História A Seleção - A Elite - A Escolha - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
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Palavras 2.026
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Décimo primeiro capítulo, boa leitura!

Capítulo 11 - Capítulo Onze


Na semana seguinte, inúmeros funcionários do governo invadiram nossa casa para me preparar para a Seleção. Havia uma mulher intragável que parecia pensar que metade do meu formulário era mentira. Depois chegou um dos próprios guardas do palácio, para repassar as medidas de segurança com os soldados locais e inspecionar minha casa. Aparentemente, eu tinha que me preocupar com possíveis ataques rebeldes ainda que estivesse em casa. Ótimo.

Recebemos duas ligações de uma mulher chamada Clarice, que tinha uma voz alegre e formal ao mesmo tempo, querendo saber se precisávamos de algo. Minha visita favorita foi a de um homem esbelto, de cavanhaque, que queria tirar as medidas para minhas roupas novas. Eu não sabia direito se ia gostar de usar roupas tão pomposas como as da rainha o tempo todo, mas estava ansiosa pela mudança.

O último visitante chegou na quarta-feira à tarde, dois dias antes de eu partir. Sua função era repassar todas as regras oficiais comigo. Ele era de uma magreza impressionante; tinha um cabelo preto e seboso penteado para trás e suava o tempo todo. Assim que entrou em casa, perguntou se havia um lugar em que poderíamos conversar em particular. Foi a primeira pista de que alguma coisa estava acontecendo.

— Podemos ir para a cozinha se você não se importar. — sugeriu minha mãe.

Ele enxugou o rosto com um lenço e olhou para Nina.

— Na verdade, qualquer lugar está bom. Só acho que seria melhor pedir à sua filha mais nova que saia da sala.

O que ele ia dizer que Nina não poderia escutar?

— Mãe? — ela chamou, triste com a possibilidade de perder aquele momento.

— Nina, querida, você não quer retomar a pintura? O trabalho ficou um pouco de lado esta semana.

— Mas...

— Eu acompanho você até a porta, Nina. — propus quando as lágrimas começaram a encher os olhos da minha irmã.

Quando chegamos ao corredor, onde ninguém podia nos escutar, dei-lhe um abraço apertado.

— Não se preocupe... — cochichei. — Conto tudo para você hoje à noite. Eu prometo.

Por sorte, Nina não entregou nossa conversa pulando pela casa, como de costume: séria, ela apenas acenou com a cabeça e foi para seu cantinho no estúdio do meu pai.

Minha mãe preparou um chá para o magrelo e nos sentamos à mesa da cozinha para conversar. Ele carregava uma pilha de papéis e uma caneta, que pôs ao lado de uma com meu nome. Depois de deixar o material na mais perfeita ordem, começou a falar.

— Desculpem a discrição, mas preciso tratar de assuntos que não se prestam a ouvidos jovens.

Minha mãe e eu trocamos um rápido olhar.

— Senhorita Singer, isso pode parecer grosseiro, mas desde sexta-feira passada a senhorita é considerada propriedade de Illéa. Portanto, deve tomar certos cuidados com seu corpo. Tenho diversos formulários que a senhorita deverá assinar enquanto lhe passo as informações necessárias. É meu dever informá-la de que qualquer falha de sua parte em cumprir nossas exigências implica sua exclusão imediata da Seleção. A senhorita compreende?

— Sim. — respondi um pouco insegura.

— Muito bem. Comecemos com a parte fácil. Aqui temos algumas vitaminas. Visto que a senhorita é uma Cinco, parto do pressuposto de que nem sempre teve acesso a uma dieta adequada. A senhorita precisa tomar uma pílula dessas diariamente. Por enquanto, fará isso sozinha, mas no palácio haverá alguém para lhe ajudar.

Ele deslizou um frasco grande pela mesa junto com um comprovante que eu tinha de assinar dizendo que recebera as pílulas. Tive que me segurar para não rir. Quem precisa de ajuda para tomar uma pílula?

— Tenho comigo o resultado dos exames que peguei com seu médico. Nada com que se preocupar. A senhorita parece estar em perfeito estado de saúde, embora ele me tenha dito que não tem dormido bem.

— Humm... fica difícil dormir de tanta emoção.

Era quase verdade. Aqueles dias eram um redemoinho de preparativos para a ida ao palácio, mas à noite, sozinha, eu pensava em Thom. Não conseguia parar de pensar nele. Ele entrava na minha cabeça e parecia não querer sair.

— Entendo. Bem, posso pedir para lhe entregarem alguns calmantes hoje à noite, caso a senhorita precise. Queremos que esteja bem descansada.

— Não, não é preciso...

— Sim. — interrompeu minha mãe. — Desculpe, meu bem, mas você parece exausta. Por favor, peça os calmantes.

— Sim, senhora.

O magrelo fez algumas anotações na papelada.

— Vamos prosseguir. Sei que se trata de um tema muito pessoal, mas tive que tratar do assunto com todas as participantes. Por favor, não fique tímida.

Ele fez uma pausa e continuou.

— Preciso que a senhorita me confirme se é virgem.

Os olhos de minha mãe quase saltaram para fora. Então foi por isso que Nina teve que sair.

— O senhor está falando sério?

Eu não podia acreditar que eles tinham mandado alguém para perguntar isso. Pelo menos podiam ter enviado uma mulher...

— Receio que sim. Se a senhorita não é, precisamos saber imediatamente.

Essa não... e na frente da minha mãe.

— Eu conheço a lei, senhor. Não sou tonta. Claro que sou virgem.

— Por favor, tenha em mente que se descobrirem que a senhorita está mentindo...

— O que é isso?! Isabella nunca namorou! — minha mãe exclamou.

— É verdade. — completei, aproveitando a deixa na esperança de encerrar o assunto.

— Muito bem. Só preciso que a senhorita assine este formulário para confirmar a declaração.

Obedeci, bufando. Eu era feliz por Illéa existir. O país tinha escapado por pouco de virar um monte de escombros. Só que essas regras começavam a me sufocar, como correntes invisíveis que me prendiam ao chão. Leis sobre quem você podia amar, formulários sobre sua virgindade... era detestável!

— Preciso repassar as regras com a senhorita. São bem claras e não terá dificuldade em cumpri-las. Caso tenha alguma dúvida, basta dizer.

O magrelo levantou a cabeça da pilha de papéis e olhou para mim.

— Certo. — resmunguei.

— A senhorita não poderá sair do palácio por vontade própria. Só o príncipe pode dispensá-la. Nem mesmo o rei e a rainha têm esse direito. Eles podem dizer ao príncipe que não a aprovam, mas é dele que parte qualquer decisão sobre quem fica e quem sai. Não há um cronograma predeterminado para a Seleção. Pode durar dias ou anos.

— Anos? — perguntei horrorizada.

A ideia de ficar tanto tempo fora me inquietava.

— Não se preocupe. É improvável que o príncipe demore tanto. Ele precisa transmitir segurança diante do povo, e deixar a Seleção correr por muito tempo não é bom sinal. Mas se ele decidir fazer as coisas desse modo, a senhorita terá que permanecer no castelo enquanto o príncipe julgar necessário para tomar sua decisão.

Acho que deixei meu medo transparecer, porque minha mãe segurou minha mão. O magrelo, porém, permaneceu inabalado.

— A senhorita não determina seus horários com o príncipe. Quando julgar necessário, ele a procurará para um encontro a sós. Os grandes eventos sociais são outra história. Mas a senhorita não pode se aproximar dele sem ser convidada a tanto.

Ele prosseguiu, sem interrupção.

— Embora ninguém espere que seja amiga das outras trinta e quatro candidatas, são proibidas as brigas e as sabotagens. Caso a senhorita seja flagrada agredindo outra candidata, subtraindo-lhe algo ou fazendo qualquer coisa que possa prejudicar sua relação com o príncipe, ele próprio decidirá se a senhorita permanecerá ou será dispensada no ato. Todos os seus pensamentos românticos devem ser dirigidos a ele. Se a senhorita for pega escrevendo cartas de amor no palácio ou iniciar um relacionamento amoroso com outra pessoa ali, será considerada culpada de traição e pode ser punida com a pena de morte.

Minha mãe fez uma cara de tédio, embora essa fosse a única regra que me preocupava.

— Caso a senhorita quebre qualquer uma das leis de Illéa, será punida de acordo. Sua condição de Selecionada não a põe acima da lei. A senhorita não poderá usar roupas ou consumir alimentos que não lhe tenham sido oferecidos diretamente pelo pessoal do palácio. Trata-se de uma medida de segurança que será rigorosamente aplicada.

As regras pareciam não terminar.

— Todas as sextas-feiras a senhorita estará presente ao longo da transmissão do Jornal Oficial. Haverá momentos, sempre previamente informados, em que cinegrafistas e fotógrafos irão ao palácio. A senhorita deverá ser gentil com eles e permitir que filmem seu dia a dia com o príncipe. Sua família será recompensada por cada semana que passar no palácio. Deixarei o primeiro cheque antes de sair. Se a senhorita for dispensada, no entanto, haverá assistentes para lhe ajudar a se adaptar à vida após a Seleção. Sua assistente pessoal vai auxiliá-la com os preparativos de sua saída, bem como a conseguir uma nova moradia e um novo emprego. Caso a senhorita fique entre as dez melhores candidatas, será considerada da Elite. Só após atingir esse status lhe informaremos os deveres e as funções de uma princesa. A senhorita não tem autorização para perguntar os detalhes antes da hora. De agora em diante, a senhorita é uma Três.

— Uma Três? — minha mãe e eu exclamamos.

— Sim. Após a Seleção, muitas garotas têm dificuldade para voltar à vida antiga. Garotas das castas Dois e Três saem-se bem, mas as Quatro e inferiores costumam sofrer. A senhorita agora é uma Três, mas seus familiares permanecem Cinco. Caso vença, todos serão Um, membros da família real.

— Um... — a palavra saiu devagar dos lábios da minha mãe.

— Por último, caso permaneça até o final da Seleção, a senhorita vai se casar com o príncipe Rafael e ser coroada princesa de Illéa, assumindo todos os direitos e responsabilidades desse título. Compreende?

— Sim. — apesar da pompa, era a parte mais fácil de suportar.

— Muito bem. A senhorita poderia assinar este comprovante de que ouviu todas as regras oficiais? E poderia assinar o recibo do cheque, por favor, senhora Singer?

Não consegui ver a quantia, mas foi o bastante para encher os olhos de minha mãe de alegria. Eu detestava a ideia de partir, mas tinha certeza de que, ainda que voltasse já no dia seguinte, aquele cheque sozinho me garantiria um ano bem confortável. E então todos iam querer que eu cantasse para eles. Haveria muito mais trabalho. Mas será que uma Três tinha autorização para cantar? Se eu tivesse que escolher uma carreira dessa casta, acho que seria professora. Talvez assim pudesse ao menos ensinar música.

O magrelo juntou a papelada e se levantou para sair, agradecendo a atenção e o chá. Eu precisava conversar só com mais um funcionário do governo antes de partir: minha assistente, a pessoa que ia me buscar em casa e levar ao aeroporto. Depois... ficaria sozinha.

O magrelo perguntou se eu podia acompanhá-lo até a porta. Minha mãe consentiu, pois queria começar a preparar o jantar. Não me agradava a ideia de ficar a sós com ele, mas era um trecho curto.

— Mais uma coisa... — ele lembrou, com uma das mãos na porta. — Não é exatamente uma regra, mas seria imprudente não seguir. Quando o príncipe Rafael convidá-la para fazer alguma coisa, a senhorita não deve recusar. Não importa o quê: jantar, sair, beijar, mais que beijar, qualquer coisa. Não o dispense.

— Como?

Por acaso o mesmo homem que tinha acabado de me fazer assinar uma declaração de pureza estava dizendo que eu tinha que entregar tudo a Rafael se ele quisesse?

— Sei que soa um pouco... inadequado. Mas não convém rejeitar o príncipe em nenhuma circunstância. Boa noite, senhorita Singer.

Senti nojo, revolta. A lei, a lei illeana, era esperar até o casamento. Era um jeito eficaz de conter doenças e ajudava a manter intacto o sistema de castas. Filhos ilegítimos eram jogados na rua e pertenciam à casta Oito. A pena para quem fosse descoberto – por gravidez ou por uma denúncia – era a cadeia. Bastava uma suspeita para alguém passar umas noites na prisão. A lei me impedira de ter intimidades com a única pessoa que amei, e isso me incomodava. Mas agora que Thom e eu tínhamos terminado, ficava feliz de ter sido obrigada a me segurar.

Eu estava furiosa. Não tinha acabado de assinar um documento dizendo que seria punida se desrespeitasse as leis do país? Ele tinha dito que eu não estava acima das leis. Mas aparentemente o príncipe estava. Senti-me suja, abaixo de um Oito.


Notas Finais


oooie, gostaram? detestável esse cara, n? mas ainda sim essencial para algumas partes da história haha se tiver comentários, posto ainda hj outro cap, bjo e até o próximo <3


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