História A Seleção - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
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Palavras 1.280
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Quarto capítulo, boa leitura!

Capítulo 4 - Thom


— Não! Claro que não! Não quero que as pessoas pensem que considero a hipótese de me casar com um estranho. É você que eu amo! — disse bruscamente.

— Você quer ser uma Seis? Sempre faminta? Sempre preocupada? — ele perguntou.

Sua voz carregava muita dor e uma pergunta sincera: se eu pudesse escolher entre dormir no palácio real rodeada de empregados e num apartamento de três cômodos rodeada pela família Leger, o que seria?

— Thom, nós vamos conseguir. Somos inteligentes. Vamos ficar bem. — eu disse, desejando que isso acontecesse de verdade.

— Você sabe que as coisas não vão ser assim, Bella. Eu ainda teria que sustentar minha família. Não sou do tipo que abandona os outros.

Estremeci nos braços de Thom, que continuou:

— E se tivermos filhos...

— Quando tivermos filhos. E vamos tomar cuidado. Não precisamos ter mais de dois.

— Você sabe que isso é uma coisa que não podemos controlar!

Sentia a raiva tomando conta da voz dele. Não podia culpá-lo. Quem tinha dinheiro podia controlar o número de filhos. Mas os Quatro em diante tinham que se virar. Esse foi o assunto de muitas das nossas discussões nos seis meses anteriores, quando começamos a pensar seriamente num jeito de ficar juntos. Filhos eram uma incógnita. E quanto mais deles, mais trabalho. Já havia tantas bocas famintas...

De novo veio o silêncio. Nenhum dos dois sabia ao certo o que dizer. Thom era passional; tendia a se exaltar nas discussões. Ele tinha aprendido a se conter antes de ficar irritado demais. Era o que estava fazendo agora.

Eu não queria deixá-lo preocupado ou nervoso. Acreditava mesmo que podíamos lidar com a situação. Se planejássemos, sobreviveríamos ao impossível. Talvez eu fosse esperançosa demais. Talvez estivesse apaixonada demais. O fato é que realmente acreditava que Thom e eu alcançaríamos tudo o que quiséssemos de coração.

— Acho que você devia... — ele soltou de repente.

— Devia o quê?

— Participar da Seleção.

Olhei para ele furiosa:

— Você perdeu o juízo?

— Escute, Bella.

Sua boca estava bem perto do meu ouvido. Não era justo; ele sabia que isso ia me distrair. Sua voz veio devagar, aos sussurros, como se ele fosse dizer algo romântico, embora se tratasse do contrário.

— Se você tivesse a oportunidade de melhorar de vida e não a aproveitasse por minha causa, eu nunca ia me perdoar. Não ia aguentar uma coisa dessas.

Respondi bufando:

— Mas que ridículo. Pense nos milhares de garotas que vão participar. Não vou nem ser sorteada.

— Se não vai ser sorteada, por que se preocupar?

Ele esfregava meus braços com as mãos. Eu não conseguia resistir.

— Só quero que você participe, que tente. E, se for sorteada, vá para o castelo. Se não for, pelo menos não vou sofrer por ter impedido você.

— Mas, Thomas, eu não amo o príncipe. Não gosto dele. Nem o conheço.

— Ninguém o conhece. E esse é o ponto: talvez você goste dele.

— Chega! É você que eu amo.

— E é você que eu amo.

Ele me beijou para confirmar essas palavras.

— E se me ama, vai fazer isso, para que eu não fique louco de tanto pensar no que poderia ter acontecido.

Quando se pôs como vítima, ele ganhou: eu era incapaz de magoá-lo. Fazia de tudo para facilitar a vida dele. E estava certa: não havia nenhuma chance de ser escolhida. Assim, tudo o que precisava fazer era me submeter ao processo e agradar a todos. Depois, quando não fosse sorteada, o assunto seria esquecido.

— Por favor? — Thom suspirou no meu ouvido, e eu pude sentir um arrepio por todo o corpo.

— Certo... — sussurrei. — Vou me inscrever. Mas sei que não quero ser princesa. Tudo o que quero é ficar com você.

Ele passou a mão no meu cabelo.

— E você vai ficar.

Acho que foi a luz, ou a falta dela, mas juro que os olhos dele marejaram quando disse isso. Thom tinha passado por muita coisa, mas só o vi chorar uma vez, quando chicotearam seu irmão no meio da praça. O pequeno Alec tinha roubado uma fruta de uma banca no mercado. Um adulto teria sido submetido a um julgamento rápido e seria jogado na prisão ou condenado à morte, dependendo do valor do item roubado. Alec tinha apenas nove anos e por isso foi espancado. A mãe deles não tinha dinheiro para levar o menino a um médico decente, por isso Alec ficou com cicatrizes de alto a baixo.

Naquela noite, esperei na janela para ver se Thom subiria até a casa da árvore. Ele subiu, e saí escondida para encontrá-lo. Ele chorou em meus braços por uma hora, lamentando-se por não ter trabalhado mais, por não ter sido melhor, para que Alec não precisasse roubar. Chorava porque era injusto Alec ter sido punido por suas próprias falhas.

Foi uma agonia. Aquilo não era verdade. Mas eu não podia dizer isso a Thom: ele não me daria ouvidos. Carregava nas costas as necessidades de todas as pessoas que amava. Como que por milagre, eu me tornei uma delas, e tentava pesar o mínimo possível.

— Você pode cantar para mim? Uma música bem bonita, para eu lembrar na hora de dormir?

Sorri. Adorava cantar para ele. Aconcheguei-me mais e comecei uma cantiga de ninar bem serena.

Thom me deixou cantar por uns minutos antes de começar a descer os dedos distraidamente por minha orelha. Abaixou a gola da minha camiseta e me beijou do pescoço às orelhas. Em seguida, arregaçou minhas mangas e foi beijando meu braço de ponta a ponta. Comecei a perder o fôlego. Ele fazia isso quase todas as vezes em que eu cantava. Acho que gostava mais da minha respiração aguda do que das próprias músicas.

Em pouco tempo estávamos enlaçados sobre o tapete sujo e gasto.

Thom me puxava para cima dele, e eu acariciava seus cabelos bagunçados, hipnotizada por aquelas sensações. Ele me dava beijos ardentes e intensos. Eu sentia seus dedos apertarem minha cintura, meus quadris, minhas coxas. Sempre ficava surpresa que não deixasse marcas no meu corpo.

Tomávamos o cuidado de sempre parar antes de chegar ao que realmente queríamos. Desrespeitar o toque de recolher já era o bastante. Ainda assim, com todas as limitações, eu não conseguia imaginar que alguém em Illéa estivesse mais apaixonado que nós.

— Eu te amo, Isabella Singer. Vou te amar enquanto viver.

A voz dele transmitia uma emoção profunda e me pegou desprevenida.

— Eu te amo, Thomas. Você sempre será meu príncipe.

E ele me beijou até a vela se consumir por inteiro.

Devia fazer horas que estávamos lá, e meus olhos começaram a pesar. Thom nunca se importava com o próprio sono, mas não podia suportar o meu. Assim, desci a escada cansada, levando o prato e uma moeda.

Thom se deliciava com minhas canções. Às vezes, quando tinha algum dinheiro no bolso, ele me dava uma moeda para pagar pela música. Eu queria que ele desse cada moeda que conseguisse juntar para a própria família: sem dúvida, eles precisavam até do último centavo. Mas aquelas moedas – que eu era incapaz de gastar – serviam como um lembrete de tudo o que Thom queria fazer por mim e de tudo o que eu significava para ele.

De volta ao quarto, tirei o pote cheio de moedas do esconderijo e escutei o alegre tilintar da mais nova sobre as antigas. Esperei dez minutos na janela até ver a silhueta dele descer a escada e correr pela estrada.

Fiquei acordada mais um pouco, pensando em Thom e no quanto eu o amava e me sentia amada por ele. Era uma sensação especial, insubstituível, que não tinha preço. Nenhuma rainha no trono poderia se sentir mais importante que eu.

Adormeci com esse pensamento gravado no fundo do coração.


Notas Finais


Thobella? Haha comentem, favoritem <3


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