História A Troca - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Hermione Granger, Ronald Weasley
Tags Amizade, Amor, Comedia, Harry, Hermione, Mione, Romance, Ron, Rony
Exibições 89
Palavras 5.498
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Ecchi, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oie gentchêee!
Olha eu aqui no dia das crianças com um presentinho pra você:

Até que enfim eu comecei a história de Harry e Ginny!
A fic se chama "A Escolha", e vocês podem vê-la aqui no meu perfil ^^

Essas duas/três semanas eu vou me dedicar um pouquinho mais a ela para poder sincronizar as duas histórias, mas isso não significa que eu esqueci dos meus leitores assíduos d'A troca não, tá? Eu só vou aparecer menos por um tempo, mas eu venho! Espero vocês por lá também, por favorzinho ~cara de criança pidona~

Agora vamos ao que interessa. Adianto que esse capítulo tá muitooo agitado, ahah

Capítulo 17 - A Vodka


– Bom, Harry... – comecei, desconcertada. Eu senti meu rosto muito quente – Eu e o Ron compramos um presente pra você, em conjunto.

Assim que eu terminei a frase, parte do pessoal soltou gritinhos e assobios, sugestivos. Olhei de relance para Neville e ele me encarava de olhos semicerrados. Já vi que eu teria que responder um questionário na primeira oportunidade que ele me encontrasse a sós. Harry estava sorrindo abertamente, satisfeito. Acho que ele já sabia que entre eu e Ron acontecia alguma coisa a mais do que uma simples amizade. Tive certeza dessa desconfiança quando ao invés de Harry se adiantar e pegar o presente da mão de Ron, ele se manteve sentado e começou a fazer perguntas.

– Por quê? – Harry perguntou, abraçado a Ginny. Ela, por sinal, estava fazendo uma cara que mesclava curiosidade e satisfação com a nossa cena de constrangimento.

     Como assim por que, meu filho? Apenas venha buscar isso aqui e não me mate de vergonha.

– Por que Hermione é lerda e não estava conseguindo encontrar um presente pra te dar – Ron se adiantou e respondeu no meu lugar.

Eu imaginei que a resposta curta e grossa de Ronald fosse o suficiente para responder todas as questões na mente de todos, mas eu estava bem enganada em relação a isso. A chuva de interrogações só havia começado.

– Quando foi isso? – Neville perguntou mais ao fundo.

– Tem, sei lá, um mês...? – eu respondi olhando pra Ron e ele confirmou, balançando a cabeça. Minha vontade era me enfiar em um buraco.

– Já que era em grupinho a entrega, por que vocês não chamaram mais alguém pra dividir o presente com vocês...? Ou não era? – Ginny questionou, enrolando uma mecha de cabelo vermelho nos dedos, fingindo-se desinteressada.

– Porque no momento só tinha eu e ele lá, Gin – eu respondi, tentando falar com a mesma naturalidade que ela exprimiu. De uma forma ou de outra, nós não estávamos mentindo em relação à ocasião que gerou a compra do presente.

– Aaah... então vocês saíram juntos para comprar o meu presente? – Harry voltou a indagar.

– Não – eu falei.

– Sim – Ron respondeu.

O grupo caiu na risada com a nossa confusão.

– Eu encontrei Hermione no shopping, perdida. Aí a gente resolveu uns assuntos e depois disso fomos comprar o seu presente – Ronald explicou, me olhando – Fim da história.

 Acho que Ron se lembrou da vergonha que me fez passar no meio do shopping, pois acabou prendendo o riso enquanto esclarecia a questão. Isso não passou despercebido aos olhos de Harry.

– Quais assuntos? – outra pergunta.

     Eu vou te matar, Harry Potter.

– Não é da sua conta, Potter – mais uma vez Ron respondeu, rindo – Agora dá pra você levantar essa sua bunda da cadeira e vir pegar esse caralho desse presente, antes que eu desista de te entregar e leve ele de volta pra casa?

Praticamente todo mundo riu do que Ron havia dito. O único que se manteve impassível e de cara fechada foi Viktor. Harry se levantou e pegou o presente na mão de Ron. Os dois trocaram um abraço animado. Ron disse alguma coisa no ouvido de Harry que o fez gargalhar mais uma vez. Olhar os dois se relacionando daquela forma me causou uma invejinha, de leve. O modo como eles se deram bem assim, de cara, foi realmente impressionante. Eu conseguia identificar ali o inicio de uma amizade bonita e verdadeira.

Harry largou Ron e me puxou para um abraço apertado, me agradecendo pelo presente.

– Eu sempre soube de vocês dois, minha filha – ele sussurrou ao meu ouvido, me apertando mais forte – Esse presente é só a confirmação do que eu já desconfiava.

– Eu vou te matar, Harry – eu respondi no mesmo tom.

Ele se afastou e encostou a testa na minha.

– Não vai não – Harry me respondeu e me deu um beijo no topo da cabeça, como se eu fosse uma criança birrenta – Você vai me agradecer depois.

Eu semicerrei os olhos para ele e fiz cara feia. Harry riu e se afastou para abrir o embrulho.

– Essa porra é pesada – ele reclamou, sentando novamente no puff ao lado do braço do sofá, onde Ginny estava empoleirada.

Nós imitamos a ação e voltamos a sentar nas nossas cadeiras. Harry praticamente destruiu todo o papel de presente, curioso para ver o que ele escondia. Quando finalmente viu o que tinha ganhado, Harry ficou um tempo analisando a caixa a sua frente, sem dizer nada. Ginny e Luna, que estavam mais perto, se esticaram interessadas. As duas abriram um sorriso divertido, visivelmente surpresas. Gerou-se uma tensão no local enquanto nós esperávamos Harry dizer alguma coisa a respeito do presente que acabara de receber. Impaciente com a demora do outro aniversariante, Neville se levantou apressado e puxou o presente do colo de Harry.

– Mentira que ele não ganhou isso! – Neville exclamou, olhando para mim e para Ron – Se ele não quiser, eu com certeza quero!

– Ei, deixa a gente ver?! – Dino pediu e Neville passou a caixa para ele.

Simas, Cedrico e até mesmo Viktor se estenderam para enxergar melhor o que era.

– Caralho...! É a última geração desse videogame – Cedrico puxou a caixa – Tem um mês que eu tô penando pra conseguir isso aqui.

     Olha, finalmente alguma coisa que Cedrico não conseguiu facilmente.

Harry acordou do transe e levantou rapidamente, rindo. Ele andou até a mesa dos meninos.

– Devolva a porra do meu presente – Harry puxou a caixa do videogame dos braços de Cedrico, que entregou relutantemente – Problema seu se você não conseguiu achar essa maravilha, Cedrico. Mas esse aqui é meu.

Ele abraçou o console, possessivo, e arrancou inúmeras risadas da nossa parte. Harry se virou na nossa direção.

– Esse presente que vocês dois me deram é muito foda. Eu tava louco pra ter um desse! – ele agradeceu mais uma vez, ainda agarrado na caixa – Agora vocês vão comprar presente de aniversário juntos pra mim todo ano!

Ron mordeu o lábio inferior e se virou na minha direção, me encarando.

– Pode deixar, Potter... – ele respondeu baixinho, sorrindo. Eu não pude deixar de retribuir o sorriso.

A conversa se desenrolou divertida. Aqueles que ainda não haviam entregado seus presentes foram se apresentando, um por um. Nós mantivemos um bate papo animado, comentando sobre cada coisa que estava sendo entregue. Questionamos também como Hannah e Ginny conseguiram enrolar direitinho Harry e Neville e convencer os dois a virem ao Caldeirão estender a comemoração.

– Acho que eu fiquei tão feliz que eu nem estranhei quando ela sugeriu que a gente viesse pra cá – Neville falou – Geralmente eu que tenho que implorar pra gente fazer alguma coisa diferente de sair pra comer ou ir ao cinema.

– Você fala de uma forma que parece que eu não faço nada além de dormir e trabalhar, Nev! – Hannah se defendeu, inconformada – Eu gosto de sair sim, só não tenho tempo!

– Mas ele tá certo Hannah. Você só faz isso mesmo! – Angelina disse, ajudando – Eu tenho pena de Neville. Ele só deve ver a sua calcinha de mês em mês!

– Angelina! – Hannah reclamou, totalmente vermelha. Eu não estava me aguentando de tanto rir daquela conversa. As outras pessoas também. Todos estavam praticamente rolando de dar risada.

– Mas e você, Ginny? – Parvati perguntou, ainda rindo – Fez o que pra arrastar o Harry pra cá?

– Olha, deu um trabalhinho, viu? – Ginny respondeu – Ele não queria vir de jeito nenhum. Eu só consegui convencer porque eu menti. Eu disse que o Neville e a Hannah estavam esperando a gente aqui.

Ronald sorriu, travesso. Ele se esticou até o meu ouvido e sussurrou.

– Agora ele me paga.

Eu franzi a testa sem entender sobre o que exatamente ele estava falando. A resposta veio logo depois.

– Por que você não queria vir mesmo, Harry? – Ron perguntou ao meu lado, subitamente interessado.

– Porque eu deveria estar resolvendo umas questões aí, Ronald – Harry falou rapidamente – Nada de especial.

– Tem certeza, Potter? – Ron inclinou a cabeça e levantou as sobrancelhas. Eu pude ver um brilho especial naqueles olhos azuis – Eu acho que todo mundo aqui tá bem interessado em saber o que você tinha pra resolver com tanta urgência.

Harry semicerrou os olhos para Ron, que sorriu, provocativo. Ginny olhava de um para o outro, sem entender nada.

– Dá pra você contar logo que porra é que você ia fazer antes, Harry? – Angel perguntou, impaciente – Agora eu quero saber, tô curiosa.

– Eu também quero – Luna levantou a mão, em concordância.

– Eu também – eu levantei a mão junto. Eu queria saber mesmo.

Aos poucos todo mundo levantou a mão. Harry estava sendo pressionado.

– Ok! – ele concordou, visivelmente contrariado.

Harry pegou a jaqueta na cabeceira da cadeira ao lado e tirou uma caixinha azul de dentro do bolso lateral. Mesmo um pouco longe eu pude perceber que capa era coberta por uma camurça bem delicada. O estojo era na verdade um porta-joias.

– Esse era o motivo da minha pressa em ir para casa – ele falou, levantando o embrulho para que todos pudessem ver.

Do meu lado o ruivo sorriu mais uma vez, satisfeito.

– Harry...? – Ginny tentou pegar o estojinho, mas Harry se apressou em puxar de volta – Pra quem você vai entregar isso?

– Pra uma pessoa especial – ele respondeu, segurando o queixo dela com carinho. Ginny sorriu – E é só isso que vocês vão saber por hoje.

Nós lamentamos, porém Harry se manteve impassível. Após longos minutos tentando convencê-lo a contar alguma coisa sobre o a caixinha, nos demos finalmente por vencidos e desistimos. Harry voltou a guardar a o mini porta-joias dentro do bolso da jaqueta.

– Creio que você saiba do que se trata aquilo, não é Ron? – perguntei ao ruivo, ao meu lado.

– Sei – ele não se deu o trabalho de negar – Mas não adianta insistir, porque eu não vou te contar.

Eu fiz cara feia e ele riu. Ron passou o braço por trás da minha cadeira e eu acabei apoiando minha cabeça confortavelmente no seu peito. Ele começou a fazer carinho na minha orelha.

– Você gosta realmente do Harry ou isso é só uma forma de se manter de olho no relacionamento da sua irmã? – eu indaguei. Já tinha percebido que Ron era um irmão ciumento.

– Sua tática não vai dar certo, Mione – ele riu. Tinha descoberto o meu plano de provoca-lo para tirar informações – Você só vai saber quando a Ginny te disser.

– O que é isso, Ronald? – eu olhei para cima, encarando-o – Sororidade masculina? Isso não existe, sabia?

Ele não me respondeu, só me olhou antes de me dar um beijo na testa e me apertar mais ainda em direção ao seu peito.

– Você é muito sem graça – eu falei.

– E você é linda – ele me respondeu.

Eu voltei a olhar para cima, mas dessa vez Ron não me encarava. Ele voltou a conversar com o pessoal e eu resolvi fazer o mesmo. Permanecemos na mesma posição até que, depois de muito choro por destruir o escudo perfeitamente desenhado, Harry e Neville partiram o bolo. As meninas ajudaram a dividir os pedaços e nós comemos, satisfeitos. O bolo estava mais gostoso do que eu imaginei. Cari foi magnífica como sempre. Harry e Ginny arrumaram o que sobrou e foram levar até o carro enquanto nós continuamos o diálogo. Quando eles voltaram, foi anunciada a abertura da pista para dança. Os funcionários do pub vieram até nós, comunicando que teria que recolher algumas mesas e maior parte das cadeiras. Pouco tempo depois, o pub mudou o tipo de iluminação, ligando as luzes estroboscópicas, e a musica de fundo aumentou.

– Ei, vamo dançar?! – Ginny perguntou animada, puxando Harry pela mão.

– Eu não sei dançar, Gin – Harry respondeu, rindo. Ainda sim ele se deixou ser arrastado para o meio da pista.

 – Venham também! – Ginny gritou para nós.

Praticamente todo grupo foi até ela. Neville permaneceu mais adiante, conversando alguma coisa com Hannah. Ela parecia um pouco chateada. Eles falaram algo por mais alguns minutos e trocaram alguns beijos. Hannah foi em direção à saída do pub e Nel andou até nós.

– Ela vai embora? – Ron perguntou, apontando pra Hannah que entregava a ficha de consumo no stand de saída.

– Vai sim – Neville respondeu – Mandou desculpas e um beijo para todos. É que ela tem plantão no hospital amanhã cedo.

– Essa rotina deve sem bem pesada pra Hannah – eu comentei – Esses horários incertos, toda semana.

– É bastante, mas ela gosta – Neville falou. Mesmo que ele estivesse sorrindo eu sabia que Nel não estava tão feliz assim – Quando ela se formar talvez melhore isso.

Olhei para a pista de dança.

– Eu quero dançar – afirmei. Eu me virei na direção deles – Vocês não vêm?

– Mais tarde – Ronald respondeu, apoiado no balcão. Neville concordou com ele, me indicando que não sairia dali.

Eu me afastei dos dois com medo do tipo de conversa que eles provavelmente iniciariam. Passei por algumas pessoas com certa dificuldade, o local agora parecia demasiadamente cheio. Eu consegui encontrar o nosso grupo pouco tempo depois. Todos dançavam animados. Eu me incluí no grupo e os acompanhei. Já estávamos dançando há um tempinho quando Cedrico se juntou a nós.

– Cadê Viktor? – Harry perguntou com Ginny grudada no pescoço. Ela fez uma cara feia ao ouvir a indagação.

– Morreu provavelmente – Ginny se esticou e sussurrou no meu ouvido. Eu ri com gosto.

– Tá no bar, enchendo a cara – Cedrico respondeu – Eu cansei de ficar lá vela e depois de babá.

– Ué, cadê a mulher que tava com ele? – Angelina perguntou enquanto dançava com Dino – Já foi embora?

– Foi – Cedrico meneou a cabeça, em concordância – Graças a Deus, por sinal.

 Ele levantou as mãos para cima, em agradecimento. Nós rimos da interpretação. Eu, particularmente, senti um tantinho de satisfação pessoal por Cedrico não gostar da atual companhia do melhor amigo. Logo depois, Ced esticou o braço e me puxou para dançar, divertido.

– Vejo que não perdeu suas habilidades do colegial, Mione – Cedrico me elogiou – Você ainda dança muito bem.

– Você também, Ced – eu o elogiei em retorno. Ele riu e discordou.

O tempo passou e eu comecei a me sentir cansada e com sede. Avisei ao pessoal que iria ao bar comprar alguma coisa para beber e me afastei. Cheguei no balcão e encontrei Ronald sozinho, sentado em um banquinho e mexendo no celular.

– Nossa, como você está se divertindo...! – eu falei falsamente impressionada, sentando ao lado dele.

– Sabia que diversão é um conceito relativo, Granger? – ele respondeu.

– Principalmente para quem está em uma balada e não sabe dançar – eu alfinetei. Ele semicerrou os olhos na minha direção.

 – Quem te disse que eu não sei dançar? – Ron me perguntou. Ele guardou o celular no bolso da calça e se apoiou no balcão.

– E por acaso você sabe?

– Vamos fazer uma troca – ele propôs – Uma informação pela outra.

– Tá, vamos – eu aceitei. Estava curiosa – Mas se eu não quiser responder alguma pergunta?

– Bom... nesse caso você vai ter que fazer o que eu mandar como forma de pagamento.

Ele abriu um sorriso, presunçoso. Eu não iria voltar atrás, então mantive minha decisão firme.

– Certo. Pode perguntar – eu confirmei.

– Por favor, primeiro as damas.

– Quem vê assim até pensa mesmo que é um cavalheiro... – ele rolou os olhos, rindo – Você sabe dançar, Ronald?

– Sei – ele respondeu, sem demora.

– E por que não saiu do lugar até agora?

– É minha vez de perguntar, Hermione – ele me cortou, levantando o dedo indicador – O que você estava conversando com aquele Barman?

A indagação de Ron foi tão direta que eu prendi o ar por alguns segundo.

– Coisas... – eu falei, sem dar mais nenhum detalhe.

– Coisas...? – ele levantou uma sobrancelha, descrente – Não vou encarar isso como uma resposta.

– Que seja – dei de ombros. Eu não ia contar o conteúdo da minha conversa, ainda que nós não tenhamos falado nada demais – Me diga logo o que eu vou ter que fazer então.

Ron sorriu largamente e mordeu o lábio inferior, como sempre fazia quando estava com pensamentos indecentes na mente.

     Se ele soubesse o quanto eu adoro quando ele faz isso...

– Você vai beber aquilo ali – ele apontou para uma garrafa de vidro fosco, que continha um líquido azul dentro.

– Eu não vou não! – rebati, revoltada – Você quer me embebedar, Ron?

– Largue de drama, Hermione – ele fez sinal para um dos barmen e pediu uma dose do liquido – É só um copinho.

Alguns segundos depois o barman voltou com a bebida. Ele agradeceu e me empurrou o copo. Eu fiz cara feia, mas aceitei. Nós fizemos um acordo, então agora eu tinha que ser honesta e cumprir com o combinado, gostando ou não. Me preparei mentalmente e encostei o copo na boca. Eu nunca havia bebido uma gota de álcool se quer na minha vida. Visando não prolongar muito o sofrimento, fechei os olhos e virei o conteúdo de vez. O líquido desceu arranhando pela minha garganta. Minha cabeça martelou um pouco antes d’eu voltar a abrir os olhos. Ron me encarava com um olhar divertido.

– Bem que o Neville disse que você nunca tinha bebido na vida – ele comentou, ainda me analisando – Como foi a primeira experiência?

– Horrível – falei. Foi bem ruim mesmo – Satisfeito? Agora é minha vez.

– Fique a vontade pra perguntar o que quiser – ele disse abrindo os braços – Sou um livro aberto.

– Sobre o que você estava conversando com Neville? – resolvi ser bem direta também.

– Sobre você.

– Isso também não é resposta suficiente... – eu comecei a falar, mas ele balançou o dedo, em negação.

– Você perguntou sobre e não o quê eu estava falando com Neville – Ron argumentou. Droga, ele está certo – Então nem venha com historinha, eu fui completamente honesto na minha resposta.

Eu bufei, visivelmente descontente.

– Vai, Weasley. O que você quer saber agora?

– Você realmente largou o Krum sozinho por minha causa, no dia da caixa?

Antes que eu respondesse a pergunta, Angelina apareceu do nosso lado. Parvati, Miguel e Simas estavam a acompanhando.

– Ei povo lindo! – ela chamou, chegando mais perto – Nós estamos indo embora.

– Por quê? – Ron perguntou e Angel se encostou nele – Tá cedo ainda.

Ronald passou um dos braços pela cintura de Angelina, ainda sentado. Ela apoiou uma das mãos no ombro dele. Tentei me controlar, mas acho que fiz cara feia.

– Não tá cedo, lindo – Miguel salientou – Já passou da meia noite. A gente pega lá na indústria às 08h.

– Mas você já trabalhou de manhã – eu falei, apontando para Angel – Eu fui à casa de Ginny hoje exatamente para cobrir a sua ausência e a da Hannah, na organização.

– Eu sei, Mione. Mas eu vou cobrir Ginny hoje de novo. Ela vai dormir na casa do Harry. Vai dar a segunda parte do presente a ele, né?

Nós rimos do que Angelina disse. Ron apenas fez cara de nojinho.

     Por que ele continua abraçado com ela?

– E eu aqui, indo dormir – Miguel lamentou teatralmente – O que a gente não faz pra conseguir um emprego.

– Nem me diga – Angel concordou, olhando para Ron. Ele apenas sorriu.

Os três se despediram de vez e seguiram em direção à saída. Nós os observamos até eles irem embora de vez.

– Larguei. Saí correndo atrás de você feito uma desesperada – eu retornei a resposta da pergunta que ele tinha feito – Não que você merecesse, claro.

– Claro que eu mereci – Ron retorquiu, contente.

Embora eu achasse o sorriso dele uma das coisas mais lindas da face da terra, minha vontade era pular no pescoço dele e apertar até que ele desmaiasse. 

Pra que merda você tinha que ficar de grude com a Angel?   

Provavelmente era a vida querendo me mostrar o quanto ela era perfeita e chamava mais atenção que eu.

– Inclusive eu estou merecendo que você faça algumas outras coisas pra mim também – eu o olhei de forma desafiadora e ele prendeu o riso – Enfim, é sua vez de perguntar.

– Você e a Angel tem alguma coisa? – antes que eu desse por mim já havia levantado a questão. Foi mais forte que eu.

Ron franziu a testa e umidificou os lábios. Eu pude perceber também que ele acabou engolindo a seco. Meu coração se apertou e eu me senti tensa, enquanto esperava a resposta.

– Não. Eu e Angelina... nós não temos nada.

Eu não senti firmeza na resposta, mas por fora eu me mantive impassível. Por dentro eu estava um pouco mais aliviada.

– Sua vez – eu indiquei.

Ron passou a mão no rosto, pensativo. Suas feições ficaram engraçadas. Eu podia jurar que um sorriso ameaçava surgir nos seus lábios.

– Por que você me fez essa pergunta, Granger? – ele indagou, se apoiando no balcão – Digo, sobre mim e a Angel?

     Porque eu estou com ciúmes, seu tapado.

– Peça outra dose, Ron – eu falei dando a ideia de que eu não iria responder a questão.

Ele soltou uma gargalhada.

– Certeza que não vai responder mesmo? – Ron persistiu.

– Absoluta.

Ele fez sinal para o barman, pedindo novamente uma dose da mesma bebida. No ensejo ele pediu que enchesse um pouco mais o copo. Eu reclamei que não era justo, mas Ron apenas me ignorou e me passou o líquido. Sem alternativa, eu bebi o drink mais uma vez. Estranhamente não achei a segunda experiência tão ruim quanto tinha sido na primeira, embora a minha cabeça estivesse um pouco mais leve.

– Isso é forte – comentei.

– É... – ele concordou – Bastante.

Semicerrei os olhos para Ron, em reprovação. Isso arrancou algumas risadas dele. Eu fiz sinal com a mão indicando que ele prosseguisse com a pergunta.

– Você disse que o imbecil ali atrás não foi o único motivo de ter te deixado triste quando a gente chegou – o imbecil que ele falava era Viktor, que estava sentado há alguns metros de nós, com uma garrafa de liquido amarelado do lado – Qual foi a outra razão?

– Você não podia fazer perguntas mais simples não? – eu retruquei, ranzinza. Tudo o que eu queria era desviar o assunto – Tipo qual é a minha idade, ou o meu tamanho. Ou quanto eu calço, sei lá.

– 21, 36. A altura eu arrisco 1,65 – ele falou rapidamente.

Eu arregalei os olhos. Estava surpresa com a percepção dele.

– Eu vi a sua identidade um dia desses, e seus sapatos parecem ser do mesmo tamanho dos sapatos da Ginny – ele explicou, rindo da minha cara – Eu meço 1.90 e você bate na altura do meu peito.

– Eu tenho 1.67 – eu disse, arqueando uma sobrancelha. Ele sacodiu a cabeça, ponderando.

– Tanto faz. Agora me responda. O que te deixou triste? – ele insistiu na pergunta.

Eu já tinha começado a falar a verdade para ele naquela noite. Não vi motivos para não continuar falando.

– Você.

Eu pude perceber que a minha resposta desestabilizou Ron por alguns segundos.

– Mione... Eu... – ele ainda estava confuso – O que eu fiz?

– Uma pergunta pra cada, Weasley – dessa vez eu que o cortei, rindo amarela. Ele me encarou, mas não rebateu.

Ron indicou que eu continuasse. Eu pensei por um tempo.

– O que Cari te disse na cozinha na hora que nós fomos buscar o bolo?

Ron jogou a cabeça para trás e levantou as mãos em rendição.

– Agora você me pegou, Granger – ele falou, divertido – Eu não vou responder essa.

Eu sorri radiante. Era a minha vez de exigir alguma coisa. Ron apontou para mim, obstinado, quando viu a minha expressão.

– Ei, olha lá o que você vai pedir! – ele bradou, assustado – Não se esqueça que eu estou dirigindo e que você vai voltar pra casa de carona comigo.

– Eu não vou te obrigar a tomar aquela coisa horrorosa, Ron – eu o tranquilizei, por pouco tempo – Eu vou fazer coisa pior. Vou te obrigar a dançar.

Eu comprei uma garrafinha de água e bebi rapidamente, em meio a protestos e oposições de Ronald. Ele tentou me persuadir todas as formas a não arrasta-lo para a pista de dança, mas eu estava decidida a fazer isso. Vendo que não adiantava discutir, ele me seguiu. Encontramos os nossos amigos pouco tempo depois.

– Nossa – Ginny falou quando nos viu – Eu estava me perguntando onde vocês dois tinham se enfiado, pela demora...

– Hermione estava bebendo – Ron me dedurou – Aspirante a alcoólatra.

– O quê?! – Harry, Ginny, Neville e Cedrico exclamaram ao mesmo tempo, descrentes. Luna, Katie e Dino riram da reação deles.

Eu senti meu rosto esquentar.

– Ele que me obrigou! – eu apontei para Ron, tentando me defender.

– Como você consegue, cara? – Harry perguntou.

– Tenho meus métodos – Ron falou, dando de ombros – Além do mais, ela me convence mais a fazer as coisas do que o contrário.

– Também, né? Com esse vestido vermelho fechação, não tem quem resista a um pedido da Mione hoje! – Ginny elogiou e eu me senti mais quente ainda – Tá linda, amiga. Adorei.

Eu agradeci, totalmente envergonhada. Ron me poupou de qualquer palavra a mais quando me puxou para dançar.

– Você me arrastou até aqui, Granger – ele falou com a boca bem próxima do meu ouvido, atrás de mim. Malicioso, suas mãos seguraram minha cintura com firmeza – Agora vai ter que me provar que valeu a pena.

– Não seja por isso, Weasley – eu rebati no mesmo tom, chegando para trás e encostando o meu corpo no dele.

Ron e eu dançamos por um bom tempo juntos que acabamos nos afastando um pouco do grupo. Fazíamos questão de provocar um ao outro sempre que era possível. Toda vez que eu sentia a mão dele tocando o meu quadril ou a minha nuca, minha vontade era de pular no pescoço dele e exigir que ele me arrastasse para longe dali, até um lugar totalmente reservado. Acho que eu não estava fazendo por menos, pois em cada oportunidade que aparecia, eu executava um movimento mais ousado. Vi Ron morder o lábio inúmeras vezes ou soltar um suspiro mais pesado.

– Hermione... – ele sussurrou e eu apenas sorri, desafiadora. Esse joguinho de provocação sensorial estava bem interessante.

A dança continuou até que eu senti uma mão firme me puxar pelo braço.

– É dessa forma que você quer ficar sozinha, né Hermione?! – Viktor praticamente cuspiu as palavras em mim, furioso – É dessa maldita forma, se esfregando em qualquer um, que você quer ficar sozinha!

– Me solta, Viktor! – eu pedi, mas minha voz saiu vacilante quando eu vi um lampejo vermelho nos olhos dele.

A mão de Viktor no meu braço estava ficando cada vez mais apertada. Cedrico tinha avisado que Viktor estava bebendo e eu também tinha visto, mas não acreditei que ele poderia vir à pista e perder o controle a esse ponto. Eu estava tão assustada que não conseguia me mover.

– Tire a mão dela, Krum! – Ron empurrou Viktor sem muita cerimônia, obrigando-o a soltar o meu braço.

– O que você tem a ver com isso, Weasley? – Viktor indagou ferozmente.

– Não é da sua conta! – Ron estava vermelho. Eu podia ver uma veia pulsando em seu pescoço – Mas se você tocar um dedo nela de novo, eu quebro essa sua cara!

Viktor soltou uma risada forçada, cambaleando. As pessoas abriram espaço ao nosso redor, formando uma roda. Mais a diante eu pude ver Harry e Cedrico se aproximando de nós.

– Ron, pelo amor de Deus, deixa ele aí! – eu pedi, puxando-o pela mão, mas ele se desvencilhou. Eu insisti e o segurei novamente – Não vale a pena, ele tá bêbado...

– Quebra Weasley? Quebra mesmo?! – Viktor debochou, abrindo os braços teatralmente – Achei que você só servisse pra rodear a namorada dos outros!

– Eu não sou mais sua namorada, Viktor! – eu gritei.

– Por causa desse filho da puta aí! – Viktor apontou para Ron, dando alguns passos em nossa direção – Desse filho da puta que acha que pode tirar você de mim!

– Hermione não é sua propriedade! – Ron também andou na direção de Viktor, colérico. Eu fiz o máximo para segura-lo no lugar, mas ele era muito maior do que eu – Problema seu se você foi idiota suficiente pra não manter ela ao seu lado!

Os dois estavam há um passo de se atracar. Pra minha sorte, Cedrico e Harry interviram antes que algo pior acontecesse. Neville e Dino apareceram logo após, para dar suporte. Harry e Neville conseguiram conter Ron sem muita dificuldade, mas Cedrico e Dino estavam tendo um pouco mais de trabalho.

– Porra, Viktor! Vamo embora! – Cedrico bradou, mas Viktor parecia não querer escutá-lo, se debatendo.

– Olha pra mim, Hermione! – ele me gritou, totalmente transtornado – Me diz se é isso que você quer?!

– É! – eu respondi, com raiva – Por favor, vá embora Viktor!

Ginny, Luna e Katie se aproximaram de mim, me apoiando silenciosamente.

– Mione... você não... você... – Viktor já não bradava mais. Sua voz agora, na verdade, parecia mais triste do que exasperada – Não Mione...

– Eu não sou o seu joguinho! Vai embora, Viktor! – eu pedi mais firme.

Viktor não apresentou mais nenhuma resistência. Quando os funcionários do pub apareceram, Cedrico já havia conseguido arrasta-lo para fora do salão. Brigas eram inaceitáveis naquele lugar. Dino se afastou dizendo que ia conversar algo com os seguranças, para acalmar o pessoal da administração do Caldeirão. Eu observei Ron mais adiante, encostado na parede e com as mãos apoiadas nos joelhos. Harry e Neville ainda estavam ao redor dele e falavam alguma coisa. Às vezes Ron respondia e, pelas suas expressões, não parecia ser de forma muito educada. Em algum momento ele fixou o olhar em mim e eu balancei a cabeça, em reprovação. Toda essa cena me deixara extremamente chateada. Eu dei as costas a todo mundo e parti revoltada para o bar. Quando Ginny me alcançou, um tempo depois, eu já tinha bebido mais quatro doses consecutivas do líquido azul que Ron me apresentara mais cedo.

– Meu Deus, Mione! Pare de beber! – ela tentou pegar o quinto copo da minha mão, mas eu fui mais rápida e virei de vez. Minha visão ficou turva – Isso não vai te ajudar em nada, amiga.

– Eu não quero ajuda, Ginny – eu falei. Ou pelo menos acho que foi isso que eu disse. Algumas palavras já não estavam fazendo sentido na minha mente – Eu quero mais daquilo ali.

     É impressão minha ou a cor dessa bebida tá ficando verde?

– Amiga, vem. Vamo pra casa – ela me segurou delicadamente pelas mãos, porém eu dei um jeito de me desprender.

– Não quero ir pra casa, Gin... – eu disse, me afastando e andando em direção ao salão – Eu quero dançar!

– Mione! – eu a ouvi chamar atrás de mim, mas eu já estava longe.

A partir daí somente uns flashes passaram pela minha cabeça. Quando me dei conta de alguma coisa, eu estava parada na porta de casa, apoiada na parede. Ron tentava abrir a porta, impacientemente.

– Esse caralho dessas chaves são todas iguais – eu o ouvir reclamar enquanto encaixava mais uma na fechadura – Não sei pra que tanta chave pra uma casa só.

– É a pintadinha de azul, Weasley – eu falei e ele rolou os olhos.

– Há cinco segundos atrás você me disse que era a amarela – ele rebateu, rabugento

Minha cabeça girava, mas eu tinha certeza que era a azul.

– Essa é a minha casa, Ronald – eu falei tentando tomar a chave da mão dele, ou das mãos porque eu estava vendo três. Que curioso... – Eu sei qual é a chave que abre a porta.

Ele me segurou com uma das três mãos e tentou mais uma chave. A porta abriu. Ron me arrastou para dentro do hall.

– O que eu estou fazendo aqui? – perguntei, olhando para as paredes – Ei, o que você tá fazendo aqui?!

     É impressão minha ou esse papel de parede tá se mexendo?

– Parece que alguém bebeu além da conta e precisou de uma babá – Ron me respondeu, tentando me fazer subir as escadas. Minha mente me dizia pra segui-lo, mas minhas pernas não queriam sair do lugar – Qual é o seu quarto?

– Segundo a direita – respondi. Senti os meus pés levantando do chão e percebi que Ron me carregava levemente pela subida, sem muita dificuldade. Meus olhos estavam pesando um pouco e eu encostei minha cabeça no ombro de Ron – Ei, me ponha no chão, Weasley...!

Ele respondeu alguma coisa, contudo, mais uma vez, minha mente apagou. Quando eu dei por mim já estava no quarto, deitada na cama. Olhei para baixo e percebi que eu já estava de pijama. Ron estava ao meu lado, com a cabeça apoiada no encosto da cama. Ao sentir que eu o observava ele se debruçou na minha direção.

– Meu Deus, socorro! Você não dorme não, minha filha?! – Ron exclamou, rindo – Vem cá, fecha os olhos...

– O que você vai fazer comigo, Ronald? – perguntei. Senti os dedos dele afagarem o meu cabelo, devagar.

– Te colocar pra dormir, sua pingunça – Ron respondeu, continuando com o carinho leve.

– Calado, Weasley – tentei colocar a mão no rosto dele, mas ele segurou os meus dedos, rindo.

– Dorme vai...

Ele beijou minha mão devagar. O toque dos seus lábios na minha pele me causou uma sensação boa. Ron se aconchegou ao meu lado, mas se manteve segurando os meus dedos com uma mão. Ele me acomodou em seu peito e voltou a acarinhar meus cabelos com a mão livre. Eu senti minha respiração cada vez mais suave e os meus olhos começaram a pesar de uma forma que estava incontrolável resistir. Relutei por mais alguns segundos, porém a tentativa foi inútil. Acabei pegando no sono com Ron me fazendo cafuné.

 


Notas Finais


Eu só tenho uma nota final.
Odeio o Krum. Ponto. Fim.

Deixem aqui os comentários de vocês. Quero saber muito o que vocês acharam o capítulo, haha

Beijos ♥


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