História A sky full of stars - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jin, Jungkook, Personagens Originais, Suga, V
Tags Kooktae, Kookv, No Lemon Squad, Taeguk, Taekook, Vkook, Vkookweek, Xkookv
Exibições 431
Palavras 4.305
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Alô gente~
Desculpa a demora, mas aqui está o capítulo.
Espero que gostem e não desistam de mim!
Obrigada pelos favoritos e comentários <3

Capítulo 9 - One condition


Fanfic / Fanfiction A sky full of stars - Capítulo 9 - One condition

“Eu… Nós precisamos conversar” falou, a voz em um tom um tanto nervoso demais.

“Por que eu acho que não vou gostar dessa conversa?”

 

É nessas horas que eu odeio esse disfarce todo, porque não consigo ler seu rosto. Não dá para saber o que está pensando, eu preciso deduzir pelo timbre de sua voz e acho isso deveras frustrante. Parece que estou conversando com alguém na internet, sabe? Quando a pessoa responde um texto seu com um simples sim, e você fica sem saber e ela é apenas preguiçosa pra caralho ou está sendo estupidamente seca contigo.

“Posso… Posso me sentar?” perguntou baixinho, apontando para o espaço vazio ao meu lado e com a máscara abaixada.

Desde quando Kim Taehyung pede por algo quando está na minha presença?

“Você está doente?” ergui uma sobrancelha.

“Não, por quê?”

“Desde quando você me pede por alguma coisa? Principalmente algo como sentar ao meu lado em uma casa que você frequenta mais do que a sua própria.”

Ele suspirou e colocou a mão nos bolsos da calça, olhava para os próprios pés — na direção deles ao menos — e balançava de um lado para o outro. Ficou mudo, por sei lá quantos segundos, apenas nessa posição, enquanto eu permanecia sentado com o caderno em minhas mãos.

Caderno este que ele não pode ver no momento.

Caderno este que eu resolvi fechar, deixar ao meu lado e fingir que não estou fazendo nada.

“Certo… Você tem razão” murmurou. Taehyung aproximou-se do banco, pronto para sentar-se ao meu lado como havia pedido, mas eu o impedi.

“Não senta!” falei, levantando-me.

“Agora quem ainda parece doente é você. Enlouqueceu?” perguntou, permanecendo de pé e provavelmente olhando na minha direção.

“Lembrei que eu ainda não comi nada desde que acordei, portanto teremos essa conversa lá dentro” expliquei, aproximando-me da porta. Curiosamente, ele permanecia feito uma estátua no mesmo lugar, embora suas mãos estivessem fechadas em punho como se ele estivesse prestes a me socar. “Vai ficar aí parado?”

“Você não comeu nada?” indagou, aproximando-se de mim e pegando-me pelo braço. “Ficou maluco de vez, Jeongguk? Você desmaiou, passou um tempão dormindo e ainda por cima resolveu não comer?”

Wow. Desde quando ele virou minha mãe?

Ok, mas deixando isso de lado, até que é bonitinho ele se preocupar comigo. Na verdade é mínimo já que ainda há uma possibilidade de o bolo que ele fez ter me deixado doente, mas não vou mencionar isso. Ele deve estar levemente traumatizado, já que eu desmaiei depois de nos beijarmos e isso não é algo muito comum — ao menos não em Seoul e tampouco aqui, espero eu.

“Fofo da sua parte, mas não precisa se preocupar porque eu já estou melhor” respondi, balançando meu braço para ver se ele soltava. O que não aconteceu, claro.

Mais um suspiro pesaroso de sua parte e o aperto em meu braço foi se afrouxando.

“É lógico que eu me preocupo, você não tem noção do quão desesperador foi te ver ficando todo molenga e caindo feito uma sanfona na minha frente!” bufou.

“Como é que é?” questionei, cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha. “Explica isso direito porque eu desconheço esse modo de desmaiar.”

Taehyung riu baixo e passou a braço em meu ombro, empurrando-me para dentro de casa. Bagunçou meu cabelo — que já estava desgrenhado desde que eu acordei, afinal, não me dei ao trabalho de arrumá-lo — e me guiou até a cozinha. Aquela tensão que existia entre nós quando ele chegou se dissipou rapidamente; ele tinha esse efeito esquisito de deixar tudo mais calmo, mas ao mesmo tempo de mudar completamente do assunto principal.

Por ora eu vou deixar assim, acho que temos muito para conversar e nem sei por onde começar.

“Do que você se lembra?”

Ele se sentou, pegando a cestinha de pães da minha avó e me passando. Curiosamente, a mesa já estava posta com um belíssimo café da tarde — talvez por ser de tarde e minha avó estar aqui alguns minutos atrás, mas que desconheço seu paradeiro agora.

“Tive o dia inteiro para me lembrar de tudo nitidamente, exceto essa parte de desmaiar feito uma sanfona” suspirei, mordiscando um pedaço do pão com geleia de morango caseira. “Sério, o que isso significa?”

“Bom, não tinha muito espaço no local em que estávamos e, ao invés de você cair para frente ou para trás como uma pessoa normal, você caiu no próprio lugar.”

“Que porra é essa Taehyung?” falei mais alto. Ousei até largar meu pão no prato novamente, pois não consigo entender que caralho é isso que ele está explicando. Seria algum tipo de novo dialeto? Algo existente apenas em Sangju e que eu desconheço? “É um dialeto novo essa merda?”

“Dialeto? Jeongguk, você acha que eu sou o que? Um extraterrestre?” resmungou, apoiando os cotovelos na mesa e pegando o pão de meu prato. Ele deu uma mordida generosa e trouxe o restante até a minha boca. Sequer pensei direito, apenas abocanhei o restante do pão.

O restante da geleia que ficou em seu dedo, o Kim levou até a própria boca como se fosse algo bem normal. Tudo o que nós fazemos sempre soa como se fosse completamente plausível de acontecer entre dois amigos.

Só que não.

Ou talvez sim, vai saber.

“Eu acho você esquisito, isso sim” revirei os olhos e ele sorriu pequeno, algo bem simplório e que raramente acontecia.

O que diabos está acontecendo na minha cozinha, alguém explica?

“É tipo uma sanfona, caramba! Nunca viu uma sanfona não? Aquele instrumento que, se você soltar um dos lados, vai cair todo molenga no chão?” explicou novamente.

Parei para pensar nessa cena e cheguei à conclusão de que não me levaria a lugar nenhum. Nunca que eu vou entender como eu consegui desmaiar desse modo, mas já que ocorreu basta apenas aceitar.

“Certo, vamos deixar isso pra lá” respondi. Coloquei um pouco de suco em meu copo, que logo foi roubado de minhas mãos e tomado pelo Kim. “Folgado entra na lista de coisas que eu acho sobre você.”

“Você nem se importa de verdade” balbuciou, dando de ombros.

Ele me devolveu o suco pela metade e eu apenas tomei o restante. Encostei meu corpo na cadeira e cruzei os braços, observando-o com atenção. Para quem chegou todo desesperado querendo conversar comigo, ele até que soa muito confortável para o meu gosto.

“Desembucha. O que você quer conversar?”

O sorriso diminuto de outrora se desfez rapidamente e, embora eu não soubesse para onde ele olhava, seu rosto virou-se na direção da janela da cozinha. A chuva havia cessado e logo escureceria, portanto acho que não podíamos perder tanto tempo assim e nós dois esquivamos o assunto beijo até agora.

“Eu-”

“Olá meninos!” A voz de minha avó soou empolgada e ecoou pela cozinha toda. Ela se aproximou de mim e deixou um selar gentil em minha testa e depois na de Taehyung. Juro que amo a minha avó com todas as minhas forças, mas ela não podia estar mais errada no timing de entrada. “Não vou me demorar muito aqui, mas gostaria de falar com você, querido.”

“O que houve vovó?” perguntei, ao notar que ela estava com um sorriso travesso no rosto e um ar de contentamento.

“Primeiro, guarde isso. Deixar suas coisas espalhadas por aí é ruim, pode perdê-las.” Então, entregou meu caderno que havia deixado do lado de fora e eu me forcei ao máximo para não ter demonstrar que o objeto em questão era importante. “Agora, venham comigo, pois tenho uma surpresa para você, Jeonggukie.”

Dei de ombros e apenas segui a minha avó, com Taehyung em meu encalço. Chegamos à sala e não sei quem se surpreendeu mais: eu, que parei de imediato diante do que via, ou o Kim, que trombou com tudo em meu corpo, com a minha parada súbita.

Na grandiosa sala da minha avó que, até alguns minutos atrás era ocupada apenas pelo sofá confortável, o telefone na mesinha, o relógio na parede, prateleiras com fotos e livros, entre outros vários nadas que eu não presto muita atenção, agora possuía uma belíssima televisão de tela plana.

Isso mesmo. Aquelas que existem em Seul, mais precisamente no meu quarto lindo e aconchegante, cuja falta torna-se imensa toda vez que lembro que não posso sequer jogar.

Saudades querido quarto, querida internet, queridos mais-ou-menos-amigos-virtuais.

Enfim. Isso é sério mesmo?

“O que é isso vovó?”

“Bom…” Ela umedeceu os lábios e sentou-se no sofá, dando tapinhas no espaço vazio ao seu lado, indicando que eu deveria fazer o mesmo. Taehyung, no entanto, apenas permaneceu de pé e com as mãos no bolso. “Sei que você sente falta de jogar, assistir televisão e mexer na internet. Eu não possuo interesse, mas já que você gosta, achei que poderia te proporcionar um pouco disso enquanto está aqui… Mas com moderação, ok?”

“Mas vó…” murmurei, sentindo-a segurar as minhas mãos de modo carinhoso e sorrindo em minha direção. “Não precisava disso.”

“Precisava sim” respondeu, dando-me um beijo na bochecha e levantando-se do sofá. “Aliás, daqui uns dias nós teremos internet também. Sei que o sinal por aqui não é dos melhores, mas me garantiram que no local certo seria o suficiente.”

“Sério?” falei empolgado, desacreditado no que estava acontecendo ali. Isso ia totalmente contra ao que minha mãe pretendia para mim, correto? Já que ela pretendia me deixar livre dos meus vícios.

“Sim. Espero que aproveite, querido” murmurou, sorrindo mais largo ainda. No entanto, sua expressão logo se desmanchou e ela colocou as mãos na cintura. “Mas com moderação, entendeu? Ou eu te despacho para Busan na casa dos seus avós.”

Ser despachado para outra cidade está fora dos meus planos. Custou muito tempo e muita sanidade para me acostumar a ficar em Sangju e, de repente, ir para outro local e conhecer novas pessoas tudo de novo? Não, obrigado.

Fora que… Fora que essa peste parada feito estátua não vai estar lá.

“Pode deixar, vovó!” Então, levantei de súbito e a abracei apertado, seguido de um beijo estalado em sua bochecha. “Muito obrigado por tudo.”

As bochechas rechonchudas dela logo coraram, tornando-a ainda mais adorável. Ela me deu alguns tapinhas na bunda e afastou-se de mim, deixando nós dois na sala e sumindo para os andares de cima.

Resolvi sentar e alternar o olhar entre a televisão e o Kim, ainda parado no mesmo lugar.

Ele fica tão bonitinho impaciente. Nesse exato momento Taehyung muda o peso de seu corpo de uma perna para outra, apenas observando qual será o meu próximo movimento. Sei que na cabeça dele há aquele conflito entre: será que Jeongguk conversará comigo ou irá sucumbir ao desejo de ligar a televisão e jogar alguma coisa?

Seria muito errado da minha parte brincar com ele?

Alcancei o controle e liguei a televisão. A imagem nítida e bela a minha frente era algo que eu não via há meses, mais precisamente desde que cheguei a colocar os pés aqui. Não sou de assistir aos canais disponíveis, já que eu a utilizo muito mais para jogar ou assistir animes, doramas e afins; mas por ora isso servirá.

Passei pelos canais preguiçosamente, notando de soslaio que Taehyung começava a ficar ainda mais impaciente. Havia se sentado na ponta do sofá, receoso demais para puxar algum assunto comigo, mas inquieto demais com o que queria me dizer para simplesmente ir embora agora.

“Jeongguk…” murmurou, mas eu fingi que não ouvi, totalmente imerso em um programa qualquer que passava. “Ei.”

Ele estava mais próximo de mim, os dedos longos pressionando a almofada ao meu lado. Desviei o olhar minimamente, apenas para constatar que ele colocava as belíssimas mãos em meu caderno e estava prestes a abrir. É só não dar atenção um minuto que a criatura fica rebelde.

“Epa!” alcancei seu pulso antes que ele pudesse ter qualquer reação. “Quem disse que era para você abrir isso aí?”

“O que tem aqui de tão importante que eu não posso ver?” perguntou com um tom de desafio. Ele sabe como ser vingativo quando quer, já sei disso. “Há algo novo desde que me mostrou?”

“Não te diz respeito, não acha?” revirei os olhos.

“E por que não?” indagou divertido. Pegou o caderno com a outra mão e eu fiquei ainda mais longe dele. Meu corpo tombado no sofá e uma careta se formando em minhas feições. Era pior do que uma criança. “Deixa eu ver!”

“Apenas me devolva, Tae” pedi, gentil até demais para o meu gosto.

“Como?” engasgou, mas ainda assim erguia o braço mais acima de sua cabeça e afastava o caderno de mim, obrigando-me a levantar.

“Eu pedi para me devolver!”

“Não, o modo-”

“Por que você nunca cala a boca quando precisa?” interrompi, alcançando sua mão ao mesmo tempo em que pressionava os meus lábios contra os dele. Sua fala, bem como sua atitude, se perderam no mesmo instante diante da surpresa. Era só um selar leve; uma distração. Muito eficaz por sinal. “Obrigado.”

“Isso não é justo!” resmungou, tocando os próprios lábios e franzindo o nariz.

“Quem mandou se intrometer onde não deve, hm?” ri baixo e coloquei o pé no primeiro degrau da escada, mas rapidamente senti sua mão em meu braço.

“Aonde você vai?”

“Guardar isso aqui e vestir alguma coisa mais quente.”

“Mas nós-”

“Eu sei, não disse que não iria conversar contigo” respondi, notando o modo como seus dentes mordiscaram o lábio inferior e sua mão quente largou meu braço. “Achou mesmo que eu ficaria ali assistindo televisão ao invés de te dar atenção?”

Então, ele levantou a cabeça e sorriu pequeno, contido. Ele nunca mostrava os dentes quando sorria na minha direção e isso me deixava maluco; qual o maldito problema em sorrir como uma pessoa normal, Taehyung?

Apenas respirei fundo e subi rapidamente as escadas. Procurei roupas mais confortáveis e quentes, pois apesar de não ter mais chuva, estar entre a primavera e o outono — ou algo assim —, o clima encontrava-se ameno, não muito frio e tampouco quente. Olhei novamente para o meu caderno de desenhos e abri no seu esboço; era desanimador poder desenhar apenas aquilo, sem o traçado correto e as expressões que ele poderia me proporcionar. Não mostrarei isso aqui até poder desenhá-lo como se deve.

Desci as escadas em uma velocidade que o Jeongguk do passado ficaria surpreso. Eu ainda reclamo desse exercício físico desnecessário, mas até que não é de todo ruim. Não que eu vá frequentar academia novamente ou algo assim, mas já é um avanço para a minha pessoa sedentária, certo?

“Quer conversar lá fora?” foi a primeira coisa que o Kim me perguntou ao me ver, apontando para o cobertor em minha mão que peguei de cima da minha cama. “Não está tão frio para usar um cobertor.”

“Eu quero te levar em um lugar hoje.”

“Desde quando você conhece lugares para me levar?” riu, mas logo parou quando viu que minha expressão era séria. “Ok, certo. Precisa dos cavalos?”

“Enlouqueceu? Nós vamos conversar e não ir de encontro à morte iminente!”

“São cavalos, Jeongguk, não vão te matar!” resmungou.

“Cavalos com o chão molhado? Dispenso.”

“Besta!” balbuciou.

“Não vamos precisar de qualquer forma, então apenas relaxe e aproveite o pequeno passeio.”

Então, puxei Taehyung pelo pulso e comecei a guiá-lo para os fundos da fazenda de minha avó. Cerca de uns dias atrás, quando eu a ajudava com os serviços que o Kim costumava fazer, mas que no momento não estava sei lá por qual motivo, eu descobri um lugar especial. Minha avó comentou ser uma parte do terreno de sua fazenda que há muito tempo ela não se utilizava, até porque todo o local é extremamente extenso e não dá para se aproveitar de tudo sendo apenas uma pessoa.

O local era incrível, com algumas árvores plantadas, uma casinha simplista perto do lago que havia ali e muita grama. Se fosse uma casa comum da cidade, seria considerado o jardim dos fundos; como aqui é uma fazenda extremamente aberta e com muito espaço, podemos considerar que o jardim dos fundos é como uma segunda casa, mas em tamanho bem menor.

No momento está péssimo, claro, até porque ninguém cuidava do local há muito tempo e nem mesmo minha avó costumava ir até ali.

“Onde estamos indo, Jeon?”

“Você realmente nunca viu essa parte da fazenda?” perguntei curioso.

“Não, sua avó sempre me disse que não precisamos mexer para esses lados…” deu de ombros.

“Então eu espero que você goste de onde vamos.”

Andamos mais um pouco e, quando finalmente parei na ‘entrada’ do local, soltei sua mão e deixei que ele explorasse a região. Visto dali, quase como uma visão panorâmica, era extremamente belo e agradável. Queria ter descoberto esse lugar antes e, confesso, já estava com mil e uma ideias sobre o que fazer ali.

“Isso aqui é incrível…” balbuciou, andando até a casinha de madeira perto do lago e dedilhando os contornos com cuidado. “O que é esse lugar?”

“Aparentemente é uma extensão da fazenda da minha avó, mas ela não costuma vir aqui e ficou abandonado” expliquei, caminhando até às árvores e esticando o cobertor. Sentei nele, de maneira confortável e apoiei as mãos, olhando para as folhas balançando com o pouco vento. “Acho que dá para ver as estrelas daqui quando o tempo melhorar…”

Taehyung parou o que estava fazendo e virou-se na minha direção. Veio até mim e deitou-se ao meu lado, colocando os braços atrás da cabeça e suspirando um pouco mais tranquilo do que antes. Tem horas que eu acho que ele esquece que quer conversar um assunto que soa minimamente sério.

“Lembra quando te falei que precisava de um lugar? Um refúgio.”

“Lembro…” suspirei e resolvi me deitar também, pois já vi que vamos demorar a chegar ao assunto principal. “O que tem?”

“Um lugar como esse seria perfeito…” murmurou.

Umedeci os lábios e permaneci em silêncio. Não sei bem o que Taehyung passou desde a infância, afinal, fica difícil quando ele não se abre para contar os seus problemas. Confesso que, depois de tanto tempo, eu achei que ele já teria superado o medo de me contar algumas coisas; acho que só me resta ser paciente e esperar ele resolver falar algo.

Mas paciência, infelizmente, não é bem o meu forte. Além disso, quanto tempo eu estou esperando esse disfarce ridículo sair do rosto dele? Sério, eu me admiro por não ter pesadelos com essa máscara de ursinho.

“Fique à vontade para vir aqui sempre que quiser, você é de casa mesmo” dei de ombros.

Ele riu baixo, mas eu conseguia ver um sorriso simples em seu rosto. Queria ver isso mais vezes, mas não só o sorriso. Ok, sendo sincero, eu queria ser o motivo dos sorrisos dele, mas não vou dizer isso em voz alta mesmo.

“Obrigado” sussurrou.

E eu vou fingir que não ouvi para não ficar mais constrangedor do que o clima já está, porque não estamos acostumados a esse tipo de coisa.

“O que você queria me dizer, Taehyung? Nós já postergamos a conversa por tempo demais e evitamos tópicos que, convenhamos, nós sabemos que precisamos falar sobre.”

“Ok…” Ele se sentou, olhando na direção do lago — creio eu — e suspirou pesadamente. “Eu sei que o Seokjin te contou algumas coisas, encontrei com ele antes de vir para cá.”

“Certo… E o que tem?”

“Ele te contou do casamento, não contou?” indagou, esfregando as mãos nas próprias calças e apertando os dedos contra o tecido. Parecia nervoso, receoso, talvez um misto dos dois. Quem não estaria diante de um assunto como casamento forçado?

“Contou.”

Antes disso tudo eu mencionei estar com um pressentimento ruim, certo? De não gostar dessa conversa? Pois é, está voltando, mas de certo modo eu acho que Taehyung é mais esperto do que isso e não vai cagar com tudo por causa do jumento do pai dele — sem ofensas.

“Então…” Taehyung riu novamente, mas era possível notar um tom melancólico e até irritado demais. “Meu pai agendou o casamento para o final do ano.”

Retiro o que eu disse. Peguem os coletes à prova de bala, pois vai rolar tiro com aquelas espingardas de caça, que eu sei que deve existir nessa cidade em alguma dessas casas. Eu acho uma se necessário, sério mesmo.

“É o que?” perguntei surpreso, levantando-me de súbito e sentando com o corpo rígido em cima do cobertor macio.

“Ele disse que eu estou muito desvirtuado, apenas trazendo vergonha para a família Kim e o resto da cidade. Que deveria ter me casado mais cedo, assim eu não teria tido tempo de descobrir a minha homossexualidade e tampouco você, que aparentemente estraga tudo mais ainda” comentou, rindo outra vez e olhando para cima. “Cara, ele disse que você consegue ser pior do que o Seokjin. Alguma velha louca deve ter enchido a cabeça dele de besteiras na última missa.”

“Ah tá, agora a culpa é minha que você gosta de pinto ao invés de vagina? Eu hein.”

Ao invés de me responder, Taehyung deitou a cabeça em meu colo e mordeu o lábio inferior. Tudo o que esse garoto faz me deixa apreensivo, com o coração acelerado e a ponto de gritar o quanto ele é estranho. Todavia, eu acho que é exatamente isso que eu gosto nele; o jeito dele, o modo como ele parece confortável a minha volta e me tornou confortável para com ele.

“O preconceito das pessoas não tem lógica, já sabemos disso. Mas ainda possuo esperança de que ele mude de alguma forma…”

“Talvez. E o que você fará em relação ao casamento?” perguntei. Deixei que meus dedos tirassem seu boné e deslizassem por suas madeixas alaranjadas. Era um tom gritante, mas muito bonito e que combina muito com ele.

Estou calmo demais, tô até me estranhando.

“Você lembra direitinho do que aconteceu antes de desmaiar, não lembra?”

“Sim, eu… você-” Me atrapalhei todo e acabei sendo interrompido.

“Você me beijou, eu te beijei. Nós nos beijamos” confirmou. Então, ele segurou meu pulso, cessando as carícias; no entanto, ao invés de soltar, ele entrelaçou os dedos nos meus de forma desajeitada. “Por acaso tinha jeito de beijo de quem quer casar com uma mulher, Jeongguk?”

“Não. Na verdade, precisou de muito esforço para não te beijar de novo” balbuciei.

“Noite todo o esforço, já que você desmaiou e me deixou desesperado” reclamou.

“A culpa é sua! Tinha algo naquele bolo que estava estragado e me fez mal, combinado com a friagem que tomei.”

“Minha?” perguntou indignado, mas rindo baixo diante da acusação. “Não vem acusar o meu bolo não.”

“Idiota.”

O silêncio caiu rapidamente entre nós dois, fazendo com que nos perdêssemos completamente do rumo inicial da conversa. Eu ainda tinha muita coisa para lhe perguntar e até mesmo dizer, mas no momento o principal era saber o que ele faria com o casamento.

“E o que você quer de mim afinal?” perguntei, quebrando o silêncio.

“Vou ser bem sincero e direto com você, ok?” Então, ele se virou, ficou de frente para mim e segurou as minhas duas mãos, dando um aperto leve.

“Desde quando você ficou tão… gay?” questionei, apontando com o queixo para o modo como seguramos as mãos um do outro.

“Cala a boca e me ouve!” resmungou.

“Tá, fala logo o que você quer que eu não entendi o ponto de você mencionar que nos beijamos e não chegar a lugar nenhum!”

“Eu quero a sua ajuda, Jeongguk!” falou rapidamente e totalmente frustrado.

Certo…

Ele quer a minha ajuda.

“No que?” questionei, erguendo uma sobrancelha diante daquele pedido inusitado.

“Eu não quero me casar com uma maluca que o meu pai arranjou só para provar para a igreja dele que possui uma família normal!” respirou fundo e inclinou-se para frente, apoiando a testa no meu ombro. “Eu quero você.”

“Você o que?”

Eu ouvi direito isso?

“Eu quero você…” sussurrou novamente, aproximando-se mais do meu pescoço e tocando a ponta do nariz na região. No mesmo instante, ousei beliscá-lo nas mãos para ver se isso não era sonho, porque atualmente eu não conseguia mais distinguir o que era realidade ou não. Acho que ele entendeu a minha intenção. “Eu tentei dizer isso aquele dia, mas você desmaiou antes. Eu gosto de você, Jeongguk.”

Oh.

“Você gosta de mim…” repeti.

“Gosto” reforçou.

“E você me quer…” balbuciei.

“Quero.”

“Você me quer, tipo, como quando nos beijamos?” questionei.

“Sim. E muito.”

“E você gosta de mim…” tornei a repetir.

“Exatamente” concordou.

“E você me-”

“Agora você está parecendo um idiota que apenas repete o que eu disse, e eu começo a me arrepender disso.”

Sorri, meio desajeitado até, pois ainda estou tentando processar as palavras na minha mente. Ok, eu sei, ele me beijou e todo aquele blá-blá-blá — além do selar que dei na sala, mas que não vamos contar porque foi apenas um momento para distraí-lo —, porém ter a confirmação me conforta um pouco e ao mesmo tempo me desespera. O que eu vou fazer com esse sentimento quando eu precisar ir embora? Enfiar no lixo e voltar para Seoul como se nada tivesse acontecido?

Esse questionamento vai e volta todos os dias, embora eu faça questão de ignorá-lo por enquanto, cedo ou tarde precisarei lidar com isso.

Todavia, não é como se eu não pudesse aproveitar o resto do tempo que tenho, certo? São sentimentos conflitantes, mas se eu ficar pensando demais eu iria magoá-lo e irei me magoar e me xingar até não existirem mais palavrões suficientes no meu vocabulário.

Portanto, vou fazer o que eu quero fazer e foda-se o resto.

Pelo menos por enquanto.

E existe algo que eu quero mais do que só ele no momento.

“Ok” respondi.

“Ok? Isso quer dizer que você aceita?” perguntou, a voz em um tom mais empolgado e menos melancólico do que soava na conversa anterior.

“Eu aceito, mas com uma condição.”


Notas Finais


Relevem os erros, revisei bem por cima para postar logo.

O JK dessa fanfic pensa demais, gente.

Não desistam de mim <3
Amo vocês.

Comentários fazem essa autora MUITO feliz!

Qualquer coisa estou no twitter @xkookv ~


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