História A Tragédia de Reykjavík - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescência, Depressão, Desabafo
Visualizações 7
Palavras 2.313
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Amigos


- Joramum sempre me ameaçava quando passava nos corredores – contou Reiki. - Certo dia na Educação Física ele ficou esbarrando em mim, até que uma hora eu parei de me dobrar para ele e resisti, então ele gritou comigo e me ameaçou mais ainda – falar de sua infância em Ravnica era sempre pesado e o fazia se sentir mal. Contou, como em outras vezes em que ele perguntou, o que o valentão fazia com ele e seu grupo da outra escola. - …e na sala da coordenação, único lugar em que eu podia ir, a coordenadora nunca fazia nada. Só ficava ouvindo, dizia que não podia, mandava apertarmos as mãos, e quando saímos o ciclo se repetia.

- Aham – disse o psicólogo. - Pelo o que eu vi, ele fez uma brincadeira com você. E por que o Reykjavík não levou isso na boa?

Ele sempre falava dele na terceira pessoa, como se não estivesse ali para ouvir as merdas que ele falava.

- Levar na boa?! - Reiki gritou. - Você não ouviu?! Ele me batia, ele me perseguia, ele me humilhava, ele me ameaçava, não tinha como levar isso na boa!

- Se o Reykjavík levasse isso na boa ele não ia mais fazer isso com ele.

- Não, eu não fazia nada com ele! E ele fazia isso! - Reiki odiava quando questionavam seu passado e sua dor. Como podiam questionar algo que nem estiveram lá para ver? - Eu era obrigado a aceitar ser o saco de pancada dele, junto com muita gente. Queria que eu risse também?! Como?!

- Não sei, isso você que tem que saber.

Tinha ido naquele psicólogo por todo o ano de 2012 e 2013, até que conseguiu convencer sua mãe a sair de lá no fim do ano.


 

Seu grupo na oitava série era constituído de Calius, um cara baixo de cabelos encaracolados, Felix, um de olhos verdes que sempre fazia apelação sexual com tudo, Reinar, que implicava e zoava por motivos aleatórios, sendo o mais imprevisível de todos, Lukas, que só ria e andava com Calius, e por fim Karl, o rapaz alto, calado e cheio de espinhas. Em 2013, as conversas de Cailus e Lukas com Reiki foram simplesmente zoando ele e o shippando com Gianne. De todos, Karl era o único que por um tempo pode chamar de amigo. A “amizade” dos dois era simplesmente Reiki indo atrás dele e falando coisas, e ele respondendo uma coisa ou outra. Karl andava com todo mundo, desde Reiki até os zoeiros do fundo. Quando foram para o primeiro ano, Reikjavík foi para a turma 1A, enquanto ele foi para a turma 1E, a única da tarde. Agora no Ensino Médio havia o contra-turno, ou seja, dias em que ficavam o dia todo na escola, o que lhe permitia se encontrar com Karl às vezes, mas ele não se importava.

O vínculo que tinha com Hasteein havia se quebrado no ano passado. Em 2012 ele e Reykjavík se conheceram. Hasteein estava na quinta série e contou sobre uma menina que ele gostava e tentava ficar com ela. No fim do ano ele estava mais aflito, pois as aulas estavam acabando e não conseguiria beijá-la. Como faltou os últimos dias, Reiki só foi descobrir o resultado no ano seguinte. O fora que tomou deixou Hasteein tão abalado que ele entrou na modinha do funk com força, mas isso era o de menos. Em 2013 era ignorante com todo mundo, irritava e implicava. Além disso, pagava de macho escroto. Reykjavík era muito estressado na oitava série, e como foi dito no capítulo anterior, não tinha força, mas tinha a motivação do ódio. No fim daquele ano, estavam no último banco e Gudmon implicou com ele na van, o que levou Reiki à violência, mas Gudmon reagiu e acertou seu nariz, fazendo sair bastante sangue. O que ele fez a seguir foi rir e dar um papel para que ele secasse. Na mesma hora em que viu o sangue, Hasteein correu para a frente, depois se justificando que tinha pavor a isso. A motorista viu o sangue escorrendo, não perguntou o que havia acontecido e apenas mandou Reiki ficar com a cabeça para cima, para não escorrer muito sangue. Então chegou o povo do Ensino Médio da Estadual e a zoeira com Reiki começou. Muitos riram, Gudmon riu junto quando falou o que aconteceu, e havia um entre os da estadual que já implicava com Reiki e Hasteein desde 2012, e ele ficou colocando lenha na fogueira da zoação dizendo que merecia mais e que Gudmon devia ter filmado a hora em que o sangue espirrou. A zoação continuou pelos muitos bairros em que passaram e os outros da van ficaram indiferentes, até que, já secando as lágrimas junto ao sangue, Reiki gritou para calarem a boca. Então ficaram quietos porque a motorista ouviu. Mais tarde, quando soube da história, falou que Gudmon estava certo, mesmo tendo zoado a dor de Reykjavík por todo o percurso junto aos colegas. Quando chegou em casa, a mãe de Reiki o viu com a camisa branca cheia de sangue, chorando e com o nariz sangrando, a primeira coisa que fez foi brigar com ele. Depois soube da história e brigou mais ainda, e em vez de dizer que o que foi feito era “bem-feito” disse que merecia pior. Quando Hasteein soube da história, chamou-o covarde por não ter continuado lutando. E então parou de falar com ele após isso.

Gudmon foi à sua casa com a mãe dele pedir desculpas, e foi aceito. Na escola, continuou a zoar com sua panela de amigos. Havia uma pergunta constrangedora que faziam com ele todo dia, e ele nunca respondia. Até que um dia pediu à orientadora para terminar com aquilo. E a solução dela foi fazer todos os envolvidos pedirem desculpa, e todos pediram, menos Gudmon, mas para Reiki, suas desculpas falsas não faziam diferença. Ele estava na turma 1A em 2014, mas em uma semana ele mudou de cidade. A turma 1A não tinha os zoeiros do fundo. Em geral, estava bem lá. Calius e Felix estavam em sua sala, e sem sucesso continuava a tentar ser amigo deles.

Reykjavík tentou mudar sua postura para o 1º ano. Aprendeu que sorrir era uma obrigação social e também abria os olhos. Apesar disso, continuava agressivo e não conseguia controlar sua revolta muitas vezes, com exclusão, principalmente. Ele conheceu Irmy, uma bonita loira de catorze anos, e sua amiga Czetia. Nos raros momentos em que falava com elas, quando se sentavam em círculo para uma aula, Reiki fazia alguns comentários ou trocava palavras com elas. Nunca ficou amigo delas, mas esse detalhe é relevante no futuro.

Geralmente almoçava com Cailus, onde sentava numa grande mesa e sua existência era ignorada até por ele, que dizia ser seu amigo. No dia que tiveram de fazer trabalho em grupos, sentou-se ao lado de Cailus em outra mesa grande na escola e ainda ouvia a conversa de zoeira entre Cailus e seus amigos quando já tinha acabado. Virou-se para ele e falou:

- Vou embora logo, antes que sobre pra mim.

Nisso, Cailus virou-se para a mesa e passou a falar de Reiki, incluindo-o na zoeira em grupo. Então ficou forçando shipp entre ele e Czetia, e os outros riram enquanto ele ia falando. Aquilo o incomodava, mas o que podia fazer? Pedir para Cailus parar no meio de toda aquela gente? Sair correndo e fazer os outros acharem que ele gostava da Czetia? Ou dar um ataque de raiva? Não, nada disso servia. Se fizesse isso, só iria voltar a ser como era no Fundamental. Ficou lá e riu também. Czetia também teve que rir. Riram até ficarem vermelhos, até ficarem exaustos, e mesmo assim Cailus e seu grupo não paravam. Dava para ver que Czetia também estava incomodada e queria sair dali. Por fim, alguém chamou o grupo para outra mesa, e rapidamente Czetia saiu. Alguns ficaram, e Cailus foi zoar Reiki novamente, agora da outra mesa.

- Cailus... - pediu. - para, por favor.

- Parar o quê? Estamos conversando – Cailus riu. - Vai brigar comigo, é Reykjavík? Vai me bater?

- Para! Para com isso! - disse alto, e por sorte outros não ouviram. Outra lágrima escorreu de seu rosto, mas essa não era do riso falso que havia feito.

Quando a aula acabou naquele dia, foi falar com ele na saída.

- Cailus, por que ficou me zoando hoje? Tava me incomodando – para não dizer machucando, fazendo bullying ou me humilhando na frente de metade da sala.

- Eu tava brincando só, Reykjavík.

- E-Eu não quero que você brinque mais comigo – pediu. - Me incomoda, eu não gosto.

- Eu brinco com meus amigos – respondeu, em tom de seriedade. - Se te incomoda, então não é meu amigo. Quer que seja assim?

- Quero que você pare de me zoar.

Depois daquilo, Cailus considerou a “amizade” deles desfeita. Reiki sentiu-se mal, pois para piorar sua situação deprimente, o considerava como seu único amigo. A verdade é que sempre se apegou às pessoas que considerou isso, mesmo que ela não se importassem consigo. Depois de um tempo tentando reconciliar, Reiki percebeu o que Cailus era e desistiu.

Veio a conhecer dois colegas que se sentavam no fundo da sala e pareciam tão antissociais quanto ele. Na turma de redação conheceu Refiluz, e ele o levou a conhecer Axel. Falava pouco com Axel, mas Refiluz o tolerava bastantemente, e passou a se sentar no fundo, para mais perto deles. Depois de um tempo andavam juntos, mas não tinha muitos vínculos com eles, então na maior parte do tempo ficava calado em seu canto. Conheceu Erik, o amigo de Refiluz na 1B, que namorava a colega de inglês e de sétima série de Reiki, Gianne.

Em sua paranoia e ultraexpressividade mental, Reiki pensou, na maior parte do ano, ter gostado de Gerda, que sentava em sua frente, porque a achava bonita e parecia ser legal. Antes disso, Artemis, de sua van, lhe chamava a atenção, mas ela se dissipou assim que falou com ela. Sendo a primeira mais relevante, Reykjavík havia crushado a garota e passou todo esse período inerte, sem nunca ter feito ou falado nada com ela, porque não sabia o que dizer nem tinha coragem para dizer nada, de novo.

Reykjavík não sofreu bullying de seus colegas pelo resto do ano, mas sempre era zoado quando os da turma 1E, com quem estudou no fundamental, o viam no corredor. Tentou na maior parte do tempo ser uma pessoa gentil, mas não tinha como por isso em prática, pois quem já o conhecia se afastava, e quem não o conhecia o ignorava. Apesar de ser o excluído do grupo, ele estava contente por fazer parte de um. Foi “efetivado” membro em abril ou maio de 2014, e continuou com eles até o fim do ano. Teve poucas conversas com as pessoas de lá, e a mais próxima de quem ele ficou foi Gianne, mas foi só no final do ano que parou de se fechar para ela, quando percebeu que ela gostava dele e queria ser sua amiga.

Em um desses últimos dias, seus amigos estavam jogando um badminton emprestado na Educação Física. Reiki disse que estava passando mal e quis sair do jogo, o que não era um problema, pois Refiluz era bom e o máximo que fazia era atrapalhar sua performance. Gianne não estava jogando e veio se sentar ao lado dele.

- Não vai jogar? - ela perguntou.

- N-Não, e-eu… eu não tô bem.

- Aconteceu alguma coisa?

Fez ela prometer que não iria contar para ninguém.

- Eu gosto de uma menina da minha sala – disse a ela.

Gianne pareceu surpresa, talvez porque nunca tinha visto Reiki sendo emotivo assim.

- Você gosta de alguém? - ele concordou com a cabeça. - Mas você acha isso pelo que ela é por dentro e não por aparência, né? - queria que fosse verdade. O que ele entendeu foi que ela estava perguntando se ele não era um daqueles que quer só pegar uma menina e depois não ligar mais para ela, e Reiki nunca foi assim. Concordou e ela sorriu. - Isso… Isso é bom, Reikjavík. Já falou a ela?

- Não. Nunca conversei com ela, nunca tive coragem. E agora o ano tá acabando, e eu não falei.

- Tudo bem, ainda tem o ano que vem pra falar com ela!

- Não. Minha mãe tá namorando um cara, e vou me mudar de volta pra Ravnica mês que vem.

Baixou a cabeça e engoliu as lágrimas enquanto não dava o tempo de voltar pra sala. Sentia-se triste, como mais podia se sentir? Demorou quinze anos para ter algum amigo de verdade por alguns meses e agora teria que simplesmente abandoná-los e mudar para o local onde mais havia sofrido na vida? Que deus seria tão cruel a ponto de deixar que isso acontecesse com alguém que não tinha nada que importasse na vida além deles? Os dias continuaram, as provas finais vieram.

Refiluz faltou os últimos dias de aula. Axel veio em apenas um. Erik veio na maioria, e almoçou com ele numa dessas vezes. Desde Cailus, Reiki não gostava de almoçar em grupo. Tinha medo da exclusão. Gianne também vinha, mas ficava falando com o namorado durante as aulas de poucas pessoas. Até que um dia os dois não vieram mais. Reiki não queria ir mais também, mas quando ia para casa sua mãe brigava consigo dizendo que devia ir pois estava de recuperação de matemática e biologia, mesmo que no dia não tivesse aula de nenhuma das duas. Reykjavík foi a todas as aulas e ficou de dependência em matemática. Nunca conseguiu ter coragem para falar com Gerda o que achava sentir.

E então começou 2015, o pior ano de sua vida.


Notas Finais


Não vai ser necessariamente 1 ano/capítulo. Eu vou estar voltando nos anteriores para detalhes que possam ser importantes para a história, e farei vários de apenas um.


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