História A Seleção - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
Exibições 54
Palavras 1.193
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Sexto capítulo, boa leitura!

Capítulo 6 - Sorridente


Minha mãe e eu andamos até o departamento local. Às vezes, a gente pegava um ônibus para ir a lugares muito distantes ou para trabalhar. Era chato chegar à casa de um Dois todo suado. Eles já nos olhavam de um jeito estranho sem isso. Mas o dia estava bonito, e a caminhada não era assim tão longa. Obviamente, não éramos as únicas que queriam entregar a inscrição o mais rápido possível. Quando chegamos lá, a rua em frente ao Departamento de Carolina já estava lotada de mulheres.

Na fila, havia um monte de meninas do meu bairro, esperando para entrar. Cada uma delas tinha mais três a seu lado, e a fila já se estendia até a metade do quarteirão. Todas as garotas da província iam se inscrever. Eu não sabia se ficava assustada ou aliviada.

— Ana! — chamou alguém.

Tanto eu como minha mãe nos viramos ao som do nome dela.

Olive e Amalia estavam caminhando até nós junto com a mãe. Ela devia ter tirado o dia de folga. Suas filhas usavam a melhor roupa que tinham e estavam bem arrumadas. Não era muito, mas elas ficavam bonitas com qualquer roupa, como Thom. Amalia e Olive tinham os mesmos cabelos escuros e o mesmo sorriso do irmão.

A mãe deles sorriu para mim, e eu sorri de volta. Eu a adorava. Só conseguia falar com ela de vez em quando, mas era sempre simpática comigo. E eu sabia que não era porque eu estava uma casta acima. Já tinha visto a mãe deles dar roupas que não serviam mais nos seus filhos a famílias que não tinham quase nada. Ela era uma pessoa generosa.

— Oi, Rosie. E como vocês estão, meninas? — cumprimentou minha mãe.

— Bem! — elas responderam em uníssono.

— Vocês duas estão lindas. — eu disse enquanto jogava um dos cachos de Olive para trás.

— Queríamos ficar bonitas para a foto — afirmou Amalia.

— Foto? — perguntei.

— Sim. — disse a Sra. Leger em voz baixa. — Eu estava limpando a casa de um juiz ontem. Parece que o sorteio não é bem um sorteio. É por isso que eles tiram fotos e pegam um monte de informações. Qual a importância de saber quantas línguas você fala se é tudo aleatório?

Achei estranho. Mesmo. Pensava que toda a informação ia ser usada depois do sorteio.

— Parece que a notícia vazou. Olhe para os lados: está cheio de garotas produzidas.

Passei os olhos pela fila. A Sra. Leger tinha razão. E a diferença entre quem sabia e não sabia era bem clara. Logo atrás da gente havia uma moça, com certeza uma Sete, ainda com as roupas de trabalho. As botas cheias de lama provavelmente não iam sair na foto, mas não havia como esconder o pó no avental. Um pouco mais atrás estava outra Sete, ostentando seu cinto de ferramentas. O melhor que posso dizer sobre ela é que seu rosto estava limpo.

No extremo oposto, uma moça tinha feito um coque e deixara uns fios encaracolados caindo no rosto. A garota ao lado dela – claramente uma Dois, pelas roupas – tinha um decote do tamanho do mundo. Outras tinham tanta maquiagem que para mim mais pareciam palhaços. Mas pelo menos elas estavam tentando.

Minha aparência era razoável, mas eu não tinha me produzido como as outras garotas. Como as Sete, eu não sabia que tinha que me preocupar com isso. De repente, comecei a tremer de ansiedade.

Mas por quê? Parei e refleti sobre a situação.

Eu não queria aquilo. Então não estar bonita era bom. Eu ficaria pelo menos um ponto abaixo das irmãs de Thom. Elas tinham uma beleza natural e aquele pouquinho de maquiagem as deixava ainda mais adoráveis. Se Amalia ou Olive ganhasse, toda a família subiria na escala. E a minha com certeza não ia se opor se eu me casasse com alguém da Um, mesmo que não fosse o príncipe. Minha ignorância era na verdade uma dádiva.

— Acho que você tem razão... — minha mãe disse. — Aquela menina está arrumada para uma festa de Natal. — completou, rindo. Mas eu sabia que ela odiava estar em desvantagem.

— Não sei por que algumas garotas exageram tanto. Olhe para Isabella. Ela está tão linda. Fico contente por você não ter ido nessa linha. — disse a Sra. Leger.

— Eu não tenho nada de especial. Quem me escolheria perto de Amalia ou Olive?

Pisquei para as duas, que sorriram. Minha mãe também deu um sorriso, mas forçado. Ela devia estar dividida entre ficar na fila ou me obrigar a correr para casa e trocar de roupa.

— Não seja boba! Toda vez que Thom volta para casa depois de ter ajudado o irmão ele diz que a família Singer passou duas vezes na fila do talento e da beleza.

— Verdade? Que gentil! — murmurou minha mãe.

— É mesmo. Eu não podia querer um filho melhor. Ele é muito companheiro e trabalha duro.

— Vai fazer uma moça muito feliz algum dia. — comentou minha mãe, sem dar muita atenção à conversa. Ela ainda estava analisando a concorrência.

A Sra. Leger olhou ao redor.

— Cá entre nós, acho que ele já tem alguém em mente.

Gelei. Não sabia se fazia algum comentário ou não. Tinha medo de dar uma resposta que me entregasse.

— Como ela é? — minha mãe quis saber.

Embora estivesse planejando meu casamento com um completo estranho, tinha tempo para fofoca.

— Não sei direito. Ele não me apresentou ninguém. Só acho que ele está de olho em alguém porque parece mais feliz ultimamente. — ela respondeu, radiante.

Ultimamente?, pensei. Faz quase dois anos que Thom e eu nos encontramos. Por que só ultimamente?

— Ele fica assoviando. — foi a contribuição de Olive para o assunto.

— É, e também canta. — concordou Amalia.

— Canta? — perguntei espantada.

— Pois é. — confirmaram as duas em coro.

— Então ele está mesmo com alguém! — palpitou minha mãe. — Quem será?

— Aí você me pegou. Mas deve ser uma moça ótima. Ele tem trabalhado muito, mais do que o normal, e guardado dinheiro. Acho que está tentando economizar para o casamento.

Não consegui segurar um gritinho de empolgação. Para minha sorte, todos acharam que era só por causa das notícias.

— Nada me deixa mais feliz. — prosseguiu a Sra. Leger — Mesmo que ele ainda não esteja pronto para contar quem ela é. Thom está sorrindo; dá para notar a alegria dele. As coisas ficaram tão difíceis para nós desde que perdemos Trevor, e ele assumiu muitas responsabilidades. Qualquer garota que o faça feliz já é uma filha para mim.

— É uma moça de sorte! Thomas é um garoto maravilhoso. — observou minha mãe.

Eu não podia acreditar. A família estava sempre tentando fazer o dinheiro durar até o fim do mês, e Thom guardava uma parte por minha causa! Não sabia se dava uma bronca ou um beijo nele. Eu... não tinha palavras.

Ele ia mesmo me pedir em casamento!

Era tudo em que eu conseguia pensar: Thom, Thom, Thom. Fiquei na fila, cheguei ao guichê, assinei os papéis confirmando que as informações eram verdadeiras e tirei a foto. Antes de encarar o fotógrafo, sentei na cadeira e balancei os cabelos uma ou duas vezes para que ficassem com vida.

Acho que nenhuma outra garota de Illéa estava mais sorridente que eu.


Notas Finais


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