História A sereia - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias A Sereia, Sou Luna
Visualizações 38
Palavras 1.866
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi amorecos olha eu aqui reescrevendo para vocês. Espero que gostem

Capítulo 1 - 01


É ENGRAÇADO PENSAR NAS COISAS A QUE NOS APEGAMOS, nas coisas de que lembramos quando tudo

acaba. Ainda consigo ver os painéis nas paredes da nossa cabine e recordar com precisão como o

carpete era macio. Lembro do cheiro da água salgada permeando o ar e grudando na minha pele, e o

som das risadas dos meus irmãos no outro quarto, como se a tempestade fosse uma aventura

emocionante em vez de um pesadelo.

Mais do que qualquer sentimento de medo ou preocupação, pairava no ambiente um ar de irritação.

A tempestade acabara com nossos planos; não haveria dança no convés principal naquela noite.

Essas eram as desgraças que assolavam minha vida, tão insignificantes que dava quase vergonha de

admiti-las. Mas isso foi há muito tempo, quando a minha realidade parecia ficção de tão boa que era.

— Se esse chacoalhar não parar logo, não vou ter tempo de ajeitar o cabelo antes do jantar —

minha mãe reclamou.

Levantei os olhos para ela do lugar em que estava, deitada no chão numa tentativa desesperada de

não vomitar. O reflexo dela no espelho lembrava um cartaz de cinema, e para mim as ondas de seu

cabelo pareciam perfeitas. Mas ela nunca ficava satisfeita.

— Você tem que levantar do chão — ela continuou, baixando os olhos para mim. — E se algum

empregado entrar?

Caminhei com esforço até um dos divãs, como sempre fazendo o que me mandavam, embora não

considerasse aquela posição necessariamente mais digna de uma dama. Fechei os olhos, rezando

para a água se acalmar. Eu não queria ficar enjoada. A nossa jornada até aquele último dia tinha sido

bem comum, apenas uma viagem de família do ponto A ao B. Não consigo lembrar para onde íamos.

Mas lembro que viajávamos em grande estilo, como de costume. Éramos uma das poucas famílias

sortudas que sobreviveram à Grande Depressão com a fortuna intacta — e minha mãe gostava de

deixar isso bem claro para as pessoas. Assim, estávamos alojados numa suíte bonita com janelas de

tamanho considerável e mordomos particulares ao nosso dispor. Eu cogitava chamar um deles pela

campainha e pedir um balde.

Foi então, no meio daquele torpor do enjoo, que ouvi uma coisa. Soava quase como uma cantiga de

ninar distante, que me deixou curiosa e, por algum motivo, com sede. Levantei a cabeça e vi minha

mãe fazer o mesmo, procurando o som. Nossos olhares se encontraram por um instante; ambas

precisávamos garantir que o que ouvíamos era real. Quando percebemos que não estávamos

imaginando coisas, voltamos a nos concentrar na janela para escutar. A música era de uma beleza intoxicante, como o efeito de um cântico sobre devotos religiosos.

Meu pai enfiou a cabeça pela porta do quarto. Seu pescoço trazia um curativo recente onde ele

havia se cortado quando tentara se barbear durante a tempestade.

— É a banda? — ele perguntou. O tom de sua voz era calmo, mas o desespero em seu olhar era

assustador.

— Talvez. Soa como se viesse de fora, não é? — minha mãe respondeu, de repente sem fôlego e

ansiosa. Ela levou uma mão ao pescoço e engoliu em seco. — Vamos lá ver.

Ela levantou com um salto e pegou um casaco. Fiquei chocada. Ela odiava sair na chuva.

— Mas mãe, e a sua maquiagem? Você acabou de dizer…

— Ah, isso… — ela disse, desconsiderando o comentário e balançando os ombros para acertar o

caimento do cardigã cor de marfim. — Só vamos lá por um instante. Vou ter tempo de ajeitar a

maquiagem quando voltar.

— Acho que vou ficar — falei.

Me sentia tão atraída pela música quanto eles, mas a umidade grudenta no rosto me lembrou de

como eu estava quase a ponto de vomitar. Sair do quarto no meu estado não podia ser uma boa ideia,

então me aninhei ainda mais no divã, resistindo ao ímpeto avassalador de levantar e seguir meus

pais.

Minha mãe virou para trás e nossos olhares se cruzaram.

— Me sentiria melhor se você viesse comigo — ela disse com um sorriso.

Essas foram as últimas palavras da minha mãe para mim.

No exato momento em que abri a boca para argumentar, me encontrei de pé e já atravessando a

cabine para segui-la. Não era apenas uma questão de obediência. Eu precisava subir ao convés.

Precisava chegar mais perto da música. Se tivesse permanecido no quarto, provavelmente teria

ficado presa e afundado com o navio. Então poderia ter me juntado à minha família. No céu ou no

inferno, ou em lugar nenhum, se tudo isso fosse mentira. Mas não.

Subimos as escadas, acompanhados ao longo do caminho por vários outros passageiros. Foi então

que percebi que havia algo errado. Alguns corriam, abrindo caminho entre a multidão aos empurrões,

enquanto outros pareciam sonâmbulos.

Pisei no convés sob uma chuva torrencial e fiz uma pausa ao cruzar a porta para contemplar a cena.

Tapei os ouvidos bem forte com as mãos para silenciar os trovões que ressoavam e a música que

hipnotizava, tentando me situar. Dois homens passaram correndo por mim e se jogaram ao mar sem

hesitar. Mas a tempestade não estava tão ruim a ponto de precisarmos abandonar o navio, estava?

Olhei para o meu irmão mais novo e o vi saltitar sob a chuva como um gato selvagem que põe as

garras em carne crua. Quando alguém perto dele tentou fazer o mesmo, eles começaram a se

empurrar, como se lutassem pelas gotas. Dei meia-volta para procurar meu irmão do meio. Jamais o

encontrei. Estava perdido na multidão que se acumulava contra o parapeito. Partiu antes mesmo que

eu pudesse compreender o que estava acontecendo.Então vi meus pais, de mãos dadas, com as costas contra o parapeito, se inclinando para trás como

se não fosse nada de mais. Eles sorriam. Eu gritava.

O que estava acontecendo? O mundo tinha ficado louco?

Uma nota invadiu meu ouvido e baixei as mãos. De repente, a canção era a única coisa que

importava. Minhas preocupações se desfizeram. Parecia mesmo que o melhor seria estar na água,

envolta nas ondas em vez de bombardeada pela chuva. A sensação devia ser deliciosa. Eu precisava

bebê-la. Precisava encher meu estômago, meu coração, meus pulmões com ela.

Com esse único desejo pulsando no corpo, caminhei até a balaustrada. Seria um prazer beber

aquilo até ficar cheia, até cada pedaço meu estar satisfeito. Eu mal tinha consciência de que estava

me dependurando para fora, mal tinha consciência de qualquer coisa, até que o impacto duro da água

no meu rosto me fez recobrar os sentidos.

Eu ia morrer.

Não!, pensei enquanto lutava para voltar à superfície. Não estou pronta! Quero viver! Dezenove

anos não eram o bastante. Ainda havia muitas comidas para provar e muitos lugares para visitar. Um

marido, assim eu esperava, e uma família. Tudo isso, absolutamente tudo, desapareceria num instante.

— De verdade?

Não tive tempo para duvidar da existência da voz que ouvia e logo respondi:

— Sim!

— O que você daria para continuar viva?

— Qualquer coisa!

Imediatamente, fui arrastada para longe do naufrágio. Foi como se um braço envolvesse minha

cintura e me puxasse com destreza, me fazendo avançar rapidamente por entre os corpos até me

desvencilhar de todos eles. Logo me vi deitada numa superfície dura, diante de três garotas de uma

beleza inumana.

Por um momento, todo o horror e a confusão por que eu tinha acabado de passar se dissolveram.

Não havia tempestade, família, medo. Só havia aqueles rostos belos e perfeitos. Apertei os olhos e

as examinei, fazendo a única suposição possível.

— Vocês são anjos? — perguntei. — Eu morri?

A garota mais perto de mim —

— Não. Você está bem viva — ela garantiu com um agradável sotaque britânico.

Fiquei boquiaberta, sem palavras. Se eu ainda estivesse viva, não sentiria os arranhões do sal

garganta abaixo? Meus olhos não estariam queimando por causa da água? Ainda não estaria sentindo

o rosto arder da queda? No entanto, me sentia perfeita, completa. Ou estava sonhando ou estava

morta. Tinha que estar.

Ainda dava para ouvir os gritos ao longe. Ergui a cabeça, e logo depois das ondas avistei a popa

do nosso navio, que balançava de modo surreal acima das águas.Tomei vários fôlegos descompassados, confusa demais para compreender como estava respirando

ao mesmo tempo que ouvia os outros se afogarem ao meu redor.

— Do que você se lembra? — ela perguntou.

Balancei a cabeça.

— Do carpete.

Vasculhei as lembranças. Já sentia que elas estavam ficando distantes e turvas.

— E do cabelo da minha mãe — acrescentei, com a voz fraca. — E depois eu estava na água.

— Você pediu para viver?

— Sim — disparei, me perguntando se ela podia ler minha mente ou se todo mundo tinha pensado o

mesmo. — Quem são vocês?

— Meu nome é Ada — ela respondeu com ternura. — Esta é Âmbar — ela continuou,

apontando para uma garota loira que me abriu um sorriso discreto e caloroso. — E aquela é

Eva.

Nombeko era negra como o céu noturno e parecia não ter um fio de cabelo sequer.

— Somos cantoras — Ada explicou. — Sereias. Servas da Água. Nós a ajudamos. Nós… a

alimentamos.

Franzi a testa.

— Do que a água se alimenta?

Ada lançou um olhar na direção do navio que naufragava. Quase todas as vozes já tinham se

calado agora.

Ah.

— É nosso dever, e logo poderá ser o seu também. Se você der a Ela seu tempo, Ela vai te dar

vida. Deste dia em diante, pelos próximos cem anos, você não vai adoecer nem se machucar, e não

vai envelhecer um dia sequer. Quando o tempo terminar, você receberá de volta a sua voz e a sua

liberdade. E poderá viver.

— S-sinto muito — gaguejei. — Não entendo.

As outras atrás dela sorriram, mas seus olhos aparentavam tristeza.

— Seria impossível entender agora — Ada disse. Ela passou a mão pelo meu cabelo, me

tratando como se eu já fosse uma delas. — Garanto a você que nenhuma de nós entendia. Mas esse

dia chegará.

Levantei com cuidado, chocada ao ver que estava de pé sobre a água. Algumas pessoas ainda

boiavam ao longe, batendo os braços contra a correnteza como se fossem capazes de se salvar.

— Minha mãe está lá — supliquei. Eva suspirou com olhos saudosos.

Ada passou o braço pelos meus ombros, olhando na direção do naufrágio. Então, sussurrou no

meu ouvido:

— Você tem duas escolhas. Pode ficar conosco ou se juntar à sua mãe. Se juntar a ela. Não salvá-

la.Permaneci calada, pensando. Será que as palavras dela eram verdadeiras? Será que eu poderia

escolher a morte?

— Você disse que daria qualquer coisa para viver — ela me lembrou. — Por favor, leve a

promessa a sério.

Vi a esperança nos olhos dela. Ela não queria que eu fosse. Talvez tivesse visto mortes demais num

dia só.

Fiz que sim com a cabeça. Eu ia ficar.

Ela me puxou para si e cochichou no meu ouvido:

— Bem-vinda à irmandade das sereias.

Fui tragada pela água e alguma coisa fria penetrou minhas veias. E embora isso me assustasse, não

chegou a doer.


Notas Finais


Mudei as caracteristicas da Eva só deixei o nome

Gostaram do capítulo? Espero que sim

Quem gostou:comentem,favoritem e deixem sua nota

Bjs,fiquem com deus e até a próxima

Obs:sigam meu perfil aqui no spirit.


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