História A última Weasley - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Potter, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Ronald Weasley, Rose Weasley, Scorpius Malfoy
Visualizações 18
Palavras 3.825
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Magia, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, pessoas lindas e fofas.
Então, aqui estou eu o/
Espero que vocês gostem, me digam o que acharam.
Beijooooos!!

Capítulo 11 - Ravenclaw, traição e coração


Eu tinha 17 anos e naquele momento estava perdida envolta de inúmeros papeis e com meu cérebro entrando em combustão com um preocupado Theodore Nott sempre por perto e Scorpius Malfoy vigiando de longe. Theo era uma pessoa decente, eu poderia dizer, o que é ruim, pessoas decentes sofrem mais em guerras.

Queria ter tido o conhecimento que tenho hoje, talvez tivesse ajudado em algo, me feito ser uma pessoa melhor, como Theo, como Astória. Mas meu coração já estava corrompido pelo ódio, amargura e desejo de vingança. Ele me disse em uma noite depois de me acordar que meus olhos pareciam pedras de gelo, bonitos, mas mortais. Bem diferente do que Astória tinha lhe dito, mas eu não era mais aquela menina. Eu não sabia mais o que eu era.

 

Dormir por apenas algumas horas já tinha se tornado um hábito, por sorte Rose tinha muitas coisas com que ocupar sua mente. Ela tinha deixado os livros sobre os Fundadores de lado, leu o suficiente para formar uma história em sua mente, por hora não precisava de mais informações sobre sua ancestralidade, aquilo não tinha importância de qualquer forma, ao contrário das outras informações que ela tinha conseguido.

Mas era difícil de concentrar com Scorpius andando de um lado para o outro no corredor. Por isso ela se levantou e abriu a porta de supetão, se ela o assustou ele conseguiu esconder bem.

– O que você acha que está fazendo?

– Theo disse que eu deveria checa-la a cada hora, faltam alguns minutos. – Scorpius respondeu como se fosse uma coisa simples.

Rose soltou o ar que estava preso nos seus pulmões e reprimiu a vontade de fechar a porta no rosto dele. Ela saiu da frente da porta e abriu passagem para ele, um convite mudo para que ele entrasse.

Scorpius não parecia à vontade com toda aquela situação, mas Theodore foi categórico e não lhe deu muitas opções, na ausência dele o bem estar da menina estava em suas mãos e isso compreendia em não deixa-la sofrer em pesadelos ou garantir que ela não iria pirar lendo aqueles documentos por horas seguidas. Mas ele também não queria ficar no mesmo espaço que ela, aquilo já seria demais.

Ele iria ajuda-la, prometeu a Astória que iria, mas ainda tinha que saber onde se encaixaria em toda aquela confusão e controlar o desejo pulsante de azarar Rose até ouvi-la gritar.

– Você vai entrar ou não? – Rose notou a dúvida nos olhos dele. – Você pode me ajudar em umas coisas, se quiser.

Ele demorou alguns segundos antes de dar um passo em direção ao quarto. Ele viu os papeis espalhados pelo chão com um pequeno espaço limpo que imaginou que era onde Rose deveria estar sentada. Ele foi em direção aos livros, se sentou no chão e abriu aquele que falava sobre o início da fundação de Hogwarts.

– Descobriu algo de interessante? – Ele perguntou enquanto folheava o livro sem muito interesse.

Depende do que ele consideraria interessante, para Rose eram só um monte de suposições bobas e vagas de pessoas com uma imaginação muito fértil e sem nada de útil para ocupar o tempo.

– Estou querendo saber se você encontrou algo que dê indícios de como mamãe descobriu sobre sua descendência. – Scorpius se corrigiu quando viu que Rose revirou os olhos.

– Não realmente, ainda acho que eles apenas tentaram a sorte. Quer dizer, quais são as chances de eu ser a última da linhagem de dois fundadores?

– A família Weasley é uma das mais antigas da Grã-Bretanha, todas as famílias puras devem ter algum laço sanguíneo com você, mesmo que remonte á gerações, não é realmente surpreendente que a linhagem vá até Godric. Mas e quanto a Ravenclaw?

Rose não queria mesmo começar por aquilo, mas Scorpius não parecia que a deixaria fugir.

– Registros comprovam que Helena foi a única filha de Rowena e que ela fugiu para a Albânia, onde foi morta, depois disso só o que tem são suposições. – Rose pegou um papel onde tinha feito algumas anotações, para se encontrar cronologicamente em toda aquela bagunça.

– Adoro uma boa história, me encante, Weasley.

Tinha duas fendas no lugar dos olhos de Rose e elas encaravam Scorpius o desafiando a ser mais idiota.

– Margareth Gobblin era aficionada com a história dos fundadores, muitos dos livros que surgiram depois se basearam em textos perdidos dos livros dela. Mas de alguma forma Astória conseguiu chegar até um manuscrito intacto.

– Que eu imagino que seja o livro que parece que vai se desfazer ao toque.

Rose o ignorou.

– Ela foi a primeira a lançar a suspeita de que talvez o diadema de Rowena tivesse sido roubado por Helena, talvez por isso tenha achado que valia a pena fazer uma viagem até a Albânia. Ela diz que Helena teve uma filha, Imogen, a criança tinha sido deixada com camponeses que acolheram Helena, com Helena e Rowena mortas não tinha quem reclamasse a criança que permaneceu naquele lugar até sua morte.

– Quando foi isso? Século XIII?

– Século XI na verdade, já faz mil anos, Scorpius. Como isso pode ser importante agora? – Para Rose aquela história não poderia ser mais sem sentido.

– Você sabe o que aconteceu depois? – Scorpius simplesmente não conseguia deixar aquela história de lado.

– Imogen se casou aos 15 anos, teve três ou quatro filhos, sendo que só um chegou a fase adulta, ela morreu com 23 anos. Temos um salto no tempo, onde encontramos no século XIII Ioan Badea, um simples morador de Valáquia, que hoje é a Romênia. Ele possuía um grande conhecimento em ervas, era procurado por toda a população em busca de ajuda.

– Ele era um bruxo?

– Segundo Margareth, sim. Com uma magia não utilizada da forma como conhecemos, ele não usava varinha, não foi a uma escola, ele acreditava que tinha um dom e o usou para ajudar as pessoas.

– E depois? – Toda a atenção do rapaz estava em Rose.

– A família Badea se tornou conhecida em toda a região e chamou a atenção de um Príncipe que acolheu a família e os colocou como seus curadores oficiais. A próxima informação importante que temos é um casamento não autorizado entre Nicoleta Badea e um filho do Príncipe Miguel, isso depois de 1600, o jovem príncipe perdeu seu título por seu casamento desafortunado e eles foram embora de Valáquia.

– Para onde eles foram?

– Isso não importa, Margareth achou indícios de que a antiga família real andou procurando os seus e uma pessoa surgiu na Húngria alegando ser neto de Erin e Nicoleta, é onde aparece Àdám, o perverso.

– Isso é uma dica de que ele era um impostor?

– Se for então tudo depois disso é um grande engano e nunca saberemos se a união de Erin e Nicoleta teve ou não frutos e se teve se Rowena tem descendentes. A questão é que a família acreditou nele, há cartas em que dizem como Àdám era parecido com Príncipe Miguel na juventude, isso pareceu bastar.

– Ainda estou esperando por que o chamou de perverso.

– Ah, ele pegou todo o dinheiro da família e os matou. Ele escreveu uma carta de ódio, declarando todo o seu infortúnio em ser neto de um príncipe pobre, onde só tinha lhe restado o orgulho. Parece que depois que eles foram embora de Valáquia o amor não perdurou pelos infortúnios de uma vida em busca da sobrevivência e foi nessa família que Àdám cresceu.

– Então ele pega o dinheiro e vai embora? Sai do país?

– Ele se tornou uma pessoa conhecida, se mudou para a Capital e se tornou muito rico, foi fácil fazer toda a árvore genealógica depois disso. E não há nada sobre nenhum deles ter sido especial de alguma forma, se Nicoleta herdou a magia ela conseguiu esconder muito bem, assim como seus filhos e netos, todos viveram como trouxas até o fim de suas vidas.

– E como saímos da Húngria e chegamos à Inglaterra?

– De navio. – Rose reprimiu o sorriso. – Eles andaram bastante, ter dinheiro não bastou quando a guerra terminou e eles viram seu país totalmente desestruturado. A guerra dos trouxas fez com que eles tivessem que abandonar sua terra natal, mudaram seus nomes, fugiram com poucas roupas e quase sem nenhum dinheiro, mas conseguiram um navio que os levou até a Itália e depois outro até a França. Só dois deles conseguiram sobreviver a tudo isso, Margareth não sabia seus nomes verdadeiros, só que eram irmãos e que agora se chamavam Augustine e Oliver Edmond, eles escreveram para uma amiga próxima a família avisando de sua chegada à França.

– Você parece triste. – Scorpius observou.

– Foi uma carta bem triste, Augustine fala da dor de perder a irmã e os pais, de deixar seu país e do terror de serem descobertos e mandados de volta. Pela forma como Margareth escreve imagino que ela deve ter sentido a dor deles.

– Algum sinal de magia depois disso?

A pergunta tirou Rose de seus pensamentos e a trouxe de volta a realidade.

– Sim, ela encontrou uma pessoa, Esme Edmond, inscrita na Academia de Beauxbatons por volta de 1930. Há muitos bruxos com o mesmo sobrenome e proveniente da mesma família depois disso. E fim.

– Como assim?

– Margareth só foi até 1930, até Esme. Ela morreu em 1936, tudo que há depois disso é ainda mais solto do que foi até agora. Astória andou fazendo sua própria busca, mas nada é certo.

– Como saímos de Edmond para Granger? Como saíram de uma família de bruxo para gerações de trouxas? França para Inglaterra?

Rose procurou por um papel específico, lá só tinham uma lista de nomes.

– 1950, Madeleine Girani era um aborto, sua filha se chamou Justine e se casou com René Granger, anos depois seu filho veio para Inglaterra para estudar, fez família e essa família cresceu e aqui estou eu.

Rose levantou os braços como se tivesse em uma apresentação.

– Agora sabemos que todo o seu azar vem do sangue da sua mãe. Talvez Rowena tenha amaldiçoado Helena antes de morrer e todo o sangue dela.

– Você está tentando ser engraçado?

Ele deu um sorriso de lado.

– O que mais minha mãe andou aprontando?

Rose apontou para uma pilha de papeis, Scorpius pegou e passou para ela.

– Ela achava que havia um traidor na Ordem, alguém que estava passando informações para o outro lado. E ela começou a vigiá-los.

– Todos os membros? Quantos são?

Rose ignorou a última pergunta, mesmo compartilhando algumas informações ela não falaria sobre certas questões da Ordem.

– Não todos, aqueles que ela achava importantes, que possuíam informações relevantes.

– Como passar pelos feitiços da sua casa, por exemplo?

Rose assentiu.

– Eu não consegui ler tudo ainda, ela deve ter passado muito tempo os observando.

Scorpius percebeu a oscilação na voz de Rose, o suor escorrendo em sua têmpora e seus olhos vagando pelas linhas, ela umedeceu os lábios três vezes em menos de um minuto e evitava olhá-lo.

– Eu não vou trair você, sabe? – Scorpius falou tentando manter a voz estável. – Não somos amigos ou nada perto disso, mas eu escolhi ajuda-la e eu vou. Vamos descobrir se tem mesmo um traidor na Ordem, e... – Ele tinha passado algum tempo pensando naquilo, Astória queria que Rose fosse livre, que pudesse andar pelas ruas livremente, sem medo, que pudesse ser alguém e só havia uma forma disso acontecer. – Vamos encontrar um jeito de acabar com essa guerra.

Rose levantou seus olhos, ela escutou as palavras, mas elas pareciam distantes. Ela tinha que confiar nele, mas ele ainda era Scorpius Malfoy, tinha um lugar guardado para ser um Comensal. O que ele faria para crescer aos olhos do pai? Confiar em Theo foi tão fácil, Rose sabia que eles sentiam o mesmo desejo de vingar Astória, porém Scorpius a culpava, a detestava, ela não sabia o que ele poderia fazer tomado pela raiva.

– Ei, uma promessa não vale de nada até que você a cumpra, minha mãe me disse isso uma vez. Vou ficar do seu lado até o fim, vou ajuda-la e protege-la. Isso é uma promessa, Rose Weasley.

Scorpius falou com confiança, não havia dúvida em seu rosto. Ele parecia decidido e focado.

– Sua mãe me fez essa promessa uma vez, de que eu não estaria sozinha, que ela me ajudaria. Agora ela está morta.

– Eu sei. – Ele falou com amargura.

– Sabe? O que vai acontecer se você tiver que escolher entre sua família e eu? E se descobrirmos algo que vá prejudicar o seu sangue? E se tivermos que passar por cima das pessoas que você conhece e gosta? E se você tiver uma informação que beneficiaria sua família?

Ele engoliu em seco. Sinceramente ele não fazia ideia de como responder, há algumas noites Rose lhe contara do seu desejo de matar Draco, torcia para que isso fosse apenas uma raiva momentânea e que a menina não fosse querer dar uma de suicida. Ele não sabia o que faria nas situações que ela colocou, mas teria que se preparar para elas.

– Só sei que eu não vou trair você.

Rose olhou para o lado e imaginou Astória sentada lá olhando para eles, ela estaria com um sorriso complacente, as mãos cruzadas no colo e a cabeça levemente virada para o lado, como sempre ficava quando tinha que espera-la tomar uma decisão. Ela não a apressava, não a influenciava, só estaria lá para o que for que Rose decidisse. Aquela não seria uma decisão fácil, mas no momento ela não tinha qualquer aliado, Theo tinha ido embora novamente antes que ela pudesse falar com ele, achava que poderia conta-lo como aliado. Mas Scorpius seria uma aquisição útil, ela parou de divagar. Se ela fosse ser sincera consigo mesma a decisão já estava tomada desde que ela leu a carta há duas noites.

– Vamos começar pelo topo, Minerva McGonagall é quem comanda a Ordem da Fênix desde o fim da Batalha de Hogwarts, toda decisão passa por ela. Atualmente é a pessoa mais influente entre nós, ela é inteligente e muito sagaz.

– Uma lenda. – Scorpius a interrompeu. – Eu já ouvi sobre ela em algumas reuniões, muitos esperam que caso ela morra a Ordem irá se desfazer.

– Pelo visto esse é um medo que eles têm em comum, ela não sai em uma missão há pelo menos dez anos. A vida dela é tão importante quanto à de Harry Potter.

– Sobre ele...?

Rose apenas balançou a cabeça.

– Depois temos Neville e Hannah Longbottom, Zacharias e Emily Smith, Luna e Rolf Scamander, Remus e Ninfadora Lupin e Nina Johnson. Eles são as pessoas mais importantes na Ordem. – Rose parou de falar por um momento, Scorpius a viu amassando a lateral do papel que segurava, ela parecia ter dificuldade em continuar, mas ele esperou. – Astória achava que se havia um traidor seria uma dessas pessoas.

– Mas... – Scorpius ficou atônito por um momento.

– Hannah, Emily e Rolf estão mortos. – A próxima informação seria a mais valiosa que ela já tinha dado a qualquer pessoa e isso seria a prova de que a vida dela estaria nas mãos dele se assim ele desejasse. – Remus e Tonks são meus tutores, é com eles que eu tenho vivido pelos últimos quatro anos, então se eles fossem os traidores eu já estaria bem morta.

Scorpius absorveu a informação, ele conseguia esconder a surpresa muito bem, então ele apenas assentiu e pediu que ela continuasse.

– Neville foi um dos melhores amigos dos meus pais, ele deveria saber como entrar na nossa casa, é o mais próximo da Minerva, então deve saber todas as informações.

– Você não parece achar que seja ele.

– Ele conhecia meus pais desde os onze anos, estavam na mesma Casa, ele matou a Cobra do... Você-sabe-quem, eu não posso aceitar que ele trairia minha família assim.

– Theodore é o melhor amigo do meu pai, Weasley e aqui está ele acolhendo uma inimiga.

– Mas o Nott não está planejando mata-lo ou a você.

– Ele já matou comensais. – Scorpius ergueu a mão quando Rose recomeçaria a falar. – O que estou dizendo é que todos são suspeitos, por mais doloroso que seja aceitar isso.

Ela apenas assentiu.

– Zacharias, Luna e Nina são pessoas com interesses, eles tem uma família para proteger. Nina protege os Potter, se Harry ainda tiver o coração no lugar seria um ótimo meio de atrai-lo, imagino que seu Lorde acharia o mesmo, então ela deve estar limpa.

– Ele não é meu Lorde. – Scorpius pontuou cada palavra e a viu apenas dar de ombros sem se importar.

Pelas próximas horas eles continuaram lendo o que Astória tinha preparado, faziam suas próprias anotações do que achavam importante e começavam a traçar um caminho para onde deveriam ir no futuro. Já havia escurecido quando eles escutaram um barulho alto vindo do lado de fora da casa. Rose se assustou e quando percebeu já tinha a varinha segura na mão.

– Nott? – Ela sussurrou para Scorpius.

– Não, ele não voltaria tão cedo. – Scorpius se levantou e andou cauteloso para fora do quarto. Tentava manter a respiração calma, não poderia se desesperar naquele momento, tinha treinamento, poderia lidar com o que fosse.

Rose o seguia de perto, mesmo que o menino tenha feito sinais para que ela voltasse para o quarto. Os feitiços de proteção não tinham soado, mas isso não tranquilizava nenhum dos dois, Scorpius foi até a janela e olhou para fora, não vendo nada lá.

– Pode ter sido um animal. – Ele sugeriu. – Acho que poderíamos comer alguma coisa agora.

– Onde o Nott está? – Essa pergunta vinha martelando na cabeça dela durante todo o dia.

– Ele foi ver como a situação está, você já está aqui há muitos dias, tem que voltar para casa.

Casa. Essa palavra não tinha qualquer significado para ela.

– Desde quando comensais se locomovem por veículos trouxas?

Scorpius parou de caminhar e se voltou para ela. Rose tinha brilhantes olhos curiosos, algo que seria gracioso se os olhos não tivessem nela especificamente. Durante todo o dia ele controlou o tom de voz e suas expressões, para trabalharem juntos ele teria que se fazer confiável, ela tinha que acreditar nisso, e lançar olhares odiosos na sua direção não ajudaria muito. Mas agora ele apenas queria comer algo e voltar a se esconder no quarto, respirar um ar longe dos vibrantes cabelos vermelhos.

– Aparatação é controlada, mesmo para um comensal como Theodore é perigoso. Alguém poderia notar a frequência que ele vem aqui e investigar o que ele faz em uma área totalmente trouxa, por isso ele vai até a casa onde vocês se encontraram. Aquele é um ponto de aparatação segura, ninguém desconfiará dele indo até lá.

– Eu não aprendi a aparatar, nunca o fiz. – Ela resolveu contar a ele, era uma fraqueza, mas se algo acontecesse ele deveria saber que ela não poderia fugir por meios convencionais. – Eu sei a teoria, mas ela não achou que valia o risco. Como você disse não é seguro.

– Bem, de qualquer forma eles sempre colocam a área em uma zona anti-aparatação. Você não conseguiria de qualquer forma.

Rose sentiu o frio subir, ela se sentiu dentro do carro novamente, o medo de quando percebeu que elas não conseguiam aparatar, os vidros quebrando, a sensação do carro girando, tudo voltou. Quando voltou a si Scorpius a segurava pelos ombros e a olhava preocupado. Ela afastou as mãos dele de si e não falou nada quando caminhou apressada para o quarto, ele só ficou lá parado com as mãos ainda no ar e escutou a batida violenta da porta.

Rose sentou na cama e ficou lá encolhida, não sabia quantas horas tinha passado, ela não se mexeu nem mesmo quando Scorpius bateu na porta e abriu devagar apenas para vê-la encarando o vazio. Ela o escutou falando, mas as palavras não tomaram forma, ele percebeu que ela não estava lá, tinha entrado em um mundo no qual ele não era convidado. Theodore talvez soubesse o que fazer, mas ele não, por isso apenas deixou as fotos lá e saiu.

Demorou ainda para que ela conseguisse se mexer e quando o fez ouviu o som de algo cair. Ela olhou para o chão e viu as fotos, as recolheu e se sentiu aquecida no instante seguinte. Nem toda memória era ruim, era olhava uma versão menor de si mesma sorrindo e acenando para a foto, Hermione ainda estava entre eles, ela parecia cansada, mas ainda sorria, Ron estava em pé atrás dela e segurava seus ombros ele sorria por um segundo e depois ficava sério, Astória estava no chão junto com Rose. Havia mais três fotos, uma de uma Astória adolescente com uma jovem que possuía os mesmos cabelos de Rose, mas com olhos castanhos, tinha um castelo no fundo que só poderia ser Hogwarts. A outra tinha muitas pessoas, elas estavam em fila, ela conhecia várias delas, Rose passou a mão acariciando onde seus pais estavam, ao lado deles estava Harry Potter, tão parecido com Albus que assustava, ele segurava a mão de sua tia Gina, ela parecia mais velha ali. Ela viu Minerva e os outros, Hannah estava distante de Neville, talvez eles ainda não fossem um casal, ao lado dele estava Luna, tão jovem, suas pequenas esferas azuis pareciam ver algo que mais ninguém via. Emily estava do outro lado, Sophia tinha os mesmos traços dela, o mesmo corpo alto e esguio, mas os cabelos e olhos castanhos tinham vindo de Zacharias, esse continuava com a expressão desagradável que ela se lembrava.

A última era uma dela com Rose, a menina lembrava daquela foto, elas tinham tirado em um shopping, era Natal e Astória tinha insistido que elas saíssem para comer fora, havia uma cantina italiana lá muito elogiada, como era feriado a maioria das pessoas estariam em suas casas com a família ou viajando. Rose não queria comer nada italiano, tudo referente ao país ainda era doloroso, mas Astória não desistiu e depois ainda fez com que tirassem uma foto. Rose estava emburrada e cruzou os braços, mas Astória sorria ao seu lado, com os braços por cima dos seus ombros.

Scorpius percebeu o seu erro alguns minutos depois de escutar a porta batendo, ele ficou algum tempo pensando nisso, imaginava como seria se fosse ele a ficar preso em uma memória aterrorizante. Ele tinha muitas, mas nenhuma que lhe causasse tanta dor quanto imaginava que aquela noite causasse a ela, ele desistiu de comer, não conseguiria engolir nada de qualquer maneira.

Ele vasculhou a caixa onde tinha guardado as fotos que sua mãe tinha deixado, ele já tinha as visto tantas vezes que pareciam gravadas em sua memória, pegou quatro delas que achou que não lhe pertenciam, pensou em dá-las quando ela fosse embora, mas tinha que ver como ela estava depois de tudo.

 

Scorpius sempre teve um coração grande demais, talvez por isso ele conseguiu colocar todo o rancor que sentia por mim para o fundo e ficar ao meu lado sem me cruciar. Fico imaginando quando ele percebeu que era um erro ter um coração no meio de uma guerra e em que momento o meu começou a bater por ele.

 



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