História A Sereia Azul - Capítulo 34


Escrita por: ~

Postado
Categorias Mahou Shoujo Madoka Magica
Personagens Hitomi Shizuki, Homura Akemi, Kyoko Sakura, Kyosuke Kamijo, Madoka Kaname, Mami Tomoe, Oktavia von Seckendorff, Sayaka Miki
Tags Kyosaya
Visualizações 34
Palavras 3.735
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, FemmeSlash, Hentai, Luta, Magia, Orange, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Peço perdão pela demora.

Eu fiquei uns dias sem escrever, porque tava meio desmotivado e sem inspiração. Aí quando fui começar, acabei escrevendo bem mais do que esperava (como podem ver rs). Eu tento não deixar meus capítulos muito grandes, porque sei que muitos podem achar cansativo. Dessa vez foi inevitável, mas não deve se repetir..
De qualquer forma, se vocês tiveram a paciência de me acompanhar até aqui, então acredito que terão paciência de ler essas linhas a mais kkk. Afinal de contas, estamos quase no fim.

É isso então..

Acomodem-se, e aproveitem a leitura.

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Capítulo 34 - A Dança das Cem Espadas


Fanfic / Fanfiction A Sereia Azul - Capítulo 34 - A Dança das Cem Espadas

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O estrondo provocado pelo choque das armas reverberou por toda a imensidão da catedral.

 

Sayaka desviou abruptamente a lança com uma espada, girou e desceu uma segunda espada contra Kyoko. Tudo num piscar de olhos. Kyoko mal conseguiu se defender, e foi obrigada a recuar de costas pela escada. A posição dela era desvantajosa: Sayaka estava um degrau acima, e ela aproveitou essa vantagem pra desferir uma série de ataques rápidos e violentos.

As duas foram descendo os degraus da enorme escadaria, ao mesmo tempo que lutavam.

O ar ecoava o som metálico produzido pelas armas, que se chocavam com tanta força que saíam faíscas pra todo lado. Na mesma hora Kyoko percebeu que Sayaka não estava pra brincadeira.

– Você vai mesmo lutar a sério, né??

– Eu sempre luto!

Sayaka abriu uma brecha na guarda de Kyoko chutou seu estômago. Kyoko foi arremessada longe e caiu de costas no chão do salão, deslizando vários metros no piso de mármore. Ela se levantou devagar massageando o abdômen, enquanto Sayaka terminava de descer as escadas.

– Se é assim que você quer.. – resmungou Kyoko, raivosa.

As duas recomeçaram o combate.

Agora que estavam niveladas, a luta ficou bem mais equilibrada. Kyoko mostrou toda sua destreza, girando a lança no ar: atacava, defendia, esquivava, usava a própria arma como vara em saltos invertidos. Sayaka manteve a ofensiva com duas espadas, rodopiando, saltando, girando sobre os calcanhares e executando acrobacias aéreas. Era uma batalha bastante acirrada, nem um pouco parecida com aquela da primeira vez. Kyoko não iria conseguir comer um palito Pocky agora..

– Você melhorou Saya. Devo admitir! – disse a ruiva.

Ela avançou contra Sayaka num ímpeto e quebrou sua guarda.

– ...Mas ainda não é o bastante!

Kyoko desferiu um golpe-relâmpago que derrubou Sayaka no chão. Ela se ergueu, sentindo o sangue escorrendo no peito.

– Você espera mesmo derrotar Walpurgisnacht com esse nível? – perguntou Kyoko.

Sayaka lhe lançou um olhar furioso, enquanto o corte em seu peito fechava.

– Você não teria a menor chance!

Com um grito, Sayaka se levantou e correu contra ela. Elas digladiaram por uns segundos, Kyoko bloqueando os ataques de Sayaka com a lança.

– Isso não é nada.. – disse Kyoko.

Num golpe ela arrancou uma espada da mão de Sayaka.

– ...NADA! Comparado a Walpurgisnacht!

Kyoko desmembrou o cabo da lança em vários segmentos, e lançou suas correntes como um chicote. Sayaka ergueu a espada restante pra se proteger, e as correntes se enrolaram na lâmina.

– Como espera derrotar a bruxa mais poderosa do mundo...

Ela desarmou Sayaka com um puxão, fazendo sua espada voar longe.

– ...se não é capaz sequer de ME derrotar??!

A lança voltou ao normal, e Kyoko executou um de seus truques mais mortíferos: fez o cabo esticar. A lança se estendeu na direção de Sayaka como uma flecha gigante, e Sayaka foi atingida em cheio no tórax. A lâmina perfurou seu corpo e atravessou a clavícula abaixo do ombro. O cabo continuou crescendo a uma velocidade fulminante.. Sayaka foi brutalmente jogada contra as fileiras de bancos, que foram partindo ao meio uma após outra, até finalmente se chocar de costas contra um pilar nos fundos da igreja.

– Urgh!!

Um punhado de sangue jorrou da boca aberta de Sayaka no momento do impacto. E ali ficou ela, presa e pregada contra o pilar de pedra, seus pés a centímetros do chão.

– Eu tomei o cuidado de evitar seus pontos vitais. – disse Kyoko – Agora você vai ficar aí quietinha, até a bruxa passar!

– Vai sonhando.. – grunhiu Sayaka, com uma careta.

A dor era excruciante.

Sayaka tentou retirar a lança, mas ela estava firmemente fincada. Por muito que forçasse o cabo com ambas as mãos, ele não movia um centímetro. Seus pés se agitavam inutilmente, tentando alcançar o chão, mas apenas seu sangue descia até lá. Kyoko assistiu aquela cena com tristeza.

– Por que você não desiste, Saya..? Não vale a pena.

– Eu não vou desistir.

– Não pode me derrotar. Sabe disso. Nossos poderes sempre estiveram em níveis diferentes.

– Eu não ligo.

Sayaka continuou se debatendo. A teimosia dela estava começando a irritar Kyoko seriamente.

– Por que insiste tanto nessa demência?? Deseja tanto assim correr pros braços da morte??

– Pelo contrário..

Sayaka parou, respirando com dificuldade, e encarou Kyoko nos olhos.

– Eu quero cortar os braços da morte.

– Você não tem esse poder!!

– Veremos. Mas uma coisa é certa, Kyoko..

Ela fez uma pausa, e um círculo mágico cobriu seu braço formando um escudo.

– ...você ME SUBESTIMA!!!

Sayaka desceu violentamente o escudo contra a lança. O cabo se partiu, e Sayaka arrancou com a outra mão a ponta cravada em seu peito. Mal pousou no chão, seus pés dispararam contra Kyoko. Sayaka sacou uma espada do escudo; Kyoko retraiu o cabo de volta e preparou-se pra defender, mas o ataque veio de um jeito que ela nunca imaginou: Sayaka espalhou círculos azuis no ar e saltou em ziguezague entre eles.

Foi tão repentino e caótico que Kyoko nem conseguiu prever a trajetória. Sayaka costurou o ar numa velocidade assombrosa e caiu sobre Kyoko num corte diagonal.

– Aaaaaah!!

Kyoko bloqueou o ataque com o cabo e foi energicamente empurrada. Imediatamente depois reagiu: ela desmembrou o cabo de novo e enviou as correntes, que serpentearam atrás de Sayaka. A espadachim esquivou com giros e saltos-estrela. Num desses saltos, aproveitou e cravou com força a espada contra o chão.

Aqui!!

A lâmina foi enterrada no meio exato de uma corrente, prendendo a arma de Kyoko no chão.

– Merda!

Kyoko foi obrigada a largar tudo e pular pra trás quando Sayaka arremeteu do alto com outra espada. Totalmente desarmada, ela pegou o objeto mais próximo pra se defender: um longo castiçal de ferro. Sayaka cortou o objeto ao meio como se fosse uma vara de bambu.

– Isso não é bom.. não é nada bom! – praguejou Kyoko.

Ela foi recuando pelo salão da igreja e pegando todos os castiçais pelo caminho. Sayaka foi cortando um por um. Quando a fileira de castiçais acabou, Kyoko tropeçou e caiu de costas. Sayaka se aproximou apontando a espada, e Kyoko ergueu a mão.

– Não se preocupe.. – disse Sayaka – Terei o cuidado de evitar seus pontos vitais!

 

A lâmina da espada atravessou o corpo de Kyoko.

 

A garota sofreu uma forte convulsão e paralisou. Segundos depois, sua pele começou a ser totalmente tingida de vermelho.

Mas não era o vermelho do sangue.. era o vermelho incandescente em brasa de losangos com formato de olho. Os losangos se espalharam e dispersaram, desaparecendo no ar. Sayaka estreitou os olhos.

Rosso Fantasma. – sussurrou.

– Você realmente progrediu, Saya..

Kyoko vinha caminhando do outro lado da igreja, já de posse de uma nova lança.

– Pelo visto deter você não será tão simples quanto eu achava...

Sayaka se virou pra garota, mas nesse momento outra voz chegou pela esquerda:

–  ...terei que redobrar meus esforços.

Olhando pro lado, Sayaka viu uma segunda Kyoko vindo calmamente na sua direção. Depois olhou pro outro lado, e viu uma terceira. Depois uma quarta, e uma quinta.. várias Kyokos foram surgindo de todos os cantos, todas idênticas e armadas com uma lança. Finalmente pararam. Sayaka contou rapidamente. Haviam mais de trinta.

– Achei que não gostasse de usar seu poder de ilusão. – comentou Sayaka.

– Eu odeio. Mas se for pra impedir você, farei o que for preciso.

Kyoko estendeu um braço. Barreiras vermelhas surgiram bloqueando todas as saídas. Não havia por onde escapar. Sayaka estava presa no centro da igreja, rodeada de clones e lanças pontiagudas apontadas pra ela.

Apesar da situação dramática, Sayaka fechou os olhos e sorriu serenamente.

– Sendo assim.. permita-me combater números com números.

 

E com uma formidável estocada, Sayaka cravou a espada no piso.

 

Uma enorme coluna de água irrompeu do local, como se um gêiser tivesse explodido. A água foi jorrando do centro como uma nascente, se espalhando pelo piso de mármore. Mas Kyoko não estava olhando pra baixo. Sua atenção estava voltada para o alto, pois imediatamente várias espadas começaram a cair, lançadas pela coluna de água. As espadas iam caindo de pé no piso encharcado. Kyoko começou a conta-las:

Dez.. dezenove.. vinte e sete.. trinta e cinco..

E não paravam mais. As espadas continuaram despencando aos montes. Literalmente choviam espadas.

...Quarenta e sete.. cinquenta e quatro.. sessenta e seis..

O salão inteiro foi sendo preenchido com as lâminas.

...Oitenta e dois.. Noventa e um.. cem.

Finalmente a chuva parou, e então houve silêncio.

O piso da catedral estava revestido com uma fina camada de água agora, parecendo a superfície de um lago espelhado. E em cada canto desse lago, uma espada afiada se equilibrava pela ponta, pronta pra ser usada. Kyoko respirou fundo. Sabia o que estava por vir. Aquela era a técnica mais poderosa de Sayaka..

– A Dança das Cem Espadas. – falou, devagar.

Pela primeira vez no confronto Kyoko se sentiu desconfortável.

 

Sayaka, por outro lado, parecia tranquila. Ela retirou calmamente uma batuta de maestro da capa, similar a uma varinha branca.

– Espero que não se importe se eu tocar um pouco de música..?

– Imagina. O que quer que te inspire..

Sayaka sorriu, e apontou a varinha pro alto.

Imediatamente um órgão localizado na galeria de cima começou a tocar. O instrumento de sopro inundou a catedral com uma poderosa e belíssima melodia. A música ecoou pelo ar, reverberando pelas paredes e vitrais, indo do chão até o teto abobadado de vidro. Ao mesmo tempo Kyoko ergueu uma mão:

– Quanto a mim, um pouco mais de luz seria bom..

Ela estalou os dedos, e mil velas em volta acenderam. Cada castiçal, lustre e candelabro da igreja foi revivido por centenas de pequeninas chamas, cujo brilho se refletia na água e nas lâminas das espadas.

O cenário estava armado.

Cada uma empunhou sua arma, colocaram-se em posição, e prepararam-se para a batalha.

 

ƒƒ

 

A primeira a mover foi Kyoko.

De cara ela enviou cinco clones pra cima de Sayaka, disparando numa velocidade tão espantosa que as botas esguicharam água pra trás. Sayaka fechou os olhos. Assim que o cerco fechou, ela abaixou a cabeça e ergueu a espada. Duas lanças foram esquivadas e três bloqueadas - de uma só vez. Sayaka girou sobre os calcanhares e repeliu todas pra longe, e então partiu pro ataque. Kyoko avançou todos os clones.

Teve início o espetáculo.

 

Kyoko nunca havia tido uma batalha mais extraordinária.

Mesmo com tantos reforços, nenhum clone conseguia encostar em Sayaka. Sua agilidade se tornou assombrosa, e sua técnica impecável. E o detalhe mais impressionante: mesmo com todas aquelas velas, Sayaka estava lutando de olhos fechados. Kyoko sabia por que. Sayaka estava se orientando pela água. Por isso ela havia inundado o salão: cada passo, cada onda, e cada mínima vibração na superfície era detectada por Sayaka devido à profunda conexão que ela tinha com a água. Era uma ligação mística. Aquele era seu elemento. Sayaka sabia a localização de cada espada e clone em volta, e podia sentir seus movimentos da mesma forma que uma aranha sente tudo que acontece em sua teia.

Não demorou muito e os clones começaram a ser destruídos. O primeiro foi dilacerado ao meio, e desmanchou no ar numa nuvem de brasas.

– Menos um.. faltam trinta e dois!

Sayaka arremessou sua espada eliminando outro clone.

– Trinta em um!

Em seguida cruzou os braços e pegou duas espadas do chão, uma em cada mão. Ela deu um mortal pra trás e arremessou as espadas pros lados.

– Vinte e nove!

– Ora sua... – rosnou Kyoko, e apertou mais o cerco.

Mas Sayaka estava imparável. Ela bateu com a espada em outros três sabres na sua frente, e os três foram lançados de uma só vez. Ela continuou rodopiando pelo salão, dançando ao som da música, e arremessando todas as espadas pelo caminho. Mais e mais clones foram pulverizados, e nuvens de brasa eclodiam em toda parte como fogos de artifício.

– Vinte e quatro.. vinte e um.. dezessete..

Sayaka ia contando os clones restantes à medida que eram eliminados. Mesmo quando eles conseguiam se aproximar, Sayaka os retalhava na hora. Ela sempre empunhava duas espadas ao mesmo tempo, girando e dando piruetas no ar, o que provocava um efeito devastador.

– Quatorze.. onze.. nove..

Os clones foram dizimados, mas Kyoko passou a se concentrar melhor nos que restaram.

Ela conseguia desarmar Sayaka algumas vezes, batendo com a lança ou enrolando suas correntes na lâmina e arrancando as espadas fora. Mas não fazia a menor diferença: tão logo perdia uma espada Sayaka pegava outra, e ela tinha um suprimento inesgotável à disposição. As espadas não paravam de voar, e Kyoko se defendia fazendo as correntes girarem na frente como uma hélice. Às vezes enroscava as correntes nas espadas do chão e as jogava contra a própria dona, mas Sayaka também se defendia muito bem. Ora bloqueava, ora atacava, ora esquivava - sempre dançando em meio a lanças e correntes ondulantes. Seus pés saltavam de uma espada pra outra, dando cambalhotas no ar e pousando com suavidade nas pontas dos cabos. Era um estilo ágil e acrobático, mas ao mesmo tempo repleto de graça e elegância.

– Cinco.. três.. dois..

Sayaka girou agachada com uma espada em cada mão. Ela deu uma rasteira num sabre com a espada direita, e ele foi arrancado do chão. O sabre ainda girava no ar quando Sayaka o acertou com a espada esquerda, fazendo-o voar pra frente. A arma atravessou o salão como um raio até atingir a testa do último clone.

Sayaka se virou, cruzando as espadas contra o pescoço da verdadeira Kyoko. A música parou. Só então ela abriu os olhos.

– ...Um.

Kyoko rilhou os dentes. Sayaka, porém, sorriu:

– Sabe como descobri que você era a verdadeira? É o único corpo com um coração pulsando dentro. Posso senti-lo bater.. ele está acelerado.

E então Sayaka a encarou com toda a calma de seus olhos azuis-celestes.

– Você está com medo..

O rosto de Kyoko se contorceu de fúria.

– Meu único medo é não poder te SALVAR!!!

 

Nisto o chão começou a tremer.

 

Sayaka olhou pra baixo, e viu a superfície inteira da água tremendo e ondulando.

Merda!

Ela mal teve tempo de pular pra trás, e uma série de lanças simplesmente irrompeu do piso. Surgiram às centenas, todas com as pontas viradas pra cima, se espalhando pelo chão numa velocidade assustadora, e Sayaka só podia saltar mais e mais para trás tentando escapar. Logo o salão inteiro estava coberto de lanças afiadas, como um bosque recém brotado, e não havia pra onde fugir. As saídas estavam bloqueadas. Tomada de aflição, Sayaka invocou um círculo mágico no ar e se refugiou sobre ele, um segundo antes do último espaço acabar. Apesar disso, as lanças não pararam de crescer, e Sayaka teve que subir cada vez mais saltando de círculo em círculo.

Chegando no teto, ela atravessou a abóbada de vidro com um pulo. Os estilhaços caíram como chuva embaixo. Sayaka continuou subindo. Ela subiu o máximo que pôde, e só parou quando chegou no topo de uma das torres.

Kyoko apareceu logo em seguida, saltando pro topo da torre em frente.

 

E ali ficaram as duas, se encarando na parte mais alta da catedral, cada uma no topo de uma torre gêmea.

 

Sayaka olhou para a floresta de lanças lá embaixo, e depois para Kyoko.

Ela estava armada com uma nova lança agora, duas vezes maior que a original, e tinha a forma de uma cruz com quatro enormes lâminas (uma em cada ponta). O aspecto da arma era aterrador, mas não tanto quanto a ira no olhar de Kyoko.

– Todo esse poder..!! – gritou Sayaka – Você tem TODO esse poder, e decide usá-lo contra mim quando poderia usá-lo pra fazer o bem!!

– Eu já me CANSEI de fazer o bem!!

Sayaka encarou Kyoko arrasada.

– Se é mesmo assim que você pensa, então acho que não temos mais motivo pra continuarmos juntas!!!

Por um segundo, Kyoko ficou sem reação. Mas então cada músculo de seu rosto começou a tremer. A mão que segurava a lança pressionou o cabo com força esmagadora. E quando falou, sua voz foi se elevando com a raiva:

– Quando você vai aprender, Saya...?!?

Chamas explodiram em volta da lança, incendiando as quatro lâminas.

– BONZINHO SÓ SE FODE!!!

Num ímpeto monstruoso, Kyoko saltou e cruzou o ar em direção a Sayaka. Ela ergueu a lança flamejante no alto e Sayaka só teve tempo de abandonar a torre num pulo. Com um rugido e uma energia descomunal, Kyoko destruiu a torre inteira num único golpe. Os escombros caíram numa avalanche de poeira. O sino de ferro desabou pesadamente no teto, com suas toneladas e badaladas. Sayaka aterrissou numa parte segura do teto, mas não por muito tempo. Kyoko avançou pra cima dela com fúria tremenda, brandindo sua lança em forma de cruz ardente. Sayaka recuou. Naquele momento, era impossível lutar com Kyoko. Ela era um cataclismo ambulante. Uma força da natureza. Nenhuma espada seria capaz de pará-la.

Água.. preciso invocar água!! – pensou Sayaka, fugindo.

Ela juntou as mãos, e imediatamente todas as estátuas e gárgulas de pedra da catedral começaram a jorrar água da boca. Cascatas caíam em toda parte, inundando o teto e escorrendo pro pátio ou pra dentro do salão. Mas a chama de Kyoko não se apagaria tão fácil. Era como apagar um vulcão em erupção, pois era exatamente nisto que Kyoko havia se transformado. Cada ataque de sua lança destroçava uma parte da catedral, fazendo rochas voarem e labaredas cuspirem.

Quando Sayaka achou que não resistiria muito mais, ela foi atingida em cheio.

A garota foi arremessada pela abóbada aberta do teto, e despencou de volta ao salão. Seu corpo atingiu o altar e rolou escadaria abaixo, quebrando vários de seus ossos. Só então, depois de muito rolar, ela parou no meio do salão. E ali ficou estirada, com a cara no piso encharcado, sem se mexer.

 

Kyoko surgiu do alto, aterrissando no topo da escada.

A essa altura ela já havia retirado a floresta de lanças. Só o que havia no piso agora era água, derramada por cascatinhas aqui e ali, que desciam do teto junto com destroços em chamas. Kyoko desceu a escadaria devagar.

– Eu tentei avisá-la. Resistir é inútil.

Ela desceu o último degrau, e parou. Por um longo tempo, Kyoko ficou em silêncio contemplando o corpo desmaiado de Sayaka.

– Sabe, houve um tempo em que lutar era a única alegria que eu tinha. Se me dissessem há uns meses atrás que Walpurgisnacht viria até mim, eu a enfrentaria com todo prazer.. Sabe por que?

Ela fez uma pausa, mas Sayaka não respondeu. Kyoko engoliu em seco.

– Porque a vida não tinha o menor valor para mim.

Sayaka permaneceu inerte no chão.

– Você entende, Saya..? Viver ou morrer.. pra mim não tinha diferença. Até eu te conhecer.

Só então Sayaka se mexeu.

Foi bem devagar, e aos poucos. Com muito esforço ela se apoiou sobre as mãos, curvada de joelho com o rosto abaixado e o cabelo pingando. Kyoko ficou observando. Sayaka tateou buscando a espada ao seu lado. Quando pegou, fincou ela no piso, e tentou se levantar usando a espada como bengala.

– Eu não acredito.. – sussurrou Kyoko, baixinho.

Sayaka continuou tentando se levantar, à medida que seu corpo curava. Mas não era seu poder de cura que espantava Kyoko.

– Eu não acredito..! – repetiu ela, mais alto – Não é possível!

Segurando a espada, Sayaka pôs um pé na frente, com o outro joelho na água.

– Como pode ser tão TEIMOSA?!?

– Você.. – ofegou Sayaka, com a voz fraca – ..ainda não viu nada.

– A única coisa que não vejo é o limite da sua ESTUPIDEZ!!

Sayaka continuou de joelho, segurando a espada contra o chão.

– Posso ver realmente que não mudou nada! NADA!! Desde a primeira vez que te vi!!

Sayaka ergueu o rosto, e olhou pra ela.

– É aí que se engana, Kyoko..

Kyoko notou algo diferente naqueles olhos azuis intensos. Só então percebeu, tarde demais, o que Sayaka estava fazendo.

 

Ela estava absorvendo toda a água do salão com a espada.

 

As ondas convergiam pro centro da lâmina, que começou a brilhar numa luz azul.

– ...eu fiquei mais forte.

Gotas de água subiram lentamente do piso, se elevando ao teto numa chuva invertida. Sayaka também se levantou. Estava totalmente renovada. Sua espada terminou de absorver toda água que podia, e então se transformou numa colossal arma de gigantes. Era maior que a própria Sayaka, e o interior da lâmina era preenchido com um líquido azul-claro absurdamente brilhante.

Kyoko arregalou os olhos. Nunca tinha visto Sayaka emitir uma aura tão majestosa.

– Você mesma disse, Kyoko.. sempre tenha um truque na manga!

E dizendo isto, ergueu a espada ao seu lado, com a ponta virada pra trás. Kyoko deu um berro, disparando na direção dela com a lança flamejante.

– AAAAAAAHH!

 

Sayaka cortou o ar com a espada.

 

O simples corte horizontal daquela imensa lâmina provocou uma ventania que fez uma onda gigante surgir do piso. A onda atingiu Kyoko com impacto brutal. A lança foi arrancada de suas mãos e suas chamas foram apagadas. Tudo atrás foi devastado de uma só vez: a escadaria, o altar e até os vitrais das paredes ao fundo. Despedaçados, num piscar de olhos. Kyoko foi varrida pela onda em meio aos destroços e cacos de vidro. Quando finalmente parou, estava jogada sem forças num canto encharcado, ferida e cheia de cortes.

Sayaka se aproximou.

Sua espada havia voltado ao normal. Mas quando ela falou, suas palavras foram mais duras e cortantes que qualquer lâmina:

Está acabado, Kyoko.

Kyoko ergueu o rosto.

Ela percebeu, pela tristeza no olhar de Sayaka, que ela não estava falando da luta.

 

Sayaka deu as costas e começou a se afastar.

Ao ver a garota se afastando, Kyoko teve uma única certeza. Ela não a veria de novo. E a certeza daquilo fez Kyoko reagir de uma maneira que até ela se surpreendeu. Não com lágrimas, nem com choro. Mas com risadas. Kyoko simplesmente começou a rir do nada, e suas risadas evoluíram pra gargalhadas. Gargalhadas altas, horríveis, frias e sem qualquer alegria..

– Vá!!! – vociferou Kyoko, ainda no chão – VÁ então!!! Siga seu nobre caminho, ó cavaleira da justiça!!! Espero que MORRA!! Morra lutando, e PRO INFERNO com você e sua virtude!!!

Sayaka parou.

Ela pronunciou suas últimas palavras com profunda amargura:

– Seu pai tinha razão. Você é mesmo uma bruxa.

 

Houve um silêncio mortal.

Sayaka não viu a reação de Kyoko, porque em nenhum momento ela se virou. Ela simplesmente deu um passo pra frente, e atravessou a porta pra nunca mais voltar.

 

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