História A Seleção - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
Exibições 49
Palavras 1.965
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Décimo quarto capítulo, boa leitura!

Capítulo 14 - Vôo


Fui a primeira a chegar ao aeroporto e fiquei extremamente assustada. A alegria superficial da multidão desaparecera. Agora eu enfrentaria a terrível experiência de voar. Eu ia viajar ao lado de outras três Selecionadas. Procurei controlar meu nervosismo: não queria de forma nenhuma ter um ataque de pânico na frente delas.

Já tinha decorado os nomes, os rostos e as castas de todas as Selecionadas. Primeiro como um exercício terapêutico, um meio de me acalmar. Eu já fazia isso antes, mas com escalas musicais e cultura inútil. Na verdade, o que procurava na lista de Selecionadas eram rostos amigáveis, meninas com quem pudesse conversar enquanto estivesse no palácio. Nunca tive uma amiga de verdade. Tinha passado a maior parte da infância brincando com Emma e Endel. Minha mãe tinha me ensinado tudo, e eu só tinha trabalhado com a minha família. Quando meus irmãos mais velhos saíram de casa, passei a me dedicar a Nina e Luck. E a Thom...

Só que nós dois nunca fomos apenas amigos. Desde o primeiro momento em que o vi, eu o amei.

Agora ele estava por aí, segurando a mão de outra garota.

Ainda bem que eu estava sozinha. Nunca teria conseguido segurar as lágrimas na frente das outras meninas. Doía. Tudo doía. E não havia nada que eu pudesse fazer.

Mas como é que eu tinha ido parar ali? Um mês antes, eu tinha uma porção de certezas na minha vida. Agora, o pouco que conhecia tinha ficado para trás. Casa nova, casta nova, vida nova. Tudo por conta de um pedaço de papel idiota e de uma foto. Quis sentar e chorar, lamentar todas as coisas que perdi.

Eu me perguntava se alguma das outras garotas também estava triste. Achava que todas, exceto eu, deveriam estar comemorando. E eu precisava pelo menos fingir que comemorava também, pois o país inteiro estaria me vendo.

Tomei coragem para enfrentar o que estava por vir. Eu me fiz de forte. Enfrentaria o que surgisse. Quanto ao que tinha ficado para trás, decidi que era melhor assim: deixar para trás. O palácio seria meu refúgio. Jamais pensaria nele ou diria seu nome outra vez. Ele não tinha autorização para me acompanhar até lá. Era minha regra para essa pequena aventura.

Acabou.

Adeus, Thom.


Meia hora depois, duas meninas de camisa branca e calça preta entraram pela porta. Suas malas eram puxadas pelas assistentes. Ambas sorriam, confirmando assim minha teoria de que eu era a única Selecionada deprimida.

Era hora de levar a sério minha promessa. Reuni forças e me levantei para cumprimentá-las.

— Oi! — disse, radiante. — Meu nome é Isabella.

— Eu sei! — disparou a garota da esquerda, uma loira de olhos castanhos. Notei imediatamente que se tratava de Jenna Tames, de Kent. Uma Quatro. Ela nem ligou para minha mão estendida; partiu logo para um abraço.

— Opa! — deixei escapar.

Não esperava aquilo. Embora Jenna fosse uma das garotas com um rosto sincero amigo, minha mãe passara a semana anterior me dizendo para ver todas as garotas como inimigas, e um pouco desse jeito ofensivo de pensar entrou na minha cabeça. Eu esperava quando muito um desejo cordial de boas-vindas por parte daquelas meninas que estavam prontas para lutar até a morte por um homem que eu não queria. Em vez disso, ganhei um abraço.

— Meu nome é Jenna, e o dela é Karyn.

Sim, Karyn Brouillette, de Allens, uma Três. Seu cabelo era castanho claro, batendo quase na cintura. Seus olhos esverdeados davam ao rosto um ar pacífico e delicado. Ela parecia frágil ao lado de Jenna. Ambas eram do norte; talvez por isso estivessem juntas. Karyn fez um aceno simpático e sorriu. Só. Não sei se era tímida ou se queria descobrir qual era a minha primeiro. Ela era uma Três de nascimento, então talvez só fosse mais comportada.

— Amei seu cabelo! — irrompeu Jenna. — Você fica tão bem assim. 

Apesar do dia péssimo, o jeito de Jenna era tão animado que eu não pude deixar de sorrir.

— Obrigada, puxei a minha mãe, fisicamente ela é muito parecida comigo.

Depois disso, começamos uma conversa agradável sobre as coisas que nos irritavam e as que melhoravam nosso humor. Jenna gostava de filmes, e eu também, embora raras vezes pudesse ver algum. Falamos dos atores que achávamos irresistíveis, o que foi estranho. Afinal, estávamos ali para nos juntar ao bando de namoradas de Rafael. Karyn soltava uma risadinha de vez em quando e nada mais. Se alguém lhe perguntava algo, ela dava uma resposta rápida e voltava a exibir seu sorriso reservado.

Jenna e eu nos demos bem logo de cara, o que me deu esperanças de talvez sair de tudo aquilo com uma amiga. Embora tenhamos conversado por quase meia hora, o tempo voou. Não teríamos parado senão pelo som marcado dos saltos altos pontilhando o chão. Viramos a cabeça ao mesmo tempo, e pude ouvir a boca de Jenna se abrir com um estalo.

Uma morena de óculos escuros caminhava em nossa direção. Usava uma margarida no cabelo, só que tingida de vermelho para combinar com seu batom. Seus lábios balançavam a cada passo, e sua pisada reforçava uma marcha confiante. Ao contrário de Jenna e Karyn ela não sorriu.

Não é que estivesse infeliz. Ela tinha foco. Sua entrada foi pensada para intimidar. E funcionou com Karyn, de quem escutei um suspiro de “Ah, não” à medida que a recém-chegada se aproximava.

Margo Newsome, de Clermont, uma Dois, não me incomodava. Ela pensava que estávamos lutando pela mesma coisa. Só que não se pode provocar alguém que não quer competir.

Margo finalmente chegou até nós. Jenna soltou um “olá” esganiçado, tentando fazer amizade em meio a toda aquela intimidação. Margo apenas a olhou de alto a baixo e deu um suspiro.

— Quando partimos? — perguntou.

— Não sabemos. — respondi, sem um pingo de medo. — Você estava demorando para aparecer.

Margo pareceu não gostar nem um pouco, e começou a me medir, mas fez questão de sugerir que não tinha se abalado.

— Desculpem, mas muita gente queria se despedir de mim. Não pude evitar. — e deu um sorriso largo, como se fosse óbvio que era cultuada.

E eu estava a ponto de me ver cercada por garotas assim. Ótimo.

Um homem entrou pela porta logo em seguida, como se quisesse aproveitar a deixa.

— Fui informado de que nossas quatro Selecionadas já chegaram.

— É isso mesmo... — Margo disse com doçura.

Deu para ver nos olhos do homem que ele tinha amolecido um pouco. Ah, então esse era o jogo dela... ele ficou calado por um instante, e então pareceu despertar.

— Pois bem, senhoritas, tenham a bondade de me acompanhar. Vamos levar vocês até o avião, que vai partir para sua nova casa.


O voo, que só foi assustador durante a decolagem e o pouso, durou poucas horas. Havia filmes e comida, mas eu só queria olhar pela janela. Observava o país de cima, impressionada com seu tamanho.

Margo preferiu dormir durante o voo, o que foi um favor. Karyn baixou uma das mesas dobráveis do avião e começou a escrever cartas sobre sua aventura. Foi inteligente da parte dela trazer folhas de papel na bagagem. Aposto que Nina adoraria saber dessa parte da jornada, ainda que o príncipe estivesse ausente dela.

— Ela é tão elegante. — Jenna cochichou no meu ouvido enquanto apontava com o queixo na direção de Karyn.

Estávamos sentadas uma de frente para a outra em assentos estofados logo na entrada do pequeno avião.

— Ela tem sido super legal, desde que a conheci. Vai ser uma forte concorrente. — Jenna prosseguiu.

— Você não pode pensar assim. — respondi. — Sim, claro que você quer chegar até o fim, mas não porque venceu alguém. Só precisa ser você mesma. Quem sabe? Talvez Rafael prefira uma pessoa menos formal.

Jenna pensou um pouco:

— Acho que é um bom argumento. É difícil não gostar de Karyn. Ela é muito gentil. E é linda.

Concordei com a cabeça. Depois, a voz de Jenna virou um sussurro.

— Margo, por outro lado...

Arregalei os olhos e balancei a cabeça.

— Eu sei. Só faz uma hora que a conhecemos e eu já estou torcendo para ela voltar para casa.

Jenna pôs a mão na boca para esconder a risada.

— Não quero falar mal de ninguém, mas ela é tão agressiva! E Rafael nem está perto. Fico meio tensa por causa dela.

— Não fique. — confortei-a. — Esse tipo de garota cai fora da competição naturalmente.

Jenna deu um suspiro:

— Espero que sim. Às vezes eu gostaria...

— Do quê?

— Bem, às vezes eu gostaria que os Dois tivessem alguma ideia de como é ser tratado como nós.

Concordei. Nunca tinha pensado que estava no mesmo nível de uma Quatro, mas acho que ocupávamos posições semelhantes. Além dos Dois e Três, havia apenas graus distintos de vida ruim.

— Obrigada por conversar comigo... — ela disse. — Estava preocupada pensando que ia ser cada uma por si, mas você e Karyn têm sido muito legais. Talvez seja divertido. — ela concluiu, erguendo a voz com esperança.

Eu não tinha muita certeza disso, mas sorri de volta. Não tinha razões para me afastar de Jenna ou ser grossa com Karyn. As outras garotas podiam não ser tão tranquilas.

Quando aterrissamos, encontramos uma atmosfera silenciosa ao longo do caminho – cercado de guardas – entre o avião e o terminal. Mas assim que as portas se abriram vieram os gritos ensurdecedores.

O terminal estava cheio de gente pulando e torcendo. Um tapete dourado indicava o caminho aberto por cordões de isolamento. Por esse trecho circulavam a intervalos regulares guardas que olhavam de maneira inquieta para os lados, prontos para atacar ao primeiro sinal de perigo. Será que não tinham nada mais importante para fazer?

Por sorte, Margo ia à frente e começou a acenar. Percebi no ato que essa era a reação certa, e não ficar encolhida como eu planejava. Como as câmeras estavam lá para captar cada movimento nosso, fiquei feliz por não conduzir o grupo.

A multidão estava louca de alegria. Aquelas pessoas viviam perto dali e estavam ansiosas para vislumbrar em primeira mão a chegada das meninas à cidade. Um dia, uma de nós seria a rainha.

Virei a cabeça inúmeras vezes em questão de segundos à medida que as pessoas espremidas no terminal gritavam meu nome. Havia também cartazes com meu nome. Eu estava maravilhada. Já havia gente – que não era da minha casta nem da minha província – que queria que eu fosse a escolhida. Senti um nó de culpa no estômago por desapontá-las.

Baixei a cabeça por um instante e vi uma menininha esmagada contra o parapeito. Ela não devia ter mais de doze anos. Nas mãos, levava um cartaz com a frase ISABELLA DOMINA!, uma pequena coroa desenhada em um canto e estrelinhas para todos os lados. Percebi que meus cabelos e os dela tinham praticamente o mesmo tom.

A menina queria um autógrafo. O rapaz ao lado dela queria uma foto, assim como a pessoa ao lado dele, e outra ainda queria apertar minha mão. No fim, acabei percorrendo todo o tapete umas duas ou três vezes para falar com gente dos dois lados do trecho.

Fui a última a sair. As outras garotas devem ter me esperado por pelo menos uns vinte minutos. Para ser bem franca, eu só sairia dali depressa se o próximo avião de Selecionadas estivesse para pousar. Seria falta de educação usar o tempo delas.

Quando entrei no carro, Margo bufou, mas não liguei. Ainda estava em êxtase diante da minha adaptação tão rápida a uma situação que me assustara momentos antes. Tinha superado as despedidas, o encontro com as primeiras garotas, meu primeiro voo e a interação com a massa de fãs. Tudo isso sem cometer nenhuma gafe.

Pensei nas câmeras que me seguiam no terminal e imaginei minha família assistindo tudo pela TV. Eu queria que estivessem orgulhosos de mim.


Notas Finais


oooie, tudo bem??? mais um capítulo pra vcs, gostaram?? Alguém shippa Jennbella? e a Margo? vai dar trabalho! haha comentem e favoritem, até o próximo bjoo


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