História A tempestade mortífera ainda será calmaria. - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook
Tags Imagine Jungkook, Jeon Jungkook, Jungkook, Milkandhoney, Para Exxoticflower
Visualizações 35
Palavras 1.342
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Considere isso um agradecimento por ter escrito algo tão sensível como Hanami; JK.

Capítulo 1 - A chuva vai me livrar de você


Fanfic / Fanfiction A tempestade mortífera ainda será calmaria. - Capítulo 1 - A chuva vai me livrar de você

 

 

 

 

 

Para a Unnie que transborda sentimentos através das palavras

 

 

O inverno foi a pior época, pelo menos a princípio. O primeiro mês do meu luto, o início da minha luta. Quando o gelo tão rigoroso congelou todas nossas melhores memórias, como se o tempo houvesse estancado na hora em que do lado de fora, ouvi seu carro partindo com a neve.

 Eu estava lá no dia do exame admissional, estava lá na sua formatura e no almoço de domingo na casa dos teus avôs. Eu me arrastei por entre as frestas do seu cotidiano até que fosse admitida como sua, até que sua casa também fosse a minha casa, sua cama também abrigasse meu travesseiro e seu gosto fosse o meu preferido em todas as manhãs em que fosse agraciada com seus beijos.

O looping monótono das primeiras semanas, contudo não foi infinito. No fundo sei que desejei que fosse, porque não era algo que eu queria, me livrar de você. Não foi bom sair da cama sem teu peso preguiçoso agarrado a meu corpo, preparar uma única omelete ou uma única panqueca, não ter teu café açucarado me esperando quando voltava tarde da aula e você entendia que não me teria pela madrugada.

Girei a chave de casa e todas as vezes durante os últimos dias de inverno e só encontrei o som da sua ausência. E doía em meus ossos, mais do que frio do vento cortante na rua. Porque ela estava lá como eu sempre estive com você no passado, ocupando o seu lado preferido do sofá, o espaço deixado pelas suas camisetas em meu guarda roupa e dos seus livros e CDs preferidos na minha estante.

Percebi que não tinha meias para vestir, porque sempre usei as suas, que o cheiro do meu corpo era predominantemente o do seu perfume e dos seus cremes. Seu e não meu. Que escutava mais músicas que você gostava e ainda que eu ignorasse, Jungkook, você estaria por muito tempo inserido em cada cubículo daquela casa, em que eu mesma permiti que entrasse com suas coisas, suas malas, seu jeito acolhedor acreditando na divisão de anos e anos um com outro, um para o outro. Mas não foi assim e não estou tentando culpar ninguém por isso.

Só não foi assim.

A primavera trouxe as colorações de volta a minha vida, embora não soubesse como conduzir nenhuma delas a um quadro harmonioso. Os risos estavam lá como cores quentes e pessoas que me amavam continuariam a me amar, mesmo depois de você. Havia o azul melancólico de um céu sem frio e as cores do jardim, o rosa, o verde, o lilás das hortênsias no final da estação colorida. Sua mãe as preparou para mim no seu aniversário de dezenove anos e eu as plantei em um dia quente de tons felizes. Não imaginei que passaria a olhar para cada tonalidade com uma indiferença tão cruel.

O gelo havia passado, mas as flores eram frias em minha visão, quase mórbidas num cenário em que não teria seu sorriso arteiro arrancando flores do quintal a fim de montar arranjos estranhos dentro de casa. De certa forma, elas floriram uma última vez para celebrar sua partida. Eu estava o enterrando naquela época, no quarto, na sala, no jardim, em meu coração.

E quando o verão sorrateiro me fez abrir todas as janelas e obrigou-me a desenterrar os vestidos que ganhei de você no início de toda a bagunça que tivemos, eu pensei que o sol poderia me levar para algum lugar onde eu sentisse o calor do teu abraço e não apenas a quentura do asfalto e do tormento da cidade grande.

O marasmo para outras pessoas, era a lentidão de horas que não passavam, da temperatura que não parava de subir e do incômodo suor. Mas não para mim. O marasmo, Jeon, eram as horas que eu contava ansiando algo que eu nunca mais poderia ter, nos banhos que tomaria sozinha e no suor solitário produzido pelo inferno de um aquecimento global crescente e não pelo seu toque, não pelo encostar do teu corpo no meu.

No verão eu não ansiava sombra ou água, ou refresco, eu ansiava você.

Depois observei a chegada de outros sabores, outros beijos, outros cheiros que pareciam inadequados a mim. Eu me odiei por beijar outra boca esperando você, por olhar em um outro rosto, por sorrir pensando em você quando já era inútil esperar qualquer coisa, por qualquer meio.

Me desculpe por não ter entendido. Tenho certeza de que foi claro o suficiente no instante em que me disse “vai ser melhor assim”. Só que as estações massacraram meu coração e então te odiei por um curto período antes de perceber que a raiva retida, era apenas um acúmulo de decepções mútuas que nutri por nós dois.

Eu precisava encontrar um culpado, mas o verão e seus dias intermináveis me ensinaram que existem coisas que apenas não podem ser, existir, durar. Existem sonhos que não valem a pena o tempo sonhado.

Então o outono e não o inverno, a primavera ou o verão, foi a parte mais dolorosa porque por ele comecei a me esquecer e não havia nada a ser feito para  te aprisionar, nem mesmo em minha cabeça.

Qual era mesmo o som da tua risada? Como era sentir seu toque através do lençol? Você também já esqueceu Jungkook? Ainda se recorda do que sentiu quando eu disse que te amava? Será que depois de tanto tempo sabe o quanto chorei? E ainda dói lembrar-se das minhas lágrimas?

Eu esperei pela chuva durante a estiagem. A chuva que lavaria cada parte tua existente em meu cerne, porque foi a seca a pior parte, assim que vi aquele espaço da sua ausência ser preenchido pelo passar do tempo. Quando as flores que cultivamos juntos morreram de sede e inanição.

As hortênsias secaram, Jeon. Elas se esfarelaram em meu toque como suas lembranças em minha mente. Todas as melhores coisas viraram poeira pela falta de qualquer nutriente que as alimentasse e eu pensei que não fosse aguentar, que me sufocaria, mas continuo aqui.

E é verdade que você ainda está em mim como um sapato apertado que não quero jogar fora, como aquele vestido manchado de vinho que não posso mais usar. Mas você não faz mais sentido, nós dois nunca fizemos.

Dez meses é tempo suficiente para se esquecer do som de uma risada. Dez meses é tempo suficiente para me lavar de qualquer coisa tua. Estou sóbria, mesmo que ainda guarde o vestido, sei que nunca mais vou usá-lo e está tudo bem.

Vai ficar tudo bem e quando a chuva vier encerrando de uma vez por todas a nossa a aridez, vou deixá-la entrar. Abrirei todas as portas, perfurarei o telhado se for preciso e vou aceitar que enxague e inunde tudo, que leve suas fotos, o resto do gosto e da voz que ainda lembro, que encha meus pulmões e sufoque meus gritos, me afogue até que eu possa viver de novo.

Hoje te encontrei acompanhado em algum canto do metrô. Pensei que morreria, mas eu só espero pela chuva Jungkook.

A tempestade perfeita.

É claro que sinto sua falta, mas são dez meses e não vou desistir de mim mesma. As flores eu deixei morrer, mas eu estou viva e sei que posso respirar sozinha. Só quero que saiba que quando a chuva vier, forte e violenta, você pode até pensar que eu não vou sobreviver, que sem você me afogaria, porque foi exatamente assim durante todo o tempo em que estivemos juntos. Mas estarei aqui, apesar de tudo, continuo aqui.

Fomos uma tempestade mortífera. Você  foi o ápice das quatro estações que necessita sair para dar lugar a um inverno melhor que o da partida, a minha chuva interminável que precisa ser calmaria e será.

Porque pela manhã todos os seus vestígios, todos os teus detalhes serão destruídos com a água, com o vento, com os raios atípicos no outono e eu ficarei bem, Jeon.

Bem e finalmente limpa, sem você.


Notas Finais


Eu tentei fazer algo bonito o bastante, qualquer dia te entrego algo melhor ♥

(perdoe qualquer erro)

Hortênsias por todos os lados porque é minha flor favorita

Obrigada por ler


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...