História A Terceira Força - Capítulo 32


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Categorias Star Wars
Personagens Kylo Ren, Rey
Tags Adam Driver, Daisy Ridley, Kylo Ren, Rey, Reylo, Star Wars, The Force Awakens, The Last Jedi
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Palavras 2.329
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 32 - O Jedi e o Cavaleiro.


Fanfic / Fanfiction A Terceira Força - Capítulo 32 - O Jedi e o Cavaleiro.

A base tinha se tornado um formigueiro de atividades. Os espaços estavam mobilizados com todos os técnicos, pilotos e oficiais prontos para qualquer emergência ou plano de fuga.

A tensão vibrava no ar.

No meio do pátio, General Organa dava as últimas coordenadas para o Esquadrão que acompanharia Luke e Ben até Jakku.

“Sejam fortes e focados. Contra-ataquem o que puderem, deixem o caminho livre para que eles cheguem em segurança. A Primeira Ordem está ruindo, um soldado, uma nave, um líder por vez. Mas é Snoke que precisa cair. Cada um de vocês é importante para alcançarmos a vitória!”

Uma movimentação lateral fez Leia interromper seu discurso de motivação. Era seu filho chegando ao hangar, seguido do velho tio. Luke vestia o seu já surrado manto cinza, e Ben estava majestoso dentro da túnica escura que pertenceu a Anakin Skywalker.

Ele estava pronto para honrar o legado de seu avô.

Kylo atravessou o pátio, indo decididamente na direção da General. O que causou certo nervosismo entre os pilotos. Mas, para o espanto geral, assim que Kylo alcançou Leia, ele a envolveu num caloroso abraço. Sem considerar qualquer maldita regra de protocolo e segurança.

“Desculpe-me” Kylo suspirou. Apertando sua mãe contra o peito.

Leia sabia o que aquele pedido de desculpas significava, e o quão era importante para ambos. Mas de repente, ela, que sempre sabia o que dizer, estava sem palavras.

Por anos, Leia não chorou. Não conseguia chorar. Tinha se juntado à Aliança Rebelde muito jovem. E a partir do momento em que encarou sua responsabilidade como General, ela entrou de cabeça nisso, deixando as emoções de lado, se escondendo sob uma fachada de frieza.

Mas agora, sentindo os braços de seu filho ao seu redor, ela percebeu essa fachada se quebrar e as lágrimas escorrerem.

“Eu te perdoo, meu filho”. Foram as únicas palavras que ela conseguiu pronunciar.

Finn se aproximou, encerrando o momento tocante, enquanto trocava informações com a torre de controle através do comunicador. “Desculpe-me General, mas a aeronave já está pronta para decolagem”.

Para agradável surpresa de Kylo, a Resistência tinha tomado sua shuttle de comando quando invadiram a Finalizer. Sua nave, uma ônix sombria, com asas voltadas para cima, esperava pacientemente entre as outras. Destoando da frota da Resistência, feito um corvo entre pardais.

Leia estava parada, com as mãos atrás das costas, observando-os ir. Lágrimas queimavam atrás dos seus olhos. Tantos anos como General, tomando todo tipo de decisão difícil, mas decididamente ela não estava pronta para vê-lo partir mais uma vez.

Assim, sem mais uma palavra, Kylo virou-se para olhar sua mãe mais uma vez antes de sumir no alto da rampa.

A nave de Kylo decolou imponente na direção das nuvens. Leia tentou irracionalmente acompanhar aquele pontinho preto no céu, seguido dos caças que criaram uma escolta ao seu redor. Até desaparecerem pelas bordas da atmosfera.

“Que a Força os guie”. Leia sussurrou.

*

O Jedi e o Cavaleiro seguiam pelo hiperespaço agora. A cabine mergulhada numa vórtice de velocidade, onde as estrelas esparramavam-se como chuva num para-brisa.

Era uma tranquilidade desconcertante antes da batalha final.

Luke quebrou o gelo, puxando conversa. “Sabe. Eu estive pensando… Como você nos encontrou em Ahch-to?”.

Sem tirar os olhos do painel, Kylo apenas respondeu com outra pergunta. “Por que quer saber?”

“Ben, eu estive naquela ilha por anos. Sem que nem a minha própria irmã soubesse da minha localização. Recompensam, subornos, sondas foram disparadas para todos os cantos da Galáxia para quem me encontrasse.”

“Foi este…” Luke balançou sua mão no ar, em um movimento quase místico “… este vínculo com Rey, não foi?”.

Kylo percebeu que poderia responder esta pergunta. “Sim. Toda vez que eu pensava nela, eu conseguia ver o que ela via, sentir o que ela sentia. Era algo muito… intenso. Nunca experimentei isso com mais ninguém. Encontrá-la foi só uma questão de tempo e concentração.”

Ele se sentiu meio envergonhado em admitir que pensasse em Rey. Seu rosto deve ter ficado vermelho, entregando o jogo. Mas seu tio não percebeu - ou pelo menos não deu nenhuma indicação de que percebeu - e Kylo estava aliviado por isso.

O velho Jedi limpou a garganta. “Você consegue alcançar Rey agora?”

“Não consigo… Nossa conexão diminuiu consideravelmente desde que Snoke a levou…”

As mãos de Luke alisavam a barba. Olhando para o nada, pensativo “Você acha que Snoke pode ter diluído a Força presencial dela, ou até mesmo enfraquecido o vínculo entre vocês, para que não a encontrasse?”.

Isso não tinha ocorrido a Kylo, mas era bastante provável.

Luke virou-se novamente. “Ben, suspeito que o vínculo entre vocês foi forjado com um propósito, muito antes de se conhecerem. Mas somente quando a Força de Rey foi despertada, é que se tornaram acessíveis um pro outro.

“Por que Snoke se daria ao trabalho de fazer isso? Somente para que eu a encontrasse?”. Kylo questionou.

“Não exatamente”. Luke fez uma pausa. Era como se estivesse estudando Kylo, tentando avaliar o que poderia ser tão importante sobre ele, para que Snoke criasse esta conexão entre os dois.

“Hmm, por acaso vocês… se envolveram?”.

Kylo engoliu um seco, gaguejando. “Se… nos envolvemos? Ahn, bom, depende do que você considera um envolvimento”.

Seu tio riu discretamente, ao reconhecer em seu sobrinho o mesmo poder de enrolação de Han Solo. “Serei mais claro então… Existe um sentimento entre vocês?”

A expressão de Kylo respondia tudo, mesmo ele não querendo admitir com todas as palavras “Existe. É um sentimento de muito… respeito!”.

Luke não tinha nascido ontem. Era óbvio o que estava acontecendo ali.

“Ah, droga!” Luke apertou o topo do nariz com dois dedos, fechando os olhos. “Não existe um caminho tranquilo quando sentimentos estão envolvidos, Ben! Olhe o que aconteceu com seu avô! O amor por Padmé foi tanto que Darth Sidious usou isso contra ele. Da mesma forma que Snoke está usando isso contra você! Agora entende porque um Jedi não pode ter apego?”.

Kylo resmungou, remexendo-se dentro da túnica, incomodado com o título. “Eu sou livre para sentir, e sabe por quê? Porque eu não sou um Jedi!”

“Ah não? Pois é o que me parece dentro desta roupa”. Luke disse, apontando com o queixo, na direção de Kylo.

Kylo virou a cadeira na direção de seu tio. Um sorrisinho irônico estampado no rosto “Ah, quer dizer então, que se eu me vestir como um maldito Stormtrooper, eu automaticamente me torno um Stormtrooper?”

Luke imediatamente percebeu a referência, e rebateu “Mas você é um Skywalker! Esta é a sua essência. Nossa herança é luminosa por excelência. Você é o último elo da nossa família, você tem que honrar sua origem!”.

Ao dizer isso, uma teoria tragicamente plausível ocorreu para Luke, fazendo-o interromper sua reprimenda. Se a teoria que se desdobrava diante dele fosse realmente certa, a situação toda era ainda pior do que ele imaginava.

“Ben, diga-me” Luke baixou o tom de voz, se pondo ao lado do sobrinho. Como se tivesse medo - e como se fosse possível - que mais alguém pudesse escutá-lo no meio do espaço.

Existe a chance de Rey estar… esperando um filho seu?”

Kylo ergueu suas sobrancelhas escuras, numa expressão alarmada. “Ahn… Por quê?”.

“Ouça seu velho tio”. Luke deu um longo suspiro, tentando explicar a seriedade da situação.

“Existe uma profecia, onde diz que o almejado equilíbrio da Galáxia viria através da Terceira Força. A única detentora do poder Luminoso e Escuro em seu estado bruto. Muito se discutiu sobre isso. O que seria esta Força? Seria uma metáfora, algum acontecimento, alguma coisa ou alguém? Hoje eu suspeito que Snoke usou vocês para gerar a própria materialização física do Equilíbrio. Uma forma de vida compatível e poderosa suficiente, para aguentar a quantidade exorbitante de midi-chlorians que ele carrega. Sem que ele se degenerasse, tornando-se imortal”.

Kylo mal conseguia respirar, agora. Toda aquela merda que seu tio acabou de dizer fazia sentido.

O ávido Sith cobiçava o poder e a Força desta vida antes mesmo dela ser gerada. Mantê-los conectados, seria uma garantia que o plano ambicioso de unir as duas Forças se concretizasse em algum momento. Snoke assumiria e treinaria o fruto desta união desde o princípio. Por isso planejava matá-los depois de tudo. Seria uma garantia de que não haveria ensinos conflitantes e corrompidos no caminho.

A culpa se espalhou pelo corpo de Kylo, como se tivesse pisoteado um formigueiro. Ele estava prestes a confirmar as suspeitas de Luke, quando a desaceleração gradual da aeronave sinalizou que estavam chegando ao fim do percurso.

Kylo deu um toque rápido na tela do computador de navegação, então reduziu a aceleração. As longas linhas de luz foram de raias a estrelas. Assim que a nave parou, eles puderam ver o campo minado em que a órbita de Jakku tinha se tornado.

Diante deles, a batalha se alastrava pela escuridão. O breu já salpicado de lasers e explosões. De um lado, uma armada de fragatas da República disparava uma linha de tiros contra destroieres da Primeira Ordem. E, entre as duas frotas, um enxame de naves trocando tiros, como marimbondos nervosos que foram expulsos de sua colmeia.

Era uma guerra brutal. Sem regras, nem ordem.

Seguiram destemidos entre disparos que passavam em ambas as direções, atravessando e sumindo no vácuo diante deles, num fogo cruzado da morte. Não demorou até que dois bipes vermelhos piscassem no painel, seguido de um tiro que zuniu por eles.

Kylo não esperou um segundo tiro para tomar alguma atitude. Ele se aprumou na cadeira, enquanto olhava para Luke “Melhor você se segurar aí”.

Seu tio devolveu com uma expressão assustada, antes de se agarrar ao encosto da poltrona. Embora Luke também tenha sido um hábil piloto, há muito que ele não entrava em um combate aéreo. Fazendo-o se lembrar de que não era mais um jovem Skywalker viajando pela Galáxia.

Embora a nave de comando de Kylo tenha lá suas qualidades, ela não era uma nave projetada para batalhas, o que dificultava algumas manobras de evasão. Esta realidade o fez suspirar, frustrado. O que ele não daria para estar com a sua letal TIE Silencer naquele momento!

Então, com aquela mesma arrogância confiante de Han Solo, Kylo forçou o manche todo para trás. Sua nave podia não ser tão rápida, mas tinha força. A coisa se moveu com peso e propósito, num loop, desviando de uma saraivada de tiros com desenvoltura. Para então mergulhar na retaguarda do inimigo, que ziguezagueou, procurando evitar seus tiros duplos, até ser atingido. Girando pelo espaço, como um peão.

A segunda aeronave continuava ao seu encalço. Então Kylo sobrevoou, procurando pelo atirador na escuridão. Até que viu um vulto passar à sua direita, fazendo-o enquadrar o alvo. Uma salva de tiros foi disparada, e o caça inimigo teve sua trajetória subitamente desviada, despencando num parafuso entre as nuvens de Jakku.

Kylo não podia negar que sentia certo prazer mórbido ao ver cada alvo ser derrubado. Mas ele não estava ali para isso. Ele estava ali para derrotar Snoke. Rapidamente, Kylo apertou o comunicador “Preciso de cobertura para iniciar o procedimento de pouso”.

O Capitão da frota de escolta cruzou à sua frente, atraindo um punhado de TIE Fighters atrás dele, como flechas lançadas sobre um faisão, abrindo temporariamente caminho para Luke e Kylo descerem até a atmosfera de Jakku.

Mas o que antes era um planeta seco cercado de areia, com aquele céu azul celeste sem nuvens, agora tinha chuva. Muita chuva. A escuridão tinha se estabelecido no céu onde antes só havia sol. Um ou outro caça riscava o conjunto de nuvens carregadas. Relâmpagos e disparos da batalha se uniam num espetáculo estroboscópico.

Luke encarou o vidro dianteiro, cuja visão foi prejudicada pela chuva torrencial. “Estamos no planeta certo?” Ele parecia querer confirmar com mais alguém, para ter certeza que não estava delirando.

Embora Kylo não conhecesse Jakku pessoalmente, ele sabia que de nada parecia com aquilo, dado as lembranças que ele visualizou na mente de Rey.

O computador de bordo apitou um alerta meteorológico.

“Ah, que ótimo” Kylo fungou “Estamos indo direto para um furacão!”.

Um segundo alerta piscou no painel, desta vez, a respeito da atividade eletromagnética do planeta. A nota dizia que o núcleo de Jakku estava com um comportamento atípico. O que, em parte, poderia explicar o estranho fenômeno.

 “O que quer que Snoke esteja fazendo. Nós temos que parar” Luke decretou, com seriedade. Ele nunca vira um poder como aquele.

A tempestade, carregada de relâmpagos e ventos fortes, açoitava a lateral da aeronave com tanta força, que fazia tudo sacudir. No entanto, Kylo não se abalou com a condição de voo. Ele tinha confiança nas suas habilidades como piloto - adquiridas graças ao seu pai. Então, segurou firmemente os controles, brigando com toda turbulência. Os motores iônicos gritavam, se esforçando para manter a nave no ar, enquanto Kylo se alinhava ao horizonte, deixando o turbilhão pra trás.

Apesar da visibilidade comprometida, conseguiram avistar a cordilheira ao longe, com suas colinas escarpadas, que se projetavam na direção do céu cinza.

Kylo apertou rápido alguns botões no painel de comando, acionando as dobradiças pneumáticas do compartimento de carga, que se abriu lentamente. Assim que tocou o solo, a nave foi desligada num breve zunido.

Ambos se entreolharam, antes de se enfiarem dentro de seus capuzes e descerem a rampa, encarando a irremediável chuva.

A tempestade caia sobre eles sem dó nem piedade, e continuou os castigando ininterruptamente pelo caminho todo. Deixando-os tão molhados quanto um tooka que caiu numa cisterna, mesmo dentro de suas capas impermeáveis.

Diante da chuvarada, Luke ainda tentou manter sua positividade. “O que é uma roupa molhada perto de uma guerra, não é mesmo?”. Kylo sequer se deu o trabalho de esboçar qualquer reação com a piadinha. Ele não estava pra brincadeira.

Repentinamente, um clarão de relâmpago atravessou a paisagem, iluminando tudo num flash, destacando a silhueta de seis espectros que caminhavam lentamente até eles.

Kylo cessou seus passos. Ah, droga! Ele conhecia aqueles espectros.

Eram os Cavaleiros de Ren.


Notas Finais


Para quem perguntou, por quê Kylo não procurava Rey pelo vínculo. A resposta taí: A conexão diminuiu desde que Snoke a raptou, e isso levou a toda teoria que Luke e Kylo discutiram no trajeto até Jakku.
E por falar em Jakku. Que chuvarada foi esta? E os Cavaleiros de Ren? Socorro. Muita coisa.


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