História A Seleção - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
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Palavras 1.912
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Quinto capítulo, boa leitura!

Capítulo 5 - Formulário


Thom vestia branco. Parecia um anjo. Ainda estávamos em Carolina, mas não havia ninguém por perto. Estávamos sozinhos, mas não sentíamos falta de ninguém. Thom fez uma coroa de ramos para mim e ficamos juntos.

— Isabella! — irrompeu minha mãe, sacudindo-me até que eu acordasse.

Ela acendeu a luz, ofuscando minha visão, e tive que esfregar os olhos para me adaptar.

— Acorde, Isabella. Tenho uma proposta para você.

Olhei para o despertador: eram sete e pouco da manhã. Cinco horas de sono.

— Dormir mais? — balbuciei.

— Não, querida. Sente-se. Temos um assunto sério para discutir.

Fiz um esforço enorme para me sentar. Minhas roupas estavam amassadas e meus cabelos se rebelavam para todos os lados. Minha mãe batia palmas, como se isso fosse acelerar o processo.

— Vamos, Isabella. Preciso falar com você.

Eu me espreguicei duas vezes.

— O que é? — perguntei.

— Você precisa se inscrever na Seleção. Acho que daria uma princesa excelente.

Era cedo demais para aquilo.

— Mãe, sério, eu... — suspirei enquanto lembrava minha promessa a Thom na noite anterior de que ia pelo menos tentar. Mas, agora, à luz do dia, não estava muito certa de que queria me submeter àquilo.

— Sei que você é contra, mas pensei em um acordo para você mudar de ideia.

Apurei os ouvidos. O que ela tinha a oferecer?

— Seu pai e eu conversamos ontem e decidimos que você já está madura o bastante para trabalhar sozinha. Você toca piano tão bem quanto eu, e com um pouco de esforço vai ficar perfeita no violino. E sua voz... bem, se você quer minha opinião, não há melhor na província.

Sorri, um pouco grogue de sono:

— Obrigada, mãe. De verdade.

Acontece que eu não dava tanta importância a trabalhar sozinha. Não entendia como isso seria um incentivo.

— Mas não é só isso. Você pode pegar seus próprios trabalhos, ir sozinha e... ficar com metade do que você ganhar. — ela disse, meio que fazendo uma careta.

Arregalei os olhos.

— Mas só se você participar da Seleção.

Minha mãe sorriu. Ela sabia que assim me ganharia, embora eu achasse que ela esperava um pouco mais de resistência da minha parte. Mas como eu poderia resistir? Eu já ia me inscrever mesmo, e ela dava a chance de eu ganhar um pouco de dinheiro só para mim!

— Você sabe que o máximo que posso fazer é me inscrever, certo? Não tenho como garantir que eles me sorteiem.

— Eu sei, mas não custa tentar.

— Nossa, mãe... — balancei a cabeça, ainda chocada. — Tudo bem. Preencho hoje o formulário. É sério o negócio do dinheiro?

— Claro que é. Cedo ou tarde você ia trabalhar sozinha mesmo. E vai ser bom para você ser responsável por seu próprio dinheiro. Só não se esqueça da família. Ainda precisamos de você.

— Claro, mãe. Como esquecer todas as broncas?

Dei uma piscadinha e ela riu. O acordo estava feito.

No banho, tentei digerir tudo o que tinha acontecido em menos de vinte e quatro horas. Preencher aquele simples formulário me garantiria o apoio da família, faria Thom feliz e me ajudaria a guardar dinheiro para casar com ele!

Eu não me preocupava tanto com o dinheiro, mas Thom fazia questão de fazer uma poupança para o casamento. A parte burocrática custava caro, e queríamos fazer uma festinha para a família depois da cerimônia. Eu imaginava que não demoraríamos muito para juntar a quantia necessária assim que tomássemos a decisão, mas Thom queria mais. Talvez ele acreditasse que não ficaríamos sempre apertados agora que eu ia trabalhar mais.

Depois do banho, penteei os cabelos e me maquiei o mínimo possível para comemorar. Então abri o armário e me vesti. Não havia muito o que escolher. Quase tudo era bege, marrom ou verde. Eu tinha uns vestidos melhorzinhos para as apresentações, mas já estavam bem fora de moda. Era assim; não tinha o que fazer. Os Seis e Sete quase sempre vestiam jeans ou outro tecido grosseiro. A maior parte dos Cinco usava roupas simples, já que os artistas as cobriam com um avental e as cantoras e bailarinas só precisavam estar bem vestidas para as apresentações. As castas superiores usavam calça cáqui ou jeans de vez em quando para mudar o visual, mas sempre de um jeito que elevava o tecido a um novo patamar. Como se não bastasse ter tudo o que queriam, ainda transformavam nossas necessidades em artigos de luxo.

Vesti um short cáqui e uma blusinha verde – de longe as melhores roupas que tinha para usar durante o dia – e me olhei no espelho mais uma vez antes de descer para a sala. Eu me sentia linda. Talvez fosse só a empolgação influenciando meus olhos.

Minha mãe estava na mesa da cozinha com meu pai, cantarolando. Os dois me encararam algumas vezes, mas nem seus olhares foram capazes de me perturbar.

Fiquei um pouco surpresa ao pegar a carta. A qualidade do papel era impressionante. Eu nunca tinha posto as mãos em algo assim. Espesso e levemente texturizado. O peso do papel me deixou atônita por uns instantes; lembrava-me da grandeza daquilo que eu ia fazer. Duas palavras pipocaram na minha cabeça: “E se...?”.

Mas eu espantei esse pensamento e pus a caneta no papel.

Era tudo bem simples. Preenchi nome, idade, casta e informações de contato. Também tinha que completar peso, altura e cor de cabelo, olho e pele. Fiquei muito satisfeita ao escrever que podia falar três idiomas. A maioria das pessoas falava pelo menos dois, mas minha mãe fez questão de que aprendêssemos francês e espanhol, já que essas línguas ainda eram usadas em algumas partes do país. Isso também ajudava na hora de cantar. Havia músicas lindas em francês. Era preciso informar também a escolaridade, o que variava muito, porque apenas os Seis e Sete estudavam em escolas públicas, onde se seguiam anos escolares oficiais. Eu já tinha quase completado os estudos. Na seção “habilidades especiais”, incluí canto e todos os instrumentos que tocava.

— Você acha que a capacidade de dormir até tarde conta como habilidade especial? — perguntei a meu pai, fingindo estar indecisa.

— Sim, pode colocar aí. E não se esqueça de escrever que consegue comer um prato em cinco minutos. — ele respondeu.

Eu ri. Era verdade: eu praticamente engolia a comida.

— Ah, vocês dois! Por que não anota aí que você é completamente desalmada? — explodiu a voz da minha mãe na sala.

Eu não podia acreditar que ela estivesse tão brava. Afinal, tinha conseguido exatamente o que queria. Olhei para meu pai com um ar de interrogação.

— Ela só quer o melhor para você, é isso. — ele se reclinou na cadeira, relaxando um pouco antes de começar a trabalhar em uma encomenda para o fim do mês.

— Você também, mas nunca fica assim nervoso. — comentei.

— É, mas sua mãe e eu temos ideias diferentes sobre o que é melhor para você. — ele disse, e um sorriso brilhou em seu rosto.

Puxei a boca do meu pai, tanto na aparência quanto na tendência a dizer coisas inocentes que depois me causavam problema. O temperamento era da minha mãe, mas ela era melhor na hora de segurar a língua quando o assunto era importante. Eu não. Como naquele momento...

— Pai, se eu quisesse casar com um Seis ou um Sete e o amasse muito, você ia deixar?

Meu pai apoiou a caneca na mesa e concentrou o olhar em mim. Tentei não entregar nada na minha expressão. Seus olhos pareciam pesados, cheios de dor.

— Isabella, se você amasse um Oito, eu deixaria que se casasse com ele. Mas você precisa saber que o amor às vezes acaba com o peso da vida de casado. E ia ser ainda pior se você não pudesse sustentar seus filhos. O amor nem sempre sobrevive nessas circunstâncias.

Ele pegou minha mão, procurando meus olhos com os dele. Tentei esconder minha preocupação.

— Mas o que mais me importa é que você seja amada. Você merece isso. E eu espero que se case por amor, e não por número.

Ele não podia dizer o que eu queria ouvir – que eu de fato me casaria por amor e não por número – mas me deu um pouco de esperança.

— Obrigada, pai.

— Tenha calma com sua mãe. Ela está tentando fazer a coisa certa.

Ele beijou minha mão e foi trabalhar.

Suspirei e voltei à ficha de inscrição. Tudo aquilo me dava a sensação de que nem passava pela cabeça da minha família que eu tinha vontade própria. Isso me chateava, mas eu sabia que não ia poder deixar isso claro no futuro. Vontade era um luxo que não podíamos ter. Éramos movidos à base de necessidades.

Peguei o formulário preenchido e fui levá-lo para minha mãe, no quintal. Ela estava sentada fazendo a barra de um vestido, enquanto Nina fazia a lição de casa. Thom costumava reclamar da rigidez dos professores da escola pública, mas eu duvidava que eles superassem minha mãe. Ela estava de férias, meu Deus!

— Você fez mesmo? — Nina perguntou, agitando os joelhos.

— Com certeza.

— Por que mudou de ideia?

— Mamãe pode ser bem convincente quando quer. — respondi, marcando bem as palavras. Mas minha mãe não sentia nenhuma vergonha de ter me subornado.

— Podemos ir ao Departamento de Serviços Provinciais assim que você estiver pronta, mãe.

Ela deu um sorrisinho:

— Essa é a minha garota! Pegue suas coisas que a gente já vai. Quero que sua carta seja uma das primeiras.

Fui pegar a bolsa, como minha mãe mandou, mas estaquei no quarto de Luck. Ele estava olhando fixamente para uma tela de pintura vazia. Parecia frustrado. Fazíamos um rodízio de opções com ele, mas nunca dava certo. Bastava ver a bola de futebol gasta em um canto ou o microscópio usado que recebemos como pagamento em um Natal para ficar óbvio que ele não tinha jeito para a arte.

— Sem inspiração hoje, hein? — perguntei, entrando no quarto.

Ele me olhou e balançou a cabeça.

— Talvez devesse tentar a escultura, que nem Endel. Você tem mãos para isso. Aposto que se sairia bem.

— Não quero esculpir nada. Nem pintar, cantar ou tocar piano. Quero jogar bola! — ele exclamou, chutando o carpete velho do quarto.

— Eu sei. E você pode, por diversão. Só que precisa achar uma arte em que seja bom para ganhar dinheiro. Então vai poder fazer os dois.

— Mas por quê? — ele choramingou.

— Você sabe o motivo. É a lei.

— Mas não é justo!

Luck jogou a tela no chão, o que levantou uma nuvem de poeira, que logo foi embora pela janela.

— Não é culpa nossa se nosso bisavô ou sei lá quem era pobre.

— Eu sei.

Parecia mesmo irracional limitar as opções de vida com base na ajuda que seus antepassados deram ao governo, mas as coisas eram assim. Talvez devêssemos apenas dar graças por estarmos seguros.

— Acho que era o único jeito de as coisas funcionarem naquele tempo. — completei.

Ele ficou calado. Dei um suspiro, peguei a tela do chão e a coloquei de volta no lugar. A vida era assim, e ele não podia simplesmente chutá-la.

— Você não precisa deixar seus gostos de lado. Mas você quer ajudar mamãe e papai, crescer e casar, certo? — perguntei, cutucando a barriga dele.

Luck botou a língua para fora, fingindo estar com nojo, e nós dois rimos.

— Isabella! — minha mãe gritou lá de baixo. — Por que você está demorando tanto?

— Estou indo! — gritei de volta. — Sei que é difícil, querido, mas as coisas são assim, está bem? — prossegui, olhando para Luck.

Eu sabia, porém, que aquilo não estava bem. Nem um pouco bem.


Notas Finais


to postando bem rapidinho, então aproveitem q é só hj haha até o próximo, comentem e favoritem <3


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