História A Última Dose - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Suga
Tags Bts, Oneshot, Suga
Visualizações 12
Palavras 5.371
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Essa fic é como um recomeço pra mim e também uma nova experiência, então espero que gostam muito dela.
Me digam nos comentários o que acharam e no que devo melhorar!!
Eu to muito feliz de fazer isso porque eu realmente fico muito animada em todos os processos que acontecem.
Eu fiz uma one-shot por vários motivos, entre eles a vontade de contar uma história menor do que serviria para uma fic inteira e também pois foi algo que eu nunca tinha feito...
Eu estou torcendo muito para que vocês fiquem felizes e gostem dela já que eu realmente fiz com todo o meu coração❤️

Capítulo 1 - A última dose (Capítulo Único)


Fanfic / Fanfiction A Última Dose - Capítulo 1 - A última dose (Capítulo Único)

   Algumas brigas causam estragos... você pode sair delas com um machucado no rosto ou ficar ouvindo por algum tempo o sermão da sua mãe sobre isso. No meu caso foi um pouco pior do que essas opções.

Sempre vai existir aquela pessoa que você não gosta. Ou simplesmente não suporta. Que diz coisas ridículas e cruéis aos outros e na qual você se pergunta como alguém consegue suportar tudo aquilo.

.

As coisas aconteceram tão rapidamente que eu mal consegui acompanhar, mesmo estando no meio de tudo.

Os corredores da escola normalmente servem para que possamos seguir em direção a nossa sala, mas não foi útil para isso no dia. Enquanto estava andando em busca do meu armário, vejo a pessoa que eu menos queria fazendo uma coisa que conseguiu aquecer todo meu corpo de raiva.

Toda escola tem a popular, a menina que todos os garotos querem sair e todas as garotas sonham em ser amiga. Pena que na Sogang University, minha escola, aquela popular me dava repulsa. Sempre maltratava todos os que considerava inferiores e andava com roupas que me faziam duvidar se algum dia ela sequer sentiu frio.

Não me arrependo nem por um minuto de ter entrado naquela briga com ela. No momento em que a vi dando um tapa no rosto de uma garota só porque ela estava apoiada em seu armário, meu sangue ferveu e cerrei os punhos com tanta força que pensei estar impedindo a circulação do mesmo.

Seu salto alto a impede de permanecer em pé depois que eu a empurro com toda a minha força.

Dou poucos socos nela e antes que pudesse revidar, os professores e alunos nos separam. Minhas mãos ardem pelas feridas que se formaram pelo impacto, mas ver aquele rostinho machucado me fez não sentir tanta dor.

Sua fúria estava estampada na cara e eu não resisti em dar um sorriso incrivelmente cínico, o que fez a vadia tentar sair dos braços dos meninos para tentar se vingar.

~

- Serviço comunitário para as duas! - o diretor esbraveja - Mas que vergonha para essa escola... fiquem agradecidas por eu não suspender ou expulsar vocês desse lugar. Yoona vai para a Soongsil e (S/N) vai na Sungkyunkwan. As duas vão limpar as respectivas escolas por quatro meses, três dias na semana.

- Quatro meses?! Mas foi só uma briga! - Falo irritada.

- Quer mais um? Caso a senhorita não saiba, os diretores da rede escolar assistiram toda a briga. Vocês começam segunda.

Reviro os olhos a cada minuto ainda não acreditando naquela história toda. Minha mãe ficou falando horas sobre ética e como eu deveria agir no momento em que eu a falei sobre tudo. Ela entendeu um pouco o meu lado quando eu contei porque tinha começado a briga toda, e me deixou em paz. Como já era sexta-feira, não faltava muito para o início do que seriam os piores meses que eu poderia ter.

.

Ao invés de fazer o trajeto normal para casa, dou meia volta e vou para o outro lado, onde estava a escola que me obrigaram a ajudar.

Mesmo que eu não queira, confesso estar nervosa e um pouco animada para saber como será a outra escola. Chego no local e percebo que ela é razoavelmente maior do que a minha, o que significava mais trabalho para limpar aquele lugar. Se eles estavam pensando que eu faria tudo sozinha, estavam também muoto enganados.

Respiro fundo e entro na escola, vendo o quão maior parecia por dentro. Dou de cara com um enorme pátio com alguns alunos ainda a espera dos seus pais.

Todos me olhavam e posso dizer que essa não é a melhor sensação que alguém pode ter. A ansiedade toma conta do meu corpo e logo vou para o banheiro, tentando me recompor.

Quando saio, vejo o suposto diretor da escola, que acena para mim assim que me reconhece. Ando um pouco receosa até ele e vejo que outras pessoas estavam junto a ele, as pessoas que supostamente iriam limpar a escola comigo, o que foi um alívio já que na minha cabeça eu tinha que arrumar tudo aquilo sozinha.

- Bom, estamos aqui para que eu possa explicar o que cada um vai fazer. Alguns estão aqui por trabalho voluntário, já outros por serviço comunitário - o diretor parou por um momento e fez uma cara que tinha raiva e nojo misturados - Eu vou escolher duplas para cada local da escola, assim será mais fácil e rápido. Chung-Hee e Chul ficam... - a partir dessa parte eu só comecei a pensar em doramas e a quantidade de tempo que eu perderia limpando na qual eu poderia estar fazendo coisas muito mais interessantes. De repente percebo que a maioria das pessoas já tinham saído e volto a focar no que ele dizia - Taeyang e Shinwoo ficam na sala trinta, no terceiro andar. Deixe-me ver quem falta... mas é claro! Min Yoongi e (S/N) ficam encarregados da limpeza do corredor principal.

Fomos os penúltimos então foi fácil de encontrar o tal menino. Viro minha cabeça e encontro um garoto não muito alto, com os cabelos totalmente pretos e vestindo uma jaqueta de couro. Uma calça jeans preta e bota coturno serviram para completar o visual totalmente preto, o que me deixou impressionada pelo estilo.

Percebo a maneira na qual eu estava o encarando e volto a olhar para o diretor.

- Eu espero encontrar o corredor brilhando porquê ele é o mais importante da escola. Estão esperando o quê? Vão logo!

- Claro Sr. Wonbae, já estamos indo... - odeio quando falam dessa maneira comigo, mas foi compreensível uma vez que ele sabia que eu estava lá por ter feito algo errado; pena que não sabia o que eu realmente tinha feito, pois assim ele provavelmente não seria tão rude.

Me sinto desconfortável por ter alguém andando atrás de mim, onde posso ouvir perfeitamente o barulho que seu sapato faz quando pisa no chão. Ter Yoongi andando a poucos metros de mim sem ao menos falar uma palavra ou tentar fazer menos barulho só me deixa mais incomodada.

Meus passos se tornam em vão quando percebo que estou seguindo uma direção aleatória e que o corredor principal provavelmente não seria na direção que eu estava seguindo. Começo a andar um pouco mais devagar, procurando alguma placa que poderia me indicar, mas não tinha nada naquele lugar. Pensei em falar alguma coisa, mas toda vez que eu abria a boca, nenhuma palavra saía.

- Garota! Você está indo pro lugar errado, e se está achando que vai conseguir sair daqui assim, pode mudar de idéia.

Ele se vira e vai para o corredor ao lado, sem nem ao menos ver se eu o seguiria. O garoto dá algumas voltas com muita facilidade e chega no lugar, o que me faz instantaneamente virar um pouco a cabeça e levantar uma sobrancelha.

- E aí, vai ficar parada com essa cara ou vai na dispensa pegar as coisas? - meu sangue subiu e eu quase fui para cima dele, mas lembrar do motivo pelo qual eu estava lá tirou essa idéia da minha cabeça.

- Eu vou, mas só pra pegar os produtos de limpeza, o resto fica por sua conta. Você também não vai ficar parado - revido.

Pegamos os itens necessários e começamos a limpar. Ele em um canto do corredor e eu no outro. Isso se repetiu durante toda a semana, e nenhuma palavra foi dita por ele nos três dias em que passamos um ao lado do outro. Parecia até que ele não se lembrava da minha existência e isso me deixava muito incomodada.

Na semana seguinte, a segunda de muitas, decido tomar alguma atitude, afinal seriam meses tendo que aguentar alguém que nem sequer me olha nos olhos. Minhas mãos estão suadas e eu não sei o que dizer, nem como agir. Não sei se começo já brigando com ele por ser tão impessoal e chato comigo ou se tento ser mais calma e falar aos poucos. As tentativas de fazer um texto mental antes de tudo foram inúteis pois assim que eu o vi minha cabeça virou um branco total.

Minha vergonha, misturada com nervosismo e ansiedade me fazem desistir de fazer qualquer contato com o moreno, já que provavelmente eu teria algum ataque de pânico por nunca ter tido uma conversa decente com ele.

Vou para o meu lado do corredor e quando me viro para colocar minha mochila no chão não vejo Yoongi em nenhum canto. Ele provavelmente deve ter ido ao banheiro ou algo do tipo, então ignoro e vou pegar as coisas para começar a limpar. Enquanto estou andando, olho para todos os lugares, checando se o garoto não estaria lá, e não encontro nada.

Confesso que tentar virar para o lado esquerdo olhando para o outro não foi a melhor escolha que eu poderia ter feito, pois assim que fiz isso, meu corpo foi jogado para trás com força.

Não consigo me apoiar em nada e caio no chão. Pensei no quão idiota eu teria sido por bater em uma parede mas percebo que na verdade eu tinha batido em Yoongi, que no momento estava com uma mistura de raiva e preocupação em seu rosto. Eu não sabia se começava a rir de mim mesma ou reclamava pela dor, então optei por não fazer nada.

- Vai ficar parada? - ele me pergunta cinicamente.

- Você que me derrubou! - digo um pouco irritada, mas sem querer deixo escapar uma risada. Foi inusitado quando vi que o garoto também estava rindo, mas de certa forma era um riso acolhedor. Nunca tinha o visto sorrir, e confesso que fiquei um pouco hipnotizada por ele.

- Vai logo que eu quero acabar o mais rápido o possível. Estou com sono e isso aqui é um saco - ele diz com a voz ainda um pouco falha pelo riso. Estava tomando forças para me levantar quando vejo sua mão estendida em minha direção, oferecendo ajuda. O olhei e segurei na mão dele, e assim que me levantei, percebi que estávamos a uma distância muito curta graças ao modo na qual ele ficou para me ajudar. Nossos corpos estavam quase colados e isso só aumentou a intensidade na qual ele me olhava. Encarei seu rosto por alguns segundos e me afastei assim que notei a situação.

Começo a andar e o moreno me acompanha, em silêncio. Acho que nós dois não tivemos a inocência de pensar que aquilo não tinha acontecido. Por mais que minha cabeça estava girando com as milhões de cogitações e ângulos possíveis naquele momento, eu permaneci calada. Falar sobre aquilo seria, certamente, o maior erro que eu poderia fazer.

- E então, você estuda em que escola? - Yoongi quebra o gelo que estava pairando entre nós.

Ficamos conversando a tarde toda, sobre os mais aleatórios assuntos possíveis. Mesmo que o garoto fosse quieto, eu consegui pela primeira vez fazer ele se abrir minimamente comigo.

~

Um mês se passou e eu mal posso acreditar como Yoongi está diferente. Seu sarcasmo e ironia são agora engraçados e não arrogantes como eram antes. Algumas vezes ele dorme sentado do chão, mas eu não me preocupo muito, já que assim que ele acorda, vem me ajudar pedindo desculpa, num tom baixo, mas o suficiente para que eu consiga ouvir. Ele não ri ou sorri muitas vezes, mas eu percebi que esse é o modo dele demonstrar como realmente é. Ao invés disso, o moreno fica conversando comigo e me fazendo ter forças para toda vez limpar aquele maldito lugar, que ultimamente eu não chamaria de tão maldito assim.

Algo muito peculiar que eu pude notar de diferente foram os olhares. Por mais que eu fosse cautelosa nesse quesito, não consegui deixar isso em branco. De um tempo pra cá, eu sinto constantemente os olhos de Yoongi pousados em mim, mesmo quando eu não esteja o olhando. Em alguns momentos enquanto estamos conversando ele simplesmente para e fica calado, quieto, parado, e assim que eu me viro para ver se ele ainda esta ali, o pego me encarando.

- Eu estou tão cansado... - o garoto fala, interrompendo meus pensamentos.

- Nem diga isso, esse calor só piora tudo. Ontem estava tão fresco... eles podiam colocar ar condicionado aqui - digo rindo um pouco.

Antes que me virasse para novamente saber se ele ainda estava lá, sou atingida por um jato de água, não muito forte, mas mesmo assim grande. Tento dar um passo para o lado, na tentativa falha de fugir da água, já que ela me acompanha.

- Desliga isso seu louco!! - grito com o garoto.

- Mas você estava com calor, estou te ajudando.

- É assim? - ainda um pouco receosa pela reação de Yoongi, peguei a mangueira que estava do meu lado e joguei água nele.

- Você não pode fazer isso com Min Yoongi garota - mesmo tentando parecer bravo, a risada estava presente em suas palavras.

- Você que começou.

- Mesmo assim.

- Eu sou vingativa - digo rindo.

O garoto para de jogar água em mim e eu faço o mesmo logo em seguida. Ao invés de tentar me secar, vejo ele pegar um carrinho e antes que pudesse colocar qualquer coisa ali, me jogo dentro do mesmo.

- O que você está fazendo? - me pergunta com as sobrancelhas arqueadas.

- Eu to meio cansada sabe - digo irônica.

Ele vira o carrinho e começa a empurrar o mesmo, enquanto eu ainda tentava sair.

- Eu quero sair!! Yoongi me tira daqui.

- A gente só vai dar uma volta, estressada.

- Eu não sou!... - faço uma cara de vencida e me calo em seguida.

O moreno andou por todo o andar, já que não havia ninguém. Algumas vezes eu percebi ele acelerar a velocidade mas só consegui rir.

No final da tarde percebemos a bagunça que havíamos feito com toda aquela água.

- Eles vão nos matar Yoongi...

- Depois de amanhã a gente limpa - ele disse dando os ombros, ignorando o problema.

- Será que não ouviram a música que colocamos? Estava tão alto...

- Você é sempre tão preocupada assim? - ele ri de mim.

- Não é preocupação. Só não quero ficar ouvindo esses insuportáveis falando. É capaz de eu dormir no meio do discurso.

- Eu também - isso foi o suficiente para nos fazer rir por algum tempo.

- Você está tão... - procuro a palavra perfeita, mas não consigo encontrar - animado?

- É nervosismo.

- Min Yoongi nervoso? Deve ser algo grande. Qual o motivo?

- Algo que eu tenho tido vontade de fazer.

Me viro para conseguir enxergar seu rosto, e mesmo minimamente, consigo ver uma ponta de preocupação nele.

- Eu nunca te vi nervoso, e olha que nós nos vemos a mais de um mês.

- Você acha que eu devo arriscar ou recuar?

- Vai colocar uma responsabilidade dessas em cima de mim? - faço uma cara de cínica - Que golpe baixo... Depende da situação, mas eu acho que se for uma coisa que você realmente queira, vale a pena arriscar.

- E se der errado?

- Você pode dizer que tentou - tento animar o garoto - Olha, eu tentei te ajudar, é sua obrigação me contar o que é tão importante. Sou curiosa, acho que você sabe.

- Acho melhor eu te mostrar.

- Eu... não entendi - digo confusa.

- Vai entender.

Antes que qualquer palavra pudesse ser dita por mim, meu corpo é empurrado com delicadeza para a parede, me prensando contra ela. Yoongi me olha alguns segundos antes de aproximar seus lábios contra os meus, me deixando sem fôlego sem ter feito nada.

Sinto em sua boca o gosto da pastilha de menta que tinha aberto a poucas horas antes. A pressão na qual ele roçava nossos lábios não era forte, mas mesmo assim intensa. O moreno pediu permissão com a língua e eu aceitei no mesmo segundo. Mesmo com tão pouco espaço, os dois exploraram cada canto da boca do outro de modo excessivo, com uma profunda vontade. A falta de ar em estado crítico nos obrigou a separar nossas faces coladas, quase como se fosse um sofrimento.

O encaro como se conseguisse ver sua alma através dos olhos. Ele era aquela música calma, serena. Aquela música que faz seu coração palpitar tão intensamente que se desfaria diante dos olhos, mas isso não seria um problema.

Retiro minhas mãos de sua nuca e as coloco em seu peito, sem deixar de o olhar.

- Eu preciso ir... - digo assim que me lembro que já se passavam das sete da noite.

- Eu também.

Fiquei parada por alguns segundos para que ele percebesse que suas mãos ainda permaneciam em minha cintura. Como um pequeno susto, ele percebeu e se afastou, o que me obrigou a ir embora.

Fiquei a noite inteira repassando cada segundo daquela tarde, o que só fazia meu coração disparar cada vez mais rápido, como um flash em meu peito todos os segundos.

~

- Acorda (S/N)! Vai se atrasar.

- Me deixa faltar hoje mãe - resmungo sonolenta.

- Nem pensar... você vai sim, e nem tente fugir da outra escola.

- Eu não faria isso... - digo a mim mesma num sussurro.

Duas semanas depois do ocorrido com Yoongi, as coisas entre nós estavam... adoráveis. Incríveis, maravilhosas, enfim, nós temos na língua portuguesa mais de 400 mil palavras e eu não consegui usar nenhuma delas para definir o que eu estava sentindo.

Só falta um mês para o serviço comunitário acabar e eu nunca quis ficar nele tanto quanto agora.

- Oii - digo um pouco alto para que Yoongi percebesse que eu estava ali.

- Oi - ele diz se aproximando e me dando um selinho logo em seguida - Caralho eu realmente não quero limpar isso aqui hoje.

- Eu também não - olho para os lados, vendo o estado do corredor - Ele parece limpo. E se a gente... esquecer?

- Mas a gente não pode sair daqui.

- Não precisamos. Só vamos ficar aqui, sem fazer nada.

Alguns minutos se passaram e o silêncio se tornou presente.

- Ah, ficar tão quieto não é legal. Sabe de uma coisa, você não me contou muito sobre você - falo com as sobrancelhas arqueadas.

- Entendi... mas eu também não sei muita coisa a seu respeito. Como você veio parar aqui?

- Arrumei uma briga na minha escola e todo mundo achou que era um absurdo - reviro os olhos e vejo um sorriso mínimo no rosto do maior - E você? O que fez?

O garoto vira o rosto com um ar de desentendido e consigo ver um pouco de preocupação no mesmo.

- Sabe (S/N)... você se apaixonou pelas minhas flores, não pelas raízes. E eu não sei se você vai aguentar o outono...

- Me apaixonei? - falo tentando ignorar o resto.

- Com tanto swag eu não diria menos que isso.

Abaixo um pouco o rosto para que o garoto não visse meu corar. Por mais que ele estivesse me provocando, talvez tudo aquilo sobre meus sentimentos fosse mesmo verdade

- Eu gosto das flores, mas as raízes são mais interessantes, não se preocupe.

- Eu me meti com as pessoas erradas.

- Você é muito sem graça sabia? Contando metade da história...

- Basicamente eu confiei em pessoas que não eram nem um pouco confiáveis. Um dia eu estava com esses caras e eles me levaram pra um galpão, que até aquele momento eu não sabia para qual motivo. Eles queriam roubar as coisas do lugar e atiraram no dono quando ele chegou. Eu nunca fui nenhum santo, mas eu não faria aquilo... enfim, os que estavam mais envolvidos foram presos e eu vim pra cá. Eu me arrependo muito, mas eu tenho consciência limpa sobre isso.

- Tem umas pessoas que dá vontade de tacar a porrada né? - digo rindo e ele me acompanha, acho que também pelo alívio de eu não ter o culpado nisso tudo.

- Eu vou dormir um pouco, só limpa essa parte do chão que depois eu limpo o resto pra você.

- Mas você vai demorar pra acordar? Lembra que hoje eles vão vir aqui pra ter certeza que está tudo limpo.

- Sim, só pelo amor de Deus não me acorda. É sério (S/N) - ele disse mais convincente.

- Okay... - digo com as mãos para o alto.

.

- O que você quer fazer?

- A gente podia ir jantar.

- Pode ser, mas meus pais não estão dando minha mesada - digo rindo.

- Eu pago. Vamos no shopping, lá tem de tudo. As nove eu chego.

- Ai ai Yoongi, só você.

Termino a ligação e começo a me arrumar.

Confesso que me animou a idéia de sair com o garoto, afinal nós só ficávamos naquela escola, sem realmente fazer algo juntos. Queria impressionar, então fui tomar banho rápido para ganhar tempo.

Assim que terminei, o próximo passo seria o cabelo. Nunca fui muito boa em fazer chapinha, mas era por uma boa (talvez ótima) causa.

Eram sete e meia e eu não estava preocupada pois ainda tinha muito tempo. Comecei a fazer meu cabelo e quando fui ver já se passavam das oito.

Nunca foi tão trabalhoso escolher uma roupa. Normalmente eu pegaria a primeira que visse, sem problemas. Mas tudo aquilo era um problema, o meu nervosismo era um problema, as minhas roupas se tornaram um problema.

O meu guarda-roupa foi todo jogado na minha cama, me deixando com mais raiva a cada peça lançada.

No final eu acabei optando por um vestido preto que realçava minha cintura e que tinha uma enorme fenda nas costas, as deixando expostas. Coloquei um sapato de salto estilo meia pata preto só pra me deixar mais atraente para ele. Pela primeira vez eu realmente estava preocupada em deixá-lo encantado.

Ouço a campainha tocar e dou uma última olhada no espelho.

- Nossa... - disse ele depois de algum tempo em silêncio.

- O que foi?

- Você está incrível - ele diz e sinto minhas bochechas queimarem no mesmo instante.

- Obrigada... Você também - o elogio, vendo sua calça jeans preta e seu blazer da mesma cor.

.

O jantar foi daqueles que toda garota sonha em ter. Já tinham velas no restaurante e ele me deixou pedir qualquer coisa, inclusive a sobremesa mais cara da casa. A cada dez minutos eu ouvi Yoongi me dizer como estava bonita e como a roupa estava perfeita.

Ele pagou a conta e fez questão de me acompanhar, mesmo a casa dele sendo na direção contrária. Pego meu fone e divido com ele, colocando no aleatório.

Quando eu olho nos seus olhos

Eu vejo o fundo da minha alma

Eu sei que você é bom por dentro Você é meu herói manchado

Ah, e eu sei

E você sabe como a história é contada

Só nós sabemos como é

Temos um público nos chamando de loucos

Nós ignoramos aqueles que odeiam

Nós não somos como os demais

Amigos com a insanidade de ultimamente

Todo mundo tem cicatrizes

Mas você pode amá-los de forma remota

Eu te disse que eu não era perfeita

Você me disse o mesmo

Eu acho que é por isso que devemos estar juntos

Juntos e sem vergonha

Eu te disse que eu não era perfeita

De jeito nenhum.

Depois de algum tempo chegamos até minha rua, onde o garoto me dá um demorado selar de despedida e eu entro em casa, com um enorme sorriso bobo no rosto.

~

Finalmente o penúltimo dia do serviço comunitário chegou, e com ele a ansiedade de ter minhas tardes livres novamente. Desse modo eu poderia sair mais vezes, e isso também incluía estar com Yoongi mais vezes.

- Eu estou tão animada! - digo dando alguns pulinhos - Vamos nos livrar disso logo.

- Concordo - vejo um sorriso surgir em meio as palavras do garoto, que estava igualmente alegre.

- Eu queria literalmente largar tudo aqui agora, só por vingança, mas aí teria que ficar mais tempo.

- O ponto negativo de tudo isso é que não nos veremos com tanta frequência.

- Vamos sim! E poderemos ir pra lugares diferentes desses corredores.

Pego meu celular e coloco uma música agitada enquanto puxo o mais velho para dançar comigo.

- Eu não sei dançar...

- E quem disse que eu sei? Só estou feliz.

Ficamos quase uma hora dançando como se aquela fosse a melhor balada que existisse.

- São quase cinco horas Yoongi! Vão nos matar se virem isso - falo apontando para a bagunça que tínhamos feito.

- Acho melhor começarmos - o vejo rindo da minha preocupação.

- Talvez não seja a hora... - ouço as palavras serem ditas no fundo do corredor, o que me deixa curiosa. Assim que me viro, vejo um homem que aparentava estar em seus vinte e cinco anos. O mesmo vestia um sobretudo preto e botas similares a um coturno.

- O que você pensa que está fazendo aqui?! - Yoongi diz com raiva, me deixando mais confusa ainda.

- Achou que eu ia procurar quem quando eu saísse Suga?

- Suga? Alguém pode me explicar o que está acontecendo? - tudo estava se tornando uma bagunça na minha cabeça.

- Arrumou uma namoradinha? Cuidado hein - o loiro dá uma risada irônica.

- Some daqui Hunter.

- Ah... Não fala assim com seu velho amigo.

Me viro para Yoongi e vejo sua fúria pelos olhos, de uma maneira que eu não conhecia.

- Vá embora (S/N), nos vemos depois.

Antes que eu pudesse discordar, o tal Hunter faz por mim.

- Embora? A festa acabou de começar Suga.

- Não me chama assim...

- Você sempre adorou esse apelido vai! - o homem encara Yoongi cinicamente.

- Já disse pra você sair daqui!! - Me assusto com o grito do mais velho, que estava com seu braço envolvendo meu ombro com força.

- Não fala assim comigo garoto!

- Parem com isso! Parecem dois idiotas - me pronuncio pela primeira vez na conversa, quase uma briga.

- Que brava - ele diz rindo um pouco - Bonitinha também - suas botas fazem barulho com os passos que ele deu em minha direção.

- Não chega perto dela! - parecia que o moreno ia a qualquer momento explodir de raiva.

- Você não era tão atrevido assim.

- Nós não devemos nada à você... Hunter. Nos deixe em paz por favor - falo um pouco baixo por causa do medo.

- E quem disse que isso é sobre vocês? Eu fiquei quase um ano na prisão Suga! Você faz idéia do que é isso?

- Quem quis roubar o galpão foi você! Tudo começou com você.

- Agora, para a felicidade de todos, eu estou livre - ele ri de forma melancólica.

- Seja livre longe de nós seu maldito.

- Claro, seria difícil ver sua cara toda hora. Já ela... - levanto o rosto e vejo sua mão próxima do meu rosto, que logo é tirada por Yoongi.

- Nem ouse.

- Eu só vou dar uma voltinha com ela.

- Nunca. Você não vai encostar um dedo nela.

- Não tente brincar comigo, Suga. Você sabe muito bem do que eu sou capaz.

- Isso é entre nós, deixe ela de fora.

- Vai logo pirralho.

- Sai daqui Hunter.

Antes que qualquer movimento pudesse ser feito, o rapaz colocou sua mão perto do bolso de trás da calça e de lá pegou uma pistola, provavelmente uma Beretta. O nome da arma provavelmente não importaria no momento, mas todos os detalhes foram captados pelo meu medo, que foi instantaneamente aumentado.

- Eu vou com ele. Não tem problema - mesmo que tivesse todos os problemas do mundo, eu não queria que as coisas ficassem piores do que já estavam.

- Ficou louca? Isso nunca vai acontecer!

- Yoongi, me ouve, ele está com uma arma na mão - digo baixo - Não vale a pena tentarmos.

- Você vale a pena. Eu não sei o que ele vai fazer se te tiver nos braços.

- Me leva Hunter. Deixa ela ir embora.

- Eu não quero te levar a lugar algum. Nada em você me interessa, se é que me entende.

- Você é um filho da puta Hunter!

Tive que segurar o moreno para que ele não fosse para cima do outro, o que aborreceu muito os dois. Vi o loiro levantar a arma e minha respiração ficou fraca.

- Vai ser por bem ou por mal? - diz ríspido.

- Eu faço o que você quiser, só suma daqui - Yoongi fala tentando permanecer calmo.

- Minha paciência está acabando Suga.

- Eu não ligo! Cai fora dessa escola!

Olho para Yoongi e logo em seguida para Hunter. O silêncio medonho foi o suficiente para ouvir o homem mexer o dedo em direção ao gatilho, o puxando.

Algo em meio aos meus instintos me fez dar um passo a frente do garoto, onde até o piscar dos meus olhos ficou em câmera lenta.

Sinto algo perfurar minha pele, mais ou menos na altura do pulmão. Coloco minha mão no local por causa da sensação, estranhamente sem sentir dor.

- Ai meu Deus! Meu amor! - os olhos do garoto se enchem de lágrimas e eu tento acalmá-lo.

- Está tudo bem, fica calmo...

Hunter já tinha fugido a algum tempo, e assim que meu estresse foi se desfazendo, a dor começou a surgir.

- Eu já chamei uma ambulância, por favor aguenta - seu queixo tremia junto com sua voz embargada, uma coisa que achava impossível de ver algum dia.

- Será que vai demorar muito? - digo tentando evitar alguma expressão de dor para não assustar o garoto, mesmo que a fraqueza começava a se tornar presente em mim.

Puxei o ar e ele não veio, o que me fez tentar mais algumas vezes rapidamente, assustada. Isso só fez com que Yoongi ficasse ainda mais temeroso. Ele sentou no chão e me colocou em seu colo, com nossos peitos colados e meu braço em volta do seu corpo, o apertando.

- Você pode se machucar assim...

- Eu não me importo, você me ajuda a respirar assim - levanto o rosto e dou um rápido beijo no mais velho.

Subitamente sinto em minha garganta um gosto muito forte, como se fosse ferro... sangue. Levanto minha mão com leveza para ter certeza do que estava acontecendo, e para minha surpresa, meus dedos ficam cheios de sangue, o que me obrigou a vomitar tudo aquilo.

- Eu estou bem - pronuncio depois de ver aquele sangue todo no chão, acompanhado com o que estava no meu peito, e consequentemente no de Yoongi também.

- Como tem coragem de dizer isso?

- Eles já vão chegar... - limpo minha boca com a manga da blusa e me deito no moreno de novo, quase incapaz de me mover.

- Eu te amo Yoongi.

- Não se despede de mim, por favor - ouço seu soluço choroso.

- Nunca tive oportunidade de te dizer.

- Eu também te amo muito...

Mais alguns segundos e um enorme sufoco começou a surgir, e mesmo assim eu não consegui gritar por ele. Encosto meus lábios nos seus, dando um beijo apaixonado.

Me afasto ainda com o rosto em direção ao seu, encontrando seus olhos pela última vez. Aqueles olhos, aquela boca, aquele moreno. Ele era minha pessoa, a pessoa em que você sonha encontrar toda sua vida. Mesmo com todos os problemas, ele sempre foi minha pessoa.

Seus gritos ecoavam na minha cabeça, mas eu não era capaz de corresponder. Tentei abrir os olhos mas os mesmos não me obedeciam.

E independente de qualquer sofrimento, ele sempre seria minha pessoa, ele sempre seria o amor da minha vida, e eu sempre o amaria.

" Este é um conto de fadas moderno, sem finais felizes, sem o vento soprando em nossos barcos.

Mas eu não consigo imaginar minha vida sem esses momentos de tirar o fôlego, me quebrando. "


Notas Finais


Então meus amores... foi isso🌪
Torço para que tenham gostado e mesmo que não seja muito comum, é algo que eu sempre tive vontade de fazer...

Beijos😘❤️


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