História A Seleção - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Malhação
Exibições 57
Palavras 1.140
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Nono capítulo, boa leitura!

Capítulo 9 - Acabou


Uma semana depois, convenci Thom a aparecer na casa da árvore.

Deu um pouco de trabalho levar tudo o que eu queria lá para cima em silêncio, mas consegui. Enquanto organizava os pratos, ouvi alguém subindo na árvore.

— Bu!

Essa foi a primeira palavra de Thom, logo seguida por uma gargalhada. Acendi a vela nova que tinha comprado só para nós. Ele foi até o canto onde eu estava para me dar um beijo. Comecei a falar de tudo o que tinha acontecido naquela semana.

— Nem consegui contar sobre o dia da inscrição. — eu disse, empolgada.

— Como foi? Minha mãe disse que estava lotado.

— É uma loucura, Thomas. Você tinha que ver as roupas das meninas! E tenho certeza de que sabe que a escolha não é feita por sorteio, como dizem. Então, estou tranquila. Há garotas muito mais interessantes em Carolina que eu. Isso não vai dar em nada.

— Mesmo assim, obrigado por se inscrever. Significa muito para mim.

Os olhos dele ainda estavam focados em mim. Ele nem olhou para o resto da casa da árvore. Parecia me puxar para dentro de si, como sempre.

— Bom, a melhor parte é que minha mãe não fazia ideia da promessa que fiz a você, então me subornou para que eu me inscrevesse.

Não pude esconder o sorriso. Algumas famílias estavam dando festas para as filhas, com a certeza de que seriam escolhidas. Cantei em nada menos do que sete comemorações, duas na mesma noite, só porque sabia que o pagamento iria direto para mim. E minha mãe foi fiel à palavra dada. Era libertador ter meu próprio dinheiro.

— Suborno? Como? — seu rosto se iluminou de entusiasmo.

— Dinheiro, claro. Veja o banquete que preparei para você!

Afastei-me dele e comecei a pegar os pratos. Cozinhei mais do que o normal no jantar com a intenção de guardar um pouco para Thom. Além disso, passei dias assando bolos e tortas. Nina e eu sempre fomos viciadas em doce, e minha irmã ficou radiante por eu ter escolhido gastar meu dinheiro assim.

— O que é tudo isso?

— Comida. Eu mesma fiz.

Eu estava toda orgulhosa de mim mesma. Naquela noite, Thom finalmente ficaria de barriga cheia. Mas o sorriso dele diminuía à medida que reparava em cada um dos pratos.

— Thom, está tudo bem?

— Isso não é certo.

Ele balançou a cabeça e afastou o olhar das guloseimas.

— O que você quer dizer?

— Isabella, eu é que tenho que cuidar de você. É humilhante vir aqui e ver que fez tudo isso para mim.

— Mas eu dou comida o tempo todo para você.

— O pouquinho que sobra. Você acha que não sei a diferença? Não me sinto mal de comer algo que você não quer. Mas você cuidando de mim... eu é que tenho que...

— Thom, você sempre me dá coisas. Você cuida de mim. Guardo todas as minhas moe...

— Moedas? Você acha que tocar nesse assunto agora é uma boa ideia? Sério, Isabella, você não sabe como odeio isso? Adoro ouvir você cantar, mas detesto que todo mundo tenha dinheiro para te pagar, menos eu.

— Você nem precisa pagar! É um presente. Eu te dou qualquer coisa que me pedir!

Sabia que tínhamos que falar em voz baixa, mas não estava ligando para isso naquele momento.

— Não sou um mendigo, Isabella. Sou um homem. É minha função cuidar de você.

Thom passou as mãos pelo cabelo. Dava para notar que sua respiração estava acelerada. Ele estava pensando no que ia dizer. Mas havia algo muito diferente em seu olhar. Em vez de sua expressão ficar mais centrada, a confusão aos poucos ganhava espaço. Minha raiva passou quando o vi naquele estado, parecendo perdido. Eu me senti culpada. Minha intenção era paparicá-lo, não humilhá-lo.

— Eu te amo... — sussurrei.

Ele balançou a cabeça.

— Eu também te amo, Isabella. — disse ainda sem olhar para mim.

Peguei um dos pães que tinha feito e pus na mão dele. Thom estava faminto demais para não dar uma mordida.

— Não quis magoar você. Pensei que isso fosse te alegrar.

— Ah, Bella, eu adorei. Não consigo acreditar que fez tudo isso por mim. É só que... você não sabe como me incomoda não poder fazer o mesmo. Você merece coisa melhor.

Pelo menos ele continuava comendo enquanto falava.

— Você precisa parar de achar que eu sou assim. Quando estamos juntos, não sou uma Cinco nem você é um Seis. Somos apenas Isabella e Thomas. E não quero nada no mundo a não ser você.

— Mas eu não consigo parar de pensar assim. — Ele olhou para mim e prosseguiu: — Fui criado desse jeito. Desde pequeno sempre ouvi que os Seis “nascem para servir” e “não devem ser notados”. A vida inteira me ensinaram a ser invisível.

Thom agarrou minha mão o mais forte que pôde.

— Se ficarmos juntos, Bella, você também vai ser invisível. E não quero isso para você.

— Thomas, já conversamos sobre isso. Sei que as coisas vão ser diferentes. Estou preparada. Não sei como deixar isso mais claro para você.

Pus a mão sobre o coração dele.

— Quando você estiver pronto para pedir, estarei pronta para dizer que sim.

Era assustador me expor daquele jeito, deixar absolutamente clara a profundidade da minha paixão. Ele sabia o peso das minhas palavras. Mas, se minha vulnerabilidade o deixava mais forte, valia a pena. Seus olhos procuraram os meus. Se Thomas procurava dúvida, estava perdendo tempo. Ele era a única certeza na minha vida.

— Não.

— O quê?

— Não.

Aquela palavra foi uma bofetada na cara.

— Thom?

— Não sei como fui capaz de me iludir pensando que isso ia dar certo.

Ele passou as mãos nos cabelos de novo, como se tentasse tirar todos os pensamentos que já tivera sobre mim da cabeça.

— Mas você acabou de dizer que me ama.

— E eu amo, Bella. Essa é a questão. Não quero que seja igual a mim. Não consigo suportar a ideia de ver você com fome, frio ou medo. Não quero que você seja uma Seis.

Senti as lágrimas chegando. Ele não estava falando sério. Não podia estar. Mas antes que eu pudesse pedir que ele retirasse o que havia dito, Thom já rastejava para sair da casa da árvore.

— Aonde... aonde você vai?

— Embora. Para casa. Desculpe por ter feito você passar por isso, Isabella. Acabou.

— Quê?

— Acabou. Não vamos mais no ver. Não assim.

Comecei a chorar:

— Thomas, por favor. Vamos conversar. Você só está irritado.

— Mais irritado do que você imagina, mas não com você. Não posso fazer isso, Bella. Não posso.

— Thom, por favor...

Ele me abraçou forte e me beijou – me beijou de verdade – pela última vez antes de desaparecer na noite. E porque esse país é do jeito que é, por causa de todas as regras que nos faziam viver escondidos, nem pude gritar seu nome. Não pude dizer mais uma vez que o amava.


Notas Finais


concordam com o Thom? haha comentem e favoritem, até o próximo <3


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