História A vida é assim, às vezes a vida é uma vida. - L3ddy-Luddy - Capítulo 2


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Luta, Magia, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Vocês provavelmente devem ter pensado que era um capítulo novo, ai chega na hora e ver que é apenas o mesmo capítulo so que modificado. Entendo a frustração.
Bom, aquele capitulo como eu havia comentado, não me agradou. Então eu fiz umas pequenas modificações. Pra se mais exata foi nos diálogos. E vuala.
Prometo que já irei escrever o proximo capítulo. Sorry por isso.

Capítulo 2 - Hello, brother.


Trovões soaram. Seu coração acelerou. Ela corria em direção leste, tentando se distanciar do corpo de seu marido, que se encontrava estraçalhado e jogado bruscamente sobre o chão, com um pedaço da pele e carne de seu pescoço arrancado bruscamente. Havia marca de dentes naquele local. Talvez fora um animal selvagem que fizera isso. Só que, não havia animais naquela região, e poderá ter certeza de que ouvira uma voz masculina falando junto a de seu marido, a quilômetros de distância, num mero sussurro rouco, quase inaudível. O pesadelo não lhe abandonava, as imagens do corpo de seu marido estraçalhado sobre o chão, invadia sua mente sem nitidez alguma. Seu corpo debruçado sobre o chão, seu grito que ecoara agudo perante a silenciosa floresta e até mesmo o homem no qual havia visto de relance, antes de correr. Não poderá distinguir suas vestes ou seu semblante, porém com a pouco claridade da lua, poderá jurar que havia visto um sorriso esboçado em seus lábios. A imagem do sorriso acabará por lhe causar calafrios. Era ele, ele estava assombrando-a, deixando-a assustada e vazia. Se conseguisse escapar dali, escapar dele, tudo ficaria bem. Ofegando, olhou para trás para ver o quanto se distanciara.

Então novamente o viu. Aquele mesmo homem na floresta, meio oculto devido a nevoeira, a uns cinquenta metros de ti, vestindo um casaco longo e escuro. No instante em que o viu, ele vagarosamente começara a ir em sua direção, com as mãos no bolso e um sorriso nos lábios. 

Até aquele momento, ela nunca saberá de verdade o que era  medo. Um choque a pecorreu, frio como água gelada, e descobriu com que velocidade ela podia de fato correr. Não gritou; não adiantaria nada, pois saberá que não havia ninguém além dela e ele na floresta. Acampar na floresta. No meio do nada. Ótima ideia em..., Se culpou mentalmente. Ela nem havia trago seu celular, pois saberá que ali não havia sinal; Não haveria socorro. Ela tinha que correr como uma louca. 

Podia ouvir os passos dele, partindo galhos, esmagando folhas. Estava chegando cada vez mais perto. Ele era rápido. Como podia alguém andar tão depressa?

Galhos enganchavam nas mangas de seu casaco e prendiam-se nas mechas de seu cabelos que tinham escapado de seu coque. Tropeçou numa pedra, e seus dentes se chavaram na língua, mas continuou correndo. Como se sua vida dependesse disso, e de certa forma, dependia. 

 

Eu conseguia sentir seu coração acelerando cada vez mais.

Conseguia sentir seu medo, pavor, tristeza e frustração.

Eu conseguia ouvir sua respiração, estava descompassada e bastante audível aos meus ouvidos. Os galhos se quebrando e arranhando sua pele. 

Eu conseguia ouvir o som de pequenas massas de ar escapar-lhe pelas narinas.

Eu conseguia ouvi-la soltar pequenos e baixos grunhidos. 

Eu conseguia sentir o cheiro de sangue de seus machucados.

Ela corria, muito rápido, aliás. Eu até me surpreendi com sua coragem e falha tentativa de fuga. Por mais que eu pudesse alcança-la facilmente. Eu estava me divertindo com seu desespero.

 

Lágrimas subiram-na aos olhos. Já não aguentava mais correr. Sua visão já embaçada pelas lágrimas que escorriam por sua pele negra, fez com que a mesma desse uma leve atropessada pelo caminho.

Seu marido está morto. Essa frase ecoou em sua mente. Ele era o único que a entendia, o único que se importava com ela e dava-lhe atenção, carinho, proteção e amor. O único que a amou de verdade, e demonstrou isso.  Durante anos sua vida foi ao lado dele, passaram altos e baixos juntos. E agora, agora ele morreu, seu marido estava morto, e ela havia visto o corpo dele com seus próprios olhos. E por mais que se negasse a acreditar, por mais que não quisesse e desejasse que aquilo fosse apenas um pesadelo, ela sabia que não era. E isso a assustava.

A mulher dos longos cabelos castanhos caiu ajoelhada no chão, rendida ao cansaço. A essa altura já soluçava alto. Seu joelho assim que entrou em contado com o chão áspero, latejou. Ela sentia uma dor insuportável em sua cabeça. Seu corpo doía, e de certa forma, já era de se esperar, aliás, havia diversos arranhões, machucados e hematomas por todo seu corpo, eles sangravam e doíam, uns apenas ardiam levemente, já outros lhe causará uma dor insuportável. 

A palma de suas mãos estava no chão, segurando o peso de seu corpo. Seus cabelos voavam desageitadamente na mesma direção que o vento.

Ela não suportaria viver em um mundo no qual ele não estivesse ao seu lado, afinal, ele havia dado-a o mundo e agora que ele não está mais no mundo, qual é o sentido da vida? Do que adianta continuar? Ela está sendo perseguida pelo homem que, provavelmente, matou seu marido, o que garante que ela sairá viva? Porque ela sairia viva? Não vale a pena continuar, não vale a pena tentar, seus esforços serão em vão, então, do que adianta continuar? Sabe que vai ser pega, tem certeza absoluta disso.

O barulho dos passos atrás de si foram cessando. 

 

Eu conseguia saber o que ela pensava.

Eu conseguia sentir o que ela sentia.

Eu conseguia me identificar com ela, de certa forma.

Ambos dos dois não são nada um sem o outro, e eu sabia disso quando o matei.

O problema é que eu não me arrependo, não sinto remorso algum. Não sinto pena ou dor por tê-lo matado. Muito pelo contrário. Eu me sentia vivo, feliz, livre. E ainda por cima, me sentia orgulhoso, eu sou o herói da história, deviam me agradecer, de qualquer maneira ele morreria, com todas as coisas que vem acontecendo o que garante que se eu não o matasse outra pessoa não iria? Eu o livrei desse mundo cruel e repleto de ódio, as pessoas deviam agradecer-me eternamente por isso, então, por que elas temem? Por que não aceita nós que somos diferentes? Eu os livro desse mundo e mato minha sede por sangue. Ambos dos lados não saem ganhando?

 

O homem agora se encontrava a sua frente, com a cabeça um tanto abaixada e tombada pro lado, focando em seu rosto, analisando qualquer mudança em seu semblante. A respiração de sua presa ainda saíra bastante audível aos seus ouvidos, e aquilo o incomodava profundamente. A ideia de matá-la sufocada invadirá sua mente, fazendo com que um largo e satisfatório sorriso aparecesse em seus lábios.

— O que você quer de mim? Já não me tirou o suficiente? Já não destruiu minha vida o suficiente? — Questionou, sua voz saíra em um mero sussurro. Ela fazia diversas pausas enquanto dizia, provavelmente, tentando recuperar o ar que lhe faltará os pulmões.

O homem se mantinha em silêncio, se divertindo com a situação.

—Sua mãe deve está decepcionada com você. Ela deve ter criado-te com tanto amor, para no fim, você se tornar esse monstro que é. — Revelou o que pensava, com desgosto, em um movimento brusco, levantando sua cabeça, olhando-o nos olhos e analisando sua feição, tentando achar qualquer demonstração de remorso ou arrependimendo, ou até mesmo tristeza. Porém, o homem não mudou sua feição e continuou a olhando, com uma expressão neutra.

— Minha mãe me traiu. — Se pronunciou. — Ela matou meu pai, após ele ter matado um homem para me defender. Se não fosse pelo meu pai, eu poderia estar morto. Meu pai era a única pessoa que me entendia no mundo e por culpa da minha mãe, ele está morto... E ela também. 

— Seu pai e sua mãe são assassinos! — Afimou. O olhando, incrédula. Como pode um ser humano contar algo assim de uma maneira tão normal? 

— Não fale assim deles. — O homem se ajoelhou em sua frente e com a mão direita, segurou firmamente o queixo da mulher. — Existem dois tipos de pessoas no mundo, as que matam para proteger aqueles que ama, e os que morrem por seres muito fracos para protegê-las. — O homem a olhava nos olhos. Os olhos castanhos esverdeado da mulher a sua frente estavam úmidos devido as lágrimas. Ela ainda soluçava alto, e mantinha uma feição de pavor. 

— E qual dos dois você é? —Perguntou. O homem havia se sentado ao seu lado. Seu olhar se encontrava distante, enquanto olhava para trilha que havia dentro da floresta. A mulher o olhava com medo, curiosa, ela poderia facilmente atacá-lo já que após analisá-lo chegou a conclusão de que o mesmo não se encontrava armado, porém as dores de seu corpo a impedia de fazer um sequer movimento, inclusive se afastar. 

— Eu sou ambos. — Revelou. O fato de estar conversando com uma de suas presas o entediava. Porém ela em poucos minutos morreria, então, não tinha o porquê de não fazer.

— O que você quer comigo? Porque matou meu marido...? Porque... — E novamente as lágrimas a subiu aos olhos. Sua voz embargou-se. O homem achou graça da mudança repentina do ser humano em relação a diálogos. 

— Vocês humanos são seres tão curiosos... tão idiotas... tão tolos e despreziveís.  — Citava as características que havia dado aos humanos. Uma brincadeira particular sua. Havia um sorriso indescrítivel esboçado em seus lábios. 

— Você não se considera humano? — Perguntou, sua feição transparecia curiosidade. E em seus pensamentos a mulher havia chegado a conclusão de que, o homem que se encontrava sentado ao seu lado era louco.

— É claro que não. Eu sou um anjo. Um anjo da morte. Um anjo que salva todos desse mundo cruel, egoísta e repleto de ódio, o anjo que liberta-te de todo mal que lhe cerca... — Sorria, encarando o rosto da mulher ao seu lado e passando o polegar em sua face, secando suas lágrimas que não cessava um segundo sequer. 

— Você acredita nisso? — Perguntou, incrédula. Não acreditara que ouvira aquelas palavras, aquilo soara tão idiota que se negava a acreditar que havia ouvido alguém as pronunciar.

— Você não? — Perguntou. Uma pergunta retórica. Ele sabia o que ela pensava, não precisava ouvi-la responder.

— Olha, eu entendo que você deve estar passando por momentos díficies em relação a seus pais. E talvez eu até entenda seu ódio pela raça humana, afinal, nós, seres humanos, somos mentirosos e egoístas e sempre fazemos de tudo para alcançar nossos objetivos, mesmo que isso signifique passar por cima das pessoas que nos ajudaram a dar um passo adiante. Muitos de nós não somos honestos uns com os outros, as vezes por querer esconder a verdade com medo de ser julgado, ou até mesmo pra proteger quem nós amamos, ou simplesmente por sermos egoístas... Sabe, todo os dias eu me olho no espelho e me pergunto "Eu estou bonita o suficiente? Estou dentro dos padrões? Eles irão me aceitar do jeito que eu sou? Ou terei que mudar para me encaixar na sociedade?", Eu me questiono sempre, pelo simples fato de eu ter medo do que as pessoas vão dizer sobre mim, pelo simples fato de eu querer que as pessoas gostem de mim e eu não seja excluída, que eu não fique sozinha e seja a "ovelha negra do mundo"... Eu quero ser aceita... — A essa altura ela nem sequer olhava mais nos olhos do homem, seu olhar focava na trilha que havia na floresta. Seus pensamentos estavam distantes. Ela se sentia uma idiota por desabafar com um homem desconhecido, que só não matou seu marido como também vai matá-la. Porém a dor de guardar tudo aquilo para si era maior, era sufocante. E aliás, ela precisava da confiança do homem, precisava que ele confiasse nela o suficiente para que ela pudesse continuar viva e assim, entregá-lo a polícia. 

— O pior erro que alguém pode cometer, é deixar de ser ela mesma para assim poder ser o que as pessoas querem que ela seja. Estamos no século 20, não acho que exista algo como "Padrões da sociedade", mesmo que, muitas pessoas digam ou tentem impor. Isso é algo ridiculo. E ver que ainda tem quem tenta se encaixar nisso so mostra o quanto o ser humano pode ser manipulado e facilmente contráriado. A teoria de que robôs irão dominar o mundo, é realmente real. Somos maquinas, fazendo o que a sociedade impõe e quer o que nós façamos, somos marionetes facilmente manipulados e controlados... — Suspirou. O homem olhou a trilha da floresta. Engraçado como aquela trilha os levavam além dali, literalmente. — Você e seu marido se conheceram quando ele tinha 8 anos de idade e você 6. Numa festa de aniversário de uma de suas primas, Melissa. Ela estava completando 10 anos. E você nunca gostou dela por causa que a mesma quebrou a sua boneca preferida, que você havia ganho de seu avó, antes do mesmo morrer com 74 anos. Ai quando você conheceu o seu marido, era como se seu mundo ganhasse cor, já que os dois pintavam com giz-de-cera todos os muros por onde passavam. Quando sua mãe morreu, no tipíco clichê de histórias, em um acidente de carro, você ficou levemente "alterada" e ele estava lá do seu lado, vocês tinham quantos anos mesmo? Hum.. ele tinha 18 e você 16, certo? Acho que é isso mesmo. E no seu aniversário de 22 anos, ele te pediu em casamento, em frente a todos os seus convidados, em cima do palco. Certo? Teve chororo, aplausos, palhaçadas, mimimi e blá-blá-blá. Certo? — Questionou. Com as palmas da mão uma a cada lado de seu corpo, apoiadas no chão e o peso de seu corpo sobre elas, a cabeça tombada para trás e seus olhos estavam fechados. Ele deu uma alta risada. 

— Como você... Como... Isso... — Tentava encontrar palavras para o questionar, porém nada a vinha a mente. Novamente lágrimas a subiu aos olhos ao se lembrar dos momentos que havia passado ao lado de seu marido. 

— Agora eu te pergunto. Você realmente o conhece, ou melhor, o conhecia tanto quanto pensa? Digo, ele te contava tudo? Todas as coisas que ele fazia durante seus turnos extras no trabalho, seus mais profundos pensamentos e mais obscuros atos? Ele compartilhava com você tudo que o acontecia no dia-a-dia dele? — Questionou, com os olhos entre-abertos, olhando-a de relance. Analisando qualquer mudança de feição que a morena poderia esboçar. Curiosidade e angustia, essas eram as palavras para definir sua mudança de feição. 

— Um relacionamento é baseado em confiança. — O informou, sua voz ainda falha se mostrou firme. Por mais que tentasse manter ou tentar numa tentativa falha fazer uma pose de durona, seus pensamentos estavam a mil e em negação, e seus olhos transbordavam toda a dor que não cabia dentro de ti.

— Se um relacionamento, namoro, noivado ou sejá lá o que for, é baseado em confiança, porque ambos de vocês dois não confiavam um no outro? — Perguntou, ele conseguia saber tudo o que se passava na cabeça da mulher, e saber que estava deixando-a curiosa, apavorada e intrigada o divertia.

— Onde você quer chegar com isso? — Perguntou. Com sua sobrancelha direita arqueada, ela se negava a voltar a olhá-lo nos olhos outra vez. 

— Ele mentia para você, todos os dias. — Revelou. — Você mentia para ele todos os dias. — Continuou. — Entendo que as pessoas quando estão em um relacionamento, elas precisam ter confiança em seu parceiro ou parceira, para que o relacionamento vá adiante. — Fechou os olhos e respirou fundo. — Eu aprendi quando criança que, se você quer respeito, você tem que fazer por merecer. Se você quer que as pessoas sejam gentis com você, você terá que ser gentil com elas. Se você quer que a pessoa confie em você, você não só terá que confiar nela como também terá de mostrar a ela que ela pode confiar em você. Quer respeito? Mereça. Quer gentileza? Mereça. Quer confiança? Faça por merecer. — Citava o que haverá por aprender em seu passado. — O seu relacionamento com o seu marido era um grande poço de mentiras. Vocês não confiavam de verdade um no outro. Não eram honestos um com o outro. Vocês, seres humanos, não são dignos de confiança.  Não são dignos de pena ou remorso. 

A  mulher se manteu em silêncio. Se questionando mentalmente, como ele sabia de tudo que ela e seu marido haverá por passar juntos? Porque ele está dizendo essas coisas? Aonde ele quer chegar com isso? Quem é ele? E o que está acontecendo...? É real?

— Quem é você? — Questionou. Dizendo a frase que mais rodiava sua mente e a martelava. Sua voz sairá em um mero sussurro embargado por conta das lágrimas que ainda desciam pelos seus olhos e escorriam por sua face. Seus lábios estavam prensados um no outro, em uma linha fina.

— Eu sou a pessoa que perdeu os país muito cedo. A pessoa na qual tem demônios famintos e sedentos por sangue presos em sua cabeça. Sou uma pessoa fraca, que não consegue não só controla-los, como também não consegue controlar seus próprios demônios. Eu sou a pessoa que tem uma vida dupla, e que usa uma máscara que a cada dia que se passa é cada vez mais destruída. — Deu um sorriso fechado, sem abrir os olhos. — Eu sou um dos seres mais temidos pelos os seres humanos. Sou um ser de presas e com sede por sangue, assim como lendas dizem. Eu sou o seu pior pesadelo. — Abriu seus olhos que estavam em um tom avermelhado, havia veias abaixo de seus olhos e suas presas estavam afiadas, expostas aos seus olhos. Ele se virou para a mulher.— Prazer, sou Gusta. 

E sem dizer mais nada ele a atacou, derrubando-a bruscamente de costas no chão e atacando seu pescoço, estraçalhando-o para que pensem que fora um animal que fizera isso. A mulher tentava de todas as maneiras possíveis se debater e sair dali, porém as dores de seu corpo, eram maiores, o impacto de seu corpo ao chão. Aos poucos a mulher parava de se debater. Sua respiração ia cessando, igualmente aos seus movimentos. Sua pele se encontrava num tom pálido e com uma temperatura fria. Ela estava morta.

 

Eu novamente havia perdido o controle.

Eu havia deixado o meu outro lado dominar-me.

Eu estava maluco. Totalmente fora de mim. Eu deixei guiar-me pela escuridão e encarei meus próprios demônios. Eu tentei lutar contra eles e eles venceram, eu não fui forte o suficiente pra controlar sequer a mim mesmo. 

Eu não sou forte o suficiente.... Não sou o suficiente para nada. 

 

Fechando o seu diário, ele inclinou a cadeira para trás e se debruçou sobre a mesma. Apoiou seus pés sobre a mesa e fitou o teto. Naquela noite sua mente estava perturbada. Confusa. Seus demônios queriam sair. Se alimentar. Queriam possuí-lo e ficarem no controle. Porém, ele tentava no máximo não deixá-los controla-lo. E aquela luta mental, o destruía pouco a pouco.

 

Porque eu sinto que o que eu faço nunca é o certo?

Nunca é o suficiente.

Eu não consigo encara-los, e nem sequer controla-los. 

Porque? 

Porque eu sou tão fraco?

 

Frustado, ergueu seu punho para o alto e o bateu na mesa, quebrando-a e a partindo no meio. Estava visivelmente irritado. Precisava fazer algo para reprimir sua fúria. Porém, naquela noite, queria dar paz ao mundo. 

Ele não se sentia culpado pelas mortes causadas por si, muito pelo contrário, se sentia muito bem por isso. Porém, as pessoas não tinham nada a ver com sua irritação, elas não merecem ser mortas por seus próprios problemas. Por enquanto, não agora.

— ARGH! QUE DROGA! — Rosnou alto, se levantando bruscamente e chutando a parede que dividia a sala com a cozinha. Na parede um enorme buraco havia sido aberto por conta do chute, e ficando com pequenas madeiras afiadas ainda dela, ele, observou a sujeira no chão e, começou a chuta-la, numa tentativa falha de aliviar seu estresse. — SAI DA MINHA CABEÇA!! — Esbravejou. Caindo ajoelhado no chão, apertando os olhos um contra o outro fortemente, com as mãos levadas a cabeça e com pequenos tufos de cabelos entre seus dedos ele os puxava e gritava, se contorcendo, inclinando seu corpo para frente e pra trás. Aquelas vozes em sua mente ficavam cada vez mais altas e o atormentavam. Algumas gostas de suor escorriam por sua testa.

Depois de um longo e torturoso tempo as vozes tinham finalmente cessado, porém tudo que elas haviam dito havia ficado martelando em sua mente. E por mais que negasse, no fundo ele sabia que elas não estavam mentindo. E de todas as coisas de que durante 368 anos ele passou, se apaixonar era a mais assustadora entre elas. Isso só não o confundia como o fazia questionar tudo e entrar em um conflito interno consigo mesmo. Como se, se apaixonar não fosse castigo e punição o suficiente, a pessoa só não era um idiota em seu ver, como também era um  mero e estúpido humano. 

Ele foi despertado de seus devaneios quando notou que uma nevoeira se formava em sua sala, tampando completamente sua visão, ou melhor, apenas a embaçando. 

O vento havia ficado forte, e o som das suas janelas tremendo por estarem soltas, o irritava profundamente. Ele olhou freneticamente para todos os lados e notou uma adaga no chão, ou algo semelhante a uma. Com aquele nevoeira não conseguia distinguir.

Um forte estrondo ecoou por sua sala após a adaga se chocar contra os vidros da janela, não só havia pequenos cacos espalhados pelo chão de sua sacada, como também havia tijolos de sua parede juntamente. 

Um corvo entrou pela porta aberta da sacada e pousou no corrimão da escada, com o olhar curioso, o homem o olhava, e novamente, a ventania se iniciou junto ao nevoeiro. Levando suas mãos acima dos olhos numa falha tentativa de conseguir enxergar, ele semicerrou os olhos. Aos poucos a nevoeira foi cessando e uma figura ia se formando na porta de sua sacada. A figura até então se encontrava numa sombra humana preta, porém aos poucos fora ganhando cor, e após se formar, ali estava ele, a pessoa na qual nem tão cedo pensara em encontrar. A pessoa que destruiu sua vida e o tornou o monstro que ele é nos dias atuais. A pessoa que acabou com sua humanidade. Ele estava ali, diante dos seus olhos. Com uma calça justa preta, uma blusa cinza e uma jaqueta de couro, usava coturnos e seus cabelos estavam levemente bagunçados — Por causa do vento —, havia um sorriso irônico esboçado em seus lábios, e o mesmo estava com um olhar divertido. Enquanto o encarava.

— Hello, Brother. — Com os olhos semicerrados, ele cruzou os braços. Um sorriso de canto havia sido esboçado em seus lábios.

— T3ddy...

 

 


Notas Finais


Hello, brother = Olá, irmão.

TA MUITO CALOR AQUI. SOCORRO


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