História A Troca - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Hermione Granger, Ronald Weasley
Tags Amizade, Amor, Comedia, Harry, Hermione, Mione, Romance, Ron, Rony
Exibições 141
Palavras 7.239
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Ecchi, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oie gentchê

O capítulo de quinta quentinho para vocês.

Primeiramente preciso me desculpar, mas o capítulo ficou enorme. Acho que me empolguei demais ><'
Adianto que está tenso/fofo/lindo, haha

Agora vamos ao que interessa.

Capítulo 18 - O Remédio


– Vocês têm que fazer alguma coisa! – Ginny praticamente gritou do meu lado, apontando para a pista de dança.

– Eu já tentei! – Neville rebateu exasperado. Ele observava o lugar para onde Ginny apontara – Ela não quer vir.

– Eu também – Harry se manifestou, concordando. Ele pôs as mãos nos bolsos da calça – Ela ameaçou quebrar os meus óculos, por sinal.

Ginny bufou, contrariada.

– Ron...? – ela levantou a sobrancelha para mim, inquisitiva.

Eu soltei um longo suspiro e estalei o pescoço. Para ser bem sincero eu estava chateado com Hermione e não queria me mover.

     Você é um imbecil, Ronald.

Sou mesmo. Hermione sequer teve coragem de olhar na minha cara depois da briga. A única coisa que ela soube fazer foi correr para o bar quando aquele maldito filho da puta foi embora. Antes eu tivesse o deixado arrasta-la pista a fora. Iria me poupar o esforço de ter que arriscar a integridade do meu rosto caso Krum insistisse realmente em brigar. Minha raiva cresceu e eu continuei de braços cruzados, fingindo que não estava escutando a súplica de Ginny. Luna me encarou e me puxou para o lado, me afastando um pouco do grupo. O olhar que ela me deu me deixou um pouco assustado.

– Ronald, acorde...! – Luna falou sem deixar que os outros escutassem. Ela estava estranhamente séria – Hermione bebeu demais.

– Nem vem, Luna – eu respondi no mesmo tom – Ela foi beber porque ela quis.

– A briga a deixou nervosa. Ele é o ex-namorado dela. Eles conviveram quase quatro anos. Você queria que ela agisse como se nada demais tivesse acontecido? – ela rebateu – Além de que foi você que apresentou a vodka a ela.

– Isso não justifica o descontrole dela, Luna. Eu não peguei Hermione pela mão e disse “Vá minha filha, encha a cara aí. Esqueça que ele te fez palhaça a noite inteira, e que consequentemente você me fez de palhaço também, por ficar preocupado com você” – eu falei, permanecendo parado – Não adianta insistir, Lu. Dessa vez eu não vou atrás dela.

– Ronald, largue de ser cabeça dura! – Luna me olhou incrédula – Olha lá, tem mais homens cercando ela, viu?! Uma hora ela vai parar de dizer não pra eles.

De fato alguns caras a rodeavam Hermione, praticamente a engolindo com os olhos. A maioria mantinha certa distância dela. Os saidinhos que tentavam se aproximar, Hermione rechaçava sem muita cerimônia. Para mim, até o momento tudo ali estava perfeitamente aceitável. Olhei para trás e percebi que mesmo tentando disfarçar, os outros se empenhavam a escutar a nossa conversa. Dei as costas a Luna e me voltei a me aproximar do pessoal.

– Gente, deixa Hermione curtir a primeira bebedeira dela, tá? – Eu tentei ser coerente – Sair arrastando ela de lá vai adiantar no que mesmo?

– Em nada – Neville assumiu, forçado – É que, sei lá, eu não gosto de ver a Mione assim...

– Nem eu – Ginny admitiu no mesmo tom – Tudo culpa daquele idiota do Krum.

Meu sangue ferveu só de ouvir o nome daquele filho da puta. Embora eu estivesse aborrecido com Hermione, era impossível não sentir raiva do que ele tinha feito para ela. Luna reapareceu do meu lado e se adiantou em mudar o assunto, falando da ressaca que Mione provavelmente teria no dia seguinte. Nós ficamos mais uns vinte minutos conversando e supervisionando os efeitos do álcool em um fígado virgem. Ginny e Neville começaram a fazer várias piadinhas sobre como envergonhar Hermione no outro dia, pois provavelmente ela não se lembraria de nada.

– A gente poderia dizer a Mione que ela subiu na mesa – Ginny sugeriu, insana – A história ficaria mais emocionante.

– Verdade! – Neville estava adorando as ideias – Cara, ela iria ficar louca ouvindo isso!

– Que horror, Ginny! – Katie repreendeu os dois, rindo – Que amigos maravilhosos são vocês dois, hein?

– A Mione nem precisa de inimigos com amigos desse tipo – Dino comentou e nós demos risada.

– Ei, parece que ela achou alguém interessante pra dançar agora – Harry mudou o foco da conversa, apontando para o salão.

Hermione deixara um imbecil qualquer se aproximar. Ela dançava sensualmente no meio do salão, com seus grossos cachos, levemente despenteados, caindo despretensiosos não somente por suas costas, mas também pelo seu rosto, até uns dedos abaixo do seu colo. Hermione rebolava lentamente, provocativa, ao som das batidas da música que tocava alta. Ela estava fazendo questão de explorar o potencial de cada pedaço de curva existente entre a cintura e as coxas. Os movimentos do quadril de Hermione eram tão precisos que eu me perguntei várias vezes se por acaso ela já havia dançado daquele jeito para alguém. Embora o cara estivesse sendo mais um coadjuvante na cena do que qualquer outra coisa, a cada momento que passava ele chegava perigosamente mais perto.

Luna colocou a mão na cintura e me fuzilou com os olhos. Sua expressão deixava bem claro um “eu te disse o quê?”. Eu esfreguei as minhas têmporas, nervoso. Não sabia que um aniversário me daria tanta dor de cabeça. 

– É... tá na hora do show acabar – eu disse, emburrado – Vou levar Hermione pra casa.

– Ué Ron, e todo aquele discurso de deixar a Hermione curtir a bebedeira e blá blá, blá? – Ginny perguntou. Seu olhar era desafiador. Minha irmã me conhecia muito bem e sabia que tinha algo errado acontecendo.

Eu semicerrei os olhos para Ginny e todo mundo riu da minha atitude.

– Não precisa responder – ela sacodiu as mãos, rindo – Só vai logo antes que ela faça alguma besteira.

Eu me despedi do grupo e andei até onde Hermione estava. Não tive muito trabalho para afastar o homem que dançava com ela.

– Foi mal, cara – ele se desculpou comigo. O que era totalmente desnecessário, por sinal – Eu não sabia que ela tava acompanhada.

– Ela não tá acompanhada – eu respondi, levemente irritado – Ela está bêbada. Você é cego, por acaso?

Não me dei o trabalho de esperar a resposta dele. Puxei Hermione pela mão e comecei a guia-la em direção à saída. Ela me acompanhou um pouco relutante, trocando os passos.

– Ron, eu não quero ir! – Hermione clamou. Ela parecia chateada, mas ao mesmo tempo estava rindo – Vamo dançar!

– Já deu por hoje, Granger.

– Tinha anos que eu não dançava... – ela comentou pensativa. Nem tinha reparado o tom rude da minha voz.

Assim que nós chegamos ao corredor de saída, Hermione se desequilibrou, tropeçando. Enlacei minha mão em volta dela para evitar que ela fosse ao chão.

– Como não? – mesmo não querendo, eu estimulei uma conversa para distraí-la.

– Viktor não gostava. Ele sempre foi um filho da puta desgraçado comigo! – ela fez uma cara feia ao falar do imbecil.

Eu acabei soltando uma gargalhada instintivamente, ao vê-la xingar daquela forma. Era algo mais que incomum.

– Concordo absolutamente com você – falei após pagar os nossos cartões.

Nós seguimos para o estacionamento. Pelo menos o carro de Ginny estava parado nas primeiras vagas, o que me poupou o esforço de ter que conduzi-la até mais longe.

– Claro que você concorda, Ronald – ela disse com o dedo em riste na minha direção, quando paramos na frente automóvel – Você só quer que eu dê pra você. Lógico que vai concordar com o que eu tô falando.

     Puta que pariu. É sério isso, Hermione?

A possibilidade dela realmente achar que eu só queria isso era tão alta que a minha vontade imediata foi de largar Hermione em pé e sozinha ali, e voltar lá para dentro do pub. Quem em sã consciência fazia tanto esforço por uma mulher somente pela vontade de levar ela para cama? Se fosse só por isso eu com certeza não estaria ali com ela, tentando leva-la para casa. Não era do meu feitio desperdiçar tanto tempo assim só para comer alguém.

– Se você acha... – eu respondi, segurando-a pelos ombros e a empurrando levemente até a porta do carona.

Hermione parou de andar e franziu a testa para mim, visivelmente confusa. Eu não sei se foi impressão minha, mas quando ela falou senti sua voz um pouco decepcionada.

– Você não quer me levar pra cama? – ela perguntou.

     Não somente.

– Não é bem assim, ok? – eu a encarei de volta, sem muita paciência – Agora entre logo nesse carro.

Ela se manteve estática, absorvendo a minha resposta.

– Então você não quer apenas me levar pra cama? – devagar, a expressão de Hermione se abrandou.

Um leve sorriso aparentemente esperançoso começou a aparecer no canto dos lábios de Hermione. Ela me encarou como se eu fosse um livro novo que ela acabara de ganhar. A centelha de esperança teimosa voltou a se abrir dentro de mim ao vê-la sorrir daquela forma. Talvez eu também estivesse errado sobre o modo que eu achava que ela estava se sentindo.

– Pra que nos limitarmos a cama se há tantos lugares na casa que podem explorados, Granger – eu brinquei, dispersando a tensão do momento. Mesmo não querendo, eu estava um pouco menos chateado com ela depois disso.

Hermione riu, dessa vez abertamente

– Você é um idiota, Weasley.

– E você gosta – eu abri a porta do carro e ela se acomodou, sem muita dificuldade.

Maior parte do caminho até a casa de Hermione não foi muito complicado. Os problemas iniciaram quando ela começou a mexer no rádio do carro, trocando de estação a cada vinte segundos.

– Que cacete, Hermione! – eu dei um tapa de leve na mão dela. Não aguentava mais ela futucando aquele aparelho – Dá pra você deixar essa porra quieta?!

– Ai, doeu! – ela reclamou fazendo bico e alisando a mão.

– Não doeu não – eu rebati enquanto fazia uma curva – Mas se você mexer aí de novo eu vou dar outro, e dessa vez vai ser mais forte.

– Você não manda em mim, Ronald! – ela falou, autoritária – E eu não gosto dessa música!

O biquinho que Hermione fazia quando estava chateada era uma das coisas mais lindas da face da terra.

     Se concentra, Ronald. Você ainda tá magoado.

– Nem bêbada você consegue deixar de ser mandona.

– Eu não sou mandona! – ela se defendeu, de cara feia – E eu não tô bêbada!

A afirmação dela saiu tão confusa que não precisava de muito esforço para qualquer um discordar.

– Sei... – eu resolvi provar que ela estava errada – Qual são os elementos químicos da coluna dos halogênios?

– Flúor, cloro, bromo, Iodo, Astato e Ununséptio – ela falou sem nenhuma dificuldade.

– Qual o número atômico do estanho? – eu não faço a mínima ideia.

– Cinquenta – mais uma vez ela respondeu sem nenhum impedimento mental.

     Não é possível que nem bêbada ela se esqueça dessas coisas.

– Hmm... Qual a lei que institui a Política Nacional de resíduos sólidos?

– Lei 12.305, de 2010. Ela diz que todo resíduo deverá ser processado apropriadamente antes da destinação final – Hermione explicou rapidamente, se embolando com algumas palavras mais rebuscadas – Aaah, e diz também que o infrator está sujeito a penas passivas, inclusive, de prisão.

Ela uniu os pulsos simulando a utilização de algemas. Logo depois riu debilmente da própria interpretação. Eu resolvi apelar para o óbvio.

– Quantos dedos em pé têm aqui? – eu tirei uma das mãos do volante e estendi a mão na dela.

Hermione apertou os olhos, tentando focalizar a visão.

– Oito...? – ela tentou agarrar minha mão para conferir, mas eu a puxei de volta – Não pode ser oito...

Eu ri com vontade da dificuldade de Hermione.

– Viu? –  curti com a cara dela – Sabia que você ia gostar daquela vodka.

– Eu não tô bêbada! – Hermione exclamou, com a voz embargada. Ela parecia cada vez mais irritada – Eu só... foram só alguns copinhos assim.

– É... Uns sete por aí – continuei provocando. Dei uma olhada no retrovisor antes de completar – Que decepção, Granger.

Hermione virou a cabeça lentamente na minha direção. Nos seus olhos cor de chocolate eu pude sentir uma chama obstinada queimando lentamente. Ela odiava estar errada sobre qualquer coisa.

– Você vai ver a decepção, Ronald...

Hermione apontou para mim, sem muita precisão. Antes que eu dissesse alguma coisa, ela puxou o meu rosto e colou os lábios no meu. O carro desestabilizou de maneira brusca. Os outros veículos ao nosso redor buzinaram automaticamente. Eu não estava esperando por isso. A ideia de beijar Hermione me agradava bastante, mas isso enquanto eu estivesse vivo. Morto não ia me adiantar muita coisa.

     Lúcida você não quer me agarrar, né?

– Tá maluca, porra?! – eu perguntei voltando a me concentrar no trânsito – Você quer matar a gente?!

– Foi só um beijinho, Weasley... – ela falou sorrindo satisfeita. Não parecia ter se abalado nem um pouquinho com o que tinha feito.

Fiz o que eu pude para manter o meu semblante rígido, mas quando Hermione abriu a janela do carona, todo o meu aborrecimento com o que acontecera ali foi embora. Um vento intenso irrompeu o carro e eu desliguei o ar condicionado. A noite estava muito bonita e arejada. Eu resolvi imita-la e abri a minha janela também. Uma música animada começou a tocar no rádio e, pela primeira vez desde que nós saímos do pub, Hermione pareceu satisfeita com o que escutara. Ela começou a cantar com as mãos para cima e de olhos fechados. O vento a açoitava, bagunçando todo o seu cabelo. Ela não se importou nem um pouco, pelo contrário. Hermione balançou a cabeça de um lado para o outro, ajudando a deixar os fios mais armados do que já estavam. Eu me perdi assistindo aquela cena por um tempo. Havia uma mulher tão despretensiosamente linda do meu lado que era difícil eu me concentrar em qualquer outra coisa.

     Desse jeito é você que vai bater o carro, Ronald...

Resistente, eu voltei a prestar atenção no tráfego. Causar um acidente estava fora da minha lista de desejos. Chegamos à porta da casa dela não muito depois. Eu apoiei Hermione na parede ao nosso lado e peguei o chaveiro da bolsa de mão dela. Tinha tanta chave no molho que eu me perguntei sobre quantas portas havia dentro daquela casa. Comecei a testar uma por uma, até que percebi que cada chave era marcada por uma cor, provavelmente para facilitar a identificação, já que todas eram bem parecidas.

– Eu gosto da amarela – Hermione disse, com a cabeça apoiada na parede – Ela é bonitinha.

Eu tentei a chave amarela, mas ela nem entrou na fechadura direito.

– Esse caralho dessas chaves são todas iguais – eu reclamei enquanto encaixava outra chave no buraco da fechadura – Não sei pra que tanta chave pra uma casa só.

Ela rolou os olhos e tentou pegar a chave da minha mão, mas eu não deixei.

– É a pintadinha de azul, Weasley – dessa vez eu que rolei os olhos, resmungando que ela me disse a cor errada antes.

De novo Hermione se esforçou para pegar a chave, respondendo a minha reclamação, mas eu e apressei em testar a que ela indicou na fechadura. Dessa vez ela estava certa, era a azul. Nós entramos no hall. A ficha de Hermione pareceu cair somente naquele momento.

– O que eu estou fazendo aqui? – ela perguntou, analisando a própria casa como se estivesse em um lugar totalmente novo – Ei, o que você tá fazendo aqui?!

– Parece que alguém bebeu além da conta e precisou de uma babá – eu falei de forma descontraída.

Tentei guia-la pela escada, mas cada vez mais ela ficava lenta e resistente. Sem nenhuma dificuldade eu levantei Hermione do chão e subi para o primeiro andar com ela. Nós entramos no quarto que ela havia me indicado. Ainda que ela não me dissesse que aquele era o quarto dela, logo de cara eu teria percebido. O lugar era extremamente organizado. Não que o resto da casa não fosse, eu dei uma olhada, intrometido, enquanto eu a esperava se arrumar antes da festa. Mas aquele quarto tinha todos os toques possíveis dela, desde a leve cortina branca, até o forro de cama rendado. Na mesa de estudo, um laptop branco descansava ao lado de vários porta-canetas e algumas fotografias na decoração. Uma estante sem tamanho, repleta de livros, era o destaque da parede lateral. Mais ao fundo um enorme espelho de correr amplificava o ambiente, ele deveria ser uma porta de acesso a algum tipo de closet.  O quarto era requintado sem precisar ser extravagante.

– Minha cama – Hermione falou sonhadora, quando eu a coloquei no chão – Dormir...

Eu segurei o braço dela, não podia deixa-la dormir daquela forma, sem nem ao menos tocar de roupa. Acabei percebendo que pus a mão no mesmo lugar onde Krum apertara mais cedo, pois ela faz uma careta, incomodada. Haviam algumas marcas leves ali.

– O quê...? – ela perguntou.

Quando Hermione viu a expressão do meu rosto, moveu seu olhar para o mesmo lugar onde eu concentrara o meu. Acho que com o calor do momento nem ela mesmo tinha percebido aquelas manchas.

– Aaah, isso... – Hermione inclinou a cabeça para o lado, analisando a vermelhidão um pouco confusa.

– Ele te machucou – eu estava extremamente incomodado em ver o braço dela daquele jeito, com aquelas marcas. Minha vontade era sair dali e fazer o triplo de manchas daquelas, bem mais fortes, na fuça de Krum.

– Machucou... – ela concordou comigo, ainda pensativa – E nem foi só desse jeito...

A seriedade como foi feita aquela confissão me deixou na dúvida se Hermione ainda estava bêbada. A confirmação veio logo depois quando ela tentou andar sozinha, tropeçou no salto e caiu no chão. Rindo, eu a ajudei a levantar.

– Ron! – ela reclamou emburrada enquanto eu a guiava até o banheiro – Eu quero dormir!

– Antes você vai tomar banho – eu ordenei. Nós entramos no banheiro e eu me apressei em ligar o chuveiro – Depois você dorme.

– Você não vai ficar aqui dentro – Hermione retrucou, arregalando os olhos e me empurrando de volta para a saída do cômodo – Vai, sai daqui!

– Certo – eu concordei, contrariado. Ela poderia cair e se machucar, ou pegar no sono se ficasse sozinha dentro daquele banheiro – Mas se você não sair desse banheiro em vinte minutos eu entro aqui você gostando ou não. Estamos entendidos?

– Estamos – ela balançou a cabeça em afirmação, como uma criança obediente.

Eu depositei a toalha e um pijama que eu encontrei em uma das gavetas da cômoda dela em cima da pia e fiz sinal indicando. Ela voltou a concordar e eu saí do banheiro. Antes do tempo combinado, Hermione apareceu na minha frente de banho tomado e vestida no pijama. Sua aparência estava um pouco melhor. Eu a guiei até a cama, onde ela se instalou sem muita dificuldade. Eu sentei na beirada, esperando ela pegar no sono.

– Boa noite, Ron – ela falou, se enrolando na coberta.

– Boa noite, Granger – eu respondi.

Hermione fechou os olhos e se virou, ficando de costas para mim. Eu aproveitei a deixa para relaxar um pouco. Me encostei na cabeceira da cama dela e joguei a cabeça para trás, apoiando-a no topo para descansar. Fiquei uns minutos nessa posição, olhando para o teto. Meu celular vibrou por alguns instantes. Tirei-o do bolso e rolei a tela. Ginny mandara uma mensagem perguntando se estava tudo ok. Respondi que sim e que estava indo para casa. Já eram quatro horas da manhã. Eu me estiquei para dar uma última conferida se Hermione estava bem, quando ela se virou na minha direção, de olhos bem abertos.

– Meu Deus, socorro! – ela não disse que tava com sono, jesus? – Você não dorme não, minha filha?!

Eu me debrucei na cama por completo e a puxei para o meu peito, acomodando-a. Comecei a afagar de leve os seus cabelos.

– O que você vai fazer comigo, Ronald? – Hermione indagou, mas não resistiu a minha aproximação. Senti seu corpo relaxar devagar.

– Te colocar pra dormir, sua pingunça.

– Calado, Weasley – ela rebateu tentando tocar meu rosto, divertida.

Eu dei um beijo de leve na mão de Hermione e voltei a acariciar seus cabelos. Pouco tempo depois ela dormiu. Com dificuldade eu me afastei devagar. Uma parte de mim queria ficar ali o resto da madrugada inteira, só olhando para ela, mas a outra me despertou para a realidade e me forçou a levantar. Quanto mais rápido eu saísse dali, melhor. Eu desci as escadas e me dirigi à saída, trancando a porta da frente com a chave reserva que ela me confiara mais cedo. Coloquei a peça no mesmo vasinho de flor lateral que Hermione tinha me indicado no início da noite e parti para o meu apartamento.

Assim que eu cheguei em casa , tomei um banho rápido e me joguei na cama. Praticamente desmaiei na mesma hora. Só acordei às onze da manhã. Levantei da cama sem muita dificuldade, vesti um short e fui à cozinha comer alguma coisa. Ginny e Harry estavam sentados no sofá, assistindo televisão.

– Bom dia... – eu falei, enquanto atravessava o balcão. Eles se viraram surpresos, notando a minha presença.

– Bom dia, Ron... – Ginny respondeu, me analisando.

– E aí, cara? – Harry me cumprimentou – Como você tá?

Os dois se levantaram do sofá e vieram até a cozinha. Ginny se empoleirou no balcão e Harry sentou na cadeira.

– Bem, na medida do possível – eu respondi de costas para eles, enquanto preparava meu sanduíche – Tem muito tempo que vocês chegaram?

– Deve ter mais ou menos uma hora – Harry respondeu.

Eu me sentei na cadeira ao lado dele. Ginny se arrastou pelo balcão, chegando mais próximo.

– Ron... – ela chamou, vacilante – Me explica o que aconteceu ontem, por favor...?

– Tá... qual parte você quer saber? – eu perguntei, a encarando.

– Todas né? – ela disse, rolando os olhos – Até agora eu tô sem entender muita coisa.

Eu soltei um longo suspiro antes de dizer alguma coisa. Harry e Ginny esperavam visivelmente ansiosos pelo inicio da minha explicação.

– Eu gosto da Hermione – eu admiti sem rodeios.

– E ela gosta de você – Harry comentou, sorrindo.

– Gosta? – eu perguntei, levantando uma sobrancelha – Não pareceu muito ontem não...

– Tenha paciência, Ron – Harry falou, futucando a minha comida.

– Mais? – me pedir paciência era o cúmulo da sacanagem.

– Tudo isso deve ser confuso na cabeça de Hermione, cara – ele explicou – Mas já é mais que óbvio que ela gosta de você.

– Óbvio pra quem? – Ginny indagou – Porque até encontrar eles dois presos no quarto ontem de manhã, eu não desconfiava de nada.

Harry arqueou as sobrancelhas e arregalou os olhos. Pelo visto ele ainda não sabia dessa história. Ginny fez um resumo breve.

– Logo depois o Ron fez a mesma coisa e foi embora. Acabou que ninguém me explicou nada – ela terminou de falar e apontou para mim, em acusação – Por sinal, até agora eu não sei onde você passou a tarde, Ronald.

– Com ele – eu indiquei Harry com o dedo – Enfim, o que aconteceu lá dentro são detalhes que vocês não precisam saber.

 Eu ri e eles me acompanharam, entendendo o recado.

– Mas então por que vocês não estão juntos? – Ginny parecia confusa.

– Porque ela não quer – respondi.

– Eu conheço Hermione há muito tempo, acho difícil ela não querer e te deixar se aproximar desse jeito – Harry comentou – Vocês já parecem um casal até.

– Cara, é complicado... – eu disse – Sempre tem a sombra do Krum no meio do caminho, aí ela foge... Acredite, eu tô mais perdido nessa história do que vocês dois.

Ginny me olhou solidária. Harry estendeu a mão e me deu tapinhas nos ombros.

– É man, tá foda – ele disse.

– Bastante.

Nós continuamos a conversar enquanto eu terminava o meu café da manha atrasado. Harry e Ginny voltaram a assistir TV e eu coloquei a louça suja na pia. Lavei rapidamente e voltei para o quarto a tempo de atender o celular, que estava tocando no carregador.

– Alô? – puxei o aparelho da tomada.

– Ron, tudo bem? – era a voz do meu professor do outro lado da linha – Sou eu, Remo.

– Eu sei – respondi sorrindo – Aconteceu alguma coisa?

– Não – ele se apressou em responder – Eu só queria avisar que estarei ausente na próxima semana, então não haverá aula e nem discussão do projeto.

– Ah, tá tranquilo – o fim de semana tinha sido tão intenso que eu praticamente havia me esquecido do projeto – É bom que dá tempo de adiantar a análise desse mês que você já pediu.

– Falando nisso, eu preciso que você vá ao rio novamente essa semana.

Eu estranhei o pedido.

– Por quê? – eu indaguei, desconfiado.

– Você vai saber quando chegar lá.

     Pra que esse mistério todo, cara?

– Certo – eu concordei, contrariado – Vou falar com Hermione e a gente da uma passadinha lá.

– Não, eu quero que você vá sozinho – ele pediu, aumentando a minha suspeita – Eu já encarreguei Hermione de outro trabalho. Agora eu preciso desligar. Até breve, Ron.

– Tá, tudo bem então... – é né? Fazer o quê? – A gente se vê na outra semana.

Assim que eu desliguei o telefone Ginny entrou no meu quarto, sem bater. Ela estava com a chave da moto nas mãos e um sorriso totalmente dissimulado no rosto.

– Às vezes você parece com a mamãe, sabia? – eu falei rindo – Essa mania de entrar nos lugares sem bater na porta.

Ela rolou os olhos para mim, sem tirar o sorriso do rosto.

– Eu preciso que você leve isso aqui pra Mione – Ginny estendeu um saco de papel com o logo de uma das farmácias que tinham perto do nosso prédio e duas barras de chocolate – Ela nunca passou por uma ressaca antes e agora tá precisando de ajuda.

– Por que você mesma não leva? – eu questionei, a encarando.

– Porque eu vou sair pra almoçar com o Harry – ela rebateu, rápida.

– Aproveita e vai de lá mesmo pra casa de Hermione – eu sugeri, sarcástico – Ela é sua amiga, é mais importante do que o almoço de vocês.

– Largue de birra, Ronald – ela rolou os olhos para mim mais uma vez, me forçando a pegar o embrulho – Você vai lá, entrega o remédio e volta pra casa. Simples. Em meia hora você faz isso.

Eu soltei um longo suspiro, me dando por vencido.

– Certo, eu vou – eu concordei. Ginny abriu um largo sorriso e bateu algumas palminhas.

– Então tchau – ela apontou para a porta – Tá esperando o que?

– Eu vou me arrumar, Ginevra – por que ela tá tão animada assim? – Tomar banho, passar desodorante, vestir uma cueca... Essas coisas que as pessoas normais fazem antes de sair de casa.

– Tá bom – ela falou, rindo – Tô saindo já, viu?!

Eu concordei com a cabeça e segui em direção ao banheiro. Quando eu desci para o estacionamento o carro de Harry não estava mais lá. Girei a chave da moto e saí do prédio. Cheguei à casa de Hermione não muito depois. Toquei a campainha duas vezes antes de ela aparecer a abrir a porta, com a expressão não muito saudável.

– Bom dia, Ron – ela falou, indicando que eu entrasse.

– Boa tarde, Granger – eu a cumprimentei seco, sem sair do lugar – Já passou das 12h. Eu te acordei?

– Não. O Harry me avisou que você viria – ela respondeu, me observando a soleira da porta – Eu tava acordada. Só não estava conseguindo sair do quarto. Minha cabeça parece que vai explodir.

– É... Imaginei que você estaria morrendo. Isso aqui vai ajudar – eu estendi o saco de papel com os remédios e ela pegou o pacote com urgência.

– Obrigada. Não imaginei que eu iria tomar um anti-histamínico pra isso um dia – ela falou, olhando dentro do saco – Nunca mais quero beber na vida.

Eu acabei rindo da forma que ela falou. Hermione pegou a barra de chocolate de dentro do pacote e começou a abrir.

– Você já comeu alguma coisa? – ela indicou com a cabeça que não

Eu tomei a embalagem da mão de Hermione e ela me olhou feio.

– Então nada de chocolate agora. Isso é a sobremesa.

– Ron, não tem comida pronta – ela choramingou a minha frente – E eu não tô em muitas condições de cozinhar nada agora.

– Não tem problema, Granger.

Eu engoli o meu orgulho, mais uma vez, e passei pelo espaço que ela havia aberto para mim antes. Nós seguimos até a cozinha. Eu abri a geladeira, sem muita cerimônia.

– Tem o que aí pra fazer? – perguntei, agachado.

– Acho que muita coisa – ela respondeu se curvando ao meu lado e analisando também o refrigerador – Pelo menos eu fiz compras na quinta.

– Certo. O mais rápido que eu posso fazer agora é macarrão – eu falei enquanto pegava alguns ingredientes – Tem algum problema?

– Você não precisa fazer isso, Ron. Eu dou um jeito de comer alguma coisa.

Pensei mesmo na possibilidade de ir embora por uns segundos, mas voltei atrás. Eu não iria deixa-la com fome daquele jeito, embora ela merecesse.

– Responde logo, antes que eu realmente desista – eu insisti.

– Não – ela respondeu subitamente feliz – Eu adoro macarrão.

Eu me alegrei com o sorriso dela e me senti a pessoa mais manipulável da face da terra.

     Você está fodido, Ronald.

Estou.

– Agora você não tá com medo de intoxicação alimentar – eu alfinetei.

– Vou dar uma oportunidade aos seus conhecimentos culinários – ela rebateu, sentando-se a mesa.

– Certo. Enquanto você dá a sua chance... – empurrei uma vasilha e uma faca para ela – ...Vá cortando essa cebola junto.

Ela riu novamente e eu comecei a preparar o almoço. Quando paramos para comer já passava das duas da tarde. Colocamos a louça na pia e nos dirigimos até a sala.

– Posso comer chocolate agora, Weasley? – Hermione perguntou, me olhando de soslaio – Ou ainda estou de castigo?

– Agora pode. Traga pra mim também – eu respondi e ela resmungou.

Eu rolei os olhos e me apoiei no encosto sofá, de frente para o hall de entrada. Ela voltou logo depois com dois pedaços de chocolate na mão. Hermione se acomodou no sofá e estendeu um dos pedaços pra mim. Ela começou a comer o outro lentamente.

– Eu já vou – eu avisei, depois de engolir o meu pedaço.

– Já? – Hermione levantou o rosto e olhou para mim. Não consegui identificar muito bem a expressão da sua face – Nem tem muito tempo que você chegou...

– Hermione, a gente não precisa ficar fingindo, tá? Eu não tenho mais nada pra fazer aqui – eu falei, impaciente – Melhor você descansar. Amanhã a gente se fala na aula de Snape.

Segui em direção à saída sem nem olhar para trás, mas pouco depois ela me alcançou e me abraçou pelas costas antes que eu abrisse a porta.

– Me desculpa, por favor.

– Hermione...! – eu tentei me virar na direção dela, mas os braços que apertavam a minha cintura estavam segurando firme.

– Eu não vou te soltar até você me desculpar – ela decretou, sem se mover.

Eu não consegui refrear um sorriso.

– Você não quer que eu me vire pra pelo menos te abraçar direito?

Hermione me soltou tempo suficiente apenas para eu mudar de posição. Dois segundos depois ela já havia afundado o rosto no meu peito, voltando a enlaçar a minha cintura. Eu passei a mão pelos seus ombros.

– Eu não queria te magoar, Ron. Eu juro – ela começou a falar. Sua voz estava abafada por causa da posição – É que eu não sabia o que fazer. Tava tudo misturado na minha cabeça.

– Hermione, olha pra mim – eu pedi e ela sacodiu a cabeça indicando que não.

– E aí vocês iam brigar por minha causa – Hermione continuou falando, ainda com o rosto no meu tórax – Eu senti como se estivesse te colocando dentro um problema que não é seu. E aí eu me descontrolei, quando eu vi já tinha pedido umas três doses daquela bebida horrorosa...

Eu a deixei falar o que estava sentindo.

– E depois eu não lembro muito, o que é uma droga. Eu não sei o que você está pensando, mas saiba que você tem toda razão. E eu não deveria ter bebido daquele jeito. A gente tava aproveitando a noite antes disso, você me escutou e também tem sido tão carinhoso comigo, só que eu... eu fiquei com medo...

– Mione, ei... – eu segurei o queixo dela e a obriguei a olhar na minha direção. Percebi que os olhos dela estavam marejados – Não foi o fato de você ter bebido que me incomodou. O que me incomoda é o fato de você viver fugindo de mim na primeira oportunidade que encontra.

– Eu não quero mais fugir de você – meu coração mudou de ritmo assim que eu escutei ela falar – Eu não vou mais fugir. Se você quiser ficar...

Eu resolvi dar uma chance e balancei a cabeça, concordando. Limpei o canto dos olhos dela, evitando que alguma lágrima caísse de vez. Ela abriu um sorriso tão genuíno quando me viu aceitar ficar que eu me perguntei porquê diabos eu estava pensando em ir embora mesmo. Hermione enlaçou as mãos nas minhas e me arrastou de volta para o sofá. Ela ligou a televisão e procurou alguma coisa para assistimos. Pouco tempo ela largou o controle, sem muita animação. Eu o peguei de volta e continuei o trabalho por ela.

– Ei, esse filme que vai começar é legal – eu falei, indicando.

– Desde quando você gosta de comédia romântica? – Hermione perguntou, me olhando curiosa.

– Eu tenho uma irmã três anos mais nova e extremamente mimada, caso você tenha esquecido – eu disse, explicando – Ginny me obrigava a assistir todos os dramas pré-adolescentes com ela, já que os gêmeos sempre fugiam quando ela ligava a televisão.

– E os seus outros irmãos? – Hermione indagou, rindo

– O Carlinhos nunca tava em casa. Percy passava o dia todo enfurnado no quarto, estudando. Às vezes Gui tentava ser solidário e assistir também, mas quase sempre ele estava ajudando meu pai na empresa. Isso foi bem no início, quando os negócios começaram a dar certo. A gente não tinha dinheiro pra contratar muitos funcionários, então quase tudo sobrava pra ele ajudar.

– Você é um irmão muito legal – ela observou, chegando mais perto – Eu sempre fazia tudo sozinha até o Nel aparecer.

Conversamos mais um pouco até o filme começar. Na verdade a gente conversou o tempo todo. Nós já havíamos assistido a aquele filme, então passamos mais de duas horas fazendo comentários idiotas sobre o enredo. Isso arrancou de nós diversas risadas. Quando o filme acabou eu olhei no relógio e percebi que já tinha passado das cinco da tarde.

– Você tá melhor? – eu perguntei e ela confirmou que sim.

– Obrigada por ter se preocupado – ela agradeceu, me encarando – Obrigada por ter me trazido de madrugada também. Eu não me lembro de muita coisa, mas lembro de você me colocando pra dormir.

Eu sorri de canto. Estava feliz por ela se lembrar dessa parte.

– Do que você se lembra com clareza? – perguntei a ela.

– Com clareza, clareza, eu acho que nada – ela riu de si mesma – Eu lembro de algumas partes, tipo a hora que a gente chegou aqui e você não acreditou quando eu disse que era a chave azul.

– Você tinha dito que era a amarela antes! – eu me defendi e ela riu mais uma vez – Pelo jeito você não se lembra das melhores partes...

– Quais? – Hermione indagou, curiosa – Eu fiz muita besteira?

– Algumas – eu ponderei, balançando a cabeça de um lado para o outro.

Eu contei a Hermione todas as loucuras que ela fizera na noite anterior. A cara de desespero que ela fazia ao escutar cada coisa me arrancou inúmeras risadas.

– Poxa... Não me lembro dessas partes... – ela lamentou com a mão na cabeça – Só me recordo do que rolou antes da... daquela briga maldita.

O semblante de Hermione caiu. Ela olhou para o braço marcado e se encolheu mais ainda no sofá. Ao relembrar a existência daquelas manchas meu humor subitamente caiu para o centro da terra.

– Como você tá? – eu perguntei. Eu não estava apenas falando sobre as manchas e ela captou a mensagem.

– Mal – Hermione respondeu – Mas ao mesmo tempo bem, eu acho.

Eu franzi a testa sem entender. Ela começou a me explicar.

– Eu me sinto mal por ter me deixado enganar por tanto tempo. Viktor não era assim no início, sabe? Ele era carinhoso. Com o tempo ele foi ficando frio, mas ainda sim Viktor nunca tinha me dito antes nada parecido com o que eu ouvi dele nas últimas semanas. No fim, eu nunca soube quem ele era de verdade. Isso faz eu me sentir tão imbecil.

– Você não é imbecil por causa disso, Mione – eu falei tentando consola-la. Alisei levemente o seu rosto e ela sorriu de canto.

Se havia uma coisa que eu entendia muito bem era como Hermione estava se sentindo. Eu já tinha visto esse filme antes, ainda que sob outras circunstâncias.

– Como não, Ron? – ela indagou, contrariada – Eu me deixei enganar tão facilmente...

– Tem algumas pessoas que aparecem nas nossas vidas no momento que nós estamos mais vulneráveis – eu comecei a falar, devagar – Cada coisa que elas fazem é tão boa que tudo ao nosso redor, exatamente tudo, todos os problemas, as confusões, tudo simplesmente some.

Eu continuei desabafando, sem olhar para Hermione. De esguelha eu pude perceber que ela prestava atenção em cada palavra que eu dizia

 – Mas aí o tempo passa, e na primeira oportunidade, no primeiro vacilo que você dá, ela mostra quem realmente ela é. É nessa hora que você percebe que o perigo tava ali do seu lado, o tempo todo. Não adianta fugir.

– Eu queria ter visto isso antes – Hermione lamentou. Havia uma nota de decepção na sua voz – Todo mundo sabia quem Viktor era. Neville, Lu, Ginny... Todo mundo enxergava isso. Até você que chegou há pouco tempo percebeu antes de mim. Por isso que eu me sinto uma idiota, porque falta de aviso não foi.

– No fim não é ser ou não ser idiota, Mione. É confiar na pessoa errada.

     Agora tudo parece tão mais simples do que foi há cinco meses, Ronald...

– Pois então eu deveria saber mais em quem confiar! – ela falou, inconformada com o próprio vacilo – Eu não podia ter deixado isso acontecer dessa forma e...

– Mione... – eu a interrompi, puxando-a mais para perto e segurando o seu rosto com uma mão – Confiança não se escolhe. Não tem como a gente escolher isso. A gente só confia e pronto.

Hermione franziu a testa e fez uma cara de desgosto.

– Eu odeio tanto esse escuro. Eu queria que cada pessoa já viesse com uma ficha completa de caráter e personalidade tatuada na testa – ela admitiu – Eu não suporto não saber. Odeio ter que ficar chutando pra acertar.

– Ninguém gosta, mas acontece – eu sorri em compreensão – Além de que seria feio pra caralho a gente ter tatuagens na testa.

Ela soltou uma risada gostosa. Assim que eu gostava de vê-la, alegre.

– Eu acho que ficaria um charme, Ron – ela empinou o nariz, orgulhosa com a sugestão – Mas você poderia esconder a sua colocando esses cabelos aqui por cima, por exemplo.

Hermione bagunçou o meu cabelo, jogando-o por cima do meu rosto. Eu fiz cara feia e ela sorriu mais uma vez.

– Luna diz que eu sou transparente – me defendi, passando a mão na cabeça – Então eu não preciso dessa tatuagem aí, minha filha.

– Por que ela diz isso? – Hermione indagou, interessada.

– Porque eu sou fácil de ser lido – dei de ombros. Eu me adiantei quando ela franziu a testa – Não me pergunte o que isso significa porque eu não sei.

Nós nos encaramos por um momento. Mione estreitou os olhos. Um sorriso apareceu nos seus lábios alguns segundos depois.

– O que foi? – eu questionei, desconfiado.

– Lu me surpreende às vezes... – ela respondeu sem mais explicações.

Eu preferi não insistir e mudei de assunto.

– Sim... Você só falou da parte ruim, falta a parte boa – eu retornei a conversa inicial – Se bem que só o fato de se livrar do Krum já é um prato cheio de felicidade. Praticamente transbordando.

Hermione riu e olhou para cima por alguns segundos antes de falar.

– Na verdade são duas partes boas – ela contou de forma espirituosa.

– São? – eu indaguei, curioso com a expressão dela.

– Sim. A primeira é que agora eu tenho certeza absoluta que eu e Viktor não damos mais certo – Hermione falou. Ela não parecia estar se lamentando e sim apenas constatando um fato – O que aconteceu ontem foi o suficiente pra eu conseguir a confirmação que eu precisava.

     Realmente, essa é uma notícia ótima.

– Saber disso me deixa muito feliz também – eu assumi sorrindo – E a outra parte boa, qual é?

Ela levantou a cabeça lentamente e fixou os olhos no meu. Havia um brilho diferente naquele olhar. Sem muita demora, suas mãos pequenas alcançaram o meu rosto. Ela me segurou com delicadeza e me trouxe para mais perto dela. Inconscientemente eu desci a mão do encosto do sofá e pressionei um pouco mais o seu corpo em mim. Nós estávamos quase colados um no outro. Hermione finalizou a distância entre as nossas bocas.

O beijo começou devagar. Hermione subiu uma das mãos até os meus cabelos, segurando-os com suavidade. Sem muita pressa, nossas bocas começaram a se explorar detalhadamente. Entretanto, essa condição transigente não se manteve por muito tempo. Assim como o nosso beijo, a mão de Hermione na minha nuca se tornou mais urgente e cada vez mais eu a agarrava, espremendo-a contra o meu tórax.

Já totalmente impaciente, eu segurei as coxas de Hermione e a carreguei para cima de mim. Ela não dificultou o serviço, pelo contrário, ladeou as pernas ao redor do meu torso. Incrivelmente, naquela posição, sentada sobre o meu quadril, Hermione parecia estar se sentindo mais a vontade agora. Continuamos nos beijando por mais algum tempo até que, lentamente, nos afastamos. Ela permaneceu no meu colo e apoiou as mãos no meu ombro.

– Essa é a segunda parte boa, Ron – Hermione cravou os olhos nos meus – Agora eu me sinto livre pra confiar em você.

– Se você não confiasse em mim depois de tudo isso, aí que eu iria embora mesmo – eu falei, mantendo a tradição de colocar a mecha de cabelo dela atrás da orelha. Ela sorriu.

– Então, por favor, não me decepcione...

A entonação do pedido dela foi tão taxativa que me pareceu mais um comando. Eu não pude deixar de rir com isso.

– Fique tranquila, Granger – eu fingir prestar continência – Seu pedido é uma ordem. Como sempre.

Hermione sorriu e me beijou de novo. Eu retribuir com a mesma vontade que ela expressava, acariciando lentamente costas dela. Senti a pele de Hermione se arrepiar sob os meus dedos. De novo, após alguns minutos, a intensidade do beijo foi aumentando. Nossa vontade de saciar aquele desejo também. Instintivamente eu desci minhas mãos até a bunda de Hermione e apertei com gosto. Ela desgrudou os lábios dos meus, rindo.

– Ron! – ela brigou comigo, levantando uma das sobrancelhas inquisitiva.

– O quê?! – eu me defendi, também rindo – Até parece que eu não já peguei antes!

Ela soltou uma gargalhada.

– Cadê todo o seu cavalheirismo da noite passada?

– Está aqui – eu respondi, cínico – Inclusive, foi ele que me disse que não apertar essa bunda maravilhosa seria uma extrema falta de educação da minha parte.

Hermione colocou a mão nas bochechas e fechou os olhos, sorrindo. Eu roubei um selinho demorado e colei minha testa na dela.

– Você ainda está com pressa de ir para casa, Weasley? – ela me perguntou. Hermione mordiscou a minha orelha devagar. Sua voz era manhosa, mas ao mesmo tempo provocativa.

Um arrepio subiu pelas minhas costas quando ela arranhou a minha nuca e se movimentou no meu colo.

– Depende... – eu falei e ela inclinou a cabeça para o lado, me encarando sem entender. Resolvi entrar no joguinho de provocações – O quanto você quer que eu fique?

– O suficiente para eu me desculpar da forma que você merece, sabe... – Hermione respondeu quando eu voltei a segurar a bunda dela. Dessa vez ela não reprimiu o meu toque, pelo contrário, pareceu gostar bastante.

– Então nesse caso... – eu disse, beijando lentamente o pescoço de Hermione. Recebi um gemido em aprovação – Acho que não vai ter problema nenhum se eu chegar em casa tarde...


Notas Finais


Me digam aqui nos comentários o que vocês acharam, lindos <3

Beijos, até sexta que vem!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...