História A Seleção - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
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Palavras 1.583
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Décimo terceiro capítulo, boa leitura!

Capítulo 13 - Adeus, Carolina


Na manhã seguinte, vesti o uniforme das Selecionadas: calça preta, camisa branca e a flor da minha província – um lírio – no cabelo. Os sapatos eram escolha minha. Calcei sapatilhas vermelhas e gastas. Pensei que seria bom deixar claro desde o princípio que não tinha nascido para princesa.

Em breve partiríamos para a praça. Cada uma das Selecionadas teria uma despedida em sua província, e eu não estava muito ansiosa pela minha. Toda aquela gente me olhando enquanto eu não fazia nada além de ficar em pé. Essa história já começava a parecer ridícula, até porque iam me levar de carro até o local apesar de a distância ser de apenas dois quilômetros, por razões de segurança.

O dia não começou muito bem. Emma veio se despedir de mim junto com Julio, uma gentileza da parte dela, que estava grávida e cansada. Endel também veio, embora sua presença tenha provocado mais tensão que descontração. Ele queria aparecer para todos os fotógrafos e fãs ao longo do trecho que separava minha casa do carro do governo. Meu pai maneou a cabeça e todos entraram quietos no carro.

Nina era meu único consolo. Ela segurava minha mão e tentava me injetar um pouco de seu entusiasmo. Ainda estávamos de mãos dadas quando demos o primeiro passo na praça abarrotada de gente. Parecia que toda a população da província de Carolina tinha vindo se despedir de mim.

Ou conferir o motivo de tanta euforia. Do alto do palanque, eu podia ver aquela massa humana me encarando.

De pé na plataforma, podia ver as fronteiras entre as castas. Lacy Stines era uma Três e, assim como seus pais, me fuzilava com os olhos. Florine Digger era uma Sete e me mandava beijos. As castas superiores me olhavam como se eu lhes tivesse roubado. Dos Quatro para baixo, todos torciam por mim – a menina comum que fora elevada. Tomei consciência do meu significado para todos ali. Era como se representasse algo para eles.

Eu tentava focar naqueles rostos, mantendo a cabeça erguida. Estava determinada a ir bem. Seria a melhor entre nós, a superior dos inferiores. Isso conferia um sentido de missão à situação. Isabella Singer, a campeã das castas inferiores.

O prefeito discursava com gestos grandiosos.

— E Carolina estará torcendo pela bela filha de Ana e Genaro Singer, a jovem senhorita Isabella!

A multidão aplaudia e nos incentivava. Alguns jogavam flores.

Deixei aquele som me invadir por alguns momentos. Eu sorria e acenava para todos. Depois, voltei a observar a multidão, mas dessa vez com um objetivo diferente.

Queria ver o rosto dele mais uma vez, se possível. Não sabia se ele viria. No dia anterior ele tinha me dito que eu estava linda, mas sua atitude fora ainda mais distante e reservada do que na casa da árvore. Eu sabia que tinha acabado. Mas ninguém ama uma pessoa por dois anos e a esquece do dia para a noite.

Depois de varrer a multidão algumas vezes, eu o encontrei. Quem dera não tivesse encontrado. Thom estava lá, atrás de Brenda Butler, passando os braços por sua cintura e sorrindo para ela.

Talvez algumas pessoas esquecessem outras do dia para a noite.

Brenda era uma Seis com mais ou menos a mesma idade que eu. Era bonita, mas não tinha nada a ver comigo. Imaginei que ela teria o casamento e a vida que Thom tinha reservado para mim. E parecia que o recrutamento já não o incomodava tanto assim. Ela sorriu para ele e voltou para junto de sua família.

Será que Thom sempre tinha gostado dela? Será que ela era a garota que ele via todos os dias, enquanto eu era aquela que o alimentava e o cobria de beijos uma vez por semana? A ideia de que durante nossas conversas roubadas ele omitia mais do que apenas longas e tediosas horas de trabalho me veio.

Fiquei com raiva demais para chorar. Além do mais, eu tinha admiradores que queriam minha atenção. Thom nem imaginava que eu o tinha visto, então tratei logo de me interessar de novo por aqueles rostos carinhosos. Pus de volta um sorriso na cara, o sorriso mais aberto da minha vida, e comecei a acenar. Thom nunca mais teria o prazer de partir meu coração. Eu estava ali por causa dele, e agora ia tirar proveito disso.

— Senhoras e senhores, queiram unir-se a mim na despedida a Isabella Singer, nossa filha de Illéa predileta! — convocou o prefeito.

Atrás de mim, uma banda tocava o hino nacional.

Mais aplausos, mais flores. De repente, a voz do prefeito começou a sussurrar algo para mim:

— Você gostaria de dizer umas palavras, minha querida?

Eu não sabia como negar sem ser rude.

— Obrigada, mas estou tão maravilhada que acho que não conseguiria.

Ele pôs minha mão entre as suas e respondeu:

— Claro, minha jovem. Não se preocupe. Vou cuidar de tudo. Eles vão prepará-la para esse tipo de situação no palácio. Você vai precisar disso.

O prefeito então falou de minhas qualidades à multidão reunida na praça, deixando passar que eu era muito bonita e inteligente para uma Cinco. Ele não parecia ser má pessoa, mas às vezes até os membros mais simpáticos das classes superiores eram esnobes.

Vi mais uma vez o rosto de Thom na multidão enquanto corria os olhos pela praça. Ele estava com uma expressão aflita, o extremo oposto daquela que mostrara a Brenda uns minutos antes. Outro jogo? Desviei o olhar.

O prefeito terminou de falar. Eu sorri e todos aplaudiram, como se ele tivesse acabado de pronunciar o discurso mais inspirador da história da humanidade.

E de repente já era hora de dizer adeus. Cindy, minha assistente, pediu que eu me despedisse de maneira rápida e discreta. Logo em seguida, ela me acompanharia até o carro que me levaria ao aeroporto.

Endel me deu um abraço e disse que estava orgulhoso de mim. Então, sem muita sutileza, pediu que eu falasse de sua arte para o príncipe Rafael. Eu me livrei daquele abraço da maneira mais educada possível.

Emma chorava.

— Mal vejo você normalmente. O que vou fazer quando for embora? — perguntou entre lágrimas.

— Não se preocupe. Logo estarei em casa.

— Sim, com certeza. Você é a moça mais linda de Illéa. Ele vai te amar!

Por que todo mundo pensava que a Seleção se reduzia à beleza? Talvez fosse verdade. Talvez o príncipe Rafael não precisasse de uma esposa com quem conversar, mas apenas de uma mulher que fizesse boa figura. Literalmente tremi ao pensar que meu futuro poderia ser esse. Mas havia garotas muito mais bonitas entre as Selecionadas.

Foi difícil abraçar Emma com sua barriga de grávida, mas demos um jeito. Julio, que eu nem conhecia muito bem, também me abraçou. Então foi a vez de Luck.

— Seja um bom menino, certo? Experimente o piano. Aposto que você é ótimo nisso. Quero ouvir você tocando quando voltar.

Luck apenas concordou com a cabeça e fez uma cara triste. Ele jogou seus bracinhos no meu pescoço e disse:

— Eu te amo, Isabella.

— Também te amo. Não fique triste. Logo voltarei para casa.

Luck concordou com a cabeça de novo, mas cruzou os braços. Eu não fazia ideia de que encararia minha partida desse jeito. Nina era o exato oposto. Ela dava pulinhos de alegria.

— Ai, Isabella, você vai ser a princesa! Eu sei que vai!

— Ah, fique quieta! Preferia ser uma Oito e permanecer com vocês. Seja boa, por mim. E trabalhe duro.

Ela concordou e deu mais pulinhos. Então chegou a vez do meu pai, que estava prestes a chorar.

— Não chore, pai! — pedi, caindo em seus braços.

— Escute aqui, querida. Perdendo ou ganhando, você sempre será uma princesa para mim.

— Ah, papai...

Finalmente comecei a chorar. Aquilo foi suficiente para abrir as portas para o medo, a tristeza, a preocupação e o nervosismo. Uma frase que dizia que nada daquilo era importante.

Se eu voltasse de lá usada e rejeitada, ele ainda teria orgulho de mim.

Era um peso grande demais, todo aquele amor por mim. Logo eu estaria cercada por fileiras de guardas no palácio, mas não podia imaginar um lugar mais seguro que os braços de meu pai. Afastei-me e fui abraçar minha mãe.

— Faça o que mandarem. Pare de fazer cara feia e seja feliz. Comporte-se. Sorria. Escreva para nós. Eu sempre soube que você um dia ia fazer algo especial.

Sua intenção era boa, mas não era isso que eu precisava ouvir. Queria que ela me dissesse que eu já era especial para ela, como meu pai. Talvez minha mãe nunca parasse de querer mais e mais para mim. Talvez todas as mães fossem assim.

— Senhorita Isabella, está pronta? — Cindy perguntou.

A multidão não podia ver meu rosto, e eu rapidamente enxuguei as lágrimas.

— Sim. Tudo pronto.

Minha mala já me esperava dentro do carro branco e brilhante. Era isso. Dirigi-me às escadas no canto do palanque.

— Bella!

Eu me virei. Reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

— Isabella!

Logo vi Thom no meio da multidão, agitando desesperadamente os braços. Ele avançava aos empurrões por entre as pessoas, que reclamavam de seus modos pouco educados.

Nossos olhos se encontraram.

Ele parou e me olhou fixamente. Eu não conseguia entender o que seu rosto queria transmitir. Preocupação? Arrependimento? De qualquer modo, era tarde demais. Dei de ombros. Estava cansada dos joguinhos dele.

— Por aqui, senhorita Isabella. — Cindy indicou o lugar ao pé da escada.

Parei por um breve segundo para absorver tudo aquilo.

— Adeus, meu bem! — minha mãe gritou.

E me levaram embora.


Notas Finais


último cap de hj, espero q tenham gostado, próximo cap tem a Bella conhecendo suas adversárias! haha bjos comentem e favoritem e até o próximo <3


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