História A Seleção - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
Exibições 51
Palavras 1.256
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Décimo segundo capítulo, boa leitura!

Capítulo 12 - Mágoa


— Isabella, querida, é para você. — cantarolou minha mãe.

Eu tinha escutado a campainha, mas não estava com pressa de atender. Não aguentaria outra pessoa pedindo autógrafo.

Atravessei o corredor e fui em direção à porta. Lá estava Thomas, com um punhado de flores do campo na mão.

— Oi, Isabella. — sua voz era grave, quase profissional.

— Oi, Thomas. — a minha era fraca.

— Essas flores são de Amalia e Olive. Elas queriam desejar boa sorte.

Ele se aproximou e entregou as flores. Das irmãs, não dele.

— Mas é gentileza demais! — exclamou minha mãe.

Eu tinha quase me esquecido de que ela estava na sala.

— Thom, que bom que você veio... — tentei soar o mais distante possível. — Fiz uma bagunça enquanto arrumava as malas. Você pode me ajudar com a limpeza?

Como minha mãe estava lá, ele tinha que aceitar. Pela regra, os Seis não recusavam trabalho. O mesmo valia para nós.

Ele expirou e assentiu com a cabeça.

Thom me seguiu de longe até o quarto. Pensei em quantas vezes isso pareceu ser tudo o que queria: Thom entrando pela porta de casa e indo até meu quarto. Será que as circunstâncias poderiam ser piores?

Abri a porta do quarto e fiquei no corredor. Thom soltou uma gargalhada.

— Foi o cachorro que fez suas malas?

— Cale a boca! Tive um probleminha para encontrar o que procurava.

Apesar de tudo, sorri.

Thom começou a trabalhar, ajeitando os objetos e dobrando as roupas. Eu o ajudava, claro.

— Você não vai levar nenhuma dessas roupas? — ele sussurrou.

— Não. A partir de amanhã, eles é que vão me vestir.

— Nossa.

— Suas irmãs ficaram decepcionadas?

— Não, nem um pouco. — ele disse, balançando a cabeça em desdém. — Assim que viram sua foto, a casa inteira explodiu de alegria. Elas sempre adoraram você. Especialmente minha mãe.

— Adoro sua mãe. Ela sempre foi ótima comigo.

Passamos alguns minutos em silêncio, enquanto meu quarto voltava ao normal.

— Você... — ele começou — estava muito bonita na foto.

Doía ouvi-lo dizer que eu estava bonita. Não era justo. Não depois de tudo o que ele tinha feito.

— Era para você. — sussurrei.

— Quê?

— É que... eu pensei que você ia me pedir em casamento logo...

Minha voz estava embargada. Thom ficou quieto por alguns instantes, escolhendo as palavras.

— Eu estava pensando nisso, mas já não importa.

— Importa, sim. Por que você não fez o pedido?

Ele coçava o pescoço enquanto decidia o que dizer.

— Estava esperando.

— Esperando o quê?

O que valia tanto a pena esperar?

— O recrutamento.

Aí estava um problema de verdade. Em Illéa, todos os rapazes de dezenove anos eram elegíveis para a guarda, e era difícil para alguém decidir se queria ser escolhido para ela ou não. Os soldados eram recrutados aleatoriamente duas vezes por ano, a fim de cobrir seis meses antes e seis meses depois do aniversário de cada candidato. Os soldados serviam dos dezenove aos vinte e três anos. E a data do próximo recrutamento estava perto.

Tínhamos conversado sobre isso, mas sem ser muito realistas. Acho que pensamos que se ignorássemos o recrutamento, o recrutamento também nos ignoraria.

O lado bom era que quem fosse pego se tornava um Dois automaticamente. O governo dava treinamento e pensão para o resto da vida. A desvantagem era que o recruta nunca sabia onde ia ficar. O certo é que não seria em sua província. Eles partiam do pressuposto de que o recruta tenderia a ser mais tolerante com pessoas conhecidas, então ele podia acabar no palácio ou na polícia local de outra província. Mas ele também podia acabar no exército e ser mandado para a guerra. Poucos homens que iam para o campo de batalha conseguiam voltar para casa.

Os que não se casavam antes do recrutamento muito provavelmente esperariam até voltar. Do contrário, no melhor dos casos, ficariam quatro anos sem ver a mulher – e, no pior, a recém-casada poderia acabar viúva.

— Eu só... quis te poupar disso. — Thom sussurrou.

— Entendo.

Ele se endireitou e tentou mudar de assunto:

— Então, o que você vai levar?

— Uma muda de roupas para vestir quando eles me mandarem embora. Fotos e discos... disseram que não vou precisar dos instrumentos. Tudo o que eu quisesse já estaria lá. Então só vou levar aquela malinha.

O quarto estava em ordem agora, e por algum motivo minha mala parecia enorme. As flores que Thom me deu pareciam muito vivas na minha escrivaninha, ao lado de meus pertences sem graça. Ou talvez tudo estivesse um pouco sem cor... agora que estava acabado.

— Não é muito. — ele comentou.

— Nunca precisei de muito para ser feliz. Pensei que você soubesse disso.

Ele fechou os olhos:

— Chega, Isabella. Eu fiz a coisa certa.

— A coisa certa? Thom, você me fez acreditar que a gente ia conseguir. Você me fez te amar. E depois me convenceu a entrar nessa droga de concurso. Você sabe que eles estão me mandando para o castelo para ser um brinquedinho do príncipe?

Ele se virou para mim:

— Como?

— Eu não posso recusar nada que ele queira.

Thom pareceu ficar nervoso, bravo. Seus punhos se cerraram.

— Mesmo... mesmo... que ele não queira se casar com você... ele pode...?

— Sim.

— Desculpe, eu não sabia.

Thom respirou fundo algumas vezes:

— Mas se ele escolher você... vai ser bom. Você merece ser feliz.

Era o bastante. Dei um tapa na cara dele.

— Seu idiota! — eu sussurrei, com força. — Odeio o príncipe! Eu amava você! Eu queria você! Tudo o que sempre quis foi você!

Os olhos dele marejaram, mas eu não me importava. Thom já tinha me magoado muito. Agora era a minha vez.

— Preciso ir. — ele disse, dirigindo-se à porta.

— Espere. Eu ainda não paguei.

— Isabella, você não precisa me pagar. — ele disse, saindo.

— Thomas Leger, nem ouse se mexer.

Minha voz estava feroz. Ele parou e, finalmente, prestou atenção em mim.

— Está praticando para quando for Um?

Se não fosse por seus olhos, eu pensaria que era uma piada, e não uma ofensa.

Só balancei a cabeça e fui até a escrivaninha. Peguei todo o dinheiro que ganhei sozinha, até o último centavo, e botei na mão dele.

— Isabella, não vou aceitar.

— Vai aceitar, sim! Eu não preciso disso, e você precisa. Se algum dia me amou, pegue esse dinheiro. Será que seu orgulho já não fez demais por nós dois?

Senti que uma parte de Thom se rendeu. Ele parou de argumentar.

— Certo.

— E tem mais.

Enfiei o braço atrás da cama e tirei um jarrinho com as moedas. Despejei todas na mão dele. Uma moedinha rebelde que devia ter um pouco de cola ficou grudada no fundo do jarro.

— Use essas moedas. Elas sempre foram suas.

Agora eu já não tinha mais nada dele. E assim que gastasse aqueles centavos movido pelo desespero, Thom não teria mais nada meu. Veio a mágoa. Meus olhos se encheram de água, e respirei fundo para segurar os soluços.

— Sinto muito, Bella. Boa sorte.

Ele meteu as moedas e o dinheiro no bolso e saiu correndo.

Não pensei que fosse chorar daquela maneira. Esperava soluços enormes e estridentes, não lágrimas lentas e pequenas.

Ia botar o jarro em uma prateleira, mas notei a moedinha de novo. Enfiei o dedo no jarro e consegui soltá-la. Ela balançou sozinha no vidro. Era um som seco, que ecoava em meu peito. Sabia, para o bem e para o mal, que não estava livre de Thom. Não ainda. Talvez nunca estivesse. Abri a mala, pus o jarro dentro e fechei.

Nina se esgueirou pelo quarto. Tomei um daqueles calmantes idiotas e dormi abraçada a ela, finalmente anestesiada.


Notas Finais


vooltei, como esse cap é curtinho vou postar mais um cap mais a noite, pq se eu acabar nesse fica sem graça kkk comentem, favoritem bjo


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