História A Seleção - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
Exibições 70
Palavras 1.476
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Segundo capítulo, boa leitura!

Capítulo 2 - Jantar


Enquanto ela falava, eu olhava para o teto. Era isso que acontecia com os príncipes. Já as princesas eram negociadas em casamento a fim de fortalecer as recentes relações com outros países. Eu entendia porque era assim – precisávamos de aliados – mas não aprovava. Nunca precisei ver uma coisa dessas e esperava não ver nunca. Havia três gerações que não nascia uma princesa na família real. Os príncipes, por sua vez, casavam-se com plebéias para elevar o moral da nação, normalmente instável. Acho que a Seleção servia para unir todos os illeanos e fazê-los recordar que o país nasceu praticamente do nada.

Nenhuma das opções me parecia muito boa. E a ideia de entrar em um concurso que o país inteiro acompanharia só para ver um riquinho esnobe escolher a moça mais linda e sonsa do grupo para ser o rosto calado e bonito que apareceria ao lado dele na TV... era o bastante para me fazer gritar. Haveria humilhação maior?

Além disso, eu já tinha passado muito tempo em casas de pessoas da Dois e da Três para ter certeza de que não queria me envolver com eles. Muito menos com alguém da Um! Tirando as épocas de escassez, estava feliz em ser uma Cinco. Minha mãe era a alpinista social, não eu.

— E é claro que ele adoraria Bella! Ela é tão linda... — derretia-se minha mãe.

— Mãe, por favor! Quando muito, eu fico na média.

— Não fica! — disse Nina. — Eu pareço com você, e sou linda!

Ela deu um sorriso tão largo que não pude deixar de rir. E o argumento era válido. Nina era mesmo linda.

Mas ela era mais que um rostinho bonito, tinha mais que um sorriso vencedor e olhos brilhantes. Nina irradiava uma energia, um entusiasmo que fazia você querer estar onde ela estivesse. Nina era magnética, e eu, sinceramente, não era.

— Luck, o que você acha? Você me acha bonita? — perguntei.

Todos os olhos caíram sobre o membro mais jovem da família.

— Não! As meninas são nojentas!

— Luck, por favor! — minha mãe soltou um suspiro irritado, mas não muito sincero. Era difícil perder a calma com ele. — Isabella, você sabe que é uma menina muito bonita.

— Se sou tão atraente, por que os meninos não me convidam para sair?

— Ah, eles vêm convidar, mas eu espanto todos. Minhas filhas são bonitas demais para se casar com alguém da Cinco. Emma conseguiu um Quatro, e tenho certeza de que você pode arranjar coisa melhor. — ela disse antes de dar um gole no chá.

— O nome dele é Julio. Pare de chamar o marido de Emma pelo número. E desde quando garotos vêm aqui? — eu ouvia minha própria voz ficar cada vez mais aguda. Nunca tinha visto um rapaz chegar perto do portão de casa.

— Faz um tempo já... — meu pai disse, em seu primeiro comentário desde que a história começara.

Sua voz tinha uma nota de tristeza, e ele olhava firmemente para o copo. Eu estava tentando descobrir o que tanto o perturbava. Os meninos atrás de mim? Mamãe e eu discutindo outra vez? Minha recusa em participar do concurso? A distância a que eu ficaria se fosse sorteada?

Meu pai e eu éramos próximos. Acho que quando nasci, minha mãe já estava um pouco cansada, e ele teve que cuidar de mim na maior parte do tempo. Herdei o gênio dela, mas a compaixão dele.

Meu pai levantou os olhos por uma fração de segundo, e foi então que entendi. Ele não queria que eu fosse, mas também não podia negar os benefícios que teríamos se ficasse um dia no concurso – e mais ainda se conseguisse avançar.

— Isabella, use a cabeça... — disse minha mãe. — Somos provavelmente os únicos pais de Illéa que precisam convencer a filha a participar. Pense na oportunidade! Um dia você poderia ser rainha!

— Mãe, mesmo que eu quisesse ser rainha, e não quero com todas as minhas forças, milhares de outras meninas da província vão entrar nesse troço. Milhares. E, se por acaso eu fosse sorteada, ainda teria que competir com outras trinta e quatro, todas certamente mais sedutoras do que eu jamais conseguiria fingir ser.

Luck apurou os ouvidos:

— O que é uma menina sedutora?

— Nada! — respondemos em coro.

— É ridículo imaginar que eu poderia ganhar. — concluí.

Minha mãe afastou a cadeira da mesa, levantou-se e depois se inclinou sobre a mesa, na minha direção.

— Alguém vai ganhar, Isabella. Suas chances são as mesmas que as de qualquer outra garota.

Então ela atirou o guardanapo na mesa e saiu.

— Luck, quando você terminar, vá para o banho.

Ele respondeu com um gemido.

Nina comia em silêncio. Luck pediu para repetir, mas a comida tinha acabado. Comecei a tirar a mesa assim que os dois se levantaram, enquanto meu pai permanecia lá, bebericando o chá. O cabelo dele estava sujo de tinta de novo, uma manchinha amarela que me fez sorrir. Ele se levantou, tirando as migalhas da camisa.

— Desculpe, pai... — murmurei enquanto recolhia os pratos.

— Não seja boba, querida. Não estou bravo. — ele deu um sorriso e passou o braço por mim.

— Eu só...

— Você não precisa explicar, querida. Eu sei. — ele beijou minha testa. — Agora preciso voltar ao trabalho.

Fui para a cozinha começar a limpeza. Cobri meu prato com um guardanapo – não tinha comido quase nada – e o escondi na geladeira. No prato dos outros não havia nada além de migalhas.

Suspirando, fui para o meu quarto me preparar para dormir. Tudo aquilo tinha me deixado nervosa.

Por que minha mãe me pressionava tanto? Ela não era feliz? Não amava meu pai? Isso não era bom o bastante para ela?

Deitada no colchão deformado, eu passava e repassava a Seleção na cabeça. Acho que tinha suas vantagens. Seria legal comer bem, pelo menos por uns dias. E não havia razão para eu me preocupar: eu não me apaixonaria pelo príncipe Rafael. Pelo que vi no Jornal Oficial de Illéa, nem ia gostar do cara.

A meia-noite pareceu demorar uma eternidade para chegar. Havia um espelho na minha porta, e antes de sair dei uma olhada no cabelo para ver se estava tão bonito como de manhã. Também passei um pouco de brilho nos lábios, para garantir alguma cor no rosto. Minha mãe fazia uma economia bem rígida de maquiagem: era só para as apresentações ou para sair em público. Mas eu sempre conseguia surrupiar um pouco em noites como essa.

Esgueirei-me pela cozinha, fazendo o mínimo barulho possível. Embrulhei minhas sobras do jantar, um pedaço de pão que estava quase estragando e uma maçã. Era difícil voltar ao quarto a passos tão lentos, assim tão tarde. Mas se eu tivesse feito isso antes, ficaria ansiosa demais.

Abri a janela do quarto e contemplei nosso quadradinho de quintal. A lua quase não tinha luz, e meus olhos precisaram se adaptar para que eu pudesse seguir adiante.

Do outro lado do gramado era possível ver a silhueta da casa da árvore, apagada pela noite. Quando éramos mais novos, Endel amarrava lençóis nos galhos para que a árvore parecesse um navio. Ele era o capitão, e eu era seu imediato. Meus encargos em geral se resumiam a varrer o convés e preparar a comida: um monte de terra e galhos socados em uma das panelas da minha mãe. Ele pegava uma colher e “comia” aquela terra, jogando-a por cima do ombro. Isso significava que eu ia ter que varrer mais uma vez o convés, mas eu não me importava. Ficava feliz só de estar no navio ao lado dele.

Olhei para os lados. As luzes das casas da vizinhança já estavam apagadas. Ninguém estava vendo. Saí pela janela, com cuidado. Eu costumava ficar com a barriga toda arranhada por causa da maneira como me arrastava para fora, mas agora sabia exatamente como sair sem me machucar, um talento cultivado ao longo de anos. E eu não queria estragar a comida.

Acelerei pelo gramado, usando meu melhor pijama. Eu podia ter ficado com a roupa que usara durante o dia, mas o pijama me caía melhor. Acho que as roupas não importavam, mas eu me sentia bonita de shortinho marrom e blusinha branca.

Qualquer um podia escalar com uma mão só e sem dificuldade as ripas pregadas na árvore. Eu também tinha aperfeiçoado essa técnica. Cada degrau era um alívio. Não era uma distância muito grande, mas ali eu tinha a sensação de deixar todos os problemas de casa quilômetros para trás. Ali eu não precisava ser a princesa de ninguém.

Eu entrei naquela pequena caixa sabendo que não estava sozinha. Alguém estava do outro lado, escondido sob a noite. Minha respiração acelerou, não pude evitar. Deixei a comida no chão e apertei os olhos para enxergar. A pessoa se mexeu e acendeu um toco de vela. A luz era fraca – ninguém poderia vê-la – mas bastava. Finalmente o invasor falou, abrindo um sorriso malicioso.

— E aí, linda?


Notas Finais


comentem, favoritem <3


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