História A Seleção - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
Exibições 55
Palavras 1.594
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Terceiro capítulo, boa leitura!

Capítulo 3 - Casa da Árvore


Arrastei-me mais para dentro da casa da árvore. Era um cubículo de um metro e meio por um metro e meio; nem mesmo Luck podia ficar em pé lá dentro. Mas eu amava aquela casa. Tinha uma entrada pela qual só se passava agachado e uma janela minúscula na parede oposta. Havia uma banqueta velha em um dos cantos para servir de suporte para a vela, e um carpete tão gasto que era quase o mesmo que sentar diretamente na madeira. Não era muita coisa, mas era o meu paraíso. Nosso paraíso.

— Por favor, não me chame de linda. Primeiro minha mãe, depois Nina e agora você. Isso está me dando nos nervos.

Pelo jeito que Thomas me olhava, notei que minhas palavras não me deixavam mais feia. Ele sorriu.

— Não consigo evitar. Você é a coisa mais linda que já vi na vida. Não me condene por dizer isso quando posso.

Ele segurou meu rosto com as mãos, e eu olhei bem fundo em seus olhos.

Foi o suficiente. Seus lábios tocaram os meus, e eu não consegui pensar em mais nada. Não havia Seleção, família pobre ou Illéa. Havia apenas as mãos de Thom nas minhas costas, puxando-me mais para perto; a respiração dele no meu rosto. Minhas mãos passaram por seus cabelos pretos, ainda úmidos do banho – ele sempre tomava banho à noite – e se uniram em um nó perfeito. Thom cheirava ao sabonete que a mãe dele fazia. Eu sonhava com aquele cheiro.

Nós nos afastamos, e eu não consegui esconder um sorriso. As pernas dele estavam bem abertas. Sentei-me no meio delas, como uma criança que pede colo.

— Desculpe, não estou de bom humor hoje. É que... nós recebemos aquele aviso idiota pelo correio.

— Ah, sim, a carta... — suspirou Thom. — A gente recebeu duas.

Claro. As gêmeas tinham acabado de fazer dezesseis anos.

Enquanto falava, ele observava cada detalhe do meu rosto. Thom fazia isso quando estávamos juntos, como se quisesse fixar uma vez mais meu rosto em sua memória. Já fazia uma semana, e uns poucos dias sem nos encontrar bastavam para deixar os dois ansiosos.

Eu também o observava. Thomas era o garoto mais bonito da cidade, de todas as castas. Ele era moreno, tinha olhos verdes e um sorriso que fazia você pensar que ele estava escondendo alguma coisa. Era alto, mas não alto demais. Magro, mas não magro demais. A luz fraca revelava pequenas olheiras; com certeza ele tinha trabalhado até tarde a semana inteira. Sua camiseta preta estava gasta, assim como o jeans surrado que ele usava quase todos os dias.

Se eu pudesse pelo menos me sentar e costurar sua roupa... era isso que eu queria. Não queria ser a princesa de Illéa. Queria ser a princesa de Thom.

Doía ficar longe dele. Alguns dias eu ficava maluca tentando imaginar o que ele estaria fazendo. Quando não aguentava mais, praticava música. Eu devia agradecer Thom por ser a musicista que era. Ele me levava à loucura. E isso era ruim.

Thom era um Seis. Eles trabalhavam como ajudantes e estavam apenas um degrau acima dos Sete, porque tinham uma educação melhor e aprendiam a trabalhar em ambientes fechados. Thom era mais inteligente do que qualquer pessoa que eu conhecia e era muito bonito, mas dificilmente uma mulher se casava com alguém de uma casta mais baixa. Um homem de casta inferior podia até pedir sua mão, mas raramente recebia um “sim” como resposta. E, quando pessoas de castas diferentes se casavam, tinham que preencher um monte de papelada e esperar uns noventa dias para poder tomar as outras medidas legais necessárias. Já ouvi mais de uma pessoa dizer que essa burocracia pretendia dar ao casal a chance de mudar de ideia. Assim, essa intimidade bem depois do toque de recolher de Illéa poderia nos meter em um problema sério. Isso sem falar no quanto minha mãe me infernizaria se soubesse.

Mas eu amava Thom. Fazia quase dois anos. E ele me amava. Com ele ali sentado, alisando meu cabelo, eu era incapaz até de pensar em participar da Seleção. Eu já estava apaixonada.

— E o que você acha disso? Quer dizer, da Seleção? — perguntei.

— Acho normal. O coitado precisa dar um jeito de arrumar uma namorada.

Senti o sarcasmo, mas queria saber sua opinião de verdade.

— Thomas...

— Tudo bem, tudo bem. Por um lado, acho meio triste. O príncipe não sai com ninguém? Quer dizer, será que ele não arruma ninguém de verdade? Se eles tentam casar as princesas com outros príncipes, por que não fazem o mesmo com ele? Deve ter alguma nobre por aí que sirva para ele. Não entendo. E é isso. Mas... — ele suspirou. — Por outro lado, acho uma boa ideia. É emocionante. Ele vai se apaixonar na frente de todo mundo. Gosto dessa história de felizes para sempre e tal. Qualquer uma pode ser a próxima rainha. Dá esperança. Me faz pensar que eu também posso ser feliz para sempre.

Ele passava os dedos em volta dos meus lábios. Aqueles olhos verdes penetravam fundo na minha alma, e eu sentia aquela química incrível que só tinha com ele. Eu também queria ser feliz para sempre.

— Então você está incentivando as gêmeas a entrar no concurso? — perguntei.

— Sim. Quer dizer, a gente já viu o príncipe algumas vezes. Ele parece ser um cara legal. Quer dizer, é um imbecil, com certeza, mas é simpático. E as meninas estão empolgadas; é engraçado de ver. Elas estavam dançando pela casa quando cheguei do trabalho hoje. E ninguém pode negar que seria bom para a família. Minha mãe está otimista, porque temos duas participantes em casa.

Era a primeira boa notícia que eu recebia sobre essa competição terrível. Não podia acreditar que tinha pensado tanto em mim que nem cheguei a me lembrar das irmãs de Thom. Se uma delas passasse, se uma delas entrasse...

— Thom, você tem noção do que isso significaria? Se Amalia ou Olive ganhassem?

Ele me abraçou mais forte, acariciando minha testa com os lábios. Uma de suas mãos subia e descia nas minhas costas.

— Só pensei nisso hoje. — ele confessou.

O tom rouco de sua voz não deixava espaço para nenhum outro pensamento. Eu só queria que ele me tocasse e me beijasse. E era exatamente isso que aconteceria naquela noite se seu estômago não tivesse roncado e me acordado para a realidade.

— Ei, trouxe um lanche para nós... — eu disse com delicadeza.

— Ah, é? — pude notar que ele tentava não soar empolgado, mas um pouco de sua impaciência acabou transparecendo.

— Você vai amar esse frango. Eu que fiz.

Peguei o embrulho e entreguei a ele, que começou a beliscar a comida sem afobação. Deu uma mordida na maçã, insinuando que era nossa, mas abri mão da minha parte e deixei que comesse o resto.

Se a alimentação era uma preocupação na minha casa, na de Thom era uma tragédia. Ele tinha um trabalho muito mais exigente que o nosso, mas ganhava um salário bem menor. Nunca havia comida suficiente. Ele era o mais velho de sete irmãos. Assim como comecei a ajudar em casa logo que pude, Thom fez o mesmo. Ele passava o pouquinho de comida que lhe cabia para as irmãs e a mãe, sempre cansada de tanto trabalhar. O pai tinha morrido três anos antes, e a família dependia dele para quase tudo.

Vi com satisfação Thom lamber o tempero do frango dos dedos e partir para cima do pão. Eu não fazia ideia de quando havia sido sua última refeição.

— Você cozinha tão bem. Um dia vai dar muitas alegrias e quilos a mais para alguém. — comentou enquanto mastigava a maçã.

— Vou dar alegrias e quilos a mais para você. Sabe disso.

— Ah, engordar!

Rimos, e ele me contou as novidades desde a última vez que nos vimos. Thomas tinha trabalhado no escritório de uma fábrica e ia ficar mais uma semana nesse serviço. Sua mãe tinha finalmente conseguido um emprego fixo de faxineira na casa de alguns Dois da nossa região. As gêmeas estavam tristes porque a mãe as fizera largar o curso de teatro da escola para que pudessem trabalhar mais.

— Vou ver se arranjo um trabalho aos domingos para ganhar um pouquinho mais. Detesto ver as duas abandonarem uma coisa que adoram. — ele disse, esperançoso, como se fosse mesmo conseguir.

— Thomas Leger, nem se atreva! Você já trabalha demais.

— Aaah, Bella... — ele sussurrou ao meu ouvido. Arrepiei. — Você sabe como Amalia e Olive são. Elas precisam ver gente. Não aturam ficar limpando e escrevendo o tempo todo. Não é da natureza delas.

— Mas não é justo que esperem tudo de você, Thomas. Sei exatamente como se sente, mas você precisa se cuidar. Se ama suas irmãs de verdade, tem que se preocupar também com o responsável por elas.

— Fique tranquila, Bella. Acho que coisas boas vão surgir lá na frente. Não vou ficar fazendo isso para sempre.

Mas ele ia. Porque sua família sempre ia precisar de dinheiro.

— Thom, sei que você aguenta. Mas há um limite. Você não pode achar que é capaz de dar tudo para todo mundo que ama. Não dá para você fazer tudo.

Ficamos em silêncio por uns instantes. Eu tinha esperança de que ele estivesse refletindo sobre minhas palavras, de que percebesse que, se não diminuísse o ritmo, podia se desgastar demais. Não era raro que pessoas da Seis, da Sete e da Oito morressem de exaustão. Eu não suportaria isso. Apertei-me ainda mais contra o peito dele, tentando apagar essa imagem da minha mente.

— Isabella?

— Sim? — sussurrei.

— Você vai entrar na Seleção?


Notas Finais


se gostou, comentem e favoritem! bjoo, até o próximo!


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