Partida

 

​Madame

 

Decidi os presentes enquanto retornava para a pensão, o fato do trajeto ser feito a pé incomodou o mordomo do garoto que reforçava a cada passo, que uma Dama não deveria passar por uma situação dessas, o discurso que só foi interrompido por um miado - felizmente não era a minha gata ­- chegava a ser engraçado a maneira que ele se portava com os felinos.

Ciel dirigiu um olhar desaprovador para o mordomo e eu me limitei a sorrir e conter as provocações que passavam pela minha mente, o garoto já estava todo irritado pelas negativas que lhe dava, duvidei que incomoda-lo com minhas gracinhas resultaria em algum bem.

Investigadores eram sempre irritantes.

Victor estava esperando em frente a varanda, junto a uma carruagem que fora providenciada pelo demônio, o vi retirar um pirulito do colete aqueles olhos rodeados de pés de galinha brilharam ao me entregar o furto.

- Eu tinha mais comigo, mas o senhor Hector os levou madame – ele falou em tom de desculpas ao me entregar o roubo.

- Ele é bem cruel – resmunguei ao abrir a embalagem, levando o doce de caramelo a boca no justo momento em que a porta era aberta pelo fiscal dos doces – nem tente – o alertei irritada sumindo por entre os dedos enluvados – você tem me privado a dias dos meus doces.

- Estou tentando mantê-la sem carie e preservar sua saúde plena – ele se justificou tentando uma aproximação novamente, olhei as malas e a gata que ele deixará para trás ao ter vindo tomar meu doce, o que obteve sucesso quando me distrai pegando a felina.

Os olhos do demônio me fulminavam enquanto ouvia um suspiro exasperado ao meu lado antes das mãos segurarem o meu braço, a gata silvou em alerta pela proximidade, enquanto eu lhe implorava com olhar para que não agisse de modo imprevisível.

- Eu compro mais caixas e outros doces que desejar contanto que pare de perder tempo e entre na carruagem – não compreendia porque ele era sempre apressado, a eternidade faria bem ao ensina-lo a ser mais paciente.

Era um bom trato a se fazer com o jovem Conde, parecia que meus esforços nas últimas horas seriam recompensados.

- Espere, não posso ir ainda – parei na entrada da carruagem que era mantida aberta por Sebastian enquanto Hector se ocupava em arrumar a bagagem – Snake, o que vocês fizeram com ele?

Eu devia ter desconfiado, toda essa insistência para que eu me apressasse, Victor tentando me agradar e meu demônio criando caso pelo doce. Eles me escondiam algo e bem podia ser o corpo do meu amigo. Interroguei Hector com o olhar, embora este tenha agido com naturalidade fingindo não perceber.

- Está se despedindo, madame – Victor falou rompendo o silencio.

- Eu diria mais que está se decidindo – Lucy ronronou ao assumir a aparência humana, tendo um longo casaco lançado sobre si – esses pudores que vocês têm é bem engraçado – ela comentou apontando para o meu rosto corado e o de Ciel que estava virado para o lado oposto tentando esconder a própria face.

- Você corou? – Perguntei chocada – mas que raios de demônio é você?

Ele se voltou para mim com uma carranca medonha, me senti dar um leve encolher, Ciel irritado, era assustador. Eu fui salva pela garota ruiva que descia apressada a entrada seguida pelo silencioso Snake, arqueei uma sobrancelha, acompanhando a cena.

- Irá partir sem me contar o que aconteceu? – Amélia questionou desafiadora o garoto, deixei os dois de lado ao voltar os olhos para Snake.

- Não consegui contata-los – Ciel respondeu sustentando o olhar dela, seu mordomo se aproximara de forma silenciosa e me segredou as informações ocultas até então, Amélia era irmã dos homens que matamos, olhei apiedada para a garota que fitava desalenta o chão, como iria reagir quando as notícias lhe chegassem?

- Amélia – a chamei escolhendo as palavras com cuidando e ignorando os baixos ronronos que a gata deixava escapar ao ser afagada – caso deseje nos acompanhar não será problema algum.

- Vocês são um conjunto um tanto estranho – ela declarou ao olhar-nos criticamente, com os olhos desconfiados fixados na gata, ela havia tido o capuz puxado para ocultar as orelhas e não estava nada contente, tentava não me deixar afetar por essa análise – não poderia, está na hora de parar de fugir e ir vê-los.

Me senti morrer internamente ao supor a quem ela se referia, não poderia ficar para dar-lhe um falso conforto e estava fora de questão sugerir tal ideia para Snake.  A não ser que ele pedisse.  

- Faça isso, agora queira nos dar licença, já nos demoramos de mais – disse Ciel voltando para o veículo e me levando junto.

- BOA SORTE NA BUSCA – ela gritou conforme se afastava – TENTE NÃO MORRER AO BUSCAR A FLOR PARA ELA.

- O que ela quis dizer? -  perguntei buscando seus olhos, mas a gata que se lançara entre nós dificultava o contato – Lucy, por favor... – as palavras seguintes morreram em meus lábios quando o vi entrar – sente-se do meu lado, imediatamente – mandei quando percebi sua intensão de sentar-se nos bancos da frente – estou contente por ter vindo – confessei ao abraçar o garoto com as cobras em volta de si.

- Amélia supôs que seria eu quem lhe traria a flor, assim como os outros fizeram na sua história romantizada – ele respondeu com a voz entediada e um olhar que não conseguia decifrar.

 A gata se ajeitou sobre o meu colo sem se importar com o olhar assassino que recebia do meu demônio. Após ter me ajeitado no melhor conforto possível e Hector a contragosto ter ficado no outro banco junto ao mordomo a carruagem finalmente se locomovia.

- E você conseguiu se manter firme durante essa conversa? -  perguntei admirada e recebendo um olhar confuso em troca – eu teria gaguejado ou me envergonhado de outra maneira em seu lugar.

Ele balançou a cabeça inconformado com a minha resposta, lançando os olhos as casas que deixávamos para trás, Ciel havia tentado transparecer indiferença mas vi um sorriso tocar seus lábios. Provavelmente satisfeito por se sair bem em algo que eu falharia.

 

 

*

Impaciência era algo que eu tinha em comum com o nobre, e devia confessar que os anos que passei aos cuidados de Hector haviam me deixado mimada. Eu desejava minha flor e a teria o mais rápido possível. Quando nos encontrávamos na estrada distantes, rodeados por nada além de imensas mansões afastadas, evolvi o ar sobre nós, causando a agitação momentânea dos cavalos que guiavam a carruagem e da gata que cravara as unhas sob minha pele, animais eram sempre sensíveis a tais manifestações, mesmo sentida pela reação que causava em Lucy sabia que não podia me conter de realizar nossa locomoção, ela tinha de se habituar a isso para os anos que viriam.

Pela janela era possível ver a enorme mansão com a fachada de pedra fria se erguendo majestosa e intimidadora, as longas janelas estavam encobertas pelas pesadas cortinas escurecidas, a fraca nevasca que caia formara um fino tapete sobre a grama, Hector me ajudara a descer e manteve meu braço entrelaçado ao dele conforme subíamos os escorregadios degraus da entrada, Lucy passou correndo a nossa frente esperando inquieta a porta ser aberta para se refugiar do ar gelado. Meu demônio retirou a chave do bolso, a porta soltava um rangido conforme era movida, notei Ciel parado na moldura da porta, examinando cada canto do ambiente escurecido.

- Há quanto tempo não vem aqui? – Ele perguntou notando o estado da mansão em poeirada – não contratou nenhum empregado para cuidar dela?

- Quinze anos- murmurei a reposta para a primeira pergunta - tenho um jardineiro que vem a cada três dias na semana para tratar das plantas da estu-ufaaa... – um espirro que nunca chegou atrapalhou na pronuncia da palavra, após coçar o nariz me corrigi – estufa...Eu lhe mostrarei mais tarde, ela se encontra nos fundos da propriedade, caso sua curiosidade seja grande a ponto de não me esperar – me virei para olha-lo, parando os passos do demônio no corredor – embora eu acredite que seu tempo seria melhor aproveitado se fosse buscar os doces que me prometeu.

- Me dispensando com tanta sutileza – ele falou áspero e eu lhe dei o olhar de cão sem dono tentando convencê-lo, mas Ciel se mostrou inflexível – você é tão mal-acostumada.

- Preciso falar com a gata – justifiquei sabendo que o problema apenas começara, o demônio me olhava com suspeita e quase conseguia ouvir seu protesto – somente com ela.

 

 

 

 

 

*

Consegui deixar o quarto após Hector ter enrolado o cachecol que deixou levantado cobrindo o meu nariz, mas o demônio não se dava por contente mesmo descendo a escada principal às pressas ele vinha atrás com um capuz negro em mãos, senti o tecido caindo sobre mim antes de chegar no meio da escadaria. Olhei para ele incomodada por esse exagero, já havia colocado duas meias longas e grossas, a roupas e agasalhos pesados para o inverno e um sobretudo, agora que ele terminou de prender as amarras, puxou a toca deixando um fino espaço para meu campo de visão.

- Sou tão descuidado eu esqueci suas luvas – ele falou horrorizado subindo os degraus logo em seguida.

Meu demônio ainda me deixaria maluca com essas preocupações desnecessárias. Cheguei ao final antes de ser atacada novamente, dessa vez, no entanto pela gata que surgiu de algum lugar escuro, Hector tinha falado que só arrumaria a mansão depois de minha saída, já deixando avisado de que me encontraria logo após ter feito o trabalho.

- Vamos? – Perguntou Lucy me abraçando – acho que levara pouco tempo para me acostumar com esse seu jeito de ir para os lugares.

 - Você terá anos para se acostumar com esse modo, logo não irá sentir desconforto algum...  – Me interrompi quando senti os braços ficarem frouxos, os olhos de Lucy estavam perdidos ao fitarem o chão – o que aconteceu?

- Não é nada – ela mentiu, e eu não precisava de um demônio para comprovar suas falsas palavras, aquele sorriso forçado era toda a confirmação que eu precisava.

- Ciel já saiu ?- perguntei para a gata ao notar a ausência do garoto e ela assentiu em resposta, meu demônio desceu a escada em questão de segundos, percebendo o sorriso estupido que eu trazia ele arqueou uma sobrancelha ao colocar a primeira luva de lã negra – Ciel foi atrás dos doces que me prometeu, quando eu retornar terei um prêmio maravilhoso – Hector se dirigiu a outra mão enquanto eu movi a mão enluvada apontando meu dedo em riste para ele – não irei permitir que me tome esses, Hector.

- Não tomarei dessa vez, madame – ele falou serio olhando em meus olhos, conforme era envolvida pelo ar e pelos braços da gata que se firmavam cada vez mais, eu perdia o contato firme de suas mãos que ainda se prendiam as minhas, aquele rosto preocupado ficava cada vez mais para trás.

A minha frente o chão rochoso e nevado captava tanto a minha atenção quanto a de Lucy que olhava encantada os finos flocos de neve caindo, olhando para o tapete de neve que se estendia ao nosso redor percebi que havia nos levado um pouco acima do esperado, estava longe de estar no pico da montanha e também me encontrava isolada de qualquer planta, só nos restava descer e procurar nos alpes.

- Não iremos subir? - Perguntou a felina pisando na neve com suas botas fazendo ruído conforme me acompanhava – eu acho que tem umas pedras para se apoiar e caso seja necessário eu posso ir, não tem motivos para meu brinquedinho se pôr em perigo.

- Eu agradeço, mas não será preciso – olhei para a gata que inclinava a cabeça pesando minhas palavras – quero verificar lá em baixo antes de subirmos por nada, como da última vez.

E com o vento constante que batia em nossos rostos conforme descíamos cuidadosamente o chão escorregadio, mesmo tendo somente meus olhos a mostra estava ficando ruim suporta-lo me sentia cada menos inclinada a subir, meu demônio paranoico fizera bem ao agasalhar-me tanto no fim, e me senti novamente em debito com ele ao ver que mesmo desprezando minha gata ele cuidara para que ela estivesse bem vestida para o frio que enfrentaríamos.

- Lucy, temos assuntos delicados para tratar – falei vendo os seus olhos se voltarem desconfiados – comece explicando do por que se manteve na sua outra forma.

- isso... são um pouco complicado, brinquedinho – a olhei de forma incisiva, minha gata não escaparia sem as respostas, sua mão se fechou em torno da minha e ela seguiu na minha frente – eu não conseguirei alcançar essa forma sempre, minha longevidade é mais alta comparada a de gatos comuns, mas os seres de minha raça não podem manter a aparência humana conforme envelhecem, quanto mais tempo eu passo dessa forma agora menos será a duração dela daqui a alguns anos – ela parou antes virar a curva que apresentava em nosso caminho, aqueles olhos azuis que antes me evitavam chegavam a me atravessar agora – e como sei de sua condição eu estou tentando guardar o máximo de tempo para usá-lo mais tarde, você deve passar anos ouvindo a minha voz e ser presa pelos meus braços, brinquedinho cada vez menos me vera desse jeito.

Olhei culpada para Lucy, gatos Selvagens sempre foram misteriosos para nos, Escuridão nunca havia assumido essa forma e mesmo que o gato não gostasse de minha presença eu tinha certeza de que de Gregory ele gostava, se ele não havia mudado a aparência para salva-lo era porque não podia, como Lucy contou seu tempo devia ter acabado, e eu não queria imaginar meu tempo sem a gata falante, cerrei o punho da mão livre, minha gata estava com problemas e era meu dever ajudar.

- Devia ter me contado antes, fiquei tão preocupada e agora me sinto terrível por ter negligenciado seus cuidados – levantei o queixo e endireitei a postura – eu prometo a você Lucy, irei achar um meio de ajuda-la. Não vou me permitir perde-la.

Eu já tinha tido minha conta de pessoas importantes sendo tomadas de mim, os anos que ainda viriam tirariam muitas mais de mim, mas eu não as deixaria partir sem resistir, aceitava a ajuda de Lucy conforme o terreno se inclinava mais e ficava escorregadio, nenhuma das flores que eu buscava se faziam presentes, mas pequenas vegetações cobertas de neve começavam a aparecer aos poucos.

- Por que atacou o Ciel? – Perguntei ao olhar o chão novamente, a neve começava a diminuir naquele ponto.

- Mandei que ele não saísse e o garoto me desafiou – ela respondeu irritada, os dentes se mostrando pela careta de desagrado que fazia – eu o tinha avisado para que me obedecesse.

- Por que, Lucy? – Minha voz soava dura, tinha ficado incomodada com esse jeito vago dela – Por que o atacou?

Certamente de que para a felina ter se portado daquela forma e ainda revelado que o avisou do ataque que sofreria era por algum motivo serio, minha gata irritada seguia a frente com os olhos examinando tão atentamente como os os meus para o cenário ao nosso redor.

- O garoto ia investigar, e você seria passada para trás, eu não poderia permitir que meu brinquedinho perdesse, se ele tivesse simplesmente me escutado eu  não teria sido obrigada a eliminar um dos jogadores.

Franzi o cenho com essa resposta e a censurei com o olhar, meu demônio certamente desaprovaria suas atitudes tanto quanto eu, mas gata estava focada em outra coisa e agarrando em meu pulso ela correu desenfreada, meu capuz caiu em meio essa corrida alucinada, o ar gélido lançava nossos cabelos para os lados, o cachecol havia ficado frouxo e quando finalmente paramos aos tropeços eu arfava e sentia minhas pernas doloridas pelo modo descuidado que pisamos naquele solo declinado, mas quando as palavras contentes da gata fizeram sentido eu me senti realizada e todo o esforço foi recompensado, pois na encosta da montanha estavam as belas Edelweiss.

 

 

 

O Conde

 

A pergunta sobre quem estaria mais surpreso seria difícil de ser respondida, o mordomo por observar-me selecionando as opções dispostas a minha frente pela sorridente funcionaria ou eu mesmo por me dar o trabalho de fazer isso. Levei os olhos para as janelas quando estas bateram as telas externas com forças pela corrente de vento, a mulher soltou um baixo ofego de susto e estremeceu, resmungando em um inglês atrapalhado como o frio que fazia era injusto e que infelizmente demoraria a passar, se obrigou a parar de divagar em pensamentos e focar nas caixas a sua frente. Não era como se Lyanna estivesse sozinha de qualquer forma.

- Serão estes – falei decidido apontando duas caixas grandes e sinalizando ao mordomo que os pagasse, Sebastian prontamente cumprido a tarefa pegando as caixas que foram colocadas na sacola.

Ele se adiantou a porta e a manteve aberta para minha passagem, acompanhando com passos silenciosos até a carruagem da garota, onde o cocheiro que se dispões a acompanha-los aguardava.

- Seria bom demais acreditar que ela já estará de volta na mansão, não? – Perguntou trivialmente ao acomodar-se no veículo.

- Está tão ansioso assim, bocchan? -Questionou o mordomo no banco oposto dando um sorriso.

- Somente porque nesse momento temos questões mais serias a tratar, e enquanto isso ela está brincando com suas flores – um suspiro pesado escapou de meus lábios. Era estranho que uma garota tão dispersa tenha chamado a atenção da Rainha.

 

*

Estava sentado no sofá de uma das salas, a lareira espalhava um calor agradável ao ambiente e tentava se distrair com o livro que tinha em mãos. A Lady chegou 20 minutos depois, avistou brevemente o vulto do demônio correndo com a garota nos braços pelo corredor e mesmo se distanciando conseguia ouvir a tosse que por vezes lhe escapava.

- Prepare algo para ela Sebastian – ordenou virando uma folha do livro – não preciso ouvir as novas desculpas dela para não participar da investigação.

- Yes, my Lord.

O cômodo que tinha caído no silencio pesado, foi rompido quando a garota adentrou, com os cabelos penteados e um vestido cinza o seu demônio a seguia com uma bandeja em mãos, Lyanna teve o sorriso tirado pelo novo ataque de tosse contra o lenço oferecido pelo seu servo. Não tardou para o mordomo negro se encaminhar até o assento da garota apresentando os pratos que trazia com um floreio, a Lady lançou olhares desconfortáveis a ambos.

- Eu agradeço a atenção de vocês, mas sinto que desperdiçaram seu serviço  - os dois se mantiveram firmes na insistência para que a garota se alimentasse um pouco, enquanto me divertia com a cena embaraçada dela, um vulto branco pulou sobre seu colo, a gata soltou um silvo para o demônio dela e um ronronar manhoso para Sebastian, este que depositou a bandeja em uma mesa no canto da sala e pegou o animal com cuidado – Lucy, eu tenho tanto a agradecer a você – ela sorriu aliviada se voltando para demônio – por favor, Hector não insista me sinto impossibilitada de comer no momento.

- Compreendo – ele falou e no enteando ofereceu uma xicara que se mantinha pousada na badeja de prata – mas peço que tome o chá, ira tirar o enjoo, my Lady.

- Voltou nesse estado fraca e abatida, espero que tenha valido a pena se submeter a isso – falei de forma grave, tentando compreender as escolhas descuidadas da garota e a completa falta de bom senso no demônio por permitir tal coisa, eram tantas as falhas deles.

- Compensou cada tosse- ela respondeu ao afastar o copo dos lábios e seus olhos azuis deram atenção para a mesa de centro onde se encontravam as duas caixas de chocolate – eu lhe daria um abraço se não estivesse resfriada, muito obrigada Ciel.

- Não é nada demais – resmunguei – Lyanna, esta tão agradecida a ponto de mudar de ideia?

- Não darei continuidade nesse caso Ciel, irei aproveitar meus dias para cuidar das flores – um sorriso estranho surgiu naquele rosto – devo agradecer novamente a você, ao ter tratado da Rainha possibilitou uma enorme mudança na minha rotina. Se tivesse algo que eu pudesse fazer não hesitaria em ajuda-lo.

- Preciso que localize o responsável por ter organizado tudo, mas você tem se mantido firme com a decisão de ficar- chegava a ser irritante esse pulso firme dela, com sua tosse voltando e a interrompendo, eu não saberia se ela teria cogitado mudar de ideia porque após o demônio servir-lhe uma nova xicara, ele se pronunciou.

- Se me permite falar, madame, contou-me que foi capaz de achar Nancy através das flores que cercavam a casa de verão, então talvez não seja necessário partir daqui para encontrar o culpado através de outras flores.

Lyanna o olhou surpresa e com um fino sorriso, mas eu sabia que ele só estava sendo tão solicito para ter o assunto tratado o mais cedo possível, e consequentemente a minha partida. Aqueles olhos se mantiveram firmes e impassíveis sob mim e a Lady teve o cuidado de fingir não notar.

- Dê-me alguns dias para tentar – ela pediu e eu concordei, não custaria nada aguardar mais um pouco e seria interessante descobrir se a bruxa era capaz de tal coisa.

 

*

 

Desci a escada principal com a presença do mordomo logo atrás, havia se passado uma semana desde o dia em que a Lady me pediu um tempo, e no decorrer desses dias ela havia me mostrado a flor que fora usada na composição do perfume e também me contado o que havia causado a reação tão grave nas vítimas, a substancia química presente era o fenol e quando entrava em contato com a pele a queimadura e descamação eram  inevitáveis, Lyanna havia dito que que o produto podia causar convulsões, um colapso circulatório e como nesse caso a morte.

Quando questionei sobre esse conhecimento na área da química ela havia me dado um sorriso convencido justificando que para saber tratar os ferimentos ela também tinha se aprofundado a respeito dos produtos, evitando assim o risco de causar um problema maior durante o tratamento realizado.

Um avião de papel cortava o ar em minha direção, saído de lugar nenhum aparentemente ele teria batido de encontro ao meu ombro se eu não o tivesse segurado na mão, já imaginava quem era a responsável por ele, foi nas dobraduras do meio do avião que vi um pedaço de papel se elevando, o retirei e desdobrei, as letras inconfundíveis dela me passaram a localização. Alemanha.

- Prepare as malas Sebastian, irei falar com ela antes de irmos.

O mordomo ecoou as palavras de concordância antes de se afastar e eu perseguir os corredores dos fundos em direção a estufa da Lady. Agora já havia me familiarizado com as passagens da mansão, mas sempre que saia e me deparava com a construção de vidro era o mesmo sentimento de surpresa da primeira vez, porque sempre parecia que as plantas ali dentro se multiplicavam, a neve ainda caia fraca e o sol tímido tocava a estufa criando um estranho brilho.

Ao parar em frente a porta notei um papel precariamente colado, se movendo a menor brisa e novamente ali estava a caligrafia da garota.

 

 O mordêmonio se encontra irritadiço nessa manhã e pede que não criemos rastros de neve,

Antes de entrar peço que tire a neve devidamente nos tapetes da entrada,

Pois lembre-se de você irá embora, mas eu vou ficar e ele gritara por tal desordem.

 

Surpreendentemente não havia sido tão ruim como eu temia, cumpri o pedido da garota, batendo os pês nos tapete descritos até ter a certeza de que nenhuma neve ficara na sola e passei os olhos entre as flores que se avolumavam, notava a enorme variação dos tamanhos e cores, reconhecia algumas das explicações da Lady no decorrer dos dias em que tinha ido até lá, mas grande parte ainda me escava os nomes isso sem mencionar todos os benefícios que elas traziam e eu não recordava, sabia que a encontraria no meio da construção como das últimas vezes, passei por entre as prateleiras analisando os vasos de diferentes formatos para cada flor, me perguntei a quanto tempo ela havia começado essa coleção obsessiva.

Como imaginado, ela estava sentada a mesa de vidro que tinha como objeto decorativo as flores culpadas pelo refreado que pegara, ouvia surpreso o disparar do coração da garota, estava que afastou os olhos com relutância da planta que estava apodando e pousou a tesoura com suavidade no vidro frio.

- Não sei lidar com despedidas – ela disparou me analisando.

- Geralmente não se começa assim – falei sentindo um sorriso de canto se formar, eu a havia deixado sem palavras – não iremos contar como uma, eu tenho certeza de que mandara suas costumeiras cartas de qualquer modo.

- para sua segurança responda todas elas – Lyanna declarou se levantando – irei lhe dar uma flor somente para garantir, embora eu torça para que não se meta em uma confusão enorme a ponto de me tirar das minhas plantas – ela começava a se misturar entre as prateleiras, somente a voz da garota chegava a mim – felizmente, dessa vez tenho certeza de ser a certa, quando foi plantada na sua mansão eu suspeitei que tinha errado e ao confirmar com seu mordomo fiquei imensamente chateada por um erro bobo desses- a consternação na voz dela era palpável, a Lady retornou uns instantes depois girando uma flor que eu conhecia bem – sua rosa Sterling Silver, deve perdoar-me por não ter usado as corretas anteriormente – ela ficou com a tesoura em mãos, ajustando o tamanho da flor – espero que cuide melhor dessas.

 

Hector

 

Minha Lady ainda se encontrava na estufa, coloquei cuidadosamente a xicara com leite aquecido a sua frente, fazia-se poucos minutos que o garoto partira com o mordomo, o qual tentara levar a gata de maneira discreta mas lamentavelmente minha senhora deu falta da felina em questões de segundos, eles sequer haviam se arrumados na carruagem quando ela elevou sua voz exigindo o animal novamente, o que resultou na expressão furiosa do conde com o empregado que após ordenado devolveu a gata, pensar que por poucos segundos eu tinha conseguido me ver livre deles, a paz tão breve que senti era irrecuperável.

- Madame, agora que seus convidados já partiram e seus trabalhos nos últimos dias parecem completos, deixo avisada de que retornaremos com seus treinamentos e incluiremos a revisão para alguma linguagem que a senhora tenha dificuldade.

Ela moveu o rosto em minha direção afastando os olhos das Edelweiss para focalizar-se em mim, estava corada e levei a mão a sua face temendo por um resfriado. Mas não notei nada fora do comum.

- Quero acreditar que minhas reações são devidas a gripe que ainda não me abandonou.

Sabia de que reações ela se referia, assim como também sabia que não eram devidas a essa gripe que ela tanto queria culpar.

 

 


Notas Finais


Foi meio parado esse cap. mas fiquem tranquilos as tretas nervosa vão começar no próximo
Bjs


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...