História A Única entre muitos - Capítulo 2


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Famí­lia, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Adeus, bem-aventurada ingenuidade


Ao amanhecer, Daastke acordou. Ainda era cedo para Gus acordar, mas Daastke fez questão de fazer um café da manhã para o seu salvador.

Gus acordou quando o som da chaleira encheu o loft.

"Bom dia." - Daastke fala para Gus, apoiado no vidro da mesa de jantar, observando-a.

"Bom dia, faz tempo que eu não tomo um café feito em casa." - Gus diz, animado.

"Onde toma café todos os dias?" - Daastke pergunta.

"Numa panificadora, a caminho do trabalho." - Gus responde.

"Não tem de trabalhar hoje?" - Daastke o questiona.

"Sabe, você me deu uma boa idéia. Não vou hoje, vou avisar o pessoal." - Gus fala, pensativo.

"Ué, porquê?" - ela o indaga - "Não tem de sustentar esse maravilhoso loft?".

"Essa seria a primeira vez que eu faltaria ao trabalho desde que cheguei aqui. E, estou com medo de deixá-la sozinha." - Gus a responde. Daastke cora instantaneamente.

«Não sou nenhuma criança, mas não gostaria de ficar sozinha.»

Daastke terminou o café e arrumou a mesa com o auxílio de Gus. Os dois sentam na mesa, satisfeitos e mortos de fome.

"Aqui é sempre assim?" - Daastke o questiona. "O que?" - ele a responde. "O clima. Noites frias e dias quentes?" - ela continua.

"Ah, sim." - ele fala, bebericando o café - "Nossa, nunca tomei um café tão bom assim. Você é a única mesmo.".

Daastke entendeu aquilo como um elogio, sem se atentar ao fato de que ela era, realmente, a única entre 2 milhões de homens.

"Obrigada." - Daastke responde, lisonjeada. Gustavo só observa a pontinha de sorriso que está no cantinho da boca dela.

"Que dia da semana é hoje?" - Daastke pergunta, curiosa.

"Sábado." - Gus responde, saboreando o café.

"Você trabalha aos sábados?" - Daastke pergunta, e Gus só acena com a cabeça.

"Que estranho." - murmura para si mesma.

«Acabou o assunto. Vou ficar quieta.»

Daastke sai da mesa, levando consigo a xícara que usou, enquanto que Gus só a observa.

Daastke sentou na beira do sofá, de frente para a grande janela do loft, e ficou lá observando a cidade.

«Nova cidade, nova vida.»

Enquanto Daastke estava imersa em pensamentos, Gus tentava comunicar o pessoal do trabalho.

"Wilhelm, me passa pro superior, por favor." - dizia Gus, preocupado, observando a distante Daastke.

"Eu não vou hoje. A única está hospedada aqui." - Gus diz, e Daastke vira abruptamente.

«A única? O que ele quer dizer com isso?»

"Entendo. Carta branca pra mim, então? E o governo me apoia? Ok, então." - Gus diz tudo com um sorrisinho no canto da boca, observando a curiosa Daastke.

Quando Gus desligou, Daastke só gesticulou com as mãos para que ele falasse.

"Por estar com você, o governo deixou que eu faltasse, e ainda, eles são da oposição." - Gus resume, e Daastke acena em compreensão.

«Oposição?»

Daastke lembrou de algo que gostaria de perguntá-lo.

«"O que quis dizer com a única? - pergunto.

"Pode-se rodar toda Zircaloy e não se achará ninguém semelhante. Não existe nenhuma outra mulher em Zircaloy a não ser você." - ele diz.

Que bom, não tem concorrência.»

"Ok, agora, realmente precisamos ver umas roupas adequadas para você." - Gus fala, preocupado.

Daastke correu para o guarda-roupas dele, pegou uma calça social e a vestiu por cima das roupas que estava.

"O que acha que ajustarmos aqui?" - Daastke faz referência a sua cintura.

Gus achou uma boa idéia.

"Ok, legal. Vou falar com um amigo meu." - Gus terminou e sacou o telefone do bolso. Saiu da frente de Daastke, falando ao telefone.

Daastke se olhava, imaginava o como ficaria uma roupa feita só para ela.

Daastke estava absorta nos próprios pensamentos enquanto que Gus tentava convencer Alexander, o alfaiate, a emprestar a máquina de costura.

Alexander chegou lá carregando a pesada mala, e enquanto arrumava o posto de trabalho sobre a mesa de jantar, Daastke apareceu para ele.

Alexander ficou bobo, Gus com ciúmes e Daastke com vergonha.

Ele pegou cada medida de Daastke, e enquanto ela dormia um pouco, Gus trocava uma idéia com ele.

Daastke não conseguia parar de admirar Gus. O jeito calmo como ele falava a fascinava.

«Ele é muito inteligente... Sua voz é calma, o seu olhar impressiona.»

Não ousou tirar o olhar dele.

"Daastke, precisamos ver como ficou, por favor, venha aqui." - Gus a chamou.

Daastke pegou as roupas e foi em direção ao banheiro.

«Peguei as roupas. Alexander ficou ali parado como se eu fosse prová-las ali mesmo. Longe de mim fazer isso.

No banheiro, tranquei a porta de forma a me assegurar de que ninguém vai me espiar. Odeio essa invasão de privacidade.

Bom, as roupas ficaram perfeitas. A camisa caiu bem, só precisa ser ajustada em meus seios, a calça está boa, não está tão justa mas ainda exibe minhas curvas.»

Daastke saiu rebolando inocentemente do banheiro, chamando a atenção dos dois.

"Uau. Ficou perfeito." - Alexander sussurra enquanto Gus está de queixo caído. Daastke solta um sorriso tímido.

"Você é muito linda." - Alexander fala com gosto.

«Ah, mal chegou aqui e está achando que pode achá-la linda. Oras, não gostei. Ele não pode pensar assim. Apenas eu posso.»

"Daastke, vai tirar essa roupa, devolva para ele poder fazer mais do mesmo tipo." - Gus despachou Daastke educadamente, enquanto se segurava para não dar uma surra em Alexander.

Daastke voltou com a roupa em mãos. Só entregou a Alexander e logo foi para a cozinha.

Alexander foi embora num instante.

«Ok, ele sabe que eu sou um advogado do governo. Se ele arranjar confusão comigo, a revanche é mil vezes pior.»

Daastke, percebendo a inquietude dele, ousa romper o silêncio.

"Impressão minha ou o Gus está com ciúmes???" - Daastke tira sarro.

Gus solta um sorrisinho irônico.

«Espírito protetor.»

[...]

Daastke estava se arrumando para sair pela primeira vez pelas ruas de Zircaloy.

Colocou uma jaqueta de couro no braço e saiu ao encontro de Gus, na porta do apartamento.

Quando saiu, Gus fechou a porta atrás dela.

"Aonde vamos?" - Daastke pergunta enquanto anda ao lado dele.

"No melhor restaurante de Zircaloy." - Gus diz, animado.

“Comida, yay!” – Daastke diz, em animação.

No elevador, Daastke, inocentemente, juntou suas mãos as de Gus. Daastke já não agüentava mais esconder que gostava dele um tanto a mais que alguns outros, afinal, já estava convivendo com ele há algum tempo, e havia se fascinado por ele. Gostava dele como ele era, mesmo com toda a briga por causa do chocolate. A inteligência dele chamava a atenção dela, afinal, homem tão eclético quanto ele não havia.

Gus não relutou em deixá-la segurar sua mão. Ele também já não queria esconder o interesse na única garota de Zircaloy, mesmo que isso significasse ter a polícia em sua porta toda hora.

Chegando no restaurante, Gus tirou com cuidado a jaqueta dela, colocou-a no encosto da cadeira e puxou-a para que Daastke sentasse.

«É realmente inevitável não gostar dele. Ele está sendo cortês comigo, o que mais eu poderia querer?»

“Percebi que não conversamos muito ultimamente, tenho trabalhado tanto para que se adapte bem aqui... Me fale um pouco sobre você.” – Gus dá o aval do início da conversa.

“Bom, para início de conversa, eu também gosto de chocolate. Minha comida favorita é... ah, sei lá, não tenho uma comida favorita. Detesto prender o cabelo.” – Daastke começa, mas pára para degustar o vinho recém-colocado na mesa – “Amo muito ficar quieta no meu cantinho de vez em quando, pensando na vida; gosto de tomar banho em paz...”.

«Já estava na hora de eu falar para ele que não gosto de ser observada em certas situações. Isso só aconteceu uma vez, mas nunca é tarde para dar um aviso.»

“Foi só uma vez. Eu estava morto de curiosidade, afinal, eu nunca havia visto uma criatura tão bela. Você é linda.” – Gus não resiste, e Daastke cora instantaneamente.

«Curiosidade é até entendível. Mas esses elogios dele... acho que ele faz de propósito para me encabular, mas, ah, eu gosto de ouvir ele falar que eu sou bonita. Porque sou mesmo, não tem qualquer outra aqui para dizer que ela é mais bela que eu. É, pelo menos tem uma vantagem de viver aqui.»

“Ok, sua vez.” – Daastke vira o jogo.

“Ok, mas saiba que para eu dividir chocolate com alguém, essa pessoa tem que ser muito especial para mim.” – Gus brinca, e Daastke solta um sorriso irônico.

«Ah esse sorriso, nem sendo sincero ele me vicia. Ela me vicia.»

“Eu gosto de trabalhar, detesto ficar sem fazer nada. Gosto de ficar com você.” – Gus foi direto ao ponto.

“Eu também, gosto muito.” – Daastke fala sem pensar, fazendo Gus soltar um sorriso.

«Gustavo, você não é assim. É, você foi modificado. Eu não sorria muito, até ela chegar. Ela me encantou assim que eu apenas vi sua silhueta. Não tinha motivo para isso, mas ela colocou um brilho diferente na minha vida.»

Daastke percebe o sorriso dele. Aquilo era uma coisa nova.

«Eu nunca o vi sorrir desse jeito. Eu poderia ver isso pelo resto da noite que não iria cansar.»

Gus chamou o garçom. “O prato do dia, por favor. E de acompanhamento, batatas fritas.” – Gus disse, e Daastke arregalou os olhos.

«Batata frita, ah, que delícia! Yay! Amo batata frita.»

Os dois passaram um tempo divertido, com Gus contando os causos do tribunal. A risada de Gus chamava a atenção.

Todos os que estavam ali prestavam atenção no jeito da garota. Gestos diferentes, uma delicadeza aparente, a doçura da voz.

Na hora de ir embora, enquanto Gus pagava a conta, Daastke foi abordada pelo garçom que os atendeu.

“Você é maravilhosa. Fique sabendo que para fazer ele rir, não é qualquer um que consegue.” – ele diz, e Daastke só acena com a cabeça.

«Sei lá, ouvir alguém além de Gus dizer que eu sou linda e maravilhosa, e por aí vai, é estranho. Mas saber que sou especial para ele, assim como ele é para mim, é muito bom.»

Ao sair, encontraram o Capitão Hatherfield andando pelas ruas.

“Daastke, o Capitão Hatherfield, de quem lhe falei.” – Gus os apresenta, e os dois apertam as mãos.

Hatherfield ficou vidrado em Daastke. O olhar dele, percebido por ela, tinha algo diferente, era como se ele estivesse comendo-a com os olhos, saboreando aquela comida exótica e tão diferente.

"Você é muito linda." - Hatherfield diz, lascivamente. Gus tenta não se deixar levar, e Daastke se assusta.

O papo dos dois não durou muito, porque Gus percebeu que Daastke bocejou.

«Ops, hora de ir, tenho medo que ela fique de mau humor se não dormir bem, assim como eu. Gosto desse jeitinho doce dela.»

Hatherfield era o chefe da polícia de Zircaloy.

Hatherfield, quando viu Daastke, ficou possuído de luxúria, ele a queria para si em todos os sentidos.

«Estou ficando com medo do Hatherfield. Ele parece me comer com os olhos.»

Gus puxou Daastke até em casa, e enquanto ela tirava a jaqueta, ele pegou a caixa de chocolates e sentou no sofá.

"Daastke, venha aqui!" - Gus gritou.

«Fui ver o que ele queria. Quando cheguei na sala, ele estava com a caixa de chocolates no colo.

"Senta aqui comigo." - Gus falou, carinhosamente. Ele deve estar aprontando alguma.

"Não ache que sou malvado. Você é muito especial para mim, mas, eu só queria ter certeza." - ele me diz, abrindo a caixa.

Ele luta para abrir o plástico da nova caixa de bombons, para despejar no vidro sagrado dele.

"Qual você quer?" - ele me pergunta.

"Escolha um para mim. O seu favorito." - digo.

Ele abre uma trufa recheada de brigadeiro. Arruma o pacote direitinho para não escorrer o recheio, e estende até a minha boca. Mordo com gosto.

Ele é tão gentil, me derreteu toda com isso.

Pego da mão dele e arrumo na minha. Estendo até ele, e com um sorriso, ele morde o chocolate.

Seu sorriso é profundamente sincero. E fascinante. Estou amando essa nossa aproximação.»

E lá ficaram, comendo os chocolates em silêncio, mas com olhares carregados de significado.

"Ok. Agora vou arrumar minha cama." - Daastke fala, saindo do sofá, mas Gus a impede.

"Não, deixe que eu arrumo para você." - ele diz, levantando do sofá.

«Ok, não vou contrariá-lo.»

Gus a deitou e deu um beijo em sua testa.

No dia seguinte... Gus precisava trabalhar.

«Não queria deixá-la, mas eles precisam de mim.»

"Daastke, fica bem sozinha?" - Gus pergunta a ela, meio adormecida. Ela acena com a cabeça.

Gus deixa o telefone do trabalho escrito num papel, caso ela precise.

Andando até o prédio onde trabalha, Gus passou pela loja de telefones, e decidiu dar um de presente para Daastke. Pediu ao atendente para que embrulhasse como presente, e passava pegá-lo após o trabalho.

Enquanto trabalhava, a figura de Daastke em sua mente o desconcentrava.

Numa das pausas, Gus ouviu um grupo de homens brigar para ver quem daria o melhor presente para Daastke.

«Daastke não vai ganhar presente de ninguém além de mim.»

Gus passou o dia pensando em Daastke, assim como ela ficou pensando nele. A saudade, embora tivessem ficado longe um do outro apenas por algumas horas, era grande. A expectativa de se encontrarem novamente, principalmente a de Gus com o presente, era grande.

Quando Gus deu o presente para ela, ganhou um beijo na bochecha, suficiente para deixá-lo bobo e ela, ainda mais apaixonada.

«"É impossível não gostar de você." - falo, encantada.

Ele é tudo o que eu queria para mim.»

Aquilo despertou Gus para um assunto, que para ele, era sério até demais.

«"Daastke, você me trocaria por outro?" - pergunto, cabisbaixo.

Sinto que outros estão determinados a ganhá-la de mim. Isso me assusta, me desespera.

"Gus, nenhum me encanta mais do que você. Até agora não encontrei nenhum que faça metade do que você fez e faz por mim." - vejo sinceridade nela.

Além de linda, é honesta.

"Promete que não vai me trocar?" - pergunto.

"Prometo, juro... Eu não seria louca de trocar um homem tão bonito e inteligente, que eu gosto muito, por um qualquer." - ela fala, animada, passando a mão em meu cabelo, eriçando os pêlos da minha espinha, em um bom modo. Daria de tudo para sentir novamente.

Sorrio. Só ela para me arrancar um sorriso.

Vou até a cozinha e pego minha sagrada caixa de chocolates.

"Vamos assistir um filme?" - pergunto para Daastke. Ela me acena freneticamente com a cabeça.

Sento no sofá. Tento caçar em minha mente um filme que não seja violento.

Desisti.

"Não tem filme legal para nós. Vamos assistir o jornal da noite e vamos dormir." - digo, e ela se ajeita em mim.

Abro um chocolate para ela.

"Você é a única com a qual eu quero dividir meus chocolates." - digo para ela, que levanta a cabeça e pega o chocolate com a boca. Rio disso, é engraçado.

Ela volta a se aninhar em mim.

Não tarda muito para que ela durma.

Com cuidado, a levo para a minha cama, não quero deixá-la dormir no sofá, quero ela comigo.

A arrumo direitinho no travesseiro. Ela é linda até adormecida.

Eu não queria deixá-la amanhã, mas eu preciso trabalhar.

"Eu te amo." - sussurro para ela, e dou um beijo em sua testa.

Quando eu finalmente deito, ela entrelaça seus dedos aos meus.

Meus sentimentos por ela estão se aprofundando.»

Gus saiu cedo no outro dia, deixando-a dormindo.

Passou numa joalheria e pediu uma encomenda relâmpago: um par de anéis, um para ele, e outro para Daastke. Mas ficariam prontos em alguns dias.

Gus, quando chegou no trabalho, mandou uma mensagem para ela, mas ela ainda não havia acordado.

«Quando acordei, tinha uma nova mensagem de Gus no meu celular.

"Bom dia, minha linda! Espero que tenha dormido bem. Desculpe por ter saído sem te acordar. Mal posso esperar para chegar em casa e te ver. Até depois." - termino de ler em êxtase.

"Ei, bom dia, está desculpado. Agora me esqueça um pouco e trabalhe. Bom trabalho e até depois, meu lindo." - digito e envio.

Ele me faz me sentir nas nuvens.

Passamos o dia trocando mensagens, coisas do tipo 'tudo bem?', 'já comeu?', 'estou com saudades', 'o que está fazendo?'.»

À noite, Daastke e Gus conversavam, dividiam um chocolate e ela acabava dormindo encostada nele, e ele, com cuidado, a colocava do seu lado na cama.

Os dias costumavam ser assim, até que algo aconteceu.

Era de tarde. Daastke e Gus já haviam trocado algumas mensagens durante o dia.

Hatherfield apareceu no loft.

«Alguém bateu na porta do loft, e quando fui ver, era Hatherfield.

Pelo olho mágico, ele já me dava medo.

Quando abri, ele já entrou.

Ele mesmo fechou a porta, e me prensou contra ela.

Eu não estava gostando daquela aproximação, então, pedi que se retirasse.

Mas conforme ele insistia, eu também insistia que ele tinha que ir embora.

Ele me agarrou pelo braço, forte. Aquilo foi suficiente para me calar. Me levou para o elevador e ficou me segurando, como se eu fosse um bichinho de estimação.

Me levou pela portaria até atrás do prédio, num beco.

O porteiro não estava. Acho que ele deu um jeito de fazer ele sumir.

"O que você vai fazer?" - pergunto, seriamente.

Só sei que eu não deveria ter feito essa pergunta. A essa altura, um simples medo estava se tornando um terror total.

"Calma, não vou fazer nada demais, mas se não obedecer, não verá mais o Gus." - percebo seu tom cheio de pretensão, enquanto tira as algemas e a pistola do cinto, e deixa em cima de um tambor.

Tremo feito vara verde, meu coração está acelerado, minha mente quer fugir dali o mais rápido possível.»

Daastke mal sabia o que ele iria fazer, de tão inocente.

"Levante os braços." - Hatherfield diz a ela, que apreensivamente os levanta.

Hatherfield vai levantando aos poucos a camiseta branca que Daastke usava, observando a pele pálida dela.

Aquilo para ele não era um simples objeto de fascínio, era um objeto de um desejo desenfreado, lascivo.

Hatherfield não sabia de onde tinha tirado essa idéia, mas sabia que precisava experimentá-la.

Despiu-a toda, fazendo graça com o medo e a apreensão da garota.

A algemou, queria ela quieta.

Com força, crueldade e violência, a estuprou.

«Era impossível controlar o choro. A dor era cortante, era como uma espada ardente arranhando meu interior.

Eu me contraía numa vã tentativa de extinguir a dor, mas só piorava. O jeito que ele me tocava era repugnante.

Lá estava Hatherfield, explorando partes de mim que eu mesma desconhecia, de modo brusco e violento.

Eu não sei o que houve para ele parar, mas ele parou.

"Obrigado pela ótima experiência." - disse, caçoando de mim, enquanto tirava minhas algemas.

Realmente, parecia ter sido muito boa e bem divertida para ele.

Ele ousa enxugar uma lágrima minha, mas eu viro o rosto em desprezo. Queria eu ter dado um soco nele, mas me sinto tão suja, usada, incapaz.

Ele sai, me deixando sozinha, nua e machucada.

Eu já não sei mais em quem confiar, os homens são todos iguais. Se Hatherfield fez isso comigo, garanto que Gus pode fazer o mesmo.

Procuro minhas roupas, porque cada uma está em um canto.

Fica difícil colocá-las. Estou tão envergonhada que não ousarei sair daqui.»

Enquanto isso...

«Estou ficando preocupado, Daastke não responde as minhas mensagens.»

Ao chegar no loft, Gus percebe o celular dela em cima do sofá.

Gus revirou o loft mas não a achou.

"Joseph, Daastke saiu do prédio?" - Gus ligou, desesperado, para o porteiro.

"Não vi ela sair, mas vou dar uma olhada nas câmeras." - Joseph o responde - "Espere só um momento.".

Gus ficou andando de um lado para o outro no loft, até a resposta de Joseph.

"Gus, eu a achei. Ela está na entrada do corredor de serviço, lá atrás do prédio." - no que Joseph falou isso, Gus saiu correndo.

«Misericórdia, o que Daastke faz lá?

Chegando no beco, vejo a figura assustada e apreensiva dela.

Já estava escurecendo e esfriando, então tirei o meu paletó para colocar por cima dela, que estava com o seu pijama.

Eu tento pegá-la no colo, mas ela tenta me distanciar. Parece estar com medo. E está com os pulsos machucados.

"Por favor, não me toca." - ela fala meio grossa, séria, desesperada.

Não entendo o porquê de ela estar assim.

"Ei, calma, prometo que não vou fazer mal." - falo, suavemente.»

Daastke não sabia se confiava ou não.

Ver ela naquele estado, tão... Apavorada, estava deixando-o mal.

"Por favor, Daastke, venha, eu não vou machucá-la." - Gus implora, quase chorando. Daastke vai.

«Mesmo desconfiada, aceitei ser carregada por ele. O cheiro de seu perfume, coisa que eu amava, agora, me dava medo. Sentindo-o, eu não queria pensar que Gus era doentio como Hatherfield, e isso me fazia chorar.»

No loft, Daastke entrou direto no banho. Gus estava ficando preocupado até demais.

"Daastke, você está bem?" - Gus pergunta, sem ousar espiá-la.

"Estou, só, me deixe ficar mais um pouco, por favor." - Daastke tentou disfarçar a voz de choro, mas Gus percebeu.

«A água parece não tirar a sujeira impregnada em mim.»

Ao sair, Daastke pega um cobertor e se senta na janela.

"Daastke, o que foi?" - Gus pergunta, suavemente, ao perceber o choro silencioso dela.

"Nada, Gus, é vergonhoso demais para mim." - Daastke fala, tentando ser suave.

«É só uma questão de tempo até ele descobrir que pode fazer isso comigo.
Não sei se confio ou não, apesar de ele estar sempre me provando que não me machucaria.»

"Ok, entendo se não quiser falar, mas se precisar, estou aqui, pode desabafar comigo a qualquer hora." - Gus diz.

«Eu terei de ser respeitoso se quiser manter esse poço de doçura comigo.»

Daastke não quis jantar. Nem dividir um chocolate com Gus.

«"Daastke, venha, vamos dormir." - falo com ela, que está distante e abalada.

Tento colocar uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha, e uma lágrima escorre de seu olho. Tento enxugar.

"Não me toque, por favor." - sua expressão é de medo. Vejo que ela tenta ser suave ainda assim.

Fico lá, olhando-a por um tempo. Me parte o coração vê-la machucada. Eu não sei o que ela fez, ou o que fizeram com ela, por mais que eu queira saber o que aconteceu, mas não vou forçá-la a contar.

"Pode ir dormir, não se preocupe comigo." - ela diz, dando de ombros.

"Boa noite." - disse, e a deixei lutar consigo mesma.

Era impossível dormir enquanto eu ouvia ela chorar, aquilo doía profundamente em mim.

Silenciosamente, eu a espiava durante a noite.  Ela adormeceu antes do amanhecer, e eu a coloquei no sofá, deitada direitinho.»

Gus tirou o dia para cuidar dela, afinal, seu instinto mandava-o protegê-la.

Daastke, depois de toda a confusão, acordou lá pelas duas da tarde.  Gus preparou um chá quentinho com bolachas.

Gus falou com os policiais da oposição.

Zircaloy se dividiu em três grupos distintos. A oposição, que defendia que Daastke, como a única mulher da sociedade, deveria ser tratada com respeito; os revoltosos, que queriam transformá-la em um objeto; e os nem-aí, que não queriam se envolver com essa questão.

Daastke, com medo, tentava se manter afastada.

«Porque? Porque comigo?

Eu era tão ingênua. Porque ele me tocou assim?

Me sinto tão suja, tão desprezível, indigna. Tão usada.»

Foram vários os dias que Gus ficou com ela até que ela voltasse a falar com ele novamente.

«Dia após dia, Daastke foi voltando a falar comigo.

Quando eu achei que ela estava suficientemente recuperada, voltei ao trabalho.

Levei um grande choque ao ouvir falar que existia algo que poderia proporcionar sensações físicas muito boas, mas que só era possível ser feito com Daastke. Me pergunto quem descobriu isso. »

Ao chegar no loft, foi verificar como estava Daastke.

Como sempre, jantaram e dividiram um chocolate. Gus estava feliz em ter o poço de doçura de volta.

«"Daastke, ouvi falar que existe algo que só pode ser feito com você, que causa boas sensações físicas. Isso é verdade?" - na cama, antes de dormir, Gus me pergunta.

Eu sabia que era apenas uma questão de tempo para que Zircaloy viesse a saber disso.

Ao lembrar da sensação física, sinto o coração acelerar.

Hatherfield arrancou minha ingenuidade, mas serviu de lição: ficar sempre com um pé atrás.

Aceno com a cabeça.

"Pretende me mostrar algum dia?" - ele me pergunta.

"Amanhã." - prometo.»



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