História A Tragédia de Reykjavík - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescência, Depressão, Desabafo
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Palavras 1.315
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Prólogo


Reykjavík. É um bom nome, não é? Uma capital. Eu posso chamá-lo de Reiku ou Reiki, talvez. Enfim, ele tinha 13 anos em 2013, tendo nascido em 1999. Não há muito a se dizer sobre a infância de Reiki, apenas que ele sofreu bullying e foi humilhado de várias formas, mas isso é o esperado dessa história. Reiki é dislálico, ou seja, tem problema para falar. Também é introvertido, não tem amigos e anda com uma cara de velório. Era sempre velório na sua cabeça, pois suas esperanças morriam diariamente.

Por onde começo? Ah sim, pelas meninas que ele gostou na vida. Afinal é por isso que comecei em 2013 e não da humilhação que veio antes, não é?

A primeira que ele gostou se chamava Leti...sa! Isso, Letisa, um nome islandês. Ele a conheceu no karatê. Sim, ele fazia karatê, mas isso é outra história. Letisa era três meses mais nova que ele, mas estava na sétima série em vez da oitava, porque Reiku era adiantado. Ambos estudavam no mesmo colégio, Colégio Santa Terceirização (CST), porém ele de tarde e ela de manhã.

Como ele passou a gostar dela? Porque ele a viu e a achou bonita, o que corresponde à maioria das que ele achou estar apaixonado, ou seja, um trouxa que devia ter nascido no século 19 pra ser poeta romântico da segunda geração. Então por que estou considerando isto aqui? Porque foi a primeira, e a que teve mais impacto. Reiki a conheceu em 2012, ela também ficou excluída da sala no exercício de karatê e teve que fazer com ele. Os olhares do professor e do colega mais velho junto com o nervosismo talvez reforçaram a ideia de que gostava dela. E gostou dela por um ano sem nunca ter falado com ela.

Reiki nunca sorria. Nunca na vida teve um sorriso sincero, e demorou anos até perceber que sorrir era uma obrigação social. Em geral, ficava sério e com os olhos semicerrados, o que lhe dava uma expressão de ódio.

- Quando eu te conheci, tive medo de você. Pensei que quisesse me matar – riu Letisa certa vez. Mas conhecendo ela, Reiki pensou que talvez pensasse isso mesmo.

Reiki não tinha amigos. Fazia parte de um grupo na cidade em que morava antes, Ravnica, mas a única coisa que unia aos outros era ser agredido pelo mesmo valentão, porque em geral não tinham muito assunto para conversar. Depois, na sétima série já em sua cidade atual, Halmberg, entrou num grupo em que nunca falava nada, apenas os acompanhava. As únicas vezes em que prestaram atenção nele foi para o shipparem com Gianne, que depois veio a ser sua amiga, e quando quiseram zoar alguém bem tímido no grupo, isso já em 2013.

Como sua vida real era uma merda, Reiki usava bastantemente a internet, onde tinha seus amigos com quem podia compartilhar suas aflições e seus pensamentos perturbados, e contou de Let para eles. Era muito covarde para falar qualquer coisa com ela, até que um dia um de seus amigos de internet o convenceu a fazer isso.

Conseguiu conversar com ela depois de um ano, e conversavam bem, suas conversas de chat rendiam. Não conseguiam conversar pessoalmente, por estudarem em turnos diferentes e não haver forma de se encontrarem. Certa vez, disse a ela que era bonita e ela agradeceu rindo. À partir daí mais problemas foram surgindo: Leiknir, o primo de Let, veio falar com Reiki, mandando ele parar de gostar dela.

No ano anterior, Leiknir e Reiki eram do mesmo ônibus escolar, onde o primo de sua crush costumava irritá-lo. Num desses dias, Reikjavík entrou, sentou-se ao lado de Hasteein, colega da van que era duas séries mais novo, com quem conversava às vezes. Havia sido alvo de bastante vergonha naquele dia, e estava com muita raiva. Então Leiknir, que estava sentado ao lado de Gudmon, veio irritá-lo.

- Ei, Reikjavík, fiquei sabendo de um negoço seu aí.

- Não me irrita, Leiknir – respondeu, com o rosto corado. - Já tive um péssimo dia hoje, não preciso de você para piorá-lo, me deixa em paz por favor.

- Por quê? Vai chorar? - ele riu.

Reiki ficou em silêncio. Leiknir continuou:

- Que viado zé. Por que não beija a boca do Hasteein pra acalmar? - e continuou zoando. Reiki sofria influência da família sobre o que pensava na época, e anos depois foi tomar consciência de respeitar os homossexuais. Mas de qualquer forma, qualquer anologia a isso era um xingamento em sua oitava série.

Então perdeu a paciência, se levantou, foi ao banco de trás e começou a socar Leiknir. Um, dois, depois outro, ele se defendeu com os braços e pediu para parar, mas Reiki não se importou. Até que Gudmon o segurou e com o rosto assustado pediu para parar, e voltou a se sentar no lugar de antes. Reiki não era forte. Para ser sincero, seu ódio era sua força, o ódio o guiava e o fazia reagir assim, o que já deu problemas contra pessoas mais fortes, mas Reiki nunca se importou. Nunca partia para a violência, a menos que o pressionassem demais. Mas para alunos de fundamental, não há limites na humilhação. A van voltou à normalidade depois de um tempo. Leiknir continuava lhe zoando, a panela dos mais velhos também. Reiki sempre foi um fácil alvo de bullying, por sua atitude quieta, sua dislalia, suas respostas revoltadas e a raiva que tinha com tudo.

Let era três meses mais nova, mas parecia ser bem mais mentalmente. Seus pais a trancavam dentro de casa, e a qualquer lugar que estivesse iam consigo, exceto dentro da escola, e por isso que Let não estava na mesma van que o primo. Obrigaram a pobre garota a imaginar que a rua lá fora era escura e cheia de terrores, pedófilos e sequestradores de todo o tipo. Reiki sentia pena dela e queria ajudá-la, mas achava isso difícil, porque na época não sabia que era impossível. No meio de 2013 a abraçou certa vez, e assim se sentiu apaixonado pela primeira vez.

- Reikjavík, você tá feliz hoje – observou Gianne certa vez.

Pulando detalhes desnecessários sobre como estava alegre e esperançoso, em alguns dias a sensação acabou e voltou sua tristeza pelo amor irrealizável. Nisso, os pais de Let já sabiam, obra de seu primo. Gudmon também sabia e o zoou por isso uma vez. Os meninos do karatê também sabiam, embora Let não estivesse lá mais e Leiknir aparecesse de vez em nunca. Entretanto, nada abalava a forma como se sentia. Nunca planejou nada com ela, e nem adiantaria.

As esperanças morriam cada dia mais. Aos 14 anos, Let foi ficando cada vez mais estranha, agora era cada vez mais paranoica, e o desprezava. Falava com desgosto de casais e felicidade, dizendo que tinha nojo de tudo aquilo. Era uma criança, afinal, uma rapunzel de cabeça raspada trancada em sua torre por toda a vida. Depois de um ano e meio, Reiki desistiu de todo aquele esforço desperdiçado em alguém que o desprezava, disse sua última explicação sobre tudo e mesmo assim ela não parecia entender.

Nunca soube se ela tinha mudado por pressão da família. Nunca soube se ela era cínica, o que era improvável, pela sinceridade que exprimia. Nunca soube o que sua família havia feito para isolá-la ainda mais após isso.


 

Isso não foi seu maior fracasso, nem um dos maiores. Se contar pelo tempo em que ficou gostando dela, foi o maior de todos (por volta de um ano e meio), mas não passou de um crush menor de uma menina que achava bonita e que falava com ele. Então por que ressaltei isso aqui? Porque é o que levou a todos os outros. Conversando com Letisa, Reiki descobriu que conseguia ser gentil, talvez até fosse uma boa pessoa, o que seria destruído nos anos seguintes, no Ensino Médio.



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