História A Seleção Sem Fim - Capítulo 104


Escrita por: ~

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Categorias A Seleção
Personagens Personagens Originais
Tags A Seleção, Drama, Romance
Exibições 310
Palavras 2.706
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


EEEEE CHEGOU O CAPÍTULO NOVO!!!
Ele não é o último, mas estamos quase lá </3
Esse capítulo foi um dos primeiros em que eu pensei quando imaginei a fanfic, mas ele sofreu tantas alterações na minha mente ao longo do tempo que foi muito difícil pensar em como escrever ele de vdd. Espero que gostem.
Boa leitura <3

Capítulo 104 - Escolhida


                Até terça-feira tudo parecia um sonho. Adrian havia me pedido em casamento, mas às vezes eu custava a lembrar que isso tinha acontecido de verdade. Eu tentava me controlar para não olhar com superioridade para as outras garotas, tentava não demonstrar que sabia um segredo que elas nem imaginavam, ou talvez imaginassem.

                Mas, quando a quarta-feira chegou, tudo se tornou muito mais real. Criadas começaram a passar de um lado para o outro com tecidos para os vestidos das Selecionas. O salão de baile foi transformado em um estúdio e preparado para a cerimônia. Mesas e cadeiras eram carregadas para cima e para baixo. Não era permitida a entrada de ninguém que não estivesse cuidando da decoração no salão, mas pelo pouco que se via pela porta entreaberta tudo parecia lindo.

                Na quinta-feira todas as Selecionadas eliminadas voltaram para o palácio, pelo menos todas que quiseram. Lunna, Luce, Amélia e Natasha tinham se recusado.

                Abracei Mia com todas as forças quando a vi entrando em meu quarto. Até aquele momento eu não havia percebido o quanto sentia a falta dela.

                - Eu sabia, desde o começo eu sabia que você ia ficar até o final. – Ela disse se jogando em minha cama.              

                - Queria que você tivesse ficado também.

                Mia sorriu.

                - Sair foi a melhor decisão que tomei. Mas me diga, Adrian já deu algum indicio de que vai te escolher?

                Não consegui reprimir o riso nervoso e ela soube na hora qual era a resposta.

                - EU SABIA! Sabia que seria a nova Rainha de Illéa, conte-me tudo!

                Olhei para a porta entreaberta, tinha certeza de ter visto um vulto ali, mas poderia ser só algo da minha cabeça, ou algum criado passando ocasionalmente pelo corredor. Fechei a porta e me sentei ao lado de Mia. Contei a ela do encontro que tivera com Adrian fora do palácio.

                - Essa é minha garota! Lunna ficaria orgulhosa se soubesse disso, ainda não entendi porque ela não quis voltar.

                Minha expressão fechou, Lunna... Contei a Mia todos os detalhes, tudo o que tinha acontecido de pior no palácio enquanto ela estava fora.

                - Se não fosse você que estivesse me contando eu não acreditaria, eu juro que eu não acreditaria. Como ela foi capaz de uma coisa dessas?

                - Até hoje não descobri.

                Ficamos um instante nos encarando, eu sabia que a Seleção havia me dado muitas inimigas, mas pelo menos uma amiga de verdade eu tinha conseguido.

                - E então, como estão as coisas com você.

                - Bem... – Ela sorriu. – Acho que estou apaixonada e acho que estou sendo correspondida. Ele é dois anos mais velho e se mudou para a mesma rua onde moro faz pouco tempo. Não passamos um dia sem nos falar e quase nos beijamos uma vez...

                Ela estava feliz, isso era obvio. E eu estava feliz por ela. Mia, mais do que ninguém, merecia conhecer o amor de verdade.

                Lindsay entrou no quarto, a criada de cabelos dourados era outra pessoa que merecia muito encontrar alguém que a fizesse feliz, eu queria tornar isso possível para ela, mas não tinha como, pelo menos não até que me tornasse Rainha.

                ***

                Enfim a sexta-feira havia chegado. Eu acordara cedo, com o barulho da chuva batendo contra as portas de vidro de minha sacada, as criadas ainda não estavam no quarto e decidi apreciar esses últimos momentos corridos antes do dia que mudaria, novamente, minha vida por completo.

                Aproximei-me do vidro, o dia estava nublado, mas toda a grama do jardim e as copas das árvores pareciam de um verde surreal, mais forte do que jamais foram. Se fosse mais inteligente poderia ter visto a chuva como um mal presságio, mas eu estava ansiosa de mais com o dia que se seguiria e, mesmo a chuva, os trovões e os raios que riscavam o céu pareciam magníficos para mim.   

                Era raro chover em Angeles, poucas vezes tinha visto tempestades como aquelas no meu tempo na cidade. Em Dakota era tudo muito diferente, chovia frequentemente, mas dificilmente passava de uma garoa fina.

                - Já está acordada? – Perguntou Lindsay ao abrir a porta.

                - Sim, a chuva me acordou.

                A criada aproximou-se de Nick e observou o céu.

                - O dia está feio hoje, parece que foi feito para enterrar alguém e não anunciar um noivado.

                Sorri diante disso, eu não entendia porque as pessoas insistiam em associar a chuva com momentos tristes. Ela sempre me pareceu libertadora, algo capaz de lavar a alma e levar as tristezas embora. Não me importaria de casar na chuva.

                - Não importa para que foi feito, hoje comemoraremos a escolha da noiva de Adrian.

                - Que esperamos que seja você.  – Ela soltou uma risadinha. – Vou preparar seu banho, Kelly e Sofia já estão vindo, estão terminando seu vestido. É um alívio não termos que nos matar para acorda-la hoje.

                Permaneci parada ali até que ela avisasse que estava tudo pronto. No banheiro olhei meu reflexo no espelho da pia, eu não parecia uma rainha, nem de longe. Se alguém me mostrasse a minha imagem e me dissesse que essa garota estava a um passo de se tornar a mulher mais poderosa de Illéa eu provavelmente riria de sua cara, mas ali estava eu, me arrumando para ser escolhida como noiva de Adrian. Ele me dera sua palavra de que seria eu e eu acreditava.

                Me despi e entrei na banheira, a água estava morna. Enquanto Lindsay lavava meus cabelos eu ouvi passos apressados no quarto, Sofia e Kelly haviam chegado.

                Voltei para o quarto embrulhada em um roupão. Coloquei um dos meus vestidos preferidos, todo amarelo e fui para o Grande Salão.

                O burburinho durante o café chegara a ser insuportável, com todas as garotas querendo contar as novidades para aquelas que já haviam saído. Todas especulavam sobre quem Adrian escolheria e ninguém tinha a preocupação de medir o tom de voz.

                Mia conversava alegremente com algumas das meninas que eu não me dera ao trabalho de gravar os nomes enquanto eu me mantinha quieta. Era um dia importante, não queria estragar tudo ou me estressar com alguém.

                Passamos o resto da manhã no Salão das Mulheres, dessa vez achei interessante participar das conversas. Ninguém apostava em mim como a escolha de Adrian, mas eu já esperava isso. Depois do almoço voltei para o meu quarto, onde minhas criadas me esperavam.

                - Acho que esse é o vestido mais importante que já fizemos para você e, uma vez que provavelmente não poderemos fazer seu vestido de noiva, talvez seja o mais importante que iremos fazer algum dia. Começamos a trabalhar nele há semanas, demos o nosso melhor e esperamos que goste. – Sofia disse enquanto abria a capa negra do vestido.

                No primeiro momento tudo parecia apenas um monte de pano, mas quando me vesti fiquei sem palavras.

                Eu amava todos os vestidos que minhas criadas já haviam feito para mim, para falar a verdade eu vestiria qualquer coisa que elas costurassem, mas esse vestido estava há um nível diferente de todos os outros.

                Em meu tempo no palácio eu tivera vestidos enormes, alguns inteiramente bordados, com cores fortes e que chamavam a atenção de longe. Esse era diferente de todos os outros, era mais simples. Parecia estranho usar algo não tão chamativo para uma ocasião tão importante, mas era exatamente sua simplicidade que impressionava.

                Era azul acinzentado, ou seria cinza azulado? Eu jamais saberia responder. Longo, o tecido da era incrivelmente leve e com certa transparência, mas a camada de baixo não deixava que nada ficasse a mostra, ficava bem rente ao corpo, mas ganhava muito movimento quando eu andava. Havia uma marcação entre a parte de baixo e a de cima, um pouco acima do umbigo. E nessa parte superior o tecido, o mesmo transparente da saia, se dobrava sobre si mesmo na vertical e possuía um drapeado.

                Acima da parte dos seios o vestido tornava-se transparente, dando a impressão de ser tomara que caia e era decorado com centenas de diamantes que brilhavam discretamente com a luz. Nos braços, pouco a baixo dos ombros o tecido voltava a tornar-se acinzentado e parava pouco a baixo do cotovelo.

                Na parte de traz o tecido havia sido cortado de forma a deixar um pedaço das costas à mostra. E pedaços de tecido mais claro estavam trançados em um formato de cone.

                - É magnifico. – Falei, ainda sem saber o que dizer.

                - Queríamos algo bonito, mas que não chamasse mais atenção que a senhorita. – Kelly explicou.

                - É perfeito, eu não poderia querer nada mais que isso.

                Aquele vestido de certa forma me lembrava a mim mesma. Me representava. À olhos desatentos poderia parecer sem vida, pálido e apagado, mas se olhasse com atenção possuía certa beleza.

                Foi-me colocado um sapato cinza. Meus cabelos loiros foram divididos ao meio e presos num elaborado coque um tanto frouxo, que deixava algumas mechas escaparem. Uma tiara com pequenos diamantes em formato de flores foi colocada para finalizar e a maquiagem mais bonita que já me tinham feito.

                No horário do Jornal Oficial nos reunimos à frente das portas do salão principal. As Selecionadas que já haviam sido eliminadas já tinham entrado, assim como toda a Família Real. Eu havia visto Adrian mais cedo, ele usava as roupas oficiais de príncipe na cor branca. Eu teria ido falar com ele, dizer uma última palavra antes de sermos expostos ao mundo, mas ele conversava com a Rainha Abby.

                O tempo todo ela parecia lhe dar duros conselhos, mas provavelmente estava tentando pela última vez manipula-lo. Ela ouviu a palavra “Ruby” escapar-lhe dos lábios e sabia para quem ela estava torcendo.

                Agora só estávamos nós quatro: Mel, Daisy, Ruby e eu. Chloe havia decidido permanecer em seus aposentos, ainda fraca demais para um evento como aquele.

                Dorothy também estava, a mulher baixinha havia voltado no dia anterior para o palácio, com os cabelos bem curtos e pintados de loiro. Dava ordens a todos que via e nada parecia bom o bastante para ela.

                - Arrumem-se. Em fila. Ordem alfabética. Agora.

                Fiquei ali espremida entre Mel e Ruby, parecia o destino passar o último momento da competição com as duas. Mas agora eu não temia mais nenhuma delas, tinha força o suficiente para enfrenta-las. Eu conseguia ouvir a voz alta de Adrian, mas não conseguia entender o que ele dizia, o público gargalhou. A cada uma foi dado um microfone e as portas se abriram.

                Tudo estava claro dentro do salão e eu não conseguia ver nada por conta das outras Selecionadas a minha frente.

                - Eles chamarão uma por uma, vocês devem ir até lá e apresentar-se à Família Real e à Adrian. Talvez Gavril faça algumas perguntas para vocês, estejam prontas para isso. – Dorothy deu sua última instrução.

                Eu não tinha a menor ideia de como essas cerimônias funcionavam, mas não tinha nem passado pela minha cabeça a possibilidade de eu ter que responder perguntas.

                Daisy foi chamada e logo depois Mel. A espera me enlouquecia, mas eu tinha mais medo ainda de ser chamada.

                - De Dakota, Nickolly Hastings.  

                Os flashes embaçaram a minha visão por um momento, mas prossegui. Eu marchava sobre um tapete vermelho, olhei em volta toda a decoração era carmim e branca. Com seda nas paredes e nos encostos das cadeiras.

                Caminhei enquanto vários pares de olhos se viravam para me ver, quase todas as Selecionadas que tinham participado, conselheiros da família real e outras pessoas importantes da corte. Eu não conhecia a maioria e isso me assustava.

                Gavril estava no fim do Salão, numa plataforma mais elevada, ele estendeu a mão para me ajudar a subir. O cumprimentei e então parei a frente dos tronos da Família Real, fiz uma reverência demorada e me aproximei de Adrian que beijou suavemente a minha mão, voltei para Gavril.

                - E então, Nickolly, como está se sentindo hoje?

                - Eu estou nervosa. – Falei, sem conseguir conter o sorriso.

                - Mas parece bem feliz, não?

                - Claro que estou. Quando vim para cá ninguém acreditou que eu pudesse chegar perto da coroa, mas olhe onde estou agora! – Eu não conseguia conter as palavras, pareciam de outra pessoa e não minhas.

                - Então você acredita que pode ser escolhida hoje? E que isso pode acontecer independente de ter sido uma Seis? – Não havia tom de deboche em sua voz.

                - É claro. – Ouvi alguns risinhos abafados, talvez um tivesse partido da própria Rainha, eu não me importava. – A casta não deve jamais definir quem as pessoas são e elas devem ter as mesmas oportunidades independente delas. Sei que Adrian não irá se ater a um pequeno detalhe como esse para escolher sua noiva e, se caso isso realmente importasse para ele, então de qualquer forma ele não seria o homem que eu escolheria para passar o resto da minha vida ao lado. – Eu sabia que todos achavam que eu estava estragando qualquer resquício de chance ao dizer isso e, no fundo, também sabia que não devia ter dito aquilo, mas era uma transmissão ao vivo para toda Illéa, sem nenhum corte e, de alguma forma, me pareceu importante dizer aquilo ao país, mesmo que a maioria das pessoas apenas rissem daquilo, talvez uma ou duas pudessem mudar seu jeito de ver as coisas.

                Gavril pareceu meio sem jeito e pediu que eu fosse para o meu lugar, uma das quatro cadeiras vermelhas ao fundo, do lado contrário aos tronos.

                Ruby foi a última a ser chamada, respondeu ás perguntas de Gavril de forma longa e tediosa, provavelmente achou importante ressaltar várias vezes o quanto amava Adrian e quantos sacrifícios estava disposta a fazer pela nação.

                 O show prosseguiu, Gavril continuou conversando com Adrian, que agora era novamente o centro das atenções. Ele mostrou o anel que escolhera, aquele em formato de lágrima que eu já tivera o prazer de experimentar.

                - Ele é perfeito para minha escolhida. – Acrescentou e eu não pude deixar de sorrir.

                - Então mostre a nós, você já nos disse as doces palavras sobre como a ama. – Eu odiava ter perdido essa parte. – Agora conte para nós quem é.

                Adrian sorriu, em um relance eu vi os dedos da rainha ficarem brancos com a força que ela fez ao apertar o braço de sua cadeira ornamentada. A descrença foi visível em seus olhos quando Adrian se ajoelhou diante de mim. Minha atenção se voltou inteiramente para ele e eu sabia que a partir dali sempre estaria voltada para ele.

                - Sei que já te perguntei e jamais esquecerei sua resposta enquanto estávamos a sós. Mas quero fazer essa pergunta na frente de toda Illéa, para que sejam testemunhas de nosso amor. Nickolly Hastings, você aceita se casar comigo?

                As palavras ficaram presas em minha garganta, eu queria dizer sim e todos os seus sinônimos, mas me limitei a balançar a cabeça, eu estava emocionada demais para dizer qualquer coisa. Adrian colocou o anel em meu dedo e eu me levantei.

                Nos beijamos, não fora nada comparado a como tinha sido quando ele me pedira ao pôr do Sol, quando apenas nós dois podíamos dizer o que havia acontecido, mas eu aceitei seu beijo enquanto tentava ignorar as câmeras que nos gravavam em todos os ângulos possíveis e impossíveis, aquele provavelmente seria um registro histórico.

                Adrian segurou a minha mão e começou a me puxar para perto de Gavril, eu estava feliz, mas aquilo só durou um segundo. Um barulho alto rasgou o silêncio que a escolha de Adrian tinha deixado e sua mão abriu-se, ele não tinha mais força. Outro baque quando ele caiu no chão, o sangue escorrendo por todo o lado e manchando o piso branco.

                Olhei para trás, parado no meio do tapete vermelho estava um guarda, com uma arma apontada. Ele sorria, não, mais que isso: ele gargalhava.

                O som de sua risada foi tudo o que eu ouvi enquanto eu me abaixava para olhar para Adrian, para ver se ele estava bem, mas não, não estava.

                Ele me olhou uma última vez, mas seus olhos tornaram-se nublados e eu sabia que ele já não via mais nada. Sua respiração parou, foi tudo muito rápido, não houve últimas palavras, apenas a gargalhada do guarda enquanto ele era arrastado para fora do salão.


Notas Finais


(Por favor não me matem depois desse capítulo, obrigada)
Eu não vou falar mt coisa aqui hoje não, só uma perguntinha básica: Vcs leriam um fic original minha? Realmente estou pensando nisso pra curar o vazio que ASSF vai deixar (na vdd já tenho dois capítulos quase prontos). O que vocês achariam disso? Não seria focado em romance e seria algo totalmente diferente dessa fanfic.
- Não é certeza que vou continuar realmente, pq amanhã eu posso acordar achando que a ideia é uma droga e decidir apagar tudo, mas é uma possibilidade.


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