História A Seleção - Capítulo 7


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Categorias Malhação
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Palavras 1.237
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Sétimo capítulo, boa leitura!

Capítulo 7 - Jornal


Era sexta-feira. O Jornal Oficial de Illéa começava às oito. Ninguém era oficialmente obrigado a ver, mas era burrice não fazer isso. Até os Oito – os mendigos, os andarilhos – achavam uma loja ou igreja onde pudessem acompanhar o noticiário. E com a data da Seleção se aproximando, o Jornal Oficial era mais que uma obrigação. Todo mundo queria saber como caminhava o assunto.

— Você acha que eles vão anunciar as ganhadoras hoje? — indagou Nina, enfiando uma porção de purê na boca.

— Não, querida. Todas as selecionáveis têm nove dias para entregar o formulário. Provavelmente só vamos saber daqui a duas semanas. — a voz da minha mãe estava calma como não ficava havia anos. Ela estava totalmente tranquila, satisfeita por ter conseguido algo que queria de verdade.

— Ah! Não aguento esperar! — reclamou Nina.

Ela não aguentava esperar? Era o meu nome na urna!

— Sua mãe me contou que vocês passaram um bom tempo na fila.

Fiquei surpresa por meu pai querer entrar na conversa.

— Pois é. Eu não esperava tantas meninas. Não sei por que vão dar mais nove dias. Juro que todo mundo na província estava lá.

Meu pai deu uma risadinha.

— Foi divertido analisar as concorrentes?

— Nem quis saber disso. — respondi com sinceridade. — Deixei esse trabalho para mamãe.

Ela confirmou com a cabeça.

— Eu analisei mesmo. Não pude evitar. Mas acho que Isabella estava bem. Ajeitada, natural. E, de verdade, querida: você é linda. Se eles forem mesmo olhar as fotos em vez de sortear uma moça, você vai ter mais chances ainda.

— Não sei... — tentei tirar o corpo fora. — Tinha uma garota com tanto batom vermelho que parecia estar sangrando. Talvez ela faça o tipo do príncipe.

Todos riram. Minha mãe continuou comentando as roupas que chamaram a atenção dela. Nina bebia suas palavras, ao passo que Luck dava uns sorrisos entre uma colherada e outra. Às vezes era fácil esquecer que a vida em casa ficara mais estressante quando Luck começou a entender o mundo ao seu redor.

Às oito, todos nos juntamos na sala: meu pai em sua cadeira; Nina no sofá perto de mamãe, com Luck no colo; e eu esparramada no chão. Ligamos a TV no canal da rede pública, o único pelo qual não era preciso pagar, de modo que até os Oito poderiam vê-lo, se tivessem TV.

O hino nacional tocou. Pode parecer meio bobo, mas sempre adorei o hino. Era uma das músicas que mais gostava de cantar.

O retrato da família real surgiu na tela. No alto do palanque, estava o rei Hector. Seus conselheiros sentavam-se ao lado, e a câmera os focalizou. Parecia que haveria uma porção de anúncios naquela noite. No lado esquerdo da tela, estavam a rainha e o príncipe Rafael, com roupas elegantes, sentados no trono, com um ar nobre e importante.

— É o seu namorado, Isabella! — Nina anunciou.

Todos riram.

Observei Rafael. Talvez ele fosse bonito, a seu modo. Mas não era nem um pouco parecido com Thom. Seu cabelo era castanho claro igual aos seus olhos. Ele tinha uma cara de verão, o que muita gente deveria gostar. Seu cabelo batido estava em perfeita ordem, e a roupa se ajustava perfeitamente ao seu corpo.

Só que Rafael ficava travado demais naquela cadeira. Parecia tenso.

Seus cabelos brilhantes eram perfeitos demais, seu terno sob medida estava engomado demais. Era mais uma pintura que uma pessoa. Cheguei a ter pena da garota que ficasse com ele. Aquela devia ser a vida mais chata que alguém poderia imaginar.

Concentrei a atenção na rainha. Ela parecia calma. Também estava sentada, mas não de um jeito frio. Então eu me dei conta de que ela – ao contrário do rei e do príncipe – não tinha sido criada no palácio. Era uma gloriosa filha de Illéa. Talvez antes tivesse sido alguém como eu.

O rei já estava falando, mas eu tinha que perguntar.

— Mãe? — sussurrei, para não distrair meu pai.

— Sim?

— A rainha... o que ela era? Quer dizer, de que casta?

Minha mãe viu meu interesse e abriu um sorriso.

— Quatro.

Uma Quatro. Ela tinha passado a infância trabalhando em uma fábrica ou em uma loja; talvez em uma fazenda. Eu imaginava como teria sido a vida dela. Será que tinha uma família grande? Provavelmente não tinha que se preocupar com comida. Será que suas amigas ficaram com inveja quando ela foi escolhida? Se eu tivesse amigos de verdade, será que eles ficariam com inveja de mim?

Que besteira. Eu não ia ser sorteada.

Comecei a prestar atenção nas palavras do rei.

Esta manhã, outro ataque na Nova Ásia comprometeu nossas bases, deixando as tropas em um número pouco inferior ao do inimigo. No entanto, estamos confiantes de que os recrutas do mês que vem chegarão com o moral elevado e renovarão nossas forças.

Eu odiava a guerra. Infelizmente, nosso país era jovem e tinha que se defender de todo mundo. Talvez não sobrevivêssemos a outra invasão.

Após o rei nos informar do recente ataque a um campo rebelde, a equipe de economia anunciou a situação da dívida do país, e o chefe do Comitê de Infraestrutura informou que em dois anos começariam a trabalhar na reconstrução de inúmeras estradas. Algumas delas estavam abandonadas desde a Quarta Guerra Mundial. Por fim, a última pessoa – o mestre de cerimônias – subiu ao palanque.

Boa noite, senhoras e senhores de Illéa. Como sabem, enviamos pelo correio os formulários para a Seleção. Acabo de receber o primeiro lote de inscrições e tenho o prazer de anunciar que milhares de lindas illeanas já deixaram seu nome nas urnas para a Seleção!

Ao fundo, em um dos cantos, o príncipe mudou de posição na cadeira. Será que estava suando?

Em nome da família real, quero agradecer-lhes por seu entusiasmo e patriotismo. Com um pouco de sorte, comemoraremos no Ano-Novo o noivado de nosso amado príncipe Rafael com uma encantadora, talentosa e inteligente filha de Illéa!

Os conselheiros ali sentados aplaudiram. Rafael sorriu, mas não parecia à vontade. Quando as palmas cessaram, o mestre de cerimônias prosseguiu:

É claro que teremos muitas horas de programação televisiva para conhecer as jovens da Seleção, incluindo especiais sobre a vida no palácio. Não podemos imaginar ninguém melhor que nosso Gavril Fadaye para nos guiar durante esses dias tão emocionantes!

Outra salva de palmas, mas bem menor. Ela partiu da minha mãe, do meu pai e de Nina. Gavril Fadaye era uma lenda. Fazia mais ou menos vinte anos que ele comentava os desfiles da Festa da Gratidão, os shows de Natal e qualquer outro evento realizado no palácio. Nunca vi uma entrevista com membros da família real ou com pessoas próximas a eles que não tivesse sido feita por Fadaye.

— Isabella, talvez você conheça Gavril! — minha mãe cantarolou.

— Lá vem ele! — festejou Nina, agitando os braços delicados.

De fato, ali estava Gavril, entrando em cena com seu terno azul engomado. Ele devia ter quase cinquenta anos, mas continuava afiado. Conforme caminhava pelo palco, a luz refletia no broche da lapela, produzindo um brilho dourado semelhante ao das notas fortes nas minhas partituras de piano.

Boooooooa noiteeeee, Illéa! Quero dizer que é uma grande honra participar da Seleção. Que sorte a minha: vou conhecer trinta e cinco belas mulheres! Qualquer idiota gostaria de ter meu emprego! — disse, piscando para câmera. — Mas antes de conhecer essas adoráveis damas, lembrando que uma delas será nossa nova princesa, tenho o prazer de conversar com o homem do momento, o príncipe Rafael.


Notas Finais


gostaram? até o próximo x)


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