História A Semana Em Que Te Conheci - KaiSoo - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kai
Tags Exo, Jongin, Kai, Kaisoo, Kim, Kpop, Kyungsoo
Exibições 42
Palavras 4.944
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Hentai, Lemon, Orange, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - "Sexta-feira"


"Sexta-feira"

Eu não tinha planos para aquela sexta-feira.

O dia parecia estar negro lá fora. O clima estava tão sombrio que até dáva medo apenas pensar sequer em sair de casa. O vento batia violentamente contra a madeira das minhas janelas, assim como a neve acumulava-se ainda mais entre as suas ranhuras, formando gelo e pequenos cristais. Mesmo que toda a cidade estivesse altamente colorida devido às decorações natalícias, parecia que estavam apenas a disfarçar o facto do céu se esconder atrás de nuvens colossais e assustadoras.

Mas eu sabia da tristeza que o inverno trazia, e não me iludia com mentiras e farsas coloridas e alegres. O inverno faz-nos pensar na vida – ou até no que fazemos aqui.

Eu, por exemplo, penso na familía que já não tenho. Nos momentos que passei com a minha mãe e com o meu pai verdadeiro – como quando na primavera iamos todos juntos a uma gelataria, onde eu gostava de me sujar todo com gelado de chocolate somente para fazê-los rir. Aliás, eu era uma criança tão feliz e inocente que nunca me preocupava com o facto de os meus pais estarem sempre a discutir. Para mim, aquilo já era normal. Porém, após sofrer um acidente no trabalho, a minha mãe finalmente ficou livre do meu pai; já que eles só estavam juntos por minha causa. Desde então, a minha progenitora arranjou outro homem; casaram-se e tiveram uma nova familía – uma em que nem eu nem o meu pai existiamos.

A minha mãe abandonou-me tal como abandonou o meu pai, deixando-me à driva neste mundo sem quaisquer ajuda.

No entanto, por mais que estes pensamentos do passado ainda me assombrassem, eu já não estava tão concentrado neles. O rosto de deprezo da minha mãe; a campa aberta do meu pai; os meus pesadelos a meio da noite – já nada disso me incomodava de uma forma insana como antes, onde eu chorava durante noites por ter sido colocado neste mundo de injustiças.

Agora, a minha mente, naquela noite fria e deprimente de inverno, não parava de pensar em ninguém menos do que o solitário Kim Jongin.

Por muito que só se tivessem passado apenas dois dias, eu estava confuso. Tinha a certeza de que ele tinha percebido a minha 'indireta', e de que ele voltaria para me ver; de preferência rapidamente. Mas ele não o fizera. Então, naquela tarde de sexta-feira, a única coisa que me consolara fora uma caneca de chocolate-quente, uma manta e um bom livro – aquele que eu à muito tempo queria ler. Para quê estar a deprimir-me quando já estava habituado a ser abandonado sem razão? Afinal, eu só estive um dia com ele, e aquilo não podia ser mais nada se não atração física. Eu apenas alimentara esperanças, estas que eram falsas.

É claro que havia algo dentro de mim que ainda bombeava de ansiedade. Mesmo que ele não batesse à minha porta, e nunca mais voltasse a aparecer à minha frente, eu ainda seria um completo iludido – à espera do belo príncipe encantado que me salvara dos vilões da história. Aquele que me tirara da escuridão da vida, fazendo-me rir e sorrir com apenas a sua presença e humor brilhante. Talvez o Kim Jongin fosse as minhas tais luzes natalícias; aquelas que alegravam a vida de toda a gente no meio de um inverno tão triste. Aliás, talvez ele fosse o meu Natal; aquele que eu sempre quereria que aparecesse, e esperaria por dias – ou até semanas – apenas para apreciar a sua existência num curto espaço de tempo.

É, talvez eu estivesse mais perdido sentimentalmente do que pensava, já que não conseguia ler o meu livro; não tinha fome para beber o meu delicioso chocolate-quente; nem a manta que me cobria totalmente me conseguia aquecer por inteiro. Eu estava imerso naquele desconhecido tal como nunca estivera antes. Nunca ninguém conseguira retirar todos os meus problemas em tão pouco tempo, quanto mais uma pessoa que eu quase não conhecia. E, por uns momentos, tive vontade de chorar novamente. Chorar por estar sempre a ser abandonado – ou simplesmente chorar por nunca mais ter a oportunidade de voltar a ver uma pessoa com o Jongin.

Porém, de repente, os meus olhos arregalaram-se ao ouvir um leve bater na minha porta, e ao mesmo tempo o meu coração deu um pulo tão grande que quase me saiu pela boca. Lentamente, ainda devido ao susto, dirigi o meu olhar para o objeto de madeira, à espera de mais algum movimento. Eu podia estar apenas a ficar maluco devido à ansiedade, e aquele som podia ser apenas uma brincadeira da minha mente; não sabia. Mas as minhas respostas mentais foram todas respondidas ao ouvir novamente o comum "toc toc", com um "Kyungsoo-hyung? Está alguém em casa?" incluido, mesmo por trás da minha tão famosa porta. O meu coração acelerou mais uma vez, e rapidamente corri até à entrada da minha casa. Eu já sentia o suor por entre os dedos das minhas mãos ao rodar desajeitadamente a chave e movimentar a maçaneta. E no mesmo instante em que o meu corpo entrou em contacto com o vento frio do lado de fora, o meu olhar incidiu contra o do sujeito que se encontrava lá.

Era, obviamente, o único e precioso Kim Jongin.

"Olá hyung." – cumprimentou-me com aquele sorriso que eu nunca pudera me esquecer, fazendo movimentar também o cachecol que lhe protegia o queixo – um prazer ver-te mais uma vez."

"O-Olá Jongin." – eu não conseguira evitar gaguejar. Eram demasiados sentimentos a deslizar e a gritar dentro de mim: felicidade, nervosismo, alívio. Eu apenas queria que ele nunca mais se fosse embora da minha vida, ao mesmo tempo que desejava nunca ter conhecido um Deus Grego como ele – "Não esperava ver-te a esta hora... Está está tão escuro." – admiti com sinceridade.

"Como estava a passar por aqui, decidi fazer-te uma visita." – mais uma vez aquela expressão calorosa apareceu, fazendo-me corar; perguntei para mim mesmo como é que ele conseguia nunca se cansar de sorrir – "Mas podias deixar-me entrar? Está muito frio aqui fora! Juro que nunca vi tanta neve na minha vida!"

Sem mais demoras deixei-o entrar na minha casa, desviando-me para ele o fazer. Se fosse outra pessoa qualquer eu já lhe tinha gritado por sujar o meu tapete com as botas repletas de lama e neve, mas como era o Kim eu estranhamente não me importei. Ele tirou o casaco enorme que trazia consigo, e eu ajudei-o a pendurá-lo no cabide que estava atrás da porta – um dos indícios da minha exagerada arrumação. Os nossos dedos tocaram-se levemente quando eu peguei na sua peça de roupa, mas tentei ao máximo não corar com o acto, por eu já estar excessivamente vermelho. Ofereci-lhe umas pantufas que eu só usava para visitas – mesmo nunca as tendo – e aí pude finalmente arrumar aquelas botas que já haviam destruído dois tapetes só com a sujidade.

"A tua casa é pequena, mas é acolhedora. Gosto muito de lugares assim." – enquanto ele observava alguns quadros e fotos que se localizavam em cima da minha lareira, eu ia preparando duas chávenas de café para ambos; pois a cozinha era tecnicamente agarrada à sala – "Faz-me lembrar uma casa tipicamente canadiana."

, eu comprei-a por esse mesmo motivo. Pensei que fosse ser bem quente no inverno." – expliquei-lhe ao mesmo tempo que pousava as duas chávenas, já com o líquido lá dentro, em cima da mesa de centro – "E é. Mas no verão o calor é insuportável. Às vezes tenho até de ir passear só para não ser cozido vivo cá dentro." – o Kim riu-se da minha história, fazendo-me também dar uma gargalhada. O riso dele era tão agradável, e preenchia aquele ambiente desagradável com uma aura quase angelical.

a tua família?" – ele perguntou, apontando para uma moldura que estava sobre uma cómoda – "Eras tão pequenino!"

Fiquei sem palavras ao ver a felicidade no seu rosto por ver a minha idade naquela fotografia – esta que fora tirada na altura em que eu ainda vivia com o meu pai e a minha mãe. Por instantes um vazio preencheu o meu peito, como se lhe pedisse silenciosamente para não olhar para aquela imagem. Aquele rapazinho sorridente não era o Do Kyungsoo que ele conhecera naquela noite de pânico – era uma versão muito mais inocente e feliz, que vivia uma vida sem preocupações e arrependimentos. Eu não queria que ele visse que o 'eu' de agora era apenas um bocadinho que sobrara daquela altura, tendo piorado muito. Eu não podia iludi-lo daquela maneira.

"Era a minha família." – sussurrei, dando ênfase na primeira palavra. Encarei o chão enquanto me sentava no meu sofá, apenas para não ter de ver o seu rosto repleto de curiosidade. Eu apenas não queria ter de falar sobre aquilo com ele; pelo menos não naquele momento.

"Não tens de falar sobre isso se não quiseres." – ele surpreendemente parecia ter compreendido a minha dor, e sentou-se ao meu lado, pegando-me na mão ao falar – "Não vou tocar em assuntos que podem ser importantes para ti. Mas espero que saibas que eu estarei sempre aqui para ouvi-los, caso precises."

O Jongin era alguém que eu nunca tivera em toda a minha vida. É verdade que eu tinha três ou quatro amigos – não muito próximos, mas eram –, porém nenhum deles me tratava daquela maneira tão gentil. Aliás, acho que durante todos estes anos eles só serviam apenas para eu não me nomear a mim próprio de 'sozinho' ou de 'anti-social'. Talvez até para eu não enlouquecer no meio de tanta angústia. E o Jongin era o total oposto de todos eles: sempre disposto a ajudar-me, carinhoso, engraçado e até bastante divertido. Ele era uma espécie de novidade em todos os meus vinte e dois anos de idade – uma novidade a qual eu não sabia como reagir perante tanta amizade. E eu queria muito habituar-me àquela amizade – talvez até aprofundando-a e tornando-a infinita.

"Obrigada Jongin... Tu és realmente uma boa pessoa." – fiz-lhe um meio-sorriso, querendo também poder dizer-lhe que podia também contar sempre comigo – "Eu estou realmente muito agradecido por tudo o que tens feito por mim."

"Agradecido? Não há nada pelo o que tenhas de agradecer." – ele riu-se enquanto pegava numa das chávenas com café, levando-a à boca com o líquido ainda a deitar fumo por estar quente – "Eu não fiz nada de especial. Eu é que devia estar agradecido." – completou, após beber um gole.

claro que estou! Tu ajudaste-me naquela noite, abrigaste-me mesmo sem saber nada sobre mim e até estás a ser compreensivo comigo." – exclamei com os meus olhos naturalmente arregalados, bebendo também um pouco do meu café, e de seguida queimando um pouco a língua – "Porque é que raio tu é que devias estar agradecido?"

"Porque te tornaste meu amigo, hyung. Isso para mim é muito mais valioso do que todas as coisas que eu já te fiz."

A sala ficara completamente silenciosa perante aquela frase inundada de significados. Ele fizera com que eu ficasse sem palavras para dizer o que quer que fosse, depois daquele momento constrangedor – tanto que eu acho que os poros da minha pele mudariam de cor por completo, depois de tanto serem coloridas de vermelho. Ele continuou a beber o seu café em silêncio, como se nada tivesse acontecido, e eu apenas encarava as bolinhas que passeavam pela superfície do meu. Eu estava demasiado envergonhado para continuar uma conversa a partir daquele momento. O que é que eu diria depois de uma frase tão bonita como aquela?

"Hyung." – a sua voz fez-me acordar do meu transe, e encarei-o com a surpresa refletida no olhar – "Pareces não estar num bom dia. Queres ir dar uma volta?" – perguntou com um meio-sorriso sugestivo, fazendo-me franzir as sobrancelhas de curiosidade.

♡♡♡

"Jongin... Tu tens a certeza de que me queres levar para aqui?"

Eu nunca esperaria que o Jongin me levasse para aquele local. Quer dizer, eu nunca pensei sequer que ele tivesse uma cara ou personalidade de alguém que frequentasse aquele género de sítios. Apesar de muito intelectual, ele era bastante animado devido à sua idade. Mas eu acho que esse facto não fazia com que ele tivesse de me levar especificamente ali: a uma das discotecas mais famosas da cidade, e ainda por cima que tinha uma popularidade muito negativa por possuir um público jovem e perigoso.

"Porque não? Tu precisas de te animar e divertir, hyung. Nada melhor do que dançar e beber umas bebidas para deixar os maus pensamentos irem embora." – ele respondeu, fechando o seu casaco até ao queixo, já que a fila para o estabelecimento era do lado de fora e nevava levemente – "Dançar é muito bom, acredita."

"Tu gostas de dançar?" – perguntei com curiosidade.

"Se eu gosto?" – ele deu uma pequena gargalhada sarcástica, e esfregou as duas mãos uma na outra para se aquecer – "Eu danço desde os oito anos de idade. É a minha maior paixão, assim como é ela me salva dos meus dias tristes."

"Quer dizer que és um dançarino profissional?" – prolonguei com um sorriso e com um brilho no olhar, pois queria saber o que é que ele fazia da vida; uma informação que ainda não me havia sido dada.

"Não." – a sua voz ficara fria e seca de repente, surpreendendo-me – "Sou apenas mais um estudante universitário da faculdade de ciências."

A maneira de como ele proferira aquela frase era quase como se ele a cortasse ao meio apenas com o seu tom repleto de ódio. Ao ditá-la, era como se ele quisesse que o seu significado morresse e que aquilo não fosse verdade – e talvez ele realmente não quisesse. Porém, o que eu mais estranhara era o facto dele o ter dito de uma maneira tão rápida e automática, quase como se já estivesse habituado a referir sempre o seu sofrimento. O seu olhar escurecera; o seu sorriso desaparecera. Aquele de certeza que era um dos seus pontos fracos, e fora eu que o incentivara a citá-lo mais uma vez. Eu não queria que ele se sentisse mal, por isso peguei numa das suas mãos geladas e sorri – fazendo-o olhar também para mim.

"Não és só tu que me tens de ajudar. Aliás, não tens de estar sempre a ter 'dias maus' sozinho. Agora eu também estou aqui caso queiras desabafar, Jonginnie."

Fora a primeira vez que eu o vira corar tanto – e tinha a certeza que desta vez não era devido ao frio do inverno. Eu ainda não sei porque o tratei com aquele nome tão carinhoso – talvez fosse apenas por instinto. Ou porque eu secretamente também sempre desejara fazê-lo. Mas uma coisa eu tinha a certeza: ele ficara grato com o facto de também poder contar sempre comigo, assim como eu sempre contaria com ele. Amigos serviam para essas coisas, certo? Ambos sorrimos, sem reparar ainda no contacto que as nossas mãos faziam.

"Obrigada, Soo-hyung... Eu n-"

"Ei, amigos, viadagens só lá dentro. Podiam ao menos andar?"

Uma voz de um rapaz atrás de nós fez-nos acordar do nosso 'mundinho colorido', e reparámos que já se tinha passado muito tempo, já que era finalmente a nossa vez de entrar dentro da discoteca. Rimo-nos da nossa estupidez, fazendo o guarda que estava à porta revirar os olhos ao pedir as nossas identificações. Por fim, o Kim puxou-me para dentro, envolvendo o meu pulso com a palma da sua mão. O som característico de uma música altíssima sem quaisquer sentido foi a primeira coisa a incomodar-me – seguida das luzes exageradamente coloridas e fracas, assim como o terrível cheiro a tabaco, drogas e bebidas alcoólicas extremamente fortes. Eu não estava nada habituado a lugares como aquele, repletos de animação, dança, bebedeira e sexo. Só de ver as pessoas nas pistas de dança a roçarem-se umas nas outras me estava a dar um enjoo enorme; não porque achava o acto nojento, mas sim por nunca ter visto cenas daquelas tão pessoalmente. Eu era daquele género de pessoas que trocaria uma noite de sexo por um bom livro; ou um copo de vodka por um bom café. E o mais estranho é que fora o Jongin a sugerir aquele sítio – porque é que raio ele gostava de ir a um lugar daqueles apenas para dançar?

"Hyung! Estás bem?!" – ao ver a minha cara adoentada, o meu amigo virou-se para mim com uma expressão preocupada – "Não pareces nada bem!" – gritou devido à música alta.

"E-Eu não estou habituado a lugares assim...!" – tentei também falar alto, tocando com uma mão na minha cabeça por esta doer – tudo muito barulhento, e o cheiro a bebidas é muito forte!"

"Não te preocupes, daqui a pouco já te habituas!" – ele exclamou com um sorriso malandro – "Anda, o que tu precisas é de uma bebida." – e sem eu poder responder, ele arrastou-me para o bar, onde só estavam algumas pessoas sentadas.

Sinceramente, o bar até era muito bonito. Ao contrário do resto da discoteca, as luzes dali eram apenas avermelhadas, dando ao local uma aura calma e um pouco romântica, apesar da música eletrónica que bombeava atrás de si. Os bancos que se situavam à frente do balcão eram vermelhos com bases douradas; e as estantes onde mostravam as tabelas dos preços e algumas garrafas de bebidas eram decoradas com espelhos – estes que eram emoldurados com figuras igualmente douradas e refinadas. Era como se aquela área não pertencesse ao resto do estabelecimento, de tão chique que parecia. Fiquei um pouco menos enjoado só de estar ali.

"Vais beber o quê?" – perguntei-lhe quando já nos tinhamos sentado, à espera que algum dos empregados fosse ter connosco.

"Não faço ideia." – ele respondeu com uma expressão confusa extremamente adorável, fazendo um biquinho infantil com a boca – "Ei, desculpe! Podia dar-me dois copos daquela bebida?" – ao chamar a atenção de um dos funcionários, apontou para o que uma mulher a poucos metros de nós estava a beber. O homem apenas acenou positivamente, e minutos depois já tinhamos o tão esperado líquido à nossa frente, com alguma espuma a flutuar na superfície. Era uma bebida rosa, bastante rosa até, e parecia ter um aspeto altamente suspeito.

"Jongin... Eu não sei se vou conseguir beber isto." – admiti, com medo até de pegar no copo e levá-lo à boca.

"Mas cheira bem!" – numa tentativa de me convencer, ele cheirou um pouco do aroma da bebida, provando-a um pouco de seguida – boa! Prova, hyung! Sabe a fruta ou algo parecido."

Depois de dar o meu primeiro gole, admito que não estava a conseguir parar. O sabor era bastante bom, e descia facilmente pela minha garganta abaixo, arranhando-a com a sensação de que estava muito fria. A minha língua parecia arder pelo líquido ser bastante concentrado em alcóol, mas havia algo em mim que não queria impedir-me de a parar de beber. Até parecia que o bar estava cada vez mais bonito, e a música cada vez mais distante, dando lugar às doces palavras que o Jongin me dirigia.

boa não é?" – perguntou com um sorriso, fechando os olhos.

"Muito boa." – assenti, dando mais um gole da bebida.

Não me lembro muito bem, mas devo ter bebido mais de cerca de seis copos, porque estava a sentir-me literalmente a flutuar quando comecei a andar com o Kim até à pista de dança. Por alguma razão, a música, os cheiros e o ambiente em si já não me incomodavam tal como no início – agora eu só estava concentrado no Jongin, este que conseguia dançar tão sensualmente que até envergonhava todos os ali presentes. Questionei-me a mim mesmo como é que um rapaz mais jovem que eu conseguia mover a anca de uma maneira quase ilegal para os meus olhos – eu estava praticamente a babar pela visão que estava a ter. Com isso, tentei ao máximo também conseguir dançar pelo menos alguma coisa básica, movimentando-me ao som da música tal como as restantes pessoas da pista. Naquele momento pareceu-me não estar muito mal, e com isso tive coragem de me aproximar mais do Kim e dançar colado a ele; talvez para espantar todas as vadias que se queriam esfregar nele, por estar tão sexy.

Eu não estava a ter a completa noção do tempo, mas parecia que tinha dançado durante horas. Não apenas eu, mas também o Jongin, que, mesmo depois de tanto tempo, ainda não se cansara de mexer e até de cantar. Eu acompanhava-o com dificuldade, tendo um sorriso no rosto e os olhos totalmente fechados para poder captar todas as boas sensações. Ter as mãos dele a segurar a minha cintura era um sentimento mágico; e poder pousar a minha cabeça no seu ombro também. Eu estava completamente imerso em adrenalina e numa felicidade sem sentido – e essas emoções só aumentaram depois de abrir os olhos e encarar um Kim obviamente com a visão presa na minha boca.

Parámos ambos de dançar por nos estarmos a fixar um ao outro intensamente, como se analisássemos em silêncio cada defeito e perfeição dos nossos rostos; isto até o Jongin tomar iniciativa e aproximar os seus lábios nos meus, roçando-os lenta e torturosamente, pedindo passagem com a língua. Ao sentir o calor a subir-me pela face, agarrei-me ao seu pescoço envolvendo-o com os dois braços, aprofundando a nossa intimidade. Era um beijo fogoso e desajeitado, onde por vezes os nossos dentes batiam uns contra os outros ou até onde existiam alguns sorrisos entre ele. No entanto, eu estava demasiado preso em toda aquela felicidade. A única coisa que eu conseguia sentir eram os seus toques carinhosos, o contacto sensual entre as nossas bocas e a suavidade dos fios do seu cabelo, quando eu lhe tocava com a ponta dos meus dedos. A música tinha parado, assim como toda a multidão ao nosso redor havia desaparecido. Só restavamos nós dois, aquele beijo, e a necessidade de algum amor entre nós.

Quando comecei a ficar com falta de ar, tanto pelo calor como pelo beijo, separei os meus lábios dos seus, e escondi a minha cara no seu peito, para que ele não me visse envergonhado. Parecia que aquele beijo me tinha feito ficar sóbrio novamente, e só ali é que consegui ver o acto vergonhoso que acontecera entre nós. Agarrei na sua camisola firmemente, e cerrei os olhos com força, tímido com a situação anterior. Ele apenas sorriu, e pegou no meu queixo, fazendo-me elevar a cabeça novamente – eu corei, e ele deu-me um beijo leve, apenas selando os nossos lábios. Depois separou-nos, agarrou na mão e puxou-nos para fora daquela multidão, indo contra tudo e todos apenas para chegarmos à saída do estabelecimento.

Eu estava nervoso.

♡♡♡

"Hyung... És tão lindo."

A minha cama parecia mil vezes confortável ao ter o Jongin nela. O tecido grosso dos meus lençóis era agora excessivamente quente, deixando as minhas costas e nuca quase suadas apenas com o seu contacto – e o do Kim. O meu quarto sempre gelado devido à falta de um aquecedor não era mais o mesmo. E o silêncio que praticamente já morava naquela casa havia desaparecido; sendo trocada pelas palavras doces do meu dongsaeg, assim como o som do deslizar das suas mãos pela minha pele, tocando-a – sentindo-a – aos poucos com cuidado. Os casacos, camisolas, e todas as roupas de inverno que antes nos envolviam o tronco estavam praticamente todas no chão do meu quarto arrumado, sendo que outras apenas iam deslizando da cama para a superfície do mesmo. Eu contia a minha voz, não querendo dizer coisas das quais me iria arrepender depois – por isso os meus gemidos não passavam de barulhos arrogantes que ficavam presos apenas entre a minha língua e dentes, não deixando de ser excitantes para o meu parceiro. Já o Jongin ia sussurrando frases de amor, enquanto saboreava a pele do meu pescoço, masturbando-me com uma mão e tocando nos meus mamilos com outra; torturando-me com o facto de ele ser tão bom com aquilo que fazia.

"P-Pára com isso. Eu não sou lindo." – tentei argumentar com os últimos vestígios de sanidade mental que ainda me restava.

"Não sabes o que dizes." – ele respondeu com um riso anasalado – "O teu corpo, personalidade... Tudo em ti é simplesmente perfeito." – sussurrou ao lamber a área à volta do meu umbigo e mordiscando, fazendo-me arrepiar com o toque.

"H-Hum...! Não faças isso...!"

"Não te contenhas, Soo-hyung." – a sua mão deslizou para as minhas calças, abrindo o seu zíper lentamente, expondo os meus boxers brancos já marcados com um pouco de pré-gozo – "Eu quero ouvir a tua voz, os teus gemidos, tudo o que existir em ti." – retirou aquela peça de roupa incomoda do meu corpo, deixando-me quase exposto – "Por favor, chama por mim tal como eu vou chamar por ti."

Eu não aguentava tantas provocações – e a minha voz já se elevava a um nível já bastante audível para os meus vizinhos; mas eu não me importei. Estava meio bêbedo, meio sóbrio, e o que os meus vizinhos iriam pensar de mim nos dias seguintes realmente não me pertubava. Era muito melhor gemer em voz alta pelo facto do Jongin estar a abusar do meu membro do que me conter, tal como antes fazia. A minha voz ora saía em fios quase mudos, como conseguia ser um berro bastante sensual, mal ele me tocava num lugar mais sensível. Praticamente enlouqueci ao sentir a sua língua nas minhas partes íntimas, não deixando de me contorcer de prazer. Eram sensações novas e a bombearem dentro de mim, com o calor a fervilhar na minha virilha – e no resto do corpo, obviamente. Eu não sabia onde colocar as mãos, então em desespero simplesmente agarrei nos fios macios dele, tocando-os e acariciando-os; e também incitando-o a ir mais depressa naquilo que fazia.

"J-Jonginnie... Mais rápido...!"

O meu corpo estremecia a cada mínimo movimento feito por ele, e finalmente gozei na sua boca no momento em que ele passou a língua pela minha glande sensível. Vê-lo engolir todo o esperma, restando apenas um fio desse líquido no canto da sua boca, foi a visão mais linda que já tinha visto na minha vida – sinceramente, quem não gostaria de ver um homem sexy, com uma expressão angelical e satisfeita no rosto, a engolir o esperma por quem ele tanto lutou para dar prazer?

"Kyungie... Eu estou feliz por te ter conhecido." – a sua voz rouca era digna dos anjos, incluido o seu olhar doce, mas repleto de doçura – "Quero estar sempre contigo."

"J-Jongin..." – gaguejei devido à falta de ar pelo recente orgasmo – "Eu também... Desde a primeira vez que te vi." – sorri, acariciando o seu rosto com uma das minhas mãos, passando o polegar pela área debaixo do seu olho – "Talvez eu te ame desde aí." – admiti por fim, sentindo a suavidade da sua epiderme escura e atraente.

O seu olhar passou por várias fases, uma delas de surpresa e outra de felicidade. O seu sorriso parecia não caber no seu rosto, assim como espantosamente uma lágrima deslizou da sua bochecha desde o seu olho. Ao mesmo tempo que soluçava, abraçou o meu peito nu, juntando-o ao seu – este parecia estar tão quente como o ambiente da minha casa no verão. Eu senti-me prestes a chorar também – igualmente não de tristeza, mas sim por ter encontrado alguém que poderia amar-me com a mesma intensidade com que eu o amava. Coloquei a minha cabeça no seu ombro e permiti-me desfrutar do seu cheiro doce, ainda com um leve toque a bebidas alcóolicas. Ainda era tudo ainda tão inacreditável, a história entre mim e o Jongin. Nunca pensara sequer em apaixonar-me em menos de uma semana por uma pessoa como ele, quanto mais declarar-me minutos antes de fazer-mos amor. Mas como costumam dizer, o futuro nunca terá um caminho certo.

..." – ele suspirou antes de me encarar com os olhos brilhantes, e com um sorriso de tirar palavras – "... Eu também estou apaixonado por ti, hyung. Desde o primeiro segundo." – ele roçou o seu nariz no meu, como uma espécie de demonstração de carinho – "Estou realmente feliz por te ter salvo. Foi a melhor escolha da minha vida."

Fora a minha primeira declaração de amor, assim como a primeira vez que eu expressara os meus sentimentos com tanta clareza. Depois disso tive a noite mais importante da minha vida – passada com o homem que eu mais amei. Nunca me irei esquecer de todas as sensações, cheiros, sons, texturas que pressenti naquele momento inesquecível. Testemunhar a nudez do Kim, ouvir os seus gemidos roucos chamando por mim, deliciar-me com as suas declarações sabendo que eram verdadeiras – tudo isso completava todos os anos em que eu sempre estivera sozinho e nunca recebera amor de ninguém.

Antes de adormecer nos braços igualmente suados do Jongin, pensei no facto do meu pai ter carinhosamente cuidado de mim até à sua inesperada morte; e de como este podia ter-se preocupado depois com o facto de eu sempre ter estado sozinho.

Mas eu espero que ele possa finalmente descansar em paz. Eu agora sou feliz porque tenho o Jongin ao meu lado – e juntos poderemos de certeza ultrapassar todas as barreiras incomodas da nossa vida.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...